Imposto de Renda 2026: prazo termina nesta semana e programa ao vivo tira dúvidas
Imposto de Renda 2026: prazo termina nesta semana e programa ao vivo tira dúvidas Até a próxima sexta-feira, expectativa da Receita Federal é de que cerca de 44 milhões de declarações sejam entregues. Quem precisa declarar? Como baixa o programa? Até quando vai? Veja perguntas e respostas.. Faço a declaração online ou programa no computador? Veja diferenças. Primeiro lote de restituição será pago nesta sexta-feira; veja quem entra e a data dos próximos.
PIX fora do ar? Clientes de bancos reclamam de instabilidade

PIX
Reprodução/TV Globo
Clientes de diferentes bancos usaram as redes sociais nesta quarta-feira (27) para reclamar de instabilidade no PIX.
A plataforma Downdetector, que monitora serviços online, registrou forte aumento de queixas a partir das 7h56. Em pouco mais de seis horas, o sistema já contabilizava 1.766 ocorrências.
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Os bancos que receberam maiores reclamações na plataforma do Downdetector incluem:
NuBank;
Caixa Econômica;
Bradesco;
Banco do Brasil;
Itaú;
Santander;
C6 Bank;
Inter.
O g1 procurou o Banco Central do Brasil (BC), responsável pelo Pix, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado assim que houver um retorno da instituição.
O Nubank, por sua vez, informou em nota que "está ciente de uma instabilidade afetando o app e trabalha para restabelecer os serviços o quanto antes".
Os outros bancos afetados não retornaram o pedido da reportagem.
Veja abaixo as reclamações de clientes:
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*Essa reportagem está em atualização.
MPT pede que Brasil proíba uso do glifosato, agrotóxico mais vendido no mundo

Monsanto lançou o glifosato no mercado em 1974, sob o nome comercial Roundup.
AFP
O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o governo federal pedindo o banimento do glifosato, agrotóxico mais usado no mundo, principalmente nos plantios de soja transgênica.
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O documento, protocolado na última sexta-feira (22) na Justiça do Trabalho do Distrito Federal, afirma que o agrotóxico oferece risco grave à saúde dos trabalhadores, especialmente rurais e indígenas, além de provocar danos ao meio ambiente, como a contaminação das águas.
Nos EUA, a Bayer, fabricante do glifosato, é alvo de processos bilionários movidos por trabalhadores que alegam terem desenvolvido câncer, entre eles o linfoma não-Hodgkin, após exposição ao agrotóxico.
A ação do MPT cita estudos acadêmicos que relacionam o uso do glifosato ao desenvolvimento de 28 tipos de doenças, incluindo câncer, Alzheimer, infertilidade, autismo, depressão, diabetes, doenças renais e problemas digestivos.
Por causa disso, o processo pede que o governo não só cancele os registros de agrotóxicos à base do glifosato, como também proíba a produção, exportação, importação, comercialização e utilização desses produtos.
Os procuradores do trabalho também acusam a Anvisa de agir com rapidez para aprovar novos agrotóxicos, mas demorar de forma "excessiva" para reavaliar e fiscalizar substâncias já usadas no país e que apresentam riscos.
Ao g1, a Anvisa disse que não foi oficialmente comunicada pela Justiça, mas não respondeu aos pedidos de comentários sobre o conteúdo da ação.
Entenda como é a aprovação de agrotóxicos no Brasil
A Bayer disse que "autoridades científicas regulatórias em todo o mundo, incluindo o Brasil", têm concluído "que o glifosato pode ser utilizado com segurança e não é carcinogênico."
"Estamos confiantes de que os fatos baseados em ciência prevalecerão ao longo do processo", acrescentou.
O procurador Leomar Daroncho, um dos autores da ação, diz que o processo é resultado de um grupo de trabalho do MPT, criado em 2023, para estudar os impactos dos agrotóxicos na saúde humana e no meio ambiente.
"A gente trabalha ouvindo muito a academia e os cientistas, principalmente do Inca [Instituto Nacional de Câncer], da Fiocruz e da Universidade Federal de Mato Grosso [UFMT], que estudam profundamente esse tema", diz.
"Nosso objetivo não é agir contra os produtores, mas encontrar alternativas menos tóxicas. A meta é o desenvolvimento, sim, mas sustentável, sem expor os trabalhadores, que podem ser, em muitos casos, os proprietários", destaca o procurador.
Liberação de agrotóxicos e defensivos biológicos bateu novo recorde no Brasil em 2025
O acordo bilionário da Bayer para indenizar usuários do glifosato
Quase 200 comunidades sofrem com agrotóxicos no Maranhão em 2026
O que o MPT diz sobre os riscos do glifosato
A ação civil pública se baseia em um parecer de pesquisadores da UFMT que reúne dados e pesquisas sobre os efeitos do glifosato para a saúde humana.
Segundo o documento, o desenvolvimento de câncer associado ao uso do agrotóxico "não decorre de exposições pontuais, mas da acumulação da substância no organismo devido à exposição continuada ao longo do tempo".
"É por isso que os trabalhadores rurais são os mais expostos e afetados", diz o procurador Leomar Daroncho.
"Muitos dos problemas que o glifosato causa são porque ele interfere na atividade das bactérias que ajudam o nosso corpo, ele mata as bactérias", diz a ação, citando um estudo de 2015 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
O procurador destaca que, naquele mesmo ano, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês), vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS), classificou o glifosato como “potencialmente cancerígeno para humanos”.
Além do linfoma não-Hodgkin, estudos acadêmicos citados na ação associam o glifosato ao desenvolvimento de câncer de mama, leucemia e do mieloma múltiplo, identificado em trabalhadores da Carolina do Norte e de Iowa (EUA).
Daroncho lembra ainda que um estudo publicado em 2000, que concluía que o glifosato não representava risco à saúde humana, foi excluído da revista científica Regulatory Toxicology and Pharmacology, em dezembro do ano passado.
Na ocasião, o editor-chefe da publicação, Martin van den Berg, explicou que a exclusão se baseou "em vários problemas críticos" que comprometiam "a integridade acadêmica" do artigo, como a participação de funcionários da Monsanto, comprada pela Bayer em 2016, na elaboração do artigo.
Esse estudo foi usado durante anos por agências regulatórias ao redor do mundo para permitir o registro e a venda do glifosato.
Ao g1, a Bayer disse que a retratação do estudo "foi altamente controversa, com mais de 60 cientistas se manifestando contra essa decisão."
"Além disso, por ter sido publicado há 25 anos, o estudo sequer foi considerado pela União Europeia em seu mais recente processo de avaliação e aprovação. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e a Health Canada também afirmaram que a retratação do artigo não alteraria suas avaliações sobre o glifosato."
"O artigo em questão é uma revisão de estudos conduzidos de forma adequada, que foram apresentados separadamente às autoridades reguladoras para análise, e não contém dados originais."
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Google inaugura centro de engenharia de IA dentro da USP; g1 conheceu o espaço

Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
Darlan Helder
O Google inaugurou nesta quarta-feira (27) seu segundo centro de engenharia de IA no Brasil. O espaço fica em São Paulo, dentro do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na USP.
Anunciado em fevereiro de 2024, o novo local terá capacidade para receber até 400 funcionários. Entre as frentes de atuação estão projetos ligados à inteligência artificial e à segurança na internet. O centro também terá foco em parcerias com startups voltadas para IA.
O Google afirma que as equipes trabalharão no desenvolvimento de soluções para ampliar a proteção de usuários em serviços como Gmail e Busca.
Participaram da inauguração o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, e o presidente do Google no Brasil, Fábio Coelho.
Agora no g1
Na cerimônia de inauguração, Fábio Coelho afirmou que tecnologias desenvolvidas no novo centro poderão ser usadas futuramente no mundo inteiro. Segundo ele, o Brasil tem muitos profissionais qualificados em tecnologia, mas ainda faltam espaços para que essas pessoas pudessem desenvolver suas habilidades.
"O time de engenharia presente na sede de Belo Horizonte é uma referência global para o Google, e inovações criadas aqui hoje impactam bilhões de usuários todos os dias. Estou entusiasmado com a expansão da nossa engenharia para São Paulo e com o próximo capítulo da história do Google neste novo espaço", disse Fábio Coelho.
O prédio, que tem mais de 100 anos, foi restaurado pelo Google, mas continuará pertencendo à USP. A big tech ficará responsável pela conservação do espaço, explicou Anderson Ribeiro Correia, diretor-presidente do IPT. Segundo ele, a empresa também restaurou outros prédios dentro do instituto.
Embora o espaço seja voltado principalmente para as operações do Google e para atividades ligadas à universidade, o prédio também conta com uma cafeteria aberta ao público.
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, discursa em cerimônia de inauguração do centro do Google.
Darlan Helder/g1
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticou empresas que, segundo ele, estão deixando a cidade para migrar para o Paraguai e comemorou o investimento do Google no Brasil.
O Google disse que não informa os valores investidos no espaço. O primeiro centro de engenharia da Google no Brasil foi inaugurado em 2006, em Belo Horizonte, e foi o primeiro da empresa na América Latina.
Segundo a companhia, as equipes dos dois locais trabalharão de forma integrada.
Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil.
Darlan Helder/g1
Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
Darlan Helder
Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
Darlan Helder
Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
Darlan Helder
Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
Darlan Helder
Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
Darlan Helder
Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
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Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
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Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
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Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
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Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
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Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
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Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
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Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
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Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
Darlan Helder
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Darlan Helder
Novo centro de engenharia do Google em São Paulo.
Darlan Helder
Justiça suspende indenização bilionária a empresas de energia e determina devolução de valores a consumidores

Imagens de lâmpadas e conta de luz na região de São Paulo (SP).
WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
A 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu anular parte de uma regra do governo federal que permitia o pagamento de uma indenização bilionária a empresas transmissoras de energia elétrica por meio das tarifas cobradas dos consumidores, segundo informações da agência Reuters.
A decisão também determina que os valores já pagos às empresas sejam devolvidos aos consumidores nas próximas contas de luz.
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O caso envolve uma compensação ligada à chamada Rede Básica do Sistema Existente (RBSE), criada após a renovação antecipada de contratos de transmissão de energia em 2012, durante o governo de Dilma Rousseff.
As empresas mais afetadas pela decisão são a Axia Energia e a ISA Energia, que ainda tinham bilhões de reais a receber nos próximos anos.
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
De acordo com comunicados divulgados pelas companhias, o tribunal analisou as ações apresentadas em 2017 e 2018 por grandes consumidores de energia, como a Companhia Siderúrgica Nacional, além de geradoras do setor, contra a União e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Essas ações questionam parte dos pagamentos feitos às transmissoras, especialmente uma remuneração adicional relacionada ao custo do capital das empresas. Os desembargadores entenderam que esse trecho da regra federal não deveria continuar valendo.
A disputa se arrasta há anos. Em 2025, a Aneel já havia recalculado os valores da indenização, reduzindo em R$ 5,6 bilhões os custos que ainda seriam cobrados dos consumidores nas tarifas futuras.
Além de suspender novas cobranças a partir do ciclo tarifário de 2026/2027 para os autores das ações, o TRF1 também determinou que os valores pagos anteriormente sejam compensados nas próximas tarifas, como forma de ressarcimento.
Em comunicado, a Axia afirmou que ainda poderá recorrer da decisão. Já a ISA Energia disse que aguarda a publicação completa do acórdão para analisar os impactos e os próximos passos jurídicos.
Embora cerca de 80% do valor devido às transmissoras já tenha sido pago, ainda restavam bilhões de reais previstos para serem incluídos nas tarifas de energia nos próximos anos.
Segundo dados divulgados anteriormente pelas empresas, a Axia ainda teria parcelas anuais de cerca de R$ 5,5 bilhões a receber entre os ciclos de 2025/2026 e 2027/2028. Já a ISA Energia informou no ano passado que esperava receber R$ 3,8 bilhões até junho de 2028.
Alvo de operação contra fraude em aposentadorias recebeu auxílio emergencial durante a pandemia

PF encontra dinheiro em saco de lixo na casa de servidor do INSS em PE
Um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto realizada nesta quarta-feira (27), que mira um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, Américo Monte Júnior recebeu auxílio emergencial durante a pandemia.
Dono da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), ele mora em uma casa de alto padrão em Alphaville, conhecido por seus condomínios luxuosos em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. A defesa dele não foi localizada pela reportagem.
Monte Júnior é apontado como responsável pela estrutura e gestão de associações investigadas e foi alvo de busca e apreensão na casa dele.
Além disso, ele passará a ser monitorado eletronicamente por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Américo Monte Júnior
Carlos Moura/Agência Senado
Um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou o crescimento abrupto da ABCB.
A entidade fechou Acordo de Cooperação Técnica com o INSS em 2022. No fim daquele ano, ela tinha 53 mil associados.
Um ano depois, em dezembro de 2023, já eram 212 mil associados. E no mesmo mês de 2024, o número saltou para 303 mil.
Isso fez com que os repasses recebidos do INSS pela associação aumentassem.
Em 2022, a ABCB recebeu R$ 1.034.360 do Instituto, Em 2023, os repasses ultrapassaram R$ 82 milhões.
Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) em setembro de 2024 também apontou indícios de irregularidade da ABCB.
A CGU entrevistou 1.273 aposentados e pensionistas associados a alguma entidade. Desses, 64 eram associados à Amar Brasil Clube de Benefícios, mas 62 deles (96,9%) disseram que não autorizaram os descontos.
Investigação
🔎 Investigações revelaram uma operação fraudulenta para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as apurações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
Segundo informações obtidas pelo blog da Camila Bomfim, no g1, essa nova etapa da operação, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), apura a atuação de três núcleos regionais envolvidos nas fraudes, com alvos distribuídos em diferentes regiões.
Forças de segurança cumprem 31 mandados de busca e apreensão, oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras medidas constritivas (como bloqueio de bens para garantir o pagamento de dívidas).
As medidas foram autorizadas pelo STF e miram alvos no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba.
Agora no g1
Em Brasília, as associações UNIBAP e ABENPREV são investigadas nesta fase. Em São Paulo, são cumpridos nove mandados. Entre os alvos estão quatro associações:
Amar
Master Prev
AASAP
ANDAPP
Em Pernambuco, a operação mira servidores e ex-servidores do INSS que podem estar envolvidos no esquema.
Segundo informações obtidas pela TV Globo, os mandados são cumpridos contra os seguintes investigados:
Gutemberg Tito de Souza, apontado nas investigações como um dos articuladores ligados à gestão das associações UNIBAP e ABENPREV;
Zacarias Canuto Sobrinho, citado como articulador ligado à administração das entidades investigadas;
Cleiton dos Santos Medeiros, identificado nas apurações como operador ou intermediário ligado à estrutura financeira e operacional investigada;
Daniel Gerber, citado como operador ou intermediário ligado ao funcionamento financeiro e operacional do grupo investigado;
Alexandre Caetano, apontado como integrante da estrutura operacional e financeira investigada;
Carlos Henrique da Rocha Gonçalves, citado como intermediário ligado à estrutura operacional das entidades sob investigação;
Américo Monte Júnior, apontado como responsável pela estrutura e gestão de associações investigadas;
Felipe Macedo Gomes, investigado por suposta atuação na estrutura e administração das entidades;
Igor Dias Delecrode, citado como integrante da gestão das associações investigadas;
Anderson Cordeiro de Vasconcelos, apontado como um dos responsáveis pela estrutura das entidades investigadas;
Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do INSS e da Superintendência Regional do Nordeste. Segundo as investigações, teria ligação com a ABAPEN;
Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns e um dos alvos da investigação.
Parte dos investigados já responde a medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
A ação tem o objetivo de investigar crimes contra a administração pública, como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.
Descontos ilegais
O caso foi revelado em 23 de abril, após a primeira fase da operação da Polícia Federal. De acordo com as investigações, os suspeitos cobravam mensalidades irregulares, descontadas dos benefícios de aposentados e pensionistas, sem a autorização deles.
💰 O esquema consistia em retirar valores de beneficiários do INSS mensalmente, como se eles tivessem se tornado membros de associações de aposentados, quando, na verdade, não haviam se associado nem autorizado os descontos.
A Sem Desconto já atingiu ex-dirigentes do INSS, empresários e donos de associações e sindicatos que faziam os descontos indevidos em aposentadorias.
Além disso, políticos foram alvos de mandados de busca e apreensão — os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE), além do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Todos negam envolvimento em irregularidades.
Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Conselho da Paz de Trump não recebeu um único dólar, diz jornal

Donald Trump anuncia Conselho de Paz em Davos
O chamado Conselho da Paz criado por Donald Trump para reconstruir Gaza e resolver conflitos está mergulhado em uma série de problemas legais e sua conta bancária tem saldo zero, apesar das promessas bilionárias de financiamento, segundo o jornal Financial Times.
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Criado do zero em janeiro por Trump, que supostamente deverá dirigi-lo pessoalmente mesmo após deixar a Casa Branca, o Conselho não recebeu um único dólar, segundo o jornal, que cita quatro fontes próximas ao processo.
Em vez de utilizar um fundo administrado pelo Banco Mundial e aprovado pela ONU, o Conselho recebeu doações diretamente em uma conta do banco JPMorgan, declarou um porta-voz da iniciativa.
De acordo com o FT, "não existe nenhum mecanismo independente de transparência".
Trump discursa no Conselho da Paz em Gaza
MANDEL NGAN / AFP
Trump concebeu de forma discricionária o mecanismo para reconstruir Gaza, onde Israel e o Hamas concluíram em outubro um cessar-fogo sob pressão dos Estados Unidos.
Os países da União Europeia se distanciaram do fórum, que concede amplo espaço a parceiros históricos dos Estados Unidos no Oriente Médio, a aliados ideológicos de Donald Trump e a pequenos países interessados em atrair sua atenção.
Dois presidentes sul-americanos, o argentino Javier Milei e o paraguaio Santiago Peña, apoiaram com entusiasmo a iniciativa de Trump.
No entanto, o entusiasmo diminuiu quando veio à tona que um assento permanente no Conselho custava 1 bilhão de dólares (R$ 5,63 bilhões), a serem administrados exclusivamente por Trump.
O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, por exemplo, descartou que seu país pagasse os 1 bilhão de dólares (R$ 5,63 bilhões) exigidos.
Até agora, há depósitos no valor de "zero dólar" na conta aberta especialmente no Banco Mundial, afirmou uma fonte ao FT.
Conselho da Paz: Lula tenta evitar negativa direta e propõe mudanças a Trump durante telefonema
Trump confirma convite a Lula para 'Conselho da Paz', e elogia: 'Gosto dele'
O jornal informou que pequenos desembolsos na conta do JPMorgan permitiram pagar o escritório do "Alto Representante" do Conselho, Nikolai Mladenov.
O Conselho da Paz "prestará contas sobre suas finanças" ao próprio conselho diretor, integrado por integrantes do governo Trump e outros assessores, "quando for considerado oportuno", acrescentou a fonte da iniciativa.
Os Emirados Árabes Unidos destinaram 100 milhões de dólares (R$ 563 milhões) para formar uma nova força policial em Gaza, mas os recursos permanecem congelados.
Em abril, as Nações Unidas e a União Europeia estimaram em 71,4 bilhões de dólares (R$ 402 bilhões) as necessidades de reconstrução para os próximos dez anos em Gaza, segundo um estudo realizado em conjunto com o Banco Mundial.
IPCA-15 sobe 0,62% em maio, puxado por alimentos e conta de luz

IPCA-15 sobe 0,62% em maio, puxado por alimentos e energia elétrica
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, subiu 0,62% em maio, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,64%.
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Apesar da desaceleração em relação a abril, quando o índice havia avançado 0,89%, o resultado de maio veio acima das expectativas do mercado. Economistas esperavam alta de 0,57% no mês e inflação acumulada de 4,59% em 12 meses. Em maio de 2025, o IPCA-15 foi de 0,36%.
🎯 Com isso, o indicador segue acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Para 2026, a meta central é de 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, o sistema passou a operar em modelo contínuo, no qual o cumprimento da meta é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, Alimentação, habitação e saúde concentraram as maiores pressões sobre a inflação em maio.
Alimentação e bebidas subiu 1,38% e teve o maior impacto no resultado do mês. Na sequência, aparecem habitação, com alta de 1,03%, e saúde e cuidados pessoais, que avançou 1,05%. Já os demais grupos variaram entre queda de 0,33% em transportes e alta de 0,50% em despesas pessoais.
Veja a variação mensal dos preços por grupos:
Alimentação e bebidas: 1,38%
Habitação: 1,03%
Artigos de residência: 0,21%
Vestuário: 0,36%
Transportes: -0,33%
Saúde e cuidados pessoais: 1,05%
Despesas pessoais: 0,50%
Educação: 0,01%
Comunicação: 0,36%
Preço dos alimentos acelera em maio
No grupo alimentação e bebidas, que subiu 1,38% em maio, a maior pressão continuou vindo dos alimentos consumidos em casa, embora o ritmo de alta tenha desacelerado levemente, passando de 1,77% em abril para 1,73% em maio.
Entre os itens que mais encareceram no mês estão:
🥔 Batata-inglesa: +26,29%
🍅 Tomate: +12,97%
🥛 Leite longa vida: +6,07%
🥩 Carnes: +1,98%
Já algumas quedas ajudaram a conter uma alta ainda maior, como:
🍎 Maçã: −2,32%
☕ Café moído: −2,09%
Para Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, a alimentação foi um dos principais fatores de surpresa no IPCA-15 de maio. Segundo ele, a alta ficou acima da projeção da casa, de 1,47%.
“As surpresas em alimentação têm sido recorrentes, e a pressão tem se espalhado por vários itens”, afirmou. O economista destaca que, após um período mais favorável ao longo de 2025, especialmente no segundo semestre, 2026 passou a registrar aumentos disseminados em diferentes categorias.
Entre os itens pressionados, Barbosa cita carnes, panificados, leite e derivados e, principalmente, hortifrúti, grupo que inclui produtos in natura, como alface, tomate e batata.
“Parte disso é sazonal, mas a alimentação no domicílio tem vindo acima da sazonalidade para o período, ou seja, mais forte do que normalmente se observa nesta época do ano”, disse.
Segundo o economista, o movimento ainda reflete questões de oferta e demanda, além de problemas climáticos pontuais que afetam principalmente os hortifrutis. No caso das carnes, ele aponta que o aumento das exportações para a China também contribui para a pressão nos preços no curto prazo.
“Ainda assim, os riscos para alimentação seguem para cima, especialmente no segundo semestre, por conta do El Niño”, afirmou.
Energia elétrica pressiona preços de habitação
O grupo habitação também ganhou força em maio e subiu 1,03%, puxado principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial, que avançou 2,16% e teve o maior impacto individual no IPCA-15 do mês.
A pressão veio, sobretudo, da volta da bandeira tarifária amarela, que adiciona cobrança extra na conta de luz. Além disso, algumas capitais tiveram reajustes nas tarifas de energia:
💡 Fortaleza: +5,59%
💡 Salvador: +4,78%
💡 Recife: +3,86%
Reajuste dos remédios impulsiona inflação
O grupo saúde e cuidados pessoais subiu 1,05% em maio, pressionado principalmente pelos produtos de higiene pessoal, medicamentos e planos de saúde.
Entre os destaques do mês estão:
🧴 Produtos de higiene pessoal: +1,60%
💊 Produtos farmacêuticos: +1,25%
🏥 Plano de saúde: +0,50%
No caso dos medicamentos, a alta reflete o reajuste autorizado de até 3,81% nos preços dos remédios, em vigor desde 1º de abril.
Combustíveis aliviam o grupo de transportes
Após pressionarem a prévia da inflação em abril, quando avançaram 6,06%, os combustíveis passaram a registrar queda de 1,47% em maio, ajudando a aliviar o índice no período.
O recuo foi puxado pelas baixas no etanol (-2,73%), no óleo diesel (-2,04%) e na gasolina (-1,32%), enquanto o gás veicular teve alta de 2,12%.
A desaceleração acontece em meio às medidas adotadas pelo governo federal para conter a alta dos combustíveis diante da disparada do petróleo no mercado internacional, causada pelas tensões no Oriente Médio.
Entre as ações anunciadas estão subsídios temporários para diesel e gasolina, além de benefícios tributários para reduzir o impacto da alta internacional sobre os preços internos.
Já as passagens aéreas voltaram a subir em maio, com avanço de 3,25%, após queda de 14,32% no mês anterior.
Inflação
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Dólar sobe com petróleo e IPCA-15 no radar; Ibovespa avança

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera com alta na sessão desta quarta-feira (27), avançando 0,65% por volta das 13h12, cotado a R$ 5,0600. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subia 0,06% no mesmo horário, aos 176.690 pontos.
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▶️ Mesmo após novos ataques entre Estados Unidos e Irã, investidores seguem monitorando possíveis avanços nas negociações entre os dois países. O cenário ajudava a reduzir a tensão nos mercados internacionais nesta manhã.
🔎 Por volta das 13h (horário de Brasília), o barril do Brent para entrega em julho caía 3,28%, cotado a US$ 93,50. Já o WTI, referência nos EUA, recuava 3,90%, para US$ 90,23.
▶️ No Brasil, o destaque da agenda econômica é o IPCA-15, prévia da inflação oficial do país. O índice subiu 0,62% em maio, acima da expectativa do mercado, de 0,57%. Em 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,64%, também acima da projeção de 4,59%.
▶️ No cenário político, investidores acompanham a votação da PEC que prevê o fim da escala 6x1 em uma comissão da Câmara dos Deputados. O parecer propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, além de estabelecer um período de transição de até 14 meses.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,02%;
Acumulado do mês: +1,52%;
Acumulado do ano: -8,41%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,21%;
Acumulado do mês: -5,74%;
Acumulado do ano: +9,59%.
Alívio nas tensões entre EUA e Irã
Os preços do petróleo operam em queda nesta quarta-feira, após o governo do Irã afirmar que considera improvável uma retomada do conflito com os EUA, apesar dos ataques recentes realizados por Washington.
A avaliação do mercado é de que a redução do risco de uma escalada militar no Oriente Médio ajuda a aliviar parte das preocupações com o abastecimento global de energia.
🔎 Por volta das 13h (horário de Brasília), o barril do Brent para entrega em julho caía 3,28%, cotado a US$ 93,50. Já o WTI, referência nos EUA, recuava 3,90%, para US$ 90,23.
A declaração do Irã ocorre um dia após Teerã acusar os EUA de violarem o cessar-fogo que estava em vigor desde abril. Mesmo assim, autoridades iranianas sinalizaram que a chance de uma nova guerra é baixa neste momento.
“A possibilidade de guerra é baixa devido à fraqueza do inimigo. As Forças Armadas estão em alerta”, afirmou Mohamad Akbarzadeh, vice-chefe político da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica.
Nas últimas semanas, EUA e Irã vêm alternando ameaças e negociações diplomáticas, enquanto tentam avançar em um acordo mediado pelo Paquistão. Ao mesmo tempo, o mercado segue atento ao risco de novos impactos sobre a produção e o transporte de petróleo na região.
O conflito no Oriente Médio começou no fim de fevereiro, após ataques americanos e israelenses contra o Irã, e acabou ampliando as tensões em diferentes partes da região, o que aumentou a volatilidade no mercado internacional de energia.
Prévia da inflação
O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,62% em maio e acumulou alta de 4,64% em 12 meses, segundo o IBGE. O resultado veio acima das expectativas do mercado e manteve a inflação acima do teto da meta do governo.
Os maiores impactos vieram dos grupos alimentação, habitação e saúde. Alimentação e bebidas avançou 1,38%, puxada principalmente pelos alimentos consumidos em casa.
Batata, tomate, leite longa vida e carnes registraram as maiores altas, enquanto maçã e café moído ficaram mais baratos.
Economistas avaliam que a alta dos alimentos continua espalhada por vários produtos e pode seguir pressionando os preços nos próximos meses. Entre os fatores que explicam esse cenário estão problemas climáticos, o aumento das exportações de carne para a China e os efeitos do El Niño.
💡 No grupo habitação, a energia elétrica residencial subiu 2,16%, pressionada pela volta da bandeira tarifária amarela e por reajustes em capitais como Fortaleza, Salvador e Recife.
💊 Já saúde e cuidados pessoais avançou 1,05%, impulsionado principalmente pelo reajuste dos medicamentos e pela alta dos produtos de higiene pessoal.
⛽ Por outro lado, os combustíveis ajudaram a aliviar a inflação em maio. Após subirem 6,06% em abril, passaram a cair 1,47%, com recuos no etanol, diesel e gasolina.
Mercados globais
Nos Estados Unidos, os índices de Wall Street operavam sem direção única na tarde desta quarta-feira. O Dow Jones subia 0,38%, enquanto o S&P 500 recuava 0,11%. Já o Nasdaq, mais concentrado em empresas de tecnologia, avançava 0,18%.
Na Europa, o tom também era majoritariamente positivo. O índice pan-europeu STOXX 600 subia 0,43%, aos 630,70 pontos.
Na Alemanha, o DAX avançava 0,7%, para 25.359,59 pontos, enquanto o CAC 40, da França, ganhava 0,5%, aos 8.215,74 pontos. Na contramão, o FTSE 100, do Reino Unido, recuava 0,1%, para 10.484,65 pontos.
Já na Ásia, as bolsas fecharam em queda na maior parte dos mercados. Em Xangai, o índice SSEC caiu 1,25%, aos 4.093 pontos. O CSI300, que reúne as maiores empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, recuou 0,80%, aos 4.908 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,06%, aos 25.328 pontos. No Japão, o Nikkei encerrou o pregão praticamente estável, aos 64.999 pontos.
Notas de dólar.
Luisa Gonzalez/ Reuters
Como a guerra no Irã afeta o real e outras moedas locais: veja quem são os ganhadores e os perdedores com o conflito

Algumas moedas caíram, outras se mantiveram estáveis e algumas se mostraram mais resistentes - como o yuan chinês - durante a guerra do Irã.
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Quando a guerra dos EUA e Israel com o Irã eclodiu no fim de fevereiro, não foi apenas o Oriente Médio que sentiu as consequências.
À medida que o conflito interrompeu o transporte comercial e o fluxo de mercadorias em todo o mundo, os preços do petróleo subiram, elevando a inflação e abalando os mercados globais.
Como costuma acontecer em tempos de incerteza, alguns investidores se afastaram de investimentos potencialmente mais arriscados em mercados emergentes, colocando seu dinheiro no dólar americano, que é tradicionalmente visto como um porto seguro.
Isso teve impacto sobre muitas moedas — algumas despencaram em valor, enquanto outras se mostraram mais voláteis e algumas até se valorizaram.
Embora o preço do petróleo "afete a todos… as flutuações cambiais podem amplificar ou amortecer esse efeito", diz o economista André Perfeito, da consultoria APCE.
Então, quando combinadas com outros fatores que também afetam a economia, o que essas flutuações cambiais significam para diferentes países e seus cidadãos?
Com alta do petróleo, mercado financeiro passa a projetar inflação acima de 5% neste ano
Os mais atingidos
O valor da moeda pode afetar o preço de itens do dia a dia, como alimentos
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Países que importam grande parte de sua energia, especialmente petróleo, estão entre aqueles cujas moedas sofreram pressão.
Eles incluem Índia, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Egito, que enfrentaram novas pressões decorrentes do aumento dos custos de combustível e da persistente escassez de divisas.
À medida que os investidores transferiram dinheiro para dólares americanos, a demanda por essas moedas caiu e seu valor enfraqueceu, o que, por sua vez, elevou o custo do pagamento da dívida emitida em dólares.
O petróleo e outros produtos — que foram afetados pelo bloqueio do transporte no estreito de Ormuz — também são geralmente cotados em dólares.
À medida que uma moeda perde valor, as importações se tornam relativamente mais caras, afetando tudo, desde energia até plásticos e fertilizantes. Isso impacta o preço de alimentos e itens do dia a dia nas lojas.
Na Índia, a rupia caiu cerca de 5% em relação ao dólar americano desde o início da guerra e atingiu repetidas mínimas recordes com a subida dos preços do petróleo.
A moeda indiana já estava enfraquecendo antes do conflito, e o impacto da guerra intensificou essa tendência.
Alguns bancos centrais responderam aumentando as taxas de juros e vendendo algumas de suas reservas de dólares americanos para sustentar o valor de suas moedas.
O Banco da Indonésia tomou essas duas medidas, vendendo repetidamente dólares e comprando sua própria moeda, a rupia indonésia, para aumentar a demanda por ela.
Quando as taxas de juros sobem, isso significa que as pessoas obtêm um maior retorno sobre suas economias, mas isso também significa maiores pagamentos de dívidas, como empréstimos e prestações de imóveis.
Volátil e com tendência de alta
O rublo russo tem sido uma das moedas com melhor desempenho em relação ao dólar americano desde o início da guerra com o Irã, em grande parte porque a Rússia é um grande produtor de petróleo
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Outro grupo de moedas tem sido mais volátil, com fortes oscilações em ambas as direções.
Países como África do Sul, Colômbia, Chile e México se enquadram nessa categoria.
Essas moedas frequentemente reagem de forma intensa ao humor do mercado global: enfraquecem quando investidores buscam refúgios seguros como o dólar, mas podem se recuperar rapidamente quando os preços das commodities sobem ou o apetite por risco retorna.
Alguns exportadores de energia, incluindo Brasil e Malásia, se beneficiaram parcialmente dos preços mais altos do petróleo, que aumentaram as receitas de exportação e sustentaram o interesse dos investidores.
Bancos, incluindo Goldman Sachs e Bank of America, destacaram a forte demanda por títulos do governo brasileiro e ações de empresas em relatórios para clientes em abril. O Goldman Sachs aponta o Brasil como sua principal escolha de mercado emergente.
No entanto, Martín Castellano, chefe de pesquisa da América Latina no Institute of International Finance, diz que os preços mais altos da energia podem aumentar a inflação no Brasil, atrasando os cortes nas taxas de juros e afetando os fluxos de capital.
O Brasil também importa produtos refinados, como gasolina e diesel, elevando os custos de combustível no país.
O real brasileiro se fortaleceu em parte devido aos preços mais altos do petróleo
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Além disso, a incerteza política antes da eleição presidencial de outubro “aumentará o prêmio de risco sobre a taxa de câmbio”, escreveu a economista da XP Luiza Pinese em um relatório recente.
Um grupo distinto de moedas permaneceu mais resiliente por diferentes razões.
A moeda chinesa permaneceu relativamente estável, sustentada em parte por controles de capital e intervenções políticas que limitam flutuações bruscas. Isso inclui restrições à entrada e saída de dinheiro do país e intervenções diretas do banco central para administrar de perto a taxa de câmbio do yuan.
O rublo russo, uma das moedas de melhor desempenho em relação ao dólar desde o início da guerra do Irã, também tem sido sustentado por altas receitas de energia e rígidos controles de capital, incluindo medidas que exigem que os exportadores convertam os lucros estrangeiros em rublos e limitem o fluxo de dinheiro para fora do país.
E as economias desenvolvidas?
O dólar australiano tem sido menos volátil, em grande parte porque a Austrália é um grande exportador de commodities, particularmente de minério de ferro
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Moedas tradicionalmente consideradas portos seguros se fortaleceram no início da crise, à medida que investidores buscavam segurança. O dólar americano e o franco suíço atingiram picos antes de recuarem para níveis semelhantes aos vistos antes da guerra. Moedas ligadas ao petróleo, como a coroa norueguesa, receberam impulso significativo com a alta dos preços do petróleo bruto.
O iene japonês, no entanto, não se comportou como uma moeda típica de porto seguro e enfraqueceu, em parte porque o Japão depende muito da energia importada.
Os dólares canadense e australiano também se beneficiaram de preços mais fortes das commodities que seus países exportam, como petróleo bruto, gás, metais, minério de ferro e carvão, embora as preocupações com o crescimento global e as tensões comerciais tenham limitado esses ganhos.
O euro e a libra esterlina também tiveram seus próprios surtos de volatilidade, impulsionados por preocupações com os custos mais altos de energia, a inflação persistente e a desaceleração do crescimento em toda a Europa.
O que acontece agora?
Economistas dizem que, embora os ataques aéreos iniciais ao Irã tenham levado os investidores a ativos mais seguros e fortalecido o dólar, a moeda americana enfraqueceu desde então, o que poderia ajudar os mercados emergentes.
“Um dólar mais fraco normalmente significa condições monetárias mais fáceis, mais espaço para cortes nas taxas de juros nos países em desenvolvimento e menor aversão ao risco — tudo favorável aos mercados emergentes”, dizem economistas da empresa de investimentos global britânica AllianceBernstein em um relatório recente.
Eles acrescentaram que o papel do dólar permanece central, já que grande parte da dívida das economias emergentes é emprestada em dólares americanos e as principais commodities também são cotadas em dólares, o que significa que um dólar mais fraco tende a melhorar suas perspectivas.
No entanto, o FMI alertou em abril que as interrupções contínuas da guerra do Irã estão empurrando a economia global para seu cenário “adverso”, marcado por uma combinação de crescimento fraco e inflação mais alta.
Nesse cenário — onde os preços do petróleo permanecem altos, a inflação se torna menos estável e as condições financeiras se tornam mais restritivas — o crescimento global pode cair para 2,5% com a inflação subindo para 5,4%, em comparação com a previsão atual do fundo de 3,1% com 4,4% de inflação.
O FMI também traçou um cenário mais severo, no qual o crescimento global cai para 2% e a inflação ultrapassa 6%. Espera-se que o FMI atualize suas previsões novamente em julho.
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
PF e CGU deflagram nova fase de operação que investiga fraudes em aposentadorias e pensões

PF encontra dinheiro em saco de lixo na casa de servidor do INSS em PE
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (27), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que mira um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
🔎 Investigações revelaram uma operação fraudulenta para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as apurações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
Segundo informações obtidas pelo blog da Camila Bomfim, no g1, esta fase da operação apura a atuação de três núcleos regionais envolvidos nas fraudes, com alvos distribuídos em diferentes regiões.
Forças de segurança cumprem 31 mandados de busca e apreensão, oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras medidas constritivas (como bloqueio de bens para garantir o pagamento de dívidas).
As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e miram alvos no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba.
Em Brasília, as associações UNIBAP e ABENPREV são investigadas nesta fase. Em São Paulo, são cumpridos nove mandados. Entre os alvos estão quatro associações:
Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB)
Master Prev
Associação de Apoio Social e Assistência ao Próximo Saúde (AASAP)
Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDAPP)
Correção: na publicação desta reportagem, o g1 errou a sigla de uma das entidades alvos da operação da PF contra fraudes no INSS. A instituição que foi alvo de mandados é a Associação de Apoio Social e Assistência ao Próximo Saúde — cuja sigla é AASAP, e não AASP. A informação foi corrigida às 10h.
Em Pernambuco, a operação mira servidores e ex-servidores do INSS que podem estar envolvidos no esquema.
Segundo informações obtidas pela TV Globo, os mandados são cumpridos contra os seguintes investigados:
Gutemberg Tito de Souza, apontado nas investigações como um dos articuladores ligados à gestão das associações UNIBAP e ABENPREV;
Zacarias Canuto Sobrinho, citado como articulador ligado à administração das entidades investigadas;
Cleiton dos Santos Medeiros, identificado nas apurações como operador ou intermediário ligado à estrutura financeira e operacional investigada;
Daniel Gerber, citado como operador ou intermediário ligado ao funcionamento financeiro e operacional do grupo investigado;
Carlos Henrique da Rocha Gonçalves, citado como intermediário ligado à estrutura operacional das entidades sob investigação;
Américo Monte Júnior, presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios;
Felipe Macedo Gomes, dirigente da Amar Brasil Clube de Benefícios;
Igor Dias Delecrode, dirigente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (AASAP);
Anderson Cordeiro de Vasconcelos, apontado como um dos responsáveis pela estrutura das entidades investigadas;
Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do INSS e da Superintendência Regional do Nordeste. Segundo as investigações, teria ligação com a ABAPEN;
Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns e um dos alvos da investigação.
A TV Globo procura contato com as defesas dos investigados. Parte dos alvos já responde a medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
A ação tem o objetivo de investigar crimes contra a administração pública, como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.
Presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, Américo Monte Júnior (esquerda) e Igor Dias Delecrode dirigente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (AASAP). Os dois foram alvos de operação da PF nesta quarta-feira (27)
Carlos Moura/Agência Senado
Descontos ilegais
O caso foi revelado em 23 de abril, após a primeira fase da operação da Polícia Federal. De acordo com as investigações, os suspeitos cobravam mensalidades irregulares, descontadas dos benefícios de aposentados e pensionistas, sem a autorização deles.
💰 O esquema consistia em retirar valores de beneficiários do INSS mensalmente, como se eles tivessem se tornado membros de associações de aposentados, quando, na verdade, não haviam se associado nem autorizado os descontos.
A Sem Desconto já atingiu ex-dirigentes do INSS, empresários e donos de associações e sindicatos que faziam os descontos indevidos em aposentadorias.
Além disso, políticos foram alvos de mandados de busca e apreensão — os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE), além do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Todos negam envolvimento em irregularidades.
Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Enquanto Brasil discute fim da escala 6x1, Argentina vai na contramão do mundo com reforma que retira direitos e permite jornada de até 12 horas por dia

Reforma foi contestada judicialmente e segue em debate em processos em tramitação, mas as mudanças aprovadas estão em vigor
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Enquanto o Brasil discute a possibilidade de acabar com a escala 6x1 — em linha com a pressão que tem feito diversos países do mundo adotarem jornadas mais curtas em busca de maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal —, a Argentina caminha na direção oposta.
Em meio a altas taxas de informalidade e crescimento no desemprego, o país aprovou em fevereiro uma reforma que promete "modernizar" as relações trabalhistas, gerar investimentos e ajudar a recuperar a economia, como defende o governo de Javier Milei.
Fim da escala 6x1: 40 horas semanais, dois dias de folga, transição de até 14 meses; veja detalhes do parecer do relator
Do outro lado, trabalhadores e sindicatos protestam nas ruas contra as mudanças, que consideram um retrocesso e uma ameaça aos direitos e bem-estar dos argentinos, enquanto especialistas apontam que, embora seja bem-vinda uma atualização das normas que regem o mercado de trabalho, os efeitos positivos são mais limitados do que projeta a Casa Rosada.
A Lei de Modernização do Trabalho também tem sido contestada na Justiça, sem sucesso. Após uma ação coletiva apresentada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), um tribunal federal ratificou a reforma no início de maio. Mas há outros processos em tramitação. Até que sejam julgados, a nova lei está em vigor.
Entre as principais alterações, estão a redefinição do cálculo das indenizações por demissão sem justa causa, excluindo da base de cálculo do valor a ser pago aos trabalhadores itens como 13º salário e bônus, a possibilidade de fracionamento do período de 30 dias de férias e a classificação de motoristas e entregadores de aplicativos como "trabalhadores independentes" ou autônomos.
Uma das principais críticas dos sindicatos argentinos é contra a ampliação da lista de "serviços essenciais", que têm fortes restrições ao direito de greve, incluindo os setores da educação e alfandegário.
A nova lei também passou a permitir jornadas de até 12 horas diárias, mas com respeito ao limite máximo de 48 horas semanais.
Isto é, pelo novo texto, a jornada de trabalho da Argentina permanece a mesma (8 horas diárias e 48 horas semanais). O que muda é que empregador e empregado são autorizados a fazer acordos específicos em determinadas situações.
Mesmo assim, devem ser respeitados os intervalos mínimos de descanso: pelo menos 12 horas entre cada turno e 35 horas de descanso semanal. O texto também autoriza o uso do banco de horas para que as horas trabalhadas a mais em um dia possam ser compensadas com uma jornada mais curta em outro.
Para Miguel Ángel Maza, professor de Direito do Trabalho da Universidade de Palermo, não se trata de um aumento da jornada de trabalho, já que o limite máximo por semana permanece o mesmo, mas sim de uma flexibilização na divisão dos expedientes ao longo das 48 horas permitidas.
"Não acredito que essa mudança será muito utilizada pelas empresas, porque não é conveniente. A exceção talvez sejam grandes fábricas ou montadoras, que, trabalhando algumas horas extras por dia, possam encurtar a semana e economizar um dia de energia", diz Maza à BBC News Brasil.
"Mas, apesar de não se tratar de um aumento da jornada geral de trabalho, a mensagem que [a reforma] passa é de retrocesso."
Expectativa é que o texto que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 avance ainda nesta semana no plenário da Câmara e siga depois para o Senado
Reuters
A reforma na Argentina chama atenção especial no Brasil, onde atualmente a Câmara de Deputados caminha para aprovar o fim da escala de trabalho 6x1 com um período curto de transição.
Na segunda-feira (25/5), o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegaram a um acordo sobre o texto que será votado. A proposta de emenda à Constituição (PEC) estabelece a obrigatoriedade de ao menos dois dias de folga por semana.
Se a alteração constitucional for promulgada, a nova regra deve entrar em vigor em até 60 dias.
A proposta em discussão também prevê uma redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas, que entraria em vigor em duas etapas. Primeiro, haveria a redução para 42 horas, também após os 60 dias. O limite de 40 horas seria alcançado após um ano. A mudança prevê que os trabalhadores beneficiados não sofrerão redução salarial.
A expectativa é que o texto avance ainda nesta semana no plenário da Câmara e siga depois para o Senado.
Agora no g1
Argentina na contramão
Se a PEC for promulgada, o Brasil entrará para a lista de países que instituíram reduções na jornada de trabalho na última década, entre eles vários da América Latina.
O Chile aprovou em abril de 2023 uma lei que determinou a redução gradual da jornada de 45 horas para 40 horas semanais, sem redução de salário. Em 2024, a jornada foi para 44 horas. Em abril de 2026, baixou para 42, devendo chegar a 40 em 2028.
Na Colômbia, a diminuição da jornada de 48 para 42 horas semanais foi promulgada em julho de 2021 pelo então presidente Iván Duque. A primeira redução foi em 2023, quando caiu para 47. Em julho de 2026, deve chegar às 42 horas.
Em março, o México também alterou sua legislação para encurtar a jornada de 48 para 40 horas. A mudança começa a ser aplicada, sem redução de salário, em janeiro de 2027, de forma gradual, até chegar a 40 horas semanais em 2030.
Governo de Javier Milei defende a mudança na Argentina como uma modernização das relações trabalhistas
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Na Europa, países como Holanda e Bélgica são frequentemente citados como parte de uma vanguarda em que jornadas mais curtas e até semanas com apenas quatro dias de trabalho estão se tornando realidade.
Na Bélgica, o primeiro país da Europa a legislar sobre o assunto, os trabalhadores ganharam em fevereiro de 2022 o direito de realizar uma semana de trabalho completa em quatro dias em vez de cinco, sem perda de salário.
No entanto, os belgas não têm a opção de trabalhar menos horas por semana. A lei permite apenas que eles condensem a carga horária semanal, que é de no máximo 38 horas, em menos dias.
A lei holandesa tem diversas particularidades, mas, de forma geral, os trabalhadores não podem trabalhar mais de 48 horas por semana em um período de 16 semanas.
Ainda assim, o país tem a média mais baixa de horas de fato trabalhadas por semana da Europa: 32,1 horas, segundo dados da Eurostat, agência de estatísticas oficial da União Europeia (UE).
Já na França, a jornada de trabalho padrão é fixada legalmente em 35 horas semanais, uma das menores do mundo.
Mesmo no Brasil, a redução da jornada de 48 para 44 horas foi realizada há 38 anos, durante a Constituinte de 1988.
Nesse sentido, a Argentina parece estar indo na contramão do mundo, aponta a economista Carla Beni, professora da Fundação Getúlio Vargas.
Segundo a especialista, especialmente na América Latina, o movimento tem acontecido impulsionado por governos de diferentes perfis ideológicos.
"É a Argentina que vai em direção oposta do resto do mundo, enquanto o Brasil abriu um debate para seguir os mesmos passos do Chile, da Colômbia e do México e se adequar às diretrizes de bem-estar da Organização Internacional do Trabalho [OIT]", afirma Beni.
A OIT recomenda a redução das jornadas para 40 horas semanais e tempo máximo de trabalho de até 48 horas por semana, desde que mediante pagamento de horas extras.
Miguel Maza concorda que a Argentina destoa da tendência global. "O limite de 48 horas semanais [estabelecido pela Argentina] ainda é muito alto para o mundo moderno", diz.
O especialista afirma, porém, que as mudanças aprovadas no país em fevereiro deste ano têm caráter mais simbólico do que prático. "São pequenos retrocessos no mercado de trabalho, mas não se trata de uma mudança grave", avalia.
Mas a mensagem que o governo Milei passa com a aprovação da reforma é mais importante, diz Maza.
Enquanto a Casa Rosada sinaliza vontade de mudança e comprometimento com a melhora da economia para o empresariado, os trabalhadores "enxergam uma lei retrógrada e que lhes tira direitos", resume.
Crise econômica, informalidade e rigidez
O cenário macroeconômico e do mercado de trabalho argentino ajudou o governo de Javier Milei a conseguir a aprovação da reforma no Congresso, segundo os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
A taxa de desemprego no país subiu para 7,5% no fim do ano passado, o nível mais alto para um quarto trimestre desde a pandemia de covid-19.
Mas os níveis recordes de informalidade são apontados como o maior problema do mercado argentino, com quase metade dos trabalhadores sem direitos garantidos.
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), o emprego informal atingiu 43% do total de empregos no segundo trimestre de 2025.
Esse número representa quase 6 milhões de pessoas que não têm seguro saúde, licença médica, indenização por demissão ou contribuições para a previdência.
Entre os menores de 29 anos, a taxa chega a quase 6 em cada 10, e esse número é ainda maior entre as mulheres jovens, segundo o Indec.
Os dados não são isolados, com a insegurança no trabalho aumentando nos últimos 13 anos, com mais trabalhadores em empregos informais, de acordo com dados do Sistema Integrado de Pensões da Argentina e da Pesquisa Permanente de Domicílios.
O emprego informal atingiu 43% do total de empregos na Argentina
Reprodução/TV Globo
Soma-se a isso uma crise econômica duradoura e uma longa batalha do governo contra a alta da inflação (32,4% no acumulado de 12 meses até abril), que reduz o poder de compra.
Segundo Miguel Maza, o Executivo argentino conseguiu chegar a um acordo no Legislativo ao convencer aliados de que essa reforma trará investimentos.
"Para o governo, é um sucesso político apresentar o projeto à comunidade empresarial, ao Fundo Monetário Internacional [FMI] e ao governo dos Estados Unidos", diz.
O principal argumento de Milei e seus apoiadores é que a reforma tem a capacidade de gerar mais empregos formais devido aos menores custos para as empresas.
"Esta lei representa um ponto de virada na história trabalhista argentina", afirmou a Presidência da República em um comunicado à imprensa após a aprovação do projeto pelo Senado.
"Após anos de litígios trabalhistas que beneficiaram apenas alguns, burocracia excessiva e regulamentações obsoletas diante de profundas mudanças econômicas e tecnológicas, estamos agora diante de uma profunda transformação que restaura a previsibilidade, o dinamismo e a liberdade do mercado de trabalho."
Para muitos setores da sociedade, a reforma representa ainda um debate há muito esperado na Argentina, um país com longa tradição sindical e amplos direitos trabalhistas que muitos consideram antiquados.
"Mesmo em um mundo e uma economia que estavam mudando, tínhamos leis trabalhistas dos anos 1970 que sofreram só algumas mudanças muito marginais", aponta Marina Dal Poggetto, diretora da área de Economia da Universidade Austral, em Buenos Aires, e professora da IAE Business School.
Segundo a economista, essa rigidez do mercado de trabalho contribuiu para o aumento da informalidade e do uso do chamado "monotributo", um regime tributário simplificado para pequenos contribuintes, criado para facilitar a formalização de autônomos — algo semelhante ao MEI e ao Simples Nacional no Brasil, mas que, diante da inflação alta, do câmbio e dos controles fiscais, virou uma peça central para trabalhadores independentes.
O monotributo gerou boa parte do crescimento do emprego na Argentina nos últimos anos, diz Dal Poggetto, mas é considerado "um problema fiscal a longo prazo", porque prevê uma contribuição para a previdência social mais baixa.
"São necessários algo como cerca de 26 monotributistas para pagar uma aposentadoria mínima", diz a economista.
'Sem melhora na atividade econômica, não há emprego'
Mas, em meio a acusações cruzadas e opiniões divergentes sobre o assunto, críticos não veem vantagens na reforma e os mais céticos acreditam que ela deve simplesmente manter o status quo.
Para Miguel Ángel Maza, da Universidade de Palermo, a reforma, além de representar um pequeno retrocesso para o trabalhador, não deve produzir mudanças suficientes para que os empresários se sintam motivados a investir no país, ampliar seus negócios ou contratar mais trabalhadores.
Ele argumenta que, para promover o investimento, é necessário mudar as condições do mercado e o sistema tributário argentino, que considera "muito oneroso".
A reforma inclui benefícios fiscais para incentivar as empresas a ampliarem o número de funcionários. As empresas que contratarem desempregados, trabalhadores autônomos ou ex-funcionários públicos receberão descontos nas contribuições previdenciárias patronais durante os primeiros quatro anos.
Maza reconhece essas mudanças, mas diz acreditar que o impacto será limitado.
Em termos de redução do trabalho informal, Marina Dal Poggetto afirma que o impacto ainda precisa ser estudado. Mas afirma acreditar que a situação do mercado de trabalho argentino está muito conectada à estagnação no crescimento e à saúde da economia geral, algo que a reforma não resolve.
Inflação prejudica os salários reais dos trabalhadores e seu poder de compra
Bloomberg via Getty Images
Embora as leis trabalhistas possam ajudar "um pouco mais ou um pouco menos na margem", se a atividade econômica não crescer, é muito difícil haver aumento do emprego, diz a especialista.
Em governos anteriores, afirma Dal Poggetto, a condução de uma economia "fechada demais", com controle de capitais e grande desigualdade, impulsionou a informalidade, mas sem elevar as taxas de desemprego.
"Com Milei, estamos vendo as taxas de desemprego subirem, ainda que em níveis relativamente baixos", diz ela.
"Estamos vendo, por assim dizer, um processo de tentativa de aumentar a produtividade da economia, enquanto aumenta o desemprego. Mas ainda precisamos ver até que ponto a flexibilidade da mão de obra atenua esse processo", avalia.
Para Dal Poggetto, a alta no desemprego tende a levar mais argentinos à informalidade, especialmente diante da facilidade proporcionada por empresas como Uber e PedidosYa, um aplicativo de entrega de comida muito usado no país.
'Este projeto de lei nos faz retroceder 100 anos'
Outro problema que a reforma busca resolver, segundo o governo, são os altos custos que as empresas argentinas têm com processos judiciais trabalhistas, contribuições patronais e pessoais e indenizações em casos de demissão.
Com esse foco, a reforma transferiu parte das atribuições da Justiça Nacional do Trabalho para a Justiça comum ou federal.
O projeto também redefiniu a fórmula para o cálculo da indenização por demissão, restringindo o que constitui remuneração do empregado. Dessa forma, férias, bônus e outros itens não incluídos no salário mensal foram excluídos do cálculo.
A principal mudança é que a empresa não pagará diretamente para demitir um funcionário. Empresas grandes terão que pagar mensalmente valor equivalente a 1% dos salários ao novo Fundo de Assistência Laboral (FAL), enquanto empresas pequenas e médias pagarão 2,5% dos salários. O fundo será responsável por pagar as indenizações.
Marina Dal Poggetto reconhece que o país vive um problema nesse setor. "Na Argentina, com sua alta inflação, os mecanismos de indexação para ações trabalhistas, especialmente as multas impostas na década de 1990 para tentar formalizar o mercado de trabalho, acabaram sendo muito dispendiosos", afirma a economista.
"Muitas empresas, principalmente as pequenas, tiveram dificuldades para pagar indenizações ou resolver processos judiciais decorrentes de demissões."
Dal Poggetto afirma, porém, que ainda é muito cedo para avaliar se as medidas terão efeito prático. "E, obviamente, qualquer efeito vai estar muito associado à dinâmica da atividade econômica", pontua.
Miguel Ángel Maza vê a criação do FAL como um dos pontos da reforma com maior potencial de beneficiar o empresariado. Mas afirma que, ainda assim, o impacto será mínimo. "Tenho a impressão de que com esse 1% não se financiará muita coisa e que não terá sucesso", diz.
Para Carla Beni, da FGV, a reforma se baseia na ideia de que, com regras trabalhistas mais flexíveis, o empresário vai poder contratar mais.
"Mas isso não se comprova na realidade, porque quem faz a contratação é a demanda. Com uma atividade econômica forte, há mais contratações, independentemente do custo, inclusive trabalhista", diz Beni.
Críticos da reforma e sindicatos argentinos argumentam ainda que o FAL torna a demissão sem custos para a empresa, ao mesmo tempo em que passa a usar recursos que iriam para a Seguridade Social, prejudicando o sistema de previdência do país.
Há preocupação também de que a nova lei incentive a demissão de trabalhadores, porque os empregadores não hesitarão em usar o fundo criado especificamente para esse fim.
Além disso, a oposição aponta um esvaziamento da Justiça trabalhista e um enfraquecimento dos sindicatos, especialmente com as limitações impostas às greves.
"Longe de ser uma lei que moderniza, é uma lei que nos faz retroceder e não acrescenta nenhum novo direito aos trabalhadores. Pelo contrário, o que ela faz é gerar um processo regressivo em termos de direitos, sem precedentes na Argentina", disse o líder do bloco de oposição peronista, União pela Pátria, Germán Martínez, sobre a lei.
"Este projeto de lei nos faz retroceder 100 anos. Cem anos em direitos individuais, em direitos coletivos. É uma busca que se centra, essencialmente, na transferência de recursos econômicos dos trabalhadores para o setor empregador", afirmou ainda o cossecretário da CGT argentina, Jorge Sola.
NR-1: o que muda para o trabalhador com a nova regra sobre saúde mental? Entenda impactos

NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho
A nova atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entrou em vigor nesta terça-feira (26) e aumenta a responsabilidade das empresas sobre fatores que podem levar ao adoecimento mental dos trabalhadores.
A mudança obriga as empresas a identificar, prevenir e gerenciar situações que possam afetar a saúde mental dos funcionários, como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral, sobrecarga e falhas na organização do trabalho.
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Com isso, a saúde mental deixa de ser tratada apenas como uma responsabilidade individual do trabalhador e passa a ser vista também como uma questão ligada às condições e à organização do ambiente laboral.
A atualização da NR-1 prioriza a prevenção e exige que empregadores adotem medidas concretas para reduzir fatores de risco.
A norma também reforça mecanismos de escuta dos trabalhadores, incentiva a participação dos funcionários na definição de metas e amplia a fiscalização sobre empresas com altos índices de afastamentos por transtornos mentais, além de fortalecer o combate ao assédio moral, sexual e outras formas de violência no trabalho.
Capa afastamentos por saúde mental
Luisa Rivas e Otávio Camargo | Arte g1
Qual a importância da NR-1 para os trabalhadores?
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, um dos principais impactos da atualização da NR-1 é evitar o adoecimento do trabalhador por questões de saúde mental.
Como mostrou o g1, o Brasil bateu recorde no número de afastamentos por transtornos mentais por dois anos seguidos.
Outro levantamento, elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), com base em dados do INSS, mostra que mais de duas mil profissões registraram afastamentos por transtornos mentais no país.
No topo da lista aparecem ocupações como vendedor do comércio varejista, faxineiro e auxiliar de escritório — trabalhadores que atendem o público, mantêm serviços essenciais e sustentam boa parte da rotina urbana.
Segundo especialistas, as profissões mais afetadas têm em comum vínculos mais frágeis, pressão por metas, jornadas extensas e maior exposição a riscos, como violência urbana e situações traumáticas — caso de técnicos de enfermagem, motoristas e vigilantes.
Com a atualização da NR-1, a expectativa é que esses números diminuam a partir da prevenção dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
‘Eu não consigo voltar’
Segundo dados da Previdência Social, as mulheres representam mais de 60% dos afastamentos por saúde mental.
Adriana Fraga, de 51 anos e profissional da enfermagem há 25, é um exemplo. Ela se afastou da profissão após desenvolver um quadro de ansiedade, depressão, síndrome do pânico e fibromialgia, agravado ao longo de décadas de trabalho sob pressão.
“Eu amo a enfermagem, mas se eu voltar hoje, eu travo. Eu não estou bem para cuidar de outra pessoa”, afirma.
A trajetória de Adriana começou como agente comunitária em São Paulo. Ao longo dos anos, acumulou experiência em clínicas, hospitais e unidades básicas de saúde (UBSs), atuando principalmente em áreas de alta complexidade, como cardiologia e exames de risco.
No último emprego, em uma UBS na periferia da capital paulista, Adriana enfrentava jornadas de oito horas diárias — além de até quatro horas de deslocamento. A rotina incluía triagem, vacinação, coleta de exames, visitas domiciliares e atendimentos de emergência.
“É muito estressante. A gente atende todo tipo de paciente, em situações diversas, muitas vezes sem estrutura suficiente”, relata. Segundo ela, a pressão é constante. “Se o médico atrasa ou não consegue atender, a culpa cai na enfermagem. O paciente desconta na gente”, conta.
Os primeiros sinais apareceram há mais de uma década. Adriana começou a sentir dores intensas e ansiedade, que evoluíram para depressão. Em 2016, recebeu o diagnóstico de fibromialgia. O quadro piorou em 2022, após uma pneumonia. Na tentativa de voltar ao trabalho, sofreu uma crise severa.
“Não consegui sair de casa. Tive falta de ar, tremedeira, sensação de que ia morrer”, relembra a enfermeira, que foi diagnosticada com síndrome do pânico.
Adriana afirma que diversos episódios profissionais contribuíram para o adoecimento, incluindo casos de assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.
Apesar da intensidade da rotina e da exposição frequente a situações traumáticas, como mortes de pacientes, ela diz que o acompanhamento psicológico não faz parte da realidade da maioria dos profissionais.
“Eu já vi paciente morrer e ninguém ofereceu apoio. Nem no público, nem no privado”, afirma. Segundo Adriana, diversos colegas também precisaram se afastar por problemas de saúde mental. “Tem muita gente na área da saúde adoecendo”, relata.
Atualmente afastada, ela enfrenta dificuldades para conseguir benefícios previdenciários. Segundo Adriana, transtornos como depressão e ansiedade ainda são subestimados em perícias. “Tenho laudos, acompanhamento médico, mas muitas vezes não reconhecem. Dizem que é frescura, mas não é”, afirma.
Apesar do vínculo afetivo com a profissão, Adriana diz que não pretende retornar à enfermagem. “Como eu vou cuidar de alguém sem estar bem? Posso errar uma medicação. E isso pode custar a vida de um paciente”, explica.
Pressão, metas e adoecimento
Outro caso semelhante é o da operadora de caixa Alana*, que prefere não ser identificada por medo de represálias no ambiente de trabalho. Aos 25 anos, ela trabalha em uma loja de roupas em um shopping de São Paulo.
A profissional vive uma rotina marcada por sobrecarga, instabilidade emocional e dificuldades para conciliar trabalho e maternidade. Mãe solo desde a adolescência, ela relata que o ambiente no varejo contribuiu diretamente para o agravamento de sua saúde mental.
“Eu começava a passar mal ainda no caminho para o trabalho. Era tremedeira, falta de ar, suor frio”, conta. "Eu chegava em casa tão cansada que, quando acordava, já estava na hora de trabalhar de novo", completa.
Formada em jornalismo pelo Prouni, Alana* entrou no mercado de trabalho ainda jovem e, após experiências na área de comunicação, migrou para o varejo diante da dificuldade de conseguir emprego na área e da busca por estabilidade financeira.
Além de uma maternidade precoce — ela teve o primeiro filho aos 17 anos —, o menino, de 8 anos, foi diagnosticado com autismo. Sem rede de apoio, o filho foi morar junto com a avó, no litoral.
A dificuldade de conciliar trabalho e maternidade gerou intenso desgaste emocional. “Eu só consigo ver meu filho poucas vezes por mês. Isso me afeta muito”, afirma.
Na empresa atual, Alana* descreve um ambiente de trabalho marcado por pressão por metas, competitividade e práticas consideradas abusivas. “Tudo era baseado em desempenho extremo. Até para conseguir folga, tinha que bater meta alta”, diz.
Segundo ela, colegas eram incentivados a competir entre si, e situações de exposição pública e comentários inadequados por parte da liderança eram frequentes. A funcionária também denuncia jornadas prolongadas, especialmente em datas como o Natal, com turnos até de madrugada.
“Havia dias em que entrávamos à tarde e saíamos depois da 1h da manhã”, relata. Ela afirma ainda que havia orientação para não registrar corretamente o ponto e que horas extras nem sempre eram devidamente compensadas.
Com o acúmulo de situações, Alana* desenvolveu crises de ansiedade e depressão. “Eu não conseguia nem chegar. Quando estava perto, começava a passar muito mal”, afirma. O quadro levou ao afastamento por 30 dias, determinado por uma psiquiatra após agravamento do estado emocional.
Após o período de afastamento, a jovem voltou ao trabalho, mas afirma que as condições permaneceram as mesmas. “A única diferença é que passaram a perguntar se eu estava tomando remédio. Mas o ambiente continuou igual”, relata.
O que muda para os trabalhadores?
A atualização da NR-1 fortalece o entendimento de que saúde mental também é uma questão de saúde e segurança do trabalho. Na prática, trabalhadores passam a ter mais respaldo para denunciar condições consideradas adoecedoras, como pressão excessiva, jornadas abusivas, metas inalcançáveis e assédio moral.
Segundo a juíza do trabalho Mirella Cahú, a principal mudança é que o foco deixa de estar apenas no indivíduo e passa a incluir a forma como o trabalho é organizado. “O risco psicossocial não é do sujeito, é da atividade de trabalho”, afirmou.
Isso significa que situações que antes muitas vezes eram tratadas como “fragilidade individual” passam a ser analisadas também como consequência da dinâmica de como trabalho é gerenciado dentro das empresas.
Especialistas avaliam que a norma também pode facilitar o reconhecimento do nexo entre trabalho e adoecimento mental em casos de afastamento ou ações judiciais. “Já reconhecemos transtornos mentais como acidente de trabalho quando há relação com a organização do trabalho”, afirma a magistrada.
Outra mudança prática é que empresas poderão ser cobradas antes mesmo de existir um trabalhador afastado. Ou seja, a fiscalização poderá exigir mudanças ao identificar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, mesmo sem casos formalmente registrados de adoecimento.
Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, a expectativa é que a atualização da NR-1 pressione empresas a tratar saúde mental com o mesmo nível de atenção dado hoje a acidentes físicos e outros riscos ocupacionais.
Para o auditor-fiscal do Trabalho Rogério Araújo, a entrada em vigor das mudanças na NR-1 representa um avanço importante na prevenção dos problemas de saúde mental relacionados ao trabalho.
De acordo com ele, a Inspeção do Trabalho está preparada para esse novo momento, tanto com a chegada de novos auditores quanto com a capacitação técnica para fiscalizar os riscos psicossociais nas empresas.
“O adoecimento mental relacionado ao trabalho cresceu de forma significativa, especialmente após a pandemia, e agora passa a receber um tratamento mais estruturado e obrigatório dentro da gestão de riscos das empresas. Estamos falando de fatores ligados ao ambiente e à organização do trabalho que precisam ser identificados, monitorados e prevenidos”, afirma.
Como denunciar
Existem diversos canais para denúncias trabalhistas em casos de riscos psicossociais no ambiente de trabalho:
Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho: canal online do Ministério do Trabalho para denúncias trabalhistas;
Fala.br: plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União;
Central Alô Trabalho: o número 158 funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h (horário de Brasília). A ligação gratuita de qualquer telefone fixo, mas chamadas por celular serão cobradas;
Superintendências Regionais do Trabalho: são responsáveis por executar, supervisionar e monitorar ações relacionadas a políticas públicas de trabalho nos estados;
Canal do Ministério Público do Trabalho: O MPT tem um canal de denúncias e atua para combater o assédio moral nas relações de trabalho;
Disque 100: Serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, o disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive assédio moral no trabalho.
O denunciante não precisa se identificar. A orientação é fornecer o maior número possível de informações para que os órgãos possam analisar se o caso configura assédio moral e realizar verificações no local de trabalho.
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Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde
Neymar, Endrick ou Ancelotti: veja quem ganhou mais seguidores após a convocação para a Copa

Ancelotti reage às comemorações de jogadores e familiares após convocação
A convocação dos 26 jogadores que vão representar a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 movimentou as redes sociais dos atletas, da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do treinador italiano Carlo Ancelotti.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o megaevento de anúncio dos craques, realizado em 18 de maio, impulsionou a imagem dos nomes ligados à convocação. O efeito pode se refletir em contratos publicitários e maior visibilidade durante a Copa, que começa em 11 de junho. (leia mais abaixo)
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O principal destaque nas redes sociais foi Neymar. A convocação rendeu ao atacante 2,1 milhões de novos seguidores no Instagram até a última quarta-feira (20). O jogador lidera a lista de ganhos, seguido pelo perfil oficial da CBF (+684 mil) e pelo de Endrick (+620,6 mil).
Dados levantados pela consultoria de dados Bites mostram que a convocação rendeu oito milhões de publicações sobre o assunto em diferentes redes sociais, incluindo Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn. O número de interações superou 372 milhões.
"Na prática, isso mostra como o futebol ainda é um dos grandes motores das redes. Ele ainda chama mais atenção do que política, cinema e, muitas vezes, até TV", analisa André Eler, diretor técnico da Bites.
Veja os detalhes abaixo:
Perfis que mais cresceram após a convocação.
Arte/g1
Para Renê Saviano, especialista em marketing esportivo e CEO da agência Heatmap, a tendência é que novos contratos de publicidade já comecem a surgir para os atletas convocados. "Não tenho dúvidas de que muitas novas marcas já procuraram figuras como o Neymar", diz.
"Empresas vão aproveitar o gancho da Copa. Uma cota de publicidade da FIFA, por exemplo, é muito cara. Da CBF talvez nem tenha mais, porque várias marcas já compraram. Então, o atleta se torna um ativo comercial para marcas que querem gerar conversa com o público durante o Mundial", diz.
Ele afirma que, além do potencial comercial, a convocação reforça o poder de influência dos atletas, que passam a ter maior engajamento do público nas redes — com impactos também no longo prazo.
Idel Halfen, especialista em marketing esportivo, reforça que os valores pagos por vídeos publicitários nas redes dependem, principalmente, da quantidade de seguidores e de interações.
"Então, quando você é convocado, aumenta seu engajamento e seu número de seguidores. Isso tem um preço", conclui.
Megaevento e visibilidade
O próprio formato de divulgação dos nomes relacionados à Copa do Mundo, realizado pela CBF em 18 de maio, foi um indicativo do que o esporte se transformou quando o assunto é marketing e engajamento de empresas.
Em um megaevento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro — com estimativa de mais de mil convidados e cerca de 700 jornalistas credenciados — diversas companhias aproveitaram para ativar suas marcas e surfar a onda do ato inicial do maior torneio esportivo do mundo.
O movimento, claro, também ocorreu na televisão e nas redes sociais. Neymar, o jogador mais midiático do futebol brasileiro, foi o grande destaque em ações de marketing, em meio a dúvidas sobre a presença do atacante do Santos na lista de Ancelotti.
🔎 Além dele, outros três convocados participaram de iniciativas publicitárias, mostra levantamento da consultoria de análise de dados Bites (veja abaixo). O recorte considera o período entre segunda-feira (18), dia do anúncio, e quarta (20).
Especialistas explicam que ganhos com publicidade tendem a crescer quando atletas são selecionados para competições de enorme visibilidade, como a Copa do Mundo. Além das ações imediatas e gatilhos contratuais, há benefícios também no longo prazo.
O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, anuncia a convocação do atacante Neymar para a Copa do Mundo, no dia 18 de maio de 2026
Mauro Pimentel/AFP
Publi dos convocados
Sozinho, Neymar emplacou seis posts no Instagram com cinco marcas diferentes logo após o anúncio: Red Bull (dois vídeos), Canção Alimentos, Mercado Livre, Puma e Loovi. Além disso, publicou um story da Blaze. Todas já mantinham parceria com o atleta.
Vinícius Júnior, atacante do Real Madrid e nome que já era certo na Copa, comemorou a convocação com uma publicidade da Vivo, empresa com a qual também já tinha parceria.
O jovem talento Endrick, por sua vez, fez uma ação no Instagram com a Neosaldina — marca com a qual também já possui contrato — logo após a divulgação da lista.
Enquanto isso, a novidade veio do volante Casemiro, homem de confiança de Carlo Ancelotti, anunciado como embaixador da companhia aérea Azul ao longo da Copa.
O jogador repostou, nos stories, uma publicação da empresa sobre a parceria. Além de escolher o atleta como embaixador, a companhia já havia anunciado, em abril, acordo de patrocínio com a CBF até 2030.
Veja abaixo como a convocação movimentou o marketing esportivo entre os atletas.
Ao menos 4 jogadores convocados participaram de ações de marketing.
Arte/g1
Se já tinham parceria, como funcionam os ganhos?
Algo em comum entre os jogadores que fizeram publicidade nas redes é o fato de as ações terem ocorrido com empresas das quais eles já eram parceiros, seja por patrocínio esportivo ou por contratos de embaixador de marca.
O especialista em marketing esportivo Idel Halfen explica que é difícil mensurar os ganhos nesses casos, já que, na prática, pode haver diferentes formas de remuneração — a depender do que consta em cada contrato. Alguns já preveem, por exemplo, gatilhos por performance.
"Pode até ser que já exista algum tipo de bonificação pelos resultados obtidos. Uma coisa é a marca patrocinar um jogador que não vai ser convocado e outra, um que vai para a Copa. Em muitos casos, há uma premiação por isso", diz.
Os gatilhos contratuais estão relacionados, principalmente, à grande exposição do atleta em eventos como a Copa. "Na prática, a convocação gera exposição, crescimento digital e, consequentemente, maior interesse comercial", acrescenta.
O movimento também encarece a imagem do atleta, o que pode garantir maior rentabilidade em futuras parcerias.
Apesar de o destaque publicitário inicial ter ido para Neymar, Vinícius Júnior e Endrick — que estão, atualmente, entre os atletas mais midiáticos da seleção brasileira —, os outros jogadores também deverão ser beneficiados pela visibilidade.
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Tilápia pode entrar em lista de espécies invasoras e preocupa produtores; entenda o caso

Tilápia-do-Nilo é a espécie mais cultivada no Brasil
Luiz Franco/ g1
A Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), que inclui a tilápia, deve ser apreciada a partir desta quarta-feira (27).
A proposta gerou preocupação entre os produtores, em novembro do ano passado, quando a inclusão foi divulgada. Eles temem que a aprovação gere novas restrições à criação, que é o peixe mais cultivado do Brasil.
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Uma espécie é considerada invasora quando ela começa a aparecer em lugares em que não é nativa. Nesse caso, a tilápia tem aparecido em rios fora das áreas de produção, o que causa desequilíbrios ambientais, segundo o Ministério do Meio Ambiente.
Já a característica "exótica" é porque a tilápia não é nativa do Brasil, mas do continente africano, da bacia do rio Nilo. Por isso ela é chamada de “Tilápia-do-Nilo” e o nome científico é Oreochromis niloticus.
❗A medida, porém, não implicaria em banimento do uso ou cultivo da tilápia, informou o Ministério do Meio Ambiente no ano passado. Ou seja, ainda vai dar para comer tilápia no Brasil, mesmo que ela entre na lista de espécies invasoras.
A instituição ressalta que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é responsável por autorizar o cultivo de espécies exóticas e que ele permite a criação da tilápia.
“Não há, portanto, qualquer proposta ou planejamento para interromper essa atividade”, disse o ministério em nota ao g1 na ocasião.
Agora no g1
❓ Mas o que muda, na prática, com a inclusão do peixe na lista? Segundo o ministério, ela serve como uma referência técnica para políticas públicas e ações de prevenção e controle ambiental.
Mesmo assim, o setor teme novas exigências do Ibama, que podem atrasar o início da criação e dificultar o acesso ao mercado externo, disse Jairo Gund, diretor executivo da Associação Brasileira das indústrias de pescado (Abipesca).
O tema também gerou divergência dentro do governo. Os ministérios da Agricultura e da Pesca e Aquicultura discordam do Meio Ambiente. O da Pesca avalia que a medida pode dificultar ou encarecer a produção.
“Estarem na lista a tilápia e o javali é desproporcional”, disse a diretora do Departamento de Aquicultura em Águas da União da Secretaria Nacional de Aquicultura, Juliana Lopes da Silva.
Depois da polêmica, a lista foi suspensa temporariamente em dezembro.
Na última quinta-feira (21), a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna obrigatório o aval do Ministério da Agricultura ou do Ministério da Pesca antes da edição de qualquer norma federal com impacto sobre espécies vegetais, animais, aquícolas, florestais ou organismos usados em atividades produtivas. O texto vai agora para o Senado.
Tilápia invasora?
Apesar de as características do peixe serem avaliadas apenas no momento em que se definem as estratégias de controle, pesquisas demonstram que a tilápia possui características que a fazem ser consideradas uma ameaça para ambientes em que não é nativa.
O professor de Ecologia do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista no assunto, Jean Vitule, listou algumas em entrevista anterior ao g1. Confira abaixo.
🐟 Territorialista: o peixe pode competir com outras espécies nativas.
🐟 Predadora: ela é onívora, ou seja, come plantas e carne, por exemplo, outros peixes.
🐟 Mudanças no ecossistema: a tilápia pode afetar a quantidade de nutrientes e produtividade nos lagos.
🐟Escapes das áreas de produção: as tilápias que escapam dos criadouros já foram encontradas em áreas de preservação, como as do Rio Guaraguaçu, no Paraná, onde Vitule trabalha há 30 anos.
O biólogo da UFPR também publicou um estudo que identificou a tilápia, que é um peixe de água doce, no mar. O peixe é muito resistente, inclusive em ambientes poluídos, e conseguiu se adaptar à água salgada.
As tilápias que escapam também podem levar parasitas que contaminam os peixes nativos.
As fugas aumentam em períodos de eventos climáticos extremos, explica o pesquisador.
“Mesmo que eu faça um tanque 100% seguro, vai acontecer o que aconteceu, por exemplo, no Rio Grande do Sul, na cheia do ano passado. Escaparam milhares de tilápias de cultivos muito bem-feitos”, afirma.
Saiba mais: de água doce, tilápias encontradas no mar podem causar doenças e mortalidade de peixes; entenda riscos
Quais cuidados o setor toma?
O Ministério da Pesca afirma que o licenciamento ambiental já prevê medidas para evitar fugas, como a reversão sexual dos peixes em machos.
Segundo a diretora Juliana Lopes da Silva, quanto menos fêmeas escapam, menor é o risco de reprodução na natureza. Mas ela reconhece que nem todos os peixes passam pela reversão.
O pesquisador Jean Vitule, porém, diz que já encontrou várias fêmeas com ovos. Segundo ele, isso ocorre porque elas são menores que os machos e conseguem escapar com mais facilidade.
Silva aponta que os produtores tentam evitar escapes da seguinte maneira:
criação em tanque-rede: o método usa gaiolas dentro de reservatórios, lagos ou rios. Elas precisam ficar fechados o tempo inteiro;
criação em viveiro escavado: a técnica usa tanques cavados no solo, usando a água acumulada a partir de nascentes, poços, córregos, rios ou da chuva. Para evitar escapes são implementadas lagoas de decantação e barreiras físicas.
Mesmo assim, esses métodos não são totalmente seguros.
“O escape de alguma forma vai acontecer, mas o que eu posso te garantir é que não é isso que o produtor quer. Porque cada tilápia que escapa é o dinheiro do produtor indo embora”, diz a diretora.
Vitule acrescenta que é possível criar tecnologias, como barreiras elétricas, para reduzir as fugas, mas isso exige grandes investimentos.
Entenda no vídeo abaixo como é a produção de tilápias no Brasil:
De onde vem o que eu como: tilápia
Como a lista foi montada?
O Ministério do Meio Ambiente aponta que a lista foi montada a partir de um extenso trabalho de pesquisa científica.
“Com um total de 247 artigos, livros e publicações científicas avaliados, todos com referências na identificação ao nível de espécie. Outra fonte utilizada é a Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas Invasoras (Instituto Hórus 2021)”, explica em nota ao g1.
O órgão também disse que considerou as relações comerciais do Brasil com países que têm espécies capazes de se adaptar aos biomas brasileiros.
Segundo o ministério, foram feitas duas consultas públicas com participação de especialistas e instituições da sociedade civil. Nessas consultas, houve sugestões para incluir ou retirar espécies da lista.
“Estes foram só alguns dos processos de coleta e checagem de dados de forma criteriosa e técnica para todas as espécies, incluindo a tilápia”, diz a nota.
Já Jairo Gund, diretor executivo da Abipesca, afirmou em novembro que a associação não teve acesso às informações e não foi consultado.
A lista inclui 60 espécies de peixes, além de dezenas de outras categorias, como a abelha africanizada, a manga, a goiabeira e os javalis selvagens.
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O que diz quem é contra
Ainda no governo Bolsonaro, em maio de 2022, o Ministério da Agricultura publicou uma lista de espécies domesticadas, que inclui a tilápia. Para a diretora do Ministério da Pesca, uma mesma espécie não pode estar nos dois grupos.
Contudo, o pesquisador da UFPR discorda da lista da Agricultura: “Quase todas as espécies de peixe não são domesticadas como galinha, por exemplo. A tilápia nunca será galinha”, afirma.
A diretora, por sua vez, lembra que muitas espécies produzidas no Brasil são exóticas, ou seja, vieram de outros países.
“Não é porque a gente escolheu a tilápia em detrimento de outro peixe nativo do Brasil. É que ela tem viabilidade econômica, social e tem viabilidade de cultivo”, afirma.
Veja abaixo algumas das consequências que os produtores e o Ministério da Pesca acreditam que a medida pode causar.
➡️Aumento de custos: segundo Silva, o licenciamento ambiental pode ficar mais caro.
➡️Atrasar a abertura de novos mercados: para a diretora, a medida fere a imagem do Brasil na hora de negociar a exportação.
➡️Insegurança jurídica: Silva se preocupa por não existir uma legislação que trate de produção comercial de espécies invasoras. “Então, existe uma lacuna aí no meio que pode gerar uma insegurança jurídica”, diz.
Gund, da Abipesca, concorda: "Essas listas vão inviabilizando as exportações, vão criando amarras e burocracias. Isso causa um desestímulo e uma insegurança jurídica muito grande no setor”.
Ele defende que o governo publique no Diário Oficial da União uma garantia de que a produção não será proibida.
“Embora o Ministério do Meio Ambiente tenha publicado que não será erradicada [...], o setor não confia mais nessas conversas, porque o que vale é o que é publicado no Diário Oficial da União”, afirma.
“Todos os regramentos sanitários e ambientais estão sendo cumpridos, então não justifica flertar com esse tipo de situação”, completa.
➡️Demora para iniciar a criação: para o diretor executivo da Abipesca, a nova lista deve atrasar ainda mais a liberação das licenças de criação.
“Hoje, em questão de dois, três anos, o que já é um absurdo, você consegue ter o licenciamento para começar a produzir”, afirma.
Segundo ele, o produtor precisa de várias autorizações, como da Agência Nacional de Águas (ANA), da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do órgão ambiental estadual, da outorga de uso da água da União e do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Leia também: Sorvete de tilápia pode ajudar pacientes com câncer; saiba se receita tem gosto de peixe
Sem técnicos, aplicativos servem de conselheiros para produtores rurais
Crédito fácil pode sair caro: entenda as diferenças entre cheque especial, consignado e empréstimo pessoal
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Crédito pessoal, consignado ou imobiliário: qual escolher?
As opções de crédito variam principalmente pelos juros e pelas garantias exigidas pelos bancos. Antes de emprestar dinheiro, as instituições analisam renda, histórico de pagamentos e bens que possam servir como garantia em caso de inadimplência.
Cheque especial e cartão de crédito estão entre as modalidades mais caras e devem ser usados apenas em emergências rápidas. Empréstimo pessoal e consignado têm juros menores, enquanto o financiamento imobiliário é considerado o mais seguro para os bancos por ter o imóvel como garantia.
Especialistas alertam que o crédito pode ajudar a organizar a vida financeira, mas recomendam evitar dívidas longas para pagar gastos passageiros, porque o consumo acaba — e a parcela continua.
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Funcionários da Samsung aprovam bônus individual de R$ 1,7 milhão com lucros de IA

Mais de 45 mil trabalhadores da Samsung poderiam aderir à paralisação prevista
REUTERS/Kim Hong-Ji/File Photo
Os trabalhadores sindicalizados da gigante sul-coreana Samsung Electronics aprovaram um acordo que prevê vultosos bônus anuais atrelados aos lucros gerados pela inteligência artificial (IA), segundo os resultados de uma votação eletrônica concluída nesta quarta-feira (27).
A Samsung e o sindicato chegaram a esse acerto na semana passada para evitar uma greve geral, com um compromisso que prevê prêmios individuais de até 338 mil dólares (R$ 1,7 milhão) neste ano para 78 mil funcionários da divisão de chips, de um total de 125 mil na Coreia do Sul.
Dos aproximadamente 62.600 votos registrados, mais de 73% apoiaram o pacto, informou o sindicato em comunicado. A votação começou na sexta-feira e se estendeu até as 10h locais desta quarta (22h de terça no horário de Brasília).
O acordo fechado de última hora na semana passada ocorreu em meio a um boom global da IA que impulsionou o negócio de chips de memória de alta largura de banda da Samsung, crucial para os centros de dados dessa tecnologia.
Agora no g1
Pelo acordo de 10 anos, atrelado a ambiciosas metas de desempenho, os bônus anuais corresponderão a 10,5% do lucro operacional da divisão de chips e serão pagos em ações, juntamente com um adicional de 1,5% em dinheiro.
A Samsung registrou um aumento de aproximadamente 750% em seu lucro operacional no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, enquanto seu valor de mercado superou 1 trilhão de dólares (R$ 5 trilhões) no início de maio.
A possibilidade de uma greve havia despertado grande preocupação na Coreia do Sul, onde só a Samsung responde por cerca de 12,5% do PIB e os chips de memória representam aproximadamente 35% das exportações.
Esse conflito trabalhista também reacendeu o debate sobre como os ganhos da IA devem ser distribuídos.
Um alto funcionário da Presidência chegou até a sugerir a ideia de um "dividendo nacional", argumentando que o excedente de receitas fiscais relacionadas à IA poderia ser usado para financiar programas de bem-estar social.
LEIA TAMBÉM:
R$ 3 bilhões por dia: o que está por trás da ameaça de greve na Samsung e por que ela preocupa tanto
Dinheiro esquecido: governo já transferiu parte dos recursos para uso no Desenrola 2.0; brasileiros ainda podem recuperar quase R$ 5 bilhões

Banco Central aponta R$ 10,6 bilhões em 'dinheiro esquecido' em bancos
Os brasileiros ainda podem recuperar o dinheiro que estiver esquecido nos bancos, embora parte desses recursos já tenha sido transferida para uso no Desenrola 2.0 — programa do governo para reduzir o endividamento.
O Ministério da Fazenda informou ao g1 que R$ 5,7 bilhões já foram transferidos ao fundo público, o Fundo de Garantia de Operações (FGO), que vai garantir a renegociação das dívidas.
Em março, segundo o último balanço divulgado pelo Banco Central, R$ 10,6 bilhões tinham sido deixados nos bancos. Com base nesses números, os clientes ainda poderão resgatar R$ 4,9 bilhões.
Do total esquecido, ainda de acordo com as informações mais recentes, R$ 8,13 bilhões são recursos de 45,3 milhões de pessoas físicas e R$ 2,43 bilhões de pouco mais de 5 milhões de empresas.
O pedido de recuperação do dinheiro precisa ser feito no site do Banco Central (veja mais abaixo).
No começo deste mês, o governo informou que usaria de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos para viabilizar o Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas.
De acordo com o Ministério da Fazenda, R$ 5,7 bilhões já foram transferidos para o FGO com o objetivo de oferecer garantias às instituições financeiras, disponibilizando o dinheiro para cobrir eventual calote de quem renegociar contratos.
Considerando o balanço de março divulgado pelo Banco Central, restam quase R$ 5 bilhões no sistema da autoridade monetária.
➡️O governo também informou que será lançado um edital de chamamento público para os correntistas que ainda desejarem buscar os recursos transferidos ao fundo público do Desenrola 2.0.
➡️Assim que publicado, o edital irá prever um prazo de 30 dias corridos para que os clientes dos bancos possam contestar a transferência do dinheiro. Decorrido esse prazo, os valores transferidos que não forem contestados serão incorporados de forma definitiva ao FGO.
"Os cidadãos não precisam aguardar a publicação do edital para continuar consultando e solicitando valores disponíveis no Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central. O edital previsto na Medida Provisória do Programa Desenrola Brasil trará orientações complementares e prazos de saque específicos para a parcela dos recursos do SVR que foi transferida ao Fundo de Garantia de Operações (FGO)", disse o governo.
➡️O Ministério da Fazenda argumenta que esses recursos, que hoje estão nas tesourarias das instituições financeiras, "passarão a gerar benefícios para todo o sistema financeiro, em especial para as famílias que renegociarem suas dívidas" dentro do Desenrola 2.0.
Como consultar o dinheiro esquecido
O único site no qual é possível fazer a consulta e saber como solicitar a devolução dos valores para pessoas jurídicas ou físicas, incluindo falecidas, é o https://valoresareceber.bcb.gov.br.
🔑Via sistema do Banco Central, os valores só serão liberados para aqueles que fornecerem uma chave PIX para a devolução.
📞Caso não tenha uma chave cadastrada, é preciso entrar em contato com a instituição para combinar a forma de recebimento. Outra opção é criar uma chave e retornar ao sistema para fazer a solicitação.
💰No caso de valores a receber de pessoas falecidas, é preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal para consultá-los. Também é necessário preencher um termo de responsabilidade.
Após a consulta, é preciso entrar em contato com as instituições nas quais há valores a receber e verificar os procedimentos.
Pedido automático
Desde maio do ano passado, o BC informou que é possível habilitar uma solicitação automática de resgate de valores a receber. A novidade, segundo a instituição, é que a adesão ao novo serviço é facultativa.
"O propósito é facilitar ainda mais a vida do cidadão, que não precisará consultar o sistema periodicamente nem registrar manualmente a solicitação de cada valor que existe em seu nome", informou o Banco Central, na ocasião.
Entenda
Para habilitar, é necessário acessar o SVR com uma conta gov.br de nível prata ou ouro e verificação em duas etapas ativadas.
A solicitação automática é exclusiva para pessoas físicas e está disponível apenas para quem possui chave PIX do tipo CPF. Quem ainda não possui essa chave deve cadastrá-la junto à sua instituição financeira.
O cidadão não receberá aviso do Banco Central quando algum valor for devolvido. O crédito será feito diretamente pela instituição financeira na conta do cidadão.
As instituições financeiras que não aderiram ao termo de devolução via PIX continuarão exigindo solicitação manual. Isso também se aplica a valores oriundos de contas conjuntas.
🚨Atenção: o governo não entra em contato solicitando dados pessoais ou informações extras para a devolução dos recursos por mensagem ou ligação telefônica. Fique atento e se proteja de golpes.
Ferramenta de segurança
Em fevereiro, o Banco Central mudou a verificação de segurança do Sistema de Valores a Receber para evitar fraudes.
📱O acesso continua a ser feito com a conta "gov.br", nível prata ou ouro. Mas o aplicativo passou a exigir duas etapas de verificação de segurança.
📲Quem não tem o gov.br no celular, precisa primeiro baixar o aplicativo. Depois, é necessário preencher as informações e fazer a validação facial para liberar as duas etapas.
🗝O acesso ao sistema de valores é com o CPF e a senha.
Em seguida, o sistema vai pedir um código de acesso que precisa ser gerado no aplicativo.
Dinheiro esquecido: clientes ainda poderão resgatar R$ 4,9 bilhões
Natalia Filippin/G1
Trabalhadores LGBTQIA+ no Brasil enfrentam mais desemprego e informalidade do que população em geral, diz Banco Mundial

Pessoas LGBTQIA+ no Brasil enfrentam índices mais altos de desemprego, de inatividade e de trabalho informal do que a população em geral, de acordo com estudo do Banco Mundial. A pesquisa traduziu em números a desvantagem encarada pelos LGBTQIA+ e mediu quanto custa essa exclusão do mercado de trabalho.
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A taxa de desemprego entre LGBTQIA+ é de 15,2%, ante 7,7% da população em geral. A inatividade chega a 37,4% contra 33,4%. E, entre os LGBTQIA+, 46% trabalham na informalidade, ante 40% da população em geral. Os dados específicos são da pesquisa do Banco Mundial e os gerais, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2024.
"A pesquisa mostra que esta é uma agenda de desenvolvimento econômico fundamental para o país. Quando o preconceito ganha, toda a sociedade perde. Por isso, um dos maiores méritos do estudo é demonstrar como este é assunto de interesse de todas as pessoas", analisa Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade, que atua com inclusão econômica de pessoas LGBTQIA+ .
Os pesquisadores entrevistaram 11.231 pessoas ao longo de três meses, em todas as regiões do Brasil. Os resultados mostram que essa exclusão causa uma perda econômica anual de R$ 94,4 bilhões para o país, valor que representa 0,8% do PIB.
Exclusão de pessoas LGBTQIA+ representa 0,8% do PIB anual do Brasil
Arte / g1
Trabalho informal vira saída
A preocupação com a cultura da empresa e com a segurança psicológica são motivos para que 7 em cada 10 profissionais LGBTQIA+ deixem de se candidatar a vagas e considerem desistir de oportunidades de trabalho, de acordo com o estudo do Banco Mundial.
Agora no g1
No caso da administradora Isabela (nome fictício), o entrave na hora de se candidatar aparece no processo seletivo. Usando o LinkedIn como ferramenta principal para encontrar vagas, ela conta que frequentemente avança nas etapas, mas é desclassificada na hora da entrevista presencial, quando os recrutadores notam que ela é uma mulher trans.
"Sempre fui uma profissional de alta performance e, no processo seletivo, não me perguntaram se eu era transgênero. Quando eu fui presencialmente para conversar com a gestora da vaga, eles falaram que eram uma empresa tradicional e que não estavam preparados para receber alguém como eu", relata Isabela, sobre um episódio vivenciado no início desse ano .
Isabela está desempregada há dois anos. As negativas dos empregadores contrastam com uma carreira bem-sucedida e construída dentro de grandes empresas. Atualmente com 41 anos, ela iniciou a transição de gênero aos 28 anos, enquanto trabalhava em um grande banco no qual permaneceu por 12 anos, até 2020.
A saída da empresa foi escolha de Isabela, que, buscando novos cargos e melhores salários, passou por outras duas companhias que tinham políticas de diversidade e inclusão, até ser demitida de uma farmacêutica.
Os dados do estudo indicam que a discriminação nas fases de recrutamento e contratação gira principalmente em torno da expressão de gênero, cor da pele e o quanto a pessoa LGBTQIA+ se enquadra nas normas de gênero "tradicionais".
Ciente do preconceito, Isabela só informa que é uma mulher trans nos formulários de inscrição quando há uma pergunta sobre identidade de gênero. Caso contrário, prefere omitir a informação, mas também diz que nunca mentiu e nunca tentou se passar por uma mulher cisgênero.
"Quando não há a obrigatoriedade de responder, eu prefiro não responder para [minha identidade] não ser colocada contra mim mesma", explica.
Nesse contexto, a economia informal surge como ferramenta para "burlar o sistema" na tentativa de obter autonomia e escapar de preconceitos.
Enquanto 40% da população geral depende do trabalho informal, essa porcentagem é de 46% entre o público LGBTQIA+. O trabalho autônomo é a realidade de 25% dos brasileiros e de 30% dos brasileiros LGBTQIA+.
"A escolha de mensurar o impacto da discriminação a partir de uma perspectiva econômica funciona como uma estratégia a mais, além da discussão dos direitos humanos. O que o argumento do custo econômico adiciona é que a violência sofrida por pessoas LGBTI+ não é prejudicial só para essa população, mas para o país como um todo", aponta Lucas Bulgarelli, diretor do Instituto Matizes, organização LGBTQIA+ de pesquisa.
Pessoas LGBTQIA+ procuram a informalidade ou o trabalho autônomo para não sofrer com preconceito
Arte / g1
Discriminação no ambiente de trabalho
A pesquisa do Banco Mundial constatou que, quando pessoas LGBTQIA+ são contratadas, muitas descrevem conviver com o questionamento rotineiro da competência de travestis e mulheres trans, o "ocultamento estratégico" entre homens bissexuais e a sexualização de interações cotidianas. Por isso, muitos escondem suas identidades, o que aumenta seu estresse e prejudica sua produtividade.
Além disso, 72,7% dos entrevistados disseram já ter sofrido preconceito no local de trabalho, e 64% relataram eventos repetidos de discriminação, o que teve consequências negativas para seu desempenho e permanência na empresa.
Sete em cada 10 pessoas LGBTQIA+ deixam de se candidatar a vagas preocupados com segurança psicológica
Arte / g1
Essa exclusão no local de trabalho ocorre de forma contínua e vai de demissões injustificadas, assédio e agressão — até práticas mais sutis, como pressão para que a pessoa se adapte às normas de gênero, aceitação baseada no ocultamento da identidade LGBTQIA+, perguntas invasivas a respeito das vidas de pessoas trans e normalização da autocensura por motivos de segurança.
Em conjunto, essas dinâmicas geram sofrimento psicossocial persistente, incluindo exaustão, ansiedade, trauma e burnout, todos associados à exposição prolongada à hostilidade no ambiente de trabalho e à necessidade constante de comprovar sua competência profissional.
72,7% dos entrevistados disseram já ter sofrido preconceito no local de trabalho
Pegatroco/Divulgação
Corpus Christi pode render folga de 4 dias; veja como e os direitos do trabalhador

Corpus Christi é feriado? Veja em quais capitais haverá folga
Para o trabalhador que está precisando de um descanso prolongado, um possível feriadão pode estar chegando: o Corpus Christi, celebrado em 4 de junho.
A data é considerada ponto facultativo nacional, ou seja, estados e municípios podem decretá-la como feriado religioso, desde que haja regulamentação local — o que pode permitir a emenda e prolongar o descanso. (veja em quais capitais a data garante folga)
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A celebração católica cai em uma quinta-feira e pode render até quatro dias seguidos de descanso para quem conseguir folga na sexta-feira (5) — de quinta a domingo, no caso de trabalhadores que não atuam aos fins de semana.
Veja como fica o calendário:
4 de junho: Corpus Christi (ponto facultativo);
5 de junho: ponto facultativo;
6 de junho (sábado): folga para quem não trabalha aos fins de semana;
7 de junho (domingo): folga para quem não trabalha aos fins de semana.
Nas cidades onde Corpus Christi é considerado feriado, a regra geral é a dispensa do trabalho. Ainda assim, a legislação permite o funcionamento de atividades em setores considerados essenciais. (confira quais abaixo)
⚠️ Mas atenção: quem for escalado para trabalhar na data tem direitos assegurados, como remuneração em dobro ou um dia de folga compensatória.
Oficina forma novos voluntários para confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi em Castelo, no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
A possibilidade de “emendar” o feriado não é automática e depende das regras de cada empresa, no caso da iniciativa privada, além de decisões dos governos municipais, estaduais e federal para os servidores públicos.
🏢 EMPRESAS PRIVADAS
Segundo a advogada trabalhista Vanessa Carvalho, não há, na legislação, obrigatoriedade de o empregador conceder a chamada "emenda de feriado" aos seus empregados.
"No entanto, é possível — e bastante comum — que o tema seja objeto de negociação entre as partes, empregadores e empregados", completa a especialista.
Uma alternativa para o empregador é pedir a compensação do dia da emenda por meio de banco de horas, trabalho em um sábado ou acréscimo de até duas horas na jornada diária durante a semana.
Há também empresas que concedem a folga na emenda do feriado de forma espontânea. Nesses casos, não é permitido descontar o dia não trabalhado nem exigir compensação posterior.
🏛️ FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS
Para os servidores federais, a segunda-feira (20) será ponto facultativo, conforme o calendário divulgado pelo governo no fim do ano passado.
Para servidores municipais e estaduais, a adoção do ponto facultativo depende de decisão de cada governo local. Em São Paulo, por exemplo, a prefeitura determinou a suspensão do expediente, com compensação posterior das horas não trabalhadas.
Nesses casos, servidores, estagiários e residentes deverão repor as horas entre janeiro e setembro de 2026. A administração municipal também pode instituir plantões, se necessário.
➡️ Vale lembrar que os serviços essenciais continuam funcionando normalmente, sem alteração na jornada de trabalho.
O g1 conversou com especialistas em direito trabalhista para explicar como funcionam as regras.
Abaixo, você vai descobrir:
🤔 Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado?
⚖️ Quais são os meus direitos?
💰 Remuneração em dobro ou folga? Quem define?
❌ Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa?
⚠️ As regras são diferentes para empregado fixo e temporário?
✍🏼 Como funciona no caso do trabalhador intermitente?
📆 Quais são os próximos feriados de 2026?
Quais são os próximos feriados de 2026? (Spoiler: restam seis)
1. Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado?
Sim. Apesar de o artigo 70 da CLT proibir atividades profissionais durante feriados nacionais, a legislação abre exceções para serviços considerados essenciais, como setores da indústria, comércio, transportes, comunicações, serviços funerários e atividades ligadas à segurança, entre outros.
Além disso, o empregador pode solicitar que o funcionário trabalhe durante o feriado quando houver uma Convenção Coletiva de Trabalho — acordo previamente firmado entre empregadores e sindicatos.
2. Quais são os meus direitos?
Para quem trabalha no feriado, a legislação garante o pagamento em dobro ou a compensação com folga em outro dia.
"Se houver banco de horas, também é possível lançar essas horas trabalhadas, nos termos do acordo individual ou coletivo", explica Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista e sócia do AC Burlamaqui Consultores.
3. Remuneração em dobro ou folga? Quem define?
A definição do tipo de compensação — pagamento em dobro ou concessão de folga compensatória — geralmente é determinada em acordo firmado entre empregador e sindicato.
Na ausência da Convenção Coletiva de Trabalho, a decisão pode ser negociada entre empregador e funcionário. No entanto, é importante que as duas partes estejam de acordo e que a compensação escolhida esteja em conformidade com a legislação.
"O empregador não pode decidir de forma unilateral. Se houver um acordo ou convenção coletiva prevendo a compensação por folga, essa regra prevalece; caso não exista, o pagamento em dobro pelo trabalho no feriado é obrigatório", afirma Elisa Alonso, advogada trabalhista e sócia do RCA Advogados.
4. Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa?
Depende. A ausência pode ser caracterizada como insubordinação — ou seja, desobediência a um superior hierárquico.
"Mas a dispensa por justa causa, em geral, não decorre de um fato isolado, mas de um comportamento faltoso de forma reiterada", afirma Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista.
Assim, a demissão por justa causa geralmente resulta de um processo que inclui advertências formais e tentativas de correção de comportamento.
Em caso de expediente normal, o empregado poderá sofrer outras penalidades administrativas como o desconto do dia não trabalhado, que será considerado falta injustificada.
"A falta injustificada deve ser repreendida, no entanto, para fins de justa causa necessário que outros sejam analisados, como a recorrência da conduta, o impacto causado à empresa e a função desempenhada pelo empregado, por exemplo", completa a advogada trabalhista Elisa Alonso.
5. As regras são diferentes para empregado fixo e temporário?
As regras básicas sobre trabalho em feriados aplicam-se tanto a empregados fixos quanto temporários, incluindo o direito ao pagamento em dobro ou folga compensatória.
No entanto, trabalhadores contratados em regime temporário podem ter condições específicas previstas em contrato.
6. Como funciona no caso do trabalhador intermitente?
Para o trabalhador contratado em regime de trabalho intermitente — previsão legal incluída na CLT pela Reforma Trabalhista de 2017 —, o pagamento pelos dias trabalhados em feriados deve ser acordado no momento da contratação.
O contrato deve especificar o valor da hora trabalhada, que já precisa considerar os adicionais devidos por trabalho em feriados ou por horas extras.
Dessa forma, o trabalhador intermitente recebe exatamente o valor previamente combinado para os dias efetivamente trabalhados, incluindo feriados, explica o advogado Luís Nicoli.
7. Quais são os próximos feriados de 2026?
Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano.
Depois de Corpus Christi, que é ponto facultativo nacional, os próximos feriados são 7 de setembro (Independência do Brasil) e 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida).
Ambos caem em uma segunda-feira e podem render um descanso prolongado para quem folga aos fins de semana.
Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem:
7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira)
12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira)
2 de novembro, Finados (segunda-feira)
15 de novembro, Proclamação da República (domingo)
20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira)
25 de dezembro, Natal (sexta-feira)
Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos:
4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira)
5 de junho (sexta-feira)
28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira)
24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira)
31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira)
O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira:
Calendário 2026
g1
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Mega-Sena, concurso 3.011: confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3.011: confira os números sorteados
O sorteio do concurso 3.011 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça (26), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 2.6 milhões. No entanto, ninguém acertou o prêmio principal.
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Veja os números sorteados: 02 - 05 - 27 - 36 - 40 - 60
Veja o acertos:
5 acertos: 16 apostas ganhadoras, R$ 54.125,58
4 acertos: 1.509 apostas ganhadoras, R$ 945,98
O prêmio acumulado foi a R$ 6 milhões.
O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Resultado do concurso 3011 da Mega-Sena.
Reprodução / Caixa
Para apostar na Mega-Sena
A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
EUA fecham contrato bilionário para uso militar de satélites da SpaceX

Logos da Tesla, Neuralink, SpaceX, The Boring Company e SolarCity aparecem em frente à foto de Elon Musk
REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo
A Força Espacial dos EUA fechou com a SpaceX um contrato de US$ 2,29 bilhões para construir uma rede de comunicações via satélite segura e de alta velocidade, projetada para conectar sensores militares e plataformas de armas em todo o mundo, anunciou o serviço na terça-feira (26).
O programa, chamado Backbone da Rede de Dados Espaciais (SDN, na sigla em inglês), deve manter sensores e sistemas militares conectados de forma contínua e segura, afirmou Ryan Frazier, executivo interino de aquisições da Força Espacial.
Segundo a nota, o sistema será formado por satélites de órbita baixa conectados entre si. A rede deve permitir a troca rápida e estável de dados para as forças armadas dos EUA.
O protótipo totalmente operacional deve ser entregue até o fim de 2027.
Agora no g1
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Atualmente, as redes de satélites Starlink e Starshield, da SpaceX, já são usadas nas comunicações militares dos EUA, segundo a agência Reuters.
O governo dos EUA quer ampliar a produção de satélites militares. Em 2024, o Congresso autorizou US$ 13 bilhões para investimentos da Força Espacial em comunicações via satélite, medida vista como um incentivo ao setor privado.
Assim que assumiu o mandato, em janeiro de 2025, Trump assinou um decreto para levar adiante o projeto "Golden Dome" ("Domo de Ouro"), um sistema de defesa antimísseis.
Entre as justificativas, o presidente elencou que os EUA sofrem ameaça de ataques balísticos, hipersônicos e de cruzeiro e estabeleceu que o país adotaria o objetivo "da paz pela força".
Em julho do ano passado, a Reuters havia informado que o governo de Donald Trump buscava alternativas à SpaceX, de Elon Musk, para desenvolver o sistema de defesa antimísseis.
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Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas nas redes com exposição de terceiros
Vazamento de dados do INSS atingiu 2,8 milhões de CPFs, diz Dataprev; 98% eram de falecidos

O vazamento de dados de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu 2,8 milhões de CPFs, informou nesta terça-feira (26) a Dataprev, empresa estatal de tecnologia responsável por gerenciamento de dados de aposentados e pensionistas.
Desse total, 98% pertenciam a pessoas já falecidas. Um mesmo CPF foi consultado mais de uma vez. Além disso, cerca de 52 mil pessoas vivas tiveram a data de nascimento exposta durante o incidente de segurança ocorrido em abril.
As informações foram divulgadas por Edmar dos Santos Ferreira Junior, representante da Dataprev na reunião desta terça-feira do Conselho Nacional da Previdência Social.
O número é superior ao que foi divulgado quando o caso veio a público, na semana passada. Na ocasião, técnicos do INSS informaram que teriam sido vazados dados de cerca de 2 milhões de segurados.
Agora no g1
Embora as causas do incidente ainda estejam sendo investigadas, Ferreira Junior afirmou que já foi identificada uma falha em uma consulta de serviço do Meu INSS. Segundo ele, o sistema, que deveria exigir autenticação por login, estava acessível sem essa etapa de segurança.
"Era uma consulta que estava dentro de uma interface logada, mas ela aceitava uma resposta para quando você tivesse em um ambiente público", explicou Ferreira, esclarecendo que o incidente durou um dia.
O erro, assim que identificado, foi corrigido, afirmou o representante da Dataprev. No momento, segundo ele, está sendo desenvolvido uma atualização dos sistemas que vai restringir que somente um usuário possa consultar um CPF por vez.
Relembre o caso
Na semana passada, veio a público um incidente de segurança no órgão sobre o vazamento de dados de cerca de 2 milhões de segurados.
O caso foi identificado há quase um mês, no dia 22 de abril, pela Dataprev, empresa estatal de tecnologia que gerencia dados de milhões de pessoas, inclusive de aposentados e pensionistas.
Em nota, o INSS disse que foram adotadas as devidas providências e informou que a maioria dos dados que foram expostos eram de cidadãos falecidos.
"De acordo com as informações preliminares, do total de CPFs acessados, 97% foram de cidadãos falecidos. A Dataprev apurou a ocorrência de aproximadamente 50 mil casos envolvendo indivíduos que não possuem registro de óbito – menos de 3% dos casos registrados. Os dados ainda estão sendo consolidados pela Dataprev", afirmou a autarquia.
Falha de segurança
O instituto afirmou que, apesar do vazamento dos dados, uma série de documentos e etapas são exigidos para que seja aprovada, por exemplo, a concessão de um empréstimo consignado.
A pensão por óbito exige certidão de óbito, dentre outros documentos e procedimentos, completou o INSS.
“A concessão de qualquer benefício possui uma série de travas de segurança. O INSS tem reforçado seus controles internos a fim de oferecer maior segurança à análise de seus benefícios”, diz a nota.
Em 2024, o INSS também confirmou que outra vulnerabilidade no sistema deixou expostas informações sigilosas de pessoas com aposentadorias e benefícios sociais e assistenciais.
Aplicativo Meu INSS
Julia Carneiro/g1
Alemanha quer aumentar imposto para adultos sem filhos

Visão geral do Bundestag, o Parlamento alemão, em foto de 22 de outubro de 2013
AP Photo/Michael Sohn
Diante de uma população cada vez mais envelhecida e da perspectiva de um rombo bilionário no caixa do auxílio-invalidez, o governo da Alemanha avalia aumentar, mais uma vez, a alíquota de contribuição para pessoas sem filhos.
A contribuição para o auxílio-invalidez (também conhecido como seguro de cuidados) é paga por todos que são cobertos pelo seguro de saúde público — quase 90% da população alemã.
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Para quem tem filhos, a contribuição varia entre 3,1% e 3,6% da renda, a depender do tamanho da prole. Para pessoas sem filhos, a cobrança é de 4,2%, composta de uma taxa-base de 3,6%, mais um percentual extra de 0,6%. Esse valor diferenciado começa a ser cobrado já aos 23 anos.
Um documento interno do Ministério da Saúde que vazou na imprensa alemã nesta terça-feira (26/05) propõe elevar a alíquota de contribuição desse grupo em 0,1%, totalizando 4,3%.
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Tem direito a auxílio-invalidez quem precisa de cuidados permanentes, como idosos, doentes crônicos e pessoas com deficiência. Mas, diferentemente do seguro-saúde, o benefício não cobre todas as despesas.
A Alemanha se vê diante de uma população cada vez mais envelhecida. Um em cada cinco habitantes (20%) têm idade igual ou superior a 67 anos, proporção que tende a aumentar à medida que a geração do pós-guerra caminha para a aposentadoria. Esse grupo demográfico, formado por pessoas nascidas até o fim da década de 1960, é muito mais numeroso que as gerações seguintes, que têm menos filhos.
Até o fim de 2028, o Ministério da Saúde projeta um déficit total de 22,5 bilhões de euros (quase R$ 132 bilhões) no caixa do auxílio-invalidez.
Apoio dentro da coalizão
Segundo maior parceiro da coalizão governista liderada por Friedrich Merz, da União Democrata Cristã (CDU), o Partido Social Democrata (SPD) sinalizou abertura à proposta de elevar as contribuições para pessoas sem filhos.
Para o especialista em saúde do SPD, Christos Pantazis, é legítimo "discutir diferentes mecanismos — inclusive a questão de uma contribuição maior para pessoas sem filhos", diante dos desafios financeiros do sistema de cuidados.
"Precisamos falar abertamente sobre um financiamento solidário e sustentável no longo prazo", declarou ele aos jornais do grupo Funke. Mas também ponderou: "Uma medida desse tipo pode contribuir para a estabilização, mas não substitui uma reforma estrutural abrangente."
Sigla-irmã da CDU, a União Social Cristã (CSU), da Baviera, também apoia a proposta. "Pais dão uma contribuição importante para a manutenção dos nossos sistemas de seguridade social", afirmou a comissária federal para cuidados de longa duração, Katrin Staffler (CSU), ao grupo de mídia Bayern.
"Quando a geração atual de crianças, no futuro, pagar contribuições como adultos e assim também ajudar a financiar os cuidados de segurados sem filhos, isso se deve principalmente ao esforço educacional de seus pais."
Para críticos, aumentos pontuais não garantem sustentabilidade do sistema
Os Verdes, por sua vez, criticaram o que chamaram de "propostas isoladas imaturas" em detrimento de um "conceito geral viável". "Assim, não se cria nem confiança nem um financiamento estável para o seguro de cuidados", disse a deputada Simone Fischeraos jornais do grupo Funke.
Para o partido A Esquerda, um aumento do adicional para pessoas sem filhos seria "uma medida cosmética, que não resolve nem de longe o problema do seguro de cuidados". A especialista do partido na área, Evelyn Schötz, criticou: "A proposta [...] tornaria o seguro de cuidados ainda mais injusto do que já é". Em vez disso, ela defendeu a inclusão de segurados privados no sistema público de cuidados.
O sistema público alemão de saúde e cuidados funciona como uma espécie de INSS: todos contribuem para o mesmo caixa, de onde saem os recursos para pagamento de tratamentos e benefícios em caso de necessidade. Mas pessoas com renda elevada não são obrigadas a contribuir, podendo em vez disso optar por um seguro privado de saúde e cuidados. Críticos apontam que essa brecha significa uma perda importante de receita.
Opinião semelhante à de Schötz foi expressa pela presidente da associação social VdK, Verena Bentele, que classificou a proposta em entrevista ao Rheinische Post como injusta por "sobrecarregar unilateralmente pessoas sem filhos", sem que isso tenha sido necessariamente uma escolha de vida. O aumento de 0,1%, pontuou, "teria apenas um efeito financeiro muito pequeno e não fecharia o rombo do seguro de cuidados".
O diretor-executivo federal da Associação Alemã de Assistência a Idosos e Pessoas com Deficiência (VDAB), Thomas Knieling, disse que a proposta é uma "medida pontual sem perspectiva de longo prazo", que não substitui a necessidade de uma estratégia de reforma sustentável.
Presidente do conselho da seguradora DAK e ex-político de saúde da CDU, Andreas Storm disse que o seguro público de cuidados "precisa de medidas rápidas de resgate", e que as medidas ventiladas até agora não resolvem o problema. "Se nada acontecer, vários fundos de cuidados precisarão, em curto prazo, de ajuda financeira para evitar a insolvência", declarou à agência de notícias dpa.
O Ministério da Saúde não quis comentar o tema, mas informou à agência de notícias AFP que pretende apresentar um projeto de lei para reformar o sistema de cuidados. Esperada para maio, a proposta acabou adiada até o início de julho.
Já se sabe, porém, que a ministra da Saúde, Nina Warken (CDU), pretende reduzir os subsídios para internação em lares de idosos. Também há o risco de um acesso, em geral, mais restrito aos benefícios do seguro de cuidados.
Ações da Ferrari despencam mais de 8% após a revelação do 1º carro elétrico da marca

Espera-se que a Ferrari Luce, que é completamente elétrica, esteja disponível ainda este ano
Ferrari
A Ferrari apresentou na segunda-feira (25) o Luce, seu primeiro carro elétrico. Apesar dos números impressionantes de desempenho, o design e proposta do modelo causaram reações nas redes sociais.
O mercado financeiro também não assimilou bem a novidade. As ações da Ferrari negociadas na bolsa de Milão caíram 8,37% nesta terça-feira (26). Os papéis da montadora fecharam na segunda-feira ao valor de 310 euros (R$ 1.808) e caíram para 284,05 euros (R$ 1.657) no fechamento desta terça.
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A Ferrari apresentou o Luce e afirmou que o modelo é um novo capítulo para a marca de Maranello. O preço anunciado é de US$ 610 mil (R$ 3,2 milhões em conversão direta).
O nome Luce, segundo a marca, evoca claridade e direção. “Ele ilumina o caminho em direção ao futuro a define a intenção de criar uma Ferrari 360º, não somente uma Ferrari elétrica”, diz o comunicado.
O Luce é o primeiro carro de cinco lugares da Ferrari
Ferrari
Designer do iPhone
O ponto de maior debate é o design do Luce, que tem pouquíssimo elementos marcantes da Ferrari. O SUV tem carroceria arredondada, linha de cintura alta e proporções mais comuns em carros tradicionais. Bem longe do que se espera de uma Ferrari
E a polêmica não é pelo fato de a Ferrari lançar um utilitário esportivo, pois a Purosangue foi bem aceita e tem bons números de vendas.
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
O capô flutuante com parte inferior em preto e o para-brisas amplo causam estranheza. Assim como o mecanismo dos limpadores de para-brisa, que ficam sempre na vertical e nas laterais do vidro.
Na lateral, a Ferrari fez uma combinação de teto, colunas e saias laterais em preto para tirar o peso visual do carro, que é grande para um esportivo. Chama a atenção um grande aplique preto nas portas dianteiras. As portas traseiras abrem no sentido inverso.
Na traseira, o Luce tenta invocar modelo icônico dos anos 1980 e 1990 com as quatro lanternas redondas e aplique em preto.
O interior já havia sido revelado e mostra a filosofia minimalista que caracteriza os produtos da Apple. Telas com cantos arredondados, botões com acionamento fácil e leitura clara das informações.
Ferrari Luce
divulgação/Ferrari
Os responsáveis pelo design do Luce são da Lovefrom, estúdio de Jony Ive, designer que trabalhou na Apple e foi responsável por várias gerações do iPhone. Segundo a Ferrari, foi dado ao estúdio a liberdade criativa necessária para definir a direção do design do projeto.
Desempenho
São quatro motores elétricos, um para cada roda, e o total é de 1.050 cv. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 2,5 segundos. Para chegar a 200 km/h depois da largada, o Luice leva só 6,8 segundos. A velocidade máxima é de 310 km/h.
As baterias de 122 kWh estão plugadas em um sistema de 800 V. Em postos de recarga super-rápida, o Luce pode alcançar 350 kW. Isso permite recuperar até 70 kW para a bateria em 20 minutos.
Com baterias 100% carregadas e nos critérios internacionais, o Luce tem autonomia de mais de 530 km.
Azeite extravirgem é retirado do mercado por mistura irregular de óleos vegetais, diz ministério

Entenda as fraudes de azeite mais comuns no Brasil
O Ministério da Agricultura divulgou um alerta de risco à saúde do consumidor na comercialização de um lote do azeite de oliva extravirgem da marca San Paolo, considerado desclassificado e impróprio para consumo humano.
Uma análise de amostras mostrou que o lote 260289 contém a mistura de outros óleos vegetais na composição do produto, caracterizando fraude.
A Secretaria de Defesa Agropecuária, que realizou a operação, identificou irregularidades relacionadas à empresa responsável pela importação e comercialização do produto. Por exemplo, a falta de documentos fiscais e do CNPJ da empresa no rótulo.
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Azeite do Oliva Extra Virgem São Paolo
Divulgação
A fiscalização determinou o recolhimento imediato do lote e orienta os consumidores a interromperem imediatamente o uso do produto e solicitarem a substituição, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor.
Segundo o Ministério da Agricultura, a empresa foi notificada, mas não apresentou manifestação dentro do prazo estabelecido e será autuada administrativamente.
O g1 não localizou o contato da empresa até a última atualização desta reportagem.
Azeites proibidos: veja como comprar um produto de boa qualidade
Passo a passo de como o azeite é fiscalizado
Arte/g1
Ministério da Agricultura dá algumas pistas para encontrar um azeite de qualidade
Arte/g1
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Veto à carne brasileira expõe diferenças importantes na forma como a União Europeia e o Mercosul tomam decisões

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
Maior exportador de carne bovina do Mercosul e um dos mais competitivos do mundo no setor, o Brasil passou a ser o principal alvo de barreiras sanitárias europeias após a entrada em vigor provisória do Acordo de Associação Mercosul-União Europeia, em 1º de maio de 2026.
Poucos dias depois, em 12 de maio, a Comissão Europeia anunciou restrições à importação de carne bovina brasileira.
A medida, justificada por alegadas falhas sanitárias e problemas de rastreabilidade animal, não atinge apenas um dos setores mais estratégicos da pauta de exportações do país. Ela também expõe uma tensão estrutural do acordo: a diferença entre a forma como a União Europeia e o Mercosul tomam decisões e exercem o poder regulatório.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
A decisão ocorreu em um contexto de crescente pressão política e econômica dentro da Europa para proteger produtores rurais europeus diante da competitividade agrícola sul-americana.
Ao mesmo tempo em que a União Europeia apresenta o Acordo como instrumento de fortalecimento do multilateralismo, da sustentabilidade e da integração econômica entre democracias, governos europeus enfrentam oposição doméstica.
Essa oposição vem, sobretudo, de setores agrícolas preocupados com a entrada de produtos agropecuários mais baratos e competitivos vindos do Mercosul.
Nesse cenário, mecanismos sanitários e fitossanitários passaram a funcionar também como instrumentos de proteção econômica e acomodação política interna. Esse movimento se intensifica especialmente em períodos pré-eleitorais em alguns países europeus e em um momento de incertezas internacionais.
Sem a União Europeia, Brasil pode deixar de exportar quase US$ 2 bilhões ao ano em carnes
Os ganhos e perdas do Acordo Mercosul-União Europeia
O Acordo Mercosul-União Europeia foi concluído durante a 65ª Cúpula do Mercosul, em Montevidéu, em dezembro de 2024, após mais de um quarto de século de negociações.
Em vigor provisório desde 1º de maio de 2026, o pacto reúne aproximadamente 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de cerca de US$ 22,4 trilhões.
Em termos comparativos, esse valor supera o PIB da China, estimado em US$ 19,5 trilhões, e fica abaixo apenas dos Estados Unidos, em torno de US$ 30,3 trilhões, configurando uma potência geoeconômica de escala global.
Como consequência, a parceria tem capacidade multifatorial de impactar a arquitetura geopolítica global. Ela promove um pacto entre democracias em contraposição ao avanço de regimes autocráticos, em um momento de incertezas internacionais.
O acordo não tem foco somente em ganhos econômicos, mas, a partir deles, pretende assentar valores democráticos domésticos, desenvolvimento sustentável, autonomia digital e a recuperação do multilateralismo como plataforma de inserção dos países do Mercosul e da UE no mundo. Os avanços macroestratégicos são evidentes.
Entretanto, não há ganhos sem custos. O sucesso da empreitada deveu-se à incorporação das demandas da União Europeia nas áreas ambiental, sanitária, agrícola e compras governamentais.
Essas medidas visam assegurar um equilíbrio fino entre desenvolvimento industrial, sustentabilidade ambiental e políticas públicas setoriais sensíveis, tais como inovação, saúde, segurança e educação.
Em troca, o Mercosul demandou e obteve a promessa de ampla liberalização tarifária, especialmente no setor agrícola, ainda que com a existência de salvaguardas europeias.
Além disso, o bloco garantiu cooperação em temas sensíveis como desenvolvimento sustentável, inteligência artificial, minerais críticos e tecnologia industrial.
Claramente, os avanços macroestratégicos do acordo vieram acompanhados de concessões mútuas relevantes, o que é natural em parcerias internacionais dessa envergadura. Agora, o avanço do acordo depende da consonância decisória entre as partes.
Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro
O problema institucional no coração do acordo
A crise envolvendo a carne brasileira evidencia um paradoxo institucional no funcionamento do próprio acordo. Enquanto o Mercosul opera como uma agência política intergovernamental, dependente de negociações internas e da aprovação nacional das normas acordadas, a UE segue outra lógica.
Neste caso, trata-se de uma estrutura supranacional, na qual instituições comunitárias podem legislar diretamente sobre os países-membros e, por meio de salvaguardas, abrir espaço para o questionamento de acordos internacionais.
Isso torna a UE mais ágil, coordenada e eficiente para defender interesses econômicos sensíveis de seus membros.
Na prática, a Comissão Europeia utiliza salvaguardas sanitárias e mecanismos regulatórios como instrumentos simultaneamente técnicos, comerciais e políticos.
Implicância ou realidade: entenda por que o agronegócio europeu se sente ameaçado pelo acordo com o Mercosul
Ao alegar que o Brasil usa agentes antimicrobianos para engorda animal e apresenta falhas na rastreabilidade sanitária, a UE restringe exportações brasileiras sem romper formalmente nem deixar de respeitar as regras do Acordo Mercosul-União Europeia.
Assim, a Comissão Europeia neutraliza o poder de mercado da carne brasileira, cuja competitividade se baseia em custos menores de produção. Também protege produtores rurais europeus e utiliza a lógica da supranacionalidade para facilitar reeleições de políticos ligados ao mundo rural europeu.
Além disso, ao não aplicar sanções equivalentes aos demais países do Mercosul, a decisão fragmenta os interesses regionais e dificulta a construção de uma resposta conjunta sul-americana. O Brasil acaba isolado em uma disputa que afeta diretamente um dos setores mais estratégicos de sua pauta exportadora.
Esse quadro se insere em um contexto internacional marcado pela aproximação geopolítica entre China e Estados Unidos e pela ampliação das compras chinesas de carne norte-americana. Nessa conjuntura, as perdas econômicas brasileiras podem ultrapassar US$ 2 bilhões.
O episódio também demonstra como a supranacionalidade europeia fortalece a capacidade da UE de utilizar regulações sanitárias, ambientais e fitossanitárias como instrumentos de política econômica externa.
As decisões comunitárias produzem efeitos rápidos e relativamente uniformes sobre todo o mercado europeu, ampliando o poder de negociação do bloco e reduzindo custos políticos internos.
As estratégias de superação
A primeira frente de reação brasileira envolve a atuação diplomática e jurídica dentro da própria estrutura institucional europeia. O Brasil pode contestar tecnicamente as medidas junto ao Tribunal de Justiça da União Europeia.
Para isso, busca demonstrar a higidez do sistema nacional de rastreabilidade animal e comprovar que o uso responsável de agentes antimicrobianos não contamina a carne exportada. Caso consiga anular a decisão contrária ao interesse exportador agropecuário nacional, a diplomacia brasileira poderá reduzir os impactos econômicos e políticos da medida.
Entretanto, a solução estrutural mais importante passa por reformas no próprio Mercosul. A adoção de mecanismos supranacionais de harmonização regulatória poderia reduzir a vulnerabilidade dos países do bloco diante de barreiras técnicas aplicadas individualmente pela União Europeia.
Regras sanitárias comuns e estruturas decisórias mais integradas ampliariam a capacidade de coordenação regional e dificultariam o uso seletivo de salvaguardas contra apenas um país-membro.
Nesse cenário, medidas europeias contra um único integrante do Mercosul tenderiam a produzir impactos mais amplos sobre toda a cadeia regional de exportação agrícola, correndo-se, assim, riscos de aumento de preços e inflação na Europa.
Isso reduziria incentivos políticos para o uso estratégico de barreiras fitossanitárias como mecanismo indireto de proteção comercial e eleitoral.
No limite, o risco é que o acordo produza uma assimetria permanente: a União Europeia preserva seus ganhos no setor industrial, enquanto o Mercosul vê parte de suas vantagens agrícolas ser bloqueada por salvaguardas sanitárias, ambientais e fitossanitárias.
A carne brasileira não seria um caso isolado, mas o primeiro exemplo paradigmático de uma nova realidade em que a abertura comercial prometida pelo acordo convive com mecanismos regulatórios capazes de neutralizar alguns dos principais benefícios econômicos esperados pelos países sul-americanos.
Mais importante: uma reforma supranacional do Mercosul poderia ampliar os benefícios efetivos do próprio Acordo Mercosul-União Europeia.
Sem mecanismos regionais mais integrados, há o risco de que a liberalização favoreça de forma assimétrica os ganhos industriais europeus, enquanto as vantagens agrícolas do Mercosul sejam progressivamente limitadas por barreiras técnicas e sanitárias.
O embate sobre a carne brasileira na UE: protecionismo ou questão de saúde pública?
A perspectiva é de que a diplomacia brasileira venha a solucionar esse problema utilizando argumentos técnicos e os próprios avanços macroestratégicos do acordo para reduzir resistências europeias.
Isso exigirá esforço diplomático contínuo na região e na Europa se a lição de casa (a reforma do processo decisório do Mercosul) não for feita no sentido da adoção de mecanismos supranacionais mais robustos.
Marcelo Fernandes de Oliveira não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.
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Exportação de gado vivo por navio dobra em 3 anos
Ferrari apresenta seu 1º carro elétrico: as reações após montadora italiana voltar atrás em seus planos

Ferrari Luce tem 1.050 cv e chega até 310 km/h
Divulgação / Ferrari
A fabricante de carros esportivos de luxo Ferrari lançou na segunda-feira (25/05) seu primeiro carro totalmente elétrico — o Luce — que custará US$ 640 mil (R$ 3,2 milhões).
O novo modelo se afasta do visual típico da Ferrari por ser o primeiro carro de cinco lugares da marca italiana, criado em colaboração com a agência LoveFrom, fundada pelo ex-chefe de design da Apple, Jony Ive.
Algumas reações nas redes sociais ao lançamento foram extremas — de "direto para o ferro-velho" a "uma verdadeira aula de design".
Rivais do segmento de supercarros, como Lamborghini e Porsche, reduziram seus planos de produzir veículos elétricos devido à baixa demanda e à intensa concorrência de marcas chinesas.
Agora no g1
O diretor-executivo da Ferrari, Benedetto Vigna, disse em Roma que o Luce, que significa "luz" em italiano, levou meia década para ser desenvolvido.
A Ferrari planeja lançar o veículo elétrico após ter inicialmente descartado essa ideia, optando por fabricar carros híbridos movidos tanto a gasolina quanto a eletricidade.
O Luce funciona com um motor elétrico fabricado pela Ferrari em cada roda, ajudando o carro a atingir 96 km/h em cerca de 2,5 segundos.
A empresa afirmou que todos os componentes são feitos internamente, de modo que o carro possa ser reparado pela própria companhia no futuro, protegendo o valor de revenda do Luce.
A mudança das gigantes da indústria automotiva para veículos elétricos vem enfrentando grandes obstáculos nos últimos anos.
Montadoras, incluindo Ford e Volkswagen, reforçaram sua aposta em carros a gasolina, especialmente nos EUA, devido à baixa demanda e a mudanças regulatórias sob o presidente Donald Trump, que reduziu incentivos para compradores de veículos elétricos.
O lançamento do carro-conceito elétrico da Jaguar foi duramente criticado por abandonar o estilo clássico da marca britânica.
O Luce é o primeiro carro de cinco lugares da Ferrari
Ferrari
A apresentação do Luce pela Ferrari enfrentou críticas semelhantes.
Uma pessoa disse no X: “A Ferrari acabou de matar sua marca, assim como a Jaguar. Isso vai direto para o ferro-velho.”
“O que está acontecendo com os fabricantes europeus de carros de luxo? Primeiro Jaguar e agora Ferrari”, postou outra pessoa.
Mas nem todos tiveram opiniões negativas sobre o novo carro. Em uma postagem, uma pessoa disse: “Uma verdadeira aula de design. A Ferrari acaba de revelar o impressionante conceito LUCE, que é um divisor de águas.”
O diretor de design da Ferrari, Flavio Manzoni, disse em uma entrevista à YouTuber Cleo Abram que os críticos fazem parte do processo de inovação.
Ele reconheceu que o conceito de uma Ferrari elétrica com novo design é "polarizador", mas acredita que as pessoas irão apreciá-la nos próximos meses.
A Ferrari também disse que continuará oferecendo carros a gasolina e híbridos junto com seu veículo totalmente elétrico.
O interior da Ferrari Luce
Ferrari
Os concorrentes diretos da Ferrari reduziram suas ambições com veículos elétricos.
A Lamborghini abandonou seus planos de lançar carros totalmente elétricos, optando por modelos híbridos, citando a baixa demanda por veículos elétricos de luxo de alto padrão.
A Porsche, da Alemanha, reduziu seus planos para veículos elétricos devido à fraca demanda, pressionada por vendas baixas na China e tarifas nos EUA.
Montadoras ocidentais também enfrentaram intensa concorrência de fabricantes chinesas, que conseguem produzir veículos mais rapidamente e a custos mais baixos.
A Ferrari é a fabricante de carros mais valiosa da Europa. Ela depende da venda de carros altamente exclusivos — uma estratégia que ajudou a proteger a Ferrari de grande parte da pressão enfrentada pelos concorrentes.
No entanto, as ações da Ferrari caíram mais de 25% no ano passado, refletindo uma queda maior nas marcas de luxo, já que a inflação em todo o mundo afetou a demanda por produtos de alto padrão.
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
Gigante global de energia, BP demite presidente do conselho após problemas de gestão e conduta

Logo da BP em um posto de gasolina em Londres.
Luke MacGregor/Reuters
A BP (antiga British Petroleum), uma das maiores empresas de energia do mundo, destituiu o presidente de seu conselho de administração, Albert Manifold, nesta terça-feira (26), citando falhas na gestão, na supervisão das atividades e no comportamento esperado do executivo.
A decisão teve efeito imediato e ocorre apenas alguns meses após a nomeação de Manifold para ajudar a reformular a estratégia da companhia. A saída do executivo acontece em meio a escândalos e repetidas mudanças na liderança da BP.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
Há menos de três anos, por exemplo, o ex-presidente da BP Bernard Looney foi demitido após mentir ao conselho sobre relacionamentos pessoais com colegas. Já seu sucessor, Murray Auchincloss, deixou a empresa abruptamente em dezembro, sem que a companhia desse um motivo claro para sua saída.
“[A decisão] ocorre após sérias preocupações levantadas ao conselho sobre padrões de governança, supervisão e conduta”, disse a BP.
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Agora no g1
“O conselho ficou surpreso e desapontado ao tomar conhecimento de problemas de supervisão e conduta que considera inaceitáveis e tomou medidas decisivas”, disse a diretora independente sênior Amanda Blanc. Ela supervisionou a nomeação de Manifold em outubro.
O executivo havia supervisionado a nomeação de Meg O'Neill como a quinta CEO da BP desde 2020, com o objetivo de acelerar a mudança de foco da empresa de volta para os combustíveis fósseis e reduzir investimentos em energias renováveis — uma estratégia anunciada por Auchincloss no início do ano passado.
Procuradas pela Reuters, uma porta-voz da BP e a Elliott Management — empresa que detém cerca de 5% da companhia — não responderam.
Após o anúncio, as ações da BP caíram quase 10%, e a negociação chegou a ser suspensa na Bolsa de Londres.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Labubu chega oficialmente ao Brasil em junho após explosão de versões falsificadas

Labubu ou Lafufu? Saiba como diferenciar os monstrinhos
Os bonecos Labubu serão vendidos oficialmente no Brasil. A Candide confirmou nesta terça-feira (26) uma parceria com a Pop Mart, empresa chinesa dona dos personagens, para trazer os produtos ao mercado brasileiro.
As vendas começam já em junho, com previsão para o dia 5, informou a Candide ao g1. Segundo a empresa, a operação da Pop Mart no Brasil contará com 30 produtos diferentes, com preços entre R$ 299,99 e R$ 799,99.
Os Labubus são bonecos de pelúcia com aparência excêntrica e dentes serrilhados, criados em 2015 pelo artista de Hong Kong Kasing Lung.
Eles viraram febre nos últimos meses, primeiro entre celebridades. Rihanna, Maya Massafera, Virginia Fonseca e Marina Ruy Barbosa já apareceram com os bonecos pendurados em bolsas.
Os originais são vendidos em caixas-surpresa, o que significa que o comprador só descobre qual personagem recebeu depois de abrir a embalagem. Dependendo da sorte, é possível tirar desde modelos comuns até versões raras da coleção.
Bonecos Labubu
Reprodução/Pop Mart
Após a parceria com a Pop Mart, os personagens ajudaram a fabricante chinesa a faturar mais de US$ 2,3 bilhões, segundo a Forbes.
Até então, os produtos da Pop Mart não eram vendidos oficialmente no Brasil. Com a febre dos bonecos nas redes sociais, versões falsificadas passaram a ser facilmente encontradas no país.
Enquanto um Labubu original chegou a custar US$ 300 (cerca de R$ 1,6 mil) em junho do ano passado, era possível encontrar réplicas na região da 25 de Março por preços entre R$ 65 e R$ 250, como mostrou o g1 em junho de 2025.
"Chegou a hora de oferecer essa experiência de forma oficial, com acesso amplo e a qualidade que a marca representa", disse Moise Candi, CEO da Candide.
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Ficou de fora do 1º lote da restituição? Veja o calendário dos próximos
Imposto de Renda 2026: faltando 4 dias para prazo final, quase 11 milhões de pessoas ainda não enviaram declaração

A Secretaria da Receita Federal informou que recebeu, até a manhã desta terça-feira (26), 33,2 milhões de declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2026, ano-base 2025.
O prazo de entrega começou em 23 de março e se estende até 29 de maio, e a expectativa do Fisco é de receber 44 milhões de documentos neste ano.
Deste modo, faltando quatro dias para o fim do prazo de entrega, quase 11 milhões de contribuintes ainda têm de enviar sua declaração anual de ajuste do Imposto de Renda.
➡️A entrega da declaração depois do prazo legal terá uma multa mínima de atraso de R$ 165,74 e valor máximo correspondente a 20% do imposto sobre a renda devido.
Vídeos em alta no g1
Como fazer a declaração
Segundo a Receita Federal, a declaração de Imposto de Renda pode ser feita por meio das seguintes plataformas:
Programa Gerador da Declaração (PGD) relativo ao exercício de 2026, disponível para download no site da Secretaria Especial da Receita Federal na internet,
serviço "Meu Imposto de Renda", observado o disposto no art. 5º, disponível:
site da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil na internet;
aplicativo da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil para dispositivos móveis, tais como tablets e smartphones.
Imposto de renda: prazo começa dia 23 de março de 2026.
Joédson Alves/Agência Brasil
Quem é obrigado a declarar
Os perfis de pessoas obrigadas a declarar são:
quem recebeu rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste na declaração, cuja soma foi superior a R$ 35.584,00 no ano passado;
contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado;
quem obteve, em qualquer mês de 2025, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitos à incidência do imposto;
quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguida de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias;
quem teve, em 2025, receita bruta em valor superior a R$ 177.920,00 em atividade rural;
quem tinha, até 31 de dezembro de 2025, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil;
quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2025;
quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física;
quem possui trust (acordo para que outra pessoa administre seus bens) no exterior;
quem atualizou bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado em dezembro/2025 (Lei nº 14.973/2024);
quem auferiu rendimentos no exterior de aplicações financeiras e de lucros e dividendos;
quem deseja atualizar bens no exterior;
quem optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no país, no prazo de 180 dias, contado da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005.
Dólar sobe e fecha em R$ 5,02, após ataques dos EUA ao Irã; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou a sessão desta terça-feira (26) em alta de 0,18%, cotado a R$ 5,0273. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve queda de 0,69%, aos 176.589 pontos.
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▶️ Os Estados Unidos realizaram ataques no sul do Irã contra plataformas de lançamento de mísseis e embarcações que tentavam instalar minas no Estreito de Ormuz. Segundo as autoridades americanas, a operação teve como objetivo “proteger tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”.
🔎 A tensão militar voltou a levantar preocupações sobre as negociações de paz entre Washington e Teerã. Na véspera, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que um acordo pode “levar alguns dias”, enquanto Donald Trump disse que as conversas com o Irã estavam indo “bem”. O Irã, por sua vez, admitiu que os países chegaram a conclusões em diversos pontos, mas negou que um acordo seria iminente.
Diante desse cenário, o mercado de petróleo tinha sinais mistos nesta terça-feira. Perto das 17h (horário de Brasília), o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 3,60%, negociado a US$ 99,60, enquanto o petróleo WTI, referência nos EUA, caía 3,02%, para US$ 93,68.
▶️ Já no Brasil, investidores seguem acompanhando discussões importantes no Congresso. A votação da proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal para 40 horas sem corte salarial foi adiada.
▶️ Ainda no Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos analisa nesta terça-feira um projeto de renegociação de dívidas do agronegócio. Já a Comissão de Segurança Pública debate regras relacionadas à lavagem de dinheiro.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,02%;
Acumulado do mês: +1,52%;
Acumulado do ano: -8,41%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,21%;
Acumulado do mês: -5,74%;
Acumulado do ano: +9,59%.
EUA voltam a atacar o Irã
Os preços do petróleo voltaram a oscilar nesta terça-feira (26) após novos ataques dos EUA no sul do Irã ampliarem as incertezas sobre as negociações de paz entre os dois países.
O movimento aumentou a cautela dos investidores, especialmente diante do risco de novos impactos sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás.
Segundo os militares americanos, os ataques realizados na segunda-feira tiveram como objetivo “proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”.
Washington afirmou ainda que agiu com moderação por causa do cessar-fogo em vigor. O Irã, por outro lado, acusou os EUA de violarem a trégua com bombardeios na província de Hormozgan, no sul do país. A imprensa iraniana relatou explosões na cidade portuária de Bandar Abbas.
🔎 Diante desse cenário, o mercado de petróleo tinha sinais mistos nesta terça-feira. Perto das 17h (horário de Brasília), o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 3,60%, negociado a US$ 99,60, enquanto o petróleo WTI, referência nos EUA, caía 3,02%, para US$ 93,68.
📊 Apesar da alta do Brent nesta terça, os preços seguem abaixo dos mais de US$ 120 registrados no fim de abril, quando as preocupações com o conflito chegaram ao auge.
Em meio à tensão, o mercado segue dividido entre o temor de uma nova escalada militar e a expectativa de avanço nas negociações diplomáticas.
Declarações recentes do presidente Donald Trump reforçaram o cenário de incerteza: enquanto Washington demonstra otimismo com as conversas, autoridades iranianas afirmam que ainda não há acordo próximo.
Mercados globais
Na volta do feriado nos EUA, os índices de Wall Street fecharam sem direção única.
O Dow Jones caiu 0,23%, para 50.461,68 pontos. Já o S&P 500 ganhou 0,61%, a 7.519,12 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 1,19%, para 26.656,18 pontos.
Na Europa, o clima foi de cautela e a maioria das bolsas de valores da região fecharam em queda nesta terça-feira.
O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,6%, aos 628,01 pontos, refletindo o desempenho negativo das principais bolsas da região.
Em Frankfurt, o DAX recuou 0,80%, aos 25.184,89 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, caiu 1,03%, aos 8.173,11 pontos. Na contramão, o índice Financial Times, de Londres, avançou 0,24%, aos 10.491,39 pontos.
Na Ásia, os mercados encerraram o dia sem uma direção única.
Em Xangai, o índice SSEC caiu 0,17%, aos 4.145 pontos. Já o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, subiu 0,53%, aos 4.947 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,03%, aos 25.599 pontos. No Japão, o Nikkei fechou em queda de 0,25%, aos 64.996 pontos.
Dólar
REUTERS/Rick Wilking
O que faz um ovo ser jumbo? Idade da galinha ajuda a explicar

O que é ovo jumbo?
Uma mesma granja pode produzir ovos de diversos tamanhos, indo do médio (o menor) até o jumbo. Na indústria, os produtos são separados a partir do peso.
Confira abaixo.
Médio: 38 g a 47,99 g;
Grande: 48 g a 57,99 g;
Extra: 58 g 67,99 g;
Jumbo: acima de 68 g.
O fator determinante de cada tipo é a idade da galinha.
"A ave que está iniciando a produção, ela tá crescendo. Então, ela não tem estrutura óssea para botar ovos jumbo. Conforme a franga vai ficando mais velha, ela vai tendo abertura da pélvis maior, onde vai passar esse ovo", explica o veterinário Tarcísio Agostinho.
As aves produzem ovos desde as 18 até as 90 semanas de vida. A partir de 50 semanas, elas já conseguem colocar ovos jumbo.
Além da idade, a ração precisa ser muito nutritiva, proteica e a base de soja.
Aumentar a luz artificial no galinheiro também pode elevar a produção de ovos.
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NR-1: Como saber se você está em um ambiente de trabalho tóxico? Faça o QUIZ e descubra como denunciar

NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor nesta terça-feira (26), amplia a responsabilidade das empresas sobre a saúde mental dos trabalhadores.
Anunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em agosto de 2024, a medida estava inicialmente prevista para valer em maio de 2025 — ano em que, como revelou o g1, o Brasil bateu recorde no número de afastamentos por transtornos mentais.
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Após pressão de sindicatos patronais e empresas, o governo decidiu adiar a entrada em vigor da norma por um ano. Mais recentemente, diante de novos pedidos de prorrogação, um segundo adiamento chegou a ser discutido pelo Ministério do Trabalho.
O ministro Luiz Marinho, no entanto, afirmou que não pretende voltar atrás novamente. Segundo especialistas, a exposição contínua a situações de risco no ambiente profissional está entre as principais causas de adoecimento mental e afastamentos do trabalho.
Em parceria com a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), o g1 preparou uma sequência de perguntas para ajudar você a identificar sinais de um ambiente de trabalho que pode estar prejudicando a saúde mental dos trabalhadores.
Como saber se você está em um ambiente de trabalho tóxico?
Como é identificado um local de trabalho tóxico? 🤔
Segundo a Auditora-Fiscal do Trabalho, Viviane Forte, existem diversas situações e indícios que levam um ambiente de trabalho a ser considerado tóxico.
Entre os principais fatores estão:
metas excessivas
jornadas extensas
ausência de suporte
assédio moral
conflitos interpessoais
falta de autonomia no trabalho
condições precárias de trabalho
Segundo Thatiana Cappellano, pesquisadora sobre os transtornos mentais no contexto do trabalho, um dos principais gatilhos que causam o adoecimento mental do trabalhador é a intensificação da jornada, pressão excessiva por meta, e a precarização dos empregos.
“Boa parte das pessoas hoje seguem tendo que fazer atividade de três pessoas, mas em uma só função. Se as pessoas continuarem trabalhando no ritmo que elas trabalham, elas vão continuar adoecendo mentalmente”, explica.
Já a especialista Luana Carvalho, Diretora de Comunicação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), afirma que é essencial encontrar um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, além de priorizar os cuidados com a saúde mental.
⚠️ Como denunciar?
Existem diversos canais para denúncias trabalhistas nos casos de empregados que estão passando por situações de riscos psicossociais. São eles:
Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho: canal online do Ministério do Trabalho para denúncias trabalhistas;
Fala.br: plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União;
Central Alô Trabalho: o número 158 funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h (horário de Brasília). A ligação gratuita de qualquer telefone fixo, mas chamadas por celular serão cobradas;
Superintendências Regionais do Trabalho: são responsáveis por executar, supervisionar e monitorar ações relacionadas a políticas públicas de trabalho nos estados;
Canal do Ministério Público do Trabalho: O MPT tem um canal de denúncias e atua para combater o assédio moral nas relações de trabalho;
Disque 100: Serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, o disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive assédio moral no trabalho.
O denunciante não precisa se identificar, basta acessar um dos sistemas e inserir o maior número possível de informações.
A ideia é que os órgãos possam, a partir dessas informações do denunciante, analisar se o caso de fato configura em assédio moral e realizar as verificações no local de trabalho.
Assédio moral no trabalho pode causar consequências na saúde mental e física da vítima
Freepik
Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde
Seu cérebro pode estar sabotando suas finanças; entenda o ‘viés do presente’
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Economia comportamental: o que te faz gastar mesmo querendo economizar?
A economia comportamental explica um hábito que se vê muito por aí: decidir economizar e, pouco depois, parcelar uma compra. O comportamento é chamado de “viés do presente”, quando o cérebro dá mais valor ao benefício imediato do que a ganhos maiores no futuro.
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Na prática, muita gente prefere receber R$ 100 hoje a esperar um mês para ganhar R$ 120. Mas, quando a decisão é deixada para o futuro, esperar se torna mais fácil. Segundo especialistas, o problema não está no valor, mas na distância do tempo.
O mecanismo ajuda a explicar decisões como entrar no rotativo do cartão, parcelar compras sem necessidade e adiar escolhas importantes. O prazer imediato costuma pesar mais do que o custo futuro.
Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
Casal transforma barraca de pastel em negócio que fatura R$ 270 mil por mês

Casal transforma barraca de feira em negócio que vende milhares de pastéis por semana
O pastel, um dos símbolos mais tradicionais das feiras livres brasileiras, foi também o responsável por unir Dora Alcantara e Claudemir Moreira.
Há mais de 30 anos juntos, o casal transformou o trabalho nas feiras em um negócio familiar que hoje movimenta milhares de salgados por semana na região de Mauá, na Grande São Paulo.
Claudemir começou trabalhando em uma barraca de pastel ao lado do cunhado de Dora. Foi a família quem apresentou os dois. “Ele é muito trabalhador”, relembra Dora sobre o conselho que ouviu antes do primeiro encontro.
O relacionamento evoluiu junto com o sonho de ter um negócio próprio. A oportunidade surgiu em 1995, quando o dono da pastelaria onde Claudemir trabalhava decidiu vender o ponto.
Incentivado pela experiência que já tinha no ramo, ele resolveu comprar o primeiro espaço de vendas. Dora passou a ajudar na produção dos recheios nos fins de semana e, aos poucos, o casal expandiu a operação.
Casal transforma barraca de pastel em negócio que fatura R$ 270 mil por mês
Reprodução/PEGN
Hoje, além das barracas e trailers espalhados pelas feiras da região, o casal mantém uma fábrica responsável pela produção de cerca de 4,5 mil pastéis e 9 mil salgadinhos por semana.
O negócio começou com investimento inicial de R$ 11 mil e atualmente registra faturamento mensal de aproximadamente R$ 270 mil.
A empresa também virou um negócio de família. Os três filhos participam da operação, além de noras e funcionários contratados. “Acabou virando negócio da família”, resume Dora.
Mesmo após décadas no setor, o casal ainda pensa grande. O próximo sonho é levar o produto para fora do país. “Eu sempre pensei em exportar o meu pastel”, afirma Claudemir.
Pastel Dora e Claudemir
📍 Endereço: Rua João Brancalion, 458 - Parque Sao Vicente - Mauá/SP - CEP: 09371-480
📞Telefone: (11) 9-9609-2766
📧 E-mail: dorane.maria75@gmail.com
📸 Instagram: https://www.instagram.com/pastel_dora_claudemir
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Mega-Sena pode pagar R$ 3,5 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.011 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 3.5 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (25), em São Paulo.
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No concurso do último domingo (24), duas apostas acertaram as seis dezenas.
O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Imposto de Renda 2026: como declarar pensão alimentícia sem cair na malha fina

Prazo para declarar o imposto de renda termina na próxima sexta-feira
O contribuinte que paga pensão alimentícia deve redobrar a atenção ao declarar o Imposto de Renda 2026 para evitar erros que podem levar à malha fina.
⚠️ O prazo para envio da declaração termina nesta sexta-feira (29). Quem não entregar os dados à Receita Federal até a data estará sujeito a multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido.
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Pensão: quem deve declarar e como fazer
Antonio Gil, sócio de Impostos da EY, explica que tanto quem paga a pensão (alimentante) quanto quem recebe (alimentando) devem informar os valores à Receita.
No caso de quem paga a pensão, os valores devem ser declarados na ficha “Pagamentos Efetuados”. O código pode variar entre 30 e 34, dependendo do caso, explica Gil Franco.
Já para quem recebe a pensão, os dados devem ser informados na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, sob o código 28. Também é necessário preencher o CPF e o nome de quem fez o pagamento.
Desde 2023, a pensão alimentícia deixou de ser tributada para quem recebe o valor. Ainda assim, é obrigatório informar à Receita quanto foi recebido ao longo do ano-calendário — que, na declaração atual, se refere a 2025, explica Gil.
Antes da mudança, a pensão era considerada rendimento tributável e podia gerar recolhimento mensal de IR por meio do Carnê-Leão.
🔎 No carnê, é feito o recolhimento mensal obrigatório do IR para quem recebe rendimentos de pessoas físicas ou do exterior sem desconto automático na fonte.
Dá para deduzir o pagamento de pensão?
Sim. Quem paga pensão alimentícia pode abater os valores da declaração do Imposto de Renda, reduzindo a renda sobre a qual o imposto é calculado.
🚨 Antonio Gil, da EY, alerta para uma regra importante: só podem ser deduzidos os valores de pensão definidos pela Justiça, em acordo homologado judicialmente ou formalizados em escritura pública.
"Significa que valores pagos fora do que foi acordado não podem ser abatidos. Esse erro é relativamente comum e pode gerar problemas para o alimentante", diz.
"Isso porque, caso seja necessário comprovar, com documentos, a base do valor abatido, ele não conseguirá justificar o total ou parte dele em situações de pagamentos acima do que foi acordado", acrescenta.
O especialista elenca outros pontos de atenção na declaração de pensão alimentícia:
Mesmo quem optar pela declaração simplificada — e não usar a dedução da pensão alimentícia — deve informar os valores pagos na ficha “Pagamentos Efetuados”, já que os pagamentos foram feitos a uma pessoa física.
No caso de separação ou divórcio ao longo de 2025, existe uma exceção: tanto quem paga a pensão quanto o ex-cônjuge podem incluir o alimentando como dependente na declaração referente ao ano. Isso ocorre porque a mudança na relação de dependência aconteceu no decorrer do ano-calendário.
A pensão alimentícia não se limita à transferência de dinheiro e também pode ser considerada no pagamento direto de despesas do alimentando, como escola e plano de saúde. Nesses casos, os valores podem ser deduzidos pelo alimentante na ficha “Pagamentos Efetuados”.
Por outro lado, gastos como aluguel, condomínio, transporte e previdência complementar, mesmo quando previstos em decisão judicial, não podem ser deduzidos no IR.
Mesmo quando a pensão é paga com recursos provenientes de rendimentos isentos, o alimentante pode deduzir esses valores dos rendimentos tributáveis que possuir, desde que informe corretamente os pagamentos na ficha “Pagamentos Efetuados”.
Nos casos em que a pensão foi determinada por uma decisão judicial no exterior, a sentença precisa ser homologada no Brasil pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que os valores possam ser deduzidos na declaração do Imposto de Renda.
Imposto de Renda 2026: prazo para declaração vai até 29 de maio.
Marcos Serra/ g1
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Quem é obrigado a declarar o IR 2026?
quem recebeu rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste na declaração, cuja soma foi superior a R$ 35.584,00 no ano passado;
contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado;
quem obteve, em qualquer mês de 2025, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto;
quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias;
quem teve, em 2025, receita bruta em valor superior a R$ 177.920,00 em atividade rural;
quem tinha, até 31 de dezembro de 2025, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil;
quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2025;
quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física;
quem possui trust (acordo para que outra pessoa administre seus bens) no exterior;
quem atualizou bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado em dezembro/2025 (Lei nº 14.973/2024);
quem auferiu rendimentos no exterior de aplicações financeiras e de lucros e dividendos;
deseja atualizar bens no exterior;
quem optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no país, no prazo de 180 dias, contado da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005.
Governo publica decreto que fixa em R$ 0,44 subsídio por litro da gasolina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta segunda-feira (25) decreto que estabelece um subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina para tentar conter os efeitos da alta do preço dos combustíveis.
A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União e tem duração de dois meses.
Agora no g1
A medida tem duração de dois meses e busca conter os efeitos da guerra nos preços do petróleo.
O subsídio será pago diretamente aos produtores e importadores de gasolina, por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Foto de posto de gasolina.
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Nesta sexta-feira (22), o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, adiantou que o valor do subsídio para a gasolina ficaria em 0,44 centavos por litro.
“Chegamos à conclusão de que R$ 0,44 é hoje o valor por litro mais apropriado para a subvenção e deve ser suficiente para amortecer o choque de preços que tivemos na gasolina porque foi menor que teve no diesel”, disse.
A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, travou o fluxo de navios petroleiros no Estreito de Ormuz — corredor marítimo no Golfo Pérsico por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Com isso, o barril do petróleo, principal matéria-prima dos combustíveis, voltou a superar os US$ 100.
Apesar da disparada nos preços internacionais, a Petrobras ainda não reajustou a gasolina vendida às distribuidoras.
Pacote de medidas
Em abril deste ano, o governo federal anunciou um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis diante da escalada do preço do petróleo.
Entre as medidas anunciadas estão:
subvenção ao diesel (importado e ao produzido no Brasil);
isenção de impostos federais sobre o biodiesel;
subvenção ao gás de cozinha;
subvenção ao querosene da aviação;
linhas de crédio para o setor aéreo.
A subvenção ao diesel prevê um desconto de R$ 1,20 por litro de diesel importado (R$ 0,60 de subsídio federal e R$ 0,60 estadual). Somada ao subsídio anterior concedido pela União, de R$ 0,32, a subvenção total chega a R$ 1,52.
No início deste mês, o governo federal editou uma medida provisória (MP) com ações para conter a alta dos combustíveis, mais especificamente a gasolina e o diesel, produzidos no Brasil ou importados.
A MP prevê um benefício tributário na Cide e do PIS/Cofins, tributos federais que incidem sobre os combustíveis. A nova subvenção terá início pela gasolina, que ainda não foi alvo de nenhuma medida para conter o aumento de preço, mas, de acordo com o governo, pode se estender ao diesel.
O desconto no imposto não poderá ultrapassar o teto dos tributos federais. Atualmente, esses valores são:
R$ 0,89 por litro na gasolina, o que inclui PIS/Cofins e Cide; e
R$ 0,35 de PIS/Cofins por litro de óleo diesel, que já teve sua tributação suspensa em março por uma outra MP. A medida pode valer para o diesel quando a MP de março, com duração prevista para abril e maio, deixar de ser aplicada.
A iniciativa ocorre em meio à paralisação, na Câmara dos Deputados, da tramitação do projeto de lei complementar que autoriza o uso de receitas extraordinárias do petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis. A proposta foi encaminhada pelo Executivo ao Congresso em abril.
O projeto que está parado estabelece a possibilidade de reduzir impostos sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel sempre que houver aumento extraordinário da arrecadação decorrente da alta nas cotações internacionais do petróleo.
MP-SP processa fabricante de ração após morte de centenas de cavalos e pede R$ 10 milhões de indenização

Nove cavalos morrem após consumo de ração contaminada em Guarulhos, na Grande SP
O Ministério Público de São Paulo ajuizou uma ação civil pública contra a fábrica de nutrição animal Nutratta e o proprietário da empresa após a morte de centenas de cavalos e o adoecimento de outros animais em diferentes estados do país. A ação foi protocolada na última sexta-feira (22) pela Promotoria de Justiça do Consumidor.
Segundo o processo, a empresa teria utilizado resíduos de soja contaminados com alcaloides pirrolizidínicos na fabricação de rações destinadas a equinos, bovinos, suínos e aves.
O MP pede à Justiça:
O bloqueio de bens dos réus;
A proibição da retomada das atividades da empresa antes do cumprimento de exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa);
A realização de recall dos produtos contaminados;
A indenização dos consumidores prejudicados;
E o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.
De acordo com as investigações, laudos laboratoriais e necropsias apontaram a presença das substâncias tóxicas em concentrações até 2.600 vezes superiores ao limite considerado seguro para cavalos.
O g1 entrou entrou em contato com a Nutratta, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Os dados reunidos pelo Mapa apontam 238 mortes confirmadas de equídeos em diferentes estados do país. Em um haras de Indaiatuba, no interior paulista, foram registradas 29 mortes e cerca de 120 animais adoecidos.
Outro caso de grande impacto ocorreu em Atalaia, em Alagoas, onde 79 animais morreram após consumir ração da empresa, segundo o Ministério Público.
Também houve relatos de mortes e adoecimento de animais em propriedades de Guarulhos, Campinas, Itu, Porto Feliz, Volta Redonda e Jaboticatubas.
A ação civil pública afirma ainda que a contaminação pode ter extrapolado os danos causados aos animais e atingido a cadeia alimentar humana. Isso porque, segundo o MP, a mesma linha de produção era utilizada para fabricar ração bovina sem mecanismos eficazes de controle de contaminação cruzada.
Auditoras do Ministério da Agricultura alertaram para o risco de transmissão dos alcaloides tóxicos por meio do leite, da carne e do fígado de animais alimentados com os produtos contaminados. O MP sustenta que a empresa descumpriu normas sanitárias e de segurança alimentar ao utilizar matéria-prima contaminada na produção das rações.
Morte de cavalos em Guarulhos
Ao menos nove cavalos criados na chácara Dia de Sol, na zona rural de Guarulhos, na Grande São Paulo, morreram em 2025 após consumir rações da Nutratta.
"Um cavalo passou a noite rodando em círculos numa baia e uma égua estava querendo morder a parede. Com todos os animais foi assim, é como se fosse uma demência", disse o comerciante e criador Marcos Barbosa.
À época, o Mapa determinou o recolhimento de todos os produtos da empresa destinados a equídeos produzidos a partir de novembro de 2024 e iniciou uma investigação para apurar as mortes, além de ter proibido a comercialização.
Dono de cavalos em Gaurulhos suspendeu o uso da ração, mas cerca de 30 animais já tinham consumido o produto.
Arquivo pessoal
Os sinais relatados por criadores da região foram:
Desorientação;
Alterações de comportamento;
Alterações no sono;
Mudanças na locomoção.
Barbosa disse que um representante da empresa visitou o local após os relatos das mortes em maio do ano passado. Segundo ele, o funcionário teria assumido a responsabilidade da fábrica e informado que a empresa tomaria as providências. Na ocasião, foram confiscados 110 sacos da ração, disse o comerciante.
Cavalos morrem após consumo de ração contaminada em Guarulhos, na Grande SP
Em julho de 2025, um levantamento obtido pelo g1 contabilizou 645 mortes de animais em ao menos seis estados brasileiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Alagoas).
Substância tóxica
A ração da Nutratta foi contaminada com monocrotalina, uma toxina encontrada em plantas do tipo crotalária, segundo o Ministério da Agricultura
Arquivo pessoal
A ração da Nutratta foi contaminada com monocrotalina, uma toxina encontrada em plantas do tipo crotalária, segundo o Ministério da Agricultura. Essa toxina é hepatotóxica (afeta o fígado) e neurotóxica (afeta o sistema nervoso), sendo fatal para diversos animais (equinos, bovinos e suínos, entre outros)
Os primeiros casos de intoxicação surgiram em 21 de abril de 2025, no Rio de Janeiro, e a primeira morte foi registrada no dia 23 do mesmo mês em São Paulo. Os cavalos estavam aparentemente saudáveis e sem alterações clínicas evidentes. Entretanto, subitamente, começaram a apresentar sinais neurológicos agudos que evoluíram rapidamente para a morte.
Quando a toxina atinge o sistema nervoso, os animais perdem o controle de seus movimentos, ficam com a cabeça baixa e se machucam.
Segundo a veterinária Marcella Batista, não há cura para a intoxicação. Ela afirma que perdeu dois animais em um intervalo de menos de 30 dias. Os cavalos viviam em Cabreúva, interior de São Paulo, e eram alimentados com a ração há cerca de dois anos.
"Há apenas tratamento de suporte com soro e antitóxicos. A intoxicação causa alteração das enzimas hepáticas e, eventualmente, sintomas neurológicos, que podem levar à eutanásia devido ao sofrimento animal", disse ela.
"O animal se debate, derruba tudo, entra em sofrimento absurdo. E aí tem que entrar com eutanásia", afirmou.
Segundo ela, recomenda-se um exame das enzimas hepáticas em animais que consumiram a ração contaminada para iniciar o tratamento preventivamente.
É #FAKE que fabricação de produtos de Adidas, Nike e Umbro vai ser transferida do Brasil para o Paraguai

Fabricante brasileira das marcas esportivas nega movimento
g1
Circula nas redes sociais uma publicação dizendo que produção da Adidas, da Nike e da Umbro será transferida do Brasil para o Paraguai. É #FAKE.
Selo Fake (Horizontal)
g1
🛑Como são os posts?
Desde 20 de maio, publicações no X que acumulam mais de 600 mil visualizações exibem uma imagem com o seguinte texto: "Adidas, Nike e Umbro serão fabricadas no Paraguai após a gigante brasileira escolher transferir quase toda produção para o país".
Veja dois exemplos de legendas que propagaram essa alegação: "Adeus fábricas da Nike, Adidas e Umbro" ; e "Mais uma empresa deixando o Brasil. O Grupo Dass, fabricante de tênis da Nike, Adidas e Fila, irá se mudar para o Paraguai em busca de menos impostos e mais competitividade. Enquanto o Brasil pune quem produz, empregos e investimentos vão embora".
Mas isso é mentira. Na sexta-eira (22), o Grupo Dass (empresa brasileira responsável pela produção de Adidas, Umbro e Nike na América do Sul) divulgou um comunicado negando o fim da produção em território nacional. Publicada no site oficial e nas redes sociais da companhia, a nota diz: "A informação que circula de que a empresa estaria deixando o Brasil para migrar as suas operações para o Paraguai é totalmente falsa e não procede. Trata-se de um equívoco grave e de pura desinformação. Não existe qualquer plano ou possibilidade de fechamento das unidades no Brasil. Pelo contrário, as fábricas brasileiras seguem firmes, operando normalmente e são fundamentais para a estratégia do Grupo".
⚠️ Por que #É FAKE?
No comunicado oficial publicado no início da tarde de sexta (22), o Grupo Dass explica que a transferência envolveu, na verdade, uma unidade que operava na Argentina e foi realocada para o Paraguai.
"O ajuste das operações na Argentina vem de longa data, motivado por desafios estruturais do setor e sempre tratando de adequar-se às novas realidades econômicas daquele país e à competitividade global. Trata-se de uma reestruturação estritamente local e interna para o mercado argentino, que não possui qualquer relação com o início da operação têxtil no Paraguai e, muito menos, com as operações no Brasil".
A fabricante, que tem sedes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, prossegue dizendo que a fábrica do Paraguai atua exclusivamente no segmento de confecção para "uma demanda específica", não tendo as instalações necessárias para produzir calçados:
"A unidade da Dasstex, no Paraguai, atua exclusivamente no segmento de confecção (vestuário), operando em uma planta de pequeno porte focada no atendimento de demandas específicas das marcas próprias da companhia. Assim, ressaltamos que é técnica e operacionalmente impossível realizar qualquer migração de maquinários ou de linhas de produção voltadas a calçados esportivos para a unidade fabril paraguaia, visto que os processos industriais, insumos e maquinários de calçados e vestuário são distintos. As marcas produzidas pelo Grupo seguem seus fluxos normais de produção".
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'Portal Único pode reduzir em R$ 40 bilhões ao ano o custo do comércio exterior', diz Alckmin

'Portal Único pode reduzir em R$ 40 bi ao ano custo do comércio exterior', diz Alckmin
O vice-presidente e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (25), em Rio Claro (SP), que a conclusão do Portal Único de Comércio Exterior (Siscomex) até dezembro deve reduzir em R$ 40 bilhões por ano os custos das exportações e importações brasileiras.
A afirmação aconteceu durante anúncio de vagas e investimentos na fábrica da Whirlpool, dona da Brastempo e Consul.
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Segundo Alckmin, a medida vai acelerar processos logísticos, ampliar a competitividade da indústria nacional e estimular a abertura de novos mercados internacionais.
LEIA TAMBÉM: Após fechar fábrica na Argentina, Whirlpool anuncia 200 vagas de emprego em unidade do Brasil
Segundo ele, a nova unidade da Whirlpool deve se tornar um “hub de exportação”, especialmente para a América Latina.
Alckmin destacou ainda que a demora no desembaraço de cargas em portos e aeroportos gera prejuízos significativos às empresas brasileiras e afirmou que o Portal Único deve reduzir burocracias e custos logísticos.
“Isso reduz o Custo Brasil em R$ 40 bilhões por ano. Porque a carga parada num navio ou num aeroporto, um dia, custa 0,8% da carga. Se ficar 10 dias parado, já perdeu 8%.”
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (a direita), durante visita na Whirpool em Rio Claro
Fábio Rodrigues/g1
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Fortalecimento da indústria nacional
Durante a coletiva, Alckmin defendeu que a indústria brasileira precisa ampliar sua presença no mercado externo para crescer e citou setores que dependem diretamente das exportações para sobreviver.
“Tem determinados tipos de indústria que não sobrevivem se não exportar. A Embraer não existiria se ela não vendesse para o mundo inteiro”, afirmou.
O vice-presidente também citou a retomada das atividades da Avibras, em Jacareí (SP), após anos de crise, e relacionou o fortalecimento da indústria nacional à expansão comercial do país.
Alckmin também citou acordos comerciais firmados pelo Mercosul com países como Singapura e membros da Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), além das negociações com a União Europeia, como estratégias para ampliar as exportações brasileiras.
Vice-presidente e ex- ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, compareceu ao anúncio de vagas e investimentos na fábrica da Whirlpool, dona da Brastempo e Consul, nesta segunda, em Rio Claro (SP).
Fabio Rodrigues/g1
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Após reunião com Lula, Motta diz que PEC do fim da escala 6x1 prevê jornada de 40 horas sem corte de salário e transição de 14 meses

Após reunião com Lula, Motta diz que PEC do fim da escala 6x1 prevê jornada de 40 horas sem corte de salário e transição de um ano
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (25), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que a proposta de fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de folga) deve prever a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários, e um período total de transição de 14 meses.
Segundo Motta, o texto também deve estabelecer uma implementação escalonada em termos de horas trabalhadas, com redução inicial de duas horas após 60 dias da promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e mais duas horas ao fim de 12 meses (entenda mais abaixo).
Após o encontro, Motta concedeu entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara, onde afirmou que há consenso sobre os principais pontos da proposta e classificou três pilares como “inegociáveis”.
“Começamos essa discussão com questões que são inegociáveis e chegamos ao final desse trabalho com esses pilares bastante consolidados e mantidos”, disse.
Segundo ele, o texto do relator deve prever a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
“O primeiro ponto, tratando da redução da jornada de trabalho. Estamos garantindo que iremos reduzir de 44 horas para 40 horas semanais. Isso estará no texto do relator”, afirmou.
Motta também disse que o fim da escala 6x1 está assegurado.
“Também, para nós, é inegociável a questão do fim da escala 6x1. Estamos aqui garantindo que os trabalhadores brasileiros passarão a ter, com a aprovação dessa PEC, a redução da escala. Nós acabaremos com a escala 6x1 e garantiremos dois dias de folga para os trabalhadores.”
Ele acrescentou que as mudanças não terão impacto nos salários.
“Aquilo que também para nós é inegociável é fazer tanto a redução da escala quanto da jornada sem ter redução salarial. Esses três pontos são inegociáveis para a Câmara dos Deputados e para o governo.”
Pronunciamento do presidente da Câmara dos Deputados. Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
Marina Ramos / Câmara dos Deputados
Transição de 14 meses
Apesar do consenso sobre o conteúdo, Motta indicou que o texto deve prever um período de transição para a redução das horas trabalhadas.
Segundo ele, a proposta será implementada de forma escalonada ao longo de 14 meses.
“O relator trará o texto logo mais já fazendo, após 60 dias da promulgação da PEC, a redução de duas horas imediatamente. Após 12 meses, mais duas horas. A transição se dará em um ano.”
Em várias ocasiões, Lula se manifestou contra a adoção de uma transição longa. Na última sexta-feira (22), o presidente disse que a redução deveria ser feita de forma imediata.
“Nós defendemos que a redução seja de uma vez. De 44 (horas) para 40 (horas) e fim de papo, sem reduzir salário. Não dá para aceitar ficar quatro anos para fazer meia hora por ano. Aí é brincar de fazer redução”, afirmou o presidente na ocasião.
Impacto sobre MEIs
Motta também disse que tratou com Lula um projeto de lei com medidas para mitigar impactos da mudança sobre o mercado de trabalho.
Segundo ele, a ideia é facilitar contratações por microempreendedores individuais (MEIs).
“Hoje, esses empreendedores só podem empregar uma pessoa com carteira assinada. A nossa ideia é avançar, permitindo que esses empreendedores possam contratar mais pessoas, já que estamos reduzindo a jornada de trabalho", afirmou Motta.
Segundo Motta, a medida busca ampliar a formalização do emprego e acompanhar a redução da jornada de trabalho.
"Isso irá trazer um avanço significativo, principalmente para buscarmos a formalidade do trabalho. E queremos também, no âmbito dessa discussão, em que pensamos em aumentar essa quantidade de pessoas que poderão ser contratadas por esses microempreendedores individuais, tratar do reajuste do valor para as micro e pequenas empresas", prosseguiu.
Próximos passos
O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar o parecer final na tarde desta segunda na comissão especial.
A expectativa é que o texto seja votado na comissão especial nesta terça (26) e a deliberação no plenário da Câmara ainda nesta semana. Se aprovado, seguirá para análise do Senado.
Paralelamente à PEC, o governo apresentou um projeto de lei sobre o tema, que trata da jornada e da escala de trabalho sem alterar a Constituição.
A proposta enfrenta resistência de representantes do setor produtivo, que apontam aumento de custos, e de economistas, que defendem que a medida seja acompanhada por ganhos de produtividade.
Representantes do setor produtivo consideram que a redução da jornada de trabalho implica aumento de custos para o empregador, com prejuízos à competitividade das empresas e impactos sobre a geração de novas vagas.
Caixa antecipa para esta segunda pagamento de R$ 8,5 bilhões para trabalhador que tinha optado pelo saque-aniversário

A Caixa Econômica Federal informou que antecipou para esta segunda-feira (25) a liberação do pagamento aos trabalhadores que tinham optado pelo saque-aniversário do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e que foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025.
➡️Serão pagos R$ 8,5 bilhões para cerca de 10,5 milhões de trabalhadores em todo o país.
A expectativa inicial era que os recursos começassem a ser depositados nas contas-correntes ou poupança dos trabalhadores somente nesta terça-feira (26).
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"Os créditos serão realizados automaticamente nas contas bancárias cadastradas no aplicativo FGTS para os trabalhadores elegíveis, que optaram pela modalidade Saque-Aniversário e tiveram contrato de trabalho suspenso ou encerrado entre 1º de janeiro de 2020 e 23 de dezembro de 2025", informou a instituição.
Agora no g1
Os trabalhadores que ainda não possuem conta cadastrada poderão realizar o saque nos canais físicos de atendimento, como agências, lotéricas e terminais de autoatendimento, até 1º de junho de 2026.
O trabalhador pode consultar se possui crédito a receber e o valor disponível diretamente no aplicativo FGTS, nas opções "Resumo do Seu FGTS - Extrato Detalhado" e “Informações Úteis”.
O crédito ocorre após a incorporação da rentabilidade mensal do FGTS (juros e atualização monetária), garantindo maior valor disponibilizado.
"Vale destacar que os trabalhadores nascidos em junho, optantes pelo Saque-Aniversário, receberão os valores previstos na MP nº 1.331/2025 a partir de 01/06/2026, após pagamento da parcela do Saque-Aniversário ou repasse às instituições financeiras previsto para o mês, conforme calendário regular", acrescentou a Caixa Econômica Federal.
➡️ Saque-aniversário é uma modalidade opcional que autoriza o saque de parte do saldo do FGTS uma vez por ano, no mês de aniversário. Se optar por essa modalidade e for demitido, o trabalhador poderá retirar apenas a multa rescisória (40% paga pela empresa), e não poderá sacar o valor integral da conta.
App FGTS, aplicativo FGTS, saque aniversário, saque calamidade
Stephanie Fonseca/g1
Desenrola 2.0
Também a partir desta segunda-feira (25), os trabalhadores já podem consultar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para utilizá-lo no "Novo Desenrola", também chamado de "Desenrola 2.0", programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo federal.
Esse é o primeiro passo para a utilização dos recursos para o abatimento de dívidas bancárias.
Quem aderir à iniciativa poderá usar até 20% do saldo disponível no FGTS ou R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor, para quitar ou amortizar dívidas em atraso.
O valor será transferido diretamente às instituições financeiras responsáveis pelos contratos renegociados.
Cálculos do governo federal estimam que até R$ 8,2 bilhões do FGTS poderão ser movimentados no âmbito do programa.
Como vai funcionar?
O trabalhador consultará seu saldo e poderá autorizar o banco ao qual está devendo a buscar o valor do saldo disponível para negociação.
Depois, negocia com o banco devedor o valor com desconto da dívida na própria instituição financeira.
Após a consulta do saldo, os bancos e demais instituições financeiras terão prazo estimado de até 30 dias para formalizar os contratos e registrar as informações nos sistemas da Caixa Econômica Federal.
Concluída a validação, a Caixa fará o repasse dos recursos do FGTS diretamente à instituição credora.
Caso BRB: BC diz que acompanha instituições financeiras diariamente e nega que prazo de ajuste acabe 29 de maio

Banco Central, em imagem de arquivo
Jornal Nacional/ Reprodução
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (25) que a autoridade monetária acompanha as instituições financeiras diariamente em questões relacionadas com seu balanço – equilíbrio entre direitos e obrigações – e liquidez – capacidade de honrar seus compromissos.
Questionado por jornalistas, ele negou que a instituição tenha fixado prazo até a próxima sexta-feira (29) para o Banco Regional de Brasília (BRB) fazer os ajustes necessários após envolvimento com operações irregulares com o Banco Master, liquidado no fim do ano passado.
🔎 O BRB descumpriu o prazo de entrega do balanço consolidado de 2025, que terminou em 31 de março, ao Banco Central (leia detalhes abaixo).
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Segundo Galípolo, eventuais desvios de gestores de bancos não cabem ao Banco Central punir, mas sim entregar indícios à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, que vão julgar conveniente, ou não, abrir investigação e enviar os resultados à Justiça.
"Há uma confusão de pensar que o BC tem discricionariedade para definir data de liquidação opor caráter punitivo. A instituição, via é de regra, é vítima. A obrigação do BC é tentar encontrar soluções para preservar instituições, até o final. Por essa condição, considerando condições de liquidez e contorno, ficaria mais frágil impor um prazo. Se passa antes por condições de liquidez, de nada adianta o prazo. Vai ter que liquidar a instituição de qualquer jeito", disse Galípolo.
Celina Leão diz que decisões no BRB podem ter motivado críticas de Ibaneis
BRB descumpriu prazo legal
O banco estatal descumpriu o prazo de entrega do balanço consolidado de 2025, que terminou em 31 de março, ao Banco Central. Em um comunicado, o BRB informou aos acionistas e ao mercado que a divulgação seria postergada em razão da necessidade:
"de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação 'Compliance Zero';
"da adequada avaliação, pela Administração da Companhia e pelo Auditor Independente, de seus potenciais impactos."
De acordo com o presidente do Banco Central, as multa estipuladas pela falta de pagamento estão sendo aplicadas.
A não entrega do balanço levou a agência internacional Moody's a rebaixar a classificação de risco do banco. A Moody's apontou, inclusive, risco de que o BRB passe a dar calote em seus compromissos. Segundo o comunicado, o rebaixamento reflete a provável necessidade de injeção de capital na instituição.
Ainda de acordo com a Moody's, o não cumprimento do prazo "contribui para o aumento da incerteza quanto à situação financeira atual do banco e à sua capacidade de geração de novos negócios".
Após o descumprimento, o próprio BRB afirmou que iria entregar o balanço em 29 de maio, mês também estipulado pelo banco para que sejam apresentadas as ações do governo do Distrito Federal para recompor o patrimônio da instituição.
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Presidente da Bolívia reduz seu salário em 50% em meio a protestos no país

Bolívia entra na 4º semana de manifestações contrárias ao governo
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou nesta segunda-feira (25) que reduzirá seu salário em 50%.
Durante uma cerimônia oficial em Sucre, Paz anunciou que seus ministros também terão os salários cortados pela metade para demonstrar “compromisso com o país”. Os cortes acontecem no momento em que a Bolívia entra na quarta semana de crise política e social.
Os cortes acontecem no momento em que a Bolívia entra na quarta semana de crise política e social. Os protestos têm agravado os problemas de abastecimento nas cidades de La Paz e El Alto, onde a falta de alimentos, combustíveis e medicamentos já afeta mercados, hospitais e postos de gasolina.
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Manifestantes enfrentam polícia na Bolívia
Rodrigo Paz, que está no poder há seis meses, enfrenta a pior crise econômica da Bolívia em 40 anos, provocada pela falta de dólares no país.
Nas últimas três semanas, manifestantes bloquearam dezenas de rodovias que dão acesso a La Paz, sede do governo boliviano. Com isso, a cidade passou a enfrentar falta de alimentos, medicamentos e combustível, além do agravamento da inflação, que chegou a 14% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Os manifestantes rejeitam as reformas propostas pelo governo e acusam Paz de ignorar suas reivindicações. O presidente, por sua vez, afirma que o ex-presidente boliviano Evo Morales está por trás dos protestos.
No domingo (24), Morales pediu que o governo convoque novas eleições em até 90 dias. "Para evitar mortes e feridos, a pacificação depende" de sua renúncia e de um "presidente de transição" que convoque eleições dentro desse prazo, afirmou.
O governo boliviano denunciou as manifestações à Organização dos Estados Americanos (OEA), afirmando que elas tentam “desestabilizar a ordem democrática”. O governo também acusou Morales, considerado foragido e procurado por suposto tráfico de uma menor, de incentivar os protestos.
Presidente entre 2006 e 2019, Morales foi impedido de participar das eleições presidenciais do ano passado após uma decisão constitucional que limitou as reeleições.
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Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz.
Claudia Moralez/Reuters
Francesa Loxam compra controle da brasileira Mills, de locação de máquinas e equipamentos

Francesa Loxam compra controle da brasileira Mills, de locação de máquinas e equipamentos.
Divulgação
A Mills informou nesta segunda-feira (25) que os acionistas que controlam a empresa venderam toda a sua participação — equivalente a 50,3% das ações — para a francesa Loxam. A Mills atua no aluguel de máquinas e equipamentos no Brasil.
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O acordo prevê que a Loxam pagará R$ 16 por ação da Mills, valor 22% acima do preço de fechamento dos papéis na última sexta-feira. Segundo a empresa, esse preço ainda será corrigido pela taxa de 70% do CDI entre o 31º dia após o anúncio e a conclusão da operação. O pagamento será feito à vista quando o negócio for finalizado.
A conclusão da compra ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Agora no g1
Depois que assumir o controle da Mills, a Loxam também terá que fazer uma oferta para comprar as ações dos demais acionistas da empresa, pelo mesmo valor pago aos controladores.
Fundada em 1967, a Loxam é considerada a maior empresa de aluguel de equipamentos da Europa. Segundo a Mills, a companhia francesa teve receita líquida de 2,5 bilhões de euros em 2025, possui cerca de 11,6 mil funcionários e opera aproximadamente 1.130 filiais em mais de 28 países.
A empresa atua no Brasil desde 2015, por meio da Loxam do Brasil e da A Geradora.
Após fechar fábrica na Argentina, dona da Brastemp abre 200 vagas e investe R$ 300 milhões em unidade do Brasil

Após fechar fábrica na Argentina, dona da Brastemp abre 200 vagas de emprego no Brasil
A Whirlpool S.A., dona da Brastemp, Consul e KitchenAid, anunciou a abertura de 200 oportunidades de emprego e investimento de R$ 300 milhões na unidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, durante coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (25).
A empresa não informou quando iniciará o processo seletivo para preencher as novas vagas.
Em abril, a empresa anunciou que fechou a fábrica de Pilar, na Argentina, e que iria transferir a produção à cidade. À época, disse que a unidade seria a mais avançada da América Latina, utilizando inteligência artificial e robótica para lidar com as maiores complexidades da produção de lavanderia.
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"Na prática, a gente já enxerga, de início, 200 empregos diretos na operação de Rio Claro, principalmente operação, mas também com a parte do desenvolvimento de produtos, dos processos e, como a nossa decisão compreende a mais de 50% das peças também serem produzidas por fornecedores locais da região, do Brasil, a gente projeta algo em torno de 2.800 empregos diretos e indiretos", disse o vice-presidente da Whirlpool, Vinícius Tokuda.
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Fabio Rodrigues/g1
De acordo com Tokuda, o início da produção na unidade de Rio Claro deve ocorrer em setembro deste ano. "Essa mudança está conectada com dois elementos, um elemento de expansão, mas também um elemento de rearranjo interno conectado com o plano diretor para aumentar o nível de produtividade da nossa produção atual".
O vice-presidente da Whirlpool explicou que, a princípio, a operação da unidade de Rio Claro deverá atender o mercado nacional, mas a ideia é entregar produtos para toda a América Latina, tendo a Argentina como um segundo mercado mais relevante à empresa.
Vice-presidente da Whirlpool, Vinícius Tokuda.
Fabio Rodrigues/g1
"A gente tem o privilégio de ter em Rio Claro um Centro de Desenvolvimento de Lavadoras para o mundo inteiro, então a tecnologia brasileira sendo exportada e a gente conecta aqui a 10 metros de distância entre o Centro de Desenvolvimento e a Fábrica, então a gente espera fazer essa conexão com todas as universidades que a gente tem o privilégio de ter aqui", disse Tokuda.
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Operação em Rio Claro
De acordo com o vice-presidente, a unidade de Rio Claro, a partir de setembro, passará com a operação e produção dos produtos já existentes, como lavadoras de carga superior, fogões, fornos e cooktops, somando-se com as lavadoras de carga frontal com uma operação bastante verticalizada.
"Com grande parte das peças sendo desenvolvidas também em outros parceiros no Brasil [...], então a gente fala em mais de R$ 300 milhões de investimentos para essa decisão, conectado também à geração direta e indireta de 2.800 novos empregos", afirmou.
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Fabio Rodrigues/g1
Fechamento de fábrica na Argentina
Segundo comunicado da empresa, a transição tem como objetivo melhorar a eficiência operacional e otimizar recursos, "consolidando a posição da Whirlpool como líder no setor ao integrar excelência fabril e inovação centrada no consumidor para impulsionar o crescimento sustentável".
A Whirlpool destacou que a decisão "não altera o compromisso da empresa em continuar o fornecimento e o atendimento ao cliente na Argentina". O mercado argentino seguirá sendo abastecido por produtos fabricados em outros países e distribuídos pela Whirlpool AR.
Ainda segundo a empresa, com a unificação da produção de máquinas de lavar de carga superior (top-loading) e carga frontal (front-loading) em Rio Claro, a unidade se tornará um hub de exportação de classe mundial, responsável por fornecer produtos premium de lavanderia para toda a América Latina.
Whirlpool Corporation em Rio Claro
Divulgação
Veja o comunicado na íntegra:
São Paulo, abril de 2026 – A Whirlpool S.A. confirma a transferência da produção anteriormente realizada em Pilar, na Argentina, para sua unidade de manufatura em Rio Claro, no Brasil. Esta transição visa melhorar a eficiência operacional e otimizar recursos, consolidando a posição da Whirlpool como líder no setor ao integrar excelência fabril e inovação centrada no consumidor para impulsionar o crescimento sustentável.
Compromisso com a Argentina
Esta decisão não altera o compromisso da empresa em continuar o fornecimento e o atendimento ao cliente na Argentina. O mercado continuará a ser atendido por produtos fabricados nas diversas unidades globais do grupo e distribuídos pela Whirlpool AR.
Rio Claro como hub mundial
Ao unificar a produção de máquinas de lavar de carga superior (top-loading) e carga frontal (front-loading) em Rio Claro, a Whirlpool está criando um hub de exportação de classe mundial, pronto para fornecer produtos de lavanderia premium para toda a América Latina. Consequentemente, Rio Claro se tornará oficialmente a unidade de manufatura mais avançada da região, utilizando Inteligência Artificial e robótica para dominar as mais altas complexidades da produção de lavanderia.
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Saudi Aramco transfere participação na PRefChem para a Petronas

Embarcação com carga de GNL da Petronas.
Divulgação
A Saudi Aramco anunciou a transferência do controle total da PRefChem para a Petronas, empresa com sede na Malásia. Com a operação, a Petronas passa a deter integralmente a empresa após assumir a participação acionária da Aramco no negócio.
Segundo as empresas, a transação foi concluída em termos acordados mutuamente entre as partes. A transferência fará com que a PRefChem se torne uma subsidiária integralmente controlada e operada pelo grupo Petronas.
Apesar da mudança societária, Aramco e Petronas afirmaram que continuarão explorando possibilidades de cooperação estratégica e acordos comerciais após a conclusão da transferência.
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Emirados Árabes Unidos deixam a OPEP
Dólar cai e fecha a R$ 5,01, após sinais de avanço em um acordo de paz entre EUA e Irã; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em queda de 0,19% nesta segunda-feira (25), cotado a R$ 5,0185. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve alta de 0,91%, aos 177.816 pontos.
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▶️ O principal destaque do pregão ficou com a sinalização do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de que um acordo para o fim da guerra no Oriente Médio poderia ser concluído ainda nesta segunda-feira.
A afirmação, mesmo tendo sido contestada pelo Irã (entenda mais abaixo), foi recebida pelo mercado financeiro como uma sinalização de que o fim da guerra pode estar próximo — e aumentou as expectativas dos investidores sobre a possível reabertura do Estreito de Ormuz, pode onde passa mais de 20% de todo o comércio global de petróleo.
Em meio a esse cenário, os preços do petróleo caíam mais de 6% nesta segunda-feira. Perto das 17h, o barril do Brent, referência internacional, recuava 7,15%, a US$ 96,14, enquanto o WTI, dos Estados Unidos, caía 6,52%, para US$ 90,30.
▶️ No Brasil, o foco da semana estará na divulgação do IPCA-15, que deve trazer pistas sobre a inflação de maio. Nos próximos dias, os investidores também acompanham a taxa de desemprego de abril.
▶️ Já no campo político, o Congresso deve manter o foco em duas PECs de grande repercussão: na Câmara, a atenção se concentra na PEC 221/2019, que trata da escala de trabalho 6x1. Já no Senado, segue no radar a PEC 65/2023, que prevê autonomia financeira e orçamentária para o Banco Central.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,19%;
Acumulado do mês: +1,35%;
Acumulado do ano: -8,57%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,91%;
Acumulado do mês: -5,07%;
Acumulado do ano: +10,36%.
Petróleo cai de olho em acordo entre EUA e Irã
Os sinais de avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã para um possível acordo de paz trouxe um dia de forte queda nas cotações de petróleo nesta segunda-feira (25). Com isso, a commodity chegou ao menor nível em duas semanas.
Perto das 17h, o barril do Brent, referência internacional, recuava 7,15%, a US$ 96,14, enquanto o WTI, dos Estados Unidos, caía 6,52%, para US$ 90,30.
Mais cedo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o acordo para colocar fim à guerra no Oriente Médio pode ser concluído ainda nesta segunda-feira, reforçando que Israel tem o direito de se defender contra ataques e que o governo americano daria todas as chances à diplomacia antes de "explorar as alternativas".
"Temos o que eu acho que é algo bastante sólido na mesa em termos de capacidade de abrir os estreitos", disse Rubio.
A afirmação foi contestada por Israel, que chegou a admitir que conclusões foram alcançadas em muitos tópicos, mas destacou que nenhum acordo é iminente.
No final de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, já havia afirmado que Washington e Teerã haviam “negociado amplamente” um entendimento para um acordo de paz.
Segundo Trump, a negociação abriria caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passava cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito.
Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que o país negocia o fim da guerra, mas não discute neste momento questões nucleares — um dos pontos mais sensíveis nas relações entre os dois países.
Mesmo com a expectativa de acordo, analistas avaliam que a normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz ainda deve levar meses, já que instalações de petróleo e gás afetadas pela guerra precisarão passar por reparos.
Mercados globais
Os índices futuros apontavam para uma semana positiva em Wall Street, embora os mercados americanos permaneçam fechados devido ao feriado de Memorial Day nos EUA.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 1%, aos 631,63 pontos.
Entre os principais mercados da região, o CAC 40, da França, ganhou 1,76%, a 8.258,26 pontos, enquanto o DAX, da Alemanha, subiu 2,01%, a 25.389,10 pontos.
Na Ásia, as bolsas fecharam em alta.
Em Xangai, o índice SSEC avançou 0,96%, aos 4.152 pontos. O CSI300, que reúne as maiores empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, subiu 1,58%, aos 4.921 pontos.
Em Tóquio, o Nikkei teve forte alta de 2,87%, encerrando o dia aos 65.158 pontos.
Dólar opera em alta nesta quarta-feira
Alexander Mils/Pexels
INSS inicia o pagamento da segunda parcela do 13º; veja o calendário

Décimo terceiro salário
José Cruz/Arquivo/Agência Brasil
Aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começam a receber nesta segunda-feira (25) a segunda parcela do 13º salário antecipado pelo governo federal.
Os pagamentos seguem até 8 de junho, conforme o número final do cartão do benefício, e devem injetar cerca de R$ 78,2 bilhões na economia, segundo o Ministério da Previdência Social (MPS).
A primeira parcela foi paga entre os dias 24 de abril e 8 de maio.
Os beneficiários podem consultar o valor do abono pelo site ou aplicativo Meu INSS, na opção “Extrato de Pagamento”.
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
Veja as datas de pagamento para quem ganha até um salário mínimo:
final 1: 25 de maio;
final 2: 26 de maio;
final 3: 27 de maio;
final 4: 28 de maio;
final 5: 29 de maio;
final 6: 1 de junho;
final 7: 2 de junho;
final 8: 3 de junho;
final 9: 5 de junho;
final 0: 8 de junho,
Quem recebe acima de um salário mínimo:
final 1 e 6: 1 de junho;
final 2 e 7: 2 de junho;
final 3 e 8: 3 de junho;
final 4 e 9: 5 de junho;
final 5 e 0: 8 de junho.
Quem tem direito?
Têm direito ao pagamento segurados que receberam, em 2026, benefícios como aposentadoria, pensão por morte, auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente, auxílio-reclusão e salário-maternidade.
Quem não terá o direito
Beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e da Renda Mensal Vitalícia, que por lei não têm direito ao 13º.
Como consultar o pagamento?
Site ou app Meu INSS → Acesse com CPF e senha, selecione “Extrato de Contribuição” e baixe o PDF.
Telefone 135 → Atendimento de segunda a sábado, das 7h às 22h. É necessário informar CPF e responder perguntas de segurança.
⚠️ O INSS ressalta que não existe pagamento de 14º salário, como circulam em mensagens falsas nas redes sociais.
INSS inicia pagamento de benefícios de maio
Além do 13º, os aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS começam a receber os pagamentos referentes ao mês de maio a partir desta segunda-feira.
Os depósitos começam para quem recebe até um salário mínimo. Em seguida, passam a ser feitos os pagamentos para quem ganha acima do piso nacional.
O calendário também é organizado de acordo com o número final do cartão do benefício, sem considerar o dígito verificador (número após o traço). (veja aqui o calendário completo)
Com alta do petróleo, mercado financeiro passa a projetar inflação acima de 5% neste ano

Os economistas do mercado financeiro elevaram novamente sua estimativa para a inflação em 2026, que ultrapassou a barreira dos 5%. Esta é décima primeira semana seguida de aumento.
As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo — que opera, nesta segunda, próximo de US$ 95 — e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
➡️ Para 2026, a estimativa subiu de 4,92% para 5,04%;
➡️ Para 2027, a expectativa avançou de 4% para 4,01%;
➡️ Para 2028, a previsão continuou em 3,65%;
➡️ Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50%.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Agora no g1
Corte dos juros
Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros.
Atualmente, a taxa está em 14,50% ao ano — após dois cortes neste ano.
A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano na última semana, embutindo reduções no decorrer do ano.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 11,25% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano.
Guerra no Oriente Médio atinge diretamente setores da indústria brasileira que usam derivados de petróleo como matéria prima
Jornal Nacional/ Reprodução
Atividade econômica
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado subiu de 1,85% para 1,89%.
O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
Para 2027, a projeção de crescimento do PIB recuou de 1,77% para 1,70%.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,20 para R$ 5,17 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos caiu de R$ 5,27 para R$ 5,26 por dólar.
BC diz que liquidação do Master não gerou risco de crise ao sistema financeiro; clientes ressarcidos levaram dinheiro a bancos maiores
O Banco Central informou nesta segunda-feira (25) que a liquidação extrajudicial de instituições integrantes do conglomerado Master não gerou efeitos no sistema financeiro nacional. A análise consta no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao segundo semestre de 2025. "Após a liquidação, clientes ressarcidos pelo FGC [Fundo Garantidor de Créditos] direcionaram recursos principalmente para instituições financeiras (IFs) de maior porte e de maior relevância sistêmica", acrescentou o BC. Na semana passada, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já havia dito que o banco Master relativamente pequeno para oferecer um "risco sistêmico", e que sua liquidação não oferecia risco. "Concordo que isso está consternando as pessoas, não é o passivo [dívida do Master]. Mas o que foi feito com o dinheiro. Um banco S3, na terceira divisão do futebol do sistema financeiro, não oferece risco sistêmico, é menor de 0,5% do patrimônio [total do sistema]. O que se chama a atenção é o que se fazia com o dinheiro", declarou Galípolo, na ocasião. A liquidação do conglomerado do banco Master foi anunciada pelo BC em novembro do ano passado, retirando a instituição financeira do mercado. Na mesma época, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso em uma operação que mirava a venda de títulos de crédito falsos. "O BC considera que não há risco relevante para a estabilidade financeira. O SFN [sistema financeiro nacional] permanece com capitalização e liquidez confortáveis, e provisões adequadas ao nível de perdas esperadas. Além disso, os testes de estresse de capital e de liquidez demonstram a robustez do sistema bancário", avaliou a autoridade monetária. A instituição informou, ainda, que a rentabilidade das instituições financeira permaneceu praticamente estável no segundo semestre do ano passado, demonstrando "resiliência e capacidade de gerar lucros para aumentar o capital". "O crescimento dos resultados operacionais, ainda que em ritmo menor, compensou o aumento do custo com provisões. A margem de crédito seguiu pressionada pela elevação do custo de captação. A rentabilidade continua sem perspectiva de aumento em razão das condições financeiras restritivas e da moderação da atividade econômica, que podem reduzir o crescimento do crédito e das receitas de serviços e aumentar a inadimplência", concluiu.
Petróleo cai mais de 7% com expectativa de acordo entre EUA e Irã

Trump e Rubio afirmam que acordo com o Irã pode reabrir o Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo caíram mais de 7% nesta segunda-feira (25) e atingiram o menor nível em duas semanas, diante do aumento do otimismo de que Estados Unidos e Irã estejam próximos de um acordo de paz.
A expectativa é que o entendimento permita a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.
🛢️Por volta das 14h29 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent caía US$ 7,24, ou quase 7%, cotado a US$ 96,30. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, recuava US$ 6,30, ou 6,5%, para US$ 90,88 por barril.
No sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Washington e o Irã haviam “negociado amplamente” um entendimento para um acordo de paz que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito.
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Ainda assim, os dois lados seguem em desacordo sobre questões consideradas centrais. No domingo, Trump afirmou ter orientado seus representantes a não acelerarem as negociações.
“Já vimos esse cenário antes, mas as negociações acabaram fracassando. Por isso, o mercado deve continuar cauteloso e evitar reações exageradas”, disse Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING.
Nesta segunda-feira, os dois países também reduziram as expectativas de um avanço rápido nas conversas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington espera chegar a um “bom acordo” com o Irã ou adotará “outra abordagem”.
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que o país negocia o fim da guerra e que, neste momento, não trata de questões nucleares.
Analistas avaliam que a normalização do fluxo de petróleo pelo estreito ainda deve levar meses, enquanto instalações de petróleo e gás danificadas passam por reparos.
“Continuamos acreditando que o principal fator para o mercado de petróleo são os fluxos físicos da commodity e, até agora, o tráfego pelo Estreito de Ormuz segue limitado”, afirmou Giovanni Staunovo, analista da UBS.
Segundo dados de navegação, dois navios-tanque carregados com gás natural liquefeito deixavam o Estreito de Ormuz nesta segunda-feira com destino ao Paquistão e à China.
Além disso, um superpetroleiro carregado com petróleo iraquiano saiu do Golfo rumo à China no sábado, após permanecer retido por quase três meses.
Nos Estados Unidos, empresas do setor de energia reagiram à alta dos preços domésticos ampliando, pela quinta semana seguida, o número de plataformas de petróleo e gás natural em operação — algo que não acontecia desde fevereiro de 2025.
O total de plataformas de perfuração, indicador da produção futura, subiu em sete unidades na semana encerrada em 22 de maio, chegando a 558, o maior nível desde junho de 2025.
Ainda assim, a Baker Hughes informou que o número permanece oito plataformas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio
Reuters
Desenrola 2.0: saldo do FGTS disponível pode ser consultado pelo app a partir desta segunda
Desenrola 2.0: saldo do FGTS disponível pode ser consultado pelo app a partir de hoje A partir desta segunda-feira (25), trabalhadores já podem consultar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para utilizá-lo no Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo federal. Esse é o primeiro passo para a utilização dos recursos para o abatimento de dívidas bancárias. Quem aderir à iniciativa poderá usar até 20% do saldo disponível no FGTS ou R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor, para quitar ou amortizar dívidas em atraso. O valor será transferido diretamente às instituições financeiras responsáveis pelos contratos renegociados. Como vai funcionar? O trabalhador consultará seu saldo e poderá autorizar o banco ao qual está devendo a buscar o valor do saldo disponível para negociação. Depois, negocia com o banco devedor o valor com desconto da dívida na própria instituição financeira. Após a consulta do saldo, os bancos e demais instituições financeiras terão prazo estimado de até 30 dias para formalizar os contratos e registrar as informações nos sistemas da Caixa Econômica Federal. Concluída a validação, a Caixa fará o repasse dos recursos do FGTS diretamente à instituição credora. Cálculos do governo federal estimam que até R$ 8,2 bilhões do FGTS poderão ser movimentados no âmbito do programa. Dinheiro esquecido: governo quer usar parte do valor para financiar o Desenrola 2.0 Novo Desenrola O programa, anunciado no início de maio, foi dividido em quatro categorias voltadas para: famílias Fies empresas agricultores rurais Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ➡️ Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto. O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. Para formar esse fundo, o governo buscará de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos. O governo também fará um novo aporte de até R$ 5 bilhões. Quem pode participar? Para usar o FGTS no Desenrola, é preciso: Ter saldo disponível na conta do Fundo de Garantia; Ter renda mensal de até cinco salários mínimos; Possuir dívidas vencidas elegíveis no cartão de crédito, cheque especial e/ou empréstimos. ➡️Trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário que foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025, tenham dívidas bancárias, e queiram usar o FGTS para pagar dívidas, poderão fazer duas retiradas. Limitações para apostadores Quem aderir ao programa ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online. "Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", declarou o presidente. Programa também prevê que os bancos perdoem dívidas de até R$ 100. No fim de 2024, segundo o Banco Central (BC), 117 milhões de pessoas tinham alguma dívida com instituições financeiras.
A disparada do custo de vida e dos imóveis em João Pessoa com chegada de jovens que buscam 'desacelerar' e 'investir'

Disparada do custo de vida e dos imóveis em João Pessoa com chegada de jovens
CACIO MURILO/MTUR
Custo de vida baixo, ruas pouco movimentadas e praias com pouquíssimos turistas. Era assim que as pessoas encontravam a cidade de João Pessoa, capital da Paraíba, quatro anos atrás, quando a publicitária Rebeca Cirino, de 39 anos, se mudou de volta para lá.
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Ela e o marido escolheram a cidade para fugir de São Paulo em busca de uma rotina em que pudessem "desacelerar" e tentar dar melhor qualidade de vida à filha.
A paraibana conta que percebeu o desenvolvimento da capital, se comparada há quinze anos, quando deixou a cidade. Porém, percebeu que o custo de vida aumentou, especialmente de dois anos para cá.
"Quando eu morei aqui, em 2010, era outra realidade. Hoje, a gente sente diferença em tudo, principalmente nos preços", diz Rebeca.
"Em 2022, o coco era R$ 2. Agora já você já encontra por R$ 6 e até R$7".
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
Seu marido, o advogado Ezequiel Ribeiro, de 35 anos, também cita aumento em despesas básicas, como mercado e restaurantes, o que, segundo ele, afeta diretamente o dia a dia.
Eles também sentiram esse impacto ao buscar um novo lugar para morar. O preço médio do metro quadrado praticamente dobrou em poucos anos: de R$ 4,5 mil, em 2019, para R$ 8 mil em 2026, segundo o índice FipeZap.
"Os preços eram bem mais acessíveis quando chegamos. Hoje, subiram muito, tanto para compra quanto para aluguel", diz Ezequiel.
A rotina do casal também mudou. "Um trajeto de carro de cinco minutos pode levar meia hora no horário de pico", diz Rebeca.
Rebeca e Ezequiel trocaram São Paulo por João Pessoa para 'desacelerar'
ARQUIVO PESSOAL via BBC
Para Ezequiel, o trânsito mais intenso está ligado ao crescimento recente, especialmente em bairros como o Bessa, zona Norte da cidade, onde o casal vive.
"É um dos bairros que está sendo mais ocupado nesses últimos anos. E, a depender do horário em que você sai de casa, você pega um trânsito considerável."
O avanço populacional ajuda a explicar as transformações. Dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que João Pessoa foi a quinta capital que mais ganha habitantes no país.
Com uma taxa de crescimento de 1,19% ao ano, a capital paraibana só ficou atrás de Boa Vista (RR), Palmas (TO), Florianópolis (SC) e Cuiabá (MT) no levantamento.
Isso representou um acréscimo de 110 mil novos moradores em 12 anos, o que posiciona a cidade como um dos principais polos de atração populacional do país hoje. Atualmente, João Pessoa tem 833.932 habitantes, segundo o cálculo mais atual IBGE.
As mudanças na rotina da capital
As mudanças recentes em João Pessoa também são percebidas por quem acompanha a cidade há mais tempo.
Morador há mais de quatro décadas, o ambientalista Marco Túlio Gusmão, de 58 anos, afirma que o crescimento urbano trouxe uma nova dinâmica para a vida na cidade.
Segundo ele, a valorização imobiliária tem sido um dos principais vetores dessas transformações.
A capital paraibana registrou a segunda maior valorização entre todas as capitais do país, com uma alta de 15,15%, índice superado apenas por Salvador (16,25%) e ficando à frente de mercados tradicionais como Vitória e São Paulo. Foi a maior alta anual da história de João Pessoa desde que a cidade começou a ser monitorada pelo Índice FipeZAP.
"Esse aumento acaba impactando o custo de vida de forma geral, refletindo em serviços, lazer e consumo cotidiano", diz Marco Túlio.
Segundo Marco Tulio, a valorização imobiliária é um dos principais fatores para o aumento do custo de vida em João Pessoa
ARQUIVO PESSOAL via BBC
Marco Túlio diz que o aumento da população, acompanhado pelo crescimento urbano acelerado, ocorre especialmente em áreas próximas ao litoral. Esse movimento, segundo ele, também alimenta discussões sobre gentrificação.
O aumento pela procura por imóveis eleva seu preço, e, com isso, cresce o risco de fazer com que as pessoas que vivem nestas áreas há mais tempo tenham que se mudar para regiões mais afastadas porque não conseguem pagar os novos preços.
O ambientalista também nota um aumento na circulação nas regiões litorâneas, impulsionado pelo turismo e pela chegada de novos moradores, principalmente após a pandemia. As praias, por exemplo, passaram a ficar mais cheias.
Esse movimento ocorre em paralelo ao crescimento da frota de veículos. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que o número de automóveis na capital passou de 474 mil, em 2024, para mais de 501 mil em 2026.
O aumento reflete o adensamento urbano e impacta diretamente o tempo de deslocamento entre bairros, como mencionado por moradores da capital paraibana ouvidos pela reportagem.
Apesar das mudanças, Marco Túlio afirma que a cidade ainda mantém características que levam pessoas a se mudar para João Pessoa, como a busca por maior contato com a natureza e por uma maior qualidade de vida.
Para ele, o desafio está em fazer com que esse crescimento ocorra de forma planejada e organizada.
'Estão criando uma cidade para o mercado imobiliário'
O crescimento recente de João Pessoa tem sido guiado, segundo especialistas, por decisões de planejamento urbano que influenciam diretamente a forma como a cidade se expande.
Para o geógrafo Alexandre Sabino do Nascimento, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), não se trata de um avanço desordenado, mas segue um modelo que está diretamente ligado à valorização fundiária e imobiliária.
"Não podemos dizer que a cidade está sem planejamento. O que temos é um planejamento que atende a determinados interesses", diz Nascimento.
A expansão da cidade ocorre em função do mercado, influenciando como são feitos investimentos públicos, sobretudo em infraestrutura viária.
"Há uma simbiose entre a abertura de grandes vias e a criação de oportunidades para o investimento imobiliário", diz o professor.
Segundo ele, mudanças no Plano Diretor reduziram instrumentos de participação popular, como audiências públicas e conselhos urbanos. Com isso, as decisões sobre o uso da área urbana passaram a ter menor participação da população.
"Quem vive aqui está acompanhando o planejamento urbano da cidade?", questiona o pesquisador ao apontar o distanciamento entre as decisões e o cotidiano dos moradores.
Isso tem produzido impactos diretos no acesso à moradia em João Pessoa. O pesquisador cita um déficit habitacional de cerca de 50 mil domicílios na capital, com muitas famílias comprometendo mais de 30% da renda com aluguel.
Além disso, mudanças nas regras para zonas de interesse social e ambiental favorece a ocupação de áreas antes protegidas. Para Nascimento, esse modelo de crescimento aprofunda desigualdades: "Estão criando uma cidade para o mercado imobiliário".
Ele destaca que, enquanto isso, existem milhares de lotes vazios em áreas com infraestrutura urbana, que poderiam ser utilizados para habitação social.
De acordo com o pesquisador, as incorporadoras têm ampliado a compra de terrenos para formação de "bancos de terra" para empreendimentos futuros, o que reduz a oferta disponível e contribui para a elevação dos preços.
"Isso gera alta concentração de terrenos e escassez no mercado, o que encarece a cidade como um todo", afirma Nascimento.
A atuação das incorporadoras tem inclusive mudado o perfil de regiões da cidade, diz Nascimento: "O que temos agora é uma reestruturação de padrões de alguns bairros".
A Prefeitura afirma que o crescimento exige adaptação da infraestrutura e diz que tem investido em mobilidade para acompanhar a expansão.
Segundo a gestão, em nota enviada à reportagem, obras como o Complexo Viário Beira Rio e novos corredores de transporte coletivo buscam melhorar a fluidez e preparar a cidade para o aumento da demanda. A administração também destaca projetos voltados à integração viária e ao turismo.
A BBC News Brasil também voltou a procurar a Prefeitura para questionar sobre as alegações de que a expansão da capital estaria organizada em função do interesse imobiliário, mas a administração não respondeu a esse questionamento da reportagem.
Orla concentra maior valorização imobiliária
A valorização imobiliária em João Pessoa se concentra, sobretudo, nos bairros da orla, onde a combinação entre turismo, novos moradores e investimentos tem redesenhado o mercado local.
O corretor Caio César de Queiroz Ferreira, que trabalha com imóveis de luxo há 15 anos na capital paraibana, diz que o movimento é puxado pela localização e perfil dos novos empreendimentos e também pelo tipo de público que a cidade passou a atrair nos últimos anos.
João Pessoa costumava receber muitos aposentados em busca de qualidade de vida, mas passou a atrair també profissionais de outras regiões, muitos com maior poder de compra e trabalho remoto.
"Existe uma presença forte de aposentados, mas o que chama mais atenção ultimamente é a vinda de um público mais jovem e economicamente ativo, que enxerga João Pessoa não só como destino de descanso, mas como lugar para viver e investir", diz Ferreira.
Esse público, aliado ao aumento dos custos da construção civil, contribui para elevar o padrão — e o preço — dos empreendimentos.
Os números do mercado ilustram essa tendência. Em março, enquanto a média do metro quadrado em João Pessoa chegou a R$ 8 mil, em Cabo Branco, um dos bairros mais valorizados, o valor atingiu R$ 12,3 mil, uma alta de 10,4% em 12 meses.
"Os bairros de alta renda hoje estão concentrados principalmente na orla. Cabo Branco e Tambaú são regiões mais consolidadas, com alta procura pelo turismo, enquanto o Altiplano se destaca como polo de alto padrão", afirma Ferreira.
"Jardim Oceania, no Bessa, tem ganhado espaço com produtos mais novos e infraestrutura urbana, e algumas regiões de Manaíra próximas ao mar também concentram imóveis de padrão elevado".
Para Rebeca, a mudança ficou evidente na tentativa de comprar um imóvel. Ao comparar com o período em que já havia morado na capital, ela relata, além do aumento generalizado dos preços, uma dificuldade maior nas negociações por conta da maior procura.
Em uma das propostas, ela conta, o proprietário se recusou a reduzir o valor pedido mesmo diante de uma oferta próxima. Em outro caso, soube que o imóvel permaneceria fechado à espera de valorização.
Esse tipo de comportamento, segundo Ferreira, está ligado ao aumento da demanda. "O crescimento populacional acontece mais rápido do que a entrega de novos imóveis no curto prazo", afirma o corretor.
Valorização do mercado imobiliário de João Pessoa se concentra, sobretudo, em bairros da orla
GETTY IMAGES via BBC
A chegada de novos moradores tem pressionado tanto o mercado de compra quanto o de locação.
Na prática, isso se traduz em reajustes expressivos, principalmente nas áreas mais valorizadas. O corretor aponta que, em alguns bairros da orla, os aluguéis já acumulam altas entre 20% e 30% nos últimos anos.
O resultado é um mercado mais competitivo, em que imóveis passam a ser tratados também como ativos financeiros, com impacto direto no custo de vida de quem já mora na cidade.
"A cidade está em um momento muito bom, com crescimento urbano e valorização constante, mas pontos como mobilidade urbana, infraestrutura e serviços precisam evoluir junto com esse aumento populacional", acrescenta o corretor.
Esgoto, poluição e os limites do crescimento
O avanço urbano de João Pessoa também expõe fragilidades na infraestrutura básica, especialmente no saneamento.
Dados do Instituto Trata Brasil indicam que 72,36% do esgoto da cidade é coletado e encaminhado para estações de tratamento, enquanto o restante ainda tem destino incerto, podendo ir de fossas sépticas a ligações clandestinas e descarte direto em rios que deságuam no mar, explicam especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
Segundo o pesquisador Joácio Morais Júnior, coordenador do laboratório de pesquisa em Sistemas Ambientais Urbanos da UFPB, o ritmo de expansão da cidade não foi acompanhado pela rede de esgotamento.
"O crescimento urbano acelerado, especialmente com a verticalização na orla e a expansão para outras zonas, gera uma pressão sem precedentes, pois a infraestrutura de coleta não acompanhou esse avanço", afirma Júnior, que também é presidente do Instituto ARBOR.
Na prática, isso pode levar ao transbordamento de tubulações e ao escoamento irregular para galerias pluviais, atingindo rios e praias.
Esse cenário tem impacto direto no meio ambiente e na própria economia local. O lançamento de esgoto favorece a proliferação de algas, reduz o oxigênio da água e pode comprometer ecossistemas como recifes de coral e manguezais.
"Há risco real de danos irreversíveis. Esses sistemas têm um ponto de não retorno", diz o pesquisador. A consequência, segundo ele, vai além da degradação ambiental e pode afetar atividades como a pesca e o turismo.
Outro ponto levantado é a divergência nos dados oficiais. Enquanto levantamentos nacionais apontam índices mais baixos de cobertura, relatórios da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) indicam percentuais mais elevados.
A diferença, explica Morais, está na metodologia: parte dos dados considera apenas áreas formalmente atendidas, enquanto outros incluem regiões periféricas ainda sem cobertura plena.
"A solução técnica para o saneamento é, portanto, uma medida de sobrevivência biológica e econômica para a capital", afirma o pesquisador.
Diante desse cenário, especialistas defendem mais transparência e monitoramento contínuo. Entre as medidas apontadas estão a fiscalização de ligações clandestinas, ampliação da rede de coleta, instalação de sensores de qualidade da água e uso de soluções alternativas de tratamento em áreas não atendidas.
Também é citado o papel do planejamento urbano, com revisão de parâmetros de ocupação e proteção de áreas ambientais sensíveis.
A reportagem procurou a Cagepa, responsável pela coleta de esgoto na região, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
"Para equilibrar o crescimento acelerado de João Pessoa com a preservação ambiental e a viabilidade do turismo, as ações do poder público precisam atacar tanto a infraestrutura invisível (saneamento) quanto o planejamento visível (uso do solo)", diz Júnior.
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NR-1: Regra que amplia fiscalização sobre saúde mental no trabalho entra em vigor nesta terça; veja o que muda

NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR‑1) entra em vigor nesta terça-feira (26), e amplia a responsabilidade das empresas sobre os riscos à saúde mental dos trabalhadores. Anunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em agosto de 2024, a medida reforça a possibilidade de fiscalização e aplicação de multas.
A nova regra estava prevista para valer em maio de 2025. Após pressão de empresas e sindicatos patronais, o governo decidiu adiar a entrada em vigor por um ano. Agora, diante de novos pedidos de prorrogação, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que não pretende realizar mais um adiamento.
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“Já houve uma prorrogação no ano passado e, neste momento, não há disposição para novo adiamento”, disse. Segundo o ministro, uma nova mudança só ocorreria com acordo entre empresas e representantes dos trabalhadores — o que não existe hoje.
O Ministério do Trabalho já divulgou um Manual de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, um Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho e um documento de perguntas e respostas para orientar empresas e trabalhadores sobre a atualização da norma.
Especialistas consideram a medida urgente. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos no mundo por problemas de saúde ligados a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas longas, assédio e insegurança no emprego.
No ano passado, o g1 revelou com exclusividade, com base em dados do Ministério da Previdência Social, que o Brasil já vivia uma crise de saúde mental, com o maior número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos, registrado em 2024.
Em 2025, o cenário não só se repetiu como se agravou: mais de meio milhão de licenças foram concedidas por esse motivo, estabelecendo um novo recorde.
O g1 ouviu especialistas e explica, abaixo, as principais dúvidas sobre como a atualização da NR-1 vai funcionar na prática.
o que muda na prática com a atualização da NR-1;
como vai funcionar a fiscalização;
se empresas poderão ser multadas;
o que as empresas terão que fazer;
e o que muda para os trabalhadores.
Capa afastamentos por saúde mental
Luisa Rivas e Otávio Camargo | Arte g1
O que muda na prática com a atualização da NR‑1?
A principal mudança com a atualização da NR‑1 é que os chamados riscos psicossociais — ligados à forma como o trabalho é organizado — passam a integrar o gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas, ao lado de riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes.
Na prática, situações como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral ou sexual, pressão excessiva, conflitos interpessoais, falta de autonomia e falhas de gestão entram oficialmente no radar da fiscalização.
Esses fatores já eram analisados de forma indireta, sobretudo a partir das normas de ergonomia, mas agora se tornam exigência explícita dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
“A grande inovação foi deixar explícito que o risco psicossocial faz parte do gerenciamento de riscos. Isso já estava incluído, mas não estava claro para as empresas e para a sociedade”, explica Alexandre Furtado Scarpelli Ferreira, auditor‑fiscal do trabalho e diretor do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
Segundo ele, a fiscalização passa a olhar menos para equipamentos e mais para a forma como o trabalho é organizado. “Quando a gente fala em risco psicossocial, estamos falando de processo de trabalho: carga, metas, jornada, cadeia de comando, sistemas que não funcionam, falta de autonomia.”
Ou seja: a principal mudança é tornar explícito algo que já estava previsto nas normas trabalhistas. Com isso, o Ministério do Trabalho passa a exigir que as empresas olhem não apenas para máquinas, equipamentos ou riscos físicos, mas também para a dinâmica de trabalho dentro das organizações.
Como vai funcionar a fiscalização?
Os auditores-fiscais do trabalho têm o direito e o dever de entrar em empresas sem necessidade de autorização judicial para realizar inspeções. Com a atualização da NR-1, a fiscalização passará a olhar para a forma como o trabalho é organizado e executado dentro das empresas.
Na prática, os auditores vão verificar se as empresas identificaram os riscos psicossociais, se eles estão registrados corretamente e se existem medidas concretas para reduzir problemas como pressão excessiva, jornadas abusivas, assédio e sobrecarga de trabalho.
Segundo a auditora-fiscal Odete Reis, a fiscalização será baseada principalmente na análise do trabalho real.
“A gente verifica se o fator de risco está presente e se ele está sendo gerenciado. Isso é feito por observação do ambiente, entrevistas com trabalhadores e análise de documentos”, afirmou.
Durante as inspeções, os auditores poderão analisar jornadas, cobrança por metas, relação entre chefias e funcionários, canais de denúncia, processos internos e documentos como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventários de risco e planos de ação.
Odete ressalta que não é necessário haver um trabalhador já afastado para que a empresa seja cobrada. “Pode ser que ainda não exista afastamento, mas o risco esteja presente. O objetivo da fiscalização é chegar antes do adoecimento, para fazer a prevenção”, afirmou.
A atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho poderá ocorrer a partir de denúncias anônimas feitas por trabalhadores, dados da Previdência Social sobre afastamentos por saúde mental e ações de inteligência fiscal, que identificam setores com maior incidência de adoecimento.
Segundo Alexandre Scarpelli, a fiscalização não dependerá apenas de denúncias. “A inspeção do trabalho não atua só por denúncia. A gente cruza denúncias com dados da Previdência e com o conhecimento dos setores onde o risco psicossocial é mais elevado.”
Isso significa que empresas poderão ser fiscalizadas mesmo sem denúncia formal, principalmente se apresentarem muitos afastamentos por transtornos mentais ou atuarem em setores historicamente mais expostos ao adoecimento.
Assédio moral no trabalho pode causar consequências na saúde mental e física da vítima
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Empresas poderão ser multadas?
Sim. A multa não será automática com a entrada em vigor da norma, mas poderá ocorrer caso a fiscalização identifique falhas no gerenciamento dos riscos psicossociais.
O Ministério do Trabalho afirma que, “durante os 90 dias subsequentes à entrada em vigor, a atuação da Inspeção do Trabalho tende a priorizar ações de orientação, instrução e notificação das organizações quanto à necessidade de adequação, especialmente em relação às novas exigências introduzidas, sem prejuízo da adoção de medidas administrativas nos casos aplicáveis”.
Segundo Odete Reis, o auditor pode multar caso a empresa:
não identifique os riscos;
identifique os problemas, mas não adote medidas;
implemente ações insuficientes;
ou deixe de monitorar os riscos ao longo do tempo.
“Se for constatado que a empresa não está fazendo o gerenciamento dos riscos, a gente lavra o auto de infração. A partir daí, o processo segue para o setor de multas e recursos do Ministério do Trabalho”, explicou.
As multas seguem as regras gerais das Normas Regulamentadoras e podem variar conforme o porte da empresa, o número de empregados e a gravidade da infração. Hoje, os valores vão de R$ 416 a R$ 4.160 para infrações relacionadas à saúde do trabalhador e de R$ 693 a R$ 6.935 para segurança do trabalho.
Segundo Scarpelli, não existe uma “multa única” da NR-1. “A multa vai depender do ponto em que o processo falhou: se foi na identificação do risco, na adoção de medidas ou no monitoramento”, afirmou.
Após a autuação, a empresa ainda pode apresentar defesa em processo administrativo. Apesar da possibilidade de multa, especialistas afirmam que o foco inicial é orientar e induzir mudanças na cultura organizacional.
“Não existe expectativa de que todos os problemas sejam resolvidos de imediato. O que se espera é que as empresas comecem a enfrentar o problema, identifiquem os riscos e estabeleçam um plano de ação”, disse Scarpelli.
A juíza do trabalho Mirella Cahú afirma que a atualização da norma também tem caráter preventivo. “A NR-1 funciona como um alerta: esse tema precisa ser tratado com a mesma seriedade que riscos físicos e biológicos.”
O que as empresas terão que fazer?
Com a entrada em vigor da atualização da NR-1, as empresas passam a ter a obrigação explícita de incluir riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais.
Na prática, isso significa deixar de olhar apenas para acidentes físicos ou exposição a agentes químicos e passar a analisar de forma sistemática como a organização do trabalho pode gerar sofrimento ou adoecimento mental.
Segundo a juíza do trabalho Mirella Cahú, a norma muda o foco da análise. “O risco psicossocial não é do trabalhador, é da atividade e da organização do trabalho.”
Ou seja, a responsabilidade deixa de recair apenas sobre características individuais e passa a incluir decisões de gestão, metas, jornadas, relações hierárquicas e condições em que o trabalho é executado.
As empresas terão que identificar situações potencialmente adoecedoras e esses riscos precisarão ser registrados formalmente no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com descrição clara de como afetam a rotina de trabalho e quais áreas ou funções estão mais expostas.
“Não basta perceber o risco. Ele precisa estar documentado, com inventário e plano de ação”, afirma a auditora-fiscal Odete Reis.
Além do registro, as empresas terão que demonstrar que adotaram medidas concretas para enfrentar as causas do problema — e não apenas ações pontuais ou simbólicas.
Isso pode incluir revisão de metas e prazos, reorganização de jornadas, redistribuição de tarefas, mudanças na forma de cobrança, treinamento de lideranças, criação de políticas contra assédio e fortalecimento de canais de denúncia.
“Gerenciar risco é mudar a organização do trabalho”, resume Odete. Segundo os especialistas, as soluções devem levar em conta o porte da empresa, o tipo de atividade e os riscos específicos de cada ambiente de trabalho.
Ou seja: não existem soluções padronizadas.“Cada atividade tem riscos diferentes e precisa de estratégias próprias, construídas de forma responsável”, afirma Mirella Cahú.
Outro ponto central é que as empresas precisarão acompanhar se as medidas estão funcionando, reavaliar periodicamente os riscos e atualizar o PGR sempre que houver mudanças relevantes na dinâmica de trabalho.
“É um processo contínuo. Identifica, age, reavalia e melhora”, explicou Scarpelli. Durante uma eventual fiscalização, as empresas precisarão comprovar, por meio de documentos e práticas internas, que identificaram os riscos psicossociais e adotaram medidas para enfrentá-los.
“Se o gerenciamento não estiver sendo feito, a empresa pode ser autuada”, alertou Odete Reis. A atualização da NR-1 não obriga empresas a contratar psicólogos, oferecer terapia ou criar programas isolados de bem-estar.
Segundo os especialistas, essas iniciativas podem complementar as ações internas, mas não substituem a obrigação central da norma.
“Oferecer benefícios não resolve se o trabalho continuar adoecendo as pessoas”, afirma Mirella Cahú. “A exigência é mudar práticas de trabalho que geram sofrimento.”
O que muda para os trabalhadores?
A atualização da NR-1 fortalece o entendimento de que saúde mental também é uma questão de saúde e segurança do trabalho. Na prática, trabalhadores passam a ter mais respaldo para denunciar condições consideradas adoecedoras, como pressão excessiva, jornadas abusivas, metas inalcançáveis e assédio moral.
Segundo a juíza do trabalho Mirella Cahú, a principal mudança é que o foco deixa de estar apenas no indivíduo e passa a incluir a forma como o trabalho é organizado. “O risco psicossocial não é do sujeito, é da atividade de trabalho”, afirmou.
Isso significa que situações que antes muitas vezes eram tratadas como “fragilidade individual” passam a ser analisadas também como consequência da dinâmica de como trabalho é gerenciado dentro das empresas.
Especialistas avaliam que a norma também pode facilitar o reconhecimento do nexo entre trabalho e adoecimento mental em casos de afastamento ou ações judiciais. “Já reconhecemos transtornos mentais como acidente de trabalho quando há relação com a organização do trabalho”, afirma a magistrada.
Outra mudança prática é que empresas poderão ser cobradas antes mesmo de existir um trabalhador afastado. Ou seja, a fiscalização poderá exigir mudanças ao identificar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, mesmo sem casos formalmente registrados de adoecimento.
Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, a expectativa é que a atualização da NR-1 pressione empresas a tratar saúde mental com o mesmo nível de atenção dado hoje a acidentes físicos e outros riscos ocupacionais.
Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde
Nova CNH: carro particular usado em aulas de direção e prova pode não ter cobertura do seguro

Exame de direção em São Paulo (SP)
divulgação/Detran/SP
Desde dezembro de 2025, é possível usar um carro particular para fazer as aulas práticas e exame prático para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A medida foi publicada na resolução 1.020/2025 do Conselho Nacional do Trânsito (Contran) e alguns estados já aderiram.
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Mas como fica o seguro do carro nesse caso? Quem cede o veículo particular para um aluno não habilitado fazer aulas e prova está coberto?
O g1 consultou advogados especialistas e seguradoras para saber se, em caso de acidente nessas situações, o carro estaria coberto pela apólice.
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
Algumas seguradoras já afirmaram que os termos do contrato não preveem um condutor sem CNH e, por isso, a apólice não deve cobrir danos causados durante as aulas e prova. Outras seguradoras não quiseram participar da reportagem.
O que dizem as seguradoras
Keila Farias, vice-presidente da comissão de auto da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) disse em nota que as mudanças recentes nas regras de formação de condutores criam uma situação nova para o mercado, que ainda está em processo de avaliação e eventual adaptação de produtos e coberturas a essa realidade.
“De forma geral, a cobertura do seguro depende das condições contratadas e da adequação do uso informado na apólice”, orienta Keila.“Como, nesse contexto, o veículo passa a ser utilizado em uma finalidade distinta do uso particular originalmente declarado, é fundamental que o segurado consulte previamente sua seguradora.”
Exame, teste, Detran-PR, Carteira Nacional de Habilitação, CNH, baliza, Paraná, Curitiba
Allan Marba/Detran-PR
Em caso de seguros que preveem proteção de danos a terceiros, Keila explica que a existência dessa possibilidade no contrato, por si só, não permite garantir automaticamente a cobertura nessa situação específica.
“Como se trata de um contexto novo, ainda em assimilação pelo mercado, cada seguradora poderá estabelecer critérios próprios e promover adequações em seus produtos para contemplar esse tipo de utilização”, diz a vice-presidente da FenSeg.
Segundo a entidade, a orientação mais segura é que o segurado consulte sua seguradora ou corretor para verificar se há necessidade de ajuste nas informações prestadas ou nas coberturas contratadas.
Isso não impede, de acordo com Keila, que as seguradoras promovam adequações em seus produtos. “Neste momento, a recomendação é buscar confirmação prévia antes da utilização do veículo nessa condição”, recomenda.
Sem cobertura
Thales Lemos, diretor de seguro auto da Mapfre explica que, atualmente, não há cobertura técnica para condutor não habilitado e pessoas sem CNH. Se o segurado emprestar o veículo para que uma pessoa sem habilitação realize a prova prática do Detran, haverá negativa da indenização pela seguradora.
Em relação a danos a terceiros, Lemos explica que também não há cobertura. “Como conduzir um veículo sem habilitação é uma situação excluída do seguro, danos causados a outras pessoas durante a prova também estão fora da cobertura”, explica.
A recomendação, segundo Lemos, é ter cautela antes de permitir o uso do veículo por alguém sem CNH para aulas e exames:
Ler com atenção as condições da apólice;
Verificar se o condutor principal aparece no perfil de risco;
E, em caso de pessoas não habilitadas, evite permitir o uso do veículo;
Consulte o corretor e a seguradora para tirar dúvidas.
Fábio Morita, diretor-executivo de Automóvel, Massificados e Vida da Allianz Seguros, diz que utilizar o carro particular no exame prático da CNH pode trazer mais conforto e familiaridade ao candidato, mas também exige atenção do proprietário do veículo em relação às regras do seguro.
“De maneira geral, as apólices de seguro de automóvel não cobrem os sinistros ocorridos durante a sua condução por uma pessoa não habilitada, incluindo as situações em que o candidato esteja realizando o exame para a aquisição da CNH”, explica Morita.
De acordo com o executivo, isso se aplica não apenas ao seguro de veículos da Allianz, mas sim como uma prática de mercado, incluindo qualquer seguradora.
Exame prático feito pelo Detran-SP
divulgação/Detran-SP
“Desta forma, embora o proprietário possa ceder o veículo para a realização da prova, possíveis danos causados durante o exame, sejam eles no próprio carro ou a terceiros, não estão cobertos pelo seguro” alerta Morita.
O executivo da Allianz diz que o mesmo entendimento vale para as coberturas adicionais, como despesas médicas, indenizações e eventuais custos judiciais decorrentes de um acidente.
Morita aconselha que o segurado consulte antes a seguradora e o corretor para entender as condições que estão na apólice. “Também é fundamental que o deslocamento do veículo até o local da prova seja feito por um motorista devidamente habilitado, conforme as regras de trânsito”, explica o executivo.
Ao longo da semana, a reportagem do g1 procurou diversas seguradoras. As empresas Bradesco Seguros, Porto Seguro e Tokio Marine informaram que não divulgariam posição oficial e orientaram a pedir o posicionamento da Fenseg.
A Itaú Seguro Auto é operada pela Porto e o BB Seguros é operado pela Mapfre. HDI Seguros, Zurich e Youse comunicaram via assessoria de imprensa que não participariam da reportagem. A Alfa não encaminhou o contato da assessoria e a Ituran não respondeu o contato da reportagem.
Advogados divergem
O advogado Marcos Poliszezuk, sócio fundador do Poliszezuk Advogados, diz que as apólices de seguro padrão contêm cláusula expressa que exige condutor habilitado. Ou ainda que o condutor esteja previsto nas condições contratuais.
Segundo Poliszezuk, conduzir sem CNH configura violação dessa condição e o artigo 1.448 do Código Civil estabelece que o segurador não é obrigado a indenizar sinistro ocorrido por culpa exclusiva do segurado.
“A jurisprudência enquadra a entrega do carro a não habilitado como culpa grave. Portanto, a seguradora pode recusar o pagamento da indenização com fundamento contratual e legal”, explica o advogado.
Em relação aos danos causados a terceiros, Poliszezuk diz que a cobertura é duvidosa neste caso e depende inteiramente da redação específica da apólice. A maioria das coberturas de responsabilidade civil, segundo o advogado, também condiciona o pagamento à presença de condutor habilitado.
“Contudo, há precedentes judiciais que protegem o terceiro lesado, independentemente da culpa do segurado, especialmente quando a apólice não excluiu expressamente essa hipótese”, analisa o especialista.
A seguradora pode inicialmente negar e caberá ao Judiciário decidir, explica. Isso gera risco de demora, litígio adicional e custas processuais para o proprietário, mesmo que ao final a cobertura seja reconhecida, prevê o advogado.
Algumas apólices de seguro preveem cobertura de gastos médicos e processuais em caso de acidente. De acordo com Poliszezuk, essa cobertura tende a ser independente da habilitação do condutor, pois cobre os custos decorrentes do sinistro, e não a culpa do segurado.
“Despesas médicas hospitalares e cobertura de defesa jurídica, quando contratadas, geralmente não contêm exclusão específica para condutor não habilitado”, diz o advogado.
O especialista alerta que isso ainda é sujeito a questionamento. A seguradora pode justificar que o sinistro decorreu de violação contratual. “Mas esse argumento [da seguradora] é mais frágil nessa modalidade de cobertura”, diz.
De acordo com Poliszezuk, o proprietário deve adotar uma sequência de medidas preventivas antes de ceder o carro particular para aulas e prova de pessoa não habilitada:
Notificar a seguradora por escrito (e-mail ou carta protocolada) informando a data, o local e o nome da pessoa que realizará o teste, solicitando confirmação expressa da cobertura;
Exigir resposta formal no prazo de 15 dias úteis (com base na Resolução SUSEP nº 4/2018);
Se a seguradora não responder, há presunção de aceitação tácita do risco;
Se a resposta for negativa ou evasiva, solicitar um termo aditivo que inclua cobertura específica para essa hipótese, mediante pagamento de prêmio adicional;
Manter toda a documentação do teste (comprovante de agendamento, nome do examinador, horário) para demonstrar que o uso foi autorizado e supervisionado pelo Detran.
Bruno Boris, sócio fundador do Bruno Boris Advogados, tem uma análise diferente. Segundo o advogado, tudo dependerá das exclusões que o contrato prevê. É preciso analisar se emprestar um veículo a terceiro seria um real aumento de risco.
“O particular que está realizando prova não está na ilegalidade, ou seja, possui uma autorização específica para dirigir na prova prática acompanhado de um fiscal e não simplesmente dirigindo sem CNH”, argumenta Boris.
O advogado completa que o mercado pode incluir tais previsões de exclusão no contrato do seguro de forma expressa. Pois, mesmo que exista um fiscal ou instrutor, fica evidente que há um aumento de risco.
Exame de direção, em Manaus
Isaque Ramos/Detran-AM
A advogada Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, diz que juridicamente não existe resposta automática para exclusão de cobertura só porque o candidato não possui CNH.
“A pessoa que realiza exame prático do Detran está inserida em procedimento oficial autorizado pelo poder público, o que diferencia essa situação da condução irregular comum de veículo por pessoa não habilitada”, analisa Daniela.
A advogada diz que várias seguradoras têm cláusulas que restringem a condução do carro por pessoa sem CNH e até de condutor que não está previsto na contratação do seguro.
“Contudo, o entendimento jurídico predominante no país é de que a ausência de habilitação, isoladamente, não basta para afastar o dever de indenizar”, explica Daniela.
Normalmente se exige, segundo a advogada, a demonstração de aumento de risco intencional ou um nexo entre a falta de CNH e o acidente.
Daniela diz que a cobertura de danos contra terceiros tem interpretação ainda mais protetiva do judiciário, pois envolve vítimas que estão fora da relação de contrato.
“Mesmo quando existe discussão sobre eventual exclusão da cobertura do próprio veículo segurado, é relativamente comum que terceiros prejudicados sejam protegidos judicialmente”, diz a advogada.
A recomendação de Daniela também é de consultar previamente a seguradora e solicitar resposta formal, preferencialmente por escrito, sobre a manutenção da cobertura nestes casos.
Também é importante, diz a especialista, analisar cuidadosamente as cláusulas relacionadas à condução por terceiros, ausência de habilitação e agravamento do risco.
“O fato de diversas seguradoras evitarem responder publicamente ao tema demonstra justamente que existe uma zona cinzenta regulatória e contratual ainda não consolidada”, diz a advogada.
INSS inicia pagamento de benefícios de maio nesta segunda; veja calendário

Simulador do INSS mostra valores e tempo de contribuição pelas novas regras de aposentados
Os aposentados, pensionistas e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começam a receber os pagamentos referentes ao mês de maio a partir desta segunda-feira (25).
O calendário é organizado de acordo com o número final do cartão do benefício, sem considerar o dígito verificador (número após o traço).
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Os depósitos começam para quem recebe até um salário mínimo. Em seguida, passam a ser feitos os pagamentos para quem ganha acima do piso nacional.
Veja as datas de pagamento para quem ganha até um salário mínimo:
Final 1: 25/5
Final 2: 26/5
Final 3: 27/5
Final 4: 28/5
Final 5: 29/5
Final 6: 1º/6
Final 7: 2/6
Final 8: 3/6
Final 9: 6/6
Final 0: 8/6
Quem recebe acima de um salário mínimo
Finais 1 e 6: 1º/6
Finais 2 e 7: 2/6
Finais 3 e 8: 3/6
Finais 4 e 9: 5/6
Finais 5 e 0: 8/6
Como conferir o dígito verificador
O calendário leva em conta o número final do cartão de benefício, sem considerar o último dígito verificador, que aparece depois do traço.
Para quem ganha até o mínimo, o calendário começa com benefício com final 1.
Para os que recebem acima desse valor, o calendário inicia com os cartões de final 1 e 6. No dia seguinte, são pagos os finais 2 e 7, e assim por diante.
LEIA TAMBÉM: Aposentadoria 2026: entenda as regras de transição que valem a partir deste ano
Como consultar o benefício
Aposentados e pensionistas do INSS podem consultar o valor a receber do seu benefício pelo aplicativo "Meu INSS" ou no site meu.inss.gov.br.
Também é possível obter informações pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Para acessar, é necessário informar CPF e senha cadastrados no portal Gov.br.
Arquivo Pessoal
Corpus Christi é feriado? Veja em quais capitais haverá folga

Corpus Christi é feriado? Veja em quais capitais haverá folga
O mês de junho mal começou e muitos trabalhadores já estão de olho no próximo feriadão: o Corpus Christi, celebrado em 4 de junho, que pode render um descanso prolongado de até quatro dias.
A data cai em uma quinta-feira e é considerada ponto facultativo nacional. Ou seja: estados e municípios podem decretá-la como feriado religioso, desde que haja regulamentação local — o que pode permitir a emenda e prolongar o descanso para quem folga na sexta-feira ou no fim de semana.
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Ao todo, ainda restam seis feriados nacionais em 2026 — e cinco deles podem ser emendados, prolongando os dias de descanso.
Nas cidades onde Corpus Christi é feriado, a regra geral é a dispensa do trabalho. Caso o funcionário seja escalado, tem direito a receber em dobro ou a uma folga compensatória.
Das 27 capitais brasileiras, 20 decretaram Corpus Christi como feriado, quatro adotaram ponto facultativo e três ainda não publicaram decretos sobre o assunto. (veja a lista abaixo)
Consideram feriado
Aracaju (SE)
Belo Horizonte (MG)
Boa Vista (RR)
Brasília (DF)
Campo Grande (MS)
Cuiabá (MT)
Curitiba (PR)
Florianópolis (SC)
Fortaleza (CE)
Goiânia (GO)
Macapá (AP)
Maceió (AL)
Manaus (AM)
Natal (RN)
Rio de Janeiro (RJ)
Salvador (BA)
São Luís (MA)
São Paulo (SP)
Teresina (PI)
Vitória (ES)
Consideram ponto facultativo
Belém (PA)
Porto Velho (RO)
Porto Alegre (RS)
Rio Branco (AC)
Sem decreto
João Pessoa (PB)
Recife (PE)
Palmas (TO)
Cesário Lange bagaço de cana para confeccionar tapetes de Corpus Christi
Arquivo Pessoal/Deivisom Souza
O que é ponto facultativo?
Em dias de ponto facultativo, os servidores públicos são dispensados do trabalho sem prejuízo na remuneração. Essa medida costuma ser adotada em dias úteis que ficam entre feriados e fins de semana.
No setor privado, como a data é considerada ponto facultativo e não feriado, as empresas não são obrigadas a dispensar seus funcionários.
Quais são os próximos feriados de 2026?
Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano.
Depois de Corpus Christi, que é ponto facultativo nacional, os próximos feriados são 7 de setembro (Independência do Brasil) e 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida).
Ambos caem em uma segunda-feira e podem render um descanso prolongado para quem folga aos fins de semana.
Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem:
7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira)
12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira)
2 de novembro, Finados (segunda-feira)
15 de novembro, Proclamação da República (domingo)
20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira)
25 de dezembro, Natal (sexta-feira)
Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos:
4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira)
5 de junho (sexta-feira)
28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira)
24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira)
31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira)
O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira:
Calendário 2026
g1
* Com colaboração de g1 Acre, g1 Alagoas, g1 Amapá, g1 Amazonas, g1 Bahia, g1 Ceará, g1 Distrito Federal, g1 Espírito Santo, g1 Goiás, g1 Maranhão, g1 Mato Grosso, g1 Mato Grosso do Sul, g1 Minas Gerais, g1 Pará, g1 Paraíba, g1 Paraná, g1 Pernambuco, g1 Piauí, g1 Rio de Janeiro, g1 Rio Grande do Norte, g1 Rio Grande do Sul, g1 Rondônia, g1 Roraima, g1 Santa Catarina, g1 São Paulo, g1 Sergipe e g1 Tocantins.
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Huawei propõe novo caminho para desenvolver chips em meio a sanções dos EUA

Estande da Huawei da World Artificial Intelligence Conference em Xangai, China, em julho de 2025
REUTERS/Go Nakamura
A companhia chinesa Huawei afirmou neste domingo (24, já segunda-feira, 25, em Xangai) que espera projetar chips de ponta até 2031 com densidade de transistores equivalente a processos de 1,4 nanômetro, apesar das sanções dos Estados Unidos. As sanções dificultam que a China obtenha os equipamentos necessários para fabricar esses chips.
A projeção foi feita em apresentação da Huawei sobre o que ela chama de "Lei de Escalonamento Tau" (Tau Scaling Law), um princípio para aprimorar chips em um momento em que a indústria já não pode depender da redução do tamanho dos transistores.
He Tingbo, presidente da divisão de semicondutores da Huawei e diretora do comitê científico da empresa, apresentou o conceito em um discurso intitulado “Novo Caminho dos Semicondutores na Prática”, durante o Simpósio Internacional IEEE sobre Circuitos e Sistemas (ISCAS) de 2026, em Xangai.
Embora a empresa não tenha apresentado dados independentes de desempenho, a meta é significativa porque o processo de 1,4 nm deve estar próximo da fronteira global da fabricação avançada de chips no fim desta década.
Lei de Escalonamento
A Lei de Escalonamento Tau concentra-se em reduzir o tempo necessário para que sinais e dados se movimentem por chips e sistemas computacionais, afirmou a Huawei. Se tiver sucesso, ela poderá oferecer à empresa uma forma de melhorar desempenho e densidade dos chips apesar das restrições ao acesso da China aos equipamentos semicondutores mais avançados.
A Huawei afirmou que seus chips Kirin programados para serem lançados no segundo semestre de 2026 serão os primeiros a utilizar uma arquitetura relacionada chamada LogicFolding, que, segundo a empresa, reduzirá o comprimento das conexões internas dos chips e melhorará consideravelmente o desempenho.
A empresa informou que projetou e produziu em massa 381 chips nos últimos seis anos com base na Lei de Escalonamento Tau, para uso em setores como smartphones e computação de inteligência artificial.
Sanções dos EUA
A Huawei está sujeita a sanções dos Estados Unidos desde 2019. Na época, o governo americano disse haver risco de que a empresa atuasse em espionagem virtual para favorecer o governo chinês. No mesmo ano, o Google suspendeu seus principais acordos com a Huawei.
Washington restringiu o acesso da Huawei a ferramentas avançadas de litografia e a outras tecnologias-chave de semicondutores.
A companhia acabou desenvolvendo tecnologia própria para contornar sanções - a exemplo de um sistema operacional para celulares da marca.
Agora no g1
Resultados financeiros
De acordo com a última divulgação de resultados da empresa, a Huawei Technologies cresceu 2,2% em receita em 2025. O avanço foi impulsionado principalmente pelas áreas de infraestrutura de rede e de dispositivos de consumo, enquanto o negócio de computação em nuvem teve queda no faturamento.
A empresa, que tem sede em Shenzhen, alcançou receita de US$ 127,5 bilhões em 2025. O resultado mostra uma desaceleração significativa frente ao crescimento de 22,4% registrado em 2024.
O desempenho de 2025 representa a segunda maior receita anual da Huawei, abaixo apenas do recorde de US$ 128,9 bilhões obtido em 2020. O lucro líquido cresceu 8,6%, chegando a US$ 9,8 bilhões.
Diretor de banco pede desculpas após chamar funcionários de 'capital humano de menor valor'

Diretor-executivo do banco Standard Chartered, Bill Winters
Paul Yeung/Bloomberg via Getty Images
O diretor-executivo do banco Standard Chartered pediu desculpas após descrever funcionários cujos postos de trabalho poderiam ser substituídos por inteligência artificial como "capital humano de menor valor".
Durante uma conferência recente, ao falar sobre como a automação provavelmente provocará milhares de demissões no banco, Bill Winters afirmou que não se tratava de reduzir custos, mas de "substituir, em alguns casos, capital humano de menor valor por capital financeiro e capital de investimento que estamos aportando".
Posteriormente, ele tentou contextualizar os comentários em uma publicação no LinkedIn e lamentou suas palavras por terem "incomodado alguns colegas".
Ele acrescentou que está comprometido em ajudar os funcionários a "lidar com o ritmo acelerado das mudanças".
Agora no g1
O avanço das ferramentas de inteligência artificial (IA) tem alimentado previsões de grandes perdas de empregos, especialmente entre trabalhadores do setor de tecnologia e recém-formados.
Amazon, Meta e Microsoft, assim como diversas empresas de serviços financeiros, já atribuíram à IA dezenas de milhares de demissões ao longo do último ano.
O Standard Chartered é um banco global com sede no Reino Unido e emprega, segundo estimativas, cerca de 82 mil pessoas, a maioria em funções de back-office (operações internas).
Na primeira publicação, Winters afirmou que queria esclarecer o que disse — e os motivos das expressões utilizadas — durante a conferência com investidores.
Ele explicou que o banco havia compartilhado sua previsão de que os cargos de back-office seriam reduzidos em cerca de 15% ao longo dos próximos quatro anos — o equivalente a aproximadamente 7,8 mil empregos.
'Na mais alta estima'
Durante anos, o banco ajudou funcionários "cujos cargos poderiam ser deslocados pela automação a desenvolver as habilidades necessárias para acessar novas oportunidades dentro da nossa organização", afirmou Winters.
"Foi nesse contexto que mencionei que funções de menor valor são mais vulneráveis à automação e que temos a responsabilidade de ajudar nossos colegas a fazer a transição para funções de maior valor", escreveu.
"É isso que um empregador responsável deve fazer, e tenho orgulho de dizer que nosso histórico no apoio a transições internas é sólido."
Em uma publicação posterior, ele afirmou que, embora tenha recebido "muito apoio" em resposta à primeira mensagem, as pessoas ainda tinham dúvidas; por isso, decidiu compartilhar uma transcrição de seus comentários originais, para que pudessem entender melhor "o ponto importante que eu estava tentando fazer".
Segundo ele, o texto completo de suas declarações demonstrava que ele tem todos os colegas "na mais alta estima" e que a instituição está "totalmente comprometida em ajudá-los a se adaptar ao ritmo acelerado das mudanças pelas quais nossa indústria está passando".
Na seção de comentários da segunda publicação, uma pessoa disse ter dificuldade em perceber a diferença entre o que foi dito na conferência e as declarações escritas.
"Ou foi uma escolha de palavras infeliz, ou se tratava de uma convicção genuína expressa exatamente da forma como pretendia", escreveu.
Outro usuário comentou: "Ele será lembrado para sempre como o cara que acha que seus funcionários são de 'menor valor'".
Em um memorando interno enviado no início desta semana — e ao qual a BBC teve acesso —, Winters afirmou aos funcionários que entendia que a recente cobertura da imprensa pudesse ser "perturbadora quando reduzida a manchetes simples ou a uma frase tirada de contexto".
Após agradecer aos colegas, acrescentou que o banco dará prioridade à realocação "sempre que possível" e que, nos casos em que houver mudanças, "vamos administrá-las com reflexão e cuidado".
Mega-Sena 30 anos: duas apostas dividem o prêmio de mais de R$ 336 milhões

Mega-Sena, concurso 3.010: confira os números sorteados
O sorteio do concurso 3.010 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (24), em São Paulo. O concurso era especial de 30 anos da loteria e não acumulava. O prêmio foi de R$ 336.340.053,67.
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Veja os números sorteados: 03 - 30 - 33 - 35 - 45 - 47.
Uma aposta simples no Rio de Janeiro e um bolão de 20 números em Fortaleza levaram o prêmio principal da Mega-Sena de 30 anos. Veja abaixo a divisão.
6 acertos - 2 apostas ganhadoras, R$ 168.170.026,83.
5 acertos - 590 apostas ganhadoras, R$ 13.890,02.
4 acertos - 37.565 apostas ganhadoras, R$ 311,65.
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Resultado do concurso 3010 da Mega-Sena
Reprodução
O próximo concurso da Mega será realizado às 21h do dia 26 de maio. As apostas podem ser feitas até as 20h do dia 26 de maio pelo aplicativo Loterias Caixa, pelo portal Loterias Caixa ou em qualquer lotérica do país.
O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
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O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas, mas acendem alerta sobre exposição indevida nas redes

Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas nas redes com exposição de terceiros
A popularização dos óculos inteligentes tem impulsionado um novo tipo de conteúdo nas redes sociais: pegadinhas gravadas secretamente com pessoas desconhecidas. Os vídeos, porém, levantam preocupações sobre privacidade e exposição de pessoas sem consentimento.
Os óculos inteligentes são modelos com lentes de grau ou de sol que trazem câmeras, microfones e alto-falantes embutidos. Eles permitem gravar vídeos, tirar fotos e atender ligações sem precisar tirar o celular do bolso. Alguns incluem IA para traduzir textos em tempo real, responder dúvidas sobre o que o usuário está vendo e publicar conteúdo diretamente nas redes sociais.
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Dispositivos como o Ray-Ban Meta, lançado no Brasil em setembro de 2025, têm uma luz que indica quando estão gravando. Mas alguns usuários danificam esse LED para que as pessoas não percebam que estão sendo filmadas.
Esse tipo de vídeo tem se tornado cada vez mais viral no Brasil e em outros países em plataformas como TikTok e Instagram. Alguns acumulam milhões de visualizações.
Pegadinha do supermercado usando óculos inteligentes.
Reprodução/TikTok
Há diferentes estilos de pegadinhas com óculos inteligentes nas redes sociais. Em uma das mais populares, a pessoa esconde um cartão de crédito ou débito com pagamento por aproximação dentro da embalagem de algum produto.
Ao passar no caixa do supermercado, ela aproxima o produto da maquininha e o pagamento é aprovado. Usando os óculos com câmera, o autor grava a reação de surpresa do funcionário ao ver a compra ser paga sem um cartão visível.
Em parte dos vídeos vistos pelo g1, o criador revela no fim que se trata de uma brincadeira e pede autorização para publicar nas redes. Em outros casos, não fica claro se houve consentimento das pessoas filmadas antes da postagem.
Pode isso?
A advogada Patrícia Peck explica que ser filmado em público sem autorização não implica automaticamente crime ou indenização. Ainda assim, o risco legal aumenta quando não há aviso claro ou consentimento. (saiba mais abaixo)
"Por isso, mesmo que a gravação busque uma reação espontânea, é necessário obter consentimento específico antes da publicação", diz.
Em nota, a Meta reforçou que há um alerta luminoso que indica quando os dispositivos estão gravando e que os usuários são "responsáveis por cumprir todas as leis aplicáveis e por usar os óculos de forma segura e respeitosa". A empresa não comentou os casos em que o LED do produto é danificado. (leia a íntegra ao final da reportagem)
A empresa afirma que os óculos não capturam imagens quando o LED está "tapado". Mas o g1 testou o dispositivo e, ao cobrir o LED com o dedo, os óculos continuaram gravando após um comando de voz. A mensagem para liberar o sensor só apareceu ao pressionar o dedo com mais força e direcionar os óculos para um ambiente mais escuro. (veja abaixo)
Já o TikTok afirmou que analisou alguns dos vídeos compartilhados pelo g1 e que "todos foram removidos por violarem as Políticas de Privacidade da plataforma".
Contas no Instagram e no TikTok fazem pegadinhas com anônimos usando óculos inteligentes.
Reprodução/TikTok
Em janeiro, o portal de tecnologia Mashable denunciou casos nos Estados Unidos de criadores de conteúdo usando esses dispositivos para assediar mulheres e tirar sarro de pessoas em situação de rua e trabalhadores — como no caso do supermercado.
Para especialistas, as discussões e regras sobre o uso de óculos inteligentes ainda estão em desenvolvimento. Mesmo assim, algumas empresas já começaram a rever a presença desses dispositivos em seus espaços.
Em 2025, a MSC Cruzeiros, por exemplo, passou a proibir o uso do equipamento em áreas comuns dos navios, como piscinas. O embarque, porém, continua permitido. Segundo a empresa, a medida busca "proteger a privacidade e a segurança de hóspedes e tripulantes".
"Eu não posso ter um passageiro no navio capturando imagem de terceiros e postando direto na internet. Considerando tanto regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como da Constituição Federal, você teria que fazer o aviso prévio da captura em si de imagens e deixar claro a finalidade", contou ao g1 Patrícia Peck, advogada especialista em direito digital, em 2025.
Tática para inibir sinal de filmagem
Óculos da Meta têm LED para indicar quando estão gravando ou tirando foto.
Darlan Helder/g1
Entre as formas de burlar o aviso de gravação, existem adaptadores à venda que cobrem a luz indicativa e até técnicas na internet que ensinam como desativar esse alerta de privacidade, conta Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio).
Isso ganha relevância porque o uso desses dispositivos é mais discreto do que o de um celular. No smartphone, é preciso tirar o aparelho do bolso e apontá-lo para alguém. Já com os óculos, esse gesto praticamente desaparece, analisa Lemos.
"Se o aparelho vem de fábrica com uma salvaguarda que avisa sobre a gravação, quem hackeia o aparelho para desabilitar esse aviso já adota uma conduta fraudulenta para ocultar a gravação. Isso traz uma responsabilidade jurídica adicional", completa o especialista.
O g1 entrou em contato com quatro pessoas que produzem pegadinhas com óculos inteligentes.
Duas delas aceitaram dar detalhes sobre a produção dos vídeos: Juan Eugenio, que tem 67 mil seguidores no TikTok, e Rafael Rabyot, que soma pouco mais de 100 mil seguidores na plataforma.
Os dois confirmaram que é possível burlar o sensor dos óculos Ray-Ban Meta. Rafael Rabyot disse que preferiu não arriscar danificar o equipamento e que tenta disfarçar a gravação usando "um gorro, boné ou algo do tipo".
Já Juan Eugenio afirmou que danificou o LED dos próprios óculos. Segundo ele, foi usada uma ferramenta comum em consultórios odontológicos. Sem a luz indicativa de gravação, ele admitiu que registra as pegadinhas sem que a "vítima" perceba.
Juan e Rafael afirmam pedir autorização antes de publicar os vídeos, mas nem todos os conteúdos mostram esse momento.
Juan relatou, inclusive, um caso em que uma pessoa voltou atrás e pediu a exclusão do conteúdo depois de vê-lo nas redes sociais.
Embora o produto da Meta seja o mais comum no Brasil, com preços a partir de R$ 3.299, outros modelos de marcas desconhecidas também são encontrados na internet por valores mais baixos e com funções semelhantes.
Não há informações claras sobre se esses dispositivos oferecem recursos de privacidade semelhantes aos da Meta.
Óculos inteligentes de marcas desconhecidas são vendidos em site de varejo no Brasil.
Reprodução
Quais são os direitos de quem é filmado sem autorização
Quem é alvo de pegadinhas sem consentimento está amparado por diferentes mecanismos legais, segundo especialistas consultados pelo g1.
➡️ Caso não haja autorização, o primeiro passo é reunir provas do ocorrido. Isso inclui registrar o vídeo (com prints ou até por meio de uma ata notarial online), guardar o link do conteúdo publicado, identificar a conta responsável e salvar eventuais comentários, orienta o advogado Ronaldo Lemos.
"O TikTok e o Instagram têm canais de denúncia para casos de violação de privacidade e de direitos de imagem. Outro caminho é enviar uma notificação extrajudicial e, se necessário, recorrer à Justiça com um pedido de indenização por danos morais e materiais, além da remoção do conteúdo", diz.
Lemos afirma que, dependendo da situação, também é possível registrar um boletim de ocorrência, principalmente quando há exposição difamatória, assédio, bullying, stalking ou outras condutas que possam configurar crime.
Segundo ele, o tema tem respaldo na Constituição, que garante a proteção à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem (art. 5º, X). O Código Civil também prevê indenização em casos de violação desses direitos (arts. 20 e 21).
Já a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) considera a imagem um dado pessoal e exige base legal para seu uso.
O Superior Tribunal de Justiça tem a Súmula 403, que estabelece que o uso não autorizado de imagem para fins comerciais gera dano moral presumido, independentemente de prova de prejuízo. A publicação de vídeos virais, como reels que geram engajamento e podem ser monetizados, pode se enquadrar nessa hipótese.
Empresas têm responsabilidade?
CEO da Meta, Mark Zuckerberg, usa óculos Meta Ray-Ban Display durante apresentação da nova linha de óculos inteligentes no evento Meta Connect, em Menlo Park, Califórnia (EUA), em 17 de setembro de 2025.
REUTERS/Carlos Barria
Fabricantes costumam alegar que não respondem pelo uso indevido do equipamento, assim como uma empresa de câmeras não é responsabilizada por gravações feitas de forma ilícita, afirma Ronaldo Lemos.
"Esse argumento, no entanto, está sendo testado em ações judiciais em curso nos Estados Unidos, que vale acompanhar", diz.
Via de regra, a responsabilidade pela conduta recai sobre o usuário que grava e divulga imagens de terceiros sem consentimento, com fundamento na teoria do risco ou na culpa, a depender da relação jurídica estabelecida, afirma Patrícia Peck.
"Entretanto, sob a ótica do Direito do Consumidor, pode haver responsabilidade do fabricante se não houver mecanismos adequados de segurança para o uso do dispositivo", diz a especialista, destacando que, no caso da Meta, já existe uma medida de privacidade, como o LED nos óculos.
No Brasil, um projeto de lei (PL 19/2026), do deputado Carlos Zarattini (PT), propõe regulamentar o uso, a comercialização e a operação de óculos inteligentes, além de criar o crime de uso para vigilância ilícita.
O que diz a Meta
"Ao contrário dos smartphones, nossos óculos têm uma luz LED que é acionada sempre que alguém captura conteúdo, deixando claro que o dispositivo está gravando. Nossos Termos de Serviço deixam claro que os usuários são responsáveis por cumprir todas as leis aplicáveis e por usar os óculos Ray-Ban Meta de maneira segura e respeitosa. E, como acontece com qualquer dispositivo de gravação, as pessoas não devem usá-los para se envolver em atividades nocivas, como assédio, violação de direitos de privacidade ou captura de informações sensíveis".
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Preços do café tradicional e gourmet caem, mas descafeinado e especial sobem mais de 15% em abril

Imagem ilustrativa de xícara com café e grãos de café.
Reprodução
Os preços de quase todos os tipos de café, como o tradicional e o gourmet, caíram em abril na comparação com o mesmo mês de 2025, com a expectativa de crescimento da colheita. O descafeinado e o especial foram exceções e subiram mais de 15%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
O preço médio do quilo do café tradicional e extraforte, por exemplo, caiu 15,5% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado, para R$ 55,34. O café superior recuou 12,6%, para R$ 70,37, enquanto o gourmet teve queda de 3,7%, para R$ 106,66.
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O café em cápsula também ficou mais barato: o preço médio do quilo caiu 9,4%, para R$ 364,16. Já o drip coffee registrou queda de 5,2%, com preço médio de R$ 238,38.
Preço médio do quilo do café em abril de 2025 e abril de 2026.
Arte/g1
Entenda a diferença entre café extraforte, tradicional, gourmet e especial
Na contramão, o descafeinado ficou 21% mais caro em relação a abril do ano passado, com o preço médio chegando a R$ 114,93. Já o especial, segmento mais premium do mercado, teve alta de 16,8%, para R$ 161,26.
O café solúvel ficou praticamente estável no período, com leve alta de 0,5%, para R$ 224,99.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
☕ Por que descafeinado e especial ficaram mais caros?
Celírio Inácio da Silva, diretor-executivo da Abic, explica que o café descafeinado tem ficado mais caro porque grande parte das empresas brasileiras ainda não realiza o processo de descafeinação no país.
Segundo ele, esse processo, considerado bastante complexo, costuma ser feito na Suíça, e os custos de envio e processamento ainda não diminuíram.
“O café é enviado ao exterior para passar pelo processo de descafeinação e depois retorna ao Brasil”, detalha.
Segundo ele, o Brasil ainda tem poucas indústrias capazes de fazer a descafeinação de café em larga escala. Entre elas estão a Cocam, a Eisa e, mais recentemente, a DM Descafeinadores do Brasil, considerada hoje a maior do país.
Outro motivo para o encarecimento é o fato de o descafeinado ter um público mais restrito. Os cafés em cápsula, por exemplo, também são em grande parte importados, mas ficaram mais baratos após ganharem espaço no mercado brasileiro.
Os cafés especiais também são um caso à parte. Silva explica que o aumento de preço desse produto está relacionado aos custos de produção, ao consumo restrito e à baixa distribuição pelo Brasil.
"Para obter um café com a pontuação necessária para ser classificado como 'especial', o produtor precisa gastar muito mais do que gastaria com o café comum. Essa diferença de custo no campo se reflete diretamente no preço final", diz Silva.
O g1 já mostrou o passo a passo de como é feito um café especial. Reveja no vídeo abaixo.
De onde vem o que eu bebo: o café especial que faz o Brasil ser premiado no exterior
Além disso, ao contrário dos cafés tradicionais, o café especial não é produzido em larga escala. Como o volume é menor, os custos de produção e manutenção não são diluídos da mesma forma que acontece nas grandes lavouras.
Silva destaca ainda que o café especial representa apenas 1% do consumo total de café no Brasil.
"Por ser um mercado muito restrito e com uma diferença de preço considerável em relação ao café do dia a dia, ele ainda não atingiu um patamar de distribuição que permita a redução dos preços", diz o diretor da Abic.
Segundo ele, a entidade tem trabalhado junto à Associação Brasileira de Supermercados (Abras) para ampliar a distribuição desses cafés pelo país.
Maioria dos cafés estão mais baratos
Apesar das particularidades do descafeinado e do especial, o café do dia a dia tem ficado um pouco mais barato após anos de alta nos preços.
A disparada dos preços foi resultado de problemas climáticos que afetaram as lavouras entre 2021 e 2024, como secas, calor intenso e geadas, que reduziram a produção.
"Em 2024, o preço da matéria-prima (grão de café) teve um aumento severo, ultrapassando 120%. Isso resultou em um repasse direto de mais de 73% para as prateleiras em 2025, o que assustou o consumidor", lembra Silva.
De janeiro a abril de 2025, por exemplo, o consumo de café caiu 5% em relação ao mesmo período de 2024. Já nos quatro primeiros meses deste ano, a tendência começou a se inverter, com alta de 2,44% no consumo, segundo a Abic.
"A recuperação começou a se desenhar em setembro de 2025, quando a florada indicou uma boa produção para a safra seguinte", diz Silva.
"Até o momento, a produção de 2026 segue dentro do esperado, sem notícias de problemas climáticos graves. Se o clima permanecer favorável, a tendência é de maior crescimento no consumo e de manutenção da queda gradual dos preços ao longo do ano", diz.
Apesar disso, o diretor da Abic avalia que dificilmente os preços do café voltarão aos patamares de 2020, antes da disparada dos preços.
"Após quatro anos de dificuldades na produção, os estoques mundiais estão muito baixos e a disputa pelo produto aumentou devido ao crescimento do consumo global", diz.
"Para que os preços caiam drasticamente, seriam necessárias duas ou três safras muito boas consecutivas para reequilibrar os estoques", conclui.
Baixe o GloboPop para assistir vídeos curtos verticais da Globo
Em 12 meses, preço do café moído registra alta de 0,54% ao consumidor. Inflação desacelerou, mas preços continuam altos nas prateleiras.
Divulgação
‘Personal organizer’: como o serviço de organização exclusiva virou negócio que rende até R$ 20 mil por mês

'Personal organizer': como o serviço de organização virou negócio que rende até R$ 20 mil
Imagine ter um guarda-roupa organizado por cores, tipos de peças, alturas e estações, ou uma cozinha em que cada item está exatamente onde faz sentido para o uso diário. Essa rotina, antes associada quase exclusivamente às celebridades, tornou-se cada vez mais comum graças ao trabalho das personal organizers — ou organizadoras pessoais, em português.
Essas profissionais organizam ambientes de forma funcional, com foco na otimização de espaço, praticidade na rotina e bem-estar do cliente. O serviço é personalizado, varia conforme o perfil do cliente e, em alguns casos, pode render até R$ 20 mil por mês, embora os ganhos dependam da experiência da profissional, da região e do tipo de projeto realizado.
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Segundo Ana Alarcon, presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (ANPOP), a atuação vai muito além da estética. “O trabalho começa entendendo a rotina e as necessidades de cada cliente. Não existe organização padrão, porque cada casa e cada pessoa funcionam de um jeito”, afirma.
De acordo com o Sebrae, a maior parte das personal organizers atua em residências, organizando desde um único cômodo até imóveis inteiros. O mercado, no entanto, também alcança nichos específicos, como organização de closets, assessoria de mudanças e até ambientes corporativos, incluindo escritórios, consultórios e lojas.
A profissão começou a se estruturar na década de 1980, nos Estados Unidos. Embora não haja registros históricos precisos sobre esse início, a atividade foi ganhando espaço em outros países ao longo dos anos. No Brasil, o movimento começou por volta dos anos 2000 e passou a se consolidar há cerca de 15 anos, ainda de forma pouco conhecida no início.
O boom mais recente ocorreu durante a pandemia, quando a casa passou a concentrar trabalho, escola e convivência. A sobrecarga dos ambientes escancarou a desorganização de muitas rotinas domésticas. Ao mesmo tempo, vídeos de “antes e depois” no Instagram e no TikTok impulsionaram o interesse pelo serviço e ajudaram muitos profissionais a iniciar carreira durante o isolamento.
Hoje, a demanda vem principalmente de famílias com jornadas intensas, trabalhadores em home office, pessoas em processo de mudança, clientes que acumulam objetos ou que simplesmente não conseguem manter uma rotina funcional sozinhas.
Em momentos mais delicados, o serviço também é procurado em situações de divórcio ou luto, quando a reorganização da casa acompanha a reorganização da vida. Para se profissionalizar na área, não há exigência de formação superior específica.
O g1 ouviu especialistas do setor, profissionais de referência e representantes de instituições para explicar o universo das personal organizers a partir de seis pontos:
Do CLT para o negócio próprio
Profissão não regulamentada
Cursos e formações
Quem são os clientes?
Quanto custa contratar um personal organizer?
Dicas para quem quer começar
‘Personal Chefs’: profissionais faturam até R$ 50 mil por mês com menus exclusivos e marmitinhas
Do CLT para o negócio próprio 👩🏽💻
O caminho para o empreendedorismo costuma se repetir: mulheres sobrecarregadas pela rotina corporativa, apaixonadas por organização e que encontram na profissão uma forma de empreender — muitas vezes faturando mais do que no trabalho com carteira assinada.
É o caso de Cora Fernandes, de 38 anos, personal organizer desde o fim de 2016. Antes da mudança de carreira, ela trabalhou por anos em uma concessionária, onde começou como auxiliar financeira e chegou ao cargo de coordenadora de atendimento ao cliente.
Apesar da estabilidade no trabalho por meio do regime CLT, já não se identificava com a vida corporativa. Mãe de três filhos, Cora sempre teve facilidade para organizar a casa e estruturar rotinas.
A virada aconteceu quando uma colega percebeu esse talento e sugeriu que ela conhecesse o mercado de organização profissional. Curiosa, ela pesquisou a profissão, fez um curso no Senac São Paulo e começou a atender os primeiros clientes.
No início, a empreendedora ingressou na atividade impulsionada por indicações no boca a boca e pelas redes sociais, em um período em que a profissão ainda era pouco conhecida no Brasil.
Cora Fernandes atua como personal organizer há cerca de dez anos.
Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais
Com o tempo, Cora consolidou a marca e passou a atuar exclusivamente como personal organizer. Ao atender celebridades como Fernanda Souza e Sheron Menezzes, ela ganhou visibilidade nas redes e percebeu a necessidade de profissionalizar a comunicação.
Hoje, formada em marketing, alia organização, produção de conteúdo, publicidade, cursos e parcerias com marcas. O faturamento chega na casa do R$ 15 mil no mês, em perídos de alta demanda. O valor pode variar conforme a procura pelos serviços.
“Hoje eu digo que não consigo viver apenas da organização. Passei a trabalhar também com comunicação voltada à organização. Sou personal organizer, mas entendi a necessidade de me formar em marketing, porque além dos atendimentos, eu tenho uma rede com mais de 200 mil seguidores. Falar sobre organização também faz parte do meu trabalho". resume Cora Fernandes.
Trajetória semelhante é a de Josilene Maria Martins, a Josi Martins, que trabalha há 11 anos na área. Atualmente com 37 anos, ela teve o primeiro contato com o universo da organização enquanto atuava no setor de marketing de uma indústria metalúrgica que fabricava organizadores.
No dia a dia, percebeu como os produtos eram adaptados para diferentes usos, o que despertou seu interesse pelo segmento. A princípio, a ideia era entender melhor esse público para contribuir com a empresa.
Eu comecei a perceber um crescimento no número de profissionais usando os produtos da empresa e, muitas vezes, entrava em contato com elas pelas redes sociais. Via, por exemplo, organizadores feitos para xícaras sendo usados para pendurar cintos.
Mas o que começou como pesquisa virou mudança de carreira. Em busca de renda extra, Josi passou a atender clientes à noite e nos fins de semana. Em três meses, já faturava o dobro do salário CLT. A decisão veio naturalmente: pediu demissão e passou a se dedicar integralmente ao novo negócio.
Desde então, investiu em formação e se especializou em nichos como organização pós-mudança e marcenaria, o que abriu portas para trabalhos com arquitetos e projetos de alto padrão.
Hoje, lidera uma equipe, atua em diferentes estados e diversificou a atuação com cursos, mentorias, venda de produtos e produção de conteúdo, alcançando faturamento mensal em torno de R$ 20 mil.
Josi Martins atua como Personal Organizer há 11 anos, além de ter uma loja de organizadores.
Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais
Já Isabela Sekulic, de 29 anos, começou durante a pandemia. Natural de Curitiba (PR), ela atravessava um período de incertezas profissionais e trabalhava como gerente na loja da mãe. “Eu estava cansada, nada me brilhava os olhos”, lembra.
Com o isolamento social, Isabela retomou um hobby de infância: organizar o guarda-roupas. Ao compartilhar a organização da própria casa nas redes sociais, os vídeos começaram a viralizar. Incentivada pela família, decidiu se profissionalizar e começou um curso on-line de personal organizer.
Enquanto aprendia as técnicas e estudava edição de vídeo, o perfil nas redes continuavam crescendo. Ainda durante a formação, surgiu o primeiro trabalho remunerado: uma amiga pediu que ela organizasse seu guarda-roupa. “Foi ali que tudo começou”, conta.
A partir desse momento, Isabela passou a unir o conhecimento teórico à prática diária. As redes sociais seguiram como principal vitrine – e também como acelerador da carreira. O método visual que adotou, inspirado no estilo norte-americano "The Home Edit", com organização por cores, tornou-se sua marca registrada.
Com o aumento da visibilidade, ampliou os atendimentos, formou equipe e passou a atuar em diferentes cidades. A demanda crescente a levou também ao ensino, com a criação de um curso profissionalizante focado no chamado “método arco-íris”, que hoje representa um dos principais pilares financeiros da empreendedora.
Atualmente, ela vive exclusivamente da profissão e fatura, em média, R$ 10 mil por mês apenas com projetos de organização – valor que cresce quando somado à venda de organizadores e ao curso on-line, que reúne alunas de diversas regiões do país.
Multifacetado, o negócio de Isabela envolve organização profissional, produção de conteúdo e ensino. No centro de tudo, porém, permanece a mesma motivação que surgiu ainda na infância: transformar o caos em funcionalidade e beleza por meio da organização.
Isabela Sekulic, de 29 anos, tem como foco o “método arco‑íris” – a organização por cores.
Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais
Profissão não regulamentada⁉️
Na prática, o trabalho do personal organizer começa com a compreensão da rotina e das necessidades de quem utiliza o espaço. A partir disso, são realizadas etapas como triagem, categorização, redefinição de fluxo e implantação de sistemas que permitam manter a organização no longo prazo.
A própria associação do setor define a atividade como a criação de sistemas personalizados a partir da análise da rotina diária do cliente, com o objetivo de promover bem-estar físico e psicológico.
“No nosso trabalho, é essencial respeitar o estilo de vida e a individualidade de cada cliente. Cada casa tem sua história e cada pessoa, necessidades únicas”, resume Ana Alarcon.
No dia a dia, isso se traduz em serviços que vão da organização de um closet ou cozinha até casas inteiras, escritórios e projetos pós-mudança, incluindo o treinamento de famílias e equipes de apoio, como diaristas, empregadas domésticas e babás.
Apesar da expansão do mercado, a profissão ainda não é regulamentada. A ocupação foi incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) em 2022 e, desde 2019, a associação do setor acompanha um pedido para a criação de uma Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) específica.
Cursos e formações 🎓
Especialistas e profissionais ouvidos pelo g1 ressaltam que a formação é uma etapa fundamental para quem deseja ingressar na carreira. Gostar de organizar não é suficiente: é preciso aprender métodos, técnicas e processos para atuar de forma profissional.
Como não há curso técnico ou universitário específico, todas as formações disponíveis no mercado se enquadram como cursos livres, reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), mas sem caráter de graduação.
Essas capacitações são oferecidas por escolas independentes, instituições de ensino e, em muitos casos, por profissionais experientes da área. Algumas faculdades também disponibilizam a formação no formato de cursos de extensão.
Há opções de cursos básicos e especializações em nichos específicos, como organização pós-mudança, closets, cozinhas e ambientes corporativos. Profissionais relatam que o investimento inicial costuma variar entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, valor que pode aumentar ao longo da carreira com congressos, certificações, mentorias e deslocamentos.
Segundo Ana Alarcon, o mercado foi estruturado, em grande parte, por escolas pioneiras que surgiram há mais de uma década e formaram a base dos profissionais que atuam hoje. Após a pandemia, houve uma explosão de novas ofertas, ampliando tanto o acesso a cursos de qualidade quanto a presença de formações superficiais.
Hoje existem cursos completos, com metodologia e professores experientes, que custam entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. Mas também vemos ofertas de R$ 99 ou até R$ 20 que se apresentam como ‘formação de personal organizer’ sem entregar o mínimo necessário.
Diante disso, a associação passou a desenvolver critérios objetivos para orientar quem deseja se qualificar. A recomendação é avaliar quem é o formador, há quanto tempo atua no mercado, quantas turmas já formou e qual a experiência prática oferecida.
A ANPOP prepara para 2026 o lançamento de um selo de recomendação para cursos que atendam a critérios mínimos de qualidade. Ana ressalta ainda que nem todos que buscam uma formação pretendem atuar profissionalmente.
Ana Alarcon atua como personal organizer e é presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (ANPOP).
Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais
Quem são os clientes? 🤔
O serviço de organização profissional deixou de ser restrito à classe alta. Hoje, clientes da classe média também contratam personal organizers por falta de tempo, sobrecarga de trabalho ou picos de desorganização após reformas e mudanças.
Casais jovens, mães com rotinas intensas, aposentadas e homens solteiros estão entre os principais perfis atendidos, além de empresas, clínicas e estoques comerciais. Segundo a associação, a procura vem, em geral, de pessoas que não conseguem, sozinhas, colocar a própria casa em ordem.
“A organização deixou de ser vista como algo exclusivo de celebridades. Hoje existem diferentes formatos de atendimento, como diárias, projetos completos ou consultorias, o que amplia o acesso”, explica Ana Alarcon.
Quanto à sazonalidade, o pico de demanda costuma ocorrer entre novembro e dezembro, quando clientes buscam preparar a casa para festas e férias. Janeiro e fevereiro tendem a ser meses mais fracos, embora profissionais consolidadas mantenham a agenda cheia ao longo do ano.
Quanto custa contratar um personal organizer? 💸
Não existe tabela nacional nem piso salarial. As profissionais podem cobrar por hora, diária, ambiente ou projeto fechado. Os valores dependem do volume de itens, do número de cômodos, da necessidade de assistentes, do deslocamento e da compra de organizadores.
“Já realizei projetos de mudança que duraram 36 horas e outros que se estenderam por dois meses. Os valores podem variar de R$ 800 a R$ 100 mil”, afirma Ana Alarcon. Segundo ela, o preço é definido pela complexidade do projeto, tempo envolvido, tamanho da equipe e nível de dedicação exigido.
Dicas para quem quer começar ✅
Entre os principais desafios da profissão estão a desvalorização do ofício, a resistência dos clientes às mudanças, o esforço físico e as dificuldades logísticas. Outro obstáculo comum no início da carreira é a instabilidade de renda.
“É extremamente raro alguém recém-formado alcançar faturamentos altos logo no primeiro mês”, afirma Ana Alarcon. No começo, os ganhos podem girar em torno de R$ 4 mil mensais, a depender da região e da capacidade de captação de clientes.
Para quem deseja ingressar na área, especialistas recomendam:
➡️ Ir além da técnica: buscar formações que incluam atendimento ao cliente, ética, precificação, marketing e gestão — não apenas organização prática.
➡️ Construir portfólio: começar por ambientes próprios ou de pessoas próximas para gerar antes e depois consistentes e divulgar nas redes sociais.
➡️ Atuar como assistente: trabalhar em equipes mais experientes ajuda a acelerar o aprendizado e garante maior segurança financeira no início.
➡️ Encontrar um nicho: áreas como mudanças, closets, brinquedotecas, cozinhas, marcenaria ou empresas facilitam o fechamento de projetos mais complexos.
➡️ Precificar com método: considerar mão de obra (própria e da equipe), custos fixos e variáveis, materiais, deslocamento e margem de lucro, fechando projetos conforme o domínio do tempo de execução aumenta.
“Quem quer trabalhar como personal organizer precisa entender que é uma atividade de prestação de serviço. É preciso gostar de pessoas, ter neutralidade e respeito ao entrar na casa do cliente”, afirma Ana Alarcon.
A professora Caroline dos Santos Simões, do Senac São Paulo, afirma que apesar dos desafios, o mercado segue em expansão, impulsionado pela busca por bem-estar, produtividade e otimização dos espaços.
"Trata-se de uma profissão com baixo investimento inicial, grande possibilidade de personalização dos serviços e potencial de crescimento, seja por meio da ampliação da atuação presencial, da oferta de consultorias on-line ou do desenvolvimento de produtos e treinamentos", finaliza.
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A paulistana filha de faxineira e pintor de paredes que se tornou artista plástica mundialmente reconhecida: 'Não acredito em fazer dinheiro e sair do país'

Rosana Paulino, a filha de faxineira que se tornou artista plástica mundialmente reconhecida
Raoni Maddalena / BBC News Brasil
No último Dia da Consciência Negra, Rosana Paulino chegou ao Museu de Arte do Rio de Janeiro, o MAR, não apenas como uma artista visual consagrada, mas também como curadora.
Era o lançamento de uma série de minidocumentários sobre 20 artistas brasileiros negros e negras que desenvolvem trabalhos "de excelência", como ela destacou ao lado do diretor Fabiano Maciel.
"Isso não é uma onda passageira. São artistas muito bem formados, com produções muito fortes e bem fundamentadas e que simplesmente não eram conhecidos", ressaltou Paulino perante a plateia. "Estamos dentro de um momento histórico."
Guia do empreendedor: Menos opções, mais lucros
O momento prolífico vem de caminhos abertos pela própria artista. Filha de um pintor de paredes e de uma faxineira, a paulistana é referência na arte brasileira e representa o país na 61ª Bienal Internacional de Veneza, ao lado da carioca Adriana Varejão.
No palco do MAR, estava à vontade no papel de decana da arte afro-brasileira. Voltar holofotes para o trabalho de outros artistas simboliza a generosidade dos seus 30 anos de carreira — e o contraste com o início de sua trajetória.
"Trabalhei praticamente dez anos sozinha quando comecei", conta a artista e educadora de 59 anos à BBC News Brasil, lembrando a ausência de artistas negros na cena contemporânea em meados dos anos 1990.
"Agora, a proliferação de artistas, críticos e curadores [afro-brasileiros] que temos... Esse é um panorama que eu não esperava ver em vida", comemora.
"Falta muito? Falta. Mas é muito encorajador ver tantos nomes."
'Comigo Ninguém Pode', nome da exposição do Pavilhão do Brasil em Veneza, surge da obra à direita, da série Senhora das Plantas, de Paulino. À esquerda, Monocromo Maragogipinho, de Adriana Varejão
Rafa Jacinto/Fundação Bienal de São Paulo
Paulino vem enfileirando feitos nos últimos anos. Teve exposições individuais em cidades como Buenos Aires, Bruxelas e Nova York, onde descortinou um painel de nove metros de altura na High Line.
Teve obras compradas pela Tate Modern, em Londres, e pelo MoMA (o Museu de Arte Moderna de Nova York), além de ter recebido prêmios como o Munch Award (que a destacou como "voz de liderança do feminismo negro" em sua primeiríssima edição, em 2024) e o Jane Lombard de Arte e Justiça Social (em reconhecimento por História Natural, de 2016, livro em que explora as histórias entrelaçadas da ciência e da violência racial).
Em um país com mais de 55% da população negra e parda, fingir que a visualidade brasileira é só aquilo que está nos museus, seguindo os critérios europeus ou o americano, é uma "sandice", diz Paulino.
"Não podemos ter um sistema de artes visuais como tínhamos, ou ainda temos. Isso é uma aberração. O Brasil é um país que não olha para si mesmo, que não se enxerga. A entrada de negros e negras no panorama do país é salutar. Temos uma visualidade muito forte, e boa parte vem das produções negras e indígenas."
A instalação Tecelãs (2003) recebe os visitantes na entrada do Pavilhão do Brasil em Veneza, com pequenas esculturas feitas com faiança, terracota, algodão e fios sintéticos
Rafa Jacinto / Fundação Bienal de São Paulo
Comigo Ninguém Pode
Ao lado de Adriana Varejão, Rosana Paulino comanda o pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza, em uma edição composta apenas de mulheres, sendo duas negras — a curadoria deste ano coube a Diane Lima, a primeira mulher negra alçada a este cargo.
"É uma oportunidade de discutir a formação do país de uma maneira sofisticada, apresentando para o mundo, junto com a Varejão, um Brasil diferente, que muita gente não sabe que existe e que é fortemente marcado pela questão negra e pela relação com a natureza", diz Paulino.
"Colocar essas discussões em um palco privilegiado como Veneza é realmente fantástico."
O título da mostra, "Comigo Ninguém Pode", vem de uma das obras de Paulino, da série Senhora das Plantas, em que retrata mulheres com galhos, folhas e raízes em plena metamorfose com plantas de poder.
Popular e com potencial tóxico, a comigo-ninguém-pode fala de "proteção, resiliência e estratégias de sobrevivência em contextos hostis", descreve Paulino.
Não é a primeira vez de Paulino na Bienal de Veneza. Em 2022, ela foi convidada pela curadoria internacional para a mostra principal.
"É muito simbólico que Rosana esteja no pavilhão brasileiro depois de estar na exposição principal", diz Igor Simões, que foi cocurador de sua mostra individual no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, o Malba, em 2024.
"A curiosidade estrangeira veio antes de o Brasil entender o quão gigante é a sua produção. Tê-la no pavilhão faz crer que o país esteja interessado em olhar para si mesmo, e para a matéria da qual é feito."
Trabalhando com desenhos, pinturas, bordados, gravura, colagem, escultura e instalações, Paulino desenvolve obras que refletem sobre a posição da mulher negra, a ancestralidade e as marcas do colonialismo e da escravidão na sociedade brasileira.
Ela desconstrói imagens e teorias racistas de pseudociências que propagavam a inferioridade do negro para justificar a escravidão. "O racismo científico foi pouco estudado, mas é fundamental para entender a desumanização e a desvalorização desse corpo, a ponto de ser totalmente descartável", afirma.
"Sem isso, a gente não entende como a polícia mata do jeito que mata. A gente não entende como 117 pessoas foram mortas no Rio de Janeiro naquele massacre [nos complexos do Alemão e da Penha]. A morte do cachorro Orelha causou mais comoção do que 117 mortos enfileirados."
Em Aracnes, Paulino costura retratos de mulheres negras com fios que remetem a teias de aranhas
Rafa Jacinto / Fundação Bienal de São Paulo
Entrelaçando artes e biologia
Paulino nasceu e cresceu na Freguesia do Ó, na Zona Norte de São Paulo, à época ainda um bairro rural, onde a mãe criava galinhas e mantinha uma horta. O pai começou a vida descarregando caminhão de açúcar, até aprender o ofício de pintor de paredes. A mãe foi faxineira durante boa parte da vida e bordava para complementar a renda.
"Nunca passamos fome, mas não tínhamos luxos", lembra Paulino, uma entre quatro irmãs. Ela passou uma infância de interior, brincando na rua, subindo em árvore, fazendo experimentos com cupim, coisa de quem logo cedo decidiu que iria estudar biologia, e juntou dinheiro na adolescência para assinar a revista Ciência Hoje.
Ao lado do fascínio pela natureza, havia o gosto pelo que podia criar com as mãos. Com barro tirado de um braço de rio perto de casa, sua mãe modelava mesinhas e cadeiras para as bonecas das filhas, que entravam no jogo. Adoravam desenhar e brincavam com personagens que criavam no papel.
"Uma coisa que poderia ser um empecilho, que era falta de dinheiro para comprar brinquedo, ela acabou transformando em um motor para criatividade", diz Paulino sobre a mãe, que até então só havia completado a terceira série, mas tinha forte intuição para educação. "Acho que o germe da escolha pela profissão de artista vem muito da minha infância."
Quando a mãe descobriu um curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios, incentivou a filha então com 15 anos a se matricular. Chegou ao vestibular com o coração bifurcado. Passou em biologia na Unicamp e em artes visuais na Universidade de São Paulo (USP). Nunca fez o primeiro curso, mas acabou entrelaçando os dois campos, trazendo a natureza para sua obra.
Paulino chegou ao doutorado na Escola de Comunicações e Artes Visuais da USP e se especializou em gravura no London Print Studio, em Londres, com uma bolsa da Capes, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.
A temporada na Inglaterra foi essencial para acompanhar o que estava acontecendo e sendo debatido fora do país, em uma época em que a internet engatinhava.
Na primeira semana do bacharelado na USP, em uma das primeiras aulas, ouviu do professor: "Esqueçam tudo que vocês aprenderam. Agora vocês serão artistas eruditos".
"Tá, agora eu faço o quê? Tiro minha pele e largo lá na porta?", ela rememorou no Canal Curta!. "Porque não é tema, é vivência. Não é tema, é necessidade. Não é tema, é ancestralidade."
A escultura Crisálida (2026) foi feita por Rosana Paulino especialmente para a Bienal de Veneza, em bronze, dando forma ao desenho de uma gravura que fez 20 anos atrás
Rafa Jacinto/ Fundação Bienal de São Paulo
Abre-alas da arte afro-brasileira
Depois de desbravar os espaços elitizados da arte contemporânea, Paulino ajudou a puxar uma geração de artistas negras e negros, muitos amadrinhados por ela, que carinhosamente a chamam de "dinda".
Alguns são retratados nos minidocumentários da série Raiz, do Canal Curta!, como o artista Dalton Paula e o curador Igor Simões.
Simões ressalta seu papel de professora, orientadora e abre-alas para inserir "vozes negras no cubo branco da arte brasileira", tomando emprestado o nome do ciclo de debates que o aproximou de Paulino, uns 15 anos atrás, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul — e que acabou virando um marco em sua carreira e ensejando sua tese de doutorado.
"Rosana nunca se contentou com a possibilidade de ser a única negra da sala. Ainda mais uma sala repleta de pensamentos, ideologias e imaginários brancos. Ela fez de sua trajetória uma porta aberta para que outras pessoas pudessem chegar", afirma o curador, que agora comanda uma mostra de artistas afro-brasileiros em Nova York.
Paulino conta que optou por não ter filhos porque não queria renunciar à carreira. Foi então que os afilhados começaram a chegar. "Eles que me escolhem como madrinha, não sou eu que adoto", diverte-se.
Ela responde como a orientadora generosa que muitos pós-graduandos sonham em ter, mostrando o caminho das pedras. "Eu digo: 'Você vai ler isso, você precisa falar com fulano e beltrano, você precisa ir para tal museu, você precisa desenvolver isso no seu trabalho'. Começo a dar uma série de referências de artistas e teóricos. Uns dizem que sou a mãe de santo das artes", conta ela, filha de Ogum com Iansã.
Paulino desenvolveu Parede da Memória ainda como estudante na USP. A obra foi decisiva em sua carreira, hoje parte do acervo da Pinacoteca de São Paulo
Isabella Matheus
'Não acredito em fazer dinheiro e sair do país'
O reconhecimento na esfera internacional proporcionou a Paulino "muitas cantadas" para sair do país, "sobretudo de universidades americanas".
No entanto, ela permanece com os pés fincados na Zona Norte paulistana, onde nasceu. Seu ateliê, uma casa de três andares com luz natural e paredes verde claro, fica em Pirituba, bairro de classe média cortado pela Linha 7 do Trem Metropolitano de São Paulo.
"Não acredito em fazer dinheiro e sair do país, ou em fazer dinheiro e sumir da minha região", diz ela.
Em Pirituba, ela comprou uma casa em frente ao seu ateliê. Basta atravessar uma praça, onde há sempre crianças brincando e onde sua equipe distribui cachos de bananas que crescem no quintal.
Sua ideia é transformar o espaço em um centro de pesquisas para receber estudantes e jovens artistas, com uma biblioteca especializada em arte, diáspora, questões afro-brasileiras e bibliografia da América Latina, Ásia, Oriente Médio, como uma tentativa de preencher lacunas de uma formação centrada na Europa e nos Estados Unidos.
"Tenho que ter uma ação comunitária além da produção de arte, senão minha vida não teria sentido", afirma.
No amplo quintal da nova casa, há espaço para suas plantinhas e uma horta que quer plantar, mas ainda não teve tempo, e um horizonte livre com vista para o verde da mata e o Pico do Jaraguá.
"O meu temperamento sempre foi assim, muito inquieto. Essa coisa de ficar parada, reclamando, chorando, não funciona comigo", diz Paulino. "Não que transformar o status quo seja fácil. Não é."
"Mas temos que arregaçar as mangas e ir em frente", ela afirma. "Gosto de mudança. Gosto de ver o país se olhando, se reconhecendo e avançando.
Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no ES

Golpistas vendem sementes falsificadas na internet
Um produtor rural do Espírito Santo caiu em um golpe após comprar sementes de frutas e verduras pela internet. Em vez das espécies anunciadas, o agricultor Aldaécio Bermagini viu nascer apenas capim, em São Mateus, no Norte do estado.
Aldaécio Bergamini cultiva café, pimenta e mantém uma horta com variedades exóticas. Apaixonado por plantas diferentes, o agricultor costuma testar novas espécies na propriedade.
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Entre os cultivos, ele já plantou berinjela branca, quiabo rosa, abacaxi sem espinho e até uma variedade de mandioca que pode ser consumida crua.
Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
Dessa vez, no entanto, a novidade veio acompanhada de frustração. A cunhada dele, Lucineia Souza Pinheiros, encontrou na internet anúncios de sementes exóticas, como tomate negro, tomate gigante e melancia roxa, e decidiu comprar para presentear o produtor.
“Eu vi a semente diferente e comprei para ele plantar lá na roça. Mas, quando chegou, já achei suspeito”, contou Lucineia.
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Segundo a família, as embalagens pareciam confiáveis, com manual de plantio e até QR Code com orientações. Apesar disso, após o plantio, nenhuma das espécies prometidas se desenvolveu. No lugar, cresceram apenas mato e capim.
“Não tem tomate, não tem nada. Tem frustração”, disse o produtor.
Após perceber o golpe, Aldaécio gravou um vídeo nas redes sociais para alertar outras pessoas. A publicação repercutiu e, segundo ele, vários usuários relataram ter passado pela mesma situação.
De acordo com a legislação brasileira, sementes comercializadas precisam seguir regras do Ministério da Agricultura, como identificação do produtor, CNPJ, nota fiscal e certificado de conformidade que comprove a qualidade do produto.
Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
Itens vendidos fora desses padrões são considerados ilegais.
Depois do prejuízo, a família afirma que não pretende mais comprar sementes pela internet. "Na internet, não mais. Não recomendo", disse Lucineia.
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Croissant para cachorro? Mercado pet avança no luxo, com cafés exclusivos e doces gourmet de até R$ 30

Entre doces gourmet e cafés pet friendly, cães ganham rotina cada vez mais “humana”
Photo by Xavier GALIANA / AFP)
Em um sofá confortável, uma parisiense elegante saboreia até a última migalha um biscoito macio em um café da moda na capital francesa. A cena só não é comum por um detalhe: a cliente tem quatro patas e late.
Loulou, uma Spitz Alemã anã de pelo branco esvoaçante, solta um “au-au” entusiasmado depois de devorar o “Merveilleux”, de cinco euros (R$ 29,55), um biscoito feito com finas camadas de purê de banana, cream cheese, maçã e carne bovina.
A cachorrinha de um ano é cliente assídua dessa confeitaria canina, onde os quitutes expostos em um balcão de vidro — como o “Le Mignon”, em formato de coração e preparado com batata-doce, cream cheese e mirtilos — poderiam dar água na boca até nos humanos.
A proprietária da confeitaria, a francesa Clara Zambuto, explica que adotar Hulk, seu Spitz Alemão anão de três anos, a inspirou a abrir o espaço, onde cães e tutores podem fazer uma refeição juntos.
“Muitas vezes eu saía para passear com ele (...) Entrávamos em um café, como uma boa parisiense, mas ele logo se entediava”, lembra a dona da Casa del Doggo, de 26 anos. “Pensei que era uma pena não haver lugares em Paris onde, enquanto você toma um café, possa oferecer um agrado ao seu animal de estimação”, diz.
“Hoje em dia, o cachorro é quase como um filho, e queremos levá-lo para todos os lugares”, acrescenta.
A confeitaria é um dos diversos estabelecimentos voltados para cães que vêm surgindo na capital francesa, onde se estima que vivam cerca de 100 mil animais.
A confeitaria é um dos diversos estabelecimentos voltados para cães que estão surgindo na capital francesa
(Photo by Xavier GALIANA / AFP)
Nada de chocolate
Zambuto começou a preparar os petiscos em casa antes de contar com a ajuda de um confeiteiro profissional. Mas sem “nada de chocolate, nada de abacate, nada de uvas e nada de cebola”, ressalta, porque esses alimentos são tóxicos para os cães.
Assim como ocorre com os humanos, a moderação é essencial para evitar o ganho excessivo de peso, explica Lolita Sommaire, veterinária especializada em nutrição de cães e gatos.
“Se eles forem a uma confeitaria, é preciso ajustar a refeição seguinte, reduzi-la um pouco ou incentivar mais atividade física. Mas, se isso acontecer uma vez por mês, não há problema”, afirma.
Em outro café para cães, os animais circulam por um terraço com bancos, enquanto alguns mordiscam petiscos em forma de “croissant” e “baguette”, que custam quatro euros (R$ 23,24).
Marley, um pastor americano de boina vermelha, lambe uma sobremesa cremosa servida em uma taça prateada.
Para a americana Rebecca Anhalt, a decisão de abrir o café Bone Appart — onde “os cães são os reis” — surgiu após receber uma multa elevada por deixar Napoleão, seu whippet de cinco anos, solto em um parque.
“Eu queria criar um lugar onde as pessoas pudessem vir sem medo (...) de serem repreendidas por estarem com seu cão”, acrescenta a proprietária. O nome do estabelecimento faz um trocadilho com o sobrenome do imperador francês Napoleão Bonaparte.
Cerca de 100 mil animais vivem em Paris
Photo by Xavier GALIANA / AFP) Conteúdo relacionado
Conexão
Embora Paris tenha cerca de cinquenta parques destinados a cães, onde eles podem circular sem coleira, o coletivo de associações Paris Condition Canine considera esses espaços “insuficientes, desigualmente distribuídos e, às vezes, pouco adequados”.
Os cães, inclusive, viraram tema de campanha nas eleições municipais de março: o novo prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, dedicou a eles uma conta no Instagram, enquanto a adversária dele, Rachida Dati, ofereceu “aperitivos caninos”.
Para Sarah Elgamal, que se autodenomina “mãe” de Loulou, as visitas à confeitaria vão além das guloseimas: são uma oportunidade de estreitar o vínculo com a cachorrinha. “Melhora nossa conexão, porque estamos em um ambiente que não é nem o trabalho, nem a casa”, afirma a farmacêutica de 32 anos.
Embora os cães sejam a prioridade no café, Anhalt destaca que muitos frequentadores também vão ao local para socializar com outros tutores: “Os cães são um ótimo ponto de encontro”.
Ela conta que um cliente habitual e o dachshund dele, de 17 anos, recém-chegados a Paris, vão todos os dias ao café para “conhecer gente”. Afinal, “você acaba conversando com qualquer pessoa por causa do seu cachorro”.
Ex-modelo conta como Jeffrey Epstein usava falsas propostas de trabalho para atrair vítimas

A ex-modelo francesa Juliette posa durante uma sessão de fotos em Paris em 10 de março de 2026
Joël Saget / AFP
Após a procuradora Laure Beccuau revelar à rádio RTL que novas potenciais vítimas de Jeffrey Epstein procuraram a promotoria de Paris, a ex‑modelo francesa Juliette, hoje com 43 anos, decidiu contar como escapou há mais de 20 anos.
Seu relato surge enquanto duas investigações avançam na França sobre violência sexual e aspectos financeiros ligados à rede do milionário.
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Quatro meses após a divulgação dos “Epstein Files” pela justiça dos EUA, novos testemunhos continuam emergindo. Na França, ao menos dez potenciais vítimas se apresentaram à promotoria de Paris, segundo informou a procuradora Laure Beccuau, em entrevista à rádio RTL.
Entre elas está Juliette, ex‑modelo francesa que, aos vinte e poucos anos, cruzou o caminho de Jeffrey Epstein – sem saber quem ele era – e conseguiu escapar antes de ser capturada pela engrenagem de exploração sexual que hoje é investigada em vários países.
Juliette guardou quase tudo daquela época: o book, e‑mails, anotações e até a agenda onde escreveu à mão os contatos de Epstein e de Daniel Siad, um recrutador de modelos.
Anos depois, descobriria que Siad era suspeito pelo FBI de identificar e recrutar jovens para o milionário. Foi ele quem a abordou em Paris, em 2004, entre dois castings, oferecendo “oportunidades” em Nova York. Sua agência confirmou que Siad era “confiável”. Juliette aceitou.
Ela recebeu imediatamente uma passagem e instruções para solicitar apenas um visto de turista.
“Me deram o endereço de um apartamento em Nova York. Não sabia se era ligado a uma agência. Não me deram detalhes, nem horários, nada. Presumi que era profissional. Se não me davam informações, era porque não havia perguntas a fazer.”
O primeiro encontro: passaporte retido e mal‑estar Ao chegar a Nova York, Juliette encontrou Epstein rapidamente. Ele não tinha “tempo para recebê‑la”, tomou seu passaporte e marcou para o dia seguinte.
Sua mãe, desconfiada, ligou para alertá‑la sobre o risco de uma rede de tráfico sexual. Juliette hesitou, mas decidiu voltar: “Nada tinha acontecido. Eu tinha um objetivo: conseguir contrato.”
Epstein tentou deixá‑la à vontade, mostrou o apartamento, apresentou um estúdio que não parecia profissional. Fotos de close de partes íntimas de mulheres cobriam paredes.
“Olhei com curiosidade e pensei: que fascinação é essa? Achei inadequado. Comecei a me sentir mal.”
Ele a conduziu por um corredor com quartos. Sentou‑se na cama e fez sinal para que ela se aproximasse. Juliette parou na porta:
“Te aviso, não vou fazer nada.” Epstein recuou, disse que só queria “avaliar” se poderia apresentá‑la às agências. Ela entrou. Ele pediu que ficasse de roupa íntima – comum no meio – mas também que tirasse o sutiã, o que não era.
Epstein a examinou, tocou suas coxas, quadris, nádegas. Disse que ela “não estava pronta”, que precisava perder peso e que levaria três meses até ser apresentada às agências. Ofereceu acesso a academias e “pequenos trabalhos” enquanto esperava: aeromoça em jato privado, acompanhante à noite. Foi aí que Juliette entendeu o risco.
A fuga Juliette se vestiu, pediu o passaporte e disse que pensaria.
Melania Trump nega amizade com Jeffrey Epstein
“Acho que ele sentiu que eu não ia permitir, ou que eu tinha entendido como funcionava”, relembra a jovem. Ela ficou mais alguns dias em Nova York, fez castings, mas percebeu que estava “queimada” em todas as agências. “É uma loucura.”
A vergonha a acompanhou por anos.
“Vergonha se fosse uma oportunidade de trabalho que perdi. Vergonha se fosse uma rede criminosa, por ter acreditado que podia ser outra coisa.”
Em 2019, ao ouvir o nome de Epstein no rádio, Juliette entrou em choque. Só então compreendeu o que havia escapado. Sua história, reconstruída com base nos documentos que guardou e no depoimento prestado à polícia francesa em 2019, revela como funcionava o processo de aliciamento do predador. (Entenda mais abaixo)
Vítimas de Jeffrey Epstein processam governo dos EUA e a empresa de tecnologia Google
Epstein já tinha sido condenado em 2008 por solicitação de prostituição e incitação de menores, cumprindo apenas 13 meses. Em 2019, foi preso novamente e encontrado morto na cela um mês depois.
Juliette prestou depoimento à polícia francesa em 2019. Seu nome aparece nos “Epstein Files”, os três milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA em janeiro de 2026. Ela acredita que o milionário a expor a “níveis de submissão” para medir até onde iria em troca de trabalho.
Rede em Paris: recrutadores, promessas e vulnerabilidade
As investigações abertas na França – uma sobre violência sexual, outra sobre aspectos financeiros – buscam entender como funcionava a rede de Epstein em Paris, onde ele viveu por anos.
Recrutadores identificavam jovens modelos, mas também algumas em fim de carreira, oferecendo contratos internacionais. A vulnerabilidade profissional era explorada como porta de entrada.
Juliette reconhece hoje os sinais: a falta de informações, o visto inadequado, o apartamento sem vínculo com agência, o controle do passaporte, a pressão psicológica, a promessa de “oportunidades” nebulosas. “Ele testava limites. Era um processo.”
Por muito tempo, Juliette não falou sobre o episódio.
“Eu não sabia quem ele era. E tinha vergonha.” Hoje, aos 43 anos, ela tenta reconstruir a narrativa da própria vida. “Passei anos revendo a cena. Só em 2019 entendi de verdade.”
Seu testemunho, agora público, ajuda a mapear o funcionamento da rede e a compreender como tantas jovens foram capturadas por um sistema que misturava glamour, poder e violência.
De ‘carro de patrão’ a esquecido: por que os sedãs estão sumindo do Brasil

g1 testou o Toyota Corolla e responde: por que os sedãs não vendem como antes?
Hoje pode soar estranho, mas o tipo de carro mais vendido no Brasil em 2015 era o sedã. Em 10 anos, porém, o mercado passou por uma transformação profunda, e o modelo preferido dos consumidores mudou: agora, é o SUV.
De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), 29% dos carros zero quilômetro vendidos em 2015 eram sedãs. Em 2025, a participação desses modelos caiu para 12%.
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Nesse mesmo intervalo de tempo, os SUVs dispararam em vendas: passaram de 14% para quase 55% do mercado.
“Eu vejo a queda dos sedãs muito mais como uma perda de protagonismo do que um abandono. O SUV virou o ‘carro padrão’ da família brasileira”, afirma Murilo Briganti, sócio da Bright Consulting.
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Segundo ele, a diferença cada vez menor de preços entre SUVs e sedãs influenciou a escolha do consumidor. Na faixa dos R$ 110 mil, convivem modelos como Volkswagen Virtus e T-Cross. Já na casa dos R$ 200 mil, estão Toyota Corolla e Corolla Cross.
Além disso, Murilo destaca outros fatores que levaram mais consumidores aos SUVs:
Posição de dirigir mais elevada;
Maior sensação de segurança;
Versatilidade;
Status.
Milad Kalume Neto, consultor automotivo, pensa parecido e avalia que a chegada de vários SUVs de entrada — como Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Chevrolet Sonic e outros — tende a reduzir ainda mais o espaço dos sedãs no mercado.
“Provavelmente teremos picos de vendas com 50% de participação ao longo do ano”, afirma Kalume Neto.
Sedãs sobrevivem graças a puristas
Toyota Corolla
divulgação/Toyota
Embora o mercado de sedãs tenha encolhido bastante, ainda existe um público cativo, quase de nicho, que ajuda a evitar o desaparecimento desses modelos das ruas brasileiras.
Para Kalume Neto, o segmento conhecido como “carro de patrão” foi o menos afetado. “Aquela imagem do CEO de uma empresa saindo de um Fiesta Hatch? Não, né! O cara sai de Mercedes Classe C, E, SL... todos sedãs!”, diz.
Na avaliação do consultor, a exclusividade dos sedãs mais caros faz com que esses modelos praticamente não disputem espaço com os SUVs de luxo.
Essa diferença fica clara no gráfico abaixo. Os sedãs grandes, que normalmente concentram os modelos mais caros e voltados ao público executivo, mantiveram uma trajetória mais estável nos últimos 10 anos.
Já os modelos pequenos despencaram, passando de 17% para menos de 3% das vendas — queda de quase 83% em uma década.
“Chegou a ter uma certa competição com as SUVs, mas em geral é inatingível numa série de aspectos, entre os quais, a exclusividade”, diz Milad sobre a preferência pelos sedans mais corporativos.
Kalume Neto e Briganti também concordam que taxistas e motoristas de transporte por aplicativo ajudam a sustentar o volume de vendas dos sedans.
“Frotas, locadoras, motoristas de app e taxistas valorizam espaço interno, conforto e custo operacional”, diz Briganti.
O espaço do porta-malas também é um fator relevante para sustentar as vendas entre consumidores que transportam mais bagagem ou costumam fazer viagens mais longas.
“Existe um público mais tradicional que ainda prefere o sedan pela dinâmica: carro mais baixo, centro de gravidade mais próximo do solo, melhor estabilidade em estrada”, aponta o especialista.
O que o sedã tem de bom?
Não há como falar de sedã sem citar o Toyota Corolla. Por isso, o g1 passou uma semana a bordo da versão Altis Hybrid para entender se a escolha ainda faz sentido.
O Corolla oferece acabamento com materiais macios ao toque em grande parte da cabine, deixando o uso de plástico rígido restrito a poucos pontos.
Entre os SUVs concorrentes, esse nível de cuidado com os materiais não é tão presente quanto no sedã da Toyota. Modelos como Volkswagen Taos, Nissan Kicks e Hyundai Creta, por exemplo, utilizam muito mais plástico rígido na cabine.
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O Corolla conta com uma central multimídia satisfatória, de 10,1 polegadas, com espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, além de teto solar. O modelo também oferece piloto automático adaptativo, que consegue manter o carro centralizado mesmo em trechos sem faixas pintadas.
Comparado ao Corolla Cross, SUV que herdou seu nome, as diferenças ficam mais evidentes no espaço interno. O sedã tem cerca de seis centímetros a mais de entre-eixos, o que se traduz em maior conforto para passageiros mais altos no banco traseiro.
O porta-malas também é maior, mas apresenta a limitação comum aos sedãs: a altura é restrita pela carroceria e pelo vidro traseiro. Para quem precisa transportar objetos mais altos, o SUV continua sendo a alternativa mais indicada.
Para não dizer que o sedã leva vantagem em todos os aspectos, o Toyota Corolla Cross adota uma solução mais moderna ao oferecer freio de estacionamento eletrônico. Além de manter o carro parado no semáforo sem a necessidade de pressionar o pedal ou acionar uma alavanca, o sistema permite que o piloto automático adaptativo pare o veículo completamente.
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Esse é um detalhe relevante para quem procura um pacote mais completo. Ainda assim, no sedã, a posição de dirigir mais baixa transmite maior sensação de segurança em curvas e reforça um caráter esportivo que o SUV não oferece.
Dessa forma, o Corolla sedã oferece uma condução mais interessante, reforçada pelo desenho mais aerodinâmico da carroceria.
Já o Corolla Cross aposta em linhas mais retas e se destaca ao enfrentar lombadas e valetas. Nos testes, não foram raras as situações em que o sedã raspou o para-choque ao entrar em rampas de estacionamento ou ao circular por vias com muitas valetas.
Com isso, fica claro que o sedã continua sendo uma ótima aposta em dirigibilidade para quem gosta de estar ao volante. Mas o SUV virou mania nacional, faz sentido para quem prioriza conforto no uso urbano e precisa de mais altura para transportar volumes maiores no porta-malas.
Que horas é o sorteio da Mega-Sena 30 anos? g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
A Caixa Econômica Federal realiza neste domingo (24) o sorteio especial da Mega-Sena 30 anos, concurso comemorativo que terá prêmio estimado em R$ 330 milhões. O sorteio será realizado às 11h.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Veja onde assistir à transmissão do concurso especial:
Acompanhe o sorteio da Mega 30 anos no site do g1
Acompanhe o sorteio da Mega 30 anos no canal do g1 no YouTube
Regras do concurso
Segundo as regras divulgadas pela Caixa, o prêmio do sorteio especial não acumula. Com isso, se ninguém acertar as seis dezenas, o valor principal será dividido entre os apostadores que acertarem a quina.
Se ainda assim não houver vencedores suficientes, seguirá para a quadra, aumentando as chances de alguém acertar a sequência de números.
Sobre a Mega-Sena
Criada em 1996, a Mega-Sena já movimentou mais de R$ 115 bilhões ao longo de três décadas.
De acordo com a Caixa, 980 apostas já receberam prêmios milionários desde a criação da loteria. O maior prêmio pago em um concurso regular da Mega-Sena — sem considerar a Mega da Virada — foi de R$ 317,8 milhões, em outubro de 2022.
O sorteio do concurso especial da Mega-Sena 30 anos será no próximo domingo, 24 de maio de 2026. A Caixa Econômica Federal elevou a estimativa do prêmio para R$ 300 milhões
Cesar ConventiI/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Mega-Sena 30 anos: prêmio especial sobe para R$ 320 milhões; g1 transmite sorteio no domingo

Volantes da Mega-Sena
Rafa Neddermeyer / Agência Brasil
A Caixa Econômica Federal aumentou a estimativa do prêmio do concurso especial de 30 anos da Mega-Sena para R$ 320 milhões. O sorteio será realizado às 11h do dia 24 de maio.
A estimativa para o concurso 3.010 era inicialmente de R$ 150 milhões, conforme divulgado pela Caixa em abril. O valor subiu para R$ 200 milhões, depois foi elevado novamente para R$ 300 milhões, e chegou a R$ 320 milhões neste sábado (23).
Sorteio será neste domingo às 11h; marque este link para ver ao vivo
Segundo as regras divulgadas pela Caixa, o prêmio do sorteio especial não acumula. Com isso, se ninguém acertar as seis dezenas, o valor principal será dividido entre os apostadores que acertarem a quina.
Se ainda assim não houver vencedores suficientes, seguirá para a quadra, aumentando as chances de alguém acertar a sequência de números.
As apostas podem ser feitas até às 22h (horário de Brasília) do dia 23 de maio pelo aplicativo Loterias Caixa, pelo portal Loterias Caixa ou em qualquer lotérica do país. Clientes do banco também podem fazer suas apostas pelo internet banking.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Como funciona a Mega-Sena?
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A Caixa havia informado que, desde domingo (17), todas as apostas na modalidade da Mega-Sena passarão a ser exclusivas para a Mega 30 anos.
Como jogar na Mega 30 anos:
Para jogar, basta marcar de 6 a 20 números dentre os 60 disponíveis nos volantes ou deixar que o sistema escolha as dezenas, por meio da Surpresinha. A aposta simples custa R$ 6.
Quem aposta também pode escolher participar do concurso por meio de bolões, preenchendo o campo específico no volante.
Pela primeira vez, os bolões online poderão ser comprados até uma hora antes do sorteio.
Três décadas da Mega-sena
Criada em 1996, a Mega-Sena já movimentou mais de R$ 115 bilhões ao longo de três décadas.
De acordo com a Caixa, 980 apostas já receberam prêmios milionários desde a criação da loteria. O maior prêmio pago em um concurso regular da Mega-Sena — sem considerar a Mega da Virada — foi de R$ 317,8 milhões, em outubro de 2022.
Dona da Fleischmann assina acordo de compra da rede de franquias Casa de Bolos

Casa de Bolos, Ribeirão Preto (SP)
Reprodução/EPTV
A AB Mauri Brasil, subsidiária da Associated British Foods (ABF) e dona das marcas Fleischmann e Ovomaltine, anunciou nesta semana que assinou um acordo de compra para adquirir 100% da Casa de Bolos, rede de franquias com sede em Ribeirão Preto (SP).
O valor da transação está em sigilo e ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Casa de Bolos fechou o ano de 2025 com faturamento de R$ 720 milhões.
Segundo a empresa, após a conclusão da transação, ela continuará operando de forma independente, como uma unidade de negócios dentro da AB Mauri Brasil, mantendo a marca, o posicionamento, o portfólio e o modelo de franquias.
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Ao g1, o Cade informou que foi notificado pelas empresas na terça-feira (19) e disse que, após o protocolo da operação, o processo será instruído pela Superintendência-Geral do Cade, que vai avaliar os possíveis impactos concorrenciais da operação.
Agora no g1
Ainda segundo o Cade, após a avaliação, a Superintendência-Geral do órgão pode aprovar a compra sem restrições, aprovar mediante condições ou encaminhar para apreciação do Tribunal do Cade.
"Caso a operação seja analisada sob procedimento sumário, o prazo é de até 30 dias. Se o ato de concentração tramitar sob procedimento ordinário, em que a análise é mais complexa, aplica-se o prazo legal de até 240 dias, prorrogável nas hipóteses previstas na Lei nº 12.529/2011".
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A rede de franquias Casa de Bolos foi fundada em 2010, em Ribeirão Preto, e atualmente conta com mais de 600 lojas em mais de 250 cidades brasileiras.
A AB Mauri Brasil tem de mais de 90 anos de história e atualmente, atende clientes com amplo portfólio de produtos sob as marcas Fleischmann, Fleischmann Gran Finale, Mauri, Aromaferm, Sohovos e Softase-R, além de atuar como parceira de distribuição de Twinings, Ovomaltine, Amigos do Bem e Danke.
Rede de franquias Casa de Bolos foi criada em 2010, em Ribeirão Preto (SP)
Reprodução/EPTV
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Infestação de moscas faz bois e vacas pararem de comer e gera desespero em produtores de MS

Infestação de moscas do estábulo
Pequenos produtores rurais de Costa Rica relatam prejuízos causados pela infestação da mosca-do-estábulo. O problema, que se intensificou nos últimos anos no município, afeta o gado, reduz a alimentação dos animais e provoca queda na produção de leite. Em uma das propriedades atingidas, a perda chegou a 30%.
Segundo os produtores, a infestação se agravou nos últimos anos. Eles suspeitam que o aumento da população de moscas esteja relacionado ao manejo da vinhaça, resíduo gerado na produção de açúcar e etanol e utilizado como fertilizante em lavouras de cana-de-açúcar.
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As moscas se concentram no corpo dos animais, que tentam se proteger permanecendo agrupados. O comportamento foge do habitual, já que o gado fica normalmente espalhado pelo pasto.
Diferentemente da mosca-doméstica, a mosca-do-estábulo possui estrutura adaptada para picar e sugar o sangue dos animais.
O produtor rural Manoel Rodrigues afirma que os animais passam grande parte do dia tentando se defender dos insetos. Segundo ele, a situação compromete a alimentação do rebanho e reduz a produção de leite.
"Ele não consegue alimentar, só alimenta à noite. Durante o dia ele fica todo montuado e se batendo, encosta umas nas outras para se defender, porque onde ela tá encostada ali, ela não vai ser atingida, né? E é dessa forma aí que a gente tá convivendo há vários dias aqui", conta.
O produtor Vanderlei de Souza relata situação semelhante. Para ele, a infestação pode estar relacionada às atividades de uma usina instalada nas proximidades do município.
"Acredito que é da usina. Porque não tinha isso aqui com o tempo. E, às vezes, quando eles param na época de moagem, de jogar essa vinhaça, elas diminuem. Então, muito rapidamente, ela forma muito", comenta.
Sobre a usina
A usina citada pelos produtores fica a cerca de 10 quilômetros de Costa Rica. A vinhaça, gerada durante o processamento da cana-de-açúcar, é utilizada como biofertilizante nas lavouras. O manejo do material deve seguir normas técnicas, incluindo medidas para evitar o acúmulo de líquido nas áreas agrícolas.
O produtor Arionildo Nogueira afirma que a presença da mosca-do-estábulo se tornou frequente após a instalação da usina na região, há cerca de 14 anos.
"A gente está aqui há 30 anos, né? E, de 14 anos para cá, que a usina instalou aqui no nosso município, começou o ataque da mosca e nunca teve um ano que não teve. Tem os altos e baixos".
Segundo ele, a infestação registrada neste ano está entre as mais graves do período recente.
Produtores cobram solução definitiva
Para tentar reduzir a infestação, a usina tem aplicado produtos de controle em áreas próximas às propriedades rurais e instalado armadilhas nas cercas. Os dispositivos são formados por faixas plásticas com material adesivo que captura os insetos.
Apesar das medidas adotadas, os produtores afirmam que os resultados ainda são insuficientes e cobram uma solução definitiva para o problema.
"Ninguém está pedindo para que a usina feche, pare de operar. A gente só quer que eles resolvam o problema e deixem a gente trabalhar", diz Manoel.
Manoel destaca ainda que os prejuízos atingem principalmente os pequenos produtores, que dependem da renda gerada pela atividade rural.
"Para o pequeno, o impacto se torna maior ainda, né? Porque aquilo ali já é a rendinha dele sobreviver. Ele conta com todo o centavo ali para sobreviver. E aí, vem esses prejuízos aí, o cara deixa de produzir, e no final do ano ele está no vermelho, devendo. Não consegue fechar a conta."
O que dizem a usina
Em nota, a indústria informou que realiza o manejo da vinhaça de acordo com protocolos agronômicos, a legislação vigente e as práticas técnicas do setor. A empresa também afirmou que mantém monitoramento contínuo das áreas e diálogo com produtores rurais e órgãos competentes.
Segundo a Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), a mosca-do-estábulo é um desafio para a agropecuária. A entidade afirma que a ocorrência do inseto está relacionada a diferentes fatores ambientais e climáticos, principalmente em períodos de temperaturas elevadas e maior volume de chuvas.
Ainda conforma a Biosul, a associação atua há mais de uma década em parceria com produtores rurais, usinas, órgãos públicos e a Embrapa Gado de Corte. O trabalho inclui pesquisas, ações preventivas e protocolos voltados ao manejo de áreas agrícolas e resíduos orgânicos.
Gados apresentam comportamento incomum de ficarem agrupados por causa de moscas em Costa Rica (MS)
Sergio Saturnino/TV Morena
Estresse causado por moscas reduz produção de leite e gera prejuízo em MS
Sergio Saturnino/TV Morena
Brasil tem quase 20 ‘presidentes da República’ ou vice com registro em carteira de trabalho

Brasil registrou dezenas de vínculos trabalhistas como presidente e vice-presidente
O município de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, tem, ao menos, três presidentes da República em exercício desde 2002. O primeiro caso divulgado pelo g1 foi o da técnica de enfermagem Aldenize Ferreira, de 46 anos.
Na semana passada, ao procurar emprego na Agência do Trabalhador da região, a técnica de enfermagem descobriu que o nome dela consta, há 24 anos e 2 meses, como ocupante do cargo de presidente da República.
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Além de Aldenize Ferreira, outras duas mulheres da mesma cidade descobriram ser, pelo menos na carteira de trabalho, chefes de Estado. E esses casos não são os únicos.
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram a existência de 19 vínculos empregatícios ativos, no fim de 2024, registrados para os cargos de presidente e vice-presidente da República.
As informações constam em bases oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e envolvem funções públicas eletivas que, em tese, não se enquadram no modelo tradicional de emprego formal regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
No entanto, os dados mostram "Presidentes da República" contratados por indústrias de móveis, restaurantes, lavanderias e empresas de transporte rodoviário de carga.
Em Apucarana (PR), por exemplo, uma mulher de 57 anos aparecia registrada como presidente da República, mesmo trabalhando no comércio varejista de vestuário e recebendo entre 1 e 2 salários mínimos.
Ou no município de Abaetetuba, no Pará, que em maio de 2024 registrou a admissão de uma mulher de 28 anos com a ocupação de presidente da República. O vínculo, ativo no final daquele ano, mostrava um salário de aproximadamente R$ 1,5 mil em uma empresa do setor de serviços hoteleiros.
Em dezembro de 2024, o dado mais recente disponível da RAIS, a base indicava a existência de 13 vínculos ativos como presidente da República e 6 vices.
🔎 Na RAIS, “vínculo” é o registro de uma relação formal de trabalho entre uma pessoa e um empregador. Se uma pessoa trabalhou em duas empresas diferentes no mesmo ano, ela terá dois vínculos (cada contrato ou relação de trabalho registrada). Se mudou de emprego durante o ano, pode aparecer mais de uma vez na base de dados.
Além dos vínculos ativos, outros 40 vínculos de presidência e 2 de vice foram registrados em 2024, mas ficaram inativos ao término daquele ano.
Muitos desses registros inativos estão concentrados em prefeituras municipais, onde o cargo de "Presidente da República" é frequentemente confundido com cargos de gestão local ou contratos temporários.
Os vínculos estão distribuídos nos municípios:
Canto do Buriti (PI): 28 vínculos (todos inativos em dezembro de 2024)
Jacareacanga (PA): 7 vínculos (todos inativos em dezembro de 2024)
Tasso Fragoso (MA): 2 (sendo 1 ativo em dezembro de 2024)
Apucarana (PR): 2 (ambos ativos em dezembro de 2024)
Santos (SP): 2 (ambos ativos em dezembro de 2024)
Amapá (AP): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Barra do Mendes (BA): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Riachão do Jacuípe (BA): 1 (inativo)
Aiuaba (CE): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Canindé (CE): 1 (inativo)
Brasília (DF): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Colinas (MA): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Gonzaga (MG): 1 (inativo)
São Sebastião do Paraíso (MG): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Abaetetuba (PA): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Campina Grande (PB): 1 (inativo)
Arapongas (PR): 1 (inativo)
Muliterno (RS): 1 (inativo)
Santiago (RS): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Uruguaiana (RS): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Navegantes (SC): 1 (ativo em dezembro de 2024)
São Paulo (SP): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Dados da RAIS mostram 58 vínculos de presidente da República e vice em 2024.
Alberto Correa - Arte/g1
Os vínculos de presidentes e vice presentes na RAIS correspondem à empresas com as atividades abaixo:
Administração pública em geral
Telecomunicações
Atividades de organizações sindicais
Seguridade social
Comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios
Atividades de assessoria em gestão empresarial
Fabricação de artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e estuque
Estabelecimentos hoteleiros
Ensino fundamental
Comércio varejista de artigos do vestuário e complementos
Técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva foi registrada em carteira de trabalho digital como presidente da República
Reprodução/WhatsApp
Outros sistemas mostram vínculos de presidentes
Além da RAIS, outro sistema do Ministério do Trabalho mostra contratações e demissões de presidentes da República e vices com informações incompatíveis com a realidade: o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O Caged registra 62 movimentações entre 2009 e 2025 envolvendo admissões e desligamentos de presidentes da República e vice-presidentes. No período, o Brasil teve cinco movimentações na Presidência da República.
Dados do CAGED entre 2009 e 2025 mostram admissões e desligamentos incompatíveis com as funções de presidente da República e vice.
Alberto Correa - Arte/g1
Entre esses casos, destacam-se uma admissão para o cargo de Presidente da República em uma empresa de fabricação de móveis em Arapongas (PR) em 2021, com salário de R$ 1.766,88, e desligamentos em empresas de transporte de carga em São Paulo.
🔎 O Caged é um sistema voltado ao acompanhamento das admissões e desligamentos de trabalhadores com carteira assinada. Criado para monitorar a evolução do emprego formal no Brasil, o cadastro passou a ser integrado ao eSocial e hoje é utilizado para gerar os indicadores mensais de criação e fechamento de vagas formais no país.
Procurada pelo g1, a assessoria do Ministério do Trabalho e Emprego afirmou que o preenchimento dos dados da RAIS é de responsabilidade dos empregadores, e ao identificar inconsistências, notifica os estabelecimentos para correção. (veja nota completa abaixo)
Pelo menos 3 pessoas percebem registro de presidente da república na carteira de trabalho
Quais impactos para o trabalhador?
Segundo a advogada trabalhista Isabel Cristina, do escritório Ferraz dos Passos, erros desse tipo se tornaram mais comuns após a digitalização dos sistemas trabalhistas e previdenciários do governo federal.
A especialista explica que, desde a implementação do eSocial e da Carteira de Trabalho Digital, um único lançamento incorreto pode ser replicado automaticamente para diferentes bases do governo, como INSS, Receita Federal e a própria carteira digital do trabalhador.
“O erro acontece em um sistema só, mas se replica em efeito cascata para todos os outros”, afirma.
De acordo com a advogada, na maioria dos casos não há fraude, mas sim falhas operacionais, como o uso incorreto da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) ou lançamentos equivocados feitos por equipes de recursos humanos (RH).
Ainda segundo Isabel, a alta rotatividade em prefeituras e a falta de treinamento técnico em setores administrativos ajudam a explicar esse tipo de erro. “O Brasil tem mais de 5,5 mil municípios e a realidade estrutural deles é muito desigual. Nem todas as prefeituras possuem um RH consolidado, com servidores concursados e permanentes”, explica.
“Muitas vezes, essa função é exercida por servidores comissionados ou empresas terceirizadas. Com a troca de governo a cada quatro anos, há uma rotatividade natural de pessoal e, infelizmente, perda de dados e histórico”, completa a advogada.
Segundo Isabel, o eSocial é uma ferramenta complexa e passa por atualizações constantes. Sem treinamento técnico adequado, especialmente em trocas de gestão, erros podem ocorrer nos registros trabalhistas.
Os problemas, no entanto, podem trazer consequências imediatas para o empregado. Um vínculo em aberto pode indicar ao sistema que a pessoa ainda está empregada, o que pode levar ao bloqueio do seguro-desemprego, à negativa de benefícios previdenciários e até a constrangimentos em processos seletivos.
A principal consequência é o constrangimento profissional: ao buscar um novo emprego, o histórico digital do trabalhador vai mostrar dois contratos simultâneos.
"O novo empregador certamente vai pedir esclarecimentos para saber se a pessoa realmente acumulava duas funções ou se a carteira de trabalho está com informações incorretas, o que pode gerar constrangimento desnecessário ou até perda da vaga."
Outro ponto é que o registro também pode afetar benefícios sociais, como o Bolsa Família, porque o vínculo – ainda que incorreto – indica que aquela pessoa estaria empregada e recebendo renda mensal.
Nesses casos, a responsabilidade pela correção das informações é exclusivamente do empregador, que tem acesso ao sistema para retificação dos dados. Caso o empregado identifique essa situação, a primeira medida é procurar diretamente o setor de Recursos Humanos da empresa, prefeitura ou órgão que consta como empregador.
“Se o cidadão trabalhou lá, mas o contrato não foi fechado, o pedido deve ser para inserir a data de encerramento. Agora, se a pessoa nunca trabalhou naquele local e o vínculo é totalmente fictício, o pedido deve ser de exclusão imediata dos dados”, explica a advogada.
Ela ainda destaca que, na prática, o problema só costuma ser resolvido quando o trabalhador identifica a inconsistência e cobra providências. Caso não haja solução administrativa, pode ser necessário recorrer à Justiça. Nesses casos, a advogada alerta que existem dois caminhos.
“A depender de como o município organiza suas leis trabalhistas, a ação terá que correr na Justiça Comum ou na Justiça do Trabalho. Por isso, o auxílio de um advogado ou da Defensoria Pública é fundamental para direcionar o processo para o tribunal correto”, afirma.
Por isso, a recomendação é que o próprio trabalhador acompanhe regularmente suas informações nos aplicativos oficiais, como Carteira de Trabalho Digital, Meu INSS e FGTS. “Hoje, mais do que nunca, é fundamental que o cidadão fiscalize seus próprios dados. A prevenção digital se tornou uma ferramenta essencial de proteção de direitos”, conclui.
Apesar dos transtornos, Isabel Cristina ressalta que registros fictícios não geram automaticamente direitos trabalhistas, como salários, FGTS ou verbas rescisórias, quando não houve prestação de serviço. Segundo ela, no Direito do Trabalho, o que vale é a realidade dos fatos: se não houve trabalho, não há direito a essas verbas.
Além disso, registros incorretos podem inflar o número de funcionários da empresa. Isso pode obrigá-la a contratar mais jovens aprendizes ou pessoas com deficiência (PCDs) para cumprir metas legais que talvez não precisasse atingir, sob pena de multas do Ministério do Trabalho.
Por outro lado, dependendo do prejuízo causado, o trabalhador pode pedir indenização na Justiça por danos morais. “Nesse caso, a pessoa precisa comprovar que sofreu um prejuízo real com a anotação incorreta. Por exemplo: perdeu o Bolsa Família, o seguro-desemprego ou uma nova vaga de emprego por causa disso”, completa.
Carolina Lima descobriu que está registrada como 'presidente da República' na carteira de trabalho digital
Reprodução/TV Globo
O que diz o Ministério do Trabalho?
Em nota enviada ao g1, o Ministério do Trabalho e Emprego afirmou que, entre 2002 e 2019, algumas empresas registraram de forma equivocada a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) de trabalhadores em sistemas previdenciários, incluindo, em alguns casos, o código referente ao cargo de Presidente da República.
Segundo a pasta, as informações exibidas atualmente na Carteira de Trabalho Digital foram importadas automaticamente da base do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O ministério destacou ainda que, com a implantação do eSocial e da Carteira de Trabalho Digital, esse tipo de inconsistência foi reduzido, já que passou a ser exibido o cargo informado diretamente pela empresa.
O MTE informou também que erros cadastrais podem ser corrigidos pelo trabalhador junto ao INSS, por meio do serviço “Atualização de Vínculos e Remunerações”, disponível pelo telefone 135 e pelo portal Meu INSS.
Ainda segundo o ministério, esse tipo d'e inconsistência não impede a concessão da aposentadoria e não há risco de o trabalhador perder o direito ao benefício por causa do erro cadastral.
Veja nota da pasta na íntegra:
“O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) esclarece que, entre 2002 até 2019, os empregadores informavam ao INSS os vínculos empregatícios de seus trabalhadores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP). Nesse período, algumas empresas registraram a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), incluindo, em determinados casos, o código referente ao cargo de Presidente da República.
Com a implantação da Carteira de Trabalho Digital, em setembro de 2019, as informações passaram a ser importadas da base de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), administrado pelo INSS. Dessa forma, registros enviados pelos empregadores foram automaticamente reproduzidos na carteira digital, que fica na aba outros vínculos.
Para os vínculos já da Carteira de Trabalho Digital, não há mais apresentação da descrição da CBO e sim do cargo informado pela empresa na descrição do campo "cargo" do eSocial, o que evita esse tipo de erro.
O MTE ressalta que as informações relativas aos vínculos empregatícios, inclusive os códigos da CBO, são de responsabilidade do empregador, cabendo às empresas o correto envio dos dados ao eSocial e a devida regularização das informações quando identificada qualquer inconsistência cadastral.
Os trabalhadores podem também fazer essa correção ligando para a Central 135 ou pelo portal MEU INSS. O atendimento telefônico é fundamental para abrir o protocolo, segundo o INSS. O trabalhador deve solicitar ‘Atualização de Vínculos e Remunerações’. Depois, envia um documento pelo site do Meu INSS ou pelo aplicativo”.
Carteira de trabalho digital
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Jovens voltam a usar iPods para fugir das distrações do celular: ‘Só quero ouvir música em paz’

Jovens voltam a usar iPods para fugir das distrações do celular
🎵 O ritual parece ter saído de 2006: conectar um fone com fio, girar a roda do aparelho e escolher um álbum baixado manualmente. Mas a cena acontece em 2026, com jovens que estão trocando o celular por... iPods.
O MP3 player lançado pela Apple há mais de duas décadas voltou à rotina da Geração Z — não só pela nostalgia, mas justamente pelo que ele não tem: notificações, algoritmos e feeds infinitos. 🔕
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
O g1 conversou com jovens que voltaram a usar o iPod no dia a dia para ouvir música durante treinos, estudos e deslocamentos. Segundo eles, o celular passou a atrapalhar demais por causa das notificações e das redes sociais.
"Até hoje existe uma comunidade enorme de pessoas que restauram iPods antigos com bateria nova e mais armazenamento, seja para manter o produto vivo como lembrança ou até mesmo para usá-lo no dia a dia", conta o especialista em Apple Filipe Esposito, que acompanha a empresa há 17 anos.
E a procura pelo dispositivo vem aumentando, segundo empresas consultadas pelo g1. O site de vendas Enjoei informou que o valor total de iPods vendidos na plataforma no primeiro trimestre deste ano (janeiro, fevereiro e março) foi 47% maior do que no mesmo período de 2025.
Já a OLX informou que as buscas por iPods cresceram 18,9% em abril de 2026 na comparação com abril de 2025. De janeiro a abril deste ano, o aumento foi de 22% em relação ao mesmo período do ano passado.
'Só quero ouvir música em paz'
Lisandra Reis, Cláudio Wollace e Emanuelle Assunção.
Arquivos pessoais.
Emanuelle Assunção, de 27 anos, Lisandra Reis, de 29, e Cláudio Wollace, de 26, não se conhecem, mas têm algo em comum: estão cansados de perder tempo nas redes sociais. Por isso, voltaram a usar o iPod, que, além do gostinho de nostalgia, ajuda os três a evitar distrações.
"Eu sentia que o celular acabava me atrapalhando um pouco. Às vezes, eu saía para correr na rua e acabava parando porque chegava alguma notificação e eu ficava curiosa para ver. Óbvio que eu também adoro a vibe nostálgica que ele passa, mas é muito mais para ouvir música em paz", conta Lisandra.
Ela tem um iPod Touch, aquele modelo parecido com um iPhone, e comprou o dispositivo em 2019. Lisandra diz não se lembrar quanto pagou pelo aparelho na época.
Quem também tem um iPod Touch é Emanuelle (todo decorado com adesivos na capinha 💅). Ela conta que comprou o MP3 da Apple em 2024, de segunda mão, por R$ 230.
"Hoje eu uso ele durante os treinos de musculação, às vezes quando estou lendo e também nos deslocamentos de carro por aplicativo", diz Emanuelle.
Segundo ela, em 2024 ainda conseguia usar o Spotify no iPod Touch — modelo que permitia baixar aplicativos. Mas, quando voltou a usar o aparelho em 2026, o aplicativo já não funcionava mais.
Por causa disso, voltou a baixar músicas manualmente no computador para depois transferi-las para o iPod. O g1 verificou que, na App Store, loja de aplicativos da Apple, o Spotify não aparece mais como compatível com nenhum modelo de iPod.
iPods de Emanuelle e de Lisandra.
Arquivos pessoais.
Cláudio diz que muita gente considera ruim o processo de baixar músicas no computador e transferi-las para o iPod, mas que, para ele, isso é "revigorante". Segundo ele, o fato de o aparelho não ter algoritmos também faz diferença, porque permite ouvir apenas as músicas que decidiu colocar ali.
"Mesmo assinando serviços de streaming, como o Spotify, eu ainda prefiro o iPod. Sinto que a qualidade sonora é até melhor", conta.
Ele usa um iPod Nano de segunda mão, comprado em 2025 por R$ 130. O aparelho costuma acompanhá-lo na academia e nos estudos da faculdade. "Eu gosto porque é um aparelho feito só para música, sem notificações ou outras coisas que tirem minha atenção".
Cláudio também diz ter uma relação afetiva com o iPod. "Quando eu era mais novo, sempre quis ter um, principalmente o iPod Touch de 4ª geração, mas não tinha condições na época. Hoje, minha vontade mesmo é ter um iPod Classic (um dos primeiros lançados). Para mim, ele é o top dos tops, mas está muito caro".
Músicas custavam certa de R$ 1,80 cada
iPod Shuffle, iPod Nano e iPod Touch.
Apple Inc/Internet Archive Biblioteca
Para o especialista em Apple Filipe Esposito, a combinação entre iTunes e iPod não só ajudou a combater a pirataria, como também consolidou o aparelho no mercado. "Existiam outros tocadores de MP3, mas nenhum tinha a conveniência de uma loja própria de músicas ou um gerenciador de playlists como o iTunes", diz.
O primeiro iPod funcionava apenas com computadores Mac, o que limitou as vendas no início. Segundo Esposito, o cenário mudou quando a Apple lançou uma versão do iTunes para PC e tornou o iPod compatível com o sistema da Microsoft.
Pouco tempo depois do lançamento do iPod, a Apple também criou a iTunes Store, sua loja online de músicas.
"Pela primeira vez, os usuários podiam comprar músicas separadamente por US$ 0,99 (cerca de R$ 1,80 na época). Todo o processo era extremamente rápido e fácil, e as músicas podiam ser transferidas em segundos para o iPod", afirma.
Por que estamos resgatando dispositivos dos anos 2000?
Jovens também estão resgatando fones de ouvido com fio.
Unsplash/Anh Tuan Thomas
A sensação é de que estamos cada vez mais resgatando produtos que pareciam ter ficado no passado: foi assim com os fones de ouvido com fio, com as câmeras Cyber-shot e, agora, com os iPods.
Para Angelica Mari, especialista em cyberpsicologia, área que estuda os impactos da tecnologia no comportamento humano, a tendência reflete uma busca por um período em que a tecnologia tinha limites mais definidos e interferia menos na atenção das pessoas.
Segundo ela, o movimento representa uma recusa simbólica da hiperconectividade e também uma tentativa de diferenciação social.
"No caso dos iPods, baixar as músicas e atualizar manualmente as playlists vão na contramão da conveniência a que fomos acostumados, mas também devolvem um certo nível de autonomia. Hoje, quando uma playlist termina, as plataformas logo sugerem uma sequência parecida para manter o usuário em um ciclo infinito", diz.
Segundo a especialista, o retorno dos fones com fio tem um efeito parecido. "A pessoa sente o cabo, que literalmente conecta o usuário ao dispositivo. Existe uma materialidade que foi eliminada com o Bluetooth", afirma.
Ela também avalia que essa busca por simplicidade acabou ficando cara, o que pode ser percebido nos preços de dispositivos antigos, como iPods, walkmans e câmeras Cyber-shot, em sites de revenda. Um iPod Classic usado — modelo que Cláudio diz sonhar em ter — pode custar mais de R$ 1 mil na internet.
Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo
'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta
Entrada da SpaceX na bolsa pode consolidar Musk como um dos homens mais poderosos do planeta

Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, acompanhou lançamento da Starship junto com o bilionário Elon Musk, na base aérea da SpaceX
Brandon Bell/Pool via AP
A SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, caminha para entrar na bolsa de valores dos Estados Unidos. O pedido de IPO foi protocolado na quarta-feira (20), com expectativa de estreia em meados de junho.
🔎 Um IPO é a primeira oferta pública de uma empresa, quando vende parte de suas ações e passa a ser negociada na bolsa de valores. O objetivo é captar recursos para expandir operações, investir em projetos ou reduzir dívidas.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
A SpaceX estima que seu valor de mercado seja de US$ 1,25 trilhão (cerca de R$ 6 trilhões). As ações da empresa devem ser negociadas na Nasdaq (bolsa de tecnologia norte-americana) sob o código SPCX.
A abertura de capital da SpaceX, antes considerada improvável pelo bilionário, agora é vista como um desejo de Musk, e pode ampliar ainda mais sua influência nos setores de tecnologia e espacial, além da geopolítica.
Caso a operação se concretize, o empresário, que já é o homem mais rico do mundo, poderá se aproximar do posto de primeiro trilionário da história do planeta Terra.
Além disso, a SpaceX deixaria de ser vista apenas como uma empresa de lançamentos espaciais para atuar como um conglomerado com diferentes serviços e fontes de receita, o que pode ampliar ainda mais seu faturamento. É o que dizem especialistas consultados pelo g1.
Em fevereiro, Musk anunciou a compra da sua empresa de inteligência artificial, xAI, pela SpaceX. O negócio também envolveu a Starlink, operação de internet via satélite ligada à SpaceX. Com isso, a companhia passou a controlar também o X, rede social que já fazia parte do grupo xAI.
"O que Musk busca com o IPO é organizar melhor todos esses negócios ele que criou, além de ganhar acesso a mais capital (dinheiro) e ao mercado de varejo. Estamos falando, provavelmente, do maior IPO da história", afirma Pedro Waengertner, CEO da ACE Ventures.
Segundo Alvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em IA, projetos como a Starship — considerada a maior nave espacial do mundo —, além dos planos da SpaceX de levar data centers para o espaço e avançar na industrialização lunar, exigem um volume de investimento que só o mercado público consegue oferecer.
Com o IPO, enquanto os investidores comuns terão acesso a ações com direito a um voto, haverá uma classe especial de ações destinada a Musk com 10 votos por cada papel.
"Essa estrutura permitirá que ele controle cerca de 85% dos votos da companhia, mantendo o domínio total sobre os rumos do negócio", explica Diogo Cortiz, professor especializado em tecnologia e inovação da PUC-SP.
Mas... um negócio ainda em prejuízo
Starship posicionada em base de lançamento da SpaceX, em foto divulgada em 27 de maio de 2025
Divulgação/SpaceX
Em 2025, a SpaceX gerou US$ 18,67 bilhões em receita, sendo boa parte desse valor vinda da Starlink, que já tem presença global mais consolidada do que a SpaceX.
Ao mesmo tempo, a empresa registrou um prejuízo de US$ 4,94 bilhões no ano passado, impulsionado pelos altos custos com pesquisa e desenvolvimento, de acordo com o jornal "The Wall Street Journal".
➡️ Segundo o próprio documento enviado ao regulador dos EUA para abrir capital, a SpaceX afirmou ter faturado, em 2025:
Conectividade (Starlink): US$ 11,39 bilhões
Espaço (SpaceX): US$ 4,09 bilhões
IA (xAI/X): US$ 3,20 bilhões
Enquanto a Starlink responde por quase toda a receita, o restante das operações da empresa consome dinheiro em um ritmo tão acelerado que as rodadas de investimento privado já não conseguem sustentar o negócio com a mesma facilidade, analisa Alvaro Machado Dias.
Influência global
Um possível "super IPO", como é esperado, pode ampliar ainda mais a influência de Elon Musk e facilitar o avanço de pautas de interesse dos seus negócios, avalia Diogo Cortiz.
O professor destaca que o movimento acontece em um momento estratégico da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, em que a SpaceX ocupa um papel central em áreas consideradas críticas, como exploração espacial e inteligência artificial.
"Talvez ele se torne o primeiro trilionário da história da humanidade, controlando uma empresa poderosa e com diferentes frentes de atuação", afirma o especialista.
Álvaro Machado Dias avalia que o IPO também coloca uma estrutura considerada estratégica para a defesa dos EUA sob a lógica do mercado financeiro, sem que o governo reduza sua dependência da empresa.
Segundo ele, isso cria uma espécie de "tecnoabsolutismo", em que o poder passa a ser dividido de forma híbrida entre Musk e o Estado americano.
O império de Elon Musk.
Arte g1
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Convocação vale publi? Como Neymar e outros atletas da seleção podem lucrar após lista da Copa

O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, incluiu o Neymar, do Santos, em sua convocação durante a coletiva de imprensa.
Reuters/Ricardo Moraes
A convocação dos 26 jogadores que vão representar a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 movimentou o mercado publicitário e deve render ganhos aos atletas da seleta lista do treinador Carlo Ancelotti.
O próprio formato de divulgação dos nomes relacionados ao Mundial, realizado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) na última segunda-feira (18), foi um indicativo do que o esporte se transformou quando o assunto é marketing e engajamento de empresas.
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Em um megaevento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro — com estimativa de mais de mil convidados e cerca de 700 jornalistas credenciados — diversas companhias aproveitaram para ativar suas marcas e surfar a onda do ato inicial do maior torneio esportivo do mundo.
O movimento, claro, também ocorreu na televisão e nas redes sociais. Neymar, o jogador mais midiático do futebol brasileiro, foi o grande destaque em ações de marketing, em meio a dúvidas sobre a presença do atacante do Santos na lista de Ancelotti.
🔎 Além dele, outros três convocados participaram de iniciativas publicitárias, mostra levantamento da consultoria de análise de dados Bites (veja abaixo). Recorte considera o período entre segunda-feira (18), dia do anúncio, e quarta (20).
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que ganhos com publicidade tendem a crescer quando atletas são selecionados para competições de enorme visibilidade, como a Copa do Mundo. Além das ações imediatas e gatilhos contratuais, há benefícios também no longo prazo. (leia mais abaixo)
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
Publi dos convocados
Sozinho, Neymar emplacou seis posts no Instagram com cinco marcas diferentes logo após o anúncio: Red Bull (dois vídeos), Canção Alimentos, Mercado Livre, Puma e Loovi. Além disso, publicou um story da Blaze. Todas já mantinham parceria com o atleta.
Vinícius Júnior, atacante do Real Madrid e nome que já era certo na Copa, comemorou a convocação com uma publicidade da Vivo, empresa com a qual também já tinha parceria.
O jovem talento Endrick, por sua vez, fez uma ação no Instagram com a Neosaldina — marca com a qual também já possui contrato — logo após a divulgação da lista.
Enquanto isso, a novidade veio do volante Casemiro, homem de confiança de Carlo Ancelotti, anunciado como embaixador da companhia aérea Azul ao longo da Copa.
O jogador repostou, nos stories, uma publicação da empresa sobre a parceria. Além de escolher o atleta do Manchester United como embaixador, a companhia já havia anunciado, em abril, acordo de patrocínio com a CBF até 2030.
Veja abaixo como a convocação movimentou o marketing esportivo entre os atletas.
Ao menos 4 jogadores convocados participaram de ações de marketing.
Arte/g1
Se já tinham parceria, como funcionam os ganhos?
Algo em comum entre os jogadores que fizeram publicidade nas redes é o fato de as ações terem ocorrido com empresas das quais eles já eram parceiros, seja por patrocínio esportivo ou por contratos de embaixador de marca.
O especialista em marketing esportivo Idel Halfen explica que é difícil mensurar os ganhos nesses casos, já que, na prática, pode haver diferentes formas de remuneração — a depender do que consta em cada contrato. Alguns já preveem, por exemplo, gatilhos por performance.
"Pode até ser que já exista algum tipo de bonificação pelos resultados obtidos. Uma coisa é a marca patrocinar um jogador que não vai ser convocado e outra, um que vai para a Copa. Em muitos casos, há uma premiação por isso", diz.
Os gatilhos contratuais estão relacionados, principalmente, à grande exposição do atleta em eventos como a Copa. "Na prática, a convocação gera exposição, crescimento digital e, consequentemente, maior interesse comercial", acrescenta.
O movimento também encarece a imagem do atleta, o que pode garantir maior rentabilidade em futuras parcerias.
Apesar de o destaque publicitário inicial ter ido para Neymar, Vinícius Júnior e Endrick — que estão, atualmente, entre os atletas mais midiáticos da seleção brasileira —, os outros jogadores também deverão ser beneficiados pela visibilidade.
Redes sociais impulsionam ganhos
Os benefícios também passam pelos números nas redes sociais. A convocação rendeu a Neymar 2,1 milhões de novos seguidores no Instagram até a última quarta-feira (20). O jogador lidera a lista de ganhos, seguido pelo perfil oficial da CBF (+684 mil) e pelo de Endrick (+620,6 mil).
Dados levantados pela consultoria de dados Bites mostram que a convocação rendeu oito milhões de publicações sobre o assunto em diferentes redes sociais, incluindo Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn. O número de interações superou 372 milhões.
"Na prática, isso mostra como o futebol ainda é um dos grandes motores das redes. Ele ainda chama mais atenção do que política, cinema e, muitas vezes, até TV", analisa André Eler, diretor técnico da Bites.
Veja os detalhes abaixo:
Perfis que mais cresceram após a convocação.
Arte/g1
Para Renê Saviano, especialista em marketing esportivo e CEO da agência Heatmap, a tendência é que novos contratos de publicidade já comecem a surgir para os atletas convocados. "Não tenho dúvidas de que muitas novas marcas já procuraram figuras como o Neymar", diz.
"Empresas vão aproveitar o gancho da Copa. Uma cota de publicidade da FIFA, por exemplo, é muito cara. Da CBF talvez nem tenha mais, porque várias marcas já compraram. Então, o atleta se torna um ativo comercial para marcas que querem gerar conversa com o público durante o Mundial", diz.
Ele afirma que, além do potencial comercial, a convocação reforça o poder de influência dos atletas, que passam a ter maior engajamento do público nas redes — com impactos também no longo prazo.
Idel Halfen reforça que os valores pagos pelos vídeos publicitários nas redes dependem, principalmente, pela quantidade de seguidores e de interações.
"Então, quando você é convocado, aumenta seu engajamento e seu número de seguidores. Isso tem um preço", conclui.
Por que o lançamento de um relógio gerou confrontos e fechou lojas ao redor do mundo

As vendas começaram no sábado com grandes multidões em lojas em todo o mundo
Getty Images
O lançamento de um relógio de bolso exclusivo provocou um frenesi que forçou lojas em todo o mundo a fecharem e, em alguns casos, levou policiais e seguranças a ter que lidar com grandes multidões desordeiras.
A coleção de relógios Royal Pop, uma colaboração muito aguardada entre a Swatch e a marca de luxo Audemars Piguet (AP), começou a ser vendida no sábado (16) em lojas selecionadas ao redor do mundo.
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Semelhante a vendas anteriores desse tipo, algumas pessoas fizeram fila por dias para conseguir um dos oito modelos.
Mas a intensidade do interesse pelo produto, tanto online quanto nas ruas de comércio, dividiu opiniões sobre marketing responsável e sobre se os relógios realmente valem a pena.
Mais conhecida por seus relógios coloridos da década de 1980, a AP Swatch descreveu a coleção Royal Pop como "uma colaboração disruptiva entre dois ícones da relojoaria suíça".
Embora as vendas originais da coleção tenham ocorrido exclusivamente em lojas selecionadas — com as pessoas só conseguindo comprar um relógio de US$ 448 (R$ 2,2 mil) por pessoa — elas foram impulsionadas por uma campanha online que durou meses.
A especialista em varejo Catherine Shuttleworth disse que a Swatch fez um trabalho fantástico ao divulgar o produto, aproveitando o gosto dos consumidores mais jovens por colaborações, exclusividade e novidade.
"O hype funcionou", disse ela à BBC, acrescentando que os consumidores conseguiriam pagar uma fração do custo normal por um produto da AP.
A crítica e podcaster Britt Pearce concorda — e diz que esses tipos de colaboração são "um fenômeno passageiro, mas um fenômeno passageiro muito empolgante".
Pessoas ficaram na fila por dias para comprar um Audemars Piguet x Swatch Royal Pop
AFP via Getty Images
No Reino Unido, a Swatch fechou suas lojas em várias cidades depois que centenas de pessoas fizeram fila do lado de fora e a polícia foi chamada. Houve relatos de comportamento ameaçador e pelo menos uma prisão.
Também houve relatos de brigas em Amsterdã e Milão, bem como em cidades da Ásia e do Oriente Médio.
De acordo com a agência de notícias Reuters, policiais dispararam gás lacrimogêneo para controlar 300 pessoas do lado de fora de uma loja da Swatch perto de Paris, e quatro pessoas relataram ter sido agredidas na multidão do lado de fora de uma loja em Lille, norte da França.
Alguns em Nova York acamparam por uma semana e houve relatos de que pessoas passaram mal durante a espera.
Em uma postagem nas redes sociais depois que multidões se reuniram em filiais em todo o mundo, a Swatch pediu às pessoas que "não corressem para nossas lojas em grande número" e fechou suas lojas por motivos de segurança quando a multidão se tornou muito grande.
A empresa foi criticada por algumas pessoas, que dizem que os relógios deveriam estar disponíveis em seu site e que recursos policiais foram desviados desnecessariamente.
Pearce disse que a Swatch parece "estar criando situações perigosas para as pessoas colecionarem um relógio".
"Acho que eles sabem exatamente o que estão fazendo", acrescentou.
No entanto, Shuttleworth sugeriu que a Swatch não poderia ter previsto o surgimento da violência.
Shuttleworth disse que as vendas online também registraram problemas, com pessoas usando bots e outras tecnologias para tentar enganar o sistema.
Os relógios estão sendo revendidos online por várias vezes seu valor no varejo
Getty Images
Na segunda-feira (18), a Swatch divulgou um comunicado afirmando que a resposta à coleção de relógios Royal Pop foi "fenomenal em todo o mundo", acrescentando que houve problemas em apenas 20 das 220 lojas da Swatch onde os relógios foram colocados à venda.
Ele comparou a venda com a do MoonsWatch — uma colaboração de 2022 com a fabricante de relógios de luxo Omega — quando a polícia foi chamada e lojas foram fechadas.
"Assim como com o MoonSwatch, a situação agora se normalizou um pouco após o dia do lançamento, especialmente depois de termos comunicado mais uma vez que a coleção Royal Pop estará disponível por vários meses", acrescentou a Swatch.
Britt disse que visitou uma das lojas da Swatch em Londres na noite de sexta-feira e viu os seguranças "perderem um pouco o controle" à medida que a multidão aumentava de tamanho antes do lançamento do relógio.
Ela também afirmou que viu pessoas saindo da loja após comprar um relógio sendo abordadas por indivíduos oferecendo pagar o dobro do valor.
O relógio de bolso é baseado no relógio Royal Oak da AP de 1972
Getty Images
Enquanto algumas pessoas na fila para comprar os relógios são entusiastas, outras os compram para vendê-los online.
Jaylen disse à BBC que comprou um dos relógios de 335 libras (R$ 2,2 mil) no domingo e o vendeu por pouco mais de mil libras (R$ 6,7 mil).
"Vou voltar para comprar mais. É um por pessoa, mas tenho amigos a quem paguei para consegui-los em outras lojas", disse.
Embora haja relatos de relógios Royal Pop sendo revendidos por grandes quantias online, a revista britânica especializada em relógios WatchPro alertou que alguns desses anúncios são falsos.
A BBC também viu alguns relógios Royal Pop listados no eBay por entre 3 mil e 5 mil libras (R$ 20 mil e R$ 33 mil).
Ahmed, que também comprou um dos relógios, disse à BBC que estava pensando no longo prazo e que manteria o seu por agora, prevendo que ele deve aumentar significativamente de valor quando a venda limitada terminar.
"Eles já estão passando de mil libras (R$ 6,7 mil) no mercado, então quando pararem completamente de produzi-los e não houver mais sendo lançados... é uma decisão óbvia", disse.
A Swatch afirma que a reação ao Royal Pop foi 'fenomenal em todo o mundo'
EPA/Shutterstock
Houve avaliações mistas sobre o próprio relógio entre as pessoas com quem a BBC conversou.
"Sinto que é algo que pode ser guardado e passado adiante. Pode ser memorável, valioso e aumentar de valor ao longo do tempo se for de estoque limitado", disse Corzo, que está na fila há dias e afirmou ter observado uma melhora na comunicação e cooperação entre as pessoas na multidão.
"A Swatch colaborou com uma marca muito boa, que é a AP. E é muito bom ter isso na minha coleção de relógios", disse outro homem, que ficou na fila por dois dias e dormiu em uma barraca.
Outros não se entusiasmaram.
"Não acho que valha o dinheiro nem o tempo de ficar na fila", disse Tabassum, de 18 anos, em Birmingham.
"Por que todo esse barulho?", disse sua amiga, Meredith.
Britt Pearce disse que havia ficado empolgada com a colaboração entre duas renomadas marcas de relógios e achou que isso poderia incentivar as pessoas a se interessarem mais por relógios.
No entanto, sua experiência na loja de Londres diminuiu esse entusiasmo.
"Eu diria que ir lá e fazer parte disso acabou prejudicando a minha percepção", disse.
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Mega-Sena faz 30 anos e paga R$ 300 milhões; relembre maiores prêmios e saiba o que dá para comprar com esses valores

Mega-Sena.
Getty Images via BBC
A Caixa Econômica Federal anunciou um sorteio especial da Mega-Sena para celebrar os 30 anos da modalidade com uma premiação de R$ 300 milhões.
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O primeiro sorteio foi realizado em 11 de março 1996. Desde então, a Mega-Sena se consolidou como a modalidade de apostas mais popular do país e movimentou R$ 115,2 bilhões.
O sorteio especial de 30 anos será realizado às 11h do dia 24 de maio, próximo domingo.
Mas quais foram os maiores prêmios já pagos até hoje? E o que dá para comprar atualmente com esses valores?
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5º lugar: R$ 378 milhões
Os cinco prêmios mais altos da história são todos de Megas da Virada. O sorteio do ano de 2021 pagou R$ 378.124.727,48.
Duas apostas vencedoras dividiram o prêmio e cada uma levou R$ 189.062.363,74.
O total pago pela Caixa é equivalente a 32.883 Iphones 17 Pro — o modelo com 256 GB está à venda no Brasil hoje por R$ 11.499,00.
Com esse prêmio, também é possível comprar a cobertura de altíssimo luxo do jogador de futebol Neymar em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Em 2024, o imóvel estava avaliado em 200 milhões de dirhams (R$ 275 milhões de reais na cotação atual).
Ainda seria possível usar o dinheiro restante para comprar o carro mais caro em circulação hoje no Brasil, uma Ferrari LaFerrari ano 2016 de edição limitada com valor de mercado estimado em R$ 38.043.737,00 — e ainda sobrariam mais cerca de R$ 60 milhões.
O edifício Bugatti Residences em Dubai, onde Neymar comprou uma cobertura, está atualmente em construção.
Binghatti Properties via BBC
4º lugar: R$ 541 milhões
O quarto maior prêmio foi dado na Mega da Virada de 2022: R$ 541.969.966,30. Cada um dos cinco ganhadores recebeu R$ 108.393.993,26.
Se uma única pessoa tivesse levado a bolada sozinha poderia comprar a mansão do cantor Jay-Z em Bel Air, Los Angeles, Estados Unidos. O imóvel está atualmente avaliada em cerca de US$ 100 milhões, equivalente a R$ 500 milhões.
O valor total do prêmio também seria suficiente para comprar um dos quadros mais caros já vendidos em leilões de arte: Blumenwiese (Prado Florido), do artista austríaco Gustav Klimt.
A obra foi leiloada em Nova York no ano passado por US$ 86 milhões (cerca de R$ 433,26 milhões na cotação atual).
Agora no g1
3º lugar: R$ 588 milhões
A Mega da Virada de 2023 pagou R$ 588.891.021,25. Cinco apostas acertaram os seis números e receberam R$ 117.778.204,25 cada.
O prêmio total pago naquele ano seria suficiente para comprar hoje 14 unidades da cobertura mais cara de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, cidade com o metro quadrado mais valorizado do país.
O apartamento de 740 m², de frente para o mar, está avaliado em R$ 42 milhões.
Os R$ 588 milhões pagos pela Caixa também seriam suficientes para comprar 130.666 passagens de avião (ida e volta) de classe econômica de São Paulo para Paris, considerando cada uma com um preço médio de R$ 4.500.
Se as passagens forem de primeira classe, com cada uma custando em média R$ 70 mil, seria possível ir e voltar da capital francesa 8.400 vezes.
2º lugar: R$ 635 milhões
O segundo maior prêmio, da Mega da Virada de 2024, foi de R$ 635.486.165,36. O total foi dividido entre oito ganhadores e cada um levou R$ 79.435.770,67.
Uma das apostas vencedoras foi de um bolão realizado em Osasco, São Paulo, em que cada uma das 56 cotas ganhou R$ 1.418.495,90. Mas um dos participantes desse bolão não apareceu para retirar seu prêmio no prazo de 90 dias exigido pela Caixa e ficou sem o dinheiro.
Mas se uma única pessoa tivesse levado a bolada de R$ 635 milhões sozinha poderia comprar 635 mil quilos da carne mais cara do mundo, o Wagyu categoria A5.
A categoria A5 representa o nível máximo de qualidade do Wagyu, uma raça de gado originária do Japão. No Brasil, o quilo do corte é vendido a uma média de R$ 1.000.
O quilo do Wagyu categoria A5 custa em média R$ 1.000 no Brasil.
AFP via Getty Images via BBC
Também seria possívelo comprar 1.058 imóveis imóveis de R$ 600 mil, o valor máximo permitido atualmente pela Caixa para financiar casas ou apartamentos novos usando o programa Minha Casa, Minha Vida. Ainda assim, o vencedor único ainda teria mais R$ 200 mil para investir em outros bens.
1º lugar: R$ 1.091 bilhão
A Mega da Virada de 2025 ofereceu o maior prêmio da história até hoje: R$ 1.091.357.286,54.
Ao todo, seis pessoas foram premiadas e cada uma levou para casa mais de R$ 181 milhões.
Com o total do prêmio, um único vencedor poderia adquirir o clube de futebol Vitória, avaliado atualmente em R$ 826 milhões, segundo um ranking elaborado pela Sports Value.
O colar 'La Peregrina' pertenceu à atriz americana Elizabeth Taylor, mas foi comprada inicialmente pelo rei Filipe 2º da Espanha para sua noiva, a rainha Maria 1ª da Inglaterra (1516-1558).
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Os R$ 1.091 bilhão pagos pela Caixa também seriam suficientes para comprar toda a coleção exclusiva de itens que pertenceram a Elizabeth Taylor, leiloada em 2011. Na época, o leilão arrecadou US$ 156.756.576, o que hoje equivale a mais de R$ 786 milhões.
Ao todo, a coleção estava formada por 1.778 itens, entre jóias, peças de roupa e mobiliário.
O elemento mais caro foi um colar de pérolas, diamantes e rubis do século 16, vendido por US$ 11,84 milhões (R$ 59,7 milhões na cotação atual).
O país europeu que endureceu imigração, mas depende de brasileiros para funcionar; entenda por quê
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Entre brasileiros em Portugal, cresce o temor de que fortalecimento do Chega nas urnas se traduza em políticas migratórias mais duras e em um ambiente mais hostil.
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"Os imigrantes não podem viver de subsídios", estampam os cartazes do partido de extrema direita Chega, que continuam espalhados pelo país desde as últimas eleições.
Portugal vem adotando leis migratórias mais rígidas, e o apoio a essas medidas cresce. Estima-se que vivam no país cerca de 1,5 milhão de estrangeiros, em sua maioria trabalhadores migrantes — o equivalente a aproximadamente 14% da população.
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Em Portugal, a hostilidade contra estrangeiros — ou, de forma mais direta, o ódio — tem se intensificado. No entanto, os dados mostram que o país já não consegue prescindir dessa população: os imigrantes não recebem mais benefícios sociais do que os portugueses, e o sistema de proteção social enfrentaria dificuldades financeiras sem suas contribuições.
Além disso, muitos postos de trabalho ficariam vagos — desde garçons em cafés até trabalhadores rurais responsáveis pela colheita de frutas destinadas à exportação, por exemplo, para a Alemanha.
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
Um estudo publicado pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), elaborado pelo Observatório das Migrações, comprova a importância dos trabalhadores estrangeiros para o sistema social português.
De acordo com o levantamento, no ano passado cerca de 1,1 milhão de estrangeiros contribuíram para a Previdência Social por estarem empregados formalmente em Portugal. Isso representa um aumento de 447% em relação a dez anos atrás. O valor das contribuições cresceu ainda mais — 763% — alcançando quase 4,2 bilhões de euros, o equivalente a 14% do total arrecadado.
Estrangeiros mantêm o país funcionando
Segundo o sociólogo Elísio Estanque, especialista em migração laboral, Portugal depende das contribuições dos estrangeiros que trabalham no país.
"Portugal está entre os países com a população mais envelhecida da União Europeia. A Previdência Social precisa arcar com um número crescente de aposentadorias, e os gastos com saúde também aumentam de forma significativa. Nesse contexto, as contribuições dos trabalhadores estrangeiros são um suporte essencial", afirma.
Mas não é só isso, ressalta Estanque. Para o pesquisador, os estrangeiros praticamente mantêm o país funcionando.
"O maior grupo de imigrantes, os brasileiros, concentra-se principalmente no comércio e nos serviços", explica. "Eles dirigem carros de aplicativo, fazem entregas de comida — e são presença constante no atendimento de lojas", acrescenta.
A brasileira Verônica Santos é um desses exemplos. Ela chegou a Portugal há três meses e já trabalha em um restaurante na cidade de Leiria. O marido dela atua como ajudante de obra — nenhum dos dois teve dificuldade para encontrar emprego.
"Ganhamos um bom dinheiro aqui", diz Verônica, acrescentando que a decisão de se mudar foi acertada.
No Brasil, ela afirma que ganharia menos. Mas esse não foi o único motivo para a mudança.
"A insegurança é muito grande no Brasil, há muitos crimes. Portugal é muito mais seguro", afirma a jovem, na faixa dos 20 anos.
Ela e o marido dizem se sentir bem na nova vida. Sobre o crescimento do ódio contra estrangeiros, Verônica adota um tom mais ponderado.
"Racistas existem em todo lugar — em Portugal e também no Brasil. Acho que não há muito o que fazer em relação a isso."
Por que brasileiros que emigram preferem EUA, Portugal e Canadá, segundo LinkedIn
Getty Images via BBC
Imigrantes como bode expiatório
Partidos de extrema direita, como o Chega, têm transformado os imigrantes em bodes expiatórios para questões de segurança, afirma João Neves, professor de Economia da Escola Superior de Leiria. Segundo ele, os slogans populistas não refletem a realidade.
"Sem trabalhadores imigrantes, setores inteiros da economia teriam de fechar. Falta mão de obra portuguesa e, mesmo com aumentos salariais significativos, não seria possível suprir essa carência", diz.
A indústria do turismo, responsável por cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal, depende de mão de obra estrangeira, frequentemente menos valorizada. Sem ela, muitos hotéis não conseguiriam operar. O mesmo vale para diversas propriedades agrícolas, especialmente as que produzem frutas para exportação, que dependem de trabalhadores sazonais vindos, em grande parte, da Ásia.
No caso da Previdência Social, o impacto também é expressivo: em 2025, o saldo positivo entre receitas e despesas relacionadas a estrangeiros chegou a 3,3 bilhões de euros. Esse valor veio principalmente de contribuintes jovens, cujas contribuições ajudam a financiar aposentadorias, seguro-desemprego e benefícios por doença de uma população mais envelhecida.
Falta política de imigração de longo prazo
Embora a mão de obra estrangeira traga benefícios ao país, o ressentimento e o preconceito vêm crescendo em Portugal.
"Nos últimos anos, foi relativamente fácil para estrangeiros se estabelecerem para trabalhar no país. Houve uma entrada desordenada, sem uma política eficaz de integração. Isso gerou focos de tensão social e contribuiu para o aumento da xenofobia", avalia o sociólogo Elísio Estanque.
Segundo ele, os erros do passado deram origem a novas distorções.
"As propostas da extrema direita, das quais o governo tem se aproximado cada vez mais, são desumanas, ineficazes e não solucionam os problemas do país", afirma. Na sua visão, limitar o tempo de permanência dos estrangeiros — eventualmente a apenas seis meses — tende a agravar a situação.
"A pressão para aceitar condições de trabalho mais precárias aumenta, já que os imigrantes tentam ganhar o máximo possível em pouco tempo para melhorar de vida ao retornar ao país de origem. Isso os torna mais vulneráveis", conclui.
Para o economista João Neves, Portugal precisa desenvolver uma política migratória de longo prazo que seja consistente e sustentável.
"Nós também já fomos um país de emigração. Muitos portugueses deixaram suas regiões para trabalhar em outros países da Europa. Isso aconteceu há apenas 60 anos e, ao que parece, não tiramos as devidas lições", afirma.
Ainda assim, há regras em vigor: trabalhadores estrangeiros que retornam a seus países não conseguem reaver as contribuições feitas para a aposentadoria, ao contrário do que ocorre, por exemplo, na Alemanha. Esses valores permanecem com a Previdência Social portuguesa.
Edamame ganha versão brasileira, com grãos maiores e sabor mais suave

Agricultores apostam no cultivo de edamame brasileiro
O edamame, a soja verde consumida como hortaliça e muito comum na culinária oriental, está ganhando uma versão 100% nacional desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A cultivar brasileira está sendo testada em propriedades de pequeno porte, prometendo ser uma alternativa rentável e nutritiva para a agricultura familiar (veja reportagem completa no vídeo acima).
🌱 Diferente da soja commodity, utilizada para a produção de óleo e ração animal, o edamame brasileiro passou por um melhoramento genético para apresentar características mais palatáveis ao consumo humano, como grãos maiores e sabor mais suave.
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Experimento
Embora a planta tenha origem asiática, a versão nacional foi adaptada para a realidade climática do Brasil.
A Fazenda Santa Teresa, localizada no Vale do Café, em Paty do Alferes (RJ), foi o lugar escolhido pela Embrapa para fazer o experimento. A fazenda, que também tem serviço de hospedagem, é gerenciada pelas irmãs Valéria Brito e Cristiana Brito.
O cultivo do edamame no local é todo orgânico e tem conseguido uma produtividade acima da média: enquanto o comum é que cada pé produza entre 80 e 90 vagens, a propriedade registra entre 120 e 130 vagens por planta.
Segundo os responsáveis pelo cultivo, o resultado é consequência de um processo rigoroso de nutrição e irrigação.
Na região, a época ideal para plantar edamame vai de outubro a dezembro, e o período da semeadura à colheita dura cerca de três meses. Durante toda a safra, a Embrapa faz quatro visitas à propriedade.
Um dos pontos mais delicados do processo é o momento de colher as vagens. A retirada precisa acontecer quando os grãos ocupam aproximadamente 90% do espaço interno da vagem, conhecido como lóculo.
A janela ideal para a colheita é curta, de apenas três dias. Depois desse período, a soja amadurece, se transforma em semente convencional e perde as características próprias do edamame.
A colheita é feita manualmente. Após a retirada das vagens, o restante da planta, como folhas e talos, é triturado e devolvido ao solo. Esse material funciona como adubação verde devido ao seu alto teor nutricional.
A maior parte da produção é consumida internamente pelos próprios hóspedes da Fazenda Santa Teresa. As vagens são servidas de diversas formas, como em saladas com alface e cenoura ou preparadas em um estilo mais oriental com óleo de gergelim torrado.
Viabilidade econômica e consumo
Atualmente, cerca de 130 pequenos agricultores em oito estados participam da parceria com a Embrapa. O mercado, embora ainda seja um nicho, é promissor.
No Rio de Janeiro, o quilo do edamame pode ser vendido por até R$ 50, enquanto o custo de plantio para uma área de 50 m² gira em torno de R$ 100.
Além do retorno financeiro, o edamame se destaca pelo valor nutricional, sendo rico em proteínas. Na cozinha, a versatilidade é grande: pode ser consumido como aperitivo (cozido em água e sal), em saladas ou transformado em pastas.
O edamame fresco dura até 5 dias na geladeira, mas se for pré-cozido e congelado, pode ser consumido por até um ano.
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Imagem ilustrativa de Edamame.
Embrapa/Divulgação
Salão de Pequim: g1 testa Leapmotor A10, elétrico mais barato da marca e que pode vir ao Brasil

Leapmotor A10: conheça os detalhes do carro que deve vir ao Brasil
A Leapmotor aproveitou o espaço do estande no Salão do Automóvel de Pequim para apresentar o A10. O modelo é um SUV compacto criado para ser o carro elétrico mais barato da marca.
Se chegar ao mercado brasileiro, o modelo disputará espaço com BYD Dolphin e Yuan Pro, Chevrolet Spark EUV, GWM Ora 03 e GAC Aion Y — carros que custam entre R$ 144.990 e R$ 182.990. Pela faixa de preço, também tentará atrair consumidores que ainda preferem modelos a combustão, como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Jeep Renegade.
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O g1 testou o carro por alguns minutos em uma pista dentro da fábrica da Leapmotor, na China. No local, foi possível dirigir o veículo sem a necessidade de fazer curso ou obter a habilitação especial exigida para estrangeiros circularem por ruas e estradas do país.
O nome B03x não começa com a mesma letra do Leapmotor B10 por acaso. Os dois modelos usam a mesma plataforma e, ao observar apenas a silhueta, têm visual bastante semelhante.
(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)
Leapmotor A10, B03x fora da China
divulgação/Leapmotor
Ambos têm linhas retas e proporções compactas, mas o B03x é o menor dos dois. Ele é 24 centímetros mais curto, sete centímetros mais estreito e tem distância entre-eixos 13 centímetros menor.
Para efeito de comparação, os 4,27 metros de comprimento do A10 são iguais aos do Renegade e sete centímetros maiores que os do T-Cross. No entanto, como o modelo foi projetado desde o início para ser elétrico, a distância entre os eixos é maior que a do Jeep: 2,60 metros, contra 2,56 metros do Renegade.
Esses centímetros extras no entre-eixos se refletem em um porta-malas maior, oficialmente anunciado com 602 litros de capacidade. Durante o teste, porém, o espaço pareceu bem menor que os 518 litros do Fiat Fastback, embora claramente superior aos 320 litros do Renegade.
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O A10 conta ainda com um compartimento inferior, localizado abaixo de uma tampa. No teste, foi possível acomodar duas mochilas nesse espaço, com folga para outras quatro sem que ficassem apertadas.
No visual externo, o Leapmotor A10 segue a fórmula adotada por muitos carros chineses: linhas arredondadas em toda a carroceria, frente com grade fechada e formato pontiagudo, além de maçanetas embutidas, que ajudam na aerodinâmica.
Na traseira, há um respiro em relação à falta de criatividade do conjunto. As lanternas parecem ter LEDs “flutuando” sobre um fundo preto, o que reforça o visual futurista. Juntas, elas formam algo parecido com um rosto sorridente.
Lanterna traseira do Leapmotor A10, chamado de B03x fora da China
divulgação/Leapmotor
No interior, o acabamento traz mais superfícies macias ao toque do que plástico rígido. Já o minimalismo, que foi alvo de críticas no B10, também aparece aqui:
A chave é um cartão plástico, semelhante a um cartão bancário;
Não há controles físicos para o ar-condicionado;
Os ajustes dos retrovisores laterais são feitos apenas pela central multimídia;
Alguns botões do volante acumulam mais de uma função, alterada pela central multimídia.
Minimalismo é regra no Leapmotor A10, chamado de B03x fora da China
divulgação/Leapmotor
A10 faz só o básico na pista
O teste foi feito com uma versão do A10 destinada ao mercado chinês, o que ficou evidente na boa dirigibilidade combinada com uma suspensão mais macia, típica do gosto local.
Esse acerto contrasta com a preferência do consumidor brasileiro, que costuma optar por suspensões mais firmes. Isso já levou alguns modelos a mudar, como o BYD Dolphin, que teve a suspensão reforçada nas atualizações da versão vendida no Brasil.
O trajeto não incluía curvas fechadas nem permitia ultrapassar os 80 km/h, com exceção de uma reta mais longa. Ainda assim, o carro enfrentou uma sequência de buracos e, nesse cenário, a suspensão mais macia absorveu bem os impactos.
Foi nessa mesma reta que apareceu um dos fatores que ajudam a explicar o preço mais baixo do A10: a aceleração é bem mais contida do que a do Leapmotor B10, testado em São Paulo.
Leapmotor A10, B03x fora da China, é feito para quatro ocupantes
divulgação/Leapmotor
A resposta ao acelerador não foi tão lenta quanto a de alguns motores 1.0 ou 1.3 turbo, mas ficou abaixo do que se espera de um conjunto com 204 cv de potência — quase o dobro dos 116 cv do motor 1.0 turbo do Volkswagen Tera, por exemplo.
Essa aceleração mais gradual não deve incomodar no uso urbano, mas exige atenção redobrada em ultrapassagens na estrada, com um cálculo mais cuidadoso do “vai dar?” antes de avançar sobre outro veículo.
Outra curiosidade: o Leapmotor A10 tem tração traseira, característica que deve ser mantida caso o modelo seja lançado no Brasil, já que outros carros da marca seguem essa configuração.
Esse detalhe confere ao carro um comportamento mais esportivo, mas, nos testes realizados em pista fechada, não foi necessário mudar a forma de acelerar nas curvas por causa desse tipo de tração.
O carro mostrou controle suficiente para que até alguém sem experiência com veículos de tração traseira pudesse conduzir o A10 com facilidade, sem perceber que o motor não movimenta as rodas dianteiras.
Além da experiência ao volante, o Leapmotor A10 apresenta números interessantes. No ciclo chinês, conhecido por ser mais otimista, a autonomia declarada é de 505 km com uma única carga. Em um carregador rápido, é possível ir de 30% a 80% da bateria em 16 minutos.
No interior, a central multimídia tem tela de 14,6 polegadas e, junto com outros sistemas do veículo, é comandada pelo mesmo chip Snapdragon usado no Leapmotor B10. O resultado é uma navegação fluida, com animações tão suaves quanto as de smartphones modernos de alto padrão, como o iPhone.
Mesmo sendo o modelo mais acessível da marca, o carro conta com 12 alto-falantes distribuídos pela cabine, bancos dianteiros com ventilação e aquecimento, além de um sistema de comandos de voz com inteligência artificial.
Leapmotor A10, ou B03x, pode chegar ao Brasil
A Leapmotor ainda não tomou a decisão final sobre o lançamento do A10 no Brasil. No entanto, durante o teste na China, a marca informou ao g1 que, caso o modelo chegue ao país, seguirá o padrão adotado em outros mercados e será rebatizado como B03x.
Esse sinal indica uma possível previsão de lançamento e reforça a chance de o carro chegar ao mercado nacional, percepção reforçada pela lista de modelos apresentados aos jornalistas.
O A10 recebeu mais tempo de destaque do que os demais modelos. Ainda assim, dividiu a atenção dos presentes com outros cinco carros da marca: B05, C16 (já confirmado e exibido no Salão do Automóvel de 2025), B01, C11 e D19.
Mega-Sena 30 anos: entenda as regras do sorteio deste domingo, com prêmio de 320 milhões

Como funciona a Mega-Sena?
A Caixa Econômica Federal realiza neste domingo (24) o sorteio especial da Mega-Sena 30 anos, concurso comemorativo que terá prêmio estimado em R$ 320 milhões. O sorteio será realizado às 11h.
Segundo as regras divulgadas pela Caixa, o prêmio do sorteio especial não acumula. Com isso, se ninguém acertar as seis dezenas, o valor principal será dividido entre os apostadores que acertarem a quina.
Se ainda assim não houver vencedores suficientes, seguirá para a quadra, aumentando as chances de alguém acertar a sequência de números.
Onde assistir ao sorteio?
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Clique para assistir à transmissão do concurso especial:
Acompanhe o sorteio da Mega 30 anos no site do g1
Acompanhe o sorteio da Mega 30 anos no canal do g1 no YouTube
Como jogar na Mega 30 anos?
Para jogar, basta marcar de 6 a 20 números dentre os 60 disponíveis nos volantes ou deixar que o sistema escolha as dezenas, por meio da Surpresinha. A aposta simples custa R$ 6, e o valor vai aumentando de acordo com a quantidade de números.
As apostas podem ser feitas até às 22h (horário de Brasília) deste sábado (23) pelo aplicativo Loterias Caixa, pelo portal Loterias Caixa ou em qualquer lotérica do país. Clientes do banco também podem fazer suas apostas pelo internet banking.
Quem aposta também pode escolher participar do concurso por meio de bolões, preenchendo o campo específico no volante. Pela primeira vez, os bolões online poderão ser comprados até uma hora antes do sorteio.
O sorteio do concurso especial da Mega-Sena 30 anos será no próximo domingo, 24 de maio de 2026. A Caixa Econômica Federal elevou a estimativa do prêmio para R$ 300 milhões
Cesar ConventiI/Fotoarena/Estadão Conteúdo
FGTS libera mais de R$ 16 bilhões na próxima semana; parte em saques e restante para pagamento de débitos no Desenrola 2.0

O governo liberará mais de R$ 16 bilhões em recursos de trabalhadores no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) na próxima semana, segundo informações do Ministério do Trabalho.
De acordo com o governo, parte desses recursos (R$ 8,4 bilhões) irá direto da conta do trabalhador vinculada ao FGTS e para sua conta corrente ou depósito.
São recursos de mais de 10,5 milhões de trabalhadores optantes do saque-aniversário que foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025, cuja liberação foi autorizada por meio de uma medida provisória publicada pelo governo.
O restante dos recursos, no valor de até R$ 8,2 bilhões, poderá ser usado pelos trabalhadores como garantia no Desenrola 2.0, para pagamento de débitos antigos, que têm juros mais altos.
Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para quitar dívidas.
➡️Com isso, trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário que foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025, e que também tenham dívidas bancárias, e queiram usar o FGTS para pagar dívidas bancárias poderão fazer duas retiradas na próxima semana.
Uso do FGTS, juros de até 1,99%, dívidas do Fies: o que se sabe sobre o pacote contra o endividamento
Como vai funcionar na prática
Trabalhador que optou pelo saque-aniversário e foi demitido sem justa causa entre 2020 e 2025 terá direito ao chamado "saque complementar" do FGTS. Os valores serão retirados de sua conta vinculada no FGTS até a segunda-feira (25) e depositados na terça-feira (26), informou o Ministério do Trabalho.
De acordo com o governo, 84% os trabalhadores beneficiados pelo saque complementar já têm uma conta bancária informada no aplicativo do FGTS. Esses não precisarão fazer nada, apenas aguardar o depósito dos recursos. Quem não tem conta bancária indicada no aplicativo, deve ir à uma agência da Caixa, com documentação pessoal, para sacar os recursos do saque complementar.
O Ministério do Trabalho explicou que, como os recursos de que tem direito ao saque complementar já terão saído da conta vinculada no FGTS na segunda-feira (25), os trabalhadores poderão saber já neste dia quanto poderão usar para pagar débitos no Desenrola 2.0.
Do valor que restar na conta, após o saque pelo trabalhador que terá direito ao saque complementar, poderão ser usados até 20%, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar dívidas bancárias.
No Desenrola 2.0, o trabalhador consultará seu saldo e poderá autorizar o banco ao qual está devendo a buscar o valor do saldo disponível para negociação. Depois, negocia com o banco devedor o valor com desconto da dívida na própria instituição financeira.
Em seguida, o banco avisará à Caixa Econômica Federal que houve a negociação. A Caixa, por sua vez, solicitará ao trabalhador, pelo aplicativo, o valor do recurso do seu FGTS para pagar a instituição. A Caixa tem 30 dias para repassar o dinheiro ao banco. O prazo para as negociações é de 90 dias.
Saque complementar do FGTS
Jornal Nacional/ Reprodução
Essa é a segunda vez que o governo liberou recursos de trabalhadores que ficaram retidos no FGTS por conta das regras do saque-aniversário. A primeira foi no início de 2025. Serão liberados, nesta vez, outros R$ 8,4 bilhões.
🔎 A explicação é que, quando adere ao saque-aniversário do FGTS, o trabalhador demitido sem justa causa pode sacar apenas o valor da multa rescisória de 40%, mas não o saldo integral da conta do FGTS, que fica bloqueado para saque imediato. Permanecem válidas, porém, outras hipóteses de saque previstas em lei, como aposentadoria, doença grave e compra da casa própria, por exemplo.
💰 No fim do ano passado, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que a medida não causa impacto na sustentabilidade dos recursos do FGTS disponíveis para obras em habitação e infraestrutura.
Desenrola 2.0
O Desenrola 2.0, programa para reduzir o endividamento da população brasileira, foi lançado pelo governo federal no início de maio.
O programa prevê a renegociação de dívida, com descontos, e troca por uma dívida mais barata, tendo como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105.
A expectativa do governo é de que sejam renegociados até R$ 58 bilhões em dívidas antigas e novas.
Pelas regras, o trabalhador também poderá usar parte do seu saldo disponível do FGTS para pagar débitos, justamente o valor que está sendo liberado na próxima semana.
O programa, anunciado no início de maio, foi dividido em quatro categorias voltadas para:
famílias
Fies
empresas
agricultores rurais
Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
➡️ Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto.
O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito.
Para formar esse fundo, o governo buscará de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos. O governo também fará um novo aporte de até R$ 5 bilhões.
Quem aderir ao programa ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online. O programa também prevê que os bancos perdoem dívidas de até R$ 100.
Copa do Mundo 2026: como identificar figurinhas falsas do álbum?

Impressão ruim, preço baixo: como identificar figurinhas falsas da Copa?
Com a chegada da Copa do Mundo de 2026, golpistas tentam lucrar em cima dos torcedores de diversas maneiras — e uma delas é através do álbum de figurinhas da Copa. Nesta sexta-feira (22), a Polícia Civil apreendeu cerca de 200 mil figurinhas em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
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Para não ser lesado, é preciso ficar atento a alguns detalhes ao comprar os pacotes.
Como identificar se uma figurinha da Copa é falsa
Veja abaixo alguns sinais que podem indicar que o pacote de figurinhas da Copa é falsificado:
Preço abaixo do oficial: a Panini, responsável pelo álbum, definiu o valor oficial dos envelopes em R$ 7. Preços muito abaixo disso podem ser um indício de falsificação.
Material do pacote: o papel usado nos envelopes falsos costuma ser mais grosso, poroso e de qualidade inferior em comparação ao original.
Qualidade das figurinhas: as imagens dos jogadores geralmente apresentam impressão mais opaca, menor nitidez e resolução inferior nas versões falsificadas.
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Quanto custa completar o álbum da Copa no Brasil em comparação com outros países?
Panini vai atualizar figurinhas da seleção após convocação; veja quem entra e sai no álbum da Copa
Comparação entre uma figurinha falsa (à direita) e uma verdadeira (à esquerda)
Reprodução/X
Quanto custa para completar o álbum?
O álbum oficial está sendo vendido por R$ 24,90. Já os pacotes de figurinhas (os originais) custam R$ 7 e vêm com sete unidades cada. À primeira vista, os valores parecem acessíveis, mas o custo total para completar o álbum pode ultrapassar facilmente a marca de R$ 1 mil.
Isso acontece porque o número de figurinhas é alto e há repetição frequente nos pacotes. O álbum acompanha a expansão do torneio, que terá 48 seleções pela primeira vez, com jogos nos Estados Unidos, Canadá e México.
Com isso, a coleção é a maior já lançada, com 980 figurinhas e 112 páginas. Em 2022, eram 670 cromos no álbum.
Nas lojas on-line, o colecionador pode comprar os pacotes em grande volume e já gastar R$ 700 em 100 envelopes de figurinhas – ou R$ 724,90 na versão que inclui o álbum.
Além disso, o álbum tem versões especiais que vão de R$ 24,90 (brochura) a R$ 79,90 (capa dura especial).
Há ainda uma edição premium que chega a R$ 359,90 e inclui o álbum na versão capa dura, 40 envelopes de figurinhas e um box para guardar a coleção.
Polícia Civil apreende figurinhas falsificadas da Copa do Mundo no compartimento de carga de um ônibus Nova Iguaçu
Divulgação/ Polícia Civil
SpaceX completa 12º voo da Starship, maior nave do mundo
SpaceX completa 12º voo da Starship, maior nave do mundo Missão testou versão mais avançada da nave, com foco em futuras missões para a Lua e Marte.
SpaceX completa 12º voo da Starship, maior nave do mundo; veja como foi a missão

Starship faz decolagem em 12ª missão de testes da SpaceX
A SpaceX, do bilionário Elon Musk, realizou nesta sexta-feira (22) o 12º voo da Starship, nave mais poderosa do mundo. Sem tripulantes, a missão serviu como mais um teste para as futuras viagens com astronautas.
A decolagem aconteceu por volta das 20h30 (horário de Brasília), na base da SpaceX, no estado americano do Texas. Cerca de uma hora depois, o estágio superior do veículo espacial pousou e, então, ficou coberto por chamas.
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O voo serviu para a SpaceX testar as novas gerações da nave, do propulsor e da base de lançamento. Segundo a empresa, a Starship V3 foi redesenhada para permitir voos mais longos e com intervalos menores entre si.
Esta foi a segunda tentativa de decolagem para a missão, que estava prevista inicialmente para quinta-feira (21), mas foi adiada para esta sexta por conta de uma falha na torre de lançamento.
Veja o momento em que a Starship faz a separação no espaço
A nova geração da Starship teve seu sistema de propulsão repaginado e seu tanque de combustível ampliado. A nave também ganhou um mecanismo para transferir combustível no espaço.
Em sua trajetória no espaço, a Starship liberou com sucesso 20 simuladores de satélites Starlink, além de dois satélites reais modificados e que gravaram imagens da nave pelo lado de fora.
A nave chegou a perder um de seus motores, mas conseguiu completar a manobra de retorno no final do voo.
Com a nova versão da nave, a empresa de Elon Musk pretende se aproximar de um modelo capaz de realizar futuras missões da Nasa para a Lua.
O projeto da Starship, que prevê o desenvolvimento de supernaves reutilizáveis, fez a SpaceX investir mais de US$ 15 bilhões até o momento, segundo a Reuters.
SpaceX quer abastecer Starship com nave reserva no espaço e fazer um lançamento por hora
A empresa protocolou um pedido de oferta pública de ações, quando uma empresa abre seu capital e passa a ter ações negociadas na bolsa de valores.
Musk vinha sinalizando ao mercado que a SpaceX poderia ser avaliada em US$ 1,75 trilhão. O valor é muito superior ao faturamento anual da empresa, que ficou em US$ 18,5 bilhões em 2025.
A avaliação projetada por Musk equivale a quase 100 vezes a receita da companhia, bem acima do observado em gigantes de tecnologia como Apple e Nvidia.
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Nave Starship, da SpaceX, durante seu 12º voo
Reuters/Steve Nesius
Como foram os outros testes?
O primeiro lançamento, em abril de 2023, a Starship explodiu quando ainda estava acoplada ao Super Heavy. Uma falha nos motores fez a empresa ativar um sistema de destruição para explodir o foguete.
Veja como foi o 1º lançamento da Starship
No segundo teste, em novembro de 2023, o Super Heavy explodiu, mas logo após se separar da nave. A Administração Federal de Avião dos EUA (FAA, na sigla em inglês) investigou o acidente e afirmou que a SpaceX identificou a necessidade de realizar 17 correções na nave.
Veja como foi o 2º lançamento da Starship
O terceiro voo aconteceu em março de 2024 e durou 50 minutos. A Starship foi destruída, mas a empresa considerou o teste um avanço porque nunca havia ido tão longe nesse tipo de missão.
Veja como foi o 3º lançamento da Starship
O quarto teste ocorreu em junho de 2024 e foi o primeiro considerado bem-sucedido. A Starship conseguiu pousar no Oceano Índico e o Super Heavy, no Golfo do México, como planejado.
Starship completou seu 1º voo bem-sucedido na 5ª tentativa
Na quinta missão, em outubro de 2024, a empresa conseguiu pela primeira vez trazer o Super Heavy de volta com uma captura no ar feita pelos “braços da plataforma”, além do pouso da Starship no Oceano Índico. A cápsula explodiu, como já era esperado, segundo a companhia.
A manobra de retorno do foguete para a base de lançamento pode tornar os voos espaciais mais baratos.
Em teste da SpaceX, propulsor da Starship pousa com sucesso na torre de lançamento
No sexto teste, em novembro de 2024, a SpaceX não conseguiu fazer com que o foguete Super Heavy retornasse para a plataforma de lançamento, como aconteceu no mês anterior.
O foguete acabou pousando no Golfo do México poucos minutos depois do lançamento, como previsto para casos em que não houvesse condições ou autorização do diretor da missão para repetir a manobra. A nave pousou no Oceano Índico cerca de uma hora após a decolagem.
O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, assistiu à missão no local do lançamento, ao lado de Elon Musk.
Trump já havia anunciado que o bilionário lideraria o novo Departamento de Eficiência Governamental durante seu mandato.
SpaceX lança nave, mas não traz foguete de volta para plataforma
No sétimo voo, em janeiro de 2025, a empresa de Musk conseguiu repetir a manobra em que o foguete Super Heavy é levado de volta à plataforma de lançamento.
SpaceX pousa foguete na plataforma, mas perde contato com nave Starship
Mas a SpaceX perdeu o contato com a nave pouco antes do pouso, algo que já havia acontecido em outros testes.
Na ocasião, um vídeo registrou destroços da Starship cruzando o céu no Haiti. Por segurança, voos comerciais que passavam pela região do Caribe foram obrigados a desviar de suas rotas.
A empresa afirmou que os destroços caíram em áreas previamente designadas para isso.
SpaceX faz 8º voo da Starship, recupera foguete, mas perde contato com a nave
No oitavo voo da Starship, no início de março, a SpaceX perdeu novamente o contato com a nave cerca de dez minutos após o lançamento.
Vídeos registraram os destroços da nave no céu na região das Bahamas (veja abaixo). Segundo o governo dos EUA, 240 voos no país foram prejudicados pela explosão.
Apesar disso, pela terceira vez, a empresa conseguiu “capturar” no ar o foguete que transportou a nave pouco antes do pouso e colocá-lo de volta na plataforma de decolagem.
Fragmentos de nave da SpaceX rasgam os céus e causam atrasos em voos
Na nona missão, que aconteceu em maio, a SpaceX perdeu o controle da nave 40 minutos após o lançamento. Ela deveria pousar no Oceano Índico.
Além disso, a nave não conseguiu abrir a porta para lançar a carga — oito simuladores de satélites da Starlink, braço da SpaceX no setor de internet. E, apesar de conseguir reaproveitar o foguete propulsor Super Heavy pela primeira vez, a empresa perdeu o contato com o equipamento durante a descida.
Por que deu (quase) tudo errado no 9º voo da Starship?
No décimo voo, em agosto, a Starship conseguiu lançar carga no espaço pela primeira vez: um conjunto de oito simuladores de satélites da Starlink. A nave também conseguiu reacender o motor no espaço e pousou no Oceano Índico.
SpaceX lança novo voo da Starship, maior nave do mundo
Conheça o maior foguete da história, criado pela empresa de Elon Musk
O 11º voo da Starship, de Elon Musk, ocorreu em outubro de 2025 e foi considerado bem-sucedido, já que tanto o foguete quanto a cápsula pousaram com sucesso no oceano.
Após subir impostos nos últimos anos, governo estima nível recorde para a arrecadação em 2026

Depois do aumento de vários impostos nos últimos anos, a equipe econômica prevê que a arrecadação de impostos, contribuições federais e demais receitas (como "royalties" do petróleo) atinja novo recorde neste ano.
De acordo com o relatório de receitas e despesas do orçamento do segundo bimestre, a expectativa é de que a arrecadação some 23,6% do Produto Interno Bruto (PIB) — mesmo patamar do recorde anterior, em 2010.
Agora no g1
A estimativa, que leva em conta a proporção da receita com o PIB, é considerada mais apropriada por especialistas para comparações históricas. Outra forma de fazer a comparação é deflacionar os números.
Questionado por jornalistas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em seu terceiro mandato, tem levado adiante uma "recomposição fiscal" com base no "princípio importante de justiça tributária".
"A recomposição tem sido feita em cima de quem tem capacidade econômica, com uma ampla desoneração de quem trabalha e recebe salário. Hoje, as pessoas pagam menos tributos no Brasil. Dez milhões de pessoas beneficiadas com isenção do [imposto de renda], outras beneficiadas com redução do IR se ganham até pouco mais de R$ 7 mil", disse Durigan.
"De fato, a gente passou a fechar uma série de abusos na legislação, fechar programas que se mostravam ineficientes. E cortar, nesse ano, benefícios tributários", completou.
Relembre alguns aumentos de impostos
alta na tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior);
mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido desde então;
reoneração gradual da folha de pagamentos;
fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
início da taxação das bets;
aumento do IOF sobre crédito e câmbio;
alta na tributação dos juros sobre capital próprio.
Novas medidas
No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado em abril ao Congresso Nacional, a equipe econômica informou que medidas voltadas à "recuperação da base arrecadatória" continuarão sendo adotadas para atingir as metas para as contas públicas dos próximos anos.
Vista aérea da Esplanada dos Ministérios em Brasília (DF) em novembro de 2015
Ana Volpe/Agência Senado
O objetivo das medidas, segundo o governo, é garantir uma "contínua e gradual" recomposição do superávit das contas públicas que favoreça a estabilização da trajetória da dívida no médio prazo.
"No intuito de conter a evolução do endividamento público em relação ao PIB, o governo federal continuará adotando ações voltadas à recomposição das receitas, reduzindo ou eliminando incentivos fiscais [benefícios para regiões e setores da economia] que não geram os resultados econômicos e sociais esperados e buscando uma maior progressividade tributária [impostos mais altos para quem ganha mais]", diz a equipe econômica.
Argentina reduz impostos sobre trigo e cevada para aliviar margens agrícolas apertadas, diz bolsa de grãos de Rosário

O presidente da Argentina, Javier Milei, em 2 de abril de 2026
REUTERS/Agustin Marcarian
O corte planejado pela Argentina nos impostos de exportação sobre o trigo e a cevada dará aos agricultores algum alívio ao tomarem as decisões finais de plantio para a temporada 2026/27, informou a bolsa de grãos de Rosário nesta sexta-feira (22), depois que o presidente Javier Milei anunciou as medidas um dia antes.
O governo disse que a taxa de imposto sobre ambas as culturas cairá de 7,5% para 5,5% a partir de junho.
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A bolsa de Rosário estimou que a medida elevaria os preços de compra do trigo em cerca de 2,2% a 2,3%, ou aproximadamente US$4,8 a US$4,9 por tonelada métrica, ajudando a compensar os custos mais altos de combustível, fertilizantes e frete que atingiram as margens dos produtores.
A medida ocorre no momento em que começa o plantio dos grãos de inverno da Argentina. Em meados de maio, dados oficiais mostravam que a semeadura de trigo estava em andamento em Entre Rios, Tucumán, Catamarca e Santiago del Estero, enquanto o plantio de cevada havia avançado em partes de Buenos Aires e outras áreas.
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
Milei disse na quinta-feira que os impostos sobre a exportação de soja também poderiam ser reduzidos gradualmente a partir de janeiro de 2027.
A Argentina é um grande exportador global de trigo e o maior exportador mundial de produtos processados de soja.
Orçamento 2026: governo bloqueia R$ 22,1 bilhões após projetar gasto maior com BPC e benefícios previdenciários

Os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento anunciaram nesta sexta-feira (22) um bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões no orçamento deste ano.
Esse valor se soma a uma outra retenção de R$ 1,6 bilhão anunciada em em março.
Com isso, a limitação em 2026 totaliza R$ 23,7 bilhões.
🔎 Um bloqueio no orçamento é como um "freio de emergência" temporário nas finanças do governo. Ele acontece quando os gastos obrigatórios, como pagamento de aposentadorias, sobem mais do que o esperado. Quando isso acontece, o governo precisa reter parte do dinheiro de gastos não essenciais, como obras, para não ultrapassar o limite de gastos permitido.
💰 A previsão de gasto do governo subiu puxada principalmente pela projeção de gastar R$ 14,1 bilhões a mais com oBenefício de Prestação Continuada (BPC) e R$11,5 bilhões a mais com benefícios previdenciários.
🔎 O BPC é um benefício de assistência social pago pelo INSS a idosos a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência de qualquer idade que tenham renda familiar de até 25% do salário mínimo por pessoa.
A limitação de despesas será feita nos gastos livres dos ministérios, ou seja, aqueles que não são obrigatórios. O detalhamento de quais pastas serão atingidas será divulgado por meio do decreto de programação orçamentária e financeira, que precisa ser publicado até o final do mês.
💵 Ao mesmo tempo, o governo também revisou para cima sua projeção para o déficit primário em suas contas neste ano: que avançou de R$ 59,8 bilhões, estimativa de quando o orçamento foi aprovado, para R$ 60,3 bilhões.
📊 Com isso, o déficit estimado para 2026 ficará próximo do limite fixado pelo arcabouço fiscal, com o abatimento de precatórios (veja mais abaixo nessa reportagem).
Essas despesas envolvem investimentos e custeio da máquina pública. Entre os gastos livres, estão:
despesas administrativas;
investimentos;
verbas para universidades federais;
agências reguladoras;
defesa agropecuária;
bolsas do CNPq e da Capes;
emissão de passaportes;
fiscalização ambiental e do trabalho escravo, entre outros.
➡️ Desde o começo de 2026, economistas já viam um espaço apertado para investimentos do governo Lula em um ano eleitoral.
💰 Já os gastos obrigatórios, que não podem ser bloqueados, envolvem, por exemplo, despesas com benefícios previdenciários, pensões, salário dos servidores públicos, abono e seguro-desemprego, entre outros.
"Nós estamos aqui ajustando as projeções do BPC nesse patamar psra garantir que a dotação do BPC seja compativel com essas projeções. Igualmente os beneficios previdenciarios. Há uma projeção de aumento de R$ 11 bilhões e meio nos seus valores, é um valor até na margem quando a gente considera o volume total de despesa previdenciária, que é em torno de um R$ 1 trilhão falando em números redondos. Mas apesar de ser na margem para a previdência, tem um impacto relevante aqui pras nossas despesas", afirmou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
Agora no g1
Por que os gastos foram bloqueados
O bloqueio acontece por conta do limite de gastos do arcabouço fiscal, a regra para as conta públicas aprovada em 2023. Pela norma:
a regra básica é que o crescimento dos gastos não pode superar 2,5% ao ano em termos reais, ou seja, acima da inflação do ano anterior;
o governo também não pode ampliar as despesas acima de 70% do crescimento projetado pela arrecadação;
o objetivo do arcabouço fiscal é evitar, no futuro, uma disparada da dívida pública e uma piora nos juros cobrados dos investidores na emissão de títulos públicos.
Para calcular a necessidade de bloqueio no orçamento, o governo fez uma nova estimativa das receitas e despesas que serão feitas até o fim deste ano.
Esplanada dos Ministérios
Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília
Meta fiscal em 2026
Além do limite para gastos da regra fiscal, o governo também tem de atingir a meta para as suas contas aprovada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,4 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
➡️Com isso, o déficit estimado de R$ 60,3 bilhões em 2026 está bem próximo do limite fixado pela regra fiscal (com abatimento de precatórios).
China suspende três frigoríficos brasileiros temporariamente

Carne bovina
Cindie Hansen/Unplash
A China suspendeu temporariamente três frigoríficos brasileiros, após identificar irregularidades sanitárias, informou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
O embargo afeta as seguintes empresas:
JBS, na unidade Pontes e Lacerda (MT, SIF 51);
PrimaFoods, na planta de Araguari (MG, SIF 177);
e Frialto, no frigorífico de Matupá (MT SIF 4490).
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A Frialto declarou em nota que a fiscalização sanitária chinesa encontrou o hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em uma de suas cargas.
Com a suspenção, a empresa reduziu em 40% a produção da unidade e redirecionou o volume para mercados alternativos, como EUA, México, União Europeia, países árabes e asiáticos. Além disso, deu início a uma investigação técnica dos lotes envolvidos.
A Frialto espera retomar as operações antes do início do ciclo de produção para as vendas que contemplam a cota de exportação para a China de 2027.
O frigorífico declarou ainda que a suspensão acontece em um momento que o Brasil já está atingindo o limite da cota de 2026, o que já reduziria o ritmo de embarques no 2° semestre.
O g1 procurou as demais empresas, mas não obteve retorno até a última atualização dessa reportagem. O Ministério da Agricultura e a Embaixada da China também não responderam o pedido de posicionamento.
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Segundo a Abiec, a medida tem caráter temporário e preventivo, para a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências necessárias pelas empresas envolvidas.
A associação defende que o Brasil possui "um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente, com monitoramento contínuo ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal (SIF)".
As cargas apontadas pelas autoridades chinesas estão sendo tratadas "conforme os protocolos sanitários estabelecidos entre os dois países", informa a nota.
A suspensão aconteceu na mesma semana em que a China anunciou retomar os embarques de outras três plantas, que ficaram embargadas por 1 ano.
Uma delas também pertence a JBS, localizada em Mozarlândia. As outras duas eram uma unidade da Frisa, em Nanuque (MG), e outra da Bon-Marte, em Presidente Prudente (SP).
O Brasil tem mais de 100 frigoríficos habilitados para a comercialização de carne para a China, informou o Ministério da Agricultura em 2025.
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ONS aumenta previsão de consumo de energia no Brasil para maio

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aumentou a previsão de consumo de energia no Brasil para maio. A estimativa agora é de crescimento de 1,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, chegando a 79.634 megawatts médios. Há uma semana, a expectativa era de alta menor, de 0,4%.
🔎 Na prática, isso significa que o país deve consumir mais energia do que o previsto anteriormente, o que costuma ser acompanhado de perto pelo mercado porque pode indicar maior atividade econômica, temperaturas mais elevadas ou aumento do uso de eletricidade por indústrias, empresas e consumidores.
O ONS também revisou para cima a previsão de chuvas que abastecem as hidrelétricas do Sul do país. Agora, a expectativa é que o volume fique em 101% da média histórica para maio, acima dos 87% projetados na semana passada.
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Isso tende a ser uma notícia positiva para a geração hidrelétrica, já que mais água ajuda a manter os reservatórios em níveis confortáveis e reduz a necessidade de acionar fontes mais caras, como usinas termelétricas.
Nas demais regiões, o órgão também fez ajustes nas projeções de afluência — nome dado ao volume de água que chega aos reservatórios.
No Sudeste/Centro-Oeste, principal região do sistema elétrico brasileiro, a previsão subiu de 83% para 85% da média histórica. No Nordeste, passou de 52% para 54%.
Já no Norte, houve leve piora: a estimativa caiu de 81% para 78%.
Apesar da melhora nas chuvas em parte do país, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste devem encerrar maio com 66,3% da capacidade, um pouco abaixo dos 66,6% previstos anteriormente. Ainda assim, o nível segue relativamente confortável para o período.
Imagem de lâmpada, no DF
TV Globo/Reprodução
Justiça autoriza R$ 2,5 bilhões em atrasados do INSS para aposentados e pensionistas; veja quem recebe

O Conselho da Justiça Federal (CJF) autorizou na quinta-feira (21) a liberação de R$ 2,5 bilhões para o pagamento de mais de 208 mil pessoas que ganharam ações judiciais de menor valor contra órgãos federais. Os recursos correspondem a 163,4 mil processos protocolados até abril de 2026.
🔎 As chamadas Requisições de Pequeno Valor (RPVs) são pagamentos que o governo federal é obrigado a fazer após perder ações judiciais de até 60 salários mínimos.
Todos os meses, o CJF autoriza o repasse de recursos aos Tribunais Regionais Federais (TRFs) para quitar ações já encerradas na Justiça. No caso do INSS, os chamados atrasados correspondem a valores que deixaram de ser pagos no passado e que passam a ser devidos após decisão judicial.
Isso pode acontecer, por exemplo, quando o beneficiário consegue aumentar o valor da aposentadoria ou benefício após comprovar erro no cálculo, ou quando a Justiça reconhece que ele tinha direito a receber um benefício que havia sido negado anteriormente.
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
Maior parte dos recursos vai para o INSS
Segundo o CJF, a maior parte desse dinheiro — cerca de R$ 2,08 bilhões — será usada para quitar ações ligadas ao INSS, incluindo revisões de aposentadorias, auxílio-doença, pensões e outros benefícios previdenciários e assistenciais.
Ao todo, mais de 132 mil pessoas serão beneficiadas nessa categoria.
Os valores retroativos só são liberados para segurados que venceram definitivamente uma ação contra o INSS na Justiça. Isso significa que o processo já foi encerrado e não cabe mais recurso ou contestação sobre o direito ao pagamento.
Neste lote, serão contempladas as pessoas que ganharam causas de até 60 salários mínimos contra o INSS e tiveram o pagamento autorizado pela Justiça em janeiro de 2026.
Quando o dinheiro será pago?
Agora, os Tribunais Regionais Federais (TRFs) serão responsáveis por definir quando os valores serão depositados. As datas para saque poderão ser consultadas nos sites de cada tribunal.
O maior volume de recursos foi destinado ao TRF da 1ª Região, que atende o Distrito Federal e outros 13 estados, com R$ 729,3 milhões liberados. Depois aparecem o TRF da 5ª Região, com R$ 462,2 milhões, e o TRF da 4ª Região, com R$ 436,1 milhões.
Confira a distribuição dos valores em cada tribunal
TRF da 1ª Região (Sede no DF, com jurisdição: DF, GO, TO, MT, BA, PI, MA, PA, AM, AC, RR, RO e AP)
Geral: R$ 729.366.704,14
Previdenciárias/Assistenciais: R$ 624.915.717,62 (30.269 processos, com 36.476 beneficiários)
TRF da 2ª Região (sede no RJ, com jurisdição no RJ e ES)
Geral: R$ 222.872.596,18
Previdenciárias/Assistenciais: R$ 162.473.660,57 (6.967 processos, com 10.266 beneficiários)
TRF da 3ª Região (sede em SP, com jurisdição em SP e no MS)
Geral: R$ 428.036.416,05
Previdenciárias/Assistenciais: R$ 339.810.047,82 (10.810 processos, com 14.560 beneficiários)
TRF da 4ª Região (sede no RS, com jurisdição no RS, no PR e em SC)
Geral: R$ 436.117.032,79
Previdenciárias/Assistenciais: R$ 364.102.055,17 (19.549 processos, com 27.855 beneficiários)
TRF da 5ª Região (sede em PE, com jurisdição: PE, CE, AL, SE, RN e PB)
Geral: R$ 462.275.379,35
Previdenciárias/Assistenciais: R$ 394.532.590,62 (18.418 processos, com 30.337 beneficiários)
TRF da 6ª Região (sede em MG, com jurisdição em MG)
Geral: R$ 223.191.949,13
Previdenciárias/Assistenciais: R$ 202.534.054,94 (10.640 processos, com 13.120 beneficiários)
Justiça autoriza R$ 2,5 bilhões em atrasados do INSS para aposentados e pensionistas; veja quem recebe
Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
Brasil tem apenas um nome na lista de atletas mais bem pagos do mundo; veja quem é e quanto ganha

O ranking dos atletas mais bem pagos do mundo da revista Forbes ficou ainda mais enxuto para o Brasil neste ano. Depois de ter dois representantes em 2025, a lista agora conta com apenas um brasileiro: Vinicius Júnior.
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O atacante do Real Madrid aparece na 34ª posição do ranking, com ganhos estimados em US$ 60 milhões (R$ 300,03 milhões) ao longo do ano — sendo US$ 40 milhões (R$ 200 milhões) recebidos dentro de campo e outros US$ 20 milhões (R$ 100 milhões) vindos de contratos publicitários e ações comerciais fora do futebol.
No levantamento do ano passado, o Brasil tinha dois nomes entre os 50 atletas mais bem pagos do planeta. Além de Vini Jr., que estava no 46º lugar, o atacante Neymar também integrava a lista e era, inclusive, o brasileiro mais bem colocado.
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
Na época, Neymar ocupava a 25ª posição, com ganhos estimados em US$ 76 milhões (R$ 380 milhões, considerando a cotação atual do dólar) ao longo de 2025, enquanto Vini Jr. aparecia no 46º lugar, com US$ 55 milhões (R$ 275,03 milhões, pela cotação atual).
Agora, porém, Neymar ficou fora do ranking, e Vinicius Júnior passou a ser o único representante brasileiro entre os atletas mais bem pagos do mundo.
Neymar e Vini Jr.
g1
Futebol domina topo da lista
O futebol segue no topo da lista dos atletas mais bem pagos do mundo. Pelo quarto ano seguido, Cristiano Ronaldo lidera o ranking da revista Forbes, com ganhos estimados em US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão).
O valor iguala o maior rendimento anual já registrado pela publicação para um esportista.
Na outra ponta da lista aparece o tenista Jannik Sinner, que ocupa a 50ª posição com ganhos estimados em US$ 54,6 milhões (R$ 273,03 milhões) — o maior valor mínimo já registrado para entrar no ranking.
A lista reúne atletas de 18 países e oito modalidades esportivas, mas o basquete é o esporte com mais representantes. Ao todo, 20 jogadores da NBA aparecem no ranking, quatro a mais do que no ano passado.
Segundo a Forbes, o aumento dos salários na principal liga de basquete dos Estados Unidos vem impulsionando os ganhos dos atletas e pode ampliar ainda mais a presença da modalidade na lista nos próximos anos.
Veja abaixo quem são os 10 atletas mais bem pagos do mundo em 2026:
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Mega-Sena 30 anos: veja como jogar no concurso especial com prêmio de R$ 300 milhões

Como funciona a Mega-Sena?
A Caixa Econômica Federal anunciou um sorteio especial da Mega-Sena para celebrar os 30 anos da modalidade com uma premiação de R$ 300 milhões. O sorteio será realizado às 11h do dia 24 de maio, próximo domingo.
🔴 O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Como jogar na Mega 30 anos
Para jogar, basta marcar de 6 a 20 números dentre os 60 disponíveis nos volantes ou deixar que o sistema escolha as dezenas, por meio da Surpresinha. A aposta simples custa R$ 6, e o valor vai aumentando de acordo com a quantidade de números.
As apostas podem ser feitas até às 22h (horário de Brasília) do dia 23 de maio pelo aplicativo Loterias Caixa, pelo portal Loterias Caixa ou em qualquer lotérica do país. Clientes do banco também podem fazer suas apostas pelo internet banking.
Quem aposta também pode escolher participar do concurso por meio de bolões, preenchendo o campo específico no volante. Pela primeira vez, os bolões online poderão ser comprados até uma hora antes do sorteio.
O sorteio do concurso especial da Mega-Sena 30 anos será no próximo domingo, 24 de maio de 2026. A Caixa Econômica Federal elevou a estimativa do prêmio para R$ 300 milhões
Cesar ConventiI/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Regras do concurso
Segundo as regras divulgadas pela Caixa, o prêmio do sorteio especial não acumula. Com isso, se ninguém acertar as seis dezenas, o valor principal será dividido entre os apostadores que acertarem a quina.
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Se ainda assim não houver vencedores suficientes, seguirá para a quadra, aumentando as chances de alguém acertar a sequência de números.
Três décadas da Mega-sena
Criada em 1996, a Mega-Sena já movimentou mais de R$ 115 bilhões ao longo de três décadas.
De acordo com a Caixa, 980 apostas já receberam prêmios milionários desde a criação da loteria. O maior prêmio pago em um concurso regular da Mega-Sena — sem considerar a Mega da Virada — foi de R$ 317,8 milhões, em outubro de 2022.
Como cultivar a palma forrageira

Imagem da cartilha do Senar sobre a palma forrageira.
Reprodução
Em períodos de seca, a palma forrageira é uma das principais fontes de alimentação dos rebanhos no semiárido brasileiro.
Para ajudar produtores rurais a melhorar o manejo da cultura, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) disponibiliza uma cartilha gratuita com orientações sobre cultivo e cuidados com o palmal.
O material traz informações sobre as variedades mais indicadas da planta, recomendações de tratos culturais e formas de identificar as principais pragas que afetam a produção.
📱Acesse aqui
Que fruta é essa?
EUA investirão US$ 2 bi na IBM e em outras empresas de computação quântica

O governo dos Estados Unidos anunciou um pacote de US$ 2 bilhões em investimentos em empresas ligadas à computação quântica, tecnologia considerada estratégica na disputa global por inovação e liderança industrial.
Os recursos serão direcionados a novos projetos de companhias como IBM, GlobalFoundries, D-Wave, Rigetti Computing, Infleqtion e Diraq.
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A iniciativa faz parte dos esforços do governo Donald Trump para fortalecer a produção de tecnologia dentro do país e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, especialmente da China.
A computação quântica é vista como uma nova geração de computadores capazes de resolver problemas complexos muito mais rapidamente do que os sistemas atuais.
Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal
Entre as aplicações esperadas estão o desenvolvimento de medicamentos, sistemas de segurança digital, inteligência artificial e análises financeiras.
Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, a IBM receberá US$ 1 bilhão para criar uma empresa voltada à fabricação de chips para computadores quânticos. Já a GlobalFoundries deve receber US$ 375 milhões para construir uma fábrica destinada à produção de componentes usados nesse tipo de tecnologia.
Outras empresas do setor também serão beneficiadas. D-Wave, Rigetti Computing e Infleqtion receberão cerca de US$ 100 milhões cada. Já a Diraq poderá receber até US$ 38 milhões para desenvolver soluções voltadas aos principais desafios técnicos da computação quântica.
Parte das empresas contempladas possui ligação com integrantes do governo americano. Emil Michael, principal autoridade de tecnologia do Pentágono, participou da abertura de capital da D-Wave em 2022. Já a PsiQuantum anunciou no ano passado um investimento de US$ 1 bilhão vindo de grupos que incluem o braço de venture capital da Nvidia e a 1789 Capital, apoiada por Donald Trump Jr.
Após o anúncio, as ações das empresas envolvidas registraram altas entre 6% e 31%.
Os investimentos fazem parte do CHIPS and Science Act, programa aprovado durante o governo do ex-presidente Joe Biden para ampliar a produção de tecnologia e semicondutores nos EUA.
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Visitantes passam pelo logotipo da IBM no Mobile World Congress (MWC) em Barcelona, Espanha 3 de março de 2026
REUTERS/Nacho Doce