FedEx encerra transporte doméstico no Brasil e concentra força no internacional

A FedEx informou a clientes e parceiros que vai encerrar o transporte doméstico no Brasil. O processo será gradual e prevê um período de transição de cerca de 30 dias. As coletas nacionais seguirão até 6 de fevereiro de 2026, e as entregas já contratadas serão realizadas conforme o previsto.
A decisão foi comunicada nesta quarta-feira (7). Durante essa etapa, a empresa afirmou que manterá o suporte operacional e o atendimento aos clientes, e que o desligamento de equipes faz parte do processo de reestruturação.
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Segundo a companhia, o movimento faz parte de um realinhamento estratégico de sua atuação no país. Com a mudança, a empresa informou que manterá no Brasil apenas as operações voltadas ao transporte internacional e aos serviços de supply chain — incluindo POS (máquinas de cartão).
"Como parte dos nossos esforços contínuos para fortalecer a rede global da FedEx e responder proativamente às dinâmicas do mercado, decidimos concentrar nossas operações no Brasil no transporte internacional – tanto aéreo quanto rodoviário – e em serviços de supply chain, incluindo POS (máquinas de cartão de crédito)", diz o comunicado.
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Encerramento gradual
Segundo o comunicado, o encerramento do transporte nacional ocorrerá de forma gradual.
👉 A empresa estabeleceu um período de transição de aproximadamente 30 dias e informou que manterá as coletas domésticas até 6 de fevereiro de 2026, além de concluir as entregas já contratadas dentro dos prazos acordados.
👉 Durante esse período, a companhia afirma que continuará prestando suporte operacional e atendimento aos clientes.
O processo de desmobilização, previsto para avançar até junho, inclui o fechamento de estruturas operacionais ligadas ao transporte doméstico e a reorganização dos ativos logísticos atualmente utilizados nessas atividades.
Em nota, a empresa afirmou que a decisão é uma “resposta proativa às dinâmicas do mercado”. A companhia ainda destacou que permanece comprometida com o cumprimento das obrigações contratuais e com a prestação de serviços aos clientes no país.
Veja abaixo o comunicado na íntegra:
"Como parte dos nossos esforços contínuos para fortalecer a rede global da FedEx e responder proativamente às dinâmicas do mercado, decidimos concentrar nossas operações no Brasil no transporte internacional – tanto aéreo quanto rodoviário – e em serviços de supply chain, incluindo POS (máquinas de cartão de crédito). Essas áreas continuam sendo essenciais para conectar nossos clientes no Brasil e nos mercados globais.
A FedEx permanece totalmente comprometida com o cumprimento de todas as obrigações contratuais e com a prestação de um serviço confiável aos seus clientes, bem como em apoiar empresas em todo o país com soluções logísticas e de supply chain confiáveis, seguras e eficientes que refletem os mais altos padrões da FedEx."
Fedex
Reprodução Globo News
Dólar sobe com atenção voltada à indústria brasileira e ao emprego nos EUA

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar inicia a sessão desta quinta-feira (8) em alta, avançando 0,14% às 9h02, aos R$ 5,3906. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
Os mercados acompanham uma agenda carregada de indicadores no Brasil e no exterior. Dados de atividade e inflação no cenário local dividem atenção com números do mercado de trabalho americano e novos desdobramentos da relação entre Estados Unidos e Venezuela.
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▶️ Nos EUA, os investidores aguardam pela manhã os números de emprego, com previsão de cerca de 210 mil pedidos de Auxílio-Desemprego. Também na agenda americana, é esperado déficit de US$ 58,9 bilhões na balança comercial.
Os dados de hoje ajudam a compor o quadro do mercado de trabalho e do comércio exterior dos EUA.
▶️ No exterior, os desdobramentos da ofensiva dos EUA à Venezuela seguem em pauta. Donald Trump afirmou que o governo americano deve continuar “administrando” a Venezuela e extraindo petróleo das reservas do país “por muitos anos”.
Segundo Trump, o governo interino, assumido por Delcy Rodríguez, “está nos dando tudo o que consideramos necessário”.
▶️ No Brasil, hoje saem os dados da produção industrial de novembro, com expectativa de crescimento de 0,2% no mês e queda de 0,1% no acumulado de 12 meses.
▶️ Em Brasília, aumenta a expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete o PL da dosimetria na solenidade pelos três anos dos ataques de 8 de janeiro. O evento não deve contar com a cúpula do Congresso nem com representação expressiva de ministros do STF.
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Acumulado da semana: -0,70%;
Acumulado do mês: -1,87%;
Acumulado do ano: -1,87%.
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Acumulado da semana: +0,92%;
Acumulado do mês: +0,55%;
Acumulado do ano: +0,55%.
EUA vão 'administrar' Venezuela
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu governo deve seguir "administrando" a Venezuela e extraindo petróleo das reservas do país latino-americano "por muitos anos".
O líder norte-americano disse ainda que o governo interino da Venezuela, assumido pela vice-presidente de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, "está nos dando tudo o que consideramos necessário por enquanto".
"Só o tempo vai dizer", disse o presidente norte-americano, ao ser questionado sobre quantos anos a ingerência de Washington sobre Caracas vai durar.
“Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso", afirmou Trump na entrevista.
Ao ser questionado por que preferiu apoiar a agora presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no lugar de incentivar que a oposição tomasse o poder no país, o presidente dos EUA negou responder.
A declaração ocorre apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro.
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Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
🔎 A produção venezuelana despencou nas últimas décadas, afetada pela má gestão e pela escassez de investimentos estrangeiros após a nacionalização do setor nos anos 2000. Com a ação dos EUA, parte do mercado avalia que o petróleo do país possa voltar a circular, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.
Agenda econômica
Produção industrial no Brasil
A produção industrial no Brasil ficou estável em novembro, contrariando a expectativa de crescimento e reforçando a avaliação de que o setor teve pouco fôlego ao longo de 2025. O desempenho ocorre em um cenário marcado por política monetária restritiva e pelos efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo pesquisa da Reuters, economistas esperavam um avanço de 0,2% no mês, após alta de 0,1% registrada em outubro.
Na comparação com novembro do ano passado, a produção industrial recuou 1,2%, resultado mais negativo do que a projeção do mercado, que indicava queda de 0,1%.
O levantamento do IBGE mostra que, em novembro, 15 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram queda em relação ao mês anterior. A principal influência negativa veio das indústrias extrativas, cuja produção recuou 2,6%.
O resultado foi impactado pela menor produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro. Também apresentaram retração os setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,6%), produtos químicos (-1,2%), produtos alimentícios (-0,5%) e bebidas (-2,1%).
Entre as categorias econômicas, a produção de bens de consumo duráveis caiu 2,5% em novembro, enquanto a de bens intermediários recuou 0,6%. Em sentido oposto, houve alta de 0,7% na produção de bens de capital e avanço de 0,6% nos bens de consumo semi e não duráveis.
Bolsas globais
Em Wall Street, os investidores mostram cautela antes da divulgação do relatório de empregos previsto para sexta-feira. Na véspera, os índices tiveram comportamento misto: o Dow e o S&P 500 caíram após atingirem recordes durante o dia, enquanto o Nasdaq avançou com otimismo em torno de ações ligadas à inteligência artificial.
Antes da abertura, os contratos futuros indicavam queda: Dow Jones -0,35%, S&P 500 -0,17% e Nasdaq -0,23%.
Os mercados europeus operavam com leve baixa, enquanto ações do setor de defesa atingiam recorde, impulsionadas por tensões geopolíticas que vão da Venezuela à Groenlândia. O índice europeu de defesa e aeroespacial subiu quase 2% no início do dia, acumulando cinco sessões de alta e ganhos expressivos no ano.
Durante a manhã, o índice Stoxx 600 recuava 0,35%. Entre as principais bolsas, o DAX (Alemanha) caía 0,16%, o FTSE 100 (Reino Unido) recuava 0,21%, o CAC 40 (França) perdia 0,17% e o FTSE MIB (Itália) tinha baixa de 0,21%.
Já as bolsas asiáticas fecharam em queda. Na China, investidores realizaram lucros em ações financeiras, enquanto em Hong Kong o pessimismo aumentou após recuos de fundos listados nos EUA.
No fechamento, os índices ficaram assim: Hang Seng -1,17% (26.149 pontos), Xangai SSEC -0,07% (4.082 pontos), CSI300 -0,82% (4.737 pontos), Nikkei -1,6% (51.117 pontos), Kospi +0,03% (4.552 pontos), Taiex -0,25% (30.360 pontos) e Straits Times -0,18% (4.739 pontos).
Dólar
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Irlanda votará contra o acordo comercial UE-Mercosul

Agricultores da França fazem protesto contra o acordo entre Mercosul e União Europeia
A Irlanda votará contra o acordo comercial da União Europeia com o Mercosul na sexta-feira, anunciou nesta quinta-feira (8) o vice-primeiro-ministro Simon Harris. O país se junta à França, Hungria e Polônia na oposição ao tratado.
"A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado", afirmou Harris em comunicado.
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"Votaremos contra o acordo", acrescentou Harris, ao se referir ao pacto da UE com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, cuja assinatura está prevista para segunda-feira.
O Conselho da UE poderá aprovar na sexta-feira (9) o acordo comercial negociado desde 1999, apesar da resistência de alguns Estados-membros. Com isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ficaria autorizada a assiná-lo na segunda-feira (12).
A oposição de França, Polônia, Hungria e Irlanda não deve impedir que a Comissão Europeia obtenha o apoio da maioria dos 27 Estados-membros da UE na votação marcada para sexta-feira, em Bruxelas.
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O tratado criaria a maior área de livre comércio do mundo, mas o setor agrícola europeu teme os efeitos de um aumento significativo das importações de carne, arroz, mel e soja da América do Sul, em troca da exportação de veículos e máquinas europeias para o Mercosul.
Em sua declaração, o vice-primeiro-ministro irlandês criticou as concessões feitas pela Comissão Europeia para atender às preocupações do país.
"Infelizmente, o resultado dessas negociações é que, embora a UE tenha concordado com uma série de medidas adicionais, elas não são suficientes para atender às expectativas dos nossos cidadãos", afirmou Harris.
Simon Harris acena para apoiadores ao sair da sede do Parlamento irlandês
MAXWELLS / HOUSES OF THE OIREACHTAS / AFP
Banco Master: qual o papel do TCU na crise?

TCU descarta reverter liquidação do Banco Master
Jhonatan de Jesus, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), deve suspender uma inspeção no Banco Central (BC) que visava apurar a atuação da autoridade monetária na liquidação do Banco Master, segundo fontes ouvidas por veículos de imprensa como o g1 e a Folha de S. Paulo.
A BBC News pediu a confirmação da suspensão à assessoria de imprensa do TCU e aguarda retorno.
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A inspeção havia sido determinada em decisão individual na segunda-feira (5) pelo próprio Jhonatan de Jesus, que é relator do caso Master no TCU — órgão autônomo responsável pela fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades públicas do país.
Com a suposta decisão pela suspensão, após recurso do BC, o caso deve ir ao Plenário do tribunal.
O objetivo da inspeção era obter esclarecimentos sobre o processo de liquidação, determinado pelo BC em 18 de novembro.
No mesmo dia, Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado, foi preso — após obter um habeas corpus, ele foi solto sob monitoramento de tornozeleira eletrônica.
O Master é suspeito de fraudes bilionárias.
O BC apresentou um recurso na terça-feira (6/1) para tentar impedir a inspeção da área técnica do TCU sobre a documentação relacionada à operação de liquidação, segundo apuração do portal G1. O caso está em sigilo.
No recurso, disse o portal g1, o BC alegou que inspeções só podem ser determinadas em decisão colegiada do TCU, ou seja, com participação de outros ministros da Corte.
Na decisão que havia autorizado a inspeção, Jhonatan de Jesus não havia descartado adotar, em algum momento, uma medida cautelar contra o BC, sem citar qual seria.
No setor bancário, houve temores de que o ministro pudesse anular a liquidação do Master.
Mas, nesta quarta-feira (7/1), o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, descartou a possibilidade de "desliquidação" em entrevista à agência de notícia Reuters.
Segundo Rêgo Filho, somente o Supremo Tribunal Federal (STF) poderia reverter a decisão pela liquidação.
"O processo de desfazer a liquidação depende do Supremo Tribunal, porque há um caso em aberto lá", disse o presidente do TCU à Reuters.
"O que a TCU pode oferecer, como já vem fazendo, são elementos sobre a legalidade da operação."
A situação do Master também é alvo de investigação criminal, no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, cuja atuação no caso tem gerado controvérsia.
Na Câmara, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) busca abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master e diz já ter o apoio suficiente de parlamentares para tal.
Já o TCU tem como uma de suas funções fiscalizar a atuação de autarquias federais, como o Banco Central. O processo sobre a liquidação do Master foi aberto por solicitação do Ministério Público junto ao TCU para apurar eventuais falhas do Banco Central na supervisão do banco.
Operações bilionárias entre BRB e Master estão sendo investigadas
Reuters via BBC
O que ministro do TCU havia pedido na inspeção
A apuração do TCU busca esclarecer se, de um lado, a autoridade monetária teria demorado na condução de alternativas à liquidação, como a compra do Master por outra instituição financeira, e, de outro, se teria se precipitado ao determinar o encerramento do banco.
No final de dezembro (30/12), o Banco Central enviou um relatório com esclarecimentos ao TCU, mas o documento está sob sigilo.
Na decisão que determinou a inspeção da autoridade monetária, o ministro Jhonatan de Jesus havia argumentado que a manifestação do BC não veio acompanhada de provas documentais.
"A Nota Técnica apresentada se limitou, em essência, à exposição sintética de cronologia e fundamentos, com remissão a processos e registros internos, sem que viesse acompanhada, nesta oportunidade, do acervo documental subjacente (peças, notas internas, pareceres e registros de deliberação) necessário à verificação objetiva das assertivas nela contidas".
Ao determinar a inspeção no BC, Jhonatan de Jesus havia orientado a área técnica a reconstruir toda a cronologia e documentação envolvendo soluções privadas, ou seja, propostas de compra do Master.
O ministro frisou o interesse em entender se houve divergências internas no BC sobre essas propostas e como elas foram superadas.
Jhonatan de Jesus havia determinado, inclusive, a análise de registros formais de uma videoconferência realizada em 17 de novembro, um dia antes da liquidação do banco.
Na reunião, teria sido informada pelo Master ao BC uma nova proposta de compra do banco pelo grupo Fictor.
Além disso, o ministro do TCU havia solicitado que fosse inspecionada a supervisão do BC sobre o Master depois de 2019, quando o banco liquidado começou a ter um crescimento atípico.
A inspeção deveria "reconstruir o fluxo de supervisão e resolução no período 2019–2025, verificar motivação, coerência e proporcionalidade, examinar a consideração de alternativas menos gravosas e aferir, com rastreabilidade documental, o tratamento conferido a tratativas relevantes de mercado".
O documento assinado pelo ministro também resumiu os argumentos do Banco Central no relatório enviado ao TCU, que se encontra em sigilo.
"Em síntese, o BCB sustenta que a liquidação não teria sido ato isolado ou precipitado, mas desfecho de processo de supervisão, reputando-se inevitável diante de crise de liquidez, descumprimentos normativos relevantes e achados de irregularidades em operações, com remissão às bases legais correspondentes".
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, que teve acesso ao documento, o BC teria informado também ao TCU que acionou o Ministério Público Federal após identificar indícios de fraude em negócios do Master com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. — um dos alvos da operação Carbono Oculto, que mirou a relação entre setor de combustíveis, a organização criminosa PCC e empresas financeiras.
Antes disso, o Banco Central já havia identificado outra possível fraude na revenda de R$ 12,2 bilhões em créditos supostamente inexistentes do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB), banco público do Distrito Federal.
Posteriormente, o BRB tentou comprar o Master, mas o Banco Central vetou a operação em setembro.
Na segunda-feira (5/1), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e outras dez associações do setor financeiro publicaram nota apoiando a atuação do BC e sua independência, sem citar diretamente o Master.
A compra do Master
A quebra do Master é a maior da história do país em impacto para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — associação privada que funciona como uma espécie de sistema de garantia de depósitos, cobrindo investimentos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ (por instituição financeira) em caso de quebra de alguma instituição associada.
Segundo o FGC, 1,6 milhão de investidores do banco, que detinha R$ 41 bilhões em títulos CDBs, poderão ser ressarcidos.
A Polícia Federal (PF) investiga suspeitas de fraudes na concessão de créditos, emissão de títulos irregulares e criação de carteiras falsas — operações que, segundo os investigadores, movimentaram valores bilionários e alimentaram uma tentativa de venda da instituição ao BRB.
A liquidação do banco ocorreu no dia 18 de novembro, mesmo dia em que uma operação levou à prisão de Vorcaro e de outros executivos do banco.
Em 28 de novembro, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região concedeu habeas corpus e mandou soltar Vorcaro, os ex-diretores Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva, além de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco.
Eles são monitorados por tornozeleira eletrônica e estão proibidos de exercer atividades no setor financeiro, de ter contato com outros investigados e de deixar o país.
As conexões de Vorcaro no STF
Contrato de banco com o escritório da esposa de Moraes gerou críticas
EVARISTO SA/AFP/Getty Images via BBC
O BRB, banco público do Distrito Federal, chegou a tentar comprar o Master, mas o Banco Central não autorizou o negócio.
Há suspeitas de fraudes sobre operações bilionárias entre as duas instituições.
Diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino se manifestou a favor da compra do Master pelo BRB, mas sua posição ficou vencida dentro da autoridade monetária, que optou pela liquidação da instituição.
O caso Master também revelou uma rede de contatos de Vorcaro com autoridades em Brasília, que vão de políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a ministros do STF, como o próprio Toffoli e o ministro Alexandre de Moraes — cuja esposa, Viviane Barci de Moraes, teve um contrato milionário como advogada do banco liquidado.
Segundo o jornal O Globo, que revelou a existência do contrato da mulher de Moraes com o banco, o ministro do STF teria pressionado o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre a venda do banco Master, o que ambos negam.
Um pedido de investigação contra o ministro foi arquivado pelo procurador-geral da República, que avaliou não haver indícios de crime na contratação da esposa de Moraes.
No caso de Toffoli, o ministro viajou para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, no Peru, no mesmo voo particular que um advogado de um dos diretores do banco.
A coincidência chamou atenção porque a viagem ocorreu no final de novembro, logo após Toffoli ter sido sorteado para relatar o recurso apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro na Corte.
No dia seguinte ao sorteio, o ministro embarcou no jatinho em que estava o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de um dos diretores do Master e ex-secretário Nacional de Justiça no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No voo, estavam também o empresário Luiz Oswaldo Pastore, dono da aeronave, e o ex-deputado Aldo Rebelo.
O ministro confirmou que viajou no avião e afirmou a interlocutores, segundo o jornal O Globo, que não discutiu o processo durante o trajeto.
Pouco depois, em 3 de dezembro, Toffoli colocou o caso sob sigilo e decidiu transferir o inquérito para o STF, sob sua própria relatoria, atendendo ao pedido de um diretor do Master — o mesmo pleito feito anteriormente pelos advogados de Vorcaro.
Ele acolheu a solicitação com base na citação de um deputado federal nas investigações, autoridade com prerrogativa de foro privilegiado.
O ministro justificou o sigilo afirmando que o inquérito envolve informações econômicas sensíveis, com potencial impacto no mercado financeiro. Na prática, todas as decisões futuras sobre a investigação passam a ser tomadas por ele, e não mais pela Justiça Federal em Brasília.
As conexões de Vorcaro na política
Toffoli, relator do caso Master no Supremo, viajou em jatinho com advogado do banco
NurPhoto/Getty Images via BBC
Além dos vínculos com ministros do STF, as doações eleitorais também revelam possíveis conexões políticas envolvendo o Banco Master.
O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi o maior doador pessoa física das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jair Bolsonaro em 2022.
Casado com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro, ele transferiu R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a do governador de São Paulo.
Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, um fundo de private equity (modalidade de investimento que compra participações em empresas que não estão na bolsa).
Por meio da Moriah, ele é sócio de marcas como Oakberry, Les Cinq, Frutaria São Paulo e Empório Frutaria.
Em 2022, ele foi o sexto maior doador pessoa física do país. Pela legislação eleitoral, indivíduos podem doar até 10% da renda bruta do ano anterior à eleição.
A assessoria de imprensa de Tarcísio afirmou que sua campanha contou com mais de 600 doadores e que o governador não possui qualquer vínculo ou relação com Zettel.
"Vale destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi devidamente aprovada pela justiça eleitoral", diz a nota enviada à BBC News Brasil.
Com informações de Rute Pina e Marina Rossi
TCU apura se houve falhas do Banco Central na supervisão do Banco Master
Rovena Rosa/Agência Brasil via BBC
Agricultores franceses bloqueiam ruas de Paris em protesto contra acordo da União Europeia com o Mercosul

Agricultores da França fazem protesto contra o acordo entre Mercosul e União Europeia
Antes de amanhecer, agricultores em tratores protestavam em ruas e vários pontos turísticos de Paris nesta quinta-feira (8). O ato ocorre contra o acordo comercial da União Europeia (UE) com o Mercosul.
Agricultores de diversos sindicatos convocaram os protestos em Paris em meio a negociação de acordo de livre comércio entre os países da UE e países da América do Sul com importações de alimentos baratos, além de discordarem com a forma como o governo lida com uma doença contagiosa que afeta o gado.
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“Estamos entre o ressentimento e o desespero. Temos uma sensação de abandono, e o Mercosul é um exemplo disso”, disse à Reuters Stéphane Pelletier, dirigente do sindicato Coordination Rurale, sob a Torre Eiffel.
Em tratores, os manifestantes romperam os bloqueios policiais e circularam pela avenida Champs-Élysées e bloquearam a via ao redor do Arco do Triunfo.
Protesto contra acordo de livre comércio UE-Mercosul, em Paris
Sarah Meyssonnier/Reuters
Dezenas de tratores bloquearam rodovias que levam à capital, incluindo a A13, que liga os subúrbios do oeste e a Normandia a Paris, causando 150 quilômetros de congestionamento, segundo o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot.
O protesto aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo, um dia antes de os Estados-membros da União Europeia deverem votar o acordo comercial. Sem maioria no Parlamento, qualquer erro de política de Macron pode resultar em um perigoso voto de desconfiança na Câmara.
Nesta semana, a Comissão Europeia propôs antecipar 45 bilhões de euros em recursos da UE para agricultores no próximo orçamento e concordou em reduzir tarifas de importação sobre alguns fertilizantes, numa tentativa de conquistar países hesitantes em apoiar o Mercosul.
Os agricultores também pedem pelo fim da política de abate de bovinos em resposta à contagiosa doença da dermatite nodular, que consideram excessiva, defendendo a vacinação, além de reclamarem dos altos custos e da regulamentação excessiva.
A polícia estava evitando confrontos com os manifestantes, afirmou o ministro dos Transportes. “Os agricultores não são nossos inimigos”, disse ele.
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Votação no Mercosul esperada pra sexta-feira
A França há muito tempo se opõe firmemente ao acordo e, mesmo após extrair concessões de última hora, a posição final de Macron ainda não é conhecida.
Mesmo tendo obtido concessões significativas, o acordo é um tema politicamente sensível para o governo, em meio às eleições municipais de março e ao bom desempenho da extrema direita nas pesquisas antes da eleição que substituirá Macron em 2027.
“Este tratado ainda não é aceitável”, disse a porta-voz do governo, Maud Brégeon, à rádio France Info. Ela se recusou a dizer se Macron votará a favor ou contra o acordo, ou se irá se abster.
A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou na quarta-feira que, mesmo que os países da UE apoiem o acordo, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor.
O acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, e a Comissão parecia mais próxima de conquistar o apoio da Itália. O aval de Roma significaria que a UE teria votos suficientes para aprovar o acordo comercial com ou sem o apoio francês.
A votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9).
Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante uma manifestação do sindicato agrícola francês Coordenação Rural (CR)
Thomas Samson/AFP
É #FAKE que autônomos serão obrigados a emitir Nota Fiscal por causa da reforma tributária

Reforma Tributária não altera regime tributário para autônomos
g1
Circula nas redes sociais uma publicação dizendo que a reforma tributária prevê que autônomos serão obrigados emitir Nota Fiscal eletrônica (NF-e). É #FAKE.
selo fake
g1
🛑O que diz a publicação?
Desde o fim do ano passado, viralizaram posts no TikTok posts com alegações mentirosas sobre a suposta obrigatoriedade de emissão da Nota Fiscal para autônomos. Um deles, que teve 1,4 milhão de visualizações, exibe um vídeo com a seguinte caixa de texto sobreposta às imagens:"Vão acabar com autônomos no Brasil".
Na filmagem, um homem diz em um microfone: "A partir do dia 1º de janeiro, você, que é pedreiro, eletricista, faxineira, manicure, pintor, cabeleireiro ou qualquer outro prestador de serviço que recebe dinheiro na sua conta e não é CLT – você acabou de entrar no radar do governo".
E prossegue: "Agora, você é obrigado a emitir a Nota Fiscal eletrônica (NF-e) pelo sistema do governo. É o fim da informalidade. E aí é que entra o grande problema: no ano de 2025, eles colocaram impostos até o talo; a estratégia para 2026 é se certificar de que todos os impostos serão pagos. Aí, vem a parte que ninguém percebeu: a maioria das pessoas vão emitir essas NF-e no próprio CPF, como pessoa física, e o imposto vai ser muito maior do que no CNPJ".
Mas isso não é verdade. O Fato ou Fake procurou a assessoria de imprensa da Receita Federal, que enviou um e-mail dizendo: "O conteúdo é absolutamente falso. Nada muda para o pedreiro, para o jardineiro, para o pintor, para o Microempreendedor Individual (MEI). Para as pessoas físicas prestadoras de serviços, a reforma não cria obrigação automática de formalização. A prestação de serviços como pessoa física não implica, por si só, equiparação a pessoa jurídica (cidadão não é empresa), nem obrigação de inscrição em CNPJ ou de emissão de nota fiscal -- cuja obrigatoriedade permanece sendo uma prerrogativa de cada município".
Especialistas em tributação também explicaram que a reforma tributária apenas padroniza o modelo da nota fiscal nos municípios que já exigem esse documento de prestadores de serviço. Ela não torna a emissão obrigatória, já que isso continua a depender das regras de cada cidade (leia mais abaixo).
Essa peça de desinformação começou a circular cinco dias antes da virada para 2026, ano que marca o início da implementação da reforma, aprovada em dezembro de 2023.
Nesse primeiro momento, que marca a fase de transição, as empresas passam a informar nas notas fiscais os impostos Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de estados e municípios.
Neste ano, porém, esses impostos constarão apenas de maneira demonstrativa e não implicarão cobrança adicional.
A partir de 2033, os atuais impostos federais (PIS/Cofins) e estaduais e municipais (ICMS e ISS) serão totalmente substituídos, respectivamente, pelo CBS e pelo IBS.
⚠️ Por que ela é falsa?
A nota da Receita também afirmou: "A formalização como MEI ou empresa continua sendo, em regra, uma opção do próprio trabalhador. Para o Microempreendedor Individual (MEI), não há mudanças estruturais. O regime permanece com tratamento diferenciado e simplificado".
Neimar da Silva Rossetto, da consultora tributária para empresas Nimbus, explicou que a reforma não cria a exigência de obrigatoriedade da emissão de Nota Fiscal, mas, sim, a impõe a uniformização do documento:
"A partir de 1º de janeiro de 2026, a mudança foi a padronização: todos os municípios que já exigiam a nota passaram a ter de utilizar o sistema nacional unificado, conforme estabelece o parágrafo 1º do art. 62 da Lei Complementar n° 214/2025. Portanto, não há uma lei federal que obrigue todos os autônomos a emitir NFS‑e a partir de 1º de janeiro de 2026. A mudança é de padronização, não de obrigatoriedade geral".
A especialista pondera que, caso o autônomo emita a Nota Fiscal como pessoa física (CPF), ele estará sujeito à tabela progressiva do Imposto de Renda, com alíquotas maiores do que se o trabalhador optasse por regimes de pessoa jurídica (CNPJ):
"Pessoa física (CPF) que emite nota fiscal como autônomo está sujeita à tabela progressiva do Imposto de Renda (alíquotas de 7,5% a 27,5%), cabendo ainda deduções no livro-caixa e com despesas dedutíveis. Outro ponto é que em 2026 entrou em vigor um mecanismo de isenção/redução para rendas mais baixas (isenção até R$ 5 mil por mês e redução gradual até R$ 7.350, art. 2º da lei n.º' 15.270/2025). Por outro lado, o MEI (CNPJ) prestador de serviço paga uma contribuição fixa mensal (DAS) de R$ 82,05, que inclui INSS e ISS, independente do faturamento (até o limite de R$ 81 mil/ano)".
André Luiz Andrade, sócio do escritório Chalfin, Goldberg & Vainboim Advogados, afirmou que autônomos com faturamento bruto dentro do limite dos nanoempreendedores terão isenção de CBS e IBS no novo regime:
"Profissionais que ganham até R$ 13.500,00 brutos por mês, ou R$ 162.000,00 por ano, estão isentos da cobrança de IBS e CBS por se enquadrarem na categoria de nanoempreendedor, criada pela Lei Complementar 214/2025. Essa figura engloba pessoas físicas com baixa capacidade contributiva, de maneira que não é preciso se inscrever ou se formalizar como nanoempreendedor para se enquadrar nessa categoria".
Reforma Tributária não altera regime tributário para autônomos
g1
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Quando a roça vira música: Globo Rural celebra 46 anos mostrando cantos de trabalho que ainda resistem no campo

Cantos de trabalho ainda resistem em comunidades brasileiras (parte 1)
O Globo Rural completou 46 anos nesta terça-feira (6). Para comemorar a data, o programa do último domingo (4) mostrou os cantos de trabalho. Uma tradição que ainda resiste em comunidades rurais do Brasil, quase sempre onde o trabalho manual ainda é parte da rotina.
O ato de cantar durante o trabalho estimula e, ao mesmo tempo, suaviza as atividades, muitas vezes repetitivas, cansativas, enfadonhas. Também se transforma em celebração.
Na Bahia, os produtores geram música enquanto batem as vagens de feijão, para os grãos se soltarem.
Já em Alagoas, crianças se conectam com a ancestralidade do povo Kariri-xocó a partir dos cantos.
Em Minas Gerais, são feitos mutirões para produzir farinha e algodão embalados por cantos.
Assobio
Na comunidade do Faxinal do Emboque, no interior do Paraná, o agricultor Nelson Przyvitowski mantém um costume ancestral: o assobio.
Para ele, o som é uma companhia que coloca as tarefas no compasso, seja para arar a terra ou tratar dos animais.
Ao lado de sua esposa, Marli, Nelson preserva o folclore polonês dentro de um barracão centenário construído a machado.
Enquanto operam máquinas manuais de madeira, como moinhos e assopradores de grãos, o casal entoa canções que narram a vida dos seus antepassados.
Mesmo imersos na tradição, a modernidade se faz presente: Marli utiliza a internet para obter receitas e fórmulas de produtos de limpeza que produz em casa e vender.
Canto das bordadeiras
Em Minas Gerais, na região de Arinos, o grupo Central Veredas une bordadeiras e fiandeiras, que relatam que o canto coletivo ajuda a dissipar a ansiedade e a esquecer problemas domésticos.
"Elas bordam dia e noite para a família sustentar", diz um dos versos entoados pelo grupo.
A associação é composta por 160 mulheres e já mapeou mais de 250 canções de trabalho na região de Arinos.
Além do valor cultural, a união gera impacto econômico: a associação fatura cerca de R$ 350 mil por ano, beneficiando fiandeiras, tingideiras, tecelãs e bordadeiras em uma rede de cooperação.
Leia também: 'Sem dinheiro nem para sobreviver': os agricultores que perderam tudo com as chuvas no RS
Mutirões para cantar
Cantos de trabalho ganham força em mutirões (parte 2)
Em Urucuia, Minas Gerais, acontecem os mutirões nas casas de farinha comunitárias. Para processar até 500 kg de mandioca em um único dia, vizinhos e parentes se unem em cantigas que fazem o serviço render mais.
Essas reuniões são descritas como uma herança de família, onde versos antigos e quadrinhas são trocados entre os trabalhadores enquanto descascam e torram a farinha.
De roça para os palcos
Aos 80 anos, a trabalhadora rural Dona Rosália, de Arapiraca (AL), lançou um CD com o grupo "Cabelo de Maria", que é dedicado a pesquisa da música regional.
Mestre no coco de roda, ela traz em sua voz a memória das "tapagens de taipa", ritos onde o barro era batido ao ritmo dos pés e do canto para erguer paredes.
Em Arapiraca, as destaladeiras de fumo, como são chamadas as mulheres que retiram manualmente o talo das folhas do cultivo depois da colheita, também utilizam a música durante a tarefa, que hoje sustenta a agricultura familiar da região.
O canto, que antes ocorria em grandes salões coletivos, agora resiste de forma doméstica.
Pesquisadores se debruçam sobre os cantos de trabalho (parte 3)
Sincronia na canto e no trabalho
Em Serra Preta, na Bahia, o mutirão da bata de feijão exige precisão matemática. Na atividade, os trabalhadores batem e peneiram o feijão.
O canto feito pelos trabalhadores se chama responsorial, ou seja, tem uma pergunta e uma resposta.
Os agricultores precisam saber se estão na função de resposta ou pergunta, para realizar o trabalho corretamente. Ele coordena o ritmo dos bastões que batem na vagem; um erro na cadência pode resultar em uma batida acidental na perna do colega.
"O canto vem para humanizar o trabalho", explica a pesquisadora Renata Mattar.
Na aldeia Kariri-Xocó, os indígenas praticam o "rojão de roça", onde o canto e a tarefa são vistos como uma fusão inseparável entre corpo e espírito.
Agricultores da Bahia cantam durante bata de feijão (parte 4)
Origem da poesia
Para o professor Iván García, da Universidade Nacional Autônoma do México, os cantos de trabalho estão na "madrugada das formas poéticas" e representam a própria origem da poesia. Por isso, é possível dizer que em todo o mundo existem cantos de trabalho.
O ritmo serve para unir a força coletiva, como ocorre na famosa canção mexicana "La Bamba", inspirada na sincronia dos marinheiros. Dessa forma, elas tornam o trabalho mais tolerável e alinhado entre os trabalhadores.
Na Venezuela, a prática ganha espaço nos cantos de ordenha. As músicas são utilizadas para acalmar o rebanho e estabelecer um diálogo entre o ordenhador e as vacas, que muitas vezes têm nomes e personalidades reconhecidas pelo trabalhador.
Algo similar acontece no Brasil: o "aboio". Ele é utilizado pelos criadores de boi para guiar o gado. Geralmente, as músicas modulam as vogais. Existe ainda a toada de aboio, poesias que utilizam destes cantos.
O aboio transmite para o animais paz e energia, explica a pesquisadora Mattar.
Na Bahia, a tradição se renova com o agricultor Alvino Dias, autor de "chulas", como são chamadas as cantigas de trabalho na região. Elas também abordam temas contemporâneos, como o impacto do WhatsApp e do celular na rotina do campo.
Caixas de mercadorias foram transformadas em instrumento musical (parte 5)
O sopro ancestral nos cantos de trabalho (parte 6)
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Cargo com maior crescimento previsto para 2026 paga de R$ 8 mil a R$ 30 mil; veja ranking

Os empregos que mais devem crescer em 2026, segundo o ranking do LinkedIn
As profissões que mais devem crescer no Brasil em 2026 têm algo em comum: muitas estão ligadas à tecnologia. É o que aponta o novo ranking anual do LinkedIn, que reúne os cargos com crescimento mais acelerado no país.
Entre os 25 cargos listados, mais da metade envolve o uso intensivo de ferramentas tecnológicas, engenharia ou análise de dados, o que reflete um mercado de trabalho cada vez mais orientado por informação e automação. (veja o ranking abaixo)
Nesse cenário, um cargo se destaca: o de engenheiro de inteligência artificial, que lidera a lista.
📎 A primeira colocação inclui também cargos relacionados, como engenheiro(a) de machine learning, engenheiro(a) de IA generativa e desenvolvedor(a) de IA. Apesar das diferenças nos nomes, essas funções compartilham uma base semelhante e atendem à mesma demanda.
Nos últimos anos, a popularização de soluções baseadas em IA acelerou a adoção da tecnologia por empresas de diferentes setores. O que antes aparecia como teste ou projeto piloto passou a integrar a operação diária.
O engenheiro de inteligência artificial desenvolve e mantém sistemas que utilizam IA em tarefas como análise de grandes volumes de dados, reconhecimento de padrões e previsões. Mais do que criar modelos, atua como elo entre a tecnologia e as necessidades práticas do negócio.
💰 A média salarial de um engenheiro de inteligência artificial no Brasil gira em torno de R$ 8 mil, segundo dados do site Glassdoor. Ainda assim, há vagas que oferecem salários de até R$ 32 mil, especialmente para profissionais mais experientes ou envolvidos em projetos estratégicos.
As estimativas do Glassdoor têm como base salários informados de forma sigilosa por profissionais com esse cargo no Brasil até janeiro de 2026. Na prática, o valor final varia conforme o nível de senioridade, o setor da empresa e a complexidade das soluções desenvolvidas.
O avanço da carreira também aparece nos números. Dados exclusivos do LinkedIn repassados ao g1 mostram que a quantidade de profissionais com o cargo de engenheiro de inteligência artificial cresceu 48% na comparação anual no período analisado pela pesquisa.
“Cargos diretamente ligados à tecnologia têm ganhado protagonismo porque atendem a uma demanda crescente por eficiência, automação e controle de risco”, diz Guilherme Odri, editor-chefe do LinkedIn Notícias Brasil.
Segundo ele, a inteligência artificial deixou de ser exclusiva de áreas técnicas e passou a integrar o cotidiano de diferentes profissões. “Mais do que dominar ferramentas específicas, espera-se que os profissionais saibam integrar essas tecnologias ao trabalho, avaliando impactos, ganhando produtividade e criando soluções inovadoras.”
Odri conclui que esse cenário também impõe um desafio relevante: ampliar o acesso à qualificação em IA e garantir que a transformação tecnológica seja acompanhada de inclusão e desenvolvimento profissional em larga escala.
➡️ Abaixo, confira o ranking completo:
Engenheiro(a) de Inteligência Artificial
Auxiliar de Enfermagem
Planejador(a) Financeiro(a)
Consultor(a) Regulatório(a)
Geofísico(a)
Engenheiro(a) de Segurança de Processo
Gerente de Sucesso do Cliente
Cientista Agrícola
Analista de Investimentos
Engenheiro(a) de Confiabilidade
Especialista em Dados
Técnico(a) em Microbiologia
Coordenador(a) de Pesquisa Clínica
Gerente de Relações
Gerente de Desenvolvimento de Negócios
Líder de Produção
Auditor(a) Interno(a)
Gerente de Logística
Recrutador(a)
Gerente de Instalações (Facilities)
Onde estão as vagas?
A pesquisa do LinkedIn aponta que as cidades com o maior número de vagas para engenheiros de IA são São Paulo, Florianópolis e Recife, polos que reúnem empresas de tecnologia, centros de inovação e oferta de mão de obra qualificada.
Mas o caminho até o cargo costuma ser gradual. Antes de assumir a função, os profissionais geralmente passaram por áreas como engenharia de software, ciência de dados ou engenharia de dados. O tempo médio de experiência antes da contratação é de 3,6 anos, segundo o LinkedIn.
Outro fator que pesa na atratividade da carreira é a flexibilidade. Do total de vagas, 63,55% são remotas, enquanto 13,55% funcionam em modelo híbrido, ampliando as possibilidades para profissionais fora dos grandes centros.
🔎 O levantamento também mostra que o avanço do trabalho remoto e híbrido ocorre de forma desigual. Ele é mais comum em cargos de tecnologia, dados, marketing e planejamento, enquanto funções industriais, laboratoriais e operacionais seguem majoritariamente presenciais.
Apesar da expansão, o avanço da IA também evidencia desafios como a baixa participação feminina. Em 2025, apenas 10,58% das contratações para o cargo de engenheiro de IA foram de mulheres, ante 89,42% de homens.
O dado aponta para questões estruturais, relacionadas ao acesso à formação técnica e à permanência de mulheres em carreiras tecnológicas ao longo do tempo.
Além da IA, aparecem em alta cargos ligados à análise de dados, confiabilidade, segurança de processos e eficiência energética — funções que dão suporte a decisões mais precisas e à redução de riscos nas empresas.
Outros setores
Mesmo com a tecnologia no centro das transformações, o ranking não se limita a esse universo. A área da saúde aparece com força, impulsionada pelo envelhecimento da população, pela ampliação dos serviços de diagnóstico e pelo avanço das pesquisas clínicas no Brasil.
Já nas áreas de finanças e gestão, ganham destaque cargos voltados ao planejamento, à análise de cenários e ao apoio a decisões de longo prazo — sinal de que as empresas também buscam profissionais capazes de organizar recursos e atuar em ambientes econômicos mais instáveis.
Como o ranking foi elaborado
A lista “Empregos em alta” foi elaborada a partir de dados do Gráfico Econômico do LinkedIn, que analisou milhões de vagas ocupadas por usuários da plataforma entre 1º de janeiro de 2023 e 31 de julho de 2025.
Para entrar no ranking, os cargos precisaram apresentar crescimento consistente na base de usuários, volume relevante de vagas anunciadas no último ano e avanço significativo até 2025.
Estágios, trabalhos temporários e funções concentradas em poucas empresas foram excluídos da análise. Funções semelhantes, com diferentes níveis de senioridade, foram agrupadas.
Ranking anual do LinkedIn reúne os cargos com avanço mais acelerado no país
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Entenda por que Venezuela tem mais reservas de petróleo que o Brasil, mas produz menos

Trump quer até 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela
Apesar de concentrar cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo — o equivalente a mais de 300 bilhões de barris —, a Venezuela não consegue transformar esse potencial em uma produção robusta.
O petróleo da Venezuela virou assunto internacional depois que, no sábado (3), o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, capturou o então presidente venezuelano Nicolás Maduro e o levou para ser julgado em Nova York por colaboração com o narcotráfico. Trump disse ainda que, após a deposição de Maduro, empresas dos Estados Unidos passarão a explorar o petróleo local.
Dados da Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), mostram que a produção venezuelana despencou nas últimas décadas: saiu de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
Em 2024, houve uma leve recuperação, mas o volume ainda representa menos de 1% da produção global de petróleo.
Para efeito de comparação, o Brasil — que não possui reservas do tamanho das venezuelanas — produziu, em novembro de 2025, 3,773 milhões de barris de petróleo por dia e quase 5 milhões de barris por dia quando se soma petróleo e gás natural, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Mas por que a Venezuela, com tantas reservas, produz tão pouco?
Especialistas ouvidos pelo g1 apontam três fatores principais para explicar o cenário:
as características do petróleo venezuelano;
a precariedade da infraestrutura;
a falta de investimentos ao longo dos anos.
Petróleo mais pesado e caro de processar
A pesquisadora da FGV Energia, Luiza Guitarrari, explica que a composição do petróleo varia de acordo com a geografia de cada país e influencia diretamente os custos de produção e refino.
“No caso do Brasil, o petróleo é mais leve, o que facilita o refino e permite a produção de derivados mais valorizados, como gasolina e diesel”, afirma. “Isso dá ao país uma vantagem técnica e comercial.”
Já o petróleo venezuelano apresenta características mais desafiadoras. “Ele é mais viscoso, com maior teor de enxofre e metais. É um petróleo mais pesado, que exige processos mais caros tanto na extração quanto no refino”, diz Guitarrari.
Essas diferenças também impactam as emissões. “O petróleo brasileiro emite menos CO₂, o que hoje é um fator relevante no mercado internacional”, compara Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
Segundo Guitarrari, o petróleo pesado da Venezuela gera, em muitos casos, derivados de menor valor agregado, usados em aplicações industriais mais intensivas, como a indústria do cimento, o que reduz sua atratividade comercial.
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Gargalos de infraestrutura
Além das características do petróleo, a Venezuela enfrenta sérios problemas de infraestrutura — da extração ao transporte, processamento e exportação.
A combinação de sanções internacionais, elevada dívida externa e instabilidade política dificultou a atração de investimentos e levou à deterioração da malha logística do setor.
“Mesmo sentada sobre uma enorme reserva, a Venezuela teve dificuldades para viabilizar o escoamento e o processamento do petróleo por causa das lacunas na infraestrutura”, afirma Guitarrari.
Ela lembra que, nos últimos anos, a própria estatal PDVSA chegou a reduzir a produção por falta de mercados para exportação, sobretudo após a imposição de sanções.
Hoje, cerca de 43% das exportações venezuelanas têm como destino países asiáticos. Os Estados Unidos, que possuem refinarias capazes de processar petróleo pesado, continuam como compradores, mas em volumes bem menores do que antes das sanções.
Manter produção elevada sem capacidade de exportação, explica a pesquisadora, elevaria os custos e os riscos de armazenamento, o que levou a PDVSA a optar por cortes.
Falta de investimento e perda de capacidade técnica
Outro fator central é a queda no investimento ao longo das últimas décadas. A indústria do petróleo exige aportes constantes em manutenção, tecnologia e qualificação de pessoal.
Com a nacionalização do setor nos anos 2000 e a exigência de participação majoritária da PDVSA nos projetos, diversas empresas internacionais deixaram o país. A saída dessas companhias foi acompanhada pela perda de quadros técnicos experientes.
“Sem um ambiente de negócios favorável, o capital se deprecia e a produção cai. No caso da Venezuela, isso ocorreu de forma extrema”, afirma Claudio Frischtak, fundador da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios.
O cenário se agravou durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, com redução do investimento externo e envelhecimento acelerado dos equipamentos. Reportagem recente do Fantástico mostrou estruturas enferrujadas e tecnologia ultrapassada no Lago Maracaibo, uma das áreas históricas de produção do país.
Interesse dos Estados Unidos
No sábado (3), após a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que pretende abrir o setor petrolífero venezuelano à atuação de grandes companhias norte-americanas.
Segundo Trump, empresas dos EUA investiriam bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura e ampliar a produção. Antes das sanções, refinarias da Costa do Golfo importavam cerca de 500 mil barris por dia da Venezuela.
Especialistas alertam, porém, que uma eventual retomada não seria imediata. “Aumentar significativamente a produção exige investimentos elevados e pode levar anos”, afirma Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management.
Hoje, apesar de deter as maiores reservas do planeta, a Venezuela produz cerca de 1 milhão de barris por dia, um volume considerado baixo diante de seu potencial geológico.
Ataque dos Estados Unidos à Venezuela mexe com o mercado de petróleo
Reprodução/TV Globo
CNH brasileira passa a valer em Portugal para carros e motos; veja as regras

Brasileiros que estão em Portugal já podem dirigir utilizando apenas a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A medida foi aprovada após a assinatura do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, nesta quarta-feira (7).
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Estas são as regras para que a CNH seja válida em Portugal:
A CNH deve estar dentro do prazo de validade;
O documento não pode estar suspenso, cassado ou vencido;
O motorista pode apresentar a versão digital ou física da habilitação;
O condutor precisa ter menos de 60 anos.
A validade da CNH em território português se limita às categorias A e B, que permitem a condução de carros e motocicletas.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Para as demais categorias, o motorista brasileiro precisa obter a habilitação portuguesa para dirigir. O acordo também prevê que a carteira portuguesa poderá ser usada para condução de veículos no Brasil.
“Essa medida traz segurança no trânsito e facilita a circulação de brasileiros e portugueses pelos dois países. É um acordo muito importante para Brasil e para Portugal que finalmente conseguimos assinar, graças à retomada das relações com todo o mundo pelo presidente Lula”, afirmou o ministro Renan Filho em 2023, quando o acordo foi assinado entre os governos dos dois países.
O acordo prevê que brasileiros residentes em Portugal possam utilizar a CNH até o vencimento do documento.
Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça de Portugal, emitida em 2025, estabelece que dirigir sem CNH válida não configura crime, mas infração administrativa, punida com multa que varia de 300 a 1.500 euros.
A legislação portuguesa, no entanto, considera crime a condução sem CNH válida nos casos em que o condutor não pode mais emitir o documento ou quando a habilitação brasileira está vencida há mais de dez anos.
Poucos países aceitam a CNH
Portugal passa a integrar uma lista ainda reduzida de países em que brasileiros podem dirigir usando apenas a CNH, desde que estejam no país como turistas e não residentes.
Entre eles estão alguns vizinhos do Brasil:
Argentina;
Bolívia;
Chile;
Equador;
Paraguai;
Uruguai;
Nos Estados Unidos, a CNH também é aceita para turistas, mas as regras variam conforme o estado.
Em geral, é recomendável portar a Permissão Internacional para Dirigir (PID), documento que autoriza motoristas habilitados no Brasil a conduzir veículos em países que aderem à Convenção de Viena sobre Trânsito Viário.
Entre esses países estão:
Áustria;
Bélgica;
Bulgária;
Chile;
Costa Rica;
França;
Alemanha;
Itália;
México;
Rússia;
Espanha;
Inglaterra;
Uruguai.
Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Crystofher Andrade/g1
O que a próxima geração de trabalhadores mais velhos quer?

Na coluna de terça-feira, escrevi sobre o relatório que a Society for Human Resource Management (SHRM), a maior associação profissional de recursos humanos do mundo, divulgou sobre a mão de obra acima dos 65 anos. O levantamento incluiu trabalhadores dos Estados Unidos com menos de 65 anos – nesse grupo, as idades variavam entre 18 e 54 anos. Quando perguntados sobre as mudanças que gostariam de ver nas organizações para apoiar os trabalhadores mais velhos, 55% dos participantes citaram a opção de contar com horários flexíveis. Outras medidas desejadas seriam:
Trabalhadores na faixa entre 18 e 54 anos também gostariam de contar com horários flexíveis
Age without limits
Programas de bem-estar que abordem as necessidades de saúde relacionadas à idade: 44%.
Oportunidades de aposentadoria em fases, ou seja, de transição gradual até a saída da força de trabalho: 44%.
Reconhecimento das contribuições dadas pelo colaborador em sua trajetória profissional: 43%.
Maior respeito e inclusão dos trabalhadores mais velhos na tomada de decisões: 42%.
Oportunidades de mentoria que valorizem a experiência dos colaboradores maduros: 41%.
Apoio para a transição para novas funções que correspondam às capacidades ou aos interesses do funcionário: 41%.
A constatação de que 93% das empresas não têm programas formais ou informais de recrutamento especificamente voltados para a faixa sênior não afeta apenas os idosos de hoje. É um desafio para as próximas décadas, que assistirão ao encolhimento da mão de obra jovem e ao envelhecimento da população.
A pesquisa da SHRM perguntou aos gestores de RH se as organizações onde trabalham estariam abertas a utilizar estratégias de recrutamento inclusivas para a mão de obra sênior. De um modo geral, houve boa receptividade em relação à ideia, com destaque para as seguintes propostas de novas políticas de recursos humanos:
Treinamento dos gestores para ajudá-los a avaliar mais eficazmente os candidatos mais velhos: 56%.
Modificação de anúncios de vagas para serem mais inclusivos: 48%.
Desenvolvimento de uma pipeline de talentos com senioridade (um banco de reservas de trabalhadores qualificados prontos para assumir uma vaga), incluindo o mapeamento de profissionais de outras empresas: 38%.
Modificação do desenho de cargo (job design) – que é o processo de estruturar o trabalho para ser produtivo e satisfatório para quem o executa – para torná-lo mais flexível: 36%.
Esforços de marketing e divulgação direcionados para engajar candidatos maduros: 34%.
Feiras de emprego direcionadas e adaptadas a candidatos com esse perfil: 31%.
Mercado de trabalho para terceira idade está em alta
Mega-Sena pode pagar R$ 10 milhões nesta quinta-feira

Como funciona a Mega-sena
O concurso 2.957 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 10 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (8), em São Paulo.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
No concurso da última terça-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Delcy Rodríguez diz que Venezuela está aberta a relações energéticas que beneficiem todas as partes

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, fala no Congresso Nacional, em Caracas, no dia 4 de dezembro de 2025
Pedro Mattey/AFP
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira (7) que o país está aberto a relações energéticas em que todas as partes se beneficiem. A declaração ocorre após a Casa Branca dizer que estava trabalhando em um acordo de petróleo com o país sul-americano.
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Mais cedo nesta quarta (7), o presidente Donald Trump afirmou que a Venezuela concordou em usar a receita obtida com a venda de petróleo para comprar exclusivamente produtos fabricados nos Estados Unidos.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia do país sul-americano.
"Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os EUA como seu principal parceiro — uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos", acrescentou Trump.
Trump diz que venezuelanos usarão dinheiro do petróleo para comprar somente produtos americanos
Mais cedo, o Departamento de Energia americano informou que os EUA já começaram a comercializar petróleo venezuelano. De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
"Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados" , informou o departamento.
O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para "garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos", que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
Nesta quarta-feira, a petroleira estatal venezuelana PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA para a venda de petróleo. Segundo a empresa, as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam "imediatamente", e continuarão por tempo indeterminado.
Na noite de terça-feira, Donald Trump afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano
Ele também disse ter fechado um acordo com Caracas para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA — movimento que desviaria fornecimentos da China e ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção.
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Petróleo a preço de mercado
A declaração do republicano ocorreu apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou. O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Na terça-feira (6), a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos EUA já estavam discutindo a exportação de petróleo bruto para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Nesta quarta-feira, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A apreensão é parte da estratégia de Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e forçar o governo socialista da Venezuela a tornar-se um aliado.
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira que o governo americano pretende fazer uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana para tratar sobre o tema.
MPF pede explicações à Petrobras e ao Ibama sobre vazamento de fluido na Foz do Amazonas

Petrobras paralisa perfuração da Foz do Amazonas após vazamento
O Ministério Público Federal (MPF) no Amapá pediu explicações à Petrobras e ao Ibama sobre o vazamento de fluido que levou à interrupção da perfuração na Foz do Amazonas no último domingo (4).
Nos documentos, a procuradoria solicita as informações “com urgência” e estabeleceu prazo de 48 horas para a apresentação das respostas. Segundo o MPF, os ofícios foram enviados na terça-feira (6), logo após a divulgação do caso pela imprensa.
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"A medida foi adotada no âmbito do inquérito civil instaurado em 2018 para apurar a regularidade do licenciamento ambiental do Ibama relativo ao empreendimento da Petrobras", disse, em nota, o órgão federal.
A petroleira informou, na terça-feira, o interrompimento da perfuração na Foz do Amazonas após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho. O local está a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.
Segundo a estatal, o vazamento, identificado no domingo, foi imediatamente contido e isolado. A operação foi suspendida para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas. O Ibama disse ter sido comunicado sobre o caso e que não houve vazamento de petróleo. (leia abaixo)
🔎 O material liberado foi o fluido de perfuração, conhecido como “lama”. Ele é usado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Trata-se de um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, comum em perfurações no mar.
"Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração", informou a Petrobras.
Exploração da Foz do Amazonas: o que se sabe e o que falta saber sobre a operação
Infográfico mostra local de vazamento que fez Petrobras interromper perfuração na Foz do Amazonas.
Arte/g1
Em nota, a companhia afirmou ainda que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. Acrescentou que o fluido “atende aos limites de toxicidade permitidos” e é biodegradável, sem risco ao meio ambiente ou à população.
O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmou que houve um problema de despressurização, que provocou o vazamento de um líquido conhecido como fluido hidráulico, de caráter biodegradável.
“Não há petróleo no vazamento. A sonda ainda não alcançou o petróleo. Isso só ocorrerá em fevereiro”, declarou Agostinho.
Segundo ele, a estatal manteve contato com o Ibama desde a segunda-feira (5), e o plano de emergência está funcionando conforme o previsto. “Nos próximos dias, a Petrobras fará os reparos e retomará os trabalhos.”
Em nota emitida na tarde desta terça, o Ibama informou que foi notificado pela Petrobras por meio do Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema).
Segundo o instituto, a estatal declarou que as operações foram interrompidas, as linhas afetadas foram isoladas na superfície e a válvula de fundo foi mantida fechada. (leia a íntegra do comunicado abaixo)
Edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio
Marcos Serra Lima/g1
Exploração da Foz do Amazonas
Em outubro de 2025, o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar um poço em águas profundas na região da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial — que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. O aval é exclusivo para pesquisa exploratória.
A atividade na região é duramente criticada por ambientalistas, enquanto especialistas em petróleo ressaltam sua importância para a produção.
A perfuração pela estatal começou imediatamente após o aval do Ibama. A previsão é que a exploração dure cerca de cinco meses. Os efeitos concretos da iniciativa, portanto, só poderão ser observados após esse período.
🔎 Nesta fase, não há produção de petróleo: trata-se exclusivamente de pesquisa exploratória. Apesar disso, a etapa é vista como uma derrota para aqueles que são contra a exploração na região.
Segundo a Petrobras, o processo prevê a coleta de dados geológicos para verificar a presença de petróleo e gás em escala comercial.
A perfuração é realizada no bloco FZA-M-059, localizado em mar aberto, a cerca de 175 km da costa do Amapá e 500 km da foz do Rio Amazonas, em uma área de águas profundas.
A área está localizada no extremo oeste da Margem Equatorial brasileira e tem cerca de 268 mil km², de acordo com a petroleira. A extensão abrange a plataforma continental, o talude e a região de águas profundas, até o limite entre as crostas continental e oceânica.
A Margem Equatorial é vista como uma das novas fronteiras de exploração de petróleo e gás no Brasil, com potencial para se tornar um novo “pré-sal”, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).
Potencial exploratório
O governo estima que a Margem Equatorial teria reservas que permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo diariamente. É mais do que a capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil.
Segundo o MME, com isso, seria possível retirar até 10 bilhões de barris de petróleo da região. Atualmente, o Brasil tem uma reserva comprovada de 16,8 bilhões de barris — o que seria suficiente para manter o país sem precisar comprar petróleo de outros países até 2030.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas possui um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente. A estimativa faz parte de um estudo que compõe um projeto dedicado à análise das bacias sedimentares brasileiras.
Bruno Carazza fala sobre exploração da Bacia da Foz do Amazonas
Veja a íntegra da nota da Petrobras:
A Petrobras informa que, neste domingo (04/01), foi identificada perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá.
A perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo.
Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração.
A Petrobras adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. O fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas.
Veja a íntegra da nota do Ibama:
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) recebeu, no último domingo (04/01), Comunicação Inicial de Incidente da Petrobras sobre a perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá.
Consta na Comunicação, enviada via Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema), canal oficial de comunicação de acidentes, que durante a circulação de fluido de perfuração do poço (fluido de perfuração de base não aquosa) foi observado o indício de perda e, após inspeção, foi constatada descarga do fluido para o mar.
De acordo com a Petrobras, as operações foram interrompidas, as linhas afetadas foram isoladas em superfície e a válvula de fundo foi mantida fechada. Consequentemente, a descarga foi paralisada. As causas estão em apuração na área competente do Ibama, que acompanha o caso.
Trump diz que Venezuela usará receita do petróleo para comprar exclusivamente produtos dos EUA

Trump quer até 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela
O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (7) que a Venezuela concordou em usar a receita obtida com a venda de petróleo para comprar exclusivamente produtos fabricados nos Estados Unidos.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia do país sul-americano.
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"Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os EUA como seu principal parceiro — uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos", acrescentou Trump.
Trump diz que Venezuela comprará produtos americanos com receita do petróleo.
Reprodução/Truth Social
Mais cedo, o Departamento de Energia americano informou que os EUA já começaram a comercializar petróleo venezuelano. De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
"Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados" , informou o departamento.
O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para "garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos", que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
Nesta quarta-feira, a petroleira estatal venezuelana PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA para a venda de petróleo. Segundo a empresa, as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam "imediatamente", e continuarão por tempo indeterminado.
Na noite de terça-feira, Donald Trump afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano.
Ele também disse ter fechado um acordo com Caracas para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA — movimento que desviaria fornecimentos da China e ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção.
Petróleo a preço de mercado
A declaração do republicano ocorreu apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou. O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Na terça-feira (6), a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos EUA já estavam discutindo a exportação de petróleo bruto para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Nesta quarta-feira, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A apreensão é parte da estratégia de Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e forçar o governo socialista da Venezuela a tornar-se um aliado.
Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira que o governo americano pretende fazer uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana para tratar sobre o tema.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 29 de dezembro de 2025
REUTERS/Jonathan Ernst
Petroleira americana negocia com governo Trump ampliação de licença na Venezuela, diz agência

EUA: Chevron pode atuar na Venezuela; ação flexibiliza sanções impostas pelos americanos
A petroleira americana Chevron negocia com o governo dos Estados Unidos a ampliação de uma licença já em vigor que lhe permite operar na Venezuela, informou a Reuters nesta quarta-feira (7), citando quatro fontes próximas às tratativas.
Caso a licença seja expandida, a empresa poderá aumentar as exportações de petróleo bruto para suas próprias refinarias e também vender o produto a outros compradores, ampliando sua atuação comercial no país.
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As conversas ocorrem enquanto Washington e Caracas avançam nas negociações para fornecer até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano aos EUA, em meio à pressão do presidente Donald Trump para que empresas americanas invistam no setor de energia do país sul-americano.
A Chevron é a única grande petroleira dos EUA em operação na Venezuela, atuando com base em uma autorização do governo americano que a isenta das sanções impostas ao país.
O governo Trump também pressiona para que outras empresas dos EUA participem das exportações de petróleo da Venezuela, segundo três fontes do setor ouvidas pela Reuters.
Interesse dos EUA
No sábado (3), logo após a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas, o presidente Donald Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela à atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país", declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente, cerca de 1 milhão de barris por dia, devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
De acordo com Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, aumentar essa produção, como pretende Trump, não será um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos.
A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos.
Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e investimentos elevados para sua extração.
🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que restringem operações e acesso a capital.
Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo.
Logotipo da Chevron no edifício da empresa em Houston, Texas.
Reuters
Caso Master: relator no TCU vai paralisar inspeção no Banco Central, e presidente diz que não haverá 'desliquidação'
TCU descarta reverter liquidação do Banco Master O ministro Jonathan de Jesus, relator do caso do Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU), decidiu paralisar o pedido de inspeção técnica no Banco Central do Brasil. A informação foi confirmada ao blog por fontes do TCU. Já o presidente da Corte de contas, Vital do Rêgo Filho, afirmou ao blog que retorna a Brasília na próxima segunda feira para participar e coordenar conversas entre o TCU e Banco Central. Ele afirmou que não haverá revisão da decisão que decretou a liquidação do Banco Master, mas defendeu que a corte tem como dever de inspecionar o BC. "A autonomia do BC é fundamental, mas ele não é intocável aos olhos do controle". “Não vai haver desliquidação”, disse. 🔍A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de autorizar uma inspeção técnica no Banco Central, para analisar os documentos que embasaram a liquidação do Banco Master, abriu uma nova frente de tensão institucional no caso. 🔍A medida, tomada durante o recesso e a pedido de técnicos do próprio tribunal, levou o BC a reforçar a defesa de sua autonomia técnica e reacendeu discussões sobre os limites da atuação do TCU sobre a autoridade monetária, em um momento em que o processo já está sob investigação criminal e sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal. Segundo Vital, ele retorna a Brasília na próxima segunda-feira para conduzir pessoalmente um processo de mediação sobre o caso. O presidente do tribunal afirmou ainda que já está em contato direto com o relator no TCU. Vital também informou que conversou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e que pretende se reunir com todos eles já na próxima semana para tratar do tema. Vital afirma que o TCU tem o dever legal de inspecionar órgãos federais como o Banco Central e que a Corte pode avaliar as motivações para a liquidação de uma instituição financeira por parte do BC "A autonomia do BC é fundamental, mas o Banco Central não é intocável aos olhos do controle", pontuou. Contexto da inspeção O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) formalizou, na segunda-feira (5), a decisão que havia autorizado a realização de uma inspeção técnica no Banco Central do Brasil no âmbito do caso do Banco Master. No despacho, ao qual o g1 teve acesso, o ministro destacou que a nota técnica encaminhada pelo Banco Central ao tribunal se limitou a apresentar a cronologia dos fatos e os fundamentos da decisão que resultou na liquidação do banco, com remissões a processos e registros internos. Segundo o documento, porém, não foram enviados os documentos comprobatórios que embasariam as conclusões relatadas. Ou seja, a documentação encaminhada não incluiu provas materiais que permitissem ao TCU verificar, de forma direta, os indícios de fraudes e desvios que sustentaram a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master. A liquidação foi decretada após a Polícia Federal deflagrar, em novembro do ano passado, a operação Compliance Zero, que resultou na prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro. Ele é investigado por fraude financeira e pela suposta venda de títulos de crédito falsos. Pela decisão original, a inspeção técnica deveria analisar, entre outros pontos, a evolução dos alertas emitidos pelo Banco Central, as medidas de supervisão adotadas diante da deterioração da instituição, o tratamento dado às alternativas de mercado e a avaliação da hipótese de uma chamada “saída organizada” antes da liquidação. Segundo informações do blog do Valdo Cruz, no g1, a inspeção foi solicitada por técnicos do próprio TCU, que pretendiam ter acesso aos documentos usados para elaborar o relatório encaminhado ao tribunal sobre o histórico do Banco Master — desde a fiscalização dos problemas econômicos e a identificação de fraudes até as negociações de venda e a decretação da liquidação. Como esses documentos não foram anexados ao relatório por estarem protegidos por sigilo, os técnicos solicitaram autorização para analisá-los dentro das dependências do Banco Central, sem retirada do material da autarquia. No despacho, o presidente do TCU afirmou que não há dúvida quanto à competência do tribunal para fiscalizar o Banco Central. Segundo ele, os artigos 70 e 71 da Constituição atribuem ao TCU o controle externo da administração pública federal direta e indireta, incluindo a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial de autarquias como o BC.
Para conquistar apoio do agro ao acordo UE-Mercosul, bloco europeu diz que vai reduzir tarifas de fertilizantes

Bandeiras da União Europeia tremulam em frente à sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.
REUTERS/Yves Herman
Para conquistar assinaturas pró acordo União Europeia e Mercosul, a Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira (7) que vai reduzir tarifas de importação de certos fertilizantes e vai impulsionar uma lei que pode permitir suspensões temporárias da taxa de carbono nas fronteiras da UE.
As concessões fazem parte de uma tentativa da Comissão, apoiada por países como Alemanha e Espanha, de obter a maioria dos 15 membros da UE para autorizar a assinatura do acordo com o Mercosul, possivelmente na próxima semana.
Isso porque alguns produtores rurais europeus temem que a entrada de produtos do bloco sul-americano, como carne e açúcar, a preços mais baixos prejudique seus negócios.
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Por que o acordo União Europeia-Mercosul é alvo de tanta disputa no agro?
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Mesmo com essa autorização, o texto ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu para começar a valer.
O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, afirmou que a UE pretende zerar as tarifas padrão de 6,5% sobre a ureia e de 5,5% sobre a amônia.
Segundo ele, a Comissão também vai incentivar os parlamentares a aprovar uma lei que permita isenções temporárias da taxa de carbono aplicada às importações.
Mais cedo, França e Itália pediram que os fertilizantes fossem excluídos dessa taxa.
O mecanismo, que entrou em vigor em 1º de janeiro, cobra pelo CO₂ emitido na produção de itens como aço e fertilizantes importados, para evitar concorrência considerada desleal com produtos fabricados na Europa.
Defensores do acordo com o Mercosul, que levou cerca de 25 anos para ser negociado, afirmam que ele é essencial para ampliar exportações europeias afetadas por tarifas dos Estados Unidos e para reduzir a dependência da China, especialmente no acesso a minerais estratégicos.
Nesta quarta-feira, comissários europeus das áreas de agricultura, comércio e saúde se reuniram com ministros do bloco para tentar acalmar preocupações sobre o futuro dos agricultores.
Entre os temas discutidos estão o financiamento ao setor e a revisão de regras de importação, como os limites de resíduos de pesticidas.
França e Itália barraram acordo em dezembro
França e Itália, os dois maiores produtores agrícolas da UE, impediram a assinatura do acordo em dezembro.
Os países afirmam que só apoiarão o texto após garantias contra uma possível entrada em grande escala de produtos do Mercosul, como carne bovina e açúcar.
Na terça-feira, a Comissão Europeia sinalizou ter avançado nas negociações com a Itália ao propor a antecipação de um pacote de ajuda de 45 bilhões de euros para agricultores europeus.
Polônia e Hungria seguem contrárias ao acordo, enquanto a França mantém uma posição crítica. Já a Irlanda, grande produtora e exportadora de carne bovina, indicou que pode apoiar o texto.
O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, afirmou que o país negocia com governos que compartilham preocupações semelhantes e destacou a importância de salvaguardas contra aumentos repentinos nas importações.
"Ainda há trabalho a ser feito antes das discussões entre os governos sobre este assunto... Temos preocupações com o Mercosul , mas muitos progressos foram feitos nos últimos 12 meses", disse Martin a jornalistas durante uma viagem à China.
A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que o país não apoia o acordo e defendeu uma avaliação mais ampla do impacto de múltiplos acordos comerciais sobre o setor agrícola europeu.
Toxina que levou a suspensão de fórmulas infantis da Nestlé é resistente ao calor e provoca vômitos; entenda

Produtos Nestlé suspensos.
Nestlé/ Reprodução
A substância que levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a suspender a venda de alguns lotes de fórmulas infantis da Nestlé não é tão conhecida pelo público, mas tem sido amplamente estudada pela ciência. Trata-se da cereulide, uma toxina produzida por determinadas cepas da bactéria Bacillus cereus.
A medida, publicada nesta quarta-feira (7), é preventiva e envolve produtos das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino. Segundo a Nestlé, a possível presença da toxina foi identificada em análises de rotina de controle de qualidade, associada a um ingrediente de fornecedor internacional. Até a última atualização desta reportagem, não havia registro de casos de doença relacionados aos lotes afetados.
O que é a Bacillus cereus?
A Bacillus cereus é uma bactéria em forma de bastonete, capaz de formar esporos (estruturas minúsculas e altamente resistentes). Esses esporos sobrevivem a condições extremas, como calor, variações de pH e processos industriais comuns, incluindo pasteurização.
Algumas cepas da bactéria produzem a cereulide, um pequeno peptídeo (cadeia curta de aminoácido) cíclico altamente tóxico. De acordo com revisões médicas publicadas no StatPearls/NCBI, essa toxina é termoestável, ou seja, não é destruída pelo aquecimento e resiste às enzimas digestivas.
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Como ocorre a contaminação?
Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a infecção em humanos ocorre principalmente pela ingestão de alimentos contaminados, como arroz, massas, vegetais, leite e especiarias.
A contaminação é favorecida pela capacidade dos esporos de sobreviver ao processamento térmico. Quando os alimentos não são resfriados adequadamente ou ficam armazenados em temperaturas acima do recomendado (entre 4 °C e 7 °C), os esporos podem germinar e a bactéria se multiplicar até níveis perigosos.
A EFSA destaca que não existem métodos usuais na indústria capazes de inativar a cereulide depois que ela é formada.
Tipos de intoxicação
A Bacillus cereus é um agente reconhecido de intoxicação alimentar e pode causar dois quadros distintos:
Síndrome diarreica: provocada por uma toxina termolábil, sensível ao calor, que causa diarreia e dor abdominal.
Síndrome emética (vômitos): causada pela cereulide, termoestável, responsável por náuseas intensas e vômitos de início rápido.
Além da intoxicação alimentar, a bactéria pode atuar como patógeno oportunista e causar infecções graves em pessoas imunocomprometidas, como septicemia (infecção generalizada grave), meningite (inflamação das meninges), abscessos pulmonares (cavidade no pulmão cheia de pus) e endocardite (inflamação ou infecção do endocárdio, camada interna do coração).
De acordo com o StatPearls, os sintomas da síndrome emética surgem entre 30 minutos e 6 horas após o consumo do alimento contaminado e incluem náusea intensa, vômitos persistentes e, em alguns casos, diarreia. Em geral, os quadros se resolvem em até 24 horas, mas há registros raros de falência hepática grave associada à cereulide, inclusive em pessoas previamente saudáveis.
Em bebês, o risco é maior porque o organismo ainda está em desenvolvimento, com menor capacidade de metabolizar toxinas.
Por que a Anvisa agiu sem casos confirmados?
A Anvisa determinou a suspensão da venda porque, uma vez presente no produto, a cereulide não pode ser neutralizada no preparo doméstico, como fervura ou aquecimento. O órgão considerou o risco potencial grave, especialmente para lactentes, e adotou uma abordagem preventiva.
A Nestlé informou que está recolhendo voluntariamente os lotes afetados e oferecendo devolução gratuita e reembolso integral, além de reforçar que não houve registro de reações adversas até o momento.
O que pais e responsáveis devem fazer
Verificar o número do lote no rótulo das fórmulas listadas pela Anvisa;
Não oferecer o produto à criança caso ele esteja entre os lotes recolhidos;
Entrar em contato com o SAC da Nestlé para devolução e reembolso;
Procurar atendimento médico imediato se a criança apresentar vômitos persistentes, diarreia ou sonolência excessiva, levando a embalagem do produto ao consultório.
Embora a maioria das contaminações por Bacillus cereus provoque quadros leves, a presença da cereulide em fórmulas infantis é considerada crítica pelo potencial de gravidade e pela impossibilidade de eliminação da toxina no preparo em casa, o que explica a resposta rápida das autoridades sanitárias.
*Estagiária sob supervisão de Ardilhes Moreira
Petroleira venezuelana PDVSA diz que há avanço em negociações com os EUA para exportação

Como ficará o setor petrolífero na Venezuela?
A estatal petrolífera venezuelana PDVSA afirmou nesta quarta-feira (7) que está avançando nas negociações com os Estados Unidos para a venda de petróleo.
Segundo a empresa, as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
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“O processo (…) baseia-se estritamente em transações comerciais, sob termos que são legais, transparentes e benéficos para ambas as partes”, disse a empresa em comunicado.
A agência Reuters reportou nesta quarta que um membro do conselho da PDVSA confirmou que apenas a Chevron está exportando atualmente o petróleo bruto venezuelano. “Não devemos nada aos EUA”, afirmou ele.
"Se os EUA quiserem o fornecimento de petróleo da Venezuela, terão de pagar pelas cargas a preços internacionais", acrescentou a fonte.
Vendas pelos EUA
Os Estados Unidos já começaram a comercializar petróleo venezuelano, informou o Departamento de Energia americano nesta quarta-feira (7).
De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
"Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados" , informou o departamento.
O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para "garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos", que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
Na terça-feira (6), o presidente Donald Trump, afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam "imediatamente", e continuarão por tempo indeterminado.
Plataforma de perfuração em um poço de petróleo da PDVSA em Orinoco, perto de Cabrutica, Anzoátegui
Reuters
Petróleo a preço de mercado
A declaração ocorre apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou.
O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Na terça-feira (6), a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos EUA já estavam discutindo a exportação de petróleo bruto para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Nesta quarta-feira, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A apreensão é parte da estratégia de Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e forçar o governo socialista da Venezuela a tornar-se um aliado.
Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA
Trump quer até 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira que o governo americano pretende fazer uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana para tratar sobre o tema.
Brasil bate recorde nas exportações de carne bovina em 2025 mesmo com tarifaço dos EUA

Brasil bate recorde nas exportações de carne bovina em 2025 mesmo com tarifaço dos EUA
Emerson Vieira/Unplash
O Brasil bateu recorde nas exportações de carne bovina em 2025 mesmo com o tarifaço temporário imposto pelos Estados Unidos.
No ano, foram 3,50 milhões de toneladas, alta de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior.
Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
O Brasil é o maior exportador de carnes do mundo. Em 2025, o país também se tornou o maior produtor mundial da proteína, ultrapassando os Estados Unidos, segundo o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA).
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A carne bovina in natura respondeu pela maior parte das exportações, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões.
Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.
A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram US$ 8,90 bilhões.
Em seguida, destacaram-se os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão. Na sequência, vêm o Chile (136,3 mil toneladas; US$ 754,5 milhões), a União Europeia (128,9 mil toneladas; US$ 1,06 bilhão), a Rússia (126,4 mil toneladas; US$ 537,1 milhões) e o México (118,0 mil toneladas; US$ 645,4 milhões).
Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, enquanto os Estados Unidos registraram alta de 18,3%.
A União Europeia apresentou crescimento de 132,8%, e o Chile, de 29,8%. Também se destacaram os aumentos para a Argélia (+292,6%), o Egito (+222,5%) e os Emirados Árabes Unidos (+176,1%).
Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a "resiliência e a maturidade do setor";
“O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida", afirmou Perosa.
Para 2026, a avaliação da Associação é de otimismo com realismo, com expectativa de estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento e ambiente favorável ao avanço em mercados estratégicos.
“Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo”, conclui Perosa.
Dinheiro da venda de petróleo venezuelano será mantido em contas bancárias dos EUA

Os Estados Unidos começaram a comercializar petróleo venezuelano e, segundo informou o Departamento de Energia americano nesta quarta-feira (7), toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
"Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados" , informou o departamento.
Segundo o órgão, os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para "garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos", que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
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Na terça-feira (6), o presidente Donald Trump, afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam "imediatamente", e continuarão por tempo indeterminado.
A declaração ocorre apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou.
O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Mais cedo, a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos estão discutindo a exportação de petróleo bruto venezuelano para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Nesta quarta-feira, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A apreensão é parte da estratégia de Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e forçar o governo socialista da Venezuela a tornar-se um aliado.
Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou nesta quarta-feira, o governo americano pretende fazer uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana para tratar sobre o tema.
O presidente dos EUA, Donald Trump.
REUTERS/Evelyn Hockstein
Os 25 empregos que mais devem crescer em 2026; veja o ranking do LinkedIn

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As profissões ligadas ao uso de tecnologia dominam os empregos que devem crescer no Brasil em 2026. A conclusão é do novo levantamento anual do LinkedIn, divulgado nesta quarta-feira (7), que aponta os 25 cargos com crescimento mais acelerado no país.
A pesquisa mostra que a inteligência artificial já deixou de ser uma tendência restrita à área de tecnologia e passou a influenciar diferentes etapas da carreira, da contratação ao desenvolvimento profissional.
Funções técnicas, estratégicas e operacionais aparecem lado a lado no ranking, refletindo um mercado de trabalho mais complexo e conectado.
Além da tecnologia, áreas como saúde, finanças, logística e gestão seguem relevantes. Em comum, essas funções exigem qualificação técnica, capacidade analítica e adaptação a novas ferramentas.
Confira o ranking:
Engenheiro(a) de Inteligência Artificial
Auxiliar de Enfermagem
Planejador(a) Financeiro(a)
Consultor(a) Regulatório(a)
Geofísico(a)
Engenheiro(a) de Segurança de Processo
Gerente de Sucesso do Cliente
Cientista Agrícola
Analista de Investimentos
Engenheiro(a) de Confiabilidade
Especialista em Dados
Técnico(a) em Microbiologia
Coordenador(a) de Pesquisa Clínica
Gerente de Relações
Gerente de Desenvolvimento de Negócios
Líder de Produção
Auditor(a) Interno(a)
Gerente de Logística
Recrutador(a)
Gerente de Instalações (Facilities)
Gerente de Planejamento Estratégico
Analista de Eficiência Energética
Gerente de Projetos de Marketing
Analista de Operações Logísticas
Analista de Orçamento
Mais da metade das profissões listadas tem relação direta com tecnologia, engenharia, dados ou uso intensivo de ferramentas digitais.
O cargo que lidera o ranking é o de engenheiro(a) de inteligência artificial, função que ganhou espaço com a popularização de grandes modelos de linguagem e soluções baseadas em IA.
Além da IA, crescem cargos ligados à análise de dados, confiabilidade, segurança de processos e eficiência energética. Esses profissionais ajudam empresas a reduzir riscos, otimizar operações e tomar decisões mais precisas.
Outros setores de destaque
O ranking também mostra a força contínua da área da saúde. Funções como auxiliar de enfermagem, técnico em microbiologia e coordenador de pesquisa clínica aparecem entre os cargos em alta.
Segundo o LinkedIn, esse movimento reflete fatores como o envelhecimento da população, a ampliação dos serviços de diagnóstico e o avanço de pesquisas clínicas e farmacêuticas no Brasil.
Outro destaque do levantamento é o crescimento de cargos ligados ao planejamento e à gestão. Estão na lista funções como planejador financeiro, analista de investimentos, gerente de planejamento estratégico e gerente de desenvolvimento de negócios.
Essas posições mostram que as empresas buscam profissionais capazes de analisar cenários, organizar recursos e apoiar decisões de longo prazo, especialmente em ambientes econômicos mais instáveis.
Cargo que lidera o ranking é o de engenheiro(a) de inteligência artificial
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Trabalho flexível avança, mas não é regra
O levantamento indica que o trabalho remoto ou híbrido é mais comum em cargos ligados à tecnologia, dados, marketing e planejamento. Já funções industriais, laboratoriais e operacionais seguem majoritariamente presenciais.
A diferença está ligada à natureza das atividades e à possibilidade de digitalização de cada função.
Abaixo, entenda as funções e o mercado das profissões citadas no ranking:
1. Engenheiro(a) de Inteligência Artificial
O que faz: desenvolve sistemas baseados em IA para análise de dados, reconhecimento de padrões e previsões.
Competências: LLM, LangChain, RAG.
Setores: tecnologia, serviços de TI, consultoria.
Onde há mais vagas: São Paulo, Florianópolis, Recife.
Gênero: 10,58% mulheres; 89,42% homens.
Experiência média: 3,6 anos.
Trabalho flexível: 63,55% remoto; 13,55% híbrido.
2. Auxiliar de Enfermagem
O que faz: presta cuidados básicos ao paciente e apoia procedimentos médicos.
Competências: punção venosa, sinais vitais, coleta de sangue.
Setores: saúde, clínicas e serviços médicos.
Onde há mais vagas: Ribeirão Preto, Brasília, Recife.
Gênero: 87,5% mulheres.
Experiência média: 2,3 anos.
Trabalho flexível: não especificado.
3. Planejador(a) Financeiro(a)
O que faz: ajuda pessoas a organizar investimentos, poupança e aposentadoria.
Competências: planejamento financeiro e gestão patrimonial.
Setores: seguros, mercado financeiro, tecnologia.
Onde há mais vagas: Porto Alegre, São Paulo, Campinas.
Gênero: 30,57% mulheres.
Experiência média: 5 anos.
Trabalho flexível: 37,5% remoto; 12,5% híbrido.
4. Consultor(a) Regulatório(a)
O que faz: orienta empresas sobre normas regulatórias, compliance e exigências legais.
Competências: regulação setorial, compliance, análise de risco.
Setores: saúde, energia, finanças, indústria.
Onde há mais vagas: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro.
Gênero: 46% mulheres; 54% homens.
Experiência média: 6 anos.
Trabalho flexível: 28% híbrido.
5. Geofísico(a)
O que faz: analisa dados geológicos para exploração de recursos naturais.
Competências: geofísica aplicada, análise sísmica, modelagem.
Setores: energia, mineração, óleo e gás.
Onde há mais vagas: Rio de Janeiro, Macaé, Belo Horizonte.
Gênero: 22% mulheres; 78% homens.
Experiência média: 7 anos.
Trabalho flexível: predominantemente presencial.
6. Engenheiro(a) de Segurança de Processo
O que faz: analisa e implementa medidas para prevenir acidentes e danos ambientais em processos industriais.
Competências: HAZOP, Análise das Camadas de Proteção (LOPA), Modelagem de consequências.
Setores: extração de petróleo e gás, consultoria em gestão, obras de infraestrutura.
Onde há mais vagas: Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador.
Gênero: 53,7% mulheres; 46,3% homens.
Experiência média: 5,6 anos.
Trabalho flexível: 20% remoto; 13,33% híbrido.
7. Gerente de Sucesso do Cliente
O que faz: apoia clientes, resolve problemas e mantém relacionamentos comerciais sólidos.
Competências: B2B, marketing integrado, Salesforce.
Setores: publicidade, serviços de TI, tecnologia.
Onde há mais vagas: São Paulo, Campinas, Curitiba.
Gênero: 61,43% mulheres; 38,57% homens.
Experiência média: 5,6 anos.
Trabalho flexível: 22,22% remoto; 33,33% híbrido.
8. Cientista Agrícola
O que faz: estuda plantas, animais e técnicas agrícolas para melhorar produção e uso de recursos.
Competências: agronomia, agricultura sustentável, melhoramento vegetal.
Setores: agricultura, educação superior, fabricação de máquinas e equipamentos.
Onde há mais vagas: São Paulo, Ribeirão Preto, Goiânia.
Gênero: 39,34% mulheres; 60,66% homens.
Experiência média: 2,4 anos.
Trabalho flexível: 2,74% remoto; 10,05% híbrido.
9. Analista de Investimentos
O que faz: avalia riscos e oportunidades para decisões de investimento.
Competências: pesquisa de capital, derivativos de ações, assessoria financeira.
Setores: mercados de capital, imobiliário, tecnologia.
Onde há mais vagas: Curitiba, São Paulo, Porto Alegre.
Gênero: 30,55% mulheres; 69,45% homens.
Experiência média: 4,6 anos.
Trabalho flexível: 18,75% remoto; 31,25% híbrido.
10. Engenheiro(a) de Confiabilidade
O que faz: analisa riscos de falhas em usinas e plantas industriais e propõe melhorias.
Competências: manutenção centrada em confiabilidade, manutenção preditiva, análise de falhas.
Setores: mineração, petróleo e gás, consultoria em gestão.
Onde há mais vagas: São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro.
Gênero: 16,81% mulheres; 83,19% homens.
Experiência média: 6,2 anos.
Trabalho flexível: 18,37% remoto; 18,37% híbrido.
11. Especialista em Dados
O que faz: coleta, organiza e atualiza bases de dados para análises e relatórios.
Competências: ETL, agregação de dados, DAX.
Setores: serviços de TI, consultoria em gestão, tecnologia.
Onde há mais vagas: São Paulo, Belo Horizonte, Recife.
Gênero: 29,66% mulheres; 70,34% homens.
Experiência média: 2,2 anos.
Trabalho flexível: 48,08% remoto; 19,23% híbrido.
12. Técnico(a) em Microbiologia
O que faz: realiza testes laboratoriais para identificar microrganismos.
Competências: microbiologia de alimentos, boas práticas de laboratório, microbiologia farmacêutica.
Setores: química, alimentos e bebidas, pesquisa científica.
Onde há mais vagas: Campinas, São Paulo, Curitiba.
Gênero: 77,78% mulheres; 22,22% homens.
Experiência média: 2,8 anos.
Trabalho flexível: 0% remoto; 57,14% híbrido.
13. Coordenador(a) de Pesquisa Clínica
O que faz: conduz estudos clínicos, coordena participantes e coleta dados.
Competências: REDCap, boas práticas clínicas, ensaios clínicos.
Setores: pesquisa científica, educação superior, recreação.
Onde há mais vagas: São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro.
Gênero: 79,31% mulheres; 20,69% homens.
Experiência média: 2,3 anos.
Trabalho flexível: 16,67% remoto; 16,67% híbrido.
14. Gerente de Relações
O que faz: mantém relacionamento com parceiros, investidores e comunidades.
Competências: serviços bancários comerciais, gestão de portfólio, crédito.
Setores: consultoria, mídia e telecom, intermediação não-monetária.
Onde há mais vagas: São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba.
Gênero: 30,97% mulheres; 69,03% homens.
Experiência média: 6,8 anos.
Trabalho flexível: 16,67% remoto; 20,83% híbrido.
15. Gerente de Desenvolvimento de Negócios
O que faz: identifica clientes e coordena estratégias para novas oportunidades.
Competências: geração de leads, B2B, prospecção de negócios.
Setores: tecnologia, consultoria, publicidade.
Onde há mais vagas: São Paulo, Belo Horizonte, Campinas.
Gênero: 43,73% mulheres; 56,27% homens.
Experiência média: 6,7 anos.
Trabalho flexível: 0% remoto; 50% híbrido.
16. Líder de Produção
O que faz: supervisiona atividades de produção garantindo eficiência e segurança.
Competências: manufatura enxuta, engenharia de produção, SOLIDWORKS.
Setores: fabricação de máquinas e equipamentos, tecnologia.
Onde há mais vagas: Campinas, São Paulo, Curitiba.
Gênero: 32,94% mulheres; 67,06% homens.
Experiência média: 5,4 anos.
Trabalho flexível: 1,69% remoto; 13,56% híbrido.
17. Auditor(a) Interno(a)
O que faz: revisa registros financeiros e processos internos para verificar conformidade.
Competências: auditoria interna, relatórios, análise de demonstrações financeiras.
Setores: serviços de TI, consultoria, lazer.
Onde há mais vagas: São Paulo, Goiânia, Curitiba.
Gênero: 50% mulheres; 50% homens.
Experiência média: 4,3 anos.
Trabalho flexível: 5,45% remoto; 43,64% híbrido.
18. Gerente de Logística
O que faz: supervisiona fluxo de mercadorias, compras, armazenagem e entrega.
Competências: WMS, otimização da cadeia de fornecimento, 3PL.
Setores: tecnologia, alimentos e bebidas, química.
Onde há mais vagas: São Paulo, Campinas, Curitiba.
Gênero: 17,31% mulheres; 82,69% homens.
Experiência média: 7,5 anos.
Trabalho flexível: 0% remoto; 8,33% híbrido.
19. Recrutador(a)
O que faz: conduz processos de recrutamento e planejamento de equipe.
Competências: triagem de currículos, entrevistas, recrutamento.
Setores: consultoria, recrutamento e seleção, serviços de apoio.
Onde há mais vagas: São Paulo, Curitiba, Campinas.
Gênero: 84,69% mulheres; 15,31% homens.
Experiência média: 2,4 anos.
Trabalho flexível: 9,38% remoto; 29,69% híbrido.
20. Gerente de Instalações (Facilities)
O que faz: gerencia operação de escritórios, manutenção, segurança e serviços.
Competências: gestão de manutenção, manutenção preventiva, operações de instalações.
Setores: mineração, agricultura, serviços de alimentação.
Onde há mais vagas: São Paulo, Campinas, Belo Horizonte.
Gênero: 5,37% mulheres; 94,63% homens.
Experiência média: 8 anos.
Trabalho flexível: 4,85% remoto; 18,94% híbrido.
21. Gerente de Planejamento Estratégico
O que faz: analisa desempenho do negócio e condições de mercado para definir metas.
Competências: estratégia digital, branding, fusões e aquisições.
Setores: publicidade, consultoria, tecnologia.
Onde há mais vagas: São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro.
Gênero: 41,26% mulheres; 58,74% homens.
Experiência média: 6,8 anos.
Trabalho flexível: 3,25% remoto; 41,87% híbrido.
22. Analista de Eficiência Energética
O que faz: analisa consumo de energia e propõe projetos de eficiência e energia renovável.
Competências: gestão de energia, eficiência energética, energia renovável.
Setores: geração de energia, petróleo e gás, consultoria.
Onde há mais vagas: São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis.
Gênero: 36,71% mulheres; 63,29% homens.
Experiência média: 3,6 anos.
Trabalho flexível: 3,33% remoto; 40% híbrido.
23. Gerente de Projetos de Marketing
O que faz: planeja, lidera e executa projetos de marketing garantindo prazo e orçamento.
Competências: marketing digital, marketing B2B, e-mail marketing.
Setores: publicidade, consultoria, tecnologia.
Onde há mais vagas: São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro.
Gênero: 66,67% mulheres; 33,33% homens.
Experiência média: 4,6 anos.
Trabalho flexível: 37,5% remoto; 31,25% híbrido.
24. Analista de Operações Logísticas
O que faz: analisa transporte, armazenamento e gestão de mercadorias para reduzir atrasos e custos.
Competências: 3PL, otimização da cadeia, gestão de transportes.
Setores: consultoria, petróleo e gás, transporte rodoviário.
Onde há mais vagas: São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre.
Gênero: 16,18% mulheres; 83,82% homens.
Experiência média: 7,3 anos.
Trabalho flexível: 0% remoto; 37,5% híbrido.
25. Analista de Orçamento
O que faz: acompanha e revisa orçamento da empresa, analisando desvios e uso de recursos.
Competências: elaboração de orçamentos, medições de obra, planejamento financeiro.
Setores: infraestrutura, engenharia, fabricação de máquinas.
Onde há mais vagas: São Paulo, Belo Horizonte, Campinas.
Gênero: 50% mulheres; 50% homens.
Experiência média: 4 anos.
Trabalho flexível: 4,23% remoto; 32,39% híbrido.
Como o ranking foi elaborado
A lista “Empregos em alta” foi criada a partir de dados do Gráfico Econômico do LinkedIn, que analisou milhões de vagas ocupadas por usuários da plataforma entre 1º de janeiro de 2023 e 31 de julho de 2025.
Para entrar no ranking, os cargos precisaram apresentar crescimento consistente na base de usuários, contar com um número relevante de anúncios de vagas no último ano e registrar aumento significativo até 2025.
Foram excluídos estágios, trabalhos voluntários, funções temporárias e cargos concentrados em poucas empresas. Funções semelhantes, com diferentes níveis de senioridade, foram agrupadas.
A classificação foi desenvolvida pelas cientistas de dados do LinkedIn Alejandra Budar e Marcela Leviz, em colaboração com os editores Ana Prado e Fabio Manzano, da equipe do LinkedIn Notícias.
EUA devem controlar vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado, diz jornal

Trump afirma que Venezuela vai entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o país pretende manter um controle significativo sobre a indústria petrolífera da Venezuela, incluindo a supervisão da venda da produção “indefinidamente”, informou o "The New York Times" nesta quarta-feira (7).
“Daqui para frente, venderemos a produção proveniente da Venezuela para o mercado”, disse Wright durante uma conferência de energia do Goldman Sachs, realizada perto de Miami.
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As declarações ocorrem após o presidente Donald Trump ter afirmado, na noite de terça-feira, que a Venezuela entregaria em breve dezenas de milhões de barris de petróleo aos EUA.
Segundo o republicano, o país sul-americano enviaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris aos EUA — o equivalente a até dois meses de produção diária — e os lucros dessas vendas seriam controlados pelo governo americano, conforme publicação nas redes sociais.
🔎 A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA). Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como a Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e o Irã (209 bilhões).
Conversas e colaborações
Ainda de acordo com o "The New York TImes", Wright disse que o governo Trump mantém um “diálogo ativo” com a liderança venezuelana e com grandes companhias petrolíferas americanas que atuam no país.
O secretário também corroborou estimativas externas segundo as quais a Venezuela poderia elevar a produção de petróleo em várias centenas de milhares de barris por dia em um curto período.
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PDVSA sob pressão: como fica a petroleira estatal com a ofensiva dos EUA na Venezuela?
Ele ponderou, no entanto, que aumentos mais expressivos acima dos níveis atuais, em torno de 1 milhão de barris diários (veja no gráfico abaixo), exigiriam mais tempo, mesmo com eventual disposição das companhias internacionais em ampliar investimentos.
“Para voltar aos níveis históricos de produção, são necessários dezenas de bilhões de dólares e um tempo considerável”, afirmou Wright. “Mas por que não?”
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
Segundo Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, aumentar essa produção, como pretende Trump, não será um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos.
Equipamentos com logo da PDVSA, empresa estatal venezuelana de produção de petróleo, em imagem registrada em Lagunillas, Venezuela.
Isaac Urrutia/Reuters/Foto de arquivo
Brasil bate recorde nas exportações de carne suína em 2025

Imagem de arroz com carne de porco. Brasil bateu recorde nas exportações de carne suína em 2025
onolicioushawaii
As exportações brasileiras de carne suína bateram recorde em 2025, mostram dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), divulgado nesta quarta-feira (7).
No ano, as vendas de carne de porco para outros países totalizaram 1,510 milhão de toneladas, volume 11,6% superior ao registrado em 2024, com 1,352 milhão de toneladas.
Com isto, o Brasil deverá superar o Canadá, assumindo o terceiro lugar entre os maiores exportadores mundiais de carne suína.
O resultado anual foi influenciado positivamente pelo bom desempenho registrado no mês de dezembro, com os embarques de 137,8 mil toneladas de carne suína, volume 25,8% superior ao registrado em dezembro de 2024, quando os embarques somaram 109,5 mil toneladas.
Em receita, as exportações brasileiras de carne suína totalizaram US$ 3,619 bilhões em 2025, número 19,3% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 3,033 bilhões.
Apenas em dezembro, a receita somou US$ 324,5 milhões, avanço de 25,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 258,4 milhões.
Principal destino da carne suína brasileira em 2025, as Filipinas importaram 392,9 mil toneladas, crescimento de 54,5% em relação a 2024.
Em seguida aparecem China, com 159,2 mil toneladas (-33%), Chile, com 118,6 mil toneladas (+4,9%), Japão, com 114,4 mil toneladas (+22,4%), e Hong Kong, com 110,9 mil toneladas (+3,7%).
Exportações brasileiras de carne suína
g1/Kayan Albertin
“Houve uma mudança significativa no tabuleiro dos destinos de exportação. As Filipinas se consolidaram como maior importadora da carne suína do Brasil, e outros mercados, como Japão e Chile, assumiram protagonismo entre os cinco maiores importadores", ressalta o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Isso demonstra a efetividade do processo de diversificação dos destinos da carne suína brasileira, o que reduz riscos, amplia oportunidades e reforça a presença do Brasil no mercado internacional, dando sustentação às expectativas positivas para este ano”, ressalta o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
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Anvisa proíbe venda de fórmulas infantis da Nestlé por risco de contaminação por bactéria

Produtos Nestlé suspensos
Nestlé/Reprodução
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização, a distribuição e o uso de alguns lotes de fórmulas infantis das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, fabricadas pela Nestlé Brasil. A decisão consta da Resolução nº 32/2026, publicada nesta quarta-feira (7), e tem caráter preventivo.
Segundo a Anvisa, a medida foi adotada após a identificação do risco de contaminação por cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. O aviso sobre o risco foi feito à agência pela Nestlé, que começou a recolher os lotes de forma voluntária.
A ingestão de alimentos contaminados pode provocar vômitos persistentes, diarreia e letargia —caracterizada por sonolência excessiva, lentidão de movimentos e do raciocínio, além de dificuldade de reação.
Recall global
A Nestlé informou que iniciou recolhimento voluntário dos produtos no Brasil e em outros países. A toxina foi detectada em itens provenientes de uma fábrica na Holanda, associada a um ingrediente fornecido por um fornecedor global de óleos terceirizados, o que levou à decisão de ampliar o recall de forma internacional.
No Brasil, a proibição atinge apenas alguns lotes das marcas citadas. Veja abaixo:
Lotes suspensos.
Anvisa
Lotes suspensos.
Anvisa
Orientações a pais e responsáveis
Verifique o número do lote impresso no rótulo das fórmulas infantis das marcas afetadas.
Não utilize nem ofereça o produto se ele pertencer a um dos lotes recolhidos. Os demais lotes não foram afetados.
Para trocas ou devoluções, procure o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Nestlé indicado na embalagem.
Se a criança apresentar vômitos, diarreia ou sonolência excessiva após o consumo, procure atendimento médico. Ao buscar assistência, informe o alimento ingerido e, se possível, leve a embalagem.
A íntegra da Resolução nº 32/2026 pode ser consultada no Diário Oficial da União.
Segundo a empresa, consumidores que tiverem produtos dos lotes especificados devem suspender imediatamente seu uso e entrar em contato com a área de Atendimento ao Consumidor para a devolução do item e reembolso integral. Para isso, a empresa disponibiliza os canais falecom@nestle.com.br ou 0800 761 2500, atendimento 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Nestlé vai reembolsar consumidores
Em nota, a Nestlé afirma que, até o momento, não há registro de casos confirmados de reações adversas associadas aos produtos incluídos no recall, em nenhuma parte do mundo.
Ainda de acordo com a empresa, os consumidores que possuírem produtos dos lotes afetados devem interromper imediatamente o uso e entrar em contato com o Atendimento ao Consumidor da Nestlé para devolução gratuita e reembolso integral.
"A Nestlé afirma que está atuando em cooperação com as autoridades competentes e reforça que qualidade e segurança dos alimentos são prioridades inegociáveis. Após a identificação da inconformidade, a empresa realizou uma investigação interna, que apontou uma falha em um ingrediente fornecido por um terceiro. O fornecedor foi notificado e os protocolos de controle de qualidade foram reforçados para evitar recorrências."
Anvisa também suspende panetones
Também nesta semana, a Anvisa determinou o recolhimento e a proibição da comercialização, distribuição e consumo de quatro lotes de panetones da marca D'Viez, contaminados por fungos.
Ainda foram suspensos produtos alimentícios que levam cogumelos sem autorização para uso em alimentos no Brasil. As medidas foram publicadas em resolução no Diário Oficial da União.
França limita importações agrícolas em resposta a protestos contra acordo UE-Mercosul

Acordo entre Mercosul e UE abre mercado consumidor gigantesco
A França decretou, nesta quarta-feira (7), a suspensão temporária das importações de certos produtos agrícolas, especialmente sul-americanos, que recebem tratamento com agrotóxicos proibidos na União Europeia.
A medida é vista como uma resposta à indignação dos agricultores franceses em relação ao acordo comercial UE-Mercosul. Ela já havia sido anunciada pelo governo do país no último domingo (4).
Com a iminência da assinatura do tratado, França e UE buscam maneiras de tranquilizar agricultores e pecuaristas, que temem o impacto da chegada de produtos agrícolas do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Os ministros da Agricultura europeus devem se reunir na tarde desta quarta-feira em Bruxelas para abordar as preocupações do setor agrícola, que realiza protestos na França bloqueando estradas com tratores.
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A suspensão temporária de importações, que entrará em vigor na quinta-feira (8) por um período de um ano, deve receber também a aprovação da Comissão Europeia.
Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e até batatas, entre outros, não poderão mais entrar na França se contiverem cinco fungicidas e herbicidas proibidos na Europa e utilizados em frutas, verduras e cereais: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.
Dado o perfil dos produtos, a suspensão afeta "principalmente a América do Sul", embora "não seja um decreto dirigido contra a América do Sul, mas contra qualquer país" que processe frutas e vegetais com essas substâncias, afirmou o Ministério da Agricultura francês no início desta semana.
Os agrotóxicos citados pelo governo da França são liberados no Brasil, mas o g1 perguntou ao Ministério da Agricultura se o país utiliza essas substâncias na produção das frutas que devem ser atingidas. Não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
O g1 fez os mesmos questionamentos à Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e aguarda posicionamento.
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O presidente francês Emmanuel Macron participa de cúpula de líderes da União Europeia em Bruxelas, Bélgica, em 18 de dezembro de 2025.
Reuters/Stephanie Lecocq
Pressão de agricultores
Bruxelas tem dez dias para analisar a suspensão estabelecida pela França, que pode ser aplicada antes da decisão final.
"Ao final desse período, a Comissão Europeia poderá optar por não se opor a ela e, portanto, mantê-la em vigor, ou estendê-la ao resto da UE (...) ou opor-se a ela", explicou o ministério.
O decreto, que se aplica a produtos importados de fora da UE, também exige que as empresas do setor alimentício implementem controles para garantir que os produtos importados não contenham as substâncias proibidas em questão.
O governo de Emmanuel Macron está sob pressão do setor agrícola, que recentemente realizou protestos significativos.
Agricultores protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul
Há também pressão política. Se Macron votar a favor do Mercosul, "ele corre o risco de enfrentar uma censura" de seu governo, alertou o líder conservador Bruno Retailleau sobre o acordo, que é rejeitado por todos os partidos.
Mas mesmo com a oposição francesa, a assinatura do tratado poderá ocorrer em 12 de janeiro, caso seja aprovado pela maioria qualificada do Conselho Europeu.
Para tranquilizar o setor, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs na terça-feira um financiamento adicional para os agricultores de cerca de 45 bilhões de euros (283 bilhões de reais), no âmbito de sua futura Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034.
Os agricultores europeus temem o impacto de uma entrada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos na Europa, considerados mais competitivos devido às suas normas de produção, em troca da exportação de veículos e máquinas europeias para o Mercosul.
EUA tentam apreender navio petroleiro ligado à Venezuela após perseguição no Atlântico

Trump afirma que Venezuela vai entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA
Os Estados Unidos tentam apreender um navio petroleiro ligado à Venezuela após uma perseguição que já dura mais de duas semanas pelo oceano Atlântico, segundo uma autoridade norte-americana ouvida pela agência Reuters nesta quarta-feira (7).
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De acordo com essa fonte, a operação ocorre depois que o navio — que inicialmente se chamava Bella-1 — conseguiu escapar de um bloqueio marítimo imposto pelos EUA a petroleiros que estão sob sanções.
Ainda segundo a autoridade, a embarcação também rejeitou tentativas de abordagem feitas pela Guarda Costeira americana.
A apreensão do navio pode elevar as tensões diplomáticas com a Rússia. A operação está sendo conduzida pela Guarda Costeira dos EUA em conjunto com as Forças Armadas do país, afirmou a autoridade, que falou sob condição de anonimato
Navio Nabarima, da estatal venezuelana de petróleo PDVSA, corre o risco de afundar com 1,3 milhão de barris de óleo cru no Golfo de Paria, que separa a Venezuela de Trinidad e Tobago
Divulgação/Fishermen and Friends of the Sea - FFOS
Brasil bate recorde em exportação de frango mesmo com gripe aviária

Exportação de carne de frango do Brasil tem recorde mesmo com gripe aviária
Adagri/ Divulgação
As exportações brasileiras de carne de frango totalizaram 5,324 milhões de toneladas em 2025, alta 0,6% em relação ao total exportado em 2024, estabelecendo novo recorde para o setor em ano marcado pelo primeiro caso de gripe aviária em granja comercial do país.
Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) na terça-feira (6).
O resultado foi consolidado pelos embarques realizados durante o mês de dezembro, que somaram 510,8 mil toneladas de carne de frango, avanço de 13,9% na comparação anual, disse a ABPA.
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"O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais", afirmou o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota.
Os resultados, ainda que um pouco abaixo das projeções anteriores ao foco de aviária no Rio Grande do Sul (em maio), foram obtidos após o país conseguir controlar a doença sem registrar novos surtos em granjas comerciais, o que permitiu a retomada de mercados que impuseram embargos sanitários com alguma celeridade.
A receita total das exportações de 2025 alcançou US$9,790 bilhões, queda de 1,4% em relação ao registrado em 2024, apontou a ABPA.
Principal destino das exportações de carne de frango em 2025, os Emirados Árabes Unidos importaram 479,9 mil toneladas (+5,5% em relação a 2024), seguidos pelo Japão, com 402,9 mil toneladas (-0,9%), Arábia Saudita, com 397,2 mil toneladas (+7,1%), África do Sul, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).
A China, que embargou a carne de frango do Brasil em boa parte do ano, por conta do foco de gripe aviária, perdeu posição de liderança entre os principais destinos. O embargo chinês já foi removido.
"O restabelecimento total dos embarques após os impactos da Influenza Aviária já sinaliza positivamente nos números das exportações. É o caso dos embarques para a União Europeia, que registraram alta de 52% nos volumes exportados em dezembro, e da China, que, em um curto período, já importou 21,2 mil toneladas", disse Santin.
Ele ressaltou que esses são indicadores que projetam "manutenção do cenário positivo para o ano de 2026".
Warner rejeita oferta de US$ 108,4 bilhões da Paramount por considerar negócio arriscado

Conselho da Warner Bros. recomenda que acionistas rejeitem oferta da Paramount
A Warner Bros. Discovery anunciou nesta quarta-feira (7) que seu conselho de administração rejeitou, por unanimidade, a oferta de US$ 108,4 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões, na cotação atual) apresentada pela Paramount Skydance para a aquisição do estúdio.
Segundo a empresa, a proposta revisada em 22 de dezembro de 2025 não se enquadra como uma “proposta superior”, nos termos previstos no acordo de fusão firmado com a Netflix no início do mês. Com isso, a Warner recomendou que seus acionistas rejeitem a oferta.
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Após a Netflix anunciar um acordo de US$ 72 bilhões (cerca de R$ 382 bilhões) para comprar os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner, a Paramount Skydance apresentou uma oferta hostil de US$ 108,4 bilhões para assumir o controle da empresa.
🔎 Uma oferta hostil é uma tentativa de aquisição em que uma empresa tenta comprar outra sem o apoio da diretoria ou do conselho da empresa que está sendo alvo. Em vez de negociar "amigavelmente" com os executivos, quem faz a oferta vai direto aos acionistas, normalmente oferecendo um valor atrativo pelas ações para tentar assumir o controle.
Em dezembro, o cofundador da Oracle, Larry Ellison, entrou na disputa ao oferecer uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões em financiamento via ações para sustentar a proposta de compra — um compromisso formal para cobrir eventuais lacunas no financiamento da operação.
Ainda assim, a decisão divulgada pela Warner nesta quarta-feira afirma que o conselho reafirmou seu apoio à proposta da Netflix e voltou a recomendar que os acionistas rejeitem a investida da Paramount Skydance.
Em comunicado, o presidente do conselho da Warner Bros. Discovery, Samuel A. Di Piazza Jr., afirmou que a proposta da Paramount oferece valor insuficiente e envolve riscos elevados, principalmente por depender de um grande volume de financiamento por dívida.
▶️ Financiamento por dívida é quando uma empresa usa empréstimos para bancar uma compra. No caso da Paramount, a aquisição da Warner dependeria de um volume muito alto de dinheiro emprestado, o que elevaria o endividamento e aumentaria o risco de o negócio não ser concluído.
Segundo a avaliação do conselho, a estrutura da proposta aumenta a incerteza quanto à conclusão do negócio e oferece pouca proteção aos acionistas caso a operação não seja concluída.
“A oferta da Paramount continua oferecendo valor insuficiente, pois depende de um volume elevado de financiamento por dívida. Isso aumenta os riscos de conclusão do negócio e reduz as garantias aos acionistas caso a transação não se concretize. Já o acordo vinculativo com a Netflix oferece mais valor e previsibilidade, sem os riscos e custos relevantes que a proposta da Paramount imporia aos investidores”, afirmou o presidente do conselho.
A Warner Bros. afirmou que a proposta da Paramount deixaria a empresa com uma dívida estimada em US$ 87 bilhões após a conclusão do negócio, o que tornaria a operação a maior aquisição já financiada majoritariamente por empréstimos.
Segundo o conselho, a Paramount teria de levantar um volume de recursos muito superior ao seu próprio tamanho, o que elevaria significativamente o risco da transação.
A Warner informou ainda que enviou uma carta aos investidores detalhando os motivos da decisão e reforçou que seguirá com o plano de fusão com a Netflix, considerado o caminho que oferece o melhor equilíbrio entre retorno e segurança.
Entenda a disputa envolvendo a Warner
Dias antes da divulgação da garantia financeira oferecida por Larry Ellison, o conselho da Warner Bros. Discovery já havia recomendado que os acionistas rejeitassem a proposta da Paramount.
Anunciado pela Netflix, o acordo avalia a Warner Bros. Discovery em cerca de US$ 82,7 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 72 bilhões seriam pagos diretamente aos acionistas.
A operação permitiria à Netflix fortalecer sua produção própria e expandir sua atuação para áreas como games, eventos ao vivo e novos serviços, além de manter os lançamentos de filmes da Warner nos cinemas.
A investida da Paramount ocorreu poucos dias após o anúncio do acordo com a Netflix e foi classificada como hostil, por contrariar a recomendação do conselho da Warner.
Embora o valor por ação seja maior, o custo total da transação, incluindo dívidas, chega a US$ 108,4 bilhões, exigindo uma estrutura de financiamento mais complexa, o que levantou dúvidas no mercado.
A disputa envolve mais do que valores financeiros. Quem assumir o controle da Warner passará a deter um dos catálogos mais valiosos de Hollywood, com franquias de sucesso, produções da HBO e o HBO Max, em um cenário de forte concorrência no setor de streaming.
Leia a carta na íntegra
Prezados Acionistas,
Como é de seu conhecimento, ao final do ano passado o Conselho de Administração concluiu um amplo processo com o objetivo de maximizar o valor para os acionistas, que resultou na celebração de um acordo de fusão com a Netflix. Desde então, a Paramount Skydance (“PSKY”), uma das participantes desse processo, lançou uma oferta pública hostil para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD), posteriormente revisada em 22 de dezembro de 2025.
Após análise detalhada, o Conselho de Administração concluiu, por unanimidade, que a oferta revisada da PSKY continua inadequada. A proposta oferece valor insuficiente, apresenta incertezas relevantes quanto à capacidade de conclusão da transação e impõe riscos e custos significativos aos acionistas da WBD caso não seja finalizada. Diante disso, o Conselho recomenda unanimemente que os acionistas rejeitem a oferta da PSKY. Para uma avaliação completa dos fundamentos dessa recomendação, orientamos a leitura integral do Formulário 14D-9, incluindo a emenda apresentada nesta data.
A oferta da PSKY não oferece valor suficiente
O Conselho avaliou que a oferta da PSKY é inferior quando comparada à fusão com a Netflix, considerando os custos, riscos e incertezas envolvidos. Nos termos do acordo com a Netflix, os acionistas da WBD receberão uma contraprestação significativa, composta por US$ 23,25 em dinheiro e ações ordinárias da Netflix, com valor-alvo adicional baseado na cotação das ações da empresa no fechamento da transação, o que oferece potencial de criação de valor no longo prazo.
Além disso, os acionistas da WBD manterão participação na Discovery Global, uma empresa com escala relevante, presença global diversificada e ativos líderes nas áreas de esportes e notícias, além de flexibilidade estratégica e financeira para perseguir suas próprias iniciativas de crescimento.
O Conselho também considerou os custos diretos e a perda de valor associados à aceitação da oferta da PSKY. A WBD teria de arcar com uma taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões para encerrar o acordo com a Netflix, além de uma taxa adicional de US$ 1,5 bilhão relacionada à troca de dívida planejada e aproximadamente US$ 350 milhões em despesas adicionais com juros. No total, esses custos somariam cerca de US$ 4,7 bilhões, ou US$ 1,79 por ação. Na prática, isso reduziria substancialmente o valor líquido da taxa de rescisão regulatória da PSKY, de US$ 5,8 bilhões para apenas US$ 1,1 bilhão, em caso de fracasso da transação. O acordo com a Netflix, por sua vez, não impõe custos semelhantes à WBD.
Falta de certeza quanto à capacidade da PSKY de concluir a transação
O elevado volume de financiamento por dívida previsto na oferta da PSKY aumenta significativamente o risco de não conclusão da transação, especialmente quando comparado à estrutura mais segura da fusão com a Netflix. A PSKY, avaliada em cerca de US$ 14 bilhões em valor de mercado, busca realizar uma aquisição que exigiria aproximadamente US$ 94,65 bilhões em financiamento total — quase sete vezes o seu tamanho. Para isso, a empresa precisaria contrair mais de US$ 50 bilhões em dívida adicional junto a múltiplos parceiros financeiros.
Na prática, a operação proposta pela PSKY configura uma aquisição alavancada (LBO), que seria a maior já realizada, com dívida bruta estimada em US$ 87 bilhões e alavancagem próxima de sete vezes o EBITDA projetado para 2026, antes das sinergias. O Conselho avaliou que esse tipo de estrutura eleva substancialmente os riscos, pois depende da disposição contínua dos credores em honrar os compromissos de financiamento no fechamento do negócio. Mudanças no ambiente econômico, no setor ou no desempenho financeiro das empresas envolvidas podem comprometer esses acordos, como demonstram precedentes históricos.
Esses riscos são agravados pela situação financeira atual da PSKY, que possui classificação de crédito abaixo do grau de investimento, fluxo de caixa livre negativo e forte dependência do negócio tradicional de TV linear. Além disso, o prazo estimado para conclusão da transação, de 12 a 18 meses, amplia a exposição a incertezas e pressões financeiras adicionais.
O Conselho também destacou que as restrições operacionais impostas à WBD durante esse período poderiam prejudicar suas operações, limitar decisões estratégicas e abrir espaço para que a PSKY alegue a ocorrência de um “efeito adverso relevante”, o que poderia resultar na rescisão ou renegociação do acordo.
Em contraste, a Netflix possui valor de mercado próximo de US$ 400 bilhões, balanço sólido, classificação de crédito A/A3 e geração robusta de caixa. O acordo com a Netflix também garante maior flexibilidade operacional à WBD até a conclusão da transação. Por esses motivos, o Conselho reafirmou que a fusão com a Netflix permanece superior à oferta revisada da PSKY.
Consequências para os acionistas caso a PSKY não conclua a transação
Caso a PSKY não consiga concluir a oferta, os acionistas da WBD enfrentariam custos relevantes e potencial destruição de valor. As restrições operacionais impostas poderiam comprometer a posição competitiva da empresa, dificultar a retenção de talentos e impedir a execução de iniciativas estratégicas importantes, como a separação planejada da Discovery Global e da Warner Bros.
Além disso, a WBD ficaria impedida de concluir a troca de dívida planejada e de refinanciar seu empréstimo-ponte de US$ 15 bilhões sem o consentimento da PSKY, reduzindo significativamente sua flexibilidade financeira. Se a transação não fosse concluída, os acionistas permaneceriam com ações de uma empresa limitada em suas principais decisões por até 18 meses.
A compensação financeira prevista nesse cenário também foi considerada insuficiente. O valor líquido da taxa de rescisão regulatória, de US$ 1,1 bilhão, representa apenas 1,4% do valor total da transação, percentual considerado inadequado para compensar os potenciais danos aos negócios da WBD.
Por outro lado, caso a fusão com a Netflix não seja concluída por razões regulatórias, a WBD receberá uma taxa de rescisão de US$ 5,8 bilhões e seguirá executando iniciativas estratégicas voltadas à criação de valor no longo prazo.
A oferta da PSKY não é superior à fusão com a Netflix
Apesar de diversas interações e orientações claras fornecidas pelo Conselho, pela administração e por seus consultores, a PSKY não conseguiu apresentar uma proposta que superasse ou sequer se equiparasse ao acordo com a Netflix. Mesmo após ter tempo suficiente para analisar o acordo de fusão já firmado, a PSKY optou por manter uma proposta que preserva as fragilidades previamente apontadas.
O Conselho de Administração negociou um acordo com a Netflix que maximiza o valor e reduz riscos de forma consistente. Por isso, acreditamos unanimemente que essa fusão representa a melhor alternativa para os acionistas e seguimos focados em avançar com a transação para entregar valor sustentável no longo prazo.
Atenciosamente,
Conselho de Administração da Warner Bros. Discovery
Logotipo da Warner Bros. no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions em Cannes
REUTERS/Eric Gaillard/Foto de Arquivo
Lula sanciona lei que proíbe descontos nos benefícios pagos pelo INSS, mas veta 'busca ativa' de aposentados lesados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira (7) uma lei que proíbe descontos por associações em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em abril do ano passado, uma operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou o desvio de bilhões de reais de aposentadorias e pensões.
(CORREÇÃO: Ao publicar essa reportagem, o g1 errou ao informar que a lei determinava uma "busca ativa" nos aposentados lesados. O trecho, na realidade, foi vetado por Lula. A informação foi corrigida às 13h22 de 7 de janeiro de 2026.)
A lei sancionada por Lula, que foi aprovada no fim do ano passado pelo Congresso Nacional, também determinava uma "busca ativa a beneficiários lesados em decorrência de descontos indevidos e prevê o seu ressarcimento", mas esse trecho foi vetado pelo presidente.
"Em que pese a boa intenção do legislador, o dispositivo contraria o interesse público, pois atribui ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS competências que não lhe são próprias, de modo a expor a autarquia a riscos jurídicos e operacionais, além de custos extraordinários, sem a apresentação da devida estimativa de impacto orçamentário e financeiro", informou o governo, ao explicar as razões do veto.
O governo já está ressarcindo os valores aos beneficiários do INSS (entenda mais abaixo).
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"Verificada a ocorrência de desconto indevido de mensalidade associativa ou referente a pagamento de crédito consignado em benefício administrado pelo INSS, será devida a devolução integral do valor ao lesado", diz a lei, sancionada pelo presidente da República.
O texto acrescenta que a ocorrência de fraude deverá ser comunicada ao Ministério Público para eventuais providências.
Prevê ainda que a entidade associativa, a instituição financeira ou a sociedade de arrendamento mercantil que realizem desconto indevido serão obrigadas a restituir o valor integral atualizado ao beneficiário em até 30 dias.
Por conta da fraude apurada pela Polícia Federal e pela CGU, foi instaurada, no Congresso Nacional, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que, após mais de três meses de funcionamento, já ouviu mais de 25 testemunhas, incluindo ex-ministros da Previdência.
Os trabalhos deverão ser retomados após o recesso legislativo.
INSS cria regras para devolver descontos indevidos a herdeiros de aposentados e pensionistas que já morreram
Jornal Nacional/ Reprodução
Dólar tem primeira alta do ano e fecha em R$ 5,38, após dados de emprego dos EUA; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (7) com um avanço de 0,12%, cotado em R$ 5,3858. Essa foi a primeira alta da moeda em 2026. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 1,03%, aos 161.975 pontos.
Em um dia mais esvaziado de indicadores no Brasil, as atenções dos mercados seguiu voltada para o exterior. Além dos desdobramentos envolvendo a Venezuela, os investidores também avaliaram os novos dados de emprego divulgados nos Estados Unidos.
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▶️ Nos EUA, o relatório da ADP indicou que a criação de vagas no setor privado ficou abaixo do esperado em dezembro. De acordo com o documento, foram abertos 41 mil postos de trabalho no mês passado, abaixo da previsão do mercado, de criação de 47 mil vagas.
Segundo economistas, a incerteza política — principalmente relacionada às tarifas de importação — deixou as empresas relutantes em aumentar seu quadro de funcionários. Alguns empregadores também estão integrando a inteligência artificial em determinadas funções, diminuindo a necessidade de mão de obra.
▶️ Ainda em relação ao mercado de trabalho americano, a pesquisa JOLTS de novembro, que mede vagas abertas, também registrou uma queda maior do que a esperada. Segundo o documento, os postos abertos caíram em 303 mil no mês, a cerca de 7,2 milhões. Nesse caso, a estimativa era que o país registrasse 7,6 milhões de empregos não preenchidos no período.
Os dados preparam o terreno para o relatório de empregos (payroll), previsto para sexta-feira (9), e aumenta as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) nos juros americanos.
🔎 O mercado continua a precificar dois cortes nas taxas de juros dos EUA ao longo deste ano, o que aumenta a atenção sobre esses indicadores.
▶️ No cenário externo, os desdobramentos da ofensiva dos EUA à Venezuela continuam. Ontem, Donald Trump anunciou que autoridades interinas do país entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade e sancionado” aos EUA.
Já nesta quarta-feira, informações divulgadas pela agência Reuters indicaram que as autoridades da Venezuela e dos EUA já discutem sobre a retomada da exportação de petróleo bruto aos americanos.
▶️ No Brasil, a agenda é mais leve, com expectativa pelos dados do fluxo cambial semanal. Na véspera, foi divulgado que o país encerrou 2025 com superávit de US$ 68,293 bilhões na balança comercial, terceiro melhor resultado anual já registrado. A projeção para este ano é de saldo entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,70%;
Acumulado do mês: -1,87%;
Acumulado do ano: -1,87%.
📈Ibovespa
C
Acumulado da semana: +0,92%;
Acumulado do mês: +0,55%;
Acumulado do ano: +0,55%.
Petróleo da Venezuela aos EUA
Na véspera, o presidente Donald Trump afirmou que o governo interino da Venezuela concordou em entregar de 30 a 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” aos EUA. O anúncio foi feito em uma rede social.
Já nesta quarta-feira (7), o Departamento de Energia americano informou que as vendas do petróleo venezuelano já começaram e devem continuar por tempo indeterminado, destacando que toda a receita proveniente da venda da commodity do país será depositada em contas controladas pelos EUA.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado.
Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou.
O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
A declaração ocorre apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro.
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Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
🔎 A produção venezuelana despencou nas últimas décadas, afetada pela má gestão e pela escassez de investimentos estrangeiros após a nacionalização do setor nos anos 2000. Com a ação dos EUA, parte do mercado avalia que o petróleo do país possa voltar a circular, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados fecharam sem direção única nesta quarta-feira, conforme investidores avaliavam os novos dados de emprego e falas do presidente Donald Trump.
O Nasdaq Composite fechou em alta de 0,17%, com investidores voltando a direcionar suas carteiras para ações de tecnologia, enquanto os índices S&P 500 e Dow Jones recuaram 0,34% e 0,96%, respectivamente.
Os mercados europeus encerraram o dia praticamente estáveis, após uma sequência de recordes recentes. O destaque ficou com a inflação da zona do euro, que desacelerou para 2% em dezembro, atingindo a meta do Banco Central Europeu (BCE).
No fechamento, o índice STOXX 600 registrou leve variação negativa de 0,05%, a 604,99 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,74%, a 10.048,21 pontos. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,92%, a 25.122,26 pontos.
Em Paris, o CAC 40 recuou 0,04%, a 8.233,92 pontos. Em Milão, o Ftse/Mib perdeu 0,43%, a 45.558,68 pontos. Em Madri, o Ibex-35 caiu 0,29%, a 17.596,40 pontos. Em Lisboa, o PSI20 teve baixa de 0,41%, a 8.479,08 pontos.
Já as bolsas asiáticas fecharam com desempenho misto.
Na China, os índices permaneceram próximos dos maiores níveis em mais de dez anos, apoiados por volumes de negociação mais altos e expectativas de crescimento dos lucros. Em Hong Kong, houve queda após três dias de alta.
No fechamento, os índices ficaram assim: Hang Seng -0,94% (26.458 pontos), Xangai SSEC +0,05% (4.085 pontos), CSI300 -0,29% (4.776 pontos), Nikkei -1,06% (51.961 pontos), Kospi +0,57% (4.551 pontos), Taiex -0,46% (30.435 pontos) e Straits Times +0,13% (4.746 pontos).
Dólar opera em baixa
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Investida de Trump na Venezuela tende a impulsionar nova dinâmica de petróleo na América Latina

Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA
A Venezuela tem as maiores reservas mundiais de petróleo, com cerca de 17% do total.
Entretanto, desde a estatização do setor no país e a saída das companhias americanas e britânicas na era chavista, a capacidade de produção nacional despencou para cerca de 800 mil barris por dia – muito abaixo de concorrentes de peso como Arábia Saudita, Rússia e os próprios Estados Unidos.
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O economista Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e experiente especialista no mercado internacional de petróleo, vê um cenário favorável para os países detentores de reservas na América Central e do Sul ingressarem com força na corrida não só pelo óleo, como também pelo gás.
“Na Argentina, o governo de direita, do Milei, é alinhado a Trump. A Bolívia também recentemente teve uma eleição e a direita ganhou”, observa, ao lembrar que os investimentos e a produção de gás de La Paz também desmoronaram após a estatização dos campos pelo ex-presidente Evo Morales.
“Você tem a Guiana, grande estrela de produção de óleo, cujos dois principais investidores são as americanas ExxonMobil e Chevron. Tem a Colômbia, onde haverá eleições este ano e parece que o favorito é o candidato da direita, assim como no Chile, onde a direita venceu.”
No Brasil, o cenário eleitoral para 2026 aponta o presidente Lula como favorito à reeleição. O petista não esconde o apetite pela abertura de novas frentes de exploração de petróleo no país, que hoje é o sétimo maior produtor mundial.
Petrobras sob pressão
A volta dos americanos à Venezuela e de Caracas como protagonista do mercado mundial tende a estimular a competição internacional pela atuação na margem equatorial brasileira, colocando a Petrobras sob pressão.
Em 2025, após 12 anos, a companhia recebeu autorização para iniciar os estudos de prospecção em um dos quase 300 blocos identificados na área, ao norte do Brasil.
“Você vai ter empresas de petróleo que vão começar a se questionar: coloco dinheiro na Venezuela ou coloco na margem equatorial? Está sendo criado um concorrente para esses investimentos”, pontua Pires.
O provável aumento da oferta mundial de petróleo levará à queda ainda maior do preço do barril, hoje negociado em torno de US$ 60.
A diminuição do valor nos próximos dois anos já era antecipada pelos analistas, devido a uma oferta abundante e não acompanhada por aumento da demanda. A esperada alta da produção venezuelana acentua o fenômeno.
Aumento das vendas para a China
Mas, se por um lado as receitas das vendas vão cair, com impacto nas decisões de investimentos e fluxos de caixa, por outro a derrubada do regime de Nicolás Maduro cria uma oportunidade para a petroleira brasileira: aumentar as exportações para a China.
Pequim é o destino de 80% do petróleo venezuelano, a custos inferiores aos do mercado.
Adriano Pires ressalta que o Brasil está em curva ascendente de produção, passando dos menos de 4 milhões de barris por dia para uma expectativa de 5 milhões em 2027.
“Além disso, as empresas chinesas de petróleo que compraram campos aqui no Brasil já produzem 350 mil barris por dia, então o Brasil é cada vez mais um país hiperimportante para a China, no sentido de abastecimento de petróleo”, afirma o economista. “Aí eu não sei como é que o Trump vai olhar para isso.”
Para o especialista, o objetivo número 1 do presidente americano ao intervir na Venezuela foi barrar o acesso chinês ao petróleo do país e se tornar um player incontornável deste mercado.
“O que ele quer, na realidade, é ter um controle maior sobre as reservas de petróleo mundiais, para poder dar um xeque-mate na China, que hoje é a segunda maior consumidora de petróleo no mundo, e ao mesmo tempo criar uma espécie de mini-OPEP para ele. Ele pode agora sentar à mesa e ser um player que define níveis de produção e automaticamente níveis de preço no mercado internacional de petróleo”, indica Pires.
“No tabuleiro da geopolítica do petróleo, Trump passa a jogar com muito mais poder.”
Equipamentos com logo da PDVSA, empresa estatal venezuelana de produção de petróleo, em imagem registrada em Lagunillas, Venezuela.
Isaac Urrutia/Reuters/Foto de arquivo
Presidente interina da Venezuela nomeia novo chefe da área econômica

A presidente interina da Venezuela nomeou nesta terça-feira (6) o novo responsável pela equipe econômica, cargo que ela própria ocupava até a queda de Nicolás Maduro e que é considerado prioridade de sua gestão.
Este é o primeiro anúncio de mudança feito por Delcy Rodríguez à frente do governo. Calixto Ortega Sánchez foi nomeado vice-presidente da área econômica.
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Delcy era vice-presidente do país e a primeira na linha de sucessão, além de acumular o cargo de ministra de Hidrocarbonetos e a coordenação da política econômica.
O novo indicado presidiu o Banco Central da Venezuela entre 2018 e 2025. Antes disso, Ortega Sánchez atuou na indústria do petróleo.
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“Até o fim de 2026, esperamos consolidar os resultados de 2025 e avançar ainda mais”, disse Delcy Rodríguez à TV estatal, ao citar a estimativa de crescimento de 6,5% da Cepal para 2025.
O cenário econômico da Venezuela é considerado complexo, com uma desvalorização da moeda local próxima de 500%, o que reacende os temores de uma nova hiperinflação.
Ainda assim, especialistas revisaram para cima suas expectativas para 2026 com Delcy Rodríguez à frente do governo.
Delcy passou a conduzir a política econômica durante o período mais agudo da crise, quando promoveu a flexibilização de controles e liberou o uso do dólar.
A presidente interina assume o governo sob forte atenção de Donald Trump, que ordenou o bombardeio a Caracas que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, acusados de narcotráfico nos Estados Unidos.
O republicano já demonstrou interesse nas reservas de petróleo da Venezuela, enquanto Delcy defende uma relação baseada no equilíbrio e no respeito.
Especialistas avaliam que a nova administração pode abrir espaço para uma flexibilização do embargo em vigor desde 2019.
Vice-presidente e ministra do Petróleo da Venezuela, Delcy Rodríguez, fala à imprensa em Caracas, na Venezuela, em 10 de março de 2025.
Reuters
PDVSA sob pressão: como fica a petroleira estatal com a ofensiva dos EUA na Venezuela?

Como ficará o setor petrolífero na Venezuela?
As declarações do presidente Donald Trump sobre a intenção de “assumir” o setor petrolífero da Venezuela, após a operação que retirou Nicolás Maduro do poder, colocaram no centro do debate o futuro da estatal PDVSA.
A Venezuela concentra cerca de 17% das reservas comprovadas do planeta — mais de 300 bilhões de barris (veja mais abaixo) — e manteve por anos um quase monopólio do setor após a reestatização promovida pelo antecessor de Maduro, Hugo Chávez.
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Ao prender Maduro, Trump prometeu reestruturar a indústria petrolífera, com investimentos de bilhões de dólares de empresas americanas, e o destino dessas reservas passou a ser acompanhado de perto por governos, empresas e investidores.
A empolgação inicial levou as ações de petrolíferas americanas a dispararem. A Chevron, que mantém operações no país e é vista como uma das mais bem posicionadas, subiu 5,1% na segunda-feira. Conforme se percebeu que qualquer mudança levaria tempo, o movimento se inverteu: os papéis recuavam mais de 4% na terça.
Além dos impactos econômicos e geopolíticos, surge o debate sobre como a ofensiva de Trump pode redesenhar o papel da PDVSA e da Venezuela no mercado internacional de petróleo.
Segundo analistas ouvidos pelo g1, o movimento reflete menos uma mudança imediata na oferta global e mais a leitura do mercado diante de um novo cenário geopolítico.
O que acontece com a PDVSA?
Plataforma de perfuração em um poço de petróleo da PDVSA em Orinoco, perto de Cabrutica, Anzoátegui
Reuters
Apesar da ofensiva militar, a estatal venezuelana segue operando. Segundo informações da Reuters, as atividades de produção e refino continuam normalmente, sem danos às principais instalações, embora o porto de La Guaira tenha sido severamente afetado pelos ataques.
O principal desafio da empresa, no entanto, não é operacional de curto prazo, mas estrutural.
Welber Barral, sócio da BMJ Consultores Associados e ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), afirma que a estatal foi enfraquecida ao longo dos anos.
“A PDVSA acabou sendo desmontada por falta de investimento. Hoje, exporta apenas um terço do volume registrado há 20 anos. É uma empresa sucateada por má administração, mas que ainda tem enorme potencial, porque detém grandes reservas”, diz.
➡️ Responsável pela exploração, produção, refino e exportação de petróleo, a Petróleos de Venezuela S.A. é o eixo de um setor que sustenta a economia do país há décadas. O petróleo e seus derivados respondem por cerca de 90% das receitas de exportação da Venezuela, o que torna a estatal central para as contas públicas.
➡️ Apesar de administrar as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a PDVSA atravessa um longo processo de deterioração. Durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, a empresa sofreu forte interferência política, enfrentou casos recorrentes de corrupção, perdeu quadros técnicos e viu investidores estrangeiros deixarem o país.
➡️ O impacto foi direto na produção, que caiu mais de 70% desde o fim dos anos 1990. Problemas operacionais, como acidentes em oleodutos e refinarias, agravaram o quadro, enquanto sanções impostas pelos EUA — especialmente a partir de 2017 — restringiram o acesso da empresa a financiamento, tecnologia e mercados internacionais.
Ainda assim, a PDVSA conseguiu estabilizar a produção em torno de 1 milhão de barris por dia (veja mais abaixo), em parte graças a licenças especiais concedidas a algumas empresas estrangeiras, como a americana Chevron.
Diante da intervenção americana, Rafael Chaves, ex-diretor da Petrobras e professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE) da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que a estatal venezuelana não deve perder relevância, mas deve mudar seu modelo de atuação, hoje marcado pelo isolamento.
“O cenário mais provável é a construção de um novo arranjo de regras, no qual a estatal passe a operar em parceria com empresas internacionais. Isso não representa um enfraquecimento. Pelo contrário, pode significar um fortalecimento, já que o isolamento e o monopólio tendem a fragilizar as empresas”, afirma.
O que Trump pretende e o papel das empresas americanas
Em coletiva de imprensa no sábado (3), Trump afirmou que os EUA pretendem “consertar” a indústria petrolífera venezuelana ao abrir o setor para grandes empresas americanas, o que permitiria recuperar a infraestrutura do país e recolocar o petróleo venezuelano no mercado internacional.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura e começar a gerar lucro para o país”, disse o presidente americano, ao defender uma participação direta do capital privado na reestruturação do setor.
Em relatório, analistas do UBS BB pontuam que Trump defende que os EUA “administrem” a Venezuela durante um período de transição, com a produção de petróleo liderada por empresas americanas.
A proposta, segundo o documento, seria usar esse modelo para “recuperar prejuízos” acumulados ao longo das últimas décadas. Mesmo assim, isso não significaria uma estatização do setor. Para Rafael Chaves, a lógica é de mercado.
“Os EUA costumam operar com mercados, não com estatização. Quando Trump fala em ‘assumir’, ele se refere, provavelmente, à abertura para empresas privadas, como Exxon e Chevron”, explica.
Nesse contexto, Barral destaca o interesse das empresas americanas no petróleo venezuelano. Ele lembra que, durante o governo de Joe Biden, foram criadas exceções que permitiram a atuação limitada de algumas companhias dos Estados Unidos no país.
“Essa presença, no entanto, foi tímida, porque ninguém faz grandes investimentos sem segurança jurídica no país.”
Com o governo Trump, essas autorizações foram revogadas, levando muitas empresas a suspender suas operações na Venezuela. Ainda assim, Barral afirma que o interesse em retomar investimentos permanece. Para isso, o caminho mais provável seria a celebração de acordos com a PDVSA.
“Essas parcerias poderiam envolver a cessão de blocos ou outros formatos de parceria, para viabilizar a produção e a exportação de petróleo. O objetivo principal é exportar para o sul dos EUA, onde há muitas refinarias”, explica.
Por isso, a expectativa de abertura do mercado venezuelano impulsionou as ações das principais petrolíferas americanas desde segunda-feira (5).
Efeitos no mercado de petróleo
Analistas e especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que os desdobramentos na indústria petrolífera venezuelana tendem a ter impacto limitado sobre os preços internacionais do petróleo no curto prazo.
A principal razão é que a produção do país permanece em torno de 1 milhão de barris por dia, um volume bem abaixo de seu potencial histórico.
Para que a oferta aumente de forma relevante, seria necessário um processo longo de investimentos, reconstrução da infraestrutura e mudanças profundas na governança da PDVSA.
Além disso, o mercado global de petróleo já opera sob a expectativa de excesso de oferta e de uma demanda mais fraca em 2026, o que reduz a probabilidade de um impacto rápido ou significativo nos preços.
Na avaliação de Helder Queiroz, professor do Instituto de Economia da UFRJ e ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), mesmo um cenário otimista apontaria para uma recuperação gradual.
“Não há possibilidade de aumento rápido. Um retorno ao patamar de 3 milhões de barris por dia não ocorreria em menos de cinco anos”, afirma.
Ainda assim, uma eventual recuperação da produção venezuelana tornaria o mercado mais competitivo, pressionando o Brasil e a Petrobras a acelerar a exploração de suas reservas, de acordo com Rafael Chaves.
Para ele, a Petrobras segue relevante, mas precisa ganhar velocidade para transformar potencial energético em crescimento econômico.
O fator China e o redesenho geopolítico
A atuação dos EUA na Venezuela também envolve uma dimensão estratégica no cenário geopolítico. Segundo Gustavo Vasquez, gerente de petróleo e GLP da Argus, a China é hoje o principal destino do petróleo venezuelano, com compras em torno de 430 mil barris por dia, além de ser credora de cerca de US$ 12 bilhões em empréstimos garantidos por petróleo.
Nesse contexto, a leitura de especialistas é que Washington busca reduzir a influência de Pequim e de Moscou sobre o país sul-americano — o que pode levar outros países da região a reavaliar sua dependência desse financiamento.
Apesar disso, Barral, da BMJ, avalia que ainda não há uma estratégia americana claramente definida para o futuro da Venezuela. “Havia o objetivo de derrubar Maduro, mas não existe uma diretriz clara sobre o que fazer com o país depois disso.”
“Do ponto de vista geoestratégico, o principal interesse é afastar a Venezuela de alianças com Rússia, China e Irã. O país estava muito alinhado a esses atores, e há um interesse evidente em reduzir essa proximidade”, explica.
Na avaliação de analistas, a reação inicial dos mercados reflete mais uma leitura sobre o novo cenário político do que mudanças concretas na oferta de petróleo ou na estrutura da indústria venezuelana.
“O mercado ficou mais tenso no primeiro momento, mas os preços voltaram ao patamar das últimas semanas”, afirma Helder Queiroz, indicando que, por ora, o impacto é mais simbólico do que prático, à espera de definições sobre os próximos passos no tabuleiro geopolítico e energético.
Tanques com o logo da PDVSA em refinaria em Curaçao; foto de 22/04/2018
Andres Martinez Casares/Reuters
Vendas de elétricos e híbridos sobem 26% em 2025, e crescem 10 vezes mais que o mercado

João Pantoja/Rede Amazônica
A venda de carros elétricos e híbridos cresceu 26% em relação ao número de emplacamentos registrados em 2024. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Segundo a entidade, foram vendidos 223.192 veículos eletrificados em 2025, ante 177.538 em 2024 e 93.927 em 2023. Na comparação com 2023, o avanço chega a 138%.
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O ano também foi marcado pela inauguração das fábricas da BYD e da GWM, além do início da fabricação nacional de modelos elétricos da Chevrolet, que prometem ampliar ainda mais as vendas em 2026. (veja mais abaixo)
O crescimento entre 2024 e 2025 já é expressivo por si só, mas ganha ainda mais destaque quando comparado à previsão de alta de apenas 2,5% para todo o mercado de automóveis da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
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Com isso, o segmento de veículos elétricos e híbridos deve crescer cerca de 10 vezes mais do que o mercado total, que inclui também os modelos movidos a combustão.
A ABVE não inclui na contagem os veículos com sistema híbrido leve, já que esse tipo de tecnologia não utiliza o motor elétrico para movimentar as rodas.
Alguns modelos com esse sistema são:
Fiat Pulse;
Fiat Fastback;
Peugeot 208;
Peugeot 2008;
Caoa Chery Tiggo 7 Pro;
Kia Sportage;
Land Rover Defender 110 e 130.
Ao incluir esse tipo de eletrificação no total, foram emplacados 282.252 veículos em 2025. Os híbridos leves responderam por 34% de todas as vendas.
A diferença de 59.060 unidades é superior ao volume registrado por todos os modelos com conjunto híbrido pleno (42.354 unidades).
Entre eles, estão:
Honda Civic;
Honda CR-V;
Toyota Corrolla;
Toyota Corolla Cross;
Toyota Rav4;
Ford Maverick;
Hyundai Kona;
GWM Haval H6;
GAC GS4.
“Ultrapassamos o marco simbólico dos 200 mil veículos eletrificados vendidos num único ano. Em 2016, tínhamos ficado felizes quando atingimos 1.091 unidades e agora, em 2025, chegamos a 223.912. O mercado aumentou 20.423% em apenas 10 anos!”, apontou Ricardo Bastos, presidente da ABVE.
Segundo a ABVE, os veículos eletrificados responderam por 13% das vendas de carros zero km em 2025.
Híbrido plug-in é o preferido do brasileiro
Mesmo com grande parte das vendas concentrada nos híbridos leves, os híbridos plug-in que registraram os maiores volumes. Neles, o motor elétrico move as rodas e garante menor consumo de combustível.
Veja quantos emplacamentos foram feitos por cada tecnologia:
Híbrido plug-in: 101.394 unidades emplacadas;
100% elétrico: 80.178 unidades emplacadas;
Híbrido leve 12V: 44.459 unidades emplacadas;
Híbrido pleno flex: 21.323 unidades emplacadas;
Híbrido pleno: 21.047 unidades emplacadas;
Híbrido leve 48V: 16.881 unidades emplacadas.
Brasil expandiu a fabricação local em 2025
Fábrica da BYD em Camaçari (BA)
divulgação/BYD
Em 2025, começaram a operar fábricas de três grandes marcas no Brasil, que devem ampliar a oferta e os emplacamentos de eletrificados no Brasil. A primeira foi a BYD, que inaugurou sua planta em Camaçari (BA), onde a Ford produzia veículos como o EcoSport.
Na unidade do Nordeste são produzidos:
BYD Dolphin Mini;
BYD Song Pro;
BYD King.
A GWM também assumiu e adaptou a unidade fabril que antes pertencia à Mercedes-Benz, em Iracemápolis (SP) — onde a marca alemã produzia modelos como o sedã Classe C e o SUV GLA.
A partir da planta no interior paulista, a fabricante chinesa produz:
GWM Haval H6;
GWM Haval H9;
GWM Poer P30.
Já a GM adotou uma estratégia diferente ao terceirizar a produção de seus modelos elétricos para a Comexport, em Horizonte (CE).
A partir dessa unidade saem modelos como:
Chevrolet Spark;
Chevrolet Captiva EV.
“Em resumo, os eletrificados são o setor mais inovador e dinâmico do mercado automotivo brasileiro, e o que mais investe em geração de emprego", disse o presidente da ABVE.
Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP)
divulgação/GWM
Consignado CLT: sem garantia do FGTS regulamentada, empréstimos somam R$ 52 bilhões; abaixo do esperado pelo governo

Consignado CLT: para quem funciona melhor e como negociar com o banco
Aposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para baratear e estimular empréstimos ao setor privado, o crédito consignado ao trabalhador com carteira assinada começou em março de 2025 com a estimativa de movimentar R$ 100 bilhões em três meses.
No entanto, a expectativa não se confirmou. Segundo o próprio governo, foram emprestados R$ 52 bilhões por meio da modalidade até esta semana.
No lançamento, o Ministério do Trabalho disse que a regulamentação do saldo do FGTS dos trabalhadores como garantia aos empréstimos, um diferencial da modalidade, seria feita até 15 de junho de 2025.
Quase dez meses depois do início da linha de crédito, porém, o governo ainda não regulamentou o uso do FGTS nessa modalidade de empréstimos. A nova previsão do governo é que saia até junho de 2026.
Pegatroco/Divulgação
🔎 Os empréstimos são descontados da remuneração mensal do trabalhador, respeitado o limite legal da margem consignável (de até 35% da renda líquida para empréstimos e financiamentos).
🔎 Quando a garantia do FGTS estiver em vigor, todos os trabalhadores poderão usar até 10% do saldo do FGTS como garantia e, também, 100% da multa rescisória na demissão sem justa causa (que equivale a 40% do valor do saldo) — algo que contribuirá para baratear os juros e para estimular os bancos a emprestarem mais recursos.
"Importa destacar que a regulamentação do FGTS não interfere, neste momento, no fluxo de pagamento dos empréstimos da Plataforma Crédito do Trabalhador. Atualmente, quando o vínculo empregatício é encerrado, o contrato de crédito permanece ativo e pode ser retomado em um novo vínculo formal, mediante anuência do trabalhador. Até essa retomada, o trabalhador fica impedido de contratar novos empréstimos enquanto o contrato estiver pendente", informou o Ministério do Trabalho.
No crédito ao trabalhador, a busca pelos empréstimos pode ser feita por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) ou, também, diretamente nas instituições financeiras.
Como funciona sem garantia do FGTS?
Sem a regulamentação do FGTS como garantia nas operações de crédito, o Ministério do Trabalho explicou que, em caso de demissão, acaba automaticamente o desconto em folha, pois não há mais remuneração vinculada ao contrato de trabalho.
E, na ausência de norma que autorize o uso do FGTS para quitação ou amortização automática, não há desconto do saldo de FGTS.
"O empregador pode descontar até 35% sobre o valor das verbas rescisórias, para pagamento do empréstimo existente do trabalhador desligado, recolhendo esse valor via FGTS Digital ou DAE. Se o valor da rescisão não for suficiente para quitar todo o empréstimo, a responsabilidade pelo restante é exclusiva do trabalhador junto ao banco", explicou o governo.
Além disso, segundo o governo:
o empréstimo fica vinculado ao CPF do trabalhador e na CTPS Digital. A CTPS Digital funciona como repositório de informação do vínculo e do contrato, e não como garantia. O empréstimo não se extingue com o fim do vínculo, apenas perde temporariamente o mecanismo de desconto automático.
caso o trabalhador seja contratado novamente com carteira assinada, ocorre o chamado "carregamento operacional". O novo empregador passa a ser informado, via sistemas oficiais (Dataprev/eSocial), da existência do contrato consignado. Nesse caso, o desconto em folha pode ser retomado, desde que haja margem consignável disponível; e o contrato esteja dentro das regras legais e operacionais vigentes.
No caso de o trabalhador não conseguir novo emprego formal, segundo o governo, o contrato continua existindo como obrigação financeira comum.
"O pagamento das parcelas passa a depender de negociação direta com a instituição financeira; ou mecanismos de cobrança previstos em contrato (sem desconto em folha). Não há, no modelo atual, execução automática via CTPS ou sistemas públicos, nem desconto compulsório fora da folha", acrescentou o Ministério do Trabalho.
Impacto no mercado de trabalho
Segundo o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe Nogueira, há casos de trabalhadores que pedem demissão para quitar parte do empréstimo, ou até mesmo para parar de pagar o saldo remanescente, e exemplos que eles também deixam de procurar emprego formal para não ter o empréstimo debitado em seu salário.
"Eles estão optando por ficar no mercado informal de trabalho, onde o empréstimo não os impacta, não restringe a sua renda, e eles podem entrar nos benefícios sociais do governo e trabalhar informalmente. Isso está gerando mais o impacto no mercado de trabalho. Eles têm preferido ficar nos auxílios governamentais e no mercado informal de trabalho", disse.
Para o Ministério do Trabalho, o risco de o trabalhador evitar novo emprego formal para postergar a cobrança "não é considerado uma ameaça ao sistema, pois ele permanece impedido de acessar novos créditos e sofre impacto negativo em seu histórico financeiro, o que torna essa conduta pouco vantajosa".
Taxa de juros
De acordo com dados do Banco Central, a taxa média de juros do crédito consignado ao setor privado somou de 3,83% ao mês em novembro deste ano.
Essa é a taxa média dos bancos, mas há casos, segundo o ranking do Banco Central, que os juros chegam a mais de 7% ao mês (posição de dezembro).
A taxa média registrada em novembro ainda foi o dobro dos juros registrados no crédito com desconto em folha para aposentados (1,8% ao mês) e servidores públicos (1,78% ao mês) no mesmo período.
Veja as taxas médias de juros de outras linhas de crédito em novembro:
➡️ Crédito pessoal não consignado: 6,23% ao mês;
➡️ Cheque especial das pessoas físicas: 7,63% ao mês;
➡️ Cartão de crédito rotativo: 15,1% ao mês.
Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, avaliou que as taxas de juros são muito altas e pediu que a regulamentação do FGTS como garantia aos empréstimos, que reduziria em tese o valor cobrado pelas instituições financeiras, "deve ser feita o mais rápido possível".
"Nós mesmos já mandamos sugestões para o Ministério do Trabalho para ter um limite ao percentual de taxa de juros, em conjunto com várias centrais sindicais que também corroboraram a nossa tese", disse Roscoe, da Fiemg.
Em março do ano passado, o governo publicou um decreto do presidente Lula que deixou a porta aberta para eventualmente, se julgar necessário, fixar um teto de juros ao consignado.
Em junho de 2025, o Ministério do Trabalho informou que estaria "monitorando" os bancos e que, em caso de abuso, poderia descredenciá-los de ofertar os empréstimos.
Desde então, nenhuma instituição financeira foi descredenciada e também não foi instituído um teto para as taxas de juros na modalidade de crédito.
Com tarifaço, Brasil amplia exportações para mais de metade de seus parceiros comerciais

O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve diferentes efeitos sobre a balança comercial brasileira em 2025.
Por um lado, as tarifas encareceram as vendas e reduziram as exportações brasileiras para os EUA ao longo do ano. Por outro, favoreceram a aproximação do Brasil com outros parceiros, ampliando o leque de destinos comerciais.
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Segundo dados da balança comercial brasileira, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na terça-feira (6), o Brasil ampliou as vendas para mais da metade de seus parceiros comerciais em 2025 (53,3%).
Além disso, mais de 40 países registraram recordes de compras de produtos brasileiros ao longo do ano. Entre os destaques estão Canadá, com crescimento de 14,8%, Índia (30,2%), Noruega (8,8%), Paquistão (132,6%), Paraguai (6,9%), Suíça (53,7%), Turquia (7,9%) e Uruguai (29,5).
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Veja abaixo a comparação do volume de vendas brasileiras entre 2024 e 2025 para cada país:
“Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos.”, disse o vice-presidente e ministro de desenvolvimento, Geraldo Alckmin, em nota oficial.
Em 2025, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 68,3 bilhões (R$ 367,4 bilhões), resultado da diferença entre exportações e importações. Segundo o MDIC, as exportações somaram US$ 349 bilhões (cerca de R$ 1,9 trilhão) em 2025, um novo recorde mesmo com o tarifaço.
Já as exportações brasileiras para os EUA recuaram, passando de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões no ano passado — uma queda de 6,6%.
Com isso, o déficit comercial do Brasil com os americanos cresceu de forma expressiva, somando US$ 7,53 bilhões no ano passado.
Quais setores se destacaram?
Segundo o ministério, parte do resultado positivo das exportações brasileiras se deve ao volume recorde de vendas da indústria de transformação — setor que reúne atividades que transformam matérias-primas em produtos de maior valor agregado.
As exportações desse segmento totalizaram US$ 189 bilhões (cerca de R$ 1,02 trilhão).
Entre os principais destaques do setor estão as vendas recordes de:
carne bovina (US$ 16,6 bilhões);
carne suína (US$ 3,4 bilhões);
alumina (US$ 3,4 bilhões);
veículos automóveis para transporte de mercadorias (US$ 3,1 bilhões);
caminhões (US$ 1,8 bilhões);
café torrado (US$ 1,2 bilhões);
máquinas e aparelhos elétricos (US$ 1,0 bilhões);
máquinas e ferramentas mecânicas (US$ 729 milhões);
produtos de perfumaria (US$ 721 milhões);
cacau em pó (US$ 598 milhões);
instrumentos e aparelhos de medição (US$ 593 milhões); e
defensivos agrícolas (US$ 495 milhões).
Já na indústria extrativa, alguns produtos bateram recordes de embarque para outros países, como o minério de ferro (416 milhões de toneladas) e petróleo (98 milhões de toneladas), enquanto os bens agropecuários registraram um avanço de 3,4% em volume e 7,1% em valor.
O que esperar à frente?
Apesar de o Brasil ter negociado a retirada das tarifas de Trump para a maioria dos produtos, a medida só passou a valer em novembro. Com isso, muitos setores ainda sentem os efeitos negativos das tarifas, e o governo Lula (PT) ainda tem um caminho a percorrer nas negociações comerciais.
"[Agora] é vital que o governo brasileiro intensifique suas estratégias comerciais e desenvolva uma política de estado que promova a expansão das exportações, especialmente em produtos com maior valor agregado", afirma o economista e presidente da Corano Capital, Bruno Corano.
Segundo ele, as tarifas incentivaram muitos empresários brasileiros a buscar novos mercados, e esse movimento deve continuar nos próximos meses, à medida que cresce a necessidade de o governo brasileiro “aumentar a frequência das missões comerciais para fortalecer laços e explorar novas oportunidades”.
“A criação de uma política de Estado voltada à expansão das exportações é fundamental”, completa o economista, ao reiterar que o país pode precisar ajustar sua estratégia para ampliar a participação de produtos de maior valor agregado nas vendas externas.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reage durante a foto de família com ministros durante uma reunião ministerial na residência oficial Granja do Torto, em Brasília
Adriano Machado/Reuters
Ano novo, emprego novo: saiba fazer um bom currículo usando IA — e o que dizem os especialistas

Emprego novo: Como fazer um bom currículo usando IA
Como mostrou o g1 nesta segunda-feira, uma pesquisa da Robert Half diz que 61% dos profissionais planejam procurar um novo emprego em 2026. E quem se habituou a usar a Inteligência Artificial (IA) para trabalhar, pode também usar a tecnologia para criar ou revisar o currículo de forma mais simples e estratégica.
Especialistas afirmam que mesmo as ferramentas gratuitas conseguem organizar bem as habilidades e experiências do profissional, mas também exigem atenção para evitar a inserção de erros e informações falsas.
Recrutadores reforçam que honestidade e revisão dos dados continuam sendo indispensáveis. A tecnologia pode ajudar a "turbinar" o currículo, mas o candidato precisa usá-la bem e de forma ética.
Veja as seguintes dicas abaixo.
Uso de IA x falta de informações 👩🏽💻
Tentar 'driblar robôs' tem riscos 🤖
Falta preparo das empresas ✍🏽
Como fazer um bom currículo usando IA 📝
Uso de IA x falta de informações 👩🏽💻
Ferramentas gratuitas como ChatGPT, Gemini, NotebookLM e Perplexity são boas alternativas na hora de preparar currículos, organizar informações, revisar textos ou tentar se destacar nos sistemas de triagem das empresas.
No entanto, é preciso cuidado para não levar recrutadores ou algoritmos ao engano. Nos últimos anos, cresceu no mercado de Recursos Humanos o uso de IA nos processos seletivos, tanto por candidatos quanto por empresas.
Hoje, a maioria das plataformas de recrutamento utilizam sistemas que comparam o currículo com a descrição da vaga para ranquear e encontrar, de forma automática, candidatos que se encaixem nas oportunidades divulgadas.
A Gupy, por exemplo, usa IA para cruzar requisitos como formação, experiência, habilidades, idiomas, competências técnicas, localização e aderência à vaga. Na prática, antes de o gestor analisar o currículo, o candidato passa por uma triagem automatizada.
Segundo Jhenyffer Coutinho, sócia e líder em Experiência das Pessoas Candidatas da Gupy, a melhor forma de ir bem nesse processo é preencher completamente todas as informações solicitadas.
“O erro mais comum é não colocar as informações básicas. Isso derruba muito o ranqueamento”, afirma a especialista da Gupy.
Dados da plataforma mostram que 35% dos currículos enviados não têm nenhuma habilidade cadastrada. Além disso, 64% trazem descrições de experiência com menos de 200 caracteres, o que também prejudica o desempenho nos sistemas de IA.
“Em uma plataforma em que não há limites para descrever sua jornada, quanto mais detalhes você coloca, mais elementos a tecnologia tem para encontrar no seu perfil”, explica Coutinho.
“Há muito mais chances de um texto de 1.500 caracteres trazer informações relevantes do que um de 500. A tecnologia não está contando caracteres, é apenas uma recomendação nossa”, conclui.
Isso significa que o currículo precisa ser estratégico, além de completo e objetivo, por isso usar a Inteligência Artificial pode ajudar a organizar melhor as informações e adequar para um melhor resultado nessa triagem.
Mas quem faz o currículo continua sendo a pessoa candidata. O currículo precisa refletir a sua história. A tecnologia é uma aliada, mas não substitui a autenticidade.
Tentar 'driblar robôs' tem riscos 🤖
Alguns candidatos têm tentado driblar os sistemas de seleção que utilizam Inteligência Artificial por meio do uso de palavras-chave invisíveis. Ou seja, inserem textos ocultos dentro do currículo com o objetivo de “fisgar” os algoritmos.
Segundo Juliana Maria, especialista em recrutamento e seleção, tentar burlar o sistema — como inserir iscas para enganar filtros — pode até gerar um avanço inicial, mas costuma resultar em desclassificação e prejuízo à reputação do candidato.
“Esses ‘truques’ para enganar a IA até podem fazer o candidato avançar na triagem inicial, mas não se sustentam. Quando a informação não é verdadeira, a inconsistência aparece na entrevista e pode levar à desclassificação e até ao bloqueio em processos futuros”, explica Juliana Maria.
Para a especialista, usar a IA de forma ética para organizar e enriquecer o currículo é válido, desde que as informações sejam verdadeiras, já que, no fim, o candidato precisará comprovar conhecimento e competências reais na prática. “O candidato deve revisar tudo. O uso de IA não dispensa o senso crítico”, afirma.
Joaquim Santini, pesquisador e palestrante sobre a vida organizacional, é ainda mais direto: “Se o candidato tenta enganar o sistema, ele deve ser desqualificado imediatamente. Esse comportamento coloca em risco a credibilidade dele e pode afetar futuras oportunidades.”
Segundo ele, mesmo que o candidato avance na triagem automatizada e nas entrevistas, a inconsistência aparece logo após a contratação. “Não dá para sustentar uma mentira por muito tempo. Em três ou seis meses, ele será desligado”, diz.
Falta preparo das empresas ✍🏽
Para Santini, o problema não está apenas nos candidatos, mas também na falta de preparo de muitas empresas e líderes. Parte dos recrutadores ainda não tem conhecimento suficiente sobre IA para conduzir entrevistas capazes de identificar inconsistências entre o currículo e a experiência real.
Ele defende que processos seletivos robustos precisam ir além da triagem automatizada, e investir em entrevistas técnicas e comportamentais bem estruturadas, conduzidas por gestores capacitados.
Existe um desequilíbrio claro entre o candidato que conhece minimamente a IA e recrutadores que não têm esse letramento básico. Sem entender como a IA funciona, o risco de erro na contratação aumenta.
O futuro do recrutamento, afirma o especialista, passa pela união entre tecnologia, ética, verificação rigorosa e aprendizado contínuo, tanto de candidatos quanto das empresas.
Como fazer um bom currículo usando IA 📝
Para Marcos Santos, especialista em Inteligência Artificial e análise preditiva de sistemas, as plataformas mais populares e acessíveis para criar um bom currículo são ChatGPT, Gemini e NotebookLM.
A principal recomendação é que o candidato carregue o currículo real e a descrição da vaga, pedindo apenas ajustes e melhorias — sempre revisando cuidadosamente o resultado para evitar “alucinações” da IA, como a inclusão de habilidades ou idiomas que a pessoa não domina.
“O currículo não é da IA. É da pessoa. A IA ajuda a tornar a história mais clara e direta”, afirma Santos.
Segundo ele, todas as tecnologias podem ajudar, desde que o candidato siga algumas diretrizes:
Sempre carregar o currículo real e pedir apenas sugestões de melhoria;
Informar à IA para não criar informações novas;
Conferir tudo com cuidado, já que a tecnologia pode inserir dados incorretos.
“Eu pedi ao ChatGPT que criasse um currículo com informações disponíveis na internet. O sistema afirmou que eu falava finlandês só porque já viajei algumas vezes à Finlândia e fiz posts sobre isso. A IA presumiu essa habilidade”, explica.
Marcos também recomenda o uso de IA para traduzir currículos para outros idiomas, como inglês ou espanhol, o que pode ajudar a economizar tempo e dinheiro. No entanto, ele alerta que o candidato nunca deve exagerar no nível de domínio do idioma.
Caso o texto fique muito fluente, ele sugere incluir um rodapé informando que a tradução foi feita com ajuda de IA, como gesto de transparência. “No final, os recrutadores querem um candidato autêntico, uma pessoa que seja exatamente o que diz ser”, afirma.
O especialista destaca que saber usar IA de forma consciente e responsável tende a se tornar um diferencial no mercado de trabalho.
Entre os principais cuidados estão:
Ser totalmente transparente com o recrutador;
Não listar tecnologias ou habilidades que não domina;
Evitar currículos genéricos demais;
Adaptar o texto à vaga, sem exageros ou falsidades;
Lembrar que o currículo deve refletir a trajetória real do candidato.
Para Juliana Maria, uma das principais recomendações é pedir primeiro que a IA gere um prompt completo, de acordo com o contexto do candidato — como transição de carreira, mudança de cidade ou foco em determinada área — antes de solicitar o currículo final.
Depois, o candidato deve preencher esse “prompt-modelo” com seus dados reais e só então pedir que a Inteligência Artificial execute a tarefa. “O nível de entrega fica muito mais robusto”, afirma.
Ela também sugere:
Criar modelos diferentes (mais descritivo, mais objetivo, mais simples, mais detalhado);
Testar os currículos em diferentes plataformas, já que cada sistema lê as informações de forma distinta;
Avaliar qual versão gera mais retorno.
“Cada IA de recrutamento lê de um jeito”, explica. Juliana ainda alerta para não deixar campos em branco nos portais de candidatura, como cidade, escolaridade e pretensão salarial, já que a ausência dessas informações pode levar o candidato para o fim da fila ou até à eliminação automática.
Para ela, recrutadores valorizam candidatos com vontade de aprender: “Coloque no currículo interesse por tecnologia e aprendizado contínuo, mas somente se isso for verdade.”
“Se o seu perfil está completo e bem estruturado, a Inteligência Artificial encontra exatamente o que procura”, conclui.
Veja abaixo o passo a passo prático das recomendações dos especialistas:
Defina seu objetivo (vaga, área, senioridade);
Peça à IA um prompt-modelo para o seu contexto e preencha com dados reais;
Carregue o currículo atual e a descrição da vaga, depois peça sugestões de ajuste;
Crie duas ou três versões do currículo e teste em plataformas diferentes;
Preencha todos os campos nos portais de candidatura;
Revise linha por linha, buscando exageros ou inconsistências;
Declare níveis reais de idiomas e tecnologias;
Evite truques como texto invisível ou códigos ocultos;
Inclua evidências de aprendizado contínuo;
Prepare-se para a entrevista com exemplos práticos que sustentem o currículo.
Currículo de sucesso: Dicas para impressionar no primeiro contato
Foto: Drazen Zigic/Freepik
Governo Lula aposta que EUA precisarão do Brasil nos planos de estabilização da Venezuela

Governo Lula faz a aposta de que o Brasil será necessário nos planos de estabilização da Venezuela
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta de que o Brasil será um agente necessário nos planos de estabilização da Venezuela.
A medida é essencial para que os Estados Unidos consigam atrair empresas petrolíferas para o país da América do Sul, após o ataque norte-americano que capturou Nicolás Maduro e deixou um cenário de incerteza no governo venezuelano.
Assessores próximos do presidente brasileiro afirmaram ao blog que a estratégia do governo é manter uma boa relação entre Lula e Trump, além de um contato próximo com o novo comando do regime venezuelano, para atuar de forma mais intensa para ajudar na estabilização do país.
Trump e Lula mantiveram um encontro bilateral na Malásia, no domingo (26/10). O Brasil aguarda a redução das tarifas de importação sobre seus produtos.
Getty Images via BBC
As mesmas fontes afirmam que a relação com Trump é tão importante que a visita de Lula aos EUA no primeiro semestre deste ano segue nos planos do Planalto, mesmo depois da ação do governo Trump no último sábado (3), para retirar Nicolas Maduro do poder.
O convite foi feito por Donald Trump na última conversa telefônica dos dois presidentes, no final do ano passado.
A estratégia corre em paralelo, mas também cria arestas com o movimento da diplomacia brasileira de criticar o sequestro de Maduro como uma interferência inaceitável dos EUA na Venezuela.
Assessores próximos do presidente Lula reconhecem, no entanto, que manter boas relações com Donald Trump faz sentido na estratégia eleitoral do governo Lula, já que o presidente dos EUA tem escolhido candidatos e tentando interferir em eleições na América Latina – o que poderá ocorrer em outubro, nas eleições brasileiras.
China e México criam cotas para limitar importação de carne bovina: o que isso significa para o Brasil?

Carne: o que as cotas da China e do México significam para o BR?
A China e o México decidiram recentemente limitar a importação de carne bovina com a criação de cotas. A medida pode afetar o Brasil, que é o maior exportador do mundo e tem os dois países entre seus principais clientes.
As mudanças foram as seguintes:
China — neste ano, o Brasil poderá vender até 1,1 milhão de toneladas com a taxa atual de importação, de 12%, paga pelas empresas chinesas que comprarem a carne. O que exceder terá uma sobretaxa de 55%. A China é o principal cliente da carne brasileira e comprou cerca de 1,6 milhão de toneladas em 2025.
México — empresas do país poderão comprar até 70 mil toneladas de carne bovina do exterior sem imposto. O que ultrapassar esse limite será taxado em 20%. Até o anúncio, feito na última segunda-feira (5), não havia tarifa. O México foi destino de 113 mil toneladas da carne do Brasil em 2025.
➡️ Afinal, quais podem ser os efeitos dessas limitações para o agro e para os consumidores brasileiros? Vai aumentar a oferta de carne no país?
A inflação das carnes no Brasil acumulava 5% de alta em 12 meses, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro.
Para economistas ouvidos pelo g1, a tendência para este ano é de que os preços se mantenham elevados, pelos seguintes motivos:
o Brasil vai abater menos gado em 2026, por causa do ciclo pecuário (saiba mais ao fim da reportagem);
eleições e Copa do Mundo podem manter a demanda pela carne em alta no mercado brasileiro;
mesmo com as novas limitações, as vendas para a China devem seguir com volumes altos porque o país não tem como suprir o consumo só com a produção local e o Brasil tem um preço muito competitivo;
ainda que haja redução das exportações, o que deixar de ir para China e México poderá ser realocado para outros países, como os EUA, que suspenderam recentemente o tarifaço.
Veja os maiores compradores da carne brasileira em 2025
Kayan Albertin/g1
Queda nas exportações não é certa
Entre as duas medidas restritivas, a cota definida pela China é a que mais preocupa analistas ouvidos pelo g1.
"A cota foi bem dura, mais ou menos umas 600 mil toneladas menor do que exportamos no ano passado", analisa Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.
No entanto, essa cota vai aumentar gradualmente ao longo dos três anos de validade da medida, lembra Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da área de pecuária do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
Ele entende que não existe garantia de que outros países consigam suprir o mesmo volume que o Brasil destina para o país asiático. Nem a própria China.
"A China pode estar dando um tiro no pé, porque a nossa carne é a carne mais barata", diz Carvalho.
O governo chinês implementou as cotas depois de iniciar uma investigação para entender se as importações estavam prejudicando o mercado doméstico de carne bovina.
"A produção [chinesa] cresceu, mas a importação cresceu mais. O consumo, a proporção da importação aumentou. Isso obviamente incomoda quem produz lá na China. Então, até para acenar para o produtor local, eles fizeram essa investigação e tomaram essa decisão", explica Castro.
Mas ele destaca que a produção bovina leva tempo para crescer e atingir uma produtividade competitiva. Por isso, neste primeiro momento, os chineses podem não dar conta da demanda. E, assim, as cotas poderão causar inflação no país asiático.
"(Haverá) Uma grande escassez de carne lá, porque os outros países não conseguiriam competir (com o Brasil)", diz Castro.
Já o México, que é um mercado ligado aos EUA, tem uma menor dependência de importação.
Contudo, os rebanhos mexicanos diminuíram por causa da contaminação da bicheira do Novo Mundo, que se alimenta da carne viva dos bois. A doença mortal é disseminada por moscas.
"[A doença] tem sido preocupante até para os EUA, porque ele [o México] são grandes vendedores de gado vivo também para os Estados Unidos", afirma Castro.
Por causa da doença, o analista acredita que faria sentido os mexicanos diversificarem seus fornecedores.
Para onde a carne brasileira pode ir
O Brasil bateu recorde nas exportações de carne bovina em 2025 mesmo com o tarifaço temporário imposto pelos Estados Unidos.
No ano, foram 3,50 milhões de toneladas, alta de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior.
A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado.
Sem ela e sem o tarifaço, os EUA são um dos principais destinos em potencial para a carne brasileira, aponta Castro, do Itaú BBA.
O primeiro motivo é que a carne continua cara nos supermercados norte-americanos e a produção do país segue em queda. Os EUA têm atualmente o menor rebanho desde a década de 60, relata Carvalho, da Esalq.
O gerente do Itaú BBA lembra ainda que outros países que são grandes exportadores de carne, como o Uruguai, podem precisar do produto para seu mercado interno e, portanto, comprar mais do Brasil.
Isso já vem acontecendo com a Argentina, que importou 20 vezes mais carne brasileira entre janeiro e outubro de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior, como mostrou o g1.
Existe ainda a expectativa de abertura de novos mercados, como o Japão. Porém, Castro acredita que, se o país asiático se abrir para a carne brasileira, não comprará grandes volumes imediatamente.
"Há 20 anos o Brasil negocia e, sempre que inicia o comércio, os japoneses são bem cautelosos. Não deve chegar muito forte, se chegar", afirma Castro.
Para ele, o melhor caminho é ampliar os mercados que já são consumidores, como as Filipinas.
Já Carvalho, da Esalq, entende que é importante ampliar a cartela de clientes, para diminuir a dependência de grandes compradores, como a China.
Castro, do Itaú BBA aponta que o Brasil deveria negociar com os outros países que vendem para a China para pegar parte de suas cotas. O governo já sinalizou que deverá tentar esta estratégia.
Isso porque a China criou um limite específico para cada um dos seus principais fornecedores. O Brasil ficou com o maior volume, mas ainda abaixo do que vendeu para a China em 2025. Os demais têm cotas ligeiramente acima do que venderam para aquele mercado.
Veja as cotas anuais por país (por mil toneladas)
Em 2025, esses países fizeram o seguinte volume de vendas para a China:
Argentina: 436 mil toneladas;
Uruguai: 188 mil toneladas;
Nova Zelândia: 150 mil toneladas;
Austrália: 294 mil toneladas;
Estados Unidos: 55 mil toneladas.
Produção menor no Brasil
Além de não ser certo que as exportações de carne vão diminuir por conta das limitações da China e do México, os preços devem continuar elevados no Brasil em 2026 principalmente por causa da queda esperada na produção.
A explicação está no momento atual ciclo pecuário, que é de alta. Ele funciona assim:
alta do ciclo — quando há uma expectativa de alta nos preços do bezerro, os pecuaristas, em vez de abater as vacas, preferem mantê-las nas fazendas, para reprodução. Isso provoca um aumento nas cotações dos bovinos (boi gordo, bezerro, novilhas, boi magro, vaca gorda, etc.);
baixa do ciclo — quando as projeções do preço do bezerro começam a cair, um volume maior de fêmeas é encaminhado para os abates. Isso amplia a quantidade de carne no mercado, gerando uma queda nas cotações dos bovinos.
Castro, do Itaú BBA, afirma que, apesar de a previsão ser de mais oferta de bovinos no primeiro semestre deste ano, é provável que haja mais exportações nesse período, para preencher as cotas.
Já no segundo semestre, ainda que as vendas para o exterior percam ritmo, a oferta de bovinos deve ser menor. "Então, a gente continua trabalhando aqui com preços, na média, um pouco mais elevados", conclui.
Além disso, quase 80% de toda carne produzida no Brasil, fica no próprio país.
Carvalho concorda que os preços da carne bovina deverão se manter no patamar de 2025. E pontua que o próprio mercado interno terá demandas mais altas, motivadas por eventos como as eleições e a Copa do Mundo.
Carne bovina
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
Carne bovina
Emerson Vieira/Unplash
Carne
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
Apreciadores de carne bovina têm à disposição uma variedade de cortes especiais de carne
Divulgação
Como vai ficar o preço da carne bovina em 2026
Mega-Sena, concurso 2.956: prêmio acumula e vai a R$ 10 milhões

G1 | Loterias - Mega-Sena 2956
O sorteio do concurso 2.956 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (6), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 10 milhões.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
Veja os números sorteados: 10 - 18 - 21 - 24 - 43 - 47
5 acertos - 23 apostas ganhadoras: R$ 63.485,37
4 acertos - 2.703 apostas ganhadoras: R$ 890,44
O próximo sorteio da Mega será na quinta-feira (8).
Mega-Sena, concurso 2.956
Reprodução/Caixa
Como funciona a Mega-sena
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Bilhetes da Mega-Sena, em imagem de arquivo
Marcelo Brandt/G1
Sob críticas por imagens sexualizadas não consentidas, empresa de IA de Musk arrecada US$ 20 bi

Grok, inteligência artificial criada por Elon Musk
REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
A xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, anunciou nesta terça-feira (6) que arrecadou US$ 20 bilhões (R$ 107,6 bilhões) em sua mais recente rodada de financiamento. O valor supera a meta inicial de US$ 15 bilhões e ocorre em meio a críticas direcionadas ao Grok, IA desenvolvida pela companhia.
A ferramenta tem sido alvo de pressão internacional por permitir a geração de imagens falsas sexualizadas não autorizadas de mulheres e de menores de idade por meio de uma configuração chamada “Modo Picante” (“Spicy Mode”).
Fundada por Musk, a xAI compete em um mercado de IA generativa cada vez mais saturado, no qual também se destacam nomes como OpenAI, Google e Anthropic.
Grok já exaltou Hitler em postagens e apagou conteúdo após denúncias
Musk lança Grok 3, inteligência artificial com 'capacidade de raciocínio potente'
Interesse de investidores segue alto
A volumosa rodada de financiamento evidencia o apetite contínuo dos investidores por IA, apesar das dúvidas sobre como obter retornos após os enormes investimentos que vêm sendo realizados.
Por que cada vez mais analistas falam em 'bolha' da inteligência artificial prestes a estourar
A rodada de investimento, que contou com um amplo número de interessados, atraiu capital da Valor Equity Partners, Stepstone Group, Fidelity Management & Research Company, Qatar Investment Authority, MGX e Baron Capital Group, entre outros, informou a empresa.
A gigante Nvidia também participou e apoiará a expansão da infraestrutura de computação da xAI, fornecendo seus cobiçados chips e software de IA.
Ao anunciar essa capitalização, a xAI destacou avanços significativos em 2025, incluindo a ativação do que afirma serem os maiores supercomputadores de IA do mundo.
Os data centers Colossus I e II da empresa, em Memphis, agora abrigam mais de um milhão de GPUs de alto desempenho. As GPUs, ou unidades de processamento gráfico, são os semicondutores da Nvidia que impulsionam o desenvolvimento da indústria de IA.
A empresa também lançou seus modelos de linguagem Grok 4 e Grok Voice, um agente de voz em tempo real que já está disponível nos veículos da Tesla.
Segundo a xAI, seus serviços alcançam aproximadamente 600 milhões de usuários ativos mensais por meio da plataforma X e dos aplicativos do Grok.
A empresa afirmou que atualmente está treinando o Grok 5.
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Venezuela enviou US$ 5,2 bilhões em ouro para a Suíça durante o governo de Maduro

A Venezuela transportou ouro avaliado em quase 4,14 bilhões de francos suíços (US$ 5,20 bilhões) para a Suíça durante os primeiros anos do governo do presidente deposto Nicolás Maduro, mostram dados alfandegários.
O país sul-americano enviou 113 toneladas métricas do metal precioso para a Suíça entre 2013 — quando Maduro assumiu o cargo — e 2016, segundo dados analisados pela Reuters.
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O ouro teve origem no Banco Central da Venezuela, informou a emissora suíça SRF, em um período em que o governo reduzia suas reservas de ouro para sustentar a economia.
Não houve exportações de ouro venezuelano para a Suíça de 2017, quando foram impostas sanções da União Europeia, até 2025, segundo os dados alfandegários.
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Maduro foi preso por forças especiais dos Estados Unidos em uma operação em Caracas em 3 de janeiro e enfrenta acusações em um tribunal de Nova York, incluindo tráfico de drogas e narco-terrorismo.
Na segunda-feira (5), a Suíça ordenou o congelamento de ativos mantidos no país por Maduro e 36 associados, mas não forneceu informações sobre o possível valor ou a origem desses recursos.
Não se sabe se há alguma ligação entre esses ativos e o ouro transferido do banco central.
O ouro, proveniente das reservas da Venezuela, provavelmente foi transferido para a Suíça para processamento, certificação e posterior transporte, informou a SRF.
A Suíça é um dos maiores centros mundiais de refino de ouro, abrigando cinco grandes refinarias.
Trump recua sobre acusação de que Maduro chefiava cartel
Redução das reservas
O Banco Central da Venezuela reduziu suas reservas de ouro para apoiar a economia do país e obter moeda forte diante das sanções dos EUA.
“Houve uma grande venda forçada por parte do Banco Central da Venezuela entre 2012 e 2016. Grande parte disso deve ter chegado à Suíça”, disse Rhona O’Connell, analista de mercados da StoneX.
“Depois disso, o ouro pode ter permanecido com contrapartes do setor financeiro ou sido vendido em pequenas barras para a Ásia ou para qualquer outra parte do mundo.”
As exportações de ouro para a Suíça caíram a zero em 2017, quando a União Europeia sancionou vários indivíduos venezuelanos acusados de violações de direitos humanos ou de minar a democracia. A Suíça adotou as sanções da UE no início de 2018.
As sanções não incluíam um embargo geral suíço às importações de ouro da Venezuela.
“Provavelmente houve uma queda acentuada nas exportações depois disso porque o Banco Central da Venezuela simplesmente ficou sem ouro”, afirmou O’Connell, da StoneX.
Nicolás Maduro discursa durante manifestação na Venezuela
Stringer/AFP
Venezuela concorda em entregar até 50 milhões de barris de petróleo para os EUA, diz Trump

Trump diz que Venezuela entregará milhões de barris de petróleo aos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (6) que o governo interino da Venezuela concordou em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” ao país. O anúncio foi feito em uma rede social.
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A declaração ocorre três dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou.
O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Mais cedo, a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos estão discutindo a exportação de petróleo bruto venezuelano para os americanos.
Segundo fontes ouvidas pela agência, um acordo para vender o petróleo parado da Venezuela às refinarias dos EUA redirecionaria embarques que antes seguiriam para a China.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
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Interesse dos EUA
Plataforma de perfuração em um poço de petróleo da PDVSA em Orinoco, perto de Cabrutica, Anzoátegui
Reuters
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
Segundo Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, aumentar essa produção, como pretende Trump, não será um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos.
A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela
Equipamentos com logo da PDVSA, empresa estatal venezuelana de produção de petróleo, em imagem registrada em Lagunillas, Venezuela.
Isaac Urrutia/Reuters/Foto de arquivo
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos.
Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como a Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e o Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesado, o que exige tecnologia e investimentos elevados para a extração.
🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais, que restringem operações e acesso a capital.
Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo.
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Nestlé faz recall de lotes de fórmulas infantis em mais de 30 países por risco de toxina

Logo da Nestlé na sede da empresa em Vevey, na Suíça, em 25 de novembro de 2024.
REUTERS/Denis Balibouse
A Nestlé anunciou nesta terça-feira (6) um recall de alguns lotes de produtos de nutrição infantil, incluindo as fórmulas SMA, BEBA e NAN, principalmente na Europa, devido à possível contaminação por uma toxina que pode causar náuseas e vômitos.
A multinacional suíça informou que o recall abrange lotes vendidos em mais de 30 países, incluindo Europa, Ásia e Américas, devido à possível contaminação por cereulida, uma toxina produzida por algumas cepas da bactéria Bacillus cereus.
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Confira lista de países abaixo:
Áustria
Bélgica
Bulgária
República Tcheca
Dinamarca
Finlândia
França
Alemanha
Grécia
Hungria
Irlanda
Itália
Macedônia
Holanda
Noruega
Polônia
Portugal
Romênia
Sérvia
Eslováquia
Eslovênia
Espanha
Suécia
Suíça
Turquia
Reino Unido
Ucrânia
Argentina
México
Peru
“É improvável que a toxina seja desativada ou destruída pelo cozimento, pelo uso de água fervente ou durante a fabricação do leite infantil”, informou a agência de padrões alimentícios do Reino Unido (FSA).
“A cereulida pode causar sintomas de intoxicação alimentar que se desenvolvem rapidamente e incluem vômitos e cólicas estomacais”, disse Jane Rawling, chefe de incidentes da FSA.
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O recall, iniciado em menor escala em dezembro, aumenta a pressão sobre o novo presidente-executivo, Philipp Navratil, que tenta retomar o crescimento do grupo por meio de uma revisão do portfólio.
A Nestlé afirmou, no fim da segunda-feira, que nenhuma doença havia sido confirmada em relação aos produtos recolhidos.
Após a identificação de um problema de qualidade em um ingrediente fornecido por um dos principais parceiros, a Nestlé realizou “testes em todos os óleos de ácido araquidônico e nas misturas correspondentes usadas na produção de produtos de nutrição infantil potencialmente afetados”, segundo um porta-voz da empresa.
Com a conclusão dos testes, a Nestlé realizou o recall dos produtos afetados e passou a acionar fornecedores alternativos de óleo de ácido araquidônico, além de aumentar a produção em várias fábricas e acelerar a liberação de itens não afetados dos centros de distribuição para manter o abastecimento.
Maior recall da Nestlé, diz Áustria
O Ministério da Saúde da Áustria informou que o recall afeta mais de 800 produtos de mais de 10 fábricas da Nestlé e seria o maior da história da empresa. Um porta-voz da companhia disse não ser possível confirmar esses números.
A Nestlé divulgou os números dos lotes vendidos em vários países que não devem ser consumidos e afirmou que trabalha para minimizar impactos no fornecimento.
A empresa informou que identificou o risco potencial em uma fábrica na Holanda. Já a autoridade holandesa de segurança alimentar (NVWA) afirmou que a investigação mostrou que a matéria-prima contaminada foi usada em vários locais de produção, inclusive fora do país.
Problemas envolvendo fórmulas infantis podem causar impactos relevantes às empresas. A Reckitt, por exemplo, avalia opções — incluindo uma possível venda — para seus negócios com a Mead Johnson, que enfrenta centenas de ações judiciais nos Estados Unidos por alegações, negadas pela empresa, de que sua fórmula pode causar uma doença intestinal fatal em bebês prematuros.
A Nestlé, cujas ações caíram mais de 3% nas duas últimas sessões, controla quase um quarto do mercado global de nutrição infantil, estimado em US$ 92,2 bilhões, segundo o SkyQuest Technology Group.
A Nestlé não divulga dados específicos de vendas, mas as fórmulas infantis integram a divisão de Nutrição e Ciências da Saúde, responsável por 16,6% das vendas totais de 91,4 bilhões de francos suíços (US$ 115,4 bilhões) em 2024.
As suspeitas em torno de aposta que ganhou quase meio milhão de dólares com prisão de Maduro

Um usuário fez uma aposta de mais de US$ 32 mil (R$ 175 mil) pouco antes de Trump anunciar que o líder venezuelano estava sob custódia dos EUA
Getty Images via BBC
Um apostador ganhou quase meio milhão de dólares com a captura do presidente da Venezuela pouco antes de o fato ser anunciado oficialmente, levantando questionamentos sobre se alguém lucrou com informações privilegiadas sobre a operação dos EUA.
Apostas na Polymarket, uma plataforma movida a criptomoedas, de que Nicolás Maduro deixaria o poder até o fim de janeiro aumentaram nas horas que antecederam o anúncio feito no sábado (3/1) pelo presidente americano Donald Trump de que o líder venezuelano havia sido detido.
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Uma conta, que entrou na plataforma no mês passado e fez quatro apostas, todas relacionadas à Venezuela, lucrou mais de US$ 436 mil (R$ 2,3 milhões) a partir de uma aposta de US$ 32.537 (R$ 175 mil).
Ainda não está claro quem fez a aposta. A conta anônima tinha um identificador de blockchain, tecnologia de registro digital descentralizado, composto por letras e números.
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Dados da Polymarket mostram que, na tarde de sexta-feira (2/1), os operadores estimavam as chances de saída de Maduro em apenas 6,5%.
Mas elas haviam saltado para 11% pouco antes da meia-noite e dispararam nas primeiras horas de 3 de janeiro, indicando uma mudança repentina de posições pouco antes de Trump publicar na rede social Truth Social que Maduro estava sob custódia dos EUA.
A Polymarket não respondeu a um pedido de comentário.
"Essa aposta em particular tem todas as características de uma negociação baseada em informação privilegiada", disse Dennis Kelleher, diretor-executivo da Better Markets, grupo apartidário que defende a reforma financeira, à CBS, parceira da BBC nos EUA.
Um pequeno número de outros usuários da Polymarket também ganhou dezenas de milhares de dólares com apostas na captura de Maduro.
Maduro passa pela 1ª audiência em tribunal dos EUA e se diz inocente
Como é a regulamentação de apostas nos EUA
Alguns parlamentares começam a prestar atenção ao tema.
O congressista Ritchie Torres, democrata de Nova York, apresentou na segunda-feira um projeto de lei que busca proibir funcionários do governo de fazer negociações em mercados de previsão se tiverem "informações relevantes não públicas" relacionadas a uma aposta.
Os mercados de apostas ganharam popularidade nos EUA nos últimos anos, com empresas como Polymarket e Kalshi permitindo que usuários apostem em tudo, de esportes a política.
As principais empresas do setor atraíram centenas de milhões de dólares em apostas sobre o resultado da eleição presidencial dos EUA de 2024.
O setor foi alvo de fiscalização e questionamentos por parte de reguladores durante o governo Biden. Mas recebeu uma acolhida mais favorável durante a presidência de Trump.
Donald Trump Jr., filho do presidente, atua em funções de consultoria na Kalshi e na Polymarket.
A negociação com informação privilegiada é ilegal no mercado de ações, mas há menos regulamentações nos mercados de apostas.
Um porta-voz da Kalshi afirmou que o site "proíbe explicitamente qualquer forma de negociação com informação privilegiada, incluindo funcionários do governo negociando em mercados de previsão relacionados a atividades governamentais".
Último vencedor do bolão da Mega da Virada 2025 em Franco da Rocha se apresenta e saca prêmio milionário

Seis apostas vão dividir o maior prêmio da história da Mega da virada
O último dos vencedores da Mega da Virada 2025 de um bolão registrado em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, se apresentou nesta terça-feira (6) à Caixa Econômica Federal para sacar o prêmio de mais de R$ 10 milhões referente à sua cota no jogo que acertou as seis dezenas.
Com isso, todas as 18 cotas deste bolão vencedor já tiveram o valor retirado.
Segundo a Caixa, o bolão de Franco da Rocha foi uma das seis apostas vencedoras da Mega da Virada 2025. O jogo tinha 14 números e foi montado pelo próprio dono da lotérica. Ao todo, eram 18 cotas, cada uma no valor de R$ 1.351,34 (leia mais abaixo).
O prêmio total do bolão foi de R$ 181.892.881,09, o que garantiu a cada cota um valor superior a R$ 10 milhões.
Mega-Sena bilhete volante Loterias
Millena Sartori/g1
Em nota, a Caixa informou que os apostadores das apostas individuais contempladas com o prêmio principal (seis acertos), registradas em Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), todas feitas por canal eletrônico, já haviam se apresentado anteriormente para o recebimento do prêmio.
Em relação ao bolão de 10 cotas registrado na cidade de Ponta Porã (MS), todos os apostadores também já se apresentaram para o recebimento do prêmio.
O único que ainda não retirou o prêmio foi o ganhador da aposta simples realizada em João Pessoa (Paraíba).
O prazo para resgate do prêmio é de 90 dias após o sorteio. Como ele foi realizado em 1º de janeiro de 2026, é possível retirar a premiação até 1º de abril.
Bolão com 18 cotas foi um dos acertadores da Mega da Virada 2025
Reprodução
Como foi feita a aposta de Franco da Rocha
Valdeir da Silva Pereira, de 61 anos, proprietário da Lotérica Estrela de Bertioga, que fica no Centro da cidade, conta que fez o bolão no dia 1º de novembro. O jogo com 14 números custa R$ 18.018,00 - por isso, ele separou a aposta em 18 cotas — cada uma sai R$ 1.001 mais a tarifa de serviço de R$ 350,34.
Ele mandou, então, o bilhete num grupo de Whatsapp que tem com cerca de 50 clientes, mas apenas alguns compraram cotas. As demais foram vendidas diretamente no balcão da lotérica ao longo das semanas seguintes - sendo que a última só saiu dias antes do sorteio.
Na segunda-feira (29), ainda tinha essa última cota disponível. Eu ia viajar à tarde e pensei: 'Se ninguém comprar até lá, vou ficar com ela para mim', mas aí apareceu um cliente, viu os números e falou: 'Esse jogo é meu'.
Os números escolhidos são os que Valdeir costuma usar em jogos particulares dele e se referem a informações pessoais dele e da família, como datas de nascimento e de casamento. "Desta vez, pensei: vou jogar num bolão. E deu certo!", diz.
Depois do sorteio, o grupo de clientes no Whatsapp ficou alvoroçado e teve muita gente lamentando não ter comprado nenhuma cota.
O dia foi mais movimentado na lotérica em 2 de janeiro, com pessoas querendo fazer uma fezinha. Proprietário do local há 13 anos, Valdeir garante ser pé quente: "Aqui já tinham saído algumas quinas da Mega e o prêmio principal da Lotofácil. E espero continuar com essa sorte".
Dono da lotérica de Franco da Rocha com funcionários e bilhete premiado na Mega da Virada
Arquivo pessoal
Números sorteados
Após adiar o sorteio da Mega da Virada 2025 por problemas técnicos, a Caixa divulgou, na manhã de quinta-feira (1º), as dezenas que garantiram o maior prêmio da história da loteria: R$ 1,09 bilhão.
👉 Veja os números sorteados: 09 - 13 - 21 - 32 - 33 - 59
Números sorteados da Mega da Virada 2025
reprodução/Caixa
Além dos vencedores do prêmio principal, 3.921 apostas acertaram a quina e vão levar R$ 11.931,42 cada. Já os 308.315 ganhadores da quadra vão embolsar R$ 216,76 cada um.
As casas lotéricas que registraram os vencedores do prêmio máximo estão localizadas nas seguintes cidades:
João Pessoa (PB), com 1 aposta vencedora;
Ponta Porã (MS), com 1 aposta vencedora, com 10 cotas de um bolão;
Franco da Rocha (SP), com 1 aposta vencedora, com 18 cotas de um bolão.
As outras três apostas vencedoras foram registradas de forma eletrônica, sem a necessidade de uma casa lotérica física.
Saiu o resultado da Mega da Virada 2025
Veja abaixo perguntas e respostas sobre a Mega da Virada:
O que causou o atraso da Mega da Virada 2025?
Quais as chances de levar a bolada?
Existem bolinhas mais leves que outras?
Como o valor do prêmio é estipulado?
Veja os dez maiores prêmios da Mega da Virada
Como resgatar o prêmio?
Como foi o sorteio de 2024?
O que causou o atraso da Mega da Virada 2025?
A Caixa informou, após uma hora de atraso, que o sorteio da Mega da Virada 2025 seria realizado somente no dia 1° de janeiro de 2026.
O sorteio estava previsto para as 22h da última quarta-feira (31), com transmissão ao vivo pelas páginas da instituição nas redes sociais.
O prêmio, agora confirmado no valor de R$ 1,09 bilhão, gerou um movimento inédito nos canais de aposta, que chegou a 120 mil transações por segundo no canal digital e 4.745 transações por segundo nas unidades lotéricas.
Antes do sorteio da Mega da Virada 2025, outros jogos também sofreram atrasos. Às 17h11 do dia 31, o apresentador Pereira Júnior informou que Quina, Lotofácil, +Milionária, Lotomania e Super Sete teriam seus resultados divulgados mais tarde.
Às 23h25, durante a divulgação dos números da Mega da Virada, a apresentadora Nadiara Pereira informou que todos os sorteios serão realizados nesta quinta-feira.
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Quais as chances de levar a bolada?
Desde a primeira edição, em 2009, a Mega da Virada já contemplou 130 apostas que acertaram as seis dezenas. Os números mais sorteados ao longo da história são:
10 → 5 vezes
5, 33 e 36 → 4 vezes cada
3, 17, 20, 29, 34, 41, 56 e 58 → 3 vezes cada
A chance de acertar depende da quantidade de números escolhidos e do valor da aposta. Em uma aposta simples, com seis números, a probabilidade de ganhar o prêmio principal é de uma em mais de 50 milhões, segundo a Caixa Econômica Federal.
Ao apostar com 20 números, as chances aumentam para uma em 1.292. Veja a tabela abaixo:
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Existem bolinhas mais leves que outras?
Segundo a Caixa, todas as bolinhas utilizadas nos sorteios das Loterias são fabricadas em borracha maciça e possuem o mesmo peso e diâmetro, de 66 gramas e 50 milímetros, respectivamente.
"Essas características são verificadas regularmente para garantir a imparcialidade do processo", informou o banco.
A análise técnica das bolas utilizadas é realizada periodicamente, por um instituto de metrologia especializado, "para atestar a integridade e aleatoriedade dos sorteios, garantindo que cada bola possui a mesma condição física e a mesma probabilidade de ser sorteada", disse a Caixa.
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Como o valor do prêmio é estipulado?
Segundo a Caixa Econômica Federal, a maior parte do prêmio é formada pela arrecadação das apostas do próprio sorteio.
O valor da Mega da Virada também é reforçado pelos prêmios regulares acumulados ao longo do ano.
Na edição de 2025, estima-se que mais de R$ 1 bilhão seja destinado a programas sociais. Ao apostar, o brasileiro ajuda a financiar áreas essenciais como esporte, educação, cultura, segurança e seguridade social.
Pela legislação vigente, quase metade da arrecadação das Loterias Caixa é destinada a esses repasses. Mais detalhes podem ser consultados no site oficial das Loterias Caixa.
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Os maiores prêmios já pagos
2024: R$ 635,4 milhões
2023: R$ 588,8 milhões
2022: R$ 541,9 milhões
2021: R$ 378,1 milhões
2020: R$ 325,2 milhões
2017: R$ 306,7 milhões
2019: R$ 304,2 milhões
2018: R$ 302,5 milhões
2014: R$ 263,2 milhões
2015: R$ 246,5 milhões
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Como resgatar o prêmio?
O ganhador poderá retirar o prêmio em uma agência da Caixa. Para valores iguais ou superiores a R$ 10 mil, o pagamento ocorre em no mínimo dois dias úteis após a apresentação do vencedor na agência.
É necessário apresentar o bilhete premiado ou o comprovante da aposta, junto com um documento de identificação com foto e CPF.
A Caixa orienta que, caso o bilhete tenha sido emitido em uma lotérica, o ganhador deve preencher seus dados no verso antes de sair de casa.
Os dados exigidos são: nome completo, número do documento de identificação e CPF. Assim, segundo a instituição, o apostador assegura que ninguém mais retire o prêmio.
O prazo para retirada do prêmio é de 90 dias corridos após a data do sorteio. Depois disso, o valor é destinado ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).
Para prêmios de até R$ 2.112,00, como nos demais concursos, o pagamento pode ser feito diretamente nas casas lotéricas.
Mega da Virada paga o maior prêmio da história em 2023
Edi Sousa/Ato Press/Estadão Conteúdo
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Como foi o sorteio de 2024?
O sorteio foi realizado na noite de 31 de dezembro, com prêmio de R$ 635.486.165,38.
Os números sorteados foram: 01 - 17 - 19 - 29 - 50 - 57
8 apostas acertaram os seis números. O prêmio foi de R$ 79.435.770,67 para cada;
2.201 apostas acertaram cinco números. O prêmio foi de R$ 65.895,79 para cada.
190.779 apostas acertaram quatro números. O prêmio foi de R$ 1.086,04 para cada.
Veja de onde são os ganhadores do prêmio máximo:
Brasília (DF), com 2 apostas vencedoras
Nova Lima (MG), com 1 aposta vencedora
Curitiba (PR), com 2 apostas vencedoras
Pinhais (PR), com 1 aposta vencedora
Osasco (SP), com 1 aposta vencedora
Tupã (SP), com 1 aposta vencedora
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Venezuela e EUA já conversam sobre retomada da exportação de petróleo, diz agência

Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos já estão discutindo a exportação de petróleo bruto venezuelano para os americanos. A informação é da agência Reuters, citando cinco fontes dos governos, da indústria e do setor de transporte marítimo.
A Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los por causa de um bloqueio imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em vigor desde dezembro.
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O embargo faz parte da crescente pressão americana sobre o governo de Nicolás Maduro — que resultou na prisão do líder venezuelano no último sábado (3).
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, um acordo para vender o petróleo parado da Venezuela às refinarias dos EUA redirecionaria os embarques que antes seguiriam para a China.
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O país asiático é o maior comprador da Venezuela na última década, especialmente desde que os americanos impuseram sanções a empresas envolvidas no comércio de petróleo venezuelano em 2020.
O fornecimento aumentaria o volume de petróleo venezuelano exportado para os EUA, um fluxo atualmente controlado pela petroleira americana Chevron — que opera na Venezuela por meio de joint ventures com a estatal PDVSA — sob autorização do governo dos EUA.
A Chevron exporta, atualmente, entre 100 mil e 150 mil barris de petróleo venezuelano por dia para os EUA. Nas últimas semanas, a empresa passou a ser vista como a única capaz de carregar e enviar o combustível do país sul-americano de forma contínua, em meio ao bloqueio.
A PDVSA já precisou reduzir a produção devido ao embargo dos EUA, pois está ficando sem espaço para armazenar o petróleo. Se não encontrar uma forma de exportar em breve, terá que cortar ainda mais a produção, disse uma das fontes da Reuters.
Interesse dos EUA
No sábado (3), logo após a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas, o presidente Donald Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela à atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país", declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente, cerca de 1 milhão de barris por dia, devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
De acordo com Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, aumentar essa produção, como pretende Trump, não será um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos.
A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos.
Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e investimentos elevados para sua extração.
🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que restringem operações e acesso a capital.
Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo.
Imagem mostra o presidente dos EUA, Donald Trump (E), em Washington, DC, em 9 de julho de 2025, e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro (D), em Caracas, em 31 de julho de 2024.
AFP/Jim Watson
Dependência histórica do petróleo
O petróleo moldou a economia venezuelana ao longo do século XX. Após grandes descobertas nas décadas de 1920 e 1930, o país rapidamente se tornou um dos maiores produtores do mundo e, em 1960, ajudou a fundar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Em 1976, o governo nacionalizou a indústria petrolífera e criou a PDVSA, transformando o setor em um monopólio estatal. Nas décadas seguintes, durante os governos de Hugo Chávez, grande parte da renda do petróleo foi destinada a programas sociais, reduzindo outros investimentos na economia.
Como resultado, entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações venezuelanas vieram do petróleo. Quando a produção caiu, o país passou a enfrentar sanções internacionais, agravando a crise econômica.
A queda acentuada nas receitas do petróleo também contribuiu para a explosão inflacionária na Venezuela. Segundo o Banco Central, em 2019 os preços subiram 344.510% — o que significa que produtos que custavam 1 unidade monetária passaram a custar cerca de 3.400 vezes mais.
União Europeia avança para assinar acordo com Mercosul após Itália sinalizar apoio

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se reúnem antes do encontro do G7++ durante a cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul, em 22 de novembro de 2025.
HENRY NICHOLLS/Pool via REUTERS
A Comissão Europeia parece ter conquistado o apoio crucial da Itália nesta terça-feira (6) para o fechamento do acordo de livre comércio com o Mercosul, abrindo caminho para que a União Europeia assine o tratado já na próxima semana.
Itália e França frustraram as expectativas de um acordo em dezembro, ao afirmar que não estavam prontas para apoiá-lo até que fossem resolvidos os temores dos agricultores sobre um possível influxo de commodities mais baratas do Mercosul, como carne bovina e açúcar.
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No entanto, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, recebeu com satisfação uma carta enviada pela Comissão nesta terça-feira que propõe acelerar o apoio de 45 bilhões de euros aos agricultores, descrevendo a iniciativa como um “passo positivo e significativo”.
O ministro italiano da Agricultura, Francesco Lollobrigida, afirmou que a União Europeia agora propõe aumentar os gastos com a agricultura italiana no período de 2028 a 2034, em vez de reduzi-los.
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Uma fonte da União Europeia disse posteriormente que a Itália votaria a favor do acordo comercial com o Mercosul em uma reunião marcada para sexta-feira.
A Comissão Executiva, apoiada por países como Alemanha e Espanha, tenta obter a ampla maioria de 15 Estados-membros, que representem 65% da população da União Europeia, necessária para autorizar a assinatura do acordo, possivelmente já em 12 de janeiro.
Acordo seria o maior da UE em termos de cortes tarifários
Eles afirmam que o acordo, negociado ao longo de 25 anos e que seria o maior da União Europeia em termos de redução de tarifas, é essencial para impulsionar exportações afetadas por impostos de importação dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China, ao garantir acesso a minerais estratégicos.
Como Polônia e Hungria se opõem ao acordo e a França mantém uma posição crítica, o apoio da Itália torna-se um fator decisivo para que o tratado seja assinado.
A Comissão manteve discussões com os Estados-membros nas últimas duas semanas e o bloco está no caminho certo para assinar o acordo em breve, afirmou um porta-voz do Executivo.
O Executivo da União Europeia convidou os 27 ministros da Agricultura do bloco para uma reunião em Bruxelas na quarta-feira.
Os comissários europeus de Agricultura, Comércio e Saúde devem apresentar garantias sobre o futuro financiamento aos agricultores no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), incluindo um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros no próximo orçamento da União Europeia.
A iniciativa da Comissão de fundir os fundos de coesão regional com os recursos da PAC no próximo orçamento de sete anos gerou preocupação entre países com forte setor agrícola.
A Comissão também analisará os controles de importação, incluindo os níveis máximos permitidos de resíduos de pesticidas, segundo relataram dois diplomatas da União Europeia.
“É um momento crítico para discutir as demandas dos agricultores”, afirmou um dos diplomatas.
Com tarifaço dos EUA, balança comercial tem superávit de US$ 68,3 bilhões em 2025, pior resultado em três anos

Balanço 2025: efeitos do tarifaço foram menores do que o esperado na economia; bolsa subiu e dólar recuou
Impactada pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a balança comercial brasileira registrou em 2025 um superávit de US$ 68,3 bilhões. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
🔎 O resultado é de superávit quando as exportações superam as importações. No sentido oposto, o saldo é de déficit.
Apesar de positivo, o saldo brasileiro com o exterior caiu 7,9% na comparação com o ano anterior, quando somou US$ 74,2 bilhões. Esse foi também o menor superávit da balança comercial brasileira em três anos.
👉🏽 Além do impacto do tarifaço norte-americano sobre as exportações brasileiras, outro fator que contribuiu para a redução do superávit no ano passado foi o aumento das importações — movimento que, segundo analistas, está ligado à continuidade do crescimento da economia.
No total, em 2025:
As exportações somaram US$ 348,7 bilhões, com alta de 3,9% pela média diária, na comparação com 2024;
Apesar dos efeitos do tarifaço, as vendas externas atingiram um recorde histórico anual em 2025;
As importações totalizaram US$ 280,4 bilhões, com alta de 7,1% pela média diária, em relação ao ano anterior;
As compras no exterior, segundo o governo, também alcançaram o maior patamar da série histórica.
Tarifaço dos Estados Unidos
Sob o impacto do tarifaço, as exportações brasileiras para os EUA recuaram, passando de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões no ano passado — uma queda de 6,6%, ou US$ 2,65 bilhões.
Com isso, o déficit comercial do Brasil com os americanos cresceu de forma expressiva, somando US$ 7,53 bilhões no ano passado. O avanço foi de quase 2.900% na comparação com 2024, quando o déficit foi de US$ 253 milhões.
Dados da série histórica do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil registra déficits comerciais consecutivos com os EUA desde 2009, há 17 anos. O resultado negativo de 2025 foi o pior desde 2022, em um intervalo de três anos.
Linha do tempo
O tarifaço do presidente Donald Trump foi implementado de forma gradual, com início em abril para todos os países, embora alguns produtos tenham recebido taxação mais elevada, como aço e alumínio.
Em agosto, foi anunciada uma sobretaxa específica de 50% para o Brasil. Ainda assim, foi divulgada uma extensa lista de exceções, com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes.
Com o passar dos meses e a aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as negociações avançaram e, em novembro, os EUA retiraram do tarifaço outros produtos brasileiros, como carne bovina, café, açaí e cacau. Ainda assim, parte da pauta segue tarifada.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia.
Ricardo Stuckert/Presidência da República
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, disse que o Brasil vai seguir nas negociações para conseguir reduzir o impacto do tarifaço norte-americano.
Segundo ele, inicialmente, 37% das exportações brasileiras para os Estados Unidos eram afetadas pela alíquota mais alta, de 50%. Após recuos de Trump, isso caiu para 22% das vendas para o país norte americano.
“O trabalho continua e vai ser acelerado, para nós excluirmos mais produtos e reduzirmos mais alíquotas, até porque a tarifa média de entrada do produto estadunidense no Brasil é de 3,7%”, disse Alckmin.
Outros mercados
A situação da balança comercial brasileira no ano passado só não foi pior porque o país conseguiu ampliar as exportações para outros mercados, como China, Europa e Mercosul — especialmente a Argentina. Esse movimento ajudou a compensar os efeitos do tarifaço dos EUA.
Exportações para outros blocos e regiões em 2025:
China: +6%;
Mercosul: +26,6%;
Europa: +6,2%.
"Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos. O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior", afirmou Geraldo Alckmin.
Para 2026, o governo espera que o saldo da balança comercial irá se recuperar e fechar o ano entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.
“Estamos otimistas, que mesmo num cenário geopolítico instável, vai crescer o comércio exterior”, declarou o vice-presidente.
Alckmin evitou responder se os Estados Unidos poderão aplicar sanções a países que mantiverem comércio com a Venezuela, após Trump capturar Maduro.
“Em relação à questão internacional, o presidente Lula tem com Trump um bom relacionamento. Tiveram vários encontros, conversas avançaram e nossa tarefa é avançar ainda mais”, respondeu Alckmin.
Sobre a expectativa para a Venezuela, ele disse que “torcemos que ela possa se recuperar, crescer”.
Petrobras paralisa perfuração da Foz do Amazonas após vazamento de fluido

Petrobras paralisa perfuração da Foz do Amazonas após vazamento
A Petrobras informou nesta terça-feira (6) que interrompeu a perfuração na Foz do Amazonas após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho. O local está a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.
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Segundo a estatal, o vazamento, identificado no domingo (4), foi imediatamente contido e isolado. A operação foi interrompida para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas. O Ibama informou que já foi comunicado sobre o caso e que não houve vazamento de petróleo. (leia abaixo)
🔎 O material liberado foi o fluido de perfuração, conhecido como “lama”. Ele é usado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Trata-se de um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, comum em perfurações no mar.
"Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração", informou a Petrobras.
Exploração da Foz do Amazonas: o que se sabe e o que falta saber sobre a operação
Infográfico mostra local de vazamento que fez Petrobras interromper perfuração na Foz do Amazonas.
Arte/g1
Em nota, a companhia afirmou ainda que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. Acrescentou que o fluido “atende aos limites de toxicidade permitidos” e é biodegradável, sem risco ao meio ambiente ou à população.
O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmou que houve um problema de despressurização, que provocou o vazamento de um líquido conhecido como fluido hidráulico, de caráter biodegradável.
“Não há petróleo no vazamento. A sonda ainda não alcançou o petróleo. Isso só ocorrerá em fevereiro”, declarou Agostinho.
Segundo ele, a estatal mantém contato com o Ibama desde a segunda-feira (5), e o plano de emergência está funcionando conforme o previsto. “Nos próximos dias, a Petrobras fará os reparos e retomará os trabalhos.”
Em nota emitida na tarde desta terça, o Ibama informou que foi notificado pela Petrobras por meio do Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema).
Segundo o instituto, a estatal declarou que as operações foram interrompidas, as linhas afetadas foram isoladas na superfície e a válvula de fundo foi mantida fechada. (leia a íntegra do comunicado abaixo)
Edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio
Marcos Serra Lima/g1
Exploração da Foz do Amazonas
Em outubro de 2025, o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar um poço em águas profundas na região da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial — que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. O aval é exclusivo para pesquisa exploratória.
A atividade na região é duramente criticada por ambientalistas, enquanto especialistas em petróleo ressaltam sua importância para a produção.
A perfuração pela estatal começou imediatamente após o aval do Ibama. A previsão é que a exploração dure cerca de cinco meses. Os efeitos concretos da iniciativa, portanto, só poderão ser observados após esse período.
🔎 Nesta fase, não há produção de petróleo: trata-se exclusivamente de pesquisa exploratória. Apesar disso, a etapa é vista como uma derrota para aqueles que são contra a exploração na região.
Segundo a Petrobras, o processo prevê a coleta de dados geológicos para verificar a presença de petróleo e gás em escala comercial.
A perfuração é realizada no bloco FZA-M-059, localizado em mar aberto, a cerca de 175 km da costa do Amapá e 500 km da foz do Rio Amazonas, em uma área de águas profundas.
A área está localizada no extremo oeste da Margem Equatorial brasileira e tem cerca de 268 mil km², de acordo com a petroleira. A extensão abrange a plataforma continental, o talude e a região de águas profundas, até o limite entre as crostas continental e oceânica.
A Margem Equatorial é vista como uma das novas fronteiras de exploração de petróleo e gás no Brasil, com potencial para se tornar um novo “pré-sal”, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).
Potencial exploratório
O governo estima que a Margem Equatorial teria reservas que permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo diariamente. É mais do que a capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil.
Segundo o MME, com isso, seria possível retirar até 10 bilhões de barris de petróleo da região. Atualmente, o Brasil tem uma reserva comprovada de 16,8 bilhões de barris — o que seria suficiente para manter o país sem precisar comprar petróleo de outros países até 2030.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas possui um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente. A estimativa faz parte de um estudo que compõe um projeto dedicado à análise das bacias sedimentares brasileiras.
Bruno Carazza fala sobre exploração da Bacia da Foz do Amazonas
Veja a íntegra da nota da Petrobras:
A Petrobras informa que, neste domingo (04/01), foi identificada perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá.
A perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo.
Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração.
A Petrobras adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. O fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas.
Veja a íntegra da nota do Ibama:
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) recebeu, no último domingo (04/01), Comunicação Inicial de Incidente da Petrobras sobre a perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá.
Consta na Comunicação, enviada via Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema), canal oficial de comunicação de acidentes, que durante a circulação de fluido de perfuração do poço (fluido de perfuração de base não aquosa) foi observado o indício de perda e, após inspeção, foi constatada descarga do fluido para o mar.
De acordo com a Petrobras, as operações foram interrompidas, as linhas afetadas foram isoladas em superfície e a válvula de fundo foi mantida fechada. Consequentemente, a descarga foi paralisada. As causas estão em apuração na área competente do Ibama, que acompanha o caso.
União Europeia concede benefícios a agricultores pelo acordo com o Mercosul

Lixo deixado por agricultores franceses em frente à casa de praia de Emmanuel Macron em Le Toquet, na França, em 19 de dezembro de 2025
BERNARD BARRON / AFP
A União Europeia (UE) ofereceu, nesta terça-feira (6), um incentivo aos agricultores insatisfeitos com o acordo comercial que o bloco planeja assinar com o Mercosul e com os planos de reformar os subsídios agrícolas ao setor.
A Comissão Europeia, braço Executivo do bloco, prevê modificar sua proposta orçamentária para 2028-2034 com o objetivo de permitir que os agricultores tenham acesso antecipado a cerca de 45 bilhões de euros (R$ 286 bilhões, na cotação atual).
A informação consta em uma carta assinada por sua presidente, Ursula von der Leyen.
O anúncio da Comissão ocorreu às vésperas de uma reunião especial de ministros da Agricultura em Bruxelas, destinada a responder às "preocupações" do setor.
Os agricultores de França e Itália, entre outros, temem o impacto da entrada maciça na Europa de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, vistos como mais competitivos por suas normas de produção, em troca da exportação de veículos e maquinaria europeia ao Mercosul.
Juntamente com o Mercosul, a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034 é um dos motivos de descontentamento dos agricultores.
A UE mencionou na segunda-feira que esperava assinar "em breve" o acordo de livre comércio com o bloco sul-americano, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
A assinatura do acordo de livre comércio está prevista para 12 de janeiro. No entanto, Von der Leyen precisa primeiro do aval dos Estados-membros, que será votado na sexta-feira.
Agricultores franceses despejaram esterco e lixo em frente à casa de praia de Macron em protesto contra o Mercosul
Agricultores protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul
Uma reunião estava prevista em dezembro para assinar o pacto, mas as relutâncias da França e da Itália o impediram no último momento.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, aplaudiu a iniciativa.
"É um passo à frente positivo e importante nas negociações que conduzirão ao novo orçamento da UE", afirmou.
Ainda nesta terça, uma fonte da UE consultada pela agência de notícias Reuters disse que a Itália votará a favor do acordo comercial.
Vitória tem o metro quadrado mais caro do país entre as capitais

Jardim da Penha e Praia do Canto
Proeng/ Divulgação
Comprar um imóvel ficou mais caro no Brasil em 2025, e Vitória registrou uma das maiores altas entre as capitais. Hoje, a capital do Espírito Santo tem o metro quadrado mais caro do país entre elas.
Segundo o Índice FipeZAP, os imóveis residenciais subiram, em média, 6,52% em 2025, acima da inflação estimada em pouco mais de 4%. Em Vitória, a valorização foi ainda maior: 15,13% no ano, colocando a cidade entre as cinco capitais com maior alta.
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Além disso, Vitória lidera o ranking de preços entre as capitais brasileiras, com o metro quadrado custando, em média, R$ 14.108. Isso significa que um apartamento de 50 metros quadrados pode chegar a mais de R$ 700 mil.
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O aumento dos preços reflete o bom desempenho da economia e o mercado de trabalho aquecido, com a menor taxa de desemprego da série histórica, segundo o IBGE.
O levantamento do FipeZAP acompanha preços de imóveis em 56 cidades brasileiras e mostra que a alta foi generalizada em 2025.
Entre as capitais, além de Vitória, os maiores aumentos foram registrados em Salvador, com alta de mais de 16%, João Pessoa, Fortaleza e São Luís, todas com valorização acima de dois dígitos no ano.
Vitória tem o metro quadrado mais caro do país entre as capitais
Vitor Nogueira/Arquivo/PMV
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Já em algumas capitais, o avanço foi mais tímido. Brasília, Goiânia e Aracaju tiveram reajustes abaixo da inflação, o que representa, na prática, queda real nos preços dos imóveis.
No ranking de valores, depois de Vitória, aparecem Florianópolis, com o metro quadrado em torno de R$ 12.700, e São Paulo, perto de R$ 11.900 . Rio de Janeiro e Curitiba também figuram entre as capitais com os imóveis mais caros do país.
Na outra ponta, Pelotas, no Rio Grande do Sul, tem o metro quadrado mais barato entre as cidades pesquisadas, pouco acima de R$ 4.300.
De acordo com economistas, o cenário de valorização está ligado ao bom desempenho da economia e ao mercado de trabalho aquecido, que impulsionam a demanda por imóveis em todo o país.
Veja a variação das capitais na arte abaixo
Avanço nos preços dos imóveis residenciais em 2025, segundo o FipeZAP.
Arte/g1
O levantamento do FipeZAP acompanha preços de imóveis em 56 cidades brasileiras e mostra que a alta foi generalizada em 2025.
Entre as capitais, além de Vitória, os maiores aumentos foram registrados em Salvador, com alta de mais de 16%, João Pessoa, Fortaleza e São Luís, todas com valorização acima de dois dígitos no ano.
Ranking de valores
Já em algumas capitais, o avanço foi mais tímido. Brasília, Goiânia e Aracaju tiveram reajustes abaixo da inflação, o que representa, na prática, queda real nos preços dos imóveis.
No ranking de valores, depois de Vitória, aparecem Florianópolis, com o metro quadrado em torno de R$ 12.700, e São Paulo, perto de R$ 11.900. Rio de Janeiro e Curitiba também figuram entre as capitais com os imóveis mais caros do país.
Na outra ponta, Pelotas, no Rio Grande do Sul, tem o metro quadrado mais barato entre as cidades pesquisadas, pouco acima de R$ 4.300.
De acordo com economistas, o cenário de valorização está ligado ao bom desempenho da economia e ao mercado de trabalho aquecido, que impulsionam a demanda por imóveis em todo o país.
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México limita importação de carne bovina e suína com taxa zero, e Brasil deve ser impactado

México suspende isenção total de taxa de importação para carnes bovina e suína e Brasil deve ser impactado.
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
O governo do México publicou na segunda-feira (5) duas resoluções que limitam a quantidade de importação de carnes bovina e suína sem imposto.
Até então, empresas mexicanas tinham direito a tarifa zero para compra desses alimentos do exterior independente de quantidade.
Agora, foram estabelecidas cotas, e os volumes que excederem esses limites vão passar a pagar taxa, o que deve impactar as exportações de países que vendem carne para o México, como o Brasil.
➡️De janeiro a novembro de 2025, a carne bovina foi o segundo maior produto exportado pelo Brasil para o México, enquanto a carne de porco foi o décimo, mostram dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
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A medida foi divulgada dias depois de a China, maior compradora de carne bovina brasileira, também limitar as importações do produto.
No México, a isenção de imposto de importação para carne bovina e suína estava prevista no Pacote contra a Inflação e a Carestia (Pacic), uma iniciativa do governo criada em 2022 para combater o aumento dos preços dos alimentos.
Essa política foi prorrogada este ano, mas diversos produtos passaram a ter cotas e tarifas.
Como fica agora
➡️Com a mudança, os mexicanos vão poder importar 70 mil toneladas de carne bovina sem pagar tarifa, mas o que exceder esse volume será taxado em 20%.
➡️No caso da carne suína, a cota livre de imposto será de 51 mil toneladas, enquanto o excedente pagará uma taxa de 16%.
A medida valerá até 31 dezembro deste ano.
Nas resoluções, o governo mexicano afirma que as cotas foram criadas para manter o "equilíbrio entre a oferta externa e a produção nacional".
A cota é voltada para os países de fora da América do Norte e com os quais o México ainda não tem acordo de comércio, esclareceu a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
"A cota basicamente deverá ser utilizada por Brasil, Chile e União Europeia", complementou a entidade, que representa os produtores de carne suína.
Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), do setor de bovinos, disse que está aguardando orientações do governo mexicano sobre como vai ser feita a distribuição das cotas.
O frango, no entanto, que é o principal produto exportado pelo Brasil para o México, continua com tarifa zerada, informou a ABPA.
Veja os maiores compradores da carne bovina brasileira em 2025
Kayan Albertin/g1
Veja os maiores compradores da carne suína brasileira em 2025
g1/Kayan Albertin
A importância do México para o Brasil
De janeiro a novembro de 2025, o México foi o sétimo maior destino das exportações brasileiras de carne suína, depois de Filipinas, Japão, China, Chile, Hong Kong e Singapura, segundo o Agrostat, do Ministério da Agricultura, considerando o valor das compras.
No setor de carne bovina, o México é o quinto maior cliente do Brasil, depois da China, EUA, União Europeia e Chile.
China também limitou importações
A decisão do México acontece quase uma semana depois de a China anunciar limites para a importação de carne bovina com o objetivo de proteger os produtores locais.
O país, que é o maior comprador do Brasil, anunciou a criação de cotas anuais para empresas comprarem o alimento de países estrangeiros, como o Brasil — o maior fornecedor.
Atualmente, importações de carne para a China têm taxa de 12%. Agora, o que exceder as cotas terá sobretaxa de 55%.
As medidas começaram a valer no dia 1º de janeiro de 2026, e têm duração de três anos.
Segundo o Ministério do Comércio da China, a cota total de importação para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. Esse limite vai aumentar ano a ano.
É um número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas compradas pela China em 2024, mas abaixo do volume importado nos primeiros 11 meses de 2025.
Ex-CEO da Hurb, João Ricardo é preso por uso de documento falso e tornozeleira descarregada

João Ricardo Mendes
Divulgação
João Ricardo Mendes, ex-CEO da Hurb, foi preso na noite de segunda-feira (5) no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no litoral do Ceará, com documento falso e tornozeleira eletrônica descarregada. Ele foi liberado após passar por audiência de custódia na terça-feira (6).
Saiba mais: Ex-CEO da Hurb detido no Ceará deu calote em clientes e já foi preso por furtar obras de arte
Conforme a Secretaria da Segurança Pública do Ceará, a ação ocorreu após funcionários de companhia aérea e da equipe de segurança aeroportuária identificarem suspeita de irregularidade na documentação durante o embarque.
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Os policiais militares foram chamados para averiguar a situação de um passageiro que tentava embarcar em um voo com destino a Guarulhos, em São Paulo.
Ex-CEO da Hurb, João Ricardo é preso por uso de documento falso e tornozeleira descarregad
"No local, durante a verificação da documentação apresentada, a equipe constatou que o documento de identidade era falso. Diante da confirmação da irregularidade, foi dada voz de prisão ao suspeito, que se encontrava utilizando tornozeleira eletrônica, a qual estava descarregada no momento da abordagem", informou a Secretaria da Segurança;
O homem foi conduzido à Delegacia Regional de Acaraú, onde foi instaurado o inquérito policial. Ele foi autuado com base no artigo 304 do Código Penal Brasileiro, que trata do uso de documento falso. Depois, passou por audiência de custódia, em Sobral, e foi liberado.
Ao g1, o advogado de defesa de João Ricardo, Vicente Donnici, disse que, na audiência de custódia, tanto o Ministério Público quanto o magistrado que analisou o caso concordaram com o pedido de soltura do empresário. "No momento, a prioridade é o restabelecimento de sua saúde plena, com acompanhamento médico adequado", disse.
Fundador e ex-CEO do Hurb é denunciado por furto de obras de arte
Prisão e soltura com tornozeleira em 2025
João Ricardo Mendes, ex-CEO da Hurb, deixou a prisão em agosto de 2025, após três meses detido preventivamente na Penitenciária Evaristo de Moraes, no Rio de Janeiro. Ele foi preso em abril acusado de furtar obras de arte de um hotel e um escritório no Rio.
Mendes teve que entregar o passaporte e está proibido de sair do Rio de Janeiro sem autorização judicial.
Na mesma decisão, a Justiça instaurou um incidente de insanidade mental para apurar a condição psicológica do empresário à época dos crimes. Conforme a defesa, ele sofre a evolução de um quadro de bipolaridade para psicose maníaco-depressiva.
Quem é João Ricardo Mendes
João Ricardo Mendes iniciou a carreira de empreendedor aos 18 anos, com uma barraca de bebidas na Praia do Pepê, no Rio de Janeiro. Em 2011, fundou o Hotel Urbano, depois mais tarde rebatizado como Hurb.
Em 2023, Mendes foi acusado de ameaças e ofensas a clientes em grupos de WhatsApp. Em alguns casos, chegou a divulgar dados pessoais de consumidores, sendo acusado de expô-los a situações de risco. Após a repercussão negativa, ele renunciou ao cargo de CEO da empresa.
O empresário também foi denunciado por um ex-funcionário, que o acusou de ameaças, injúria racial, humilhação e calúnia. Mais recentemente, um vídeo que circulou nas redes sociais mostrou Mendes correndo atrás do filho da atriz Luana Piovani com um lança-chamas de brinquedo. A atriz afirmou ter ficado “estarrecida” com as imagens.
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
Dólar cai pela quarta vez, abaixo dos R$ 5,40, com atenção à crise na Venezuela; Ibovespa tem alta

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em queda de 0,48% nesta terça-feira (6), cotado a R$ 5,3794. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,11%, aos 163.664 pontos.
Os mercados continuam reagindo às tensões políticas na Venezuela, e à divulgação de dados econômicos e discursos no Brasil e nos Estados Unidos, que podem influenciar as projeções econômicas para 2026.
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▶️ O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Venezuela não deve realizar eleições nos próximos 30 dias e sugeriu que o governo americano pode subsidiar esforços de empresas americanas de energia para reconstruir a indústria petrolífera venezuelana.
▶️ No Brasil, o resultado da balança comercial de 2025 teve pior resultado em três anos. Houve um um superávit de US$ 68,3 bilhões, queda de 7,9% na comparação com o ano anterior.
Sob impacto do tarifaço dos EUA, as exportações brasileiras aos americanos recuaram 6,6%, passando de US$ 40,37 bilhões para US$ 37,72 bilhões.
▶️ No cenário externo, além da divulgação do PMI de dezembro dos EUA — indicador que ajuda a medir o ritmo da atividade econômica —, investidores acompanham o discurso de Tom Barkin, presidente do Federal Reserve de Richmond, que pode dar pistas sobre o futuro dos juros americanos.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,82%;
Acumulado do mês: -1,99%;
Acumulado do ano: -1,99%.
📈Ibovespa
C
Acumulado da semana: +1,95%;
Acumulado do mês: +1,58%;
Acumulado do ano: +1,58%.
EUA x Maduro
A prisão de Nicolás Maduro pelo governo dos EUA trouxe forte volatilidade aos mercados ontem (5) e deve seguir influenciando o humor dos investidores por alguns dias.
Além das incertezas geopolíticas com os ataques e ameaças dos americanos ao país latino-americano, há uma série de suposições sobre os possíveis impactos no petróleo.
Uma das primeiras afirmações feitas por Trump após a prisão de Maduro foi que os EUA controlariam o petróleo venezuelano e mandariam as petrolíferas americanas de volta ao país para "consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado".
🔎 A produção venezuelana despencou nas últimas décadas, afetada pela má gestão e pela escassez de investimentos estrangeiros após a nacionalização do setor nos anos 2000. Com a ação dos EUA, parte do mercado avalia que o petróleo do país possa voltar a circular, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.
O republicano afirmou que os EUA estão em conflito com traficantes, e não diretamente com a Venezuela. Ele voltou a alegar que outros países estariam enviando criminosos e dependentes químicos para o território norte-americano.
Questionado sobre uma possível transição de poder na Venezuela, o presidente disse que o país precisará ser “consertado” antes da realização de novas eleições. Segundo ele, não há condições de organizar um pleito neste momento.
Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos já estão discutindo a exportação de petróleo bruto venezuelano para os americanos. A informação é da agência Reuters, citando cinco fontes dos governos, da indústria e do setor de transporte marítimo.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, um acordo para vender o petróleo parado às refinarias dos EUA redirecionaria os embarques que antes iam para a China.
Bolsas globais
Wall Street subiu nesta terça-feira, com os investidores deixando de lado os temores de um impacto geopolítico mais amplo após forças dos EUA prenderem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no fim de semana.
O S&P 500 subiu 0,62%, aos 6.944,55 pontos. O Nasdaq avançou 0,61%, para 23.537,96 pontos, enquanto o Dow Jones Industrial Average ganhou 1,02%, aos 49.476,54 pontos, aproximando-se da marca histórica de 50 mil.
As ações do setor de petróleo recuaram após os fortes ganhos da sessão anterior, com gigantes como ExxonMobil e Chevron caindo 2,3% e 4,5%, respectivamente. Em contrapartida, os papéis de chips avançaram com força, impulsionados por um novo otimismo em torno da inteligência artificial.
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, discursou na Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, e afirmou que futuros processadores de inteligência artificial incluirão uma nova camada de tecnologia de armazenamento.
A SanDisk saltou 23%, a Western Digital avançou 16%, a Seagate Technology ganhou 13% e a Micron Technology subiu quase 8%, com as quatro ações atingindo máximas históricas. Já a Moderna disparou 10% após o BofA Global Research elevar o preço-alvo da farmacêutica.
As bolsas europeias encerraram a terça-feira em alta, mantendo o ritmo positivo da sessão anterior e renovando recordes. O movimento foi sustentado pelo otimismo com a economia da região e pela continuidade do apetite por risco.
No fechamento, o Stoxx 600 subiu 0,63%, aos 605,56 pontos, após superar 600 pontos pela primeira vez na sessão anterior. O FTSE 100 ganhou 1,18%, aos 10.122,73 pontos; o DAX avançou 0,09%, aos 24.892,20 pontos; e o CAC 40 teve alta de 0,32%, aos 8.237,43 pontos.
Os principais índices da Ásia também fecharam em alta, impulsionados pelo desempenho das ações chinesas, que atingiram os maiores níveis em mais de uma década. O movimento contou com o apoio da valorização dos metais não ferrosos, do setor financeiro e do otimismo antes do Ano Novo Lunar.
Em Xangai, o índice SSEC subiu 1,50%, a 4.083 pontos, enquanto o CSI300 avançou 1,55%, a 4.790 pontos. O Hang Seng, em Hong Kong, ganhou 1,38%, a 26.710 pontos.
Em outros mercados, o Nikkei, em Tóquio, subiu 1,32%, a 52.518 pontos; o Kospi, em Seul, avançou 1,52%, a 4.525 pontos; o Taiex, em Taiwan, teve alta de 1,57%, a 30.576 pontos; e o Straits Times, em Cingapura, ganhou 1,27%, a 4.739 pontos.
Notas de dólar.
Rick Wilking/Reuters
Caso Master: Banco Central questiona decisão do TCU que determinou inspeção no órgão

TCU confirma autorização de inspeção sobre Banco Master no BC
O Banco Central (BC) entrou com um recurso para contestar a decisão do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou uma inspeção no órgão para investigar os procedimentos relacionados à liquidação extrajudicial do Banco Master.
O presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, formalizou na segunda (5) uma autorização para que seja feita a inspeção no BC.
A medida atende à decisão do relator, Jhonatan de Jesus, que pediu mais informações sobre as provas que levaram à decisão do BC de liquidar o Master (entenda mais abaixo).
Leia também: Veja quem é quem no caso do Banco Master e o papel de cada instituição
No recurso, chamado de embargos de declaração, o BC argumenta que o regimento interno do TCU estabelece que decisões sobre a realização de inspeções devem ser tomadas de forma colegiada, no âmbito das Câmaras do tribunal, e não de maneira individual por um ministro.
Caso Master: quase 1500 instituições financeiras divulgam carta em defesa do Banco Central
Reprodução/TV Globo
Segundo o órgão, cabe às Câmaras da Corte deliberar sobre esse tipo de diligência.
"Tendo em vista que não há, na decisão monocrática proferida por Vossa Excelência, indicação de deliberação da Primeira Câmara do TCU determinando a realização de inspeção no BC, serve-se desta autarquia dos presentes embargos de declaração para solicitar que tal omissão seja sanada, mediante a indicação da decisão do referido colegiado acerca da diligência mencionada", diz trecho do documento ao qual a TV Globo teve acesso.
Com isso, o Banco Central pede que o ministro relator submeta a proposta de inspeção nas instalações da autoridade monetária à Primeira Câmara do TCU, órgão que considera competente para analisar e decidir sobre o pedido.
Inspeção no BC
O presidente do TCU formalizou a decisão que permitiu uma inspeção no órgão na segunda-feira (5).
No despacho, ao qual o g1 teve acesso, o ministro destacou que a nota técnica encaminhada pelo Banco Central limitou-se a uma exposição simples da cronologia e dos fundamentos do caso, com remissões a processos e registros internos, sem o envio do conjunto de documentos necessário para a comprovação do que foi relatado.
Ou seja, sem apresentar provas de eventuais fraudes e desvios que embasaram a decisão do BC que resultou na liquidação do banco Master.
🔎A decisão do BC ocorreu após a Polícia Federal deflagrar, em novembro do ano passado, a operação Compliance Zero, que resultou na prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro. Ele é investigado por fraude financeira e a venda de títulos de crédito falsos.
A inspeção deverá analisar, entre outros pontos, a evolução dos alertas e das medidas de supervisão adotadas diante de sinais de deterioração da instituição, bem como o tratamento dado a alternativas de mercado e à hipótese de uma “saída organizada”.
➡️Segundo informações do blog do Valdo Cruz, no g1, a inspeção foi feita a pedido de técnicos do TCU que querem ter acesso aos documentos usados para elaborar o relatório encaminhado sobre o histórico do banco, como a fiscalização dos problemas econômicos, a descoberta de fraudes, negociações de eventual venda até a liquidação.
➡️Como os documentos não foram anexados ao relatório, os técnicos querem analisá-los. Só que esses documentos não podem sair do Banco Central, por uma questão de sigilo. Por isso, os técnicos do TCU querem ir ao BC para analisar toda a documentação dentro da própria autoridade monetária.
Para o presidente da Corte de Contas, ministro Vital do Rêgo, não "paira dúvida sobre a competência do TCU para fiscalizar o Banco Central".
"Nos arts. 70 e 71 da Constituição, o TCU é investido do controle externo da administração pública federal direta e indireta, abrangendo a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades, inclusive autarquias como o Banco Central", afirma o ministro.
"A fiscalização inclui a verificação da legalidade, legitimidade e economicidade dos atos de gestão pública, sem prejuízo da autonomia técnica e decisória do Banco Central", acrescentou.
No mesmo despacho, o ministro relator não afasta a possibilidade de adoção de medida cautelar, conforme já havia indicado na decisão que determinou a prestação de esclarecimentos pelo Banco Central sobre o processo de liquidação do Master.
Em outro trecho, o ministro relator comunica o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo em trâmite naquela Corte envolvendo o Master, para fins de ciência e de eventual prevenção em feitos futuros.
Com lucro em alta, PicPay entra com pedido de IPO na Nasdaq pela segunda vez

O banco digital PicPay apresentou nesta segunda-feira (5) um pedido para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na Nasdaq, bolsa de valores dos Estados Unidos.
A empresa, com sede em São Paulo, registrou lucro de R$ 313,8 milhões nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2025, ante R$ 172 milhões no mesmo período do ano anterior.
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A receita total somou R$ 7,26 bilhões no período, ante R$ 3,78 bilhões registrados um ano antes.
O número de clientes ativos subiu de 37,5 milhões para 42,1 milhões no fim de setembro do ano passado. A receita média trimestral por cliente aumentou de R$ 38,10 para R$ 65,40, enquanto o custo de atendimento passou de R$ 16,80 para R$ 17,80.
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Veja os vídeos que estão em alta no g1
A companhia informou ainda que o volume total de pagamentos atingiu R$ 392,46 bilhões nos nove meses encerrados em setembro do ano passado, cerca de 32% acima do registrado no mesmo período de 2024.
Controlada pela holding J&F — também proprietária da processadora de carnes JBS —, a PicPay faz sua segunda tentativa de abrir capital nos EUA, após desistir de um IPO em 2021 devido a condições desfavoráveis de mercado.
O mercado de ofertas iniciais de ações nos Estados Unidos ganhou impulso em 2025, após quase três anos de atividade reduzida.
No entanto, a expectativa de uma recuperação mais sólida foi limitada pela volatilidade causada pelas tarifas de importação do governo Donald Trump, pela paralisação prolongada do governo dos Estados Unidos e pela queda das ações de empresas ligadas à inteligência artificial no fim do ano passado.
Analistas projetam que o mercado de ofertas iniciais volte a ganhar força em 2026, com mais empresas de criptomoedas e do setor financeiro digital sinalizando planos de abertura de capital.
Entre elas estão o banco digital britânico Revolut, a plataforma de ativos digitais Kraken e o aplicativo japonês de pagamentos PayPay.
A PicPay pretende listar suas ações na Nasdaq sob o código “PICS” e usar os recursos do IPO para finalidades corporativas gerais, como capital de giro, despesas operacionais, cumprimento de exigências regulatórias e investimentos.
Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets atuam como coordenadores globais da oferta.
PicPay
Divulgação
O valor da mão de obra acima dos 65 anos

No fim do ano passado, a Society for Human Resource Management (SHRM), a maior associação profissional de recursos humanos do mundo, divulgou um relatório sobre a força de trabalho das pessoas acima dos 65 anos. Em um momento em que as empresas estão ávidas por empregados qualificados, colaboradores mais velhos representam um valor imenso e pouco explorado.
Mão de obra sênior: relatório da maior associação profissional de recursos humanos do mundo mostra como o talento dos mais velhos é importante para o mercado
Age without limits: Mark Epstein
Quase todos os profissionais de RH (98%) que têm experiência com pessoas de 65 anos ou mais reconhecem sua lealdade, habilidades especializadas e contribuição para a diversidade etária. No entanto, apenas 7% das organizações implementam estratégias direcionadas de recrutamento, engajamento ou retenção desses funcionários.
Existe uma desconexão significativa entre o que as companhias oferecem e o que os trabalhadores mais velhos dizem precisar. Eles destacam, por exemplo, a importância de oportunidades de requalificação personalizadas, horários flexíveis e culturas corporativas inclusivas – ações raramente utilizadas pelos empregadores.
A SHRM realizou pesquisas com trabalhadores dos Estados Unidos de três grupos: profissionais de RH, pessoas com 65 anos ou mais e com menos de 65 anos. As principais conclusões do levantamento foram:
Fora do radar: a maioria das organizações falha em implementar programas de recrutamento adaptados ao banco de talentos dessa faixa etária – 93% dos profissionais de RH afirmam que sua companhia não tem nenhum programa formal ou informal de recrutamento para contratar esse grupo.
Desafiando estereótipos: a maioria demonstra uma forte disposição para aprender (81%), uma abordagem positiva diante de desafios (79%) e entusiasmo pelo crescimento (60%), incluindo a adoção de novas tecnologias, como a inteligência artificial.
Atitudes positivas para o ambiente profissional: a grande maioria (91%) está satisfeita com seus empregos. Além disso, 87% afirmam se sentir engajados no trabalho.
Contexto e conhecimento críticos: 83% dos profissionais de RH documentam as políticas corporativas, mas apenas cerca de um terço mapeia outras áreas críticas, como normas culturais (32%) e relações com clientes (36%), que são difíceis de reconstruir se os funcionários com longo tempo de casa saírem.
Soluções de aprendizagem e desenvolvimento: essa mão de obra relata que métodos de treinamento como treinamento no local de trabalho ou aprendizagem prática (49%), tutoriais em vídeo (39%) e materiais de apoio visual e/ou escrito (35%) são eficazes para desenvolver suas habilidades.
Entre os participantes acima dos 65 anos, 17% estão atualmente empregados e 83% não, refletindo uma proporção semelhante à de idosos que participam da força de trabalho dos EUA em geral. Daqueles que estão empregados, a maioria (60%) não se aposentou e planeja continuar na ativa. Por fim, 29% dos trabalhadores mais velhos já tinham se aposentado anteriormente, mas reingressaram no mercado. Quando perguntados sobre o motivo, as principais razões citadas foram:
Para se manter mentalmente ativo e engajado: 70%.
Para manter a estabilidade financeira: 59%.
Para evitar o tédio ou a falta de propósito na aposentadoria: 50%.
Para continuar usando suas habilidades e experiências atuais: 42%.
As respostas ressaltam as motivações que impulsionam os idosos a permanecer na força de trabalho, mesclando necessidades financeiras práticas com um forte desejo de realização pessoal e engajamento.
Na quinta-feira, na coluna “O que a próxima geração de trabalhadores mais velhos quer?”, a continuação da pesquisa “A idade da oportunidade: redefinindo o talento com a força de trabalho de 65 anos ou mais” (“Age of opportunity: redefining talent with the 65-and-over workforce”).
Especialista em RH fala da importância da terceira idade no mercado de trabalho
Inspeção do TCU pode atrasar pagamento de credores e do FGC para quem tem CDBs do Master

Caso Master: quase 1500 instituições financeiras divulgam carta em defesa do Banco Central
Reprodução/TV Globo
A decisão do TCU de realizar uma inspeção no Banco Central a respeito da liquidação do Banco Master pode atrasar o pagamento a credores do banco, incluindo os cerca de 1,6 milhões de investidores que tinham CDBs do Banco Master de até R$ 250 mil, segundo avaliação de integrantes do sistema financeiro com experiência em processos de liquidação que analisaram o despacho do ministro Jhonatan de Jesus publicada nesta segunda-feira (5).
A principal preocupação é o item na decisão do ministro que cita a possibilidade de medidas cautelares do banco para evitar “atos potencialmente irreversíveis” e a necessidade de manter preservada a “massa liquidanda” do banco, o que na prática impede o andamento da liquidação, com uso de ativos para cobrir dívidas. No mercado financeiro, a decisão é vista como uma trava nas ações que visam ressarcir investidores lesados, além de trazer um nível de insegurança jurídica que paralisa o trabalho do liquidante.
Nesta segunda, 11 entidades que representam quase a totalidade do sistema financeiro divulgaram nota de preocupação e de apoio ao Banco Central como órgão técnico e com autoridade para decretar liquidação de instituições financeiras.
Segundo entidades que assinaram a carta, a inspeção e os termos do despacho demonstram um questionamento sobre a capacidade técnica do BC prejudica todo o sistema financeiro do país.
Caso Master: quase 1.500 instituições financeiras saem em defesa do Banco Central
Vai trazer comida do exterior? Veja quando e como pedir autorização após mudança de regra

Vai trazer comida do exterior? Veja quando e como pedir autorização após mudança de regra
O Ministério da Agricultura atualizou as regras que definem quais alimentos podem entrar no Brasil na bagagem de viajantes e como funciona a autorização para produtos com restrições. A portaria foi publicada nesta segunda-feira (5) no Diário Oficial da União.
O ovo, por exemplo, não estava na lista de proibições de 2025, mas passa a integrar ela em 2026, informou o Ministério da Agricultura ao g1.
A regra vale mesmo quando o produto está na embalagem original, rotulada e lacrada, segundo o ministério.
O Ministério da Agricultura afirma que os itens proibidos podem trazer pragas e doenças para o país, com risco para plantações, animais e até para a saúde humana.
A carne de porco, por exemplo, só entra no Brasil com autorização porque pode trazer a peste suína africana. A doença é causada por um vírus, é fatal para os porcos e não tem vacina nem tratamento.
Hoje, essa doença não existe no Brasil, mas está presente em mais de 50 países da África, Europa, Ásia e das Américas. A Espanha, por exemplo, tem casos confirmados. O país é o terceiro maior produtor de carne de porco do mundo.
Alimentos proibidos
Arte / g1
Além destes produtos, o Ministério avisa que podem haver bloqueios relacionados a produtos oriundos de países específicos, com incidência de doenças. Por exemplo, em casos da gripe aviária, da peste suína africana e a dermatose nodular contagiosa.
A instituição pontua também que não somente os vegetais frescos, mas parte deles que possam conter doenças podem ser confiscados. É o caso de folhas secas para chá, em que o processo de secagem não é conhecido.
Fiscalização realizada pelo Ministério da Agricultura
Divulgação
Como obter a autorização?
Para entrar no país com esses alimentos, é preciso fazer um registro na Declaração Eletrônica e Bens do Viajante (e-DBV).
Depois, é necessário ir até a unidade do Vigiagro, no controle aduaneiro, para finalizar o processo.
Além disso, quando o Ministério da Agricultura entender que é o caso de um controle mais rigoroso, pode ser solicitada adicionalmente uma Autorização Prévia de Importação.
Nessa categoria, é preciso informar:
a descrição dos bens agropecuários que serão importados, incluindo a quantidade, a forma de acondicionamento e o país de origem e de procedência;
o modal de transporte, podendo ser aéreo, marítimo, fluvial, lacustre (por lago), rodoviário e ferroviário;
a via de transporte autorizada, especificada como bagagem acompanhada;
o local de ingresso no território nacional;
a identificação do viajante que transportará os bens agropecuários, contendo nome completo, CPF e número do passaporte;
o prazo de validade da autorização de importação.
Neste caso, a autorização deverá ser encaminhada eletronicamente pelo Serviço Técnico emissor às Unidades do Vigiagro nos locais de ingresso.
Se um produto irregular é apreendido, ele deve ser destruído.
Segundo o Ministério, dois procedimentos são feitos para a destruição: a autoclavagem (o produto é submetido a temperatura de 133° C e pressão de 3 bar por 20 minutos) e a incineração. Os procedimentos são responsabilidade do administrador do aeroporto.
A norma que regula o tema prevê outras medidas, mas não detalha quais. O g1 questionou o Ministério da Agricultura, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Leia também: Após pressão do agro, governo suspende temporariamente lista que considerava tilápia espécie invasora
Produtos autorizados
Mesmo quando não há exigência de documentação, o produto deve estar na embalagem original, com rótulo, lacre e sem sinais de violação.
Alguns exemplos são:
extratos ou concentrados de carnes e pescados, de todas as espécies.
carnes e pescados defumados, dessecados, salgados ou desidratados;
derivados de suínos enlatados;
gelatinas;
leite pasteurizado ou esterilizado, incluindo o creme de leite;
doce de leite;
leite em pó ou soro;
manteiga, manteiga clarificada (ghee) e pasta de espalhar de produtos provenientes do leite;
iogurtes, quefir, coalhadas e outras bebidas láctea fermentadas;
hidrolisado de proteína do leite e lactose;
queijos e requeijão, excluindo os produtos lácteos feitos com leite de bovinos e bubalinos dos países com notificação de dermatose nodular contagiosa (caso da Argélia, Camboja, França, Itália, Tunísia, Espanha);
bolos, biscoitos, bolachas, petit fours, tortas doces e salgadas, waffles, doces em massa folhadas, pastéis de confeitaria, doces e quitutes;
amêndoas torradas e salgadas;
bebidas destiladas e fermentadas;
vinagres;
sucos;
óleos vegetais;
geleias, conservas;
demais produtos industrialmente esterilizados, pasteurizados, fermentados, sulfitados, liofilizados, cozidos, carbonizados, parboilizados, moídos, polidos, tostados ou secos ao forno.
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Câmara dos Deputados abre inscrições para concurso com salário de R$ 30 mil e sem graduação específica

Concurso da Câmara dos Deputados terá 70 vagas e salários de até R$ 30 mil
As inscrições para o novo concurso da Câmara dos Deputados estão abertas. O edital prevê a contratação de 70 servidores, além da formação de cadastro de reserva.
As oportunidades são para os cargos de Analista Legislativo e Técnico Legislativo, ambos com lotação em Brasília (DF).
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➡️ VEJA O EDITAL
🗓️ Os interessados têm até o dia 26 deste mês para realizar a inscrição. As provas objetiva e discursiva estão marcadas para o dia 8 de março e serão aplicadas em todas as capitais do país.
Um dos cargos ofertados no concurso chama atenção pela remuneração elevada e pelos requisitos mais amplos de formação. Trata-se do posto de Analista Legislativo – especialidade Processo Legislativo e Gestão, que oferece salário de R$ 30.853,99.
O edital também não exige formação em uma área específica para essa função, sendo necessário apenas diploma de graduação em qualquer curso reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).
A jornada de trabalho é de 40 horas semanais. O profissional deverá permanecer na unidade de sua primeira lotação por, no mínimo, três anos.
📝 Entre as atribuições do cargo estão:
Planejamento, orientação e execução de atividades administrativas e legislativas;
Apoio técnico em áreas como gestão de pessoas, orçamento, finanças, tecnologia da informação, licitações, contratos e comunicação social;
Assistência à Mesa Diretora, às comissões, às lideranças e à administração em temas constitucionais, regimentais e de técnica legislativa;
Elaboração de documentos legislativos e administrativos;
Organização e atualização de dados relacionados a matérias legislativas, administrativas, financeiras e orçamentárias.
Já o cargo de Técnico Legislativo tem remuneração inicial de R$ 21.008,19. As atribuições desse profissional envolvem atividades técnicas relacionadas ao planejamento, ao controle e à execução de trabalhos legislativos e administrativos.
Entre as funções desempenhadas estão o suporte técnico, operacional e material às atividades institucionais da Câmara dos Deputados, além da assistência às unidades administrativas, às comissões, à Mesa Diretora e às lideranças.
O servidor também será responsável pela elaboração e análise de documentos e relatórios, além do desenvolvimento de planos e projetos ligados à gestão de recursos humanos, materiais, orçamentários, financeiros e de informação.
➡️ Para tomar posse, o candidato aprovado deverá ter:
Nacionalidade brasileira ou portuguesa (com direitos políticos reconhecidos);
Estar em dia com as obrigações eleitorais e militares, quando aplicável;
Ter idade mínima de 18 anos na data da posse;
Possuir aptidão física e mental para o exercício do cargo;
Apresentar o diploma de graduação
22 vagas para ampla concorrência;
2 vagas para pessoas com deficiência;
9 vagas para candidatos pretos e pardos;
1 vaga para candidato indígena;
1 vaga para candidato quilombola.
Distribuição de vagas
Do total de vagas imediatas, 35 são destinadas ao cargo de Analista Legislativo e 35 ao de Técnico Legislativo.
Além das vagas imediatas, o concurso também prevê a formação de cadastro de reserva com outras 70 vagas, mantendo a mesma proporção de distribuição.
Inscrições e taxas
As inscrições podem ser feitas até o dia 26 de janeiro de 2026, exclusivamente pelo site do Cebraspe.
A taxa de inscrição deve ser paga até 28 de janeiro e varia entre R$ 100 e R$ 130. Candidatos que se enquadram nos critérios do edital, porém, podem solicitar isenção da taxa entre os dias 5 e 12 de janeiro.
Veja o cronograma do concurso:
Período de Inscrições: de 05/01/2026 a 26/01/2026
Solicitação de isenção da taxa de inscrição: 05/01/2026 a 12/01/2026
Data final para pagamento da taxa de inscrição: 28/01/2026
Aplicação das provas objetivas e discursivas: 08/03/2026
Divulgação do padrão preliminar de respostas da prova discursiva: 10/03/2026
Divulgação dos gabaritos oficiais preliminares das provas objetivas: 13/03/2026
Vista do plenário da Câmara dos Deputados antes do início da votação do texto da reforma tributária, em Brasília, na noite desta quinta-feira, 6 de julho de 2023.
CLÁUDIO REIS/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
'Descer pra BC?': Balneário Camboriú é a cidade mais cara do Brasil para comprar um imóvel

Praia Central de Balneário Camboriú
Arquivo PMBC/Divulgação
Balneário Camboriú (SC) é, em média, o município mais caro do Brasil para a compra de um imóvel residencial, segundo dados do Índice FipeZAP 2025 divulgados nesta terça-feira (6).
🔎 O indicador acompanha o preço médio de imóveis em 56 cidades brasileiras, com base em anúncios publicados na internet.
O município catarinense — que já foi chamado de “Dubai brasileira” e inspirou o hit “Descer pra BC” — é conhecido pelos prédios altos e pela megaobra de alargamento da faixa de areia, que gerou debate entre especialistas sobre impactos ambientais.
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Segundo o levantamento, o metro quadrado em Balneário Camboriú teve preço médio de venda de R$ 14.906 em dezembro de 2025. Com esse valor, um imóvel de 50 m², por exemplo, custaria cerca de R$ 745,3 mil.
Veja os vídeos em alta no g1:
Veja os vídeos que estão em alta no g1
A segunda cidade mais cara também fica em Santa Catarina, mostra a pesquisa. No município litorâneo de Itapema, o valor médio é de R$ 14.843/m².
Veja as dez cidades com preço médio mais caro no Brasil, segundo o FipeZAP:
Balneário Camboriú (SC): R$ 14.906
Itapema (SC): R$ 14.843
Vitória (ES): R$ 14.108
Itajaí (SC): R$ 12.848
Florianópolis (SC): R$ 12.773
São Paulo (SP): R$ 11.900
Barueri (SP): R$ 11.696
Curitiba (PR): R$ 11.686
Rio de Janeiro (RJ): R$ 10.830
Belo Horizonte (MG): R$ 10.642
Alta nas capitais
Entre as capitais, Salvador registrou o maior aumento no preço médio de imóveis residenciais em 2025, ao registrar valorização de 16,25% ao longo do ano, segundo o Índice FipeZAP.
João Pessoa (PB) aparece logo atrás, com alta de 15,15%. Na sequência estão Vitória (15,13%), São Luís (13,91%) e Fortaleza (12,61%).
Na outra ponta, os menores avanços ocorreram em Brasília (4,05%), Goiânia (2,55%) e Aracaju (2,23%). Na prática, essas cidades registraram queda real, já que os reajustes ficaram abaixo da inflação estimada em 4,18% para o período. (veja a lista completa no final desta reportagem)
Veja a variação das capitais:
Avanço nos preços dos imóveis residenciais em 2025, segundo o FipeZAP.
Arte/g1
Dados nacionais
Comprar um imóvel residencial ficou, em média, 6,52% mais caro em 2025, segundo o levantamento. O resultado representa a segunda maior alta anual dos últimos 11 anos, ficando atrás apenas de 2024, quando os valores avançaram 7,73%.
O aumento superou a inflação ao consumidor em 2025, estimada em 4,18% pelo FipeZAP com base no IPCA acumulado até novembro e no IPCA-15 de dezembro. Os cálculos apontam uma alta real (descontada a inflação) de 2,24% nos imóveis.
Paula Reis, economista do Grupo OLX, explica que o aumento está relacionado ao desempenho da economia brasileira, que deve fechar 2025 com bons resultados, especialmente no mercado de trabalho.
"O efeito da alta dos juros [atualmente em 15% ao ano] foi parcialmente compensado pelo aumento da renda em geral. O financiamento imobiliário ficou mais caro, mas continuou cabendo no orçamento de parte das famílias", diz.
A taxa de desemprego no Brasil foi de 5,2% no trimestre terminado em novembro, mostrou a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Essa é a menor taxa de desocupação da série histórica, iniciada em 2012.
Já o Produto Interno Bruto (PIB) — que terá o resultado oficial de 2025 divulgado em março — superou as projeções do mercado. No início do ano, a previsão era de uma alta na casa dos 2,04%. Agora, espera-se um crescimento em torno de 2,3%.
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Preço de venda
O preço médio de venda de imóveis residenciais, calculado para as 56 cidades, foi de R$ 9.611/m², segundo dados de dezembro. Considerando essa base, um apartamento de 50 metros quadrados custou, em média, R$ 480,5 mil.
Os imóveis de um dormitório registraram preço médio de venda superior aos de dois dormitórios. Eles foram negociados a R$ 11.669/m², contra R$ 8.622/m².
Quando consideradas as 22 capitais brasileiras medidas pelo índice, Vitória (ES) lidera: R$ 14.108/m². Em seguida, estão Florianópolis (R$ 12.773/m²) e São Paulo (R$ 11.900/m²).
A cidade com o metro quadrado mais barato é Pelotas (RS), custando R$ 4.353, em média. Com isso, um imóvel de 50m² custaria em torno de R$ 217,6 mil.
Veja o preço médio de venda nas capitais (m²), em dados de dezembro.
Vitória: R$ 14.108
Florianópolis: R$ 12.773
São Paulo: R$ 11.900
Curitiba: R$ 11.686
Rio de Janeiro: R$ 10.830
Belo Horizonte: R$ 10.642
Maceió: R$ 9.836
Brasília: R$ 9.754
Fortaleza: R$ 8.963
São Luís: R$ 8.617
Recife: R$ 8.446
Belém: R$ 8.341
Goiânia: R$ 8.139
Salvador: R$ 7.972
João Pessoa: R$ 7.970
Porto Alegre: R$ 7.505
Manaus: R$ 7.189
Cuiabá: R$ 6.801
Campo Grande: R$ 6.330
Natal: R$ 6.146
Teresina: R$ 5.789
Aracaju: R$ 5.282
Preço médio entre as 56 cidades monitoradas: R$ 9.611
Preços de imóveis residenciais disparam 6,52% em 2025; veja as capitais mais caras

Imóveis na região central de São Paulo.
Fábio Tito/G1
Comprar um imóvel residencial ficou, em média, 6,52% mais caro em 2025, segundo dados do Índice FipeZAP divulgados nesta terça-feira (6). O resultado representa a segunda maior alta anual dos últimos 11 anos, ficando atrás apenas de 2024, quando os valores avançaram 7,73%.
O aumento superou a inflação ao consumidor em 2025, estimada em 4,18% pelo FipeZAP com base no IPCA acumulado até novembro e no IPCA-15 de dezembro. Os cálculos apontam uma alta real (descontada a inflação) de 2,24% nos imóveis.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
Paula Reis, economista do Grupo OLX, explica que o aumento está relacionado ao desempenho da economia brasileira, que deve fechar 2025 com bons resultados, especialmente no mercado de trabalho.
"O efeito da alta dos juros [atualmente em 15% ao ano] foi parcialmente compensado pelo aumento da renda em geral. O financiamento imobiliário ficou mais caro, mas continuou cabendo no orçamento de parte das famílias", diz.
Veja os vídeos em alta no g1:
Veja os vídeos que estão em alta no g1
A taxa de desemprego no Brasil foi de 5,2% no trimestre terminado em novembro, mostrou a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Essa é a menor taxa de desocupação da série histórica, iniciada em 2012.
Já o Produto Interno Bruto (PIB) — que terá o resultado oficial de 2025 divulgado em março — superou as projeções do mercado. No início do ano, a previsão era de uma alta na casa dos 2,04%. Agora, espera-se um crescimento em torno de 2,3%.
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Alta nas capitais
O FipeZAP acompanha o preço médio de imóveis em 56 cidades brasileiras, com base em anúncios veiculados na internet.
Segundo o levantamento, nenhum entre os municípios monitorados registrou queda nos preços em 2025. No ano anterior, Santa Maria (RS) havia sido o único, com recuo de 1,5%.
Entre as capitais, os maiores avanços no ano foram observados em Salvador (16,25%), João Pessoa (15,15%), Vitória (15,13%), São Luís (13,91%) e Fortaleza (12,61%).
As menores altas foram registradas em Brasília (4,05%), Goiânia (2,55%) e Aracaju (2,23%). Na prática, essas cidades tiveram queda real, já que os reajustes ficaram abaixo da inflação estimada para o período.
Veja a variação das capitais na arte abaixo.
Avanço nos preços dos imóveis residenciais em 2025, segundo o FipeZAP.
Arte/g1
Preço de venda
O preço médio de venda de imóveis residenciais, calculado para as 56 cidades, foi de R$ 9.611/m², segundo dados de dezembro. Considerando essa base, um apartamento de 50 metros quadrados custou, em média, R$ 480,5 mil.
Os imóveis de um dormitório registraram preço médio de venda superior aos de dois dormitórios. Eles foram negociados a R$ 11.669/m², contra R$ 8.622/m².
A cidade mais cara da lista é Balneário Camboriú (SC), onde o metro quadrado do imóvel custa, em média, R$ 14.906. No caso de uma residência de 50 metros, por exemplo, o valor no município é de R$ 745,3 mil.
Quando consideradas as 22 capitais brasileiras medidas pelo índice, Vitória (ES) lidera: R$ 14.108/m². Em seguida, estão Florianópolis (R$ 12.773/m²) e São Paulo (R$ 11.900/m²).
A cidade com o metro quadrado mais barato é Pelotas (RS), custando R$ 4.353, em média. Com isso, um imóvel de 50m² custaria em torno de R$ 217,6 mil.
Veja o preço médio de venda nas capitais (m²), em dados de dezembro.
Vitória: R$ 14.108
Florianópolis: R$ 12.773
São Paulo: R$ 11.900
Curitiba: R$ 11.686
Rio de Janeiro: R$ 10.830
Belo Horizonte: R$ 10.642
Maceió: R$ 9.836
Brasília: R$ 9.754
Fortaleza: R$ 8.963
São Luís: R$ 8.617
Recife: R$ 8.446
Belém: R$ 8.341
Goiânia: R$ 8.139
Salvador: R$ 7.972
João Pessoa: R$ 7.970
Porto Alegre: R$ 7.505
Manaus: R$ 7.189
Cuiabá: R$ 6.801
Campo Grande: R$ 6.330
Natal: R$ 6.146
Teresina: R$ 5.789
Aracaju: R$ 5.282
Preço médio entre as 56 cidades monitoradas: R$ 9.611
Salvador lidera a alta dos preços de imóveis residenciais entre as capitais em 2025; veja a lista

Farol da Barra, em Salvador
TV Bahia
Salvador foi a capital com a maior alta no preço médio de imóveis residenciais no Brasil em 2025, ao registrar valorização de 16,25% ao longo do ano, segundo dados do Índice FipeZAP divulgados nesta terça-feira (6).
🔎 O indicador acompanha o preço médio de imóveis em 56 cidades brasileiras, com base em anúncios publicados na internet. De acordo com o levantamento, nenhum dos municípios monitorados registrou queda nos preços.
Entre as capitais monitoradas, João Pessoa (PB) aparece logo atrás de Salvador, com alta de 15,15%. Na sequência estão Vitória (15,13%), São Luís (13,91%) e Fortaleza (12,61%). (veja a lista completa no final desta reportagem)
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Na outra ponta, os menores avanços ocorreram em Brasília (4,05%), Goiânia (2,55%) e Aracaju (2,23%). Na prática, essas cidades registraram queda real, já que os reajustes ficaram abaixo da inflação estimada em 4,18% para o período. (entenda mais abaixo)
Veja a variação das capitais:
Avanço nos preços dos imóveis residenciais em 2025, segundo o FipeZAP.
Arte/g1
Veja os vídeos em alta no g1:
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Dados nacionais
Comprar um imóvel residencial ficou, em média, 6,52% mais caro em 2025, segundo o FipeZAP. O resultado representa a segunda maior alta anual dos últimos 11 anos, ficando atrás apenas de 2024, quando os valores avançaram 7,73%.
O aumento superou a inflação ao consumidor em 2025, estimada em 4,18% pelo FipeZAP com base no IPCA acumulado até novembro e no IPCA-15 de dezembro. Os cálculos apontam uma alta real (descontada a inflação) de 2,24% nos imóveis.
Paula Reis, economista do Grupo OLX, explica que o aumento está relacionado ao desempenho da economia brasileira, que deve fechar 2025 com bons resultados, especialmente no mercado de trabalho.
"O efeito da alta dos juros [atualmente em 15% ao ano] foi parcialmente compensado pelo aumento da renda em geral. O financiamento imobiliário ficou mais caro, mas continuou cabendo no orçamento de parte das famílias", diz.
A taxa de desemprego no Brasil foi de 5,2% no trimestre terminado em novembro, mostrou a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Essa é a menor taxa de desocupação da série histórica, iniciada em 2012.
Já o Produto Interno Bruto (PIB) — que terá o resultado oficial de 2025 divulgado em março — superou as projeções do mercado. No início do ano, a previsão era de uma alta na casa dos 2,04%. Agora, espera-se um crescimento em torno de 2,3%.
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Caixa volta a permitir mais de um financiamento ao mesmo tempo; entenda
Preço de venda
O preço médio de venda de imóveis residenciais, calculado para as 56 cidades, foi de R$ 9.611/m², segundo dados de dezembro. Considerando essa base, um apartamento de 50 metros quadrados custou, em média, R$ 480,5 mil.
Os imóveis de um dormitório registraram preço médio de venda superior aos de dois dormitórios. Eles foram negociados a R$ 11.669/m², contra R$ 8.622/m².
A cidade mais cara da lista é Balneário Camboriú (SC), onde o metro quadrado do imóvel custa, em média, R$ 14.906. No caso de uma residência de 50 metros, por exemplo, o valor no município é de R$ 745,3 mil.
Quando consideradas as 22 capitais brasileiras medidas pelo índice, Vitória (ES) lidera: R$ 14.108/m². Em seguida, estão Florianópolis (R$ 12.773/m²) e São Paulo (R$ 11.900/m²).
A cidade com o metro quadrado mais barato é Pelotas (RS), custando R$ 4.353, em média. Com isso, um imóvel de 50m² custaria em torno de R$ 217,6 mil.
Veja o preço médio de venda nas capitais (m²), em dados de dezembro.
Vitória: R$ 14.108
Florianópolis: R$ 12.773
São Paulo: R$ 11.900
Curitiba: R$ 11.686
Rio de Janeiro: R$ 10.830
Belo Horizonte: R$ 10.642
Maceió: R$ 9.836
Brasília: R$ 9.754
Fortaleza: R$ 8.963
São Luís: R$ 8.617
Recife: R$ 8.446
Belém: R$ 8.341
Goiânia: R$ 8.139
Salvador: R$ 7.972
João Pessoa: R$ 7.970
Porto Alegre: R$ 7.505
Manaus: R$ 7.189
Cuiabá: R$ 6.801
Campo Grande: R$ 6.330
Natal: R$ 6.146
Teresina: R$ 5.789
Aracaju: R$ 5.282
Preço médio entre as 56 cidades monitoradas: R$ 9.611
Mega-Sena pode pagar R$ 3,5 milhões nesta terça-feira

Como funciona a Mega-sena
O concurso 2.956 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 3,5 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (6), em São Paulo.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
No concurso especial realizado em 1º de janeiro, a Mega da Virada pagou R$ 1,09 bilhão. Seis apostas vencedoras levaram R$ 181.892.881,09 cada.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Investidor anônimo lucra cerca de R$ 2 milhões ao prever derrubada de Maduro

Veja os vídeos que estão em alta no g1
Um investidor anônimo lucrou cerca de US$ 410 mil, o equivalente a R$ 2,22 milhões, ao apostar na derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma plataforma de mercado de previsão.
➡️ O ganho ocorreu porque ele comprou os contratos quando eles ainda estavam muito baratos, antes da divulgação da operação militar dos Estados Unidos que levou à prisão do líder venezuelano.
O investidor operou na plataforma Polymarket, que permite apostas sobre eventos do mundo real. Ele comprou contratos ligados à destituição de Maduro ainda na sexta-feira (2), quando o mercado atribuía baixa probabilidade a esse desfecho, conforme divulgado a agência de notícias Reuters.
Antes do fim de semana, o conjunto dessas apostas valia cerca de US$ 34 mil.
Após a divulgação da operação militar dos Estados Unidos e da prisão de Maduro, o preço dos contratos subiu rapidamente. Com isso, o valor da posição do investidor aumentou de forma expressiva, gerando um lucro estimado em US$ 410 mil, segundo dados da Polymarket.
AGU pede investigação sobre investidores com informação privilegiada do tarifaço de Trump
A valorização ocorreu porque esses contratos pagam US$ 1 quando o evento previsto se confirma. Quem compra quando o preço está baixo e acerta o resultado obtém um retorno elevado em pouco tempo. Foi o que aconteceu neste caso, já que o investidor entrou antes da notícia se tornar pública.
A prisão de Maduro também impactou os mercados financeiros. Na manhã de segunda-feira (5), os principais índices de ações subiram. Os preços do petróleo avançaram, e ações de empresas do setor de energia registraram ganhos após o fim de semana.
Os títulos da dívida da Venezuela também subiram. Esses papéis vinham sendo negociados a preços baixos por causa do calote do país.
Com a mudança no cenário político, investidores passaram a considerar a possibilidade de uma reestruturação da dívida. Títulos emitidos pelo governo venezuelano e pela estatal Petróleos de Venezuela, a PDVSA, tiveram alta de até 10 centavos de dólar, o que representa quase 30% em alguns casos.
A operação financeira deve ser analisada por autoridades nos Estados Unidos. Parlamentares discutem medidas para restringir o uso de informações privilegiadas em mercados financeiros e plataformas de apostas.
Após a divulgação das informações sobre a prisão de Maduro, o deputado democrata Ritchie Torres afirmou que pretende apresentar um projeto de lei ainda nesta semana.
A proposta deve proibir autoridades eleitas, parlamentares e funcionários federais de fazer apostas em plataformas de mercado de previsão, devido ao risco de acesso antecipado a informações sensíveis.
Os registros da Polymarket mostram que a conta anônima foi criada no mês passado. Em 27 de dezembro, o investidor comprou contratos no valor de US$ 96 que renderiam lucro caso os EUA realizassem uma operação militar na Venezuela até 31 de janeiro. Nos dias seguintes, ele fez novas apostas do mesmo tipo, sempre quando os preços ainda estavam baixos.
Mercados de previsão como a Polymarket funcionam com contratos simples de “sim” ou “não”. Os usuários apostam em eventos ligados a esportes, entretenimento, política e economia. Quando o evento acontece, o contrato paga US$ 1. Caso contrário, perde o valor.
Em setembro, a Polymarket recebeu autorização da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA, a CFTC, para retomar operações no país. A liberação ocorreu após a compra da QCEX, uma bolsa de derivativos e câmara de compensação licenciada pela CFTC, por US$ 112 milhões. A CFTC não informou se abriu investigação sobre negociações ligadas à prisão de Maduro.
A Polymarket já foi alvo de questionamentos sobre possível uso de informações privilegiadas. Embora americanos não tenham acesso oficial à plataforma principal, alguns investidores utilizam redes privadas virtuais, as VPNs, para acessar o serviço.
Até a publicação desta reportagem, a Polymarket não se manifestou sobre o caso.
Nicolás Maduro a bordo do navio USS Iwo Jima, em foto compartilhada por Trump.
REUTERS
Morre o pesquisador que é considerado 'pai' do feijão Carioquinha

Feijão Carioquinha
Foto de Arina Krasnikova
O pesquisador Luiz D’Artagnan de Almeida, considerado o "pai" do feijão Carioquinha, morreu na última sexta-feira (2) em Campinas, informou o Instituto Agrônomo (IAC) do estado de São Paulo.
Ele foi o responsável por dar o aval para essa variedade de feijão, em 1969. Por isso, ganhou o apelido de "pai do Carioquinha", que acabou se tornando o tipo mais consumido no país.
Esse feijão é resultado do cruzamento natural de outras variedades do grão. Segundo o IAC, o novo tipo foi apresentado ao instituto em 1966, pelo engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes.
A partir daí, D’Artagnan chefiou os testes para avaliar o potencial agronômico e culinário da variedade, o que culminou no seu lançamento, três anos depois.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
"Foram feitos testes e foi observado que a variedade era mais resistente a doenças e mais produtiva", contou pesquisador do IAC, Alisson Fernando Chiorato, ao Globo Rural, em 2016.
O feijão carioca é o tipo preferido pelos brasileiros, representando 66% do consumo nacional, segundo o IAC.
Luiz D’Artagnan de Almeida, pai do feijão Carioquinha
Divulgação
Leia também: Áreas de arroz e feijão param de cair, após perderem espaço para soja e milho por 16 anos
Por que 'Carioca'?
O nome da variedade mais popular de feijão do Brasil surgiu devido a sua semelhança com uma raça de porco, há quase 50 anos, em uma fazenda no interior de São Paulo.
A característica marrom-rajada do grão foi associado a coloração de uma raça de porco criada na região conhecida como “Carioca” — que também tem uma pelagem marrom clara e manchas escuras.
Desde a descoberta do feijão carioca, já foram desenvolvidas 42 variações de feijão do mesmo tipo, segundo o Instituto.
As sementes do sertão que resistem a secas
Mega da Virada 2025: um vencedor do bolão de Franco da Rocha ainda não buscou prêmio

Seis apostas vão dividir o maior prêmio da história da Mega da virada
Um dos vencedores da Mega da Virada 2025 que participou de um bolão registrado em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, ainda não procurou a Caixa Econômica Federal para receber o prêmio de mais de R$ 10 milhões, referente à sua cota no jogo que acertou as seis dezenas.
Segundo a Caixa, o bolão tinha 18 cotas e 17 ganhadores já compareceram para sacar o dinheiro. Apenas uma pessoa (ou grupo responsável pela cota) ainda não se apresentou. O prazo para resgate do prêmio é de 90 dias após o sorteio, realizado em 1º de janeiro de 2026, e termina em 1º de abril.
Caso o valor não seja retirado até essa data, o dinheiro será repassado ao Tesouro Nacional e destinado ao Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).
O bolão de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, que foi uma das seis apostas vencedoras da Mega da Virada 2025 tinha 14 números e foi montado pelo próprio dono da lotérica. Eram 18 cotas, no valor individual de R$ 1.351,34. Elas vão dividir R$ 181.892.881,09, e cada uma levará pouco mais de R$ 10 milhões.
Segundo a Caixa, os apostadores das apostas individuais contempladas com o prêmio principal (6 acertos) da Mega da Virada 2025, registradas nas cidades de Belo Horizonte (MG) (canal eletrônico), Rio de Janeiro (RJ) (canal eletrônico), São Paulo (SP) (canal eletrônico), já se apresentaram para o recebimento do prêmio.
O ganhador da aposta simples realizada em João Pessoa (Paraíba) ainda não compareceu para o recebimento do prêmio.
Em relação ao bolão de 10 cotas registrado na cidade de Ponta Porã (MS): todos os apostadores já se apresentaram para o recebimento do prêmio.
Bolão com 18 cotas foi um dos acertadores da Mega da Virada 2025
Reprodução
Como foi feita a aposta de Franco da Rocha
Valdeir da Silva Pereira, de 61 anos, proprietário da Lotéria Estrela de Bertioga, que fica no centro da cidade, conta que fez o bolão no dia 1º de novembro. O jogo com 14 números custa R$ 18.018,00 - por isso, ele separou a aposta em 18 cotas — cada uma sai R$ 1.001 mais a tarifa de serviço de R$ 350,34.
Ele mandou, então, o bilhete num grupo de Whatsapp que tem com cerca de 50 clientes, mas apenas alguns compraram cotas. As demais foram vendidas diretamente no balcão da lotérica ao longo das semanas seguintes - sendo que a última só saiu dias antes do sorteio.
Na segunda-feira (29), ainda tinha essa última cota disponível. Eu ia viajar à tarde e pensei: 'Se ninguém comprar até lá, vou ficar com ela para mim', mas aí apareceu um cliente, viu os números e falou: 'Esse jogo é meu'.
Os números escolhidos são os que Valdeir costuma usar em jogos particulares dele e se referem a informações pessoais dele e da família, como datas de nascimento e dia de casamento. "Desta vez, pensei: vou jogar num bolão. E deu certo!", diz.
Depois do sorteio, o grupo de clientes no Whatsapp ficou alvoroçado e teve muita gente lamentando não ter comprado nenhuma cota.
O dia também amanheceu mais movimentado nesta sexta (2) na lotérica com pessoas querendo fazer uma fézinha. Proprietário do local há 13 anos, Valdeir garante ser pé quente: "Aqui já tinham saído algumas quinas da Mega e o prêmio principal da Lotofácil. E espero continuar com essa sorte".
Dono da lotérica de Franco da Rocha com funcionários e bilhete premiado na Mega da Virada
Arquivo pessoal
Números sorteados
Após adiar o sorteio da Mega da Virada 2025 por problemas técnicos, a Caixa divulgou, na manhã de quinta-feira (1º), as dezenas que garantiram o maior prêmio da história da loteria: R$ 1,09 bilhão.
👉 Veja os números sorteados: 09 - 13 - 21 - 32 - 33 - 59
Números sorteados da Mega da Virada 2025
reprodução/Caixa
Além dos vencedores do prêmio principal, 3.921 apostas acertaram a quina e vão levar R$ 11.931,42 cada. Já os 308.315 ganhadores da quadra vão embolsar R$ 216,76 cada um.
As casas lotéricas que registraram os vencedores do prêmio máximo estão localizadas nas seguintes cidades:
João Pessoa (PB), com 1 aposta vencedora;
Ponta Porã (MS), com 1 aposta vencedora, com 10 cotas de um bolão;
Franco da Rocha (SP), com 1 aposta vencedora, com 18 cotas de um bolão.
As outras três apostas vencedoras foram registradas de forma eletrônica, sem a necessidade de uma casa lotérica física.
Saiu o resultado da Mega da Virada 2025
Veja abaixo perguntas e respostas sobre a Mega da Virada:
O que causou o atraso da Mega da Virada 2025?
Quais as chances de levar a bolada?
Existem bolinhas mais leves que outras?
Como o valor do prêmio é estipulado?
Veja os dez maiores prêmios da Mega da Virada
Como resgatar o prêmio?
Como foi o sorteio de 2024?
O que causou o atraso da Mega da Virada 2025?
A Caixa informou, após uma hora de atraso, que o sorteio da Mega da Virada 2025 seria realizado somente no dia 1° de janeiro de 2026.
O sorteio estava previsto para as 22h da última quarta-feira (31), com transmissão ao vivo pelas páginas da instituição nas redes sociais.
O prêmio, agora confirmado no valor de R$ 1,09 bilhão, gerou um movimento inédito nos canais de aposta, que chegou a 120 mil transações por segundo no canal digital e 4.745 transações por segundo nas unidades lotéricas.
Antes do sorteio da Mega da Virada 2025, outros jogos também sofreram atrasos. Às 17h11 do dia 31, o apresentador Pereira Júnior informou que Quina, Lotofácil, +Milionária, Lotomania e Super Sete teriam seus resultados divulgados mais tarde.
Às 23h25, durante a divulgação dos números da Mega da Virada, a apresentadora Nadiara Pereira informou que todos os sorteios serão realizados nesta quinta-feira.
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Quais as chances de levar a bolada?
Desde a primeira edição, em 2009, a Mega da Virada já contemplou 130 apostas que acertaram as seis dezenas. Os números mais sorteados ao longo da história são:
10 → 5 vezes
5, 33 e 36 → 4 vezes cada
3, 17, 20, 29, 34, 41, 56 e 58 → 3 vezes cada
A chance de acertar depende da quantidade de números escolhidos e do valor da aposta. Em uma aposta simples, com seis números, a probabilidade de ganhar o prêmio principal é de uma em mais de 50 milhões, segundo a Caixa Econômica Federal.
Ao apostar com 20 números, as chances aumentam para uma em 1.292. Veja a tabela abaixo:
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Existem bolinhas mais leves que outras?
Segundo a Caixa, todas as bolinhas utilizadas nos sorteios das Loterias são fabricadas em borracha maciça e possuem o mesmo peso e diâmetro, de 66 gramas e 50 milímetros, respectivamente.
"Essas características são verificadas regularmente para garantir a imparcialidade do processo", informou o banco.
A análise técnica das bolas utilizadas é realizada periodicamente, por um instituto de metrologia especializado, "para atestar a integridade e aleatoriedade dos sorteios, garantindo que cada bola possui a mesma condição física e a mesma probabilidade de ser sorteada", disse a Caixa.
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Como o valor do prêmio é estipulado?
Segundo a Caixa Econômica Federal, a maior parte do prêmio é formada pela arrecadação das apostas do próprio sorteio.
O valor da Mega da Virada também é reforçado pelos prêmios regulares acumulados ao longo do ano.
Na edição de 2025, estima-se que mais de R$ 1 bilhão seja destinado a programas sociais. Ao apostar, o brasileiro ajuda a financiar áreas essenciais como esporte, educação, cultura, segurança e seguridade social.
Pela legislação vigente, quase metade da arrecadação das Loterias Caixa é destinada a esses repasses. Mais detalhes podem ser consultados no site oficial das Loterias Caixa.
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Os maiores prêmios já pagos
2024: R$ 635,4 milhões
2023: R$ 588,8 milhões
2022: R$ 541,9 milhões
2021: R$ 378,1 milhões
2020: R$ 325,2 milhões
2017: R$ 306,7 milhões
2019: R$ 304,2 milhões
2018: R$ 302,5 milhões
2014: R$ 263,2 milhões
2015: R$ 246,5 milhões
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Como resgatar o prêmio?
O ganhador poderá retirar o prêmio em uma agência da Caixa. Para valores iguais ou superiores a R$ 10 mil, o pagamento ocorre em no mínimo dois dias úteis após a apresentação do vencedor na agência.
É necessário apresentar o bilhete premiado ou o comprovante da aposta, junto com um documento de identificação com foto e CPF.
A Caixa orienta que, caso o bilhete tenha sido emitido em uma lotérica, o ganhador deve preencher seus dados no verso antes de sair de casa.
Os dados exigidos são: nome completo, número do documento de identificação e CPF. Assim, segundo a instituição, o apostador assegura que ninguém mais retire o prêmio.
O prazo para retirada do prêmio é de 90 dias corridos após a data do sorteio. Depois disso, o valor é destinado ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).
Para prêmios de até R$ 2.112,00, como nos demais concursos, o pagamento pode ser feito diretamente nas casas lotéricas.
Mega da Virada paga o maior prêmio da história em 2023
Edi Sousa/Ato Press/Estadão Conteúdo
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Como foi o sorteio de 2024?
O sorteio foi realizado na noite de 31 de dezembro, com prêmio de R$ 635.486.165,38.
Os números sorteados foram: 01 - 17 - 19 - 29 - 50 - 57
8 apostas acertaram os seis números. O prêmio foi de R$ 79.435.770,67 para cada;
2.201 apostas acertaram cinco números. O prêmio foi de R$ 65.895,79 para cada.
190.779 apostas acertaram quatro números. O prêmio foi de R$ 1.086,04 para cada.
Veja de onde são os ganhadores do prêmio máximo:
Brasília (DF), com 2 apostas vencedoras
Nova Lima (MG), com 1 aposta vencedora
Curitiba (PR), com 2 apostas vencedoras
Pinhais (PR), com 1 aposta vencedora
Osasco (SP), com 1 aposta vencedora
Tupã (SP), com 1 aposta vencedora
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Volvo convoca recall do EX30 por risco de incêndio na bateria; veja se seu carro está na lista

Volvo convoca recall do EX30 por risco de incêndio na bateria
A Volvo anunciou um programa de recall para o seu carro mais barato à venda no Brasil: o Volvo EX30.
Em nota, a Volvo informou que uma falha na produção das células da bateria do veículo pode provocar curto-circuito, causando “superaquecimento do componente, o que, em situações extremas, pode acarretar risco de combustão da bateria de alta tensão”.
A solução adotada neste momento é a limitação da recarga da bateria, que não poderá ultrapassar 70%. Com isso, a autonomia informada pela Volvo, de 338 km com carga completa, será reduzida em 30%, chegando a 236,6 km.
Além da medida provisória, que reduz a autonomia do Volvo EX30, a marca informou que está desenvolvendo uma correção permanente.
“Paralelamente, a solução técnica definitiva para o defeito identificado encontra-se em desenvolvimento e será oportunamente implementada”, disse a marca em nota.
Quais veículos estão na lista?
O recall abrange unidades do Volvo EX30 nas versões Single Motor Extended Range e Twin Motor, dos anos-modelo 2024 a 2026. São elas:
Volvo EX30
divulgação/Volvo
Data de fabricação: de 06/09/2024 à 25/10/2025;
Chassis não sequenciais envolvidos: YV12ZEL82RS000462 à YV12ZELA9TS178122.
O procedimento pode ser realizado em uma concessionária da Volvo, com agendamento prévio pelo telefone 0800-878-1176 ou pelo site oficial de recalls da marca. O tempo estimado para aplicar a limitação de recarga é de uma hora.
Também é possível realizar a limitação diretamente no veículo, sem a necessidade de visita à concessionária. Nesse caso, o proprietário deve seguir as orientações do suporte da Volvo.
Exportadoras de grãos deixam a Moratória da Soja

Plantio de soja
TV Morena
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) comunicou nesta segunda-feira (5) que as principais empresas de comercialização estão deixando o acordo da Moratória da Soja.
➡️O que é a Moratória da Soja? É um pacto de adesão voluntária entre as empresas compradoras da oleaginosa, que está em vigor há quase 20 anos e proíbe a aquisição do grão cultivado de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, visando preservar a floresta.
A agência Reuters já havia reportado, no fim de dezembro, que algumas das maiores "tradings" de soja do mundo estavam se preparando para romper o acordo, numa tentativa de preservar benefícios fiscais no Mato Grosso.
Isso porque, a partir deste ano, o estado passará a retirar incentivos fiscais de empresas que participam do programa de conservação.
Lei do Mato Groso pode enfranquecer moratória da soja na Amazônia
O Mato Grosso é o maior produtor de soja no Brasil, respondendo por cerca de 30% da colheita na safra 2024/25, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O estado faz parte da chamada Amazônia legal, que abrange oito estados (todos os da Região Norte e o Mato Grosso), além de parte do Maranhão.
Integrantes da Abiove, a norte-americana ADM, a Bunge e a Cargill, além da chinesa Cofco e da brasileira Amaggi, eram signatárias do pacto e possuem unidades em Mato Grosso que se beneficiam de incentivos fiscais estaduais.
Ainda em dezembro, a Reuters reportou que a ADM e Bunge foram as maiores beneficiárias, recebendo cerca de R$ 1,5 bilhão cada uma, segundo Sérgio Ricardo, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso.
A lei que retira incentivos das empresas que aderirem a acordos como a Moratória é alvo de uma ação de inconstitucionalidade que ainda será analisada pelo Supremo Tribunal Federal.
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao STF o adiamento da entrada da lei estadual em vigor, atendendo a uma solicitação do Ministério do Meio Ambiente.
Repercussão
Além da Abiove, fazem parte da Moratória da Soja a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e organizações ambientais como o Greenpeace, WWF e Imaflora.
A Abiove afirmou nesta segunda que a Moratória, criada em 2006, "cumpriu seu papel histórico ao longo de quase duas décadas, deixando um legado incontestável que consolidou o Brasil como referência global em produção sustentável".
"O legado de monitoramento e a expertise adquirida ao longo de quase 20 anos não serão perdidos. Haverá, individualmente, o atendimento às rigorosas demandas dos mercados globais", completou a associação.
Em nota, a Anec disse que respeita a posição da Abiove e das suas associadas "que se encontram sob a pressão decorrente da entrada em vigor da Lei nº 12.709/2024, do Estado do Mato Grosso".
Contudo, destacou que o tema continua sob julgamento do STF e que existe uma pressão do mercado internacional por soja que não venha de área desmatada da Amazônia.
Greenpeace, WWF e Imaflora destacaram que a decisão das empresas não extingue ou invalida a Moratória da Soja, cuja legitimidade é reconhecida pelo STF.
"A decisão dessas empresas enfraquece um dos instrumentos mais eficazes de combate ao desmatamento no país e expõe o próprio agronegócio a riscos crescentes, ao comprometer a integridade das florestas das quais dependem a estabilidade climática e os regimes de chuva essenciais à produção agrícola", disse o WWF.
Segundo o Greenpeace, entre 2009 e 2022, municípios monitorados pela Moratória reduziram o desmatamento em 69%, enquanto a área plantada de soja na Amazônia cresceu 344%.
"Apenas 3,4% da soja produzida hoje no bioma está fora das regras do acordo, um dado-chave para acesso a mercados exigentes como a União Europeia", afirmou a organização. A soja brasileira tem sido alvo de polêmicas na UE nos últimos anos (saiba mais).
A Abiove disse confiar nas autoridades brasileiras para a plena implementação de um novo marco regulatório, de modo que sejam preservados os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, bem como a segurança e credibilidade ao produto brasileiro perante os seus mercados consumidores.
Disputa na esfera federal
Em 2025, a Moratória também foi alvo de disputa no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em processos que discutiam a validade do pacto.
Em setembro, o órgão havia decidido que a moratória seria encerrada em janeiro de 2026. Mas, em novembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu todas as ações e processos, judiciais e administrativos, que discutem a legalidade da Moratória.
A medida vale até o julgamento definitivo do tema pelo STF.
Polêmicas na Europa
O Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo. A China é o maior cliente no exterior, mas o mercado europeu tem um peso grande na exportação de farelo de soja, usado para ração.
E o grão brasileiro já foi alvo de críticas de países da UE, como a França. Em 2021, o presidente francês, Emanuel Macron, postou em suas redes sociais que "continuar dependendo da soja brasileira é endossar o desmatamento da Amazônia". Ele não apresentou dados que sustentassem a afirmação.
Em 2024, um executivo da Danone dizer que a multinacional francesa não compraria mais a soja nacional. Depois, empresa negou.
Na ocasião, produtores, indústria e ambientalistas brasileiros destacaram que a produção nacional segue regras de sustentabilidade, sobretudo na Amazônia, citando inclusive a Moratória.
Naquela época estava para entrar em vigor uma lei da União Europeia que proíbe a importação de produtos vindos de áreas que foram desmatadas depois de dezembro de 2020. Conhecida como European Union Deforestation Regulation (EUDR), essa lei acabou passando por diversos adiamentos e ainda não está valendo.
Em setembro passado, grandes supermercados e varejistas europeus publicaram uma carta pedindo que as empresas globais de comercialização de grãos (tradings) não comprassem soja de área desmatada no Brasil. O comunicado foi feito após a decisão do Cade de suspender o acordo a partir de janeiro — o que acabou sendo indeferido pelo STF.
O tema também é levantado nas discussões sobre o acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul, que poderia ter sido assinado no fim do ano e foi adiado.
Opositores do acordo, liderados pela França, argumentam que a produção de alimentos no Mercosul não segue os mesmos padrões ambientais, sociais e sanitários exigidos na Europa. Isso tem sido rebatido pelo bloco sul-americano.
Crise dos chips: impacto no preço de celulares e produtos é inevitável, diz Samsung

Crise da memória RAM pode deixar celulares, notebooks e até carros mais caros no Brasil
Celulares, TVs e outros produtos eletrônicos podem ficar mais caros por causa da crise global de chips de memória RAM, afirmou TM Roh, CEO da Samsung.
Essencial para o funcionamento desses dispositivos, a memória RAM está em falta no mercado, o que tem elevado os custos de produção.
Especialistas ouvidos pelo g1 já haviam alertado, em dezembro, que celulares e outros eletrônicos podem ficar mais caros em 2026 por causa desse cenário.
"Como esta situação é sem precedentes, nenhuma empresa está imune ao seu impacto", disse Roh em entrevista à agência Reuters.
Na entrevista, o executivo não descartou o aumento dos preços de produtos como telefones celulares, TVs e eletrodomésticos e afirmou ser "inevitável" que eles sofram algum impacto.
Ao mesmo tempo, Roh afirmou que a Samsung, maior fabricante de TVs do mundo, trabalha em estratégias de longo prazo com parceiros para reduzir os efeitos da crise.
Samsung Galaxy S25 FE, lançado em 2025
Darlan Helder/g1
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🤔 O que é a memória RAM
A memória RAM, sigla para Random Access Memory, armazena temporariamente os dados que o dispositivo está usando naquele momento.
Ao abrir um aplicativo ou jogo, as informações necessárias para seu funcionamento ficam na RAM. Quando o aparelho é desligado, esses dados são apagados, o que faz da RAM uma memória de curto prazo.
💾 Entenda a diferença entre memória RAM e armazenamento
A memória RAM é medida em Megabytes (MB) ou em Gigabytes (GB). Quanto maior a quantidade, melhor tende a ser o desempenho. Um celular com 12 GB de RAM, por exemplo, consegue executar mais tarefas ao mesmo tempo do que um com 3 GB.
Embora seja mais associada a celulares e computadores, a memória RAM também está presente em outros dispositivos do dia a dia, como:
🤳 smart TVs;
📱 tablets;
🎮 consoles de videogames;
⌚ relógios inteligentes;
🧹 aspiradores robô;
🚗 carros;
🖨️ impressoras.
Mercado concentrado em IA
O avanço da inteligência artificial está no centro dessa crise. Fabricantes passaram a direcionar investimentos e produção para chips mais avançados,usados em data centers de IA, reduzindo a oferta de memórias tradicionais.
Segundo Paulo Vizaco, diretor da Kingston no Brasil, os investimentos pesados em chips de inteligência artificial e grandes data centers reduziram a disponibilidade de componentes para a fabricação de memória RAM.
Vizaco afirma que as fabricantes passaram a priorizar memórias mais avançadas, usadas em data centers de IA, por serem mais lucrativas. Como resultado, a produção de modelos mais antigos caiu e os estoques diminuíram.
Preço maior ou memória menor
Com menos unidades disponíveis, a escassez dos chips pode gerar dois efeitos principais, segundo especialistas:
👎levar empresas a vender produtos com menos memória do que o ideal;
💰 encarecer dispositivos, como citado no início da reportagem.
O g1 pesquisou o preço de uma memória RAM DDR4 de 16 GB da linha Corsair Vengeance RGB Pro. Na plataforma de comparação de preços Zoom, o produto custava R$ 650 em 10 de novembro. A partir de 2 de dezembro, o valor passou a R$ 1.599, uma alta de cerca de 146%.
Valor de memória RAM passou de R$ 650 para R$ 1.590 em poucas semanas.
Reprodução/Zoom
No Brasil, o impacto pode ser ainda maior por causa de fatores como câmbio, impostos e custos logísticos, segundo Márcio Andrey Teixeira, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE).
Vizaco afirma ainda que consumidores podem começar a ver celulares com configurações mais simples sendo vendidos pelo mesmo preço de antes.
Em evento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), no início de dezembro, Mauricio Helfer, diretor da Dell no Brasil e que faz parte da entidade, afirmou que "setores como o de tecnologia e o automotivo correm o risco de sentir esses impactos, especialmente a partir de 2026".
"No passado, a escassez era pontual e ligada a problemas de produção em fábricas, agora temos um novo cenário devido à IA", completa Mauricio.
Cenário incerto
Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, a crise pode se estender por alguns anos.
Paulo Vizaco, da Kingston, afirma que o cenário ainda é incerto. "Tudo é muito novo [o crescimento rápido da IA e o aumento da demanda]. Será preciso acompanhar o mercado com atenção", diz.
"Os preços já subiram nas últimas semanas. No médio prazo, precisaremos acompanhar o comportamento do mercado para entender o que irá acontecer. Na Kingston, nosso planejamento de longo prazo atua justamente para minimizar esses problemas e manter o abastecimento no Brasil o mais estável possível durante esse período", diz Vizaco.
A SK Hynix, fabricante sul-coreana de chips, afirmou a analistas que a escassez de memória pode durar até o fim de 2027, segundo a Reuters.
Ainda de acordo com a agência, um executivo do setor disse que o problema deve atrasar futuros projetos de data centers.
Memória RAM é uma características responsáveis por aumentar a velocidade do computador.
Michal A. Valasek/FreeImages
Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas
Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA

Os ataques dos Estados Unidos a Caracas e a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro deixaram a nação sul-americana num estado de incerteza.
O presidente Donald Trump anunciou, logo após a ação militar, que os EUA "governarão" a Venezuela até o país ter uma "transição segura", uma decisão que parece ter como motivo central a principal riqueza venezuelana: o petróleo.
"Vamos fazer com que nossas grandes empresas petrolíferas americanas, as maiores do mundo, entrem no país, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura gravemente danificada, a infraestrutura petrolífera, e comecem a gerar receita para o país", afirmou.
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Qual é a importância do petróleo para a Venezuela?
A economia da Venezuela é extremamente dependente do petróleo. O governo Maduro contava quase que exclusivamente com a commodity como fonte de receita para o Estado.
O petróleo bruto e produtos derivados representam cerca de 90% das receitas de exportação da Venezuela e ajudaram o governo Maduro a se manter no poder mesmo fortemente sancionado e isolado e em meio a uma grave crise econômica.
A Venezuela tem as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, com mais de 300 bilhões de barris – mais até do que a Arábia Saudita. No entanto, responde por menos de 1% da produção global de petróleo.
Para se ter uma ideia da derrocada da indústria venezuelana, essa parcela era superior a 10% da produção global na década de 1960. A produção de petróleo bruto caiu mais de 70% desde o final da década de 1990, e a Venezuela ocupa hoje o 21º lugar na lista de produtores globais.
O colapso remonta ao governo do ex-presidente Hugo Chávez. A revolução socialista dele, nas décadas de 1990 e 2000, deixou um legado de ampla corrupção na empresa estatal de petróleo, a PDVSA, e levou à saída dos investimentos estrangeiros do país devido à interferência do governo no setor petrolífero.
Vários acidentes em oleodutos e refinarias de petróleo ampliaram as dificuldades, enquanto as sanções dos EUA – intensificadas a partir de 2017 – limitaram ainda mais a capacidade de produção de petróleo da Venezuela.
A PDVSA estabilizou a produção em cerca de 1 milhão de barris por dia, em parte devido às licenças dos EUA que permitem a um número limitado de empresas estrangeiras operar na Venezuela e exportar petróleo.
Operação em Caracas, petróleo e julgamento em NY: 5 pontos-chave da captura de Maduro pelos EUA e dos próximos passos
Investimentos das petrolíferas dos EUA
Ao longo do século 20, os EUA foram um parceiro fundamental para o setor petrolífero venezuelano, com as principais empresas petrolíferas americanas investindo pesadamente no país sul-americano. Todas, exceto a Chevron, deixaram o país após a revolução de Chávez.
Apesar de as sanções terem afetado suas operações, a Chevron recebeu licenças especiais do governo do ex-presidente Joe Biden em 2022 para retomar as exportações de petróleo venezuelano sob condições estritas. A ideia era que o abrandamento das sanções à Venezuela aliviaria as pressões no mercado internacional de petróleo após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Em outubro deste ano, o governo Trump concedeu à Chevron uma nova autorização para produzir petróleo na Venezuela, argumentando que a empresa americana era um parceiro vital para Caracas.
Assim, a Chevron é a beneficiária mais óbvia e imediata de qualquer medida de Trump para permitir mais investimentos americanos na Venezuela, onde ela já emprega cerca de 3 mil pessoas. Após a captura de Maduro, a empresa comunicou que operaria em "total conformidade com todas as leis e regulamentos relevantes" e não fez comentários sobre possíveis planos de expansão.
Trump afirmou que grandes empresas petrolíferas americanas retornarão à Venezuela, o que poderia incluir a ExxonMobil e a ConocoPhillips.
A ExxonMobil, a maior empresa petrolífera dos EUA, teve seus ativos expropriados por Chávez em 2007. Os projetos da ConocoPhillips em Hamaca, Petrozuata e Corocoro também foram expropriados.
Ambas as empresas ganharam o direito a indenizações multimilionárias em arbitragem internacional, mas a Venezuela jamais as pagou. Essa é a base da reiterada alegação de Trump de "petróleo roubado".
"Nós construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, motivação e habilidade americanos, e o regime socialista roubou isso de nós durante esses governos anteriores, e eles roubaram isso à força", disse Trump. "Isso constituiu um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país."
A ConocoPhillips disse que está "monitorando os acontecimentos na Venezuela e suas possíveis implicações para o abastecimento e a estabilidade energética globais" e que seria prematuro especular sobre quaisquer atividades comerciais ou investimentos futuros.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 22 de dezembro de 2025
REUTERS/Jessica Koscielniak
EUA precisam mesmo do petróleo venezuelano?
Os Estados Unidos são de longe o maior produtor mundial de petróleo, então, à primeira vista, pode não parecer claro por que Trump está tão interessado no petróleo da Venezuela.
No entanto, a questão é o tipo de petróleo que os EUA produzem. Seu principal produto é o petróleo bruto leve, não o tipo mais pesado e viscoso que muitas de suas refinarias, especialmente na costa do Golfo do México, estão equipadas para refinar. As refinarias transformam o petróleo bruto em gasolina, diesel e outros produtos cruciais para a economia.
Embora os EUA sejam um grande produtor de petróleo bruto, eles ainda importam petróleo bruto pesado de países como Canadá e México para abastecer refinarias otimizadas para esse tipo de petróleo. Isso significa que grande parte do petróleo bruto produzido pelos EUA acaba sendo exportado.
"Usar os tipos certos de petróleo bruto mantém nossas refinarias eficientes, reduz os custos e mantém a segurança energética", explica a associação comercial American Fuel and Petrochemical Manufacturers (AFPM).
"Reequipar as refinarias para processar exclusivamente petróleo bruto dos EUA custaria bilhões – um investimento arriscado que levaria décadas para ser aprovado e construído e eventualmente valer a pena."
Embora a produção da Venezuela tenha caído drasticamente, o país abriga as maiores reservas globais de petróleo bruto pesado. Na verdade, por muitas décadas foi o petróleo bruto pesado venezuelano que abasteceu a indústria americana.
Isso torna um novo acesso ao petróleo venezuelano algo extremamente atraente para as empresas americanas.
Tudo vai se dar como Trump quer?
Existem enormes questões legais e logísticas sobre se o petróleo voltará ou não a fluir da Venezuela para os Estados Unidos.
Apesar de a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ter nesta segunda-feira (05/01) estendido a mão para o governo dos EUA para "trabalharem conjuntamente numa agenda de cooperação orientada ao desenvolvimento compartilhado", não está claro se o novo governo venezuelano vai de fato cooperar com os EUA na questão petrolífera.
Há ainda a situação da infraestrutura petrolífera da Venezuela. Dan Brouillette, ex-secretário de Energia dos EUA do primeiro governo Trump, afirma que, embora os primeiros relatórios sugiram que as instalações petrolíferas do país permaneçam intactas, não há garantia de que as enormes reservas da Venezuela possam ser exploradas rapidamente.
"A restrição nunca foi geológica, mas a governança, as sanções, o acesso a capital e a execução", afirmou. "Se a mudança política trouxer uma estabilização rápida e um poder credível sobre a PDVSA, a vantagem será um aumento gradual da oferta ao longo do tempo, e não um aumento repentino."
Apesar de algumas empresas petrolíferas estrangeiras terem permanecido na Venezuela, as sanções fizeram com que as instalações petrolíferas do país não recebessem os investimentos necessários para se manterem atualizadas. O volume necessário de novos investimentos poderá ficar mais claro nos próximos meses.
Outra questão importante é a demanda mundial por mais petróleo. Os preços caíram no último ano e devem cair ainda mais em 2026, em meio a um excesso de produção. Se a expectativa de Trump em relação ao petróleo da Venezuela se concretizar, isso levaria ainda mais petróleo a um mercado global já saturado.
E a China?
A China tem sido um importante parceiro político e econômico da Venezuela nas últimas duas décadas.
No setor petrolífero, a empresa chinesa CNPC tem uma joint venture com a PDVSA. A maior parte do petróleo produzido na Venezuela é enviado para a China. No entanto, a China não expandiu significativamente suas operações petrolíferas na Venezuela, mesmo com a quase ausência dos EUA.
Pequim criticou duramente a captura de Maduro pelos EUA como uma violação da soberania da Venezuela.
Sem citar caso Master, entidades do setor financeiro divulgam nota em defesa do BC: 'Plena confiança'

Onze entidades do setor financeiro, bancário, de meios de pagamento e do mercado capitais divulgaram nesta segunda-feira (5) nota de apoio aos processos de supervisão conduzidos pelo Banco Central, assim como à independência da autoridade monetária.
Neste início de ano, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho, determinou uma inspeção técnica em documentos referentes ao banco Master em poder do Banco Central.
Veja quem é quem no caso do Banco Master
A determinação do presidente do tribunal já vai ser cumprida logo, apesar de o tribunal ainda em recesso.
Sem citar o caso do banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, as entidades signatárias do manifesto, que representam 757 Instituições Financeiras, 689 cooperativas de crédito e 15 associações vinculadas, reiteraram que depositam plena confiança nas decisões técnicas do BC nos seus âmbitos de atuação regulatória e de fiscalização.
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Também defenderam que:
É imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, de forma a manter um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro;
O Banco Central brasileiro exerce esse papel, que inclui uma supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante.
Entre as entidades que assinaram o manifesto, estão a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a Associação Brasileira de Câmbio (Abracam) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
Antes de ser liquidado no ano passado pelo BC, o banco Master já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
Sede do Banco Central em Brasília
Jornal Nacional/ Reprodução
BNDES aprova R$ 500 milhões para a Toyota recuperar fábrica em SP e ampliar linha de híbridos flex

BNDES aprova R$ 500 milhões para a Toyota recuperar fábrica em SP
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, nesta segunda-feira (5), uma linha de crédito de R$ 500 milhões para a Toyota utilizar em sua planta no interior paulista.
Segundo nota divulgada pelo BNDES, o montante será destinado à aquisição bens feitos com ajuda do maquinário da indústria 4.0, que utiliza tecnologias digitais avançadas, como automação inteligente, robôs conectados e análise de dados em tempo real.
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“Ao apoiar investimentos como o da Toyota, estamos contribuindo para viabilizar o desenvolvimento de novos projetos e fortalecer a base nacional de fornecedores, ampliando o acesso de outras empresas a tecnologias inovadoras e impulsionando a modernização da indústria brasileira com mais competitividade, inovação e conteúdo nacional”, apontou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Atualmente já existe a promessa de lançamento de duas versões eletrificadas do Yaris Cross, com preços entre R$ 172.390 e R$ 189.990 — ambas em pré-venda.
Nelas, o Yaris Cross é equipado com motorização inédita no segmento: um sistema híbrido flex que combina um motor 1.5 a combustão com dois motores elétricos — um que atua como gerador de energia para a bateria e outro que auxilia na tração.
Esse conjunto é diferente do usado no Corolla e no Corolla Cross, que contam com um motor 1.8 flex nas versões híbridas, ambos com 122 cv.
Toyota ainda se recupera de vendaval que destruiu fábrica
Parte do crédito liberado nesta semana está focado na reconstrução da fábrica da Toyota na região de Sorocaba (SP). A planta foi danificada em 22 de setembro e 30 funcionários tiveram ferimentos leves e foram socorridos.
Segundo a Defesa Civil, a cidade registrou rajadas de vento de até 90 km/h em diferentes pontos. O telhado da empresa foi arrancado. A estrutura do telhado foi parar do lado de fora da empresa e em áreas que ficam a até seis quilômetros de distância.
Após a tempestade, a Toyota suspendeu a produção de motores em Porto Feliz (SP) no dia seguinte. A unidade fica entre as fábricas de Indaiatuba e Sorocaba e é fundamental para o funcionamento das demais fábricas, já que fornece os motores.
Fábrica de motores da Toyota é destelhada e carro é encontrado capotado após temporal
Redes Sociais
O incidente ocorreu em um momento de forte desempenho do Corolla Cross, que foi o SUV mais vendido no Brasil pelo segundo mês consecutivo em setembro, à frente de Honda HR-V e Volkswagen T-Cross.
Apesar dos danos estruturais no prédio, os equipamentos foram preservados.
“As máquinas tiveram apenas danos superficiais. Vamos transferi-las para outro local, na mesma área da fábrica de Porto Feliz, para evitar novos riscos”, explicou Evandro Maggio, presidente da companhia.
Maggio destacou que, apesar do impacto da tempestade, não houve fatalidades.
A retomada das fábricas da Toyota ocorre em meio aos planos de expansão e investimento da companhia. Como já foi divulgado pelo g1, a expectativa é que a fábrica de Indaiatuba seja desativada até julho de 2026.
Os carros que atualmente são produzidos em Indaiatuba passarão para uma nova unidade da marca, também localizada em Sorocaba. A fábrica, chamada de "Sorocaba 2", está em construção e será concluída no segundo semestre do ano que vem.
Na fábrica de Sorocaba 1, são produzidos o Corolla Cross e o Yaris para exportação. O Yaris Cross, que ainda terá o lançamento anunciado pela Toyota (veja abaixo), também será fabricado lá.
Fábrica da Toyota em Sorocaba (SP)
divulgação/Toyota
TCU confirma autorização de inspeção no Banco Central sobre liquidação do banco Master

TCU determina análise de documentos do Banco Central sobre Banco Master
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, formalizou nesta segunda-feira (5) a autorização para que seja feita uma inspeção no Banco Central (BC), com objetivo de investigar os procedimentos que envolveram a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Nesta manhã, o ministro relator do caso, Jhonathan de Jesus, determinou que a área técnica da Corte realize, "com máxima urgência", uma inspeção no BC.
Como adiantou o blog Valdo Cruz, do g1, a medida pretende verificar as provas documentais relacionadas aos fatos apresentados pela autoridade monetária, em resposta aos questionamentos sobre a liquidação do banco Master.
No despacho, ao qual o g1 teve acesso, o ministro destacou que a nota técnica encaminhada pelo Banco Central limitou-se a uma exposição simples da cronologia e dos fundamentos do caso, com remissões a processos e registros internos, sem o envio do conjunto de documentos necessário para a comprovação dos fatos relatados.
Entidades do setor bancário reagem à decisão do TCU que ameaça independência do BC no caso Banco Master
Jornal Nacional/ Reprodução
A inspeção deverá analisar, entre outros pontos, a evolução dos alertas e das medidas de supervisão adotadas diante de sinais de deterioração da instituição, bem como o tratamento dado a alternativas de mercado e à hipótese de uma “saída organizada”.
Segundo Vital do Rêgo, não "paira dúvida sobre a competência do TCU para fiscalizar o Banco Central".
"Nos arts. 70 e 71 da Constituição, o TCU é investido do controle externo da administração pública federal direta e indireta, abrangendo a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades, inclusive autarquias como o Banco Central", afirma o ministro.
"A fiscalização inclui a verificação da legalidade, legitimidade e economicidade dos atos de gestão pública, sem prejuízo da autonomia técnica e decisória do Banco Central", acrescentou.
No mesmo despacho, o ministro relator não afasta a possibilidade de adoção de medida cautelar, conforme já havia indicado na decisão que determinou a prestação de esclarecimentos pelo Banco Central sobre o processo de liquidação do Master.
Em outro trecho, o ministro relator comunica o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo em trâmite naquela Corte envolvendo o Master, para fins de ciência e de eventual prevenção em feitos futuros.
Análise no próprio BC
A inspeção foi determinada a pedido dos próprios técnicos, que querem ter acesso aos documentos que foram usados para elaborar o relatório encaminhado ao TCU sobre todo o histórico relacionado ao Master, desde o início da fiscalização dos problemas econômicos, descoberta de fraudes, negociações de eventual venda até a liquidação.
Como os documentos não foram anexados ao relatório, os técnicos querem analisá-los. Só que esses documentos não podem sair do Banco Central, por uma questão de sigilo.
Dessa forma, os técnicos do TCU irão ao BC para analisar toda a documentação dentro da própria autoridade monetária.
Ministro entendeu que liquidação foi 'precipitada'
Em meados de dezembro, o ministro Jhonatan de Jesus determinou que, no prazo de até 72 horas, o Banco Central (BC) apresentasse esclarecimentos relacionados a supostos indícios de liquidação "precipitada" do Banco Master pela autoridade monetária. Além disso, foi decretado sigilo sobre o processo.
A medida causou estranheza no mercado financeiro visto que o Banco Master é privado, não público.
No prazo estabelecido, o BC precisou explicar a fundamentação e motivação para a liquidação; alternativas menos gravosas; Tratativas e cronologia; e Coerência interna e governança decisória.
No despacho, o ministro apontou supostos indícios que poderiam configurar como irregularidades e omissões do BC na condução do processo do Master.
Ele vislumbra a possibilidade de, após as diligências, aplicar medida cautelar para que o Banco Central se abstenha de autorizar ou praticar atos que importem alienação, oneração, transferência ou desmobilização de bens de capital essenciais à preservação do valor da massa liquidanda e de outros ativos relevantes.
Instabilidade na Venezuela impulsiona cotações do ouro e da prata

Os preços do ouro e da prata avançaram nos mercados internacionais nesta segunda-feira (5), impulsionados pelo aumento da instabilidade política após a retirada do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos.
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Com o aumento das incertezas, o ouro voltou a ser procurado por investidores como ativo de proteção. O metal subiu 3%, cotado a US$ 4.459,50 por onça-troy (pouco mais de 31,1 gramas).
Já a prata registrou uma valorização ainda mais intensa: o preço subiu 7,63%, chegando a US$ 76,42.
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Ativos de segurança para os investidores
Em momentos de crise geopolítica, investidores costumam direcionar recursos para ativos considerados reserva de valor, vistos como uma forma de proteção em períodos de maior incerteza.
“Os investidores gostam de assumir riscos, mas querem ter uma proteção garantida. Trata-se de confiança com uma garantia, não de euforia”, afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management, à Associated Press.
Nesses momentos, ouro e prata tendem a ganhar destaque, sobretudo em ambientes de juros mais baixos.
Outros metais, como o cobre, também reagem ao cenário, influenciados tanto pela maior percepção de risco quanto pelo papel estratégico dos recursos naturais para a segurança energética e industrial.
Imagem de barra de ouro em foto de arquivo
REUTERS/Maxim Shemetov/File Photo
Petróleo volátil
Enquanto isso, os preços do petróleo fecharam em alta após o anúncio de Trump de que pretende abrir o setor de petróleo da Venezuela para grandes empresas americanas.
A commodity começou o dia em queda, mas passou a subir ao longo da sessão. Este foi o primeiro dia útil após os ataques em larga escala contra o país, realizados na madrugada de sábado (3).
No fim do dia, o petróleo tipo Brent avançou 1,63%, cotado a US$ 61,82 o barril. Já o petróleo americano, conhecido como WTI, subiu 1,80%, vendido por US$ 58,35 o barril.
A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou neste domingo (4) uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo diálogo, o fim das hostilidades e uma "agenda de colaboração", menos de 24 horas após a captura de Nicolás Maduro por uma operação militar norte-americana. (veja a íntegra)
Segundo analistas ouvidos pela agência France Presse, a situação reduz o risco de que o petróleo da Venezuela fique impedido de ser exportado por um longo período.
“Isso reduz a probabilidade de um bloqueio prolongado às exportações de petróleo do país, que podem voltar a fluir sem restrições em breve”, afirmou Bjarne Schieldrop, analista do banco SEB, à AFP.
Apesar de a Venezuela ter as maiores reservas de petróleo do mundo, o país produz pouco atualmente, cerca de um milhão de barris por dia.
Trump e Maduro
AP Photo/Evan Vucci; Reuters/Leonardo Fernandez
França vai suspender importação de frutas do América do Sul com agrotóxicos proibidos na Europa

O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu, que apresentou sua renúncia ao presidente francês esta manhã, faz uma declaração no Hotel Matignon em Paris, em 6 de outubro de 2025.
Reuters/Stephane Mahe/Pool
A França vai proibir a importação de frutas da América do Sul que contenham resíduos de cinco agrotóxicos proibidos na Europa: mancozeb, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim.
O anúncio foi feito no domingo (4) pela ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, e pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, em postagens das redes sociais.
"Tomei a decisão de suspender a entrada em nosso território de gêneros alimentícios que contenham resíduos de várias substâncias proibidas na Europa", disse Genevard, na manhã de domingo (4).
"Não podemos aceitar que substâncias banidas aqui reapareçam indiretamente por meio das importações. É uma questão de bom senso", complementou.
O primeiro-ministro francês disse que uma ordem sobre o tema será emitida nos próximos dias pela ministra da Agricultura. Além disso, detalhou quais frutas podem ser banidas.
"Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs da América do Sul ou de outros lugares não serão mais permitidos no território nacional", disse o primeiro-ministro francês.
"Uma brigada especializada realizará verificações reforçadas para garantir o cumprimento das nossas normas sanitárias", acrescentou.
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"Um primeiro passo para proteger nossas cadeias de suprimentos e nossos consumidores, e para combater a concorrência desleal, uma verdadeira questão de justiça e equidade para nossos agricultores".
Os quatro agrotóxicos citados pelo primeiro-ministro francês são liberados no Brasil, mas o g1 perguntou ao Ministério da Agricultura se o país utiliza essas substâncias na produção das frutas que devem ser atingidas.
Não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
O g1 fez os mesmos questionamentos à Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e aguarda posicionamento.
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Participação da França nas vendas de frutas do Brasil
A União Europeia é o principal destino das exportações de frutas do Brasil, mas a França, individualmente, tem baixa representatividade nesse mercado.
De janeiro a novembro de 2025, a UE comprou 58,7% do volume de frutas exportado pelo Brasil. No mesmo período, a França foi responsável por apenas 0,6% do total das exportações, mostram dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura.
Na UE, os maiores compradores de frutas brasileiras são os Países Baixos e a Espanha, que concentram 42% e 10,6% das vendas, respectivamente.
Apesar disso, as exportações para a França dispararam no último ano.
Entre janeiro e novembro de 2025, os embarques de frutas do Brasil para o país europeu aumentaram 42,4%, em volume, na comparação em igual período de 2024. Em valor, as vendas cresceram 53%.
Entre as frutas citadas pelo primeiro-ministro francês, a goiaba, a manga e o abacate são as mais vendidas pelo Brasil para os franceses. Ainda, assim, o país europeu representa pouco no total das exportações desses produtos.
De janeiro a novembro de 2025, a França respondeu por 12% do volume de goiaba exportado pelo Brasil, ocupando a posição de terceira maior compradora.
No mesmo período, o país europeu absorveu 5,7% das exportações brasileiras de abacate, figurando como o sexto principal destino do produto.
Já em outros mercados citados pelo primeiro-ministro — como manga, laranja, limão, uva e maçã — a participação francesa é inferior a 1%.
Pressão de agricultores franceses contra Mercosul
O anúncio do primeiro-ministro francês ocorre em meio ao adiamento do acordo entre União Europeia e Mercosul, que estava programado para o último mês de dezembro. A França, pressionada pelos agricultores do país, se opõe ao pacto nas condições atuais.
ENTENDA: Por que o acordo é alvo de tanta disputa no agro
O acordo comercial busca reduzir ou eliminar tarifas de importação e exportação entre os dois blocos (UE e Mercosul). Ele havia sido fechado em dezembro de 2024 entre a Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Agricultores protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul
No entanto, a pressão da França, apoiada nos últimos dias pela Itália, forçou o adiamento da assinatura para janeiro deste ano.
Mesmo assim, os produtores franceses continuaram protestando contra o governo e a União Europeia. Eles afirmam que o tratado prejudica setores agrícolas da Europa, principalmente os de carne bovina, aves, açúcar e soja.
No dia 19 de dezembro, dezenas de agricultores franceses despejaram esterco e outros resíduos em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron, em uma manifestação que incluiu a oposição ao acordo e outras reivindicações.
Na ocasião, um caixão com a frase “Não ao Mercosul” foi colocado em frente à mansão de tijolos vermelhos do presidente e de sua esposa, Brigitte Macron, na cidade litorânea de Le Touquet, no norte da França.
Um dia antes, agricultores franceses e de outros países protestaram em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, na Bélgica, enquanto os líderes dos 27 países realizavam a última cúpula de 2025.
Manifestantes queimaram pneus e atiraram batatas e objetos na polícia, que reprimiu o protesto.
UE espera assinar 'em breve' o acordo comercial com o Mercosul

A Comissão Europeia informou nesta segunda-feira (5) que os países europeus avançaram nas negociações para aprovar o acordo comercial com o Mercosul e que a assinatura deve acontecer em breve, segundo informações da agência France Presse.
A porta-voz da União Europeia, Paula Pinho, não confirmou a data de 12 de janeiro, que vinha sendo citada como possível para a assinatura do acordo. No entanto, afirmou que as conversas estão bem encaminhadas e que o bloco europeu segue confiante na conclusão do acordo em breve.
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A Comissão Europeia planejava selar o pacto que cria a maior zona de livre comércio do mundo em dezembro de 2025. O plano, no entanto, mudou após a Itália se alinhar à França para exigir um adiamento e buscar maior proteção ao seu setor agrícola.
🔍 De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
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Após a notícia do adiamento no mês passado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que um número suficiente de Estados-membros da União Europeia apoiará o acordo comercial entre o bloco e o Mercosul para viabilizar sua aprovação.
“Entramos em contato com nossos parceiros do Mercosul e concordamos em adiar ligeiramente a assinatura”, afirmou von der Leyen, acrescentando que estava “confiante” de que há uma maioria suficiente para concluir o acordo, segundo a Reuters.
Oposição da França
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o país não apoiará o acordo comercial sem a inclusão de novas salvaguardas para os agricultores franceses. A França é hoje o principal foco de resistência ao tratado dentro do bloco europeu.
“Quero dizer aos nossos agricultores, que expressam a posição francesa desde o início, que consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, declarou Macron.
Ele antecipou que a França se oporá a qualquer “tentativa de forçar” a adoção do pacto comercial com o bloco sul-americano.
👉 Entre agricultores franceses, o acordo com o Mercosul é amplamente visto como uma ameaça, diante do receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e produzidos sob padrões ambientais distintos dos europeus.
Itália mantém incerteza
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o país pode apoiar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, desde que sejam atendidas as preocupações levantadas pelos agricultores italianos.
“O governo italiano está pronto para assinar o acordo assim que forem dadas as respostas necessárias aos agricultores, o que depende das decisões da Comissão Europeia e pode ser resolvido rapidamente”, declarou.
Segundo reportagem da Bloomberg, com base em fontes da diplomacia italiana, o país decidiu apoiar o acordo. Nada ainda foi anunciado formalmente.
Alemanha e Espanha apoiam acordo
Enquanto a França mantém resistência, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, defenderam que o bloco avance no acordo firmado politicamente no ano passado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Alemanha, Espanha e países nórdicos avaliam que o tratado pode ajudar a compensar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos europeus e reduzir a dependência em relação à China, ao ampliar o acesso a minerais e novos mercados.
“Se a União Europeia quiser manter credibilidade na política comercial global, decisões precisam ser tomadas agora”, declarou o chanceler alemão.
A aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia depende do aval do Conselho Europeu, que exige apoio da maioria dos países do bloco e da maior parte da população europeia, o que torna essa fase a mais sensível politicamente.
Embora a resistência se concentre no agronegócio, o acordo vai além da área agrícola e envolve também indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, o que garante apoio de outros setores.
O Brasil segue otimista: Lula disse que a Itália não é contra o tratado e que a resistência vem da pressão de agricultores, mas acredita que o país deve aderir ao acordo.
Bandeiras de países da União Europeia na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França
Antoine Schibler/Unsplash
Ações da Chevron e de refinarias dos EUA sobem com expectativa de acesso ao petróleo da Venezuela

Empresa de petróleo dos EUA irá consertar a Venezuela, diz Trump
As ações de empresas petrolíferas dos Estados Unidos subiam nas negociações pré-mercado nesta segunda-feira (5), diante da avaliação de investidores de que a ofensiva do presidente Donald Trump contra a liderança da Venezuela pode abrir espaço para maior acesso das companhias americanas às maiores reservas de petróleo do mundo.
Os papéis da Chevron — hoje a única grande empresa dos EUA com operações diretas em campos petrolíferos venezuelanos — avançavam 7,3%. Já as ações de refinarias como Phillips 66, Marathon Petroleum, Valero Energy e PBF Energy registravam altas que variavam de 5% a 16%.
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O movimento ocorreu após Trump afirmar que os EUA precisam ter “acesso total” às reservas de petróleo da Venezuela, após a prisão do presidente Nicolás Maduro.
A declaração reforçou a expectativa de que Washington possa aliviar sanções e outras restrições que hoje limitam as exportações de petróleo bruto da Venezuela.
No sábado, Trump afirmou que pretende permitir a entrada de grandes petroleiras americanas no país sul-americano para investir bilhões de dólares, recuperar a infraestrutura deteriorada do setor e ampliar a produção.
Segundo ele, isso ajudaria as empresas a gerar retorno financeiro e, ao mesmo tempo, beneficiaria a economia dos EUA.
Petróleo venezuelano
A Venezuela chegou a produzir cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia na década de 1970, o equivalente a mais de 7% da produção mundial. Com o passar das décadas, no entanto, a produção caiu de forma acentuada.
Na década de 2010, o volume já havia recuado para menos de 2 milhões de barris por dia. No ano passado, a média ficou em torno de 1,1 milhão de barris diários, como resultado de anos de falta de investimentos, deterioração da infraestrutura e sanções econômicas impostas ao país.
🔎 O petróleo venezuelano é classificado como heavy sour, ou seja, um óleo mais pesado e com alto teor de enxofre. Esse tipo de petróleo é mais adequado para a produção de diesel e outros combustíveis pesados, embora gere margens menores de lucro em comparação com óleos mais leves, como os extraídos no Oriente Médio.
Segundo Ahmad Assiri, estrategista de pesquisa da Pepperstone, esse perfil do petróleo venezuelano se encaixa bem nas refinarias da Costa do Golfo dos EUA, que historicamente foram projetadas para processar esse tipo de matéria-prima.
A atuação da Chevron na Venezuela, autorizada por meio de uma isenção concedida pelo governo americano, coloca a empresa em posição privilegiada caso haja uma mudança na política do país. As refinarias dos Estados Unidos também podem se beneficiar de uma maior oferta de petróleo pesado mais próxima geograficamente.
Ainda assim, analistas alertam que uma recuperação relevante da produção venezuelana deve levar tempo. A instabilidade política, a infraestrutura deteriorada e anos de subinvestimento seguem como obstáculos para uma retomada mais rápida do setor.
Maduro afirma que vai continuar exportando petróleo, mesmo com ameaças de Donald Trump
Jornal Nacional/ Reprodução
Títulos da dívida da Venezuela disparam após prisão de Maduro pelos EUA

Os títulos da dívida da Venezuela — papéis emitidos pelo governo para captar recursos no mercado, com promessa de pagamento futuro acrescido de juros — dispararam nesta segunda-feira (5), após a prisão do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no fim de semana.
O episódio levou investidores a apostar em uma possível mudança política no país, o que reacendeu a expectativa de que a Venezuela possa, no futuro, renegociar suas dívidas com credores internacionais.
👉 Na prática, os investidores passaram a comprar títulos venezuelanos na expectativa de que um eventual novo governo busque um acordo para reestruturar essas dívidas. Esse tipo de renegociação costuma ocorrer quando países deixam de pagar seus compromissos e tentam reorganizar prazos e valores com os credores.
Os papéis emitidos pelo governo venezuelano e pela estatal petrolífera PDVSA chegaram a subir até 8 centavos de dólar no início do pregão europeu, o que representa uma valorização de cerca de 20% em um único dia. Analistas avaliam que ainda pode haver espaço para novas altas.
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Em relatório a clientes, o JPMorgan destacou que os títulos da Venezuela e da PDVSA praticamente dobraram de preço ao longo de 2025 e que poderiam registrar novos ganhos já na abertura dos mercados nesta segunda.
País em 'default'
A Venezuela está em situação de “default” desde 2017 — termo usado quando um país deixa de pagar suas dívidas dentro do prazo acordado. Desde então, seus títulos são negociados a preços muito baixos, refletindo o elevado risco de calote.
Mesmo assim, esses papéis tiveram o melhor desempenho global no ano passado, quase dobrando de valor, em meio ao aumento da pressão política e militar dos EUA sobre o governo Maduro.
👉 Com a alta desta segunda-feira, o título venezuelano com vencimento em 2031 passou a ser negociado perto de 40 centavos de dólar, segundo dados da plataforma Tradeweb.
👉 Outros papéis do país operavam entre 35 e 38 centavos de dólar, enquanto a dívida da PDVSA subia mais de 6 centavos, alcançando quase 30 centavos.
No total, os títulos do governo venezuelano e da PDVSA que entraram em default somam cerca de US$ 60 bilhões em valor original.
Porém, quando se incluem outras obrigações externas — como dívidas adicionais da PDVSA, empréstimos feitos diretamente com outros países e indenizações determinadas por tribunais internacionais —, o passivo total da Venezuela pode chegar a algo entre US$ 150 bilhões e US$ 170 bilhões.
Tanques com o logo da PDVSA em refinaria em Curaçao; foto de 22/04/2018
Andres Martinez Casares/Reuters
Dólar cai e fecha em R$ 5,40, após prisão de Maduro pelos EUA; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em queda de 0,34% nesta segunda-feira (5), cotado em R$ 5,4054. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve alta de 0,83%, aos 161.870 pontos.
Os desdobramentos da crise na Venezuela e as projeções econômicas divulgadas pelo Banco Central deram o tom da primeira sessão desta semana, com investidores atentos a possíveis impactos nos mercados financeiros e de commodities. Mudanças na composição do Ibovespa também ficaram no radar.
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▶️ O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na prisão de Nicolás Maduro, dominou as atenções dos mercados nesta segunda-feira. Durante audiência em Nova York, Maduro se declarou inocente de todas as acusações diante da Justiça dos EUA, alegando ser um "prisioneiro de guerra" do governo de Donald Trump.
O venezuelano é acusado pelos EUA de narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína, posse de armas e explosivos e conspiração para a possa de armas e explosivos.
▶️ Diante desse cenário, os preços do petróleo fecharam em alta, assim como os preços do ouro e dos títulos de dívida venezuelanos, refletindo expectativas de reestruturação da dívida do país sul-americano.
▶️ No Brasil, o boletim Focus trouxe as primeiras projeções do ano: economistas estimam queda nos juros, crescimento mais lento do PIB, inflação dentro da meta e câmbio estável. A previsão para 2025 recuou para 4,31%, enquanto para 2026 subiu levemente para 4,06%.
▶️No mercado acionário, o foco ficou com a nova composição do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira. A nova carteira do índice passa a incluir as ações da Copasa (CSMG3) e retira os papéis da CVC Brasil (CVCB3), conforme a última prévia divulgada.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,34%;
Acumulado do mês: -1,52%;
Acumulado do ano: -1,52%.
📈Ibovespa
C
Acumulado da semana: +0,83%;
Acumulado do mês: +0,46%;
Acumulado do ano: +0,46%.
EUA x Maduro
A prisão de Nicolás Maduro pelo governo dos EUA trouxe bastante volatilidade nesta segunda-feira (5). Além das incertezas geopolíticas com os ataques e ameaças dos americanos ao país latino-americano, há uma série de suposições entre investidores sobre os possíveis impactos no petróleo.
Isso porque uma das primeiras afirmações feitas por Trump após a prisão de Maduro foi que os EUA controlariam o petróleo venezuelano e mandariam as petrolíferas americanas de volta ao país para "consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado".
Trump também acusou governos venezuelanos de terem se apropriado à força da indústria de petróleo construída, segundo ele, com capital e expertise americanos.
“Construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós durante as administrações anteriores”, afirmou.
Para o presidente dos EUA, o episódio representou “um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país”.
Segundo analistas disseram à Reuters, a principal preocupação do mercado é de como os fluxos de petróleo da Venezuela vão mudar por conta das ações dos EUA.
🔎A produção venezuelana despencou nas últimas décadas, restringida pela má administração e pela falta de investimentos estrangeiros após a nacionalização das operações petrolíferas nos anos 2000. Com a ação dos EUA, a expectativa de alguns agentes do mercado é a de que o petróleo venezuelano seja liberado e disponibilizado, aumentando a oferta da commodity no mercado internacional.
Diante desse cenário, os preços do petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira, assim como o ouro e a prata. Os títulos de dívida venezuelanos também subiram, refletindo as expectativas de reestruturação da dívida do país sul-americano.
Agenda econômica
Boletim Focus
Economistas do mercado financeiro passaram a projetar queda dos juros, desaceleração no crescimento da economia, inflação dentro das metas oficiais e um câmbio relativamente estável. As estimativas refletem a primeira rodada de projeções do ano.
Os dados fazem parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central (BC). O relatório reúne expectativas de mais de 100 instituições financeiras, com base em pesquisa realizada na última semana.
No caso da inflação, a previsão para 2025 — cujo resultado oficial ainda será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — segue dentro do intervalo permitido pelo sistema de metas do governo, assim como as projeções para os anos seguintes.
➡️ Para 2025, a estimativa caiu de 4,32% para 4,31%, na oitava redução consecutiva;
➡️ Para 2026, houve leve alta, de 4,05% para 4,06%;
➡️ Para 2027, a projeção permaneceu estável em 3,80%.
Em relação à atividade econômica, o mercado manteve a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 em 2,26%. Para 2026, ano de eleições presidenciais, a expectativa também não mudou e segue em 1,80%.
No câmbio, após o dólar ter recuado mais de 11% em 2025 — movimento influenciado pelos juros elevados no Brasil — e encerrado o ano cotado a R$ 5,4887, os economistas projetam que a moeda norte-americana termine 2026 em R$ 5,50.
Bolsas globais
Os principais índices de Wall Street abriram em alta nesta segunda-feira, com a recuperação das ações de tecnologia e os ganhos dos papéis de empresas petrolíferas após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA em um ataque militar.
As ações de companhias como Exxon Mobil e Chevron subiam com força, assim como empresas de serviços petrolíferos, mesmo com os preços do petróleo recuando diante de temores de excesso de oferta.
O Dow Jones subia 0,19% na abertura, para 48.475,81 pontos. O S&P 500 tinha alta de 0,49%, para 6.892,19 pontos, enquanto a Nasdaq Composite avançava 0,92%, para 23.449.669 pontos.
Os mercados da Europa encerraram o pregão em alta, impulsionados pelo desempenho do setor de defesa, em meio ao aumento das tensões geopolíticas. A perspectiva de elevação nos orçamentos militares sustentou a valorização das ações do segmento, que atingiram o maior nível em quase três meses.
No fechamento, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,94%, aos 601,76 pontos, superando pela primeira vez a marca dos 600 pontos.
Entre as principais bolsas, Londres teve alta de 0,54%, com o FTSE 100 aos 10.004,57 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 1,34%, para 24.868,69 pontos, enquanto em Paris o CAC 40 avançou 0,20%, aos 8.211,50 pontos.
Já as bolsas asiáticas fecharam em forte alta, impulsionadas pelo setor de defesa.
Em Tóquio, ações de fabricantes como IHI Corp e Mitsubishi Heavy Industries dispararam, enquanto o Kospi, na Coreia do Sul, renovou recorde histórico pelo segundo pregão consecutivo, apoiado também por papéis de tecnologia.
No fechamento, o Nikkei subiu 2,97%, a 51.832,80 pontos; o Kospi avançou 3,43%, a 4.457,52 pontos; e o Taiex, em Taiwan, ganhou 2,57%, a 30.105,04 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng ficou praticamente estável, com alta de 0,03%, a 26.347,24 pontos. Na China continental, o Xangai Composto subiu 1,38%, a 4.023,42 pontos, e o Shenzhen Composto avançou 2%, a 2.581,52 pontos.
Notas de dólar.
Reuters
Boletim Focus: mercado projeta queda do juro, inflação no topo da meta e desaceleração do PIB em ano eleitoral

Os economistas do mercado financeiro projetaram, na primeira rodada de pesquisas deste ano, queda dos juros, desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), inflação dentro dos limites do sistema de metas e taxa de câmbio estável.
As estimativas fazem parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
A expectativa de inflação dos economistas dos bancos para 2025 — cujo resultado oficial ainda não foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — segue dentro do intervalo do sistema de metas, assim como as projeções para os próximos anos.
➡️ Para 2025, a projeção recuou de 4,32% para 4,31% na última semana (oitava queda consecutiva);
➡️ Para 2026, a estimativa subiu de 4,05% para 4,06%;
➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu estável em 3,80%;
➡️ Para 2028, a previsão foi mantida em 3,50%.
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Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
Isso significa que, se a expectativa se confirmar, não haverá descumprimento da meta de inflação no fechamento deste ano.
No fechamento de 2024 e no acumulado de 12 meses até junho deste ano, a inflação ficou acima do teto do sistema de metas.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Taxa de juros
Após a taxa básica da economia ter fechado 2025 em 15% ao ano — o maior nível em quase 20 anos — na tentativa de conter a inflação, o mercado financeiro segue acreditando que os juros vão recuar neste ano.
Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano. Ou seja, o mercado projeta uma queda de 2,25 pontos percentuais na Selic neste ano.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado foi mantida em 10,50% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas permaneceu em 9,75% ao ano.
Desaceleração da atividade
Para o crescimento do PIB de 2025 — cujo resultado também ainda não foi divulgado pelo IBGE — a estimativa do mercado foi mantida em alta de 2,26% na semana passada.
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
Para 2026, ano marcado por eleições presidenciais, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 1,80%.
➡️ Se confirmado, o resultado indica uma desaceleração da economia em um cenário de juros elevados para conter a inflação. A projeção do PIB para 2026 representa a menor expansão em cinco anos.
Taxa de câmbio estável
Mercado acredita em estabilidade na moeda norte-americana em 2026
Murad Sezer/ Reuters
O mercado financeiro projetou relativa estabilidade na taxa de câmbio neste ano, apesar do período eleitoral — que costuma pressionar o dólar para cima.
Após a moeda norte-americana ter recuado mais de 11% no ano passado, resultado também dos juros altos no Brasil, e fechado 2025 em R$ 5,4887, os economistas dos bancos projetam que a taxa terminará 2026 em R$ 5,50.
▶️ O desempenho do dólar em 2025 foi o pior em quase uma década. A trajetória reflete apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA, além de preocupações com o déficit das contas públicas e com a condução da economia pelo presidente Donald Trump.
Preço do petróleo fecha em alta após intervenção americana na Venezuela

Trump diz que EUA vão se envolver fortemente no petróleo da Venezuela
Após o anúncio de Donald Trump de que pretende abrir o setor de petróleo da Venezuela para grandes empresas americanas — e em meio à prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos — os preços do petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira (5).
A commodity começou o dia em queda, mas passou a subir ao longo da sessão. Este foi o primeiro dia útil após os ataques em larga escala contra o país, realizados na madrugada de sábado (3).
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No fim do dia, o petróleo tipo Brent avançou 1,63%, cotado a US$ 61,82 o barril. Já o petróleo americano, conhecido como WTI, subiu 1,80%, vendido por US$ 58,35 o barril.
A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou neste domingo (4) uma carta aberta a Trump pedindo diálogo, o fim das hostilidades e uma "agenda de colaboração", menos de 24 horas após a detenção de Nicolás Maduro por uma operação militar norte-americana. (veja a íntegra)
No documento, Delcy — cuja autoridade foi reconhecida pelo alto comando militar venezuelano após a retirada forçada de Maduro do país — afirma que a Venezuela “aspira viver sem ameaças externas” e faz um apelo direto à Casa Branca para evitar um conflito armado.
Segundo analistas ouvidos pela agência France Presse, o cenário reduz o risco de que o petróleo da Venezuela permaneça por muito tempo impedido de ser exportado.
“Isso diminui a chance de um bloqueio prolongado às vendas de petróleo do país, que em breve pode voltar a circular livremente”, afirmou Bjarne Schieldrop, analista do banco SEB.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente, cerca de 1 milhão de barris por dia.
De acordo com Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, aumentar essa produção não será um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos.
Ações de petrolíferas americanas disparam
Com o controle dos EUA sobre a Venezuela, as ações de empresas americanas de petróleo também subiram antes da abertura do mercado nesta segunda-feira.
O maior destaque foi a Chevron, cujas ações chegaram a subir cerca de 10% pela manhã, mas fecharam a 5,13%. A empresa é vista como a mais bem posicionada para se beneficiar no curto prazo, já que mantém operações no país.
Outras grandes empresas do setor, como ConocoPhillips e ExxonMobil, também registraram alta.
O movimento ocorreu porque o mercado passou a considerar a possibilidade de que essas empresas tenham maior acesso ao petróleo venezuelano, um dos maiores do mundo.
Após a prisão de Maduro, Trump afirmou que os EUA pretendem “consertar” a indústria do petróleo da Venezuela, abrindo o setor a grandes empresas americanas.
Segundo ele, essas companhias devem investir “bilhões de dólares” para recuperar a infraestrutura, hoje deteriorada, e voltar a gerar lucro no país.
O presidente dos EUA também acusou governos venezuelanos anteriores de terem tomado à força a indústria petrolífera, que, segundo Trump, teria sido construída com capital e conhecimento dos americanos.
Para ele, essa ação representou um dos maiores prejuízos já sofridos por empresas americanas no exterior.
A Venezuela possui cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo, o equivalente a mais de 300 bilhões de barris — volume quase quatro vezes maior que o dos Estados Unidos, segundo órgãos internacionais do setor energético.
JN
Trump quer o petróleo da Venezuela. O plano vai funcionar?

Trump diz que uma nova operação militar, contra a Colômbia, 'soa bem'
Donald Trump prometeu tirar proveito das reservas de petróleo da Venezuela após prender o presidente Nicolás Maduro e afirmar que os Estados Unidos vão "administrar" o país até uma transição "segura".
O presidente dos EUA quer que empresas petrolíferas norte-americanas invistam bilhões de dólares no país sul-americano, que possui as maiores reservas de petróleo bruto do planeta, para mobilizar um recurso em grande parte inexplorado.
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Ele afirmou que empresas dos EUA recuperariam a infraestrutura petrolífera "gravemente deteriorada" da Venezuela e começariam "a gerar dinheiro para o país".
Mas especialistas alertam para enormes desafios no plano de Trump, dizendo que ele custaria bilhões de dólares e poderia levar até uma década para resultar em um aumento significativo na produção de petróleo.
Então, os EUA realmente podem assumir o controle das reservas de petróleo da Venezuela? E o plano de Trump vai funcionar?
Com uma estimativa de 303 bilhões de barris, a Venezuela abriga as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
Trump quer o petróleo da Venezuela. O plano vai funcionar?
Reuters
Mas a quantidade de petróleo que o país efetivamente produz hoje é ínfima em comparação com a de outros países.
A produção despencou desde o início dos anos 2000, quando o ex-presidente Hugo Chávez e, depois, o governo Maduro, apertaram o controle sobre a estatal petrolífera PDVSA, provocando a saída de funcionários mais experientes.
Embora algumas empresas petrolíferas ocidentais, incluindo a norte-americana Chevron, ainda atuem no país, suas operações encolheram significativamente à medida que os EUA ampliaram sanções e passaram a mirar as exportações de petróleo da Venezuela com o objetivo de restringir o acesso de Maduro a uma fonte econômica vital.
As sanções — impostas inicialmente pelos EUA em 2015, durante o governo do presidente Barack Obama, por supostas violações de direitos humanos — também deixaram o país amplamente isolado dos investimentos e das peças de que necessita.
"O verdadeiro desafio deles é a infraestrutura", afirma Callum Macpherson, chefe de commodities do banco Investec.
Em novembro, a Venezuela produziu cerca de 860 mil barris por dia, segundo o relatório mais recente sobre o mercado de petróleo da Agência Internacional de Energia (AIE).
Isso representa pouco mais de um terço do volume de dez anos atrás e equivale a menos de 1% do consumo mundial de petróleo.
As reservas venezuelanas são compostas pelo chamado petróleo "pesado e ácido". Ele é mais difícil de refinar, mas é útil para a produção de diesel e asfalto. Já os EUA produzem, em geral, petróleo "leve e doce", usado para fabricar gasolina.
Na véspera dos ataques e da captura de Maduro, os EUA também apreenderam dois petroleiros na costa da Venezuela, além de ordenar um bloqueio a embarcações sancionadas que entram e saem do país.
Mapa mostra oleodutos principais e campos petrolíferos da Venezuela.
BBC
Homayoun Falakshahi, analista sênior de commodities da plataforma de dados Kpler, afirma que os principais obstáculos para empresas petrolíferas interessadas em explorar as reservas venezuelanas são de natureza legal e política.
Em entrevista à BBC, ele disse que quem quiser perfurar poços na Venezuela precisará de um acordo com o governo — algo que não será possível até que o sucessor de Maduro esteja definido.
As empresas, acrescentou Falakshahi, teriam então de apostar bilhões de dólares em investimentos na estabilidade de um futuro governo venezuelano.
"Mesmo que a situação política seja estável, é um processo que leva meses", disse. As companhias interessadas em se beneficiar do plano de Trump precisariam assinar contratos com o novo governo assim que ele estivesse empossado, antes de iniciar o processo de ampliação dos investimentos em infraestrutura na Venezuela.
Analistas também alertam que seriam necessários dezenas de bilhões de dólares — e possivelmente até uma década — para restaurar os antigos níveis de produção do país.
Donald Trump prometeu explorar as reservas de petróleo da Venezuela
NICOLE COMBEAU/POOL/EPA/Shutterstock
Neil Shearing, economista-chefe do grupo Capital Economics, afirmou que os planos de Trump teriam impacto limitado sobre a oferta global de petróleo e, portanto, sobre os preços.
Ele disse à BBC que há "um número enorme de obstáculos a superar e o prazo do que pode acontecer é tão longo" que os preços do petróleo em 2026 provavelmente sofreriam pouca alteração.
Segundo Shearing, as empresas não investirão enquanto não houver um governo estável na Venezuela, e os projetos não trariam resultados por "muitos e muitos anos".
"O problema sempre foi décadas de subinvestimento, má gestão e o fato de a extração ser muito cara", afirmou.
Ele acrescentou que, mesmo que o país conseguisse retornar a níveis anteriores de produção, de em torno de três milhões de barris por dia, ainda ficaria fora do grupo dos dez maiores produtores do mundo.
Shearing também apontou para a elevada produção entre os países da Opep+, dizendo que o mundo atualmente "não sofre de escassez de petróleo".
Homem segura cartaz com a placa "Não à guerra por petróleo na Venezuela"
REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria
A Chevron é a única produtora de petróleo norte-americana ainda ativa na Venezuela, após receber, em 2022, durante o governo do ex-presidente Joe Biden, uma licença para operar apesar das sanções dos EUA.
A empresa, atualmente responsável por cerca de um quinto da extração de petróleo venezuelana, afirmou que está focada na segurança de seus funcionários e que cumpre "todas as leis e regulamentações pertinentes".
Outras grandes empresas petrolíferas permaneceram em silêncio até agora sobre os planos, com apenas a Chevron se manifestando.
Falakshahi disse, no entanto, que executivos do setor devem estar discutindo internamente se vale a pena aproveitar a oportunidade.
Ele acrescentou: "O apetite para ir a um determinado lugar está ligado a dois fatores principais: a situação política e os recursos existentes no território".
Apesar da enorme incerteza política, Falakshahi afirmou que "o prêmio potencial pode ser considerado grande demais para ser ignorado".
Maduro caminha pela pista logo após chegar a Nova York
Nicolás Maduro desembarca nos EUA após captura pelo governo Trump
Delcy Rodríguez, vice de Maduro, diz que Venezuela vai se defender dos EUA
Inflação dentro da meta? Veja os preços que mais caíram e os que mais subiram em 2025

Inflação dentro da meta? Veja os preços que mais caíram e os que mais subiram em 2025
Nesta semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o número fechado da inflação oficial do Brasil. Mas já se sabe que a trajetória do IPCA ao longo de 2025 contrariou a maior parte das projeções feitas pelo mercado desde o início do ano.
No fim de 2024, após um período marcado pela valorização do dólar, impactos climáticos e forte ritmo da atividade econômica, as estimativas dos economistas eram pouco otimistas.
Na época, o mercado receava que o Banco Central (BC) não conseguisse conter o embalo da inflação e temia pelas novas políticas do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçava constantemente mudar a dinâmica do comércio global.
“No final do ano passado estávamos em um clima bem pessimista para os indicadores econômicos. Tudo isso aumentou o pessimismo no mercado”, afirma o coordenador dos índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz.
Esse pessimismo também se refletiu nas projeções: o primeiro Boletim Focus de 2025, por exemplo, estimava inflação próxima de 4,99% e taxa de câmbio em R$ 6 no fim de dezembro.
“Mas, aí, coisas boas aconteceram”, diz Braz.
Um levantamento feito pelo economista sênior da 4Intelligence, Fabio Romão, mostra a variação das projeções de inflação ao longo do ano. Entre os nove grupos avaliados, pelo menos quatro registraram queda nas expectativas para 2025 e um se manteve inalterado.
Veja abaixo:
“Entre os principais vetores de redução da projeção de inflação está o subgrupo alimentação no domicílio”, diz Romão.
Esse subgrupo começou o ano com uma projeção de alta de 5,8%, chegando à previsão de um avanço de 7% no meio do ano. Agora, no entanto, a estimativa é que esses preços fiquem em 2,3% em 2025.
“Esse movimento tem forte ligação com a moderação pela qual passou o conjunto de preços agropecuários esperado para este ano”, completa o economista.
Do lado do agronegócio, safras vieram melhor do que o esperado e eventos climáticos que poderiam afetar as plantações não se concretizaram – o que acabou ajudando a conter a inflação de alimentos, que vinha em trajetória de alta desde 2024.
“Tivemos boas safras e a gripe aviária, ainda que temporariamente, aumentou a oferta doméstica de proteínas. Com a maior oferta, os preços ficaram mais baratos”, explica Romão.
Além disso, a valorização do real frente ao dólar, as políticas comerciais dos EUA e o nível de juros no Brasil também contribuíram para segurar a inflação ao longo do ano.
Os preços que mais caíram em 2025
Um levantamento feito pelo FGV Ibre a pedido do g1, mostra que metade dos 10 itens que mais ajudaram a conter a inflação pertence ao grupo de alimentos, com destaque para laranja-pera (-27,21%), batata-inglesa (-26,57%) e arroz (-24,24%).
“Esses produtos tiveram uma queda média de 16,9% no período, ajudando a reduzir o custo da cesta básica e a aliviar a pressão sobre famílias de menor renda, cuja despesa com alimentação é proporcionalmente maior”, explica o economista André Braz.
O levantamento considera a variação acumulada entre janeiro e novembro, com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15).
Veja abaixo:
Outro destaque é o grupo de bens duráveis, que inclui itens de valor agregado maior como eletrodomésticos, móveis, equipamentos eletrônicos, entre outros. Esse segmento costuma reagir mais rapidamente ao aumento dos juros e, segundo Braz, registrou recuo médio de 3,5% no período.
“Juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a demanda por bens de maior valor e maior prazo de financiamento e pressionam as empresas a concederem descontos para girar os estoques”, explica o coordenador do FGV Ibre.
Os preços que mais subiram em 2025
Segundo levantamento da FGV, os serviços livres e os preços monitorados foram os principais responsáveis pela inflação acumulada até novembro.
Veja abaixo:
Os especialistas afirmam que o comportamento do mercado de trabalho ao longo do ano explica o movimento.
Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego fechou em 5,2% no trimestre encerrado em novembro, o menor nível da série histórica iniciada em 2012.
“Com a taxa de desemprego ainda em patamar historicamente baixo, a demanda por serviços continua firme, o que dificulta uma desaceleração mais rápida dos preços”, explica Braz.
Dessa forma, seis dos 10 itens que tiveram contribuição positiva na inflação são de serviços livres:
Aluguel residencial;
Refeição;
Lanche;
Ensino fundamental;
Empregado doméstico; e
Condomínio.
“Juntos, eles representam 15,8% do orçamento doméstico e registraram uma inflação média de 6,2% entre janeiro e novembro de 2025, acima da meta de 3% estabelecida pelo BC”, diz o coordenador do FGV Ibre.
Um caso à parte é o café, que subiu 43,27% no ano até novembro. “Esse aumento é resultado de um choque de oferta, ligado à safra, clima e câmbio, e não às condições de crédito domésticas”, completa Braz.
Inflação desacelera, mas brasileiro ainda não sente alívio
A expectativa é que a inflação brasileira encerre o ano dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central, de 4,50%. Caso se concretize, o número representará uma desaceleração em comparação ao observado em 2024, de 4,83%.
Mesmo com a desaceleração nos preços, os brasileiros ainda sentem os preços pesarem no orçamento. Segundo os especialistas, essa percepção está ligada ao forte aumento nos preços dos alimentos nos últimos anos.
Veja abaixo:
Segundo Braz, o preço da alimentação em domicílio de 2020 até agora já acumula uma variação muito maior do que a da inflação média. Como os salários são corrigidos pelo IPCA, isso reduziu significativamente o poder de compra das famílias.
“Muitas famílias tiveram que abrir mão de outros consumos para garantir comida em casa. E, mesmo com alguma melhora nos preços, os salários ainda não compensaram o aumento dos alimentos nos últimos cinco anos”, explica o economista.
O que podemos esperar à frente?
Em 2026, o Brasil passa por um ano eleitoral, que pode trazer medidas de transferência de renda ou injeção de recursos na economia, aumentando a pressão sobre os preços. Mas outros fatores também devem influenciar a inflação, tais como:
o clima;
o desempenho das safras;
o câmbio;
os juros; e
a evolução do mercado de trabalho.
“Por enquanto, as expectativas são positivas, pois os agentes acreditam que o Banco Central está comprometido com a meta de inflação. Mas há desafios, como o cenário político e as condições climáticas”, afirma Braz.
Os especialistas também reforçam que é preciso atenção ao mercado de trabalho ainda aquecido e ao câmbio, mas indicam que, a depender do clima, há perspectiva de uma possível melhora nos preços administrados e na inflação de alimentos.
“A curva do petróleo indica espaço confortável para reajustes no próximo ano. Além disso, IGP-M e IPCA mais baixos podem ajudar a mitigar um eventual aumento na conta de energia”, diz Romão, que reforça perspectivas de boas safras e algum alívio nos preços do café.
“Esperamos um IPCA semelhante ao de 2025, mas é preciso acompanhar os desdobramentos ao longo do ano”, completa o economista.
Dinheiro, real, notas de R$ 50, contagem de cédulas
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
ES vai receber R$ 106 bi em investimentos até 2029; veja obras e valores por cidade
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Economia capixaba cresce 2,2% em nove meses puxada pela agropecuária e indústria
O Espírito Santo vai receber até 2029 R$ 106 bilhões em investimentos variados, como extração de petróleo e gás, e em infraestrutura como rodovias, saneamento e portos. Do total, R$ 65,4 bilhões (61,6%) serão investidos pelo setor industrial.
Onze dos 78 municípios do estado vão receber mais de R$ 2 bilhões em investimentos. Dentre as cidades que aparecem na lista, estão Serra, na Grande Vitória, com quase R$ 12 bilhões; Presidente Kennedy, no Sul do estado, com R$ 9,7 bilhões; e Aracruz, no Norte capixaba, com R$ 6,2 bilhões em investimentos.
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Juntos, a lista com os 11 municípios do estado representam 50% do total de investimentos que serão injetados em todo o estado.
Nesta reportagem, você vai conferir ainda os investimentos feitos por setor, investimentos em infraestrutura, os municípios com maior valor em investimento, maiores investidores no estado e os investimentos que mais se destacam.
As informações foram divulgadas pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
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Espírito Santo vai receber R$ 106 bilhões em investimentos até 2030
Reprodução
Confira os valores dos investimentos:
Investimentos por setor:
Extração de petróleo e gás natural: R$ 43,7 bilhões
Metalurgia: R$ 7,4 bilhões
Extração de minerais metálicos: R$ 5,3 bilhões
Fabricação de produtos alimentícios: R$ 1,9 bilhão
Fabricação máquinas, aparelhos e materiais elétricos: R$ 1,0 bilhão
Investimentos em infraestrutura:
Rodovias: R$ 16,9 bilhões
Saneamento: R$ 8,1 bilhões
Energia e gás: R$ 7,3 bilhões
Portos: R$ 6,5 bilhões
Aeroportos: R$ 76,5 milhões
Os municípios com o maior valor em investimentos:
Serra: R$ 11,9 bilhões
Presidente Kennedy: R$ 9,7 bilhões
Anchieta: R$ 6,2 bilhões
Aracruz: R$ 5,7 bilhões
Vitória: R$ 3,4 bilhões
Cariacica: R$ 3,1 bilhões
Vila Velha: R$ 2,8 bilhões
Itapemirim: R$ 2,7 bilhões
Piúma: R$ 2,7 bilhões
Marataízes: R$ 2,4 bilhões
Linhares: R$ 2,0 bilhões
Maiores investidores:
Petrobras: R$ 35 bilhões
Ecovias Capixaba: R$ 10,3 bilhões
DER-ES: R$ 6,3 bilhões
ArcelorMittal: R$ 5,7 bilhão
GS Inima: R$ 5,2 bilhões
EDP: R$ 5,0 bilhões
Prio: R$ 4,6 bilhões
BW Energy: R$ 4,0 bilhões
Samarco: R$ 3,5 bilhões
Imetame Logística: R$ 3,0 bilhões
Porto Central: R$ 2,6 bilhões
Private Construtora: R$ 2,5 bilhões
Vale: R$ 1,9 bilhões
Acciona: R$ 1,8 bilhão
Grupo Simec: R$ 1,5 bilhão
Nestlé (Garoto): R$ 1,08 bilhão
ES Gás: R$ 1,0 bilhão
Entre os investimentos da indústria no Espírito Santo, destacam-se:
Petrobras: Plano de Investimento da Petrobras no ES. O Plano conta com o Projeto Integrado do Parque das Baleias (IPB), incluindo a instalação da plataforma FPSO Maria Quitéria - R$ 35,0 bilhões;
Prio: Desenvolvimento do projeto Wahoo - R$ 4,9 bilhões;
BW Offshore: Exploração de petróleo dos campos Camarupim e Golfinho – R$ 4 bilhões;
ArcellorMital: Implantação de laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo – R$ 3,8 bilhões;
Sarmarco: Retomada operacional – R$ 3,5 bilhões;
Imetame: Construção do Imetame Porto Aracruz - R$ 3,0 bilhões;
Porto Central: Construção da FASE 1 do Porto Central – R$ 2,6 bilhões;
ArcelorMittal: Termo de Compromisso Ambiental – R$ 1,9 bilhão;
Vale: Implantação de duas usinas de briquetes verdes – R$ 1,9 bilhão;
Grupo Simec: Ampliação e modernização do parque fabril – R$ 1,5 bilhão;
Nestlé: Modernização da Chocolates Garoto em Vila Velha - R$ 1,08 bilhão;
ES Gás: Plano de expansão da rede de gás – R$ 1,0 bilhão;
Consórcio Navegantes: Implantação de Terminal de Granéis Líquidos no Porto de Vitória – R$ 550 milhões;
Marcopolo: Ampliação da capacidade produtiva em São Mateus: R$ 260 milhões;
Biomasstrust: Construção de fábrica de pellets – R$ 250 milhões;
Maratá: Construção de fábrica de beneficiamento de café em Linhares – R$ 180 milhões;
WEG: Modernização e ampliação da capacidade produtiva: R$ 178 milhões.
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IPVA 2026: veja calendário de pagamento nos estados e no DF

Calendário do IPVA que pode ser pago em até 10 parcelas em 2026 em Roraima
Secom-RR/Divulgação/Arquivo
Os estados brasileiros e o Distrito Federal divulgaram como será a cobrança do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) em 2026.
Já estão disponíveis a agenda de pagamentos e as regras para que o motorista saiba se está na cota de isenção ou se recebe algum desconto no tributo.
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🚗 O g1 preparou uma lista com os calendários, alíquotas, descontos e formas de pagamento do tributo, obrigatório para a maioria dos veículos em circulação no país.
Consulte abaixo o calendário do IPVA 2026 no seu estado.
Para saber todos os detalhes do IPVA no seu estado, clique abaixo nas reportagens publicadas pelo g1 sobre o tema.
IPVA no Acre
IPVA de Alagoas
IPVA de Amapá
IPVA do Amazonas
IPVA da Bahia
IPVA do Ceará
IPVA em Brasília (DF)
IPVA no Espírito Santo
IPVA de Goiás
IPVA no Maranhão
IPVA do Mato Grosso
IPVA no Mato Grosso do Sul
IPVA de Minas Gerais
IPVA no Pará
IPVA da Paraíba
IPVA do Paraná
IPVA de Pernambuco
IPVA do Piauí
IPVA do Rio de Janeiro
IPVA do Rio Grande do Norte
IPVA no Rio Grande do Sul
IPVA de Rondônia
IPVA de Roraima
IPVA de Santa Catarina
IPVA em São Paulo
IPVA de Sergipe
IPVA de Tocantins
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Tem dúvidas sobre o IPVA? Saiba mais nos tópicos abaixo.
📜 Como surgiu o IPVA?
📝 Como o IPVA é calculado?
💸 Para onde vai o dinheiro do IPVA?
🚨 Sou obrigado a pagar o IPVA?
Como surgiu o IPVA?
O imposto foi criado em 1985 para substituir outro semelhante, chamado de Taxa Rodoviária Única (TRU). Mesmo com o IPVA sendo um tributo cobrado de todos os brasileiros com algum automóvel como ônibus, caminhão, moto ou carro, a forma como é recolhido e seu valor depende do estado de registro do bem.
Quando lançado, o IPVA foi destinado para a manutenção e construção de rodovias e estradas espalhadas por todo Brasil.
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Como o IPVA é calculado?
O cálculo do IPVA varia de estado para estado, com alíquotas de até 4%. Com ela em mãos, você precisa multiplicar pelo valor venal do automóvel, disponível em uma tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Vamos supor que a alíquota seja de 4% e será cobrada de um Volkswagen Polo 1.0 200 TSI Comfortline, que, segundo a tabela da Fipe, custa R$ 69.574 no modelo 2018. O IPVA para o carro será de R$ 2.782,96.
Como o IPVA é calculado sobre o valor do automóvel, ele tende a ser maior para modelos novos, e diminui com o passar dos anos. O Polo do nosso exemplo, se for de 2022, já tem o tributo calculado para R$ 3.468,60.
Uma picape Fiat Strada mais antiga, modelo Trekking 1.6 Flex CD, lançada em 2013, tem o IPVA de R$ 2.169,80.
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Para onde vai o dinheiro do IPVA?
Todo imposto tem um objetivo ou é fatiado entre entidades do governo. Do total pago pelo contribuinte, o IPVA é distribuído da seguinte forma:
Governo estadual: 40%;
Governo municipal: 40%;
Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb): 20%.
Com esta divisão, já é possível entender que um quinto do valor do IPVA é utilizado com fonte importante para financiar projetos de educação pública.
Atualmente, o uso estadual e municipal não está mais necessariamente ligado às rodovias. Cada um aponta o destino da verba como bem entender, como saúde, infraestrutura ou segurança.
Em 2025, por exemplo, o estado de São Paulo destinou boa parte do IPVA para compensar obras de infraestrutura e melhoria na prestação de serviços públicos como os de saúde e educação.
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Sou obrigado a pagar o IPVA?
Depende. Em quase todos os estados, veículos mais antigos passam a não pagar mais o IPVA, mas o período considerado varia.
Porém, em dezembro de 2025, o Congresso Nacional promulgou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que isenta veículos fabricados a mais de 20 anos de pagar IPVA.
A medida — que pode beneficiar até 7,7 milhões de veículos — tem como objetivo padronizar a possibilidade de isenção no pagamento do imposto entre todas as unidades federativas do país.
Antes desta PEC, Santa Catarina apenas isentava veículos com 30 anos de fabricação. O caso mais extremo é de Pernambuco, que não isenta os automóveis com base na idade deles.
Alguns estados isentam o IPVA de taxistas, ônibus, motocicletas, pessoas com deficiência e também automóveis elétricos ou híbridos.
Em São Paulo, por exemplo, a frota de veículos ao final de 2025 era de 30,1 milhões de automóveis. Do total, 19,2 milhões estão sujeitos ao recolhimento do IPVA e 9,9 milhões são isentos por terem mais de 20 anos de fabricação.
Além destes, no estado são isentos de pagamento do IPVA 1 milhão de veículos, como os de taxistas e pessoas com deficiência.
As regras de isenção em SP incluem:
Automóveis com ao menos 20 anos de fabricação;
Motocicletas, ciclomotores e motonetas de até 150 cilindradas;
Pessoas com deficiência física, sensorial, intelectual ou mental;
Veículos híbridos movidos a etanol ou flex, além dos que utilizam hidrogênio como combustível, custando até R$ 250 mil;
Automóveis registrados em igrejas e entidades sem fins lucrativos;
Veículos oficiais;
Taxistas;
Ônibus e micro-ônibus urbanos.
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Pensando em se demitir? Você não está sozinho: saiba por que tantos brasileiros querem sair do emprego

Quer mudar de emprego? Você não é o único: o que explica insatisfação
💼 Pensar em mudar de emprego tem passado pela sua cabeça? Se a resposta for sim, você está longe de ser exceção. Uma pesquisa da Robert Half divulgada nesta segunda-feira (5) mostra que 61% dos profissionais planejam procurar um novo emprego em 2026.
Os dados ajudam a explicar por que a rotatividade no mercado formal vem aumentando e por que os pedidos de demissão continuam em níveis elevados no país.
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Com um mercado de trabalho mais aquecido e a queda do desemprego, cada vez mais profissionais se sentem confiantes para considerar uma troca de empresa, seja em busca de salários mais altos, maior flexibilidade ou perspectivas reais de crescimento na carreira.
Esse cenário favorável também já aparece nos dados oficiais: a taxa de desemprego caiu para 5,2%, o menor nível da série histórica do IBGE. A população desocupada somou 5,6 milhões de pessoas, também o menor número já registrado.
Segundo o economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, a confiança dos trabalhadores também está ligada à expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026, com expansão próxima de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
"Quando a atividade econômica cresce, o mercado de trabalho tende a responder de forma positiva, ainda que com alguma defasagem", afirma.
Esse contexto também favorece um fenômeno conhecido no país: a alta rotatividade. A taxa de rotatividade no Brasil atingiu 52,6% em outubro, o maior nível de toda a série histórica, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) analisados por Imaizumi.
🧮 O levantamento considera o menor valor entre o total de admissões e desligamentos registrados em um período de 12 meses e divide esse resultado pelo número médio de trabalhadores formais no último ano.
Segundo Imaizumi, o nível elevado reflete tanto um mercado aquecido quanto características estruturais da economia brasileira. Entre elas, o peso de ocupações que exigem menor qualificação, com salários baixos e poucas perspectivas de crescimento no longo prazo.
Outro dado que ajuda a entender esse movimento está nos desligamentos a pedido do trabalhador. As estatísticas do MTE mostram que a proporção de demissões voluntárias no mercado formal continua alta.
Após uma forte queda em 2020, as demissões voluntárias voltaram a crescer. Em outubro de 2025, cerca de 37,5% dos desligamentos registrados foram voluntários, um nível elevado dentro da série histórica.
Entre os profissionais que pretendem buscar novas oportunidades, 72% planejam permanecer na mesma área, enquanto outros 28% consideram uma transição de carreira.
"Muitas ocupações oferecem pouca estabilidade, salários baixos e poucas perspectivas. Quando surge uma oportunidade um pouco melhor, a tendência é migrar", explica Imaizumi.
Por que tanta gente quer sair?
Entre os profissionais que desejam mudar de empresa, mas permanecer na mesma área, os principais motivos apontados pela pesquisa são:
Melhores oportunidades de crescimento (45%);
Maior remuneração (42%);
Novos desafios (31%);
Possibilidade de trabalho remoto ou híbrido (31%);
Pacote de benefícios mais atrativo (29%).
Para Imaizumi, o peso do salário e das promoções nesse ranking é esperado. "Salário é reflexo de produtividade. Quem ganha menos tende a se sentir mais insatisfeito e a buscar alternativas", afirma.
Ainda assim, a decisão de sair nem sempre é motivada apenas por questões financeiras. Dados do MTE mostram que, entre os jovens, as demissões voluntárias estão ligadas principalmente à busca por novas oportunidades, à falta de reconhecimento e a questões éticas. Também pesam fatores como estresse, problemas de saúde mental e pouca flexibilidade no trabalho.
A idade é um fator determinante nesse cenário. "Os jovens estão no começo da carreira e ainda testando caminhos. Isso aumenta a disposição para trocar de emprego", afirma Imaizumi.
Trabalhadores de 18 a 24 anos permanecem, em média, apenas 12 meses no mesmo emprego, segundo dados do MTE. Em 2024, a rotatividade nessa faixa etária chegou a 96,2%, o que evidencia um mercado marcado pela experimentação e por menor apego à estabilidade no início da vida profissional.
Apesar disso, o economista chama atenção para um paradoxo. Embora trabalhadores com menor grau de instrução relatem maior insatisfação, quem mais pede demissão são os profissionais mais qualificados.
“Eles têm mais capacidade de encontrar novas ofertas e negociar melhores condições”, explica.
Entre os profissionais dispostos a mudar de profissão, o fator financeiro aparece de forma ainda mais intensa. Os principais motivos são:
Busca por maior remuneração (63%);
Mais qualidade de vida (39%);
Realização pessoal (29%);
Vontade de aprender algo novo (27%);
Mais flexibilidade (24%).
Além disso, 18% dos entrevistados disseram querer migrar para uma carreira considerada em alta no mercado.
Como reter talentos?
A pesquisa da Robert Half também investigou o que leva o profissional a permanecer na empresa atual. Os principais fatores citados foram:
Benefícios e remuneração (52%);
Flexibilidade no modelo de trabalho (46%);
Equilíbrio entre vida pessoal e profissional (33%);
Ambiente e cultura organizacional (31%);
Oportunidades de crescimento (25%);
Estabilidade (17%).
Para Fernando Mantovani, diretor-geral da empresa na América do Sul, os dados reforçam o papel das empresas na retenção de talentos.
“Mesmo com salário e benefícios relevantes, quatro dos cinco fatores mais citados estão ligados a bem-estar, desenvolvimento e flexibilidade”, afirma.
Do ponto de vista econômico, Imaizumi diz que esses outros benefícios podem ser alternativas aos reajustes salariais, que nem sempre são possíveis para os empregadores.
"Se a empresa quer atrair e manter bons profissionais, salário e benefícios continuam sendo o principal instrumento (...), mas o custo da folha de pagamento é um dos principais pesos para as empresas, ainda mais com o salário mínimo crescendo acima da inflação".
"Melhorar benefícios, qualidade de vida e ambiente de trabalho ajuda, mas o que vemos é um descasamento claro entre o que o trabalhador deseja e o que o empregador oferece", afirma.
Quer mudar de emprego? Planejamento é essencial
⚠️ Para quem pensa em pedir demissão ou fazer uma transição de carreira, a recomendação é cautela.
"A situação financeira da maioria dos brasileiros ainda é apertada. Antes de qualquer decisão, é fundamental fazer um diagnóstico das próprias finanças e entender por quanto tempo é possível se manter enquanto busca uma nova vaga”, diz Imaizumi.
O economista sugere tratar a recolocação como um projeto. Isso inclui organizar o currículo, usar ferramentas digitais, ampliar a rede de contatos e avaliar oportunidades fora da região onde se mora.
"Às vezes existem vagas em outros estados ou cidades, mas isso envolve mudanças significativas e precisa ser bem planejado", orienta.
Currículo de sucesso: Dicas para impressionar no primeiro contato
Foto: Drazen Zigic/Freepik
Saque-aniversário do FGTS: saiba como funciona e veja o calendário para 2026

Os trabalhadores que escolhem o saque-aniversário do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) podem retirar, uma vez por ano, parte do saldo das contas ativas e inativas do fundo.
Essa modalidade é uma alternativa ao modelo tradicional, o saque-rescisão, que garante ao trabalhador o direito de sacar todo o saldo do FGTS em caso de demissão sem justa causa.
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Nesta reportagem, entenda o que é o saque-aniversário, veja como aderir e confira o calendário de pagamentos para 2026.
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O que é o saque-aniversário do FGTS?
Criada em 2020, a modalidade é uma das opções de saque do FGTS. Ela permite que o trabalhador retire parte do saldo da conta anualmente, no mês de aniversário.
A adesão a essa modalidade é opcional e pode ser feita pelo aplicativo ou pelo site do FGTS. Segundo a Caixa Econômica Federal, quem não aderir ao saque-aniversário continua no modelo padrão, o saque-rescisão.
Veja a diferença entre as duas modalidades:
➡️ Saque-rescisão: modalidade padrão do FGTS, permite ao trabalhador demitido sem justa causa sacar todo o saldo da conta, incluindo a multa rescisória, quando aplicável.
➡️ Saque-aniversário: essa modalidade opcional autoriza o saque de parte do saldo do FGTS uma vez por ano, no mês de aniversário. Se optar por essa modalidade e for demitido, o trabalhador poderá retirar apenas a multa rescisória (40% paga pela empresa), e não poderá sacar o valor integral da conta.
Aplicativo FGTS para celular
Rodrigo Marinho/g1
Qual será o calendário para o saque-aniversário em 2026?
Segundo a Caixa, todos os trabalhadores que aderem ao saque-aniversário têm o valor disponível a partir do 1º dia útil do mês de aniversário.
Caso não haja conta bancária cadastrada no aplicativo do FGTS para receber os recursos, os valores podem ser sacados até dois meses após o mês de aniversário.
Em nota, a Caixa explicou, com alguns exemplos, como funcionam as regras para o saque. Veja:
EXEMPLO 1: Se o trabalhador nasceu em 10 de setembro e aderiu ao saque-aniversário antes do mês de aniversário, o valor estará disponível a partir do primeiro dia útil de setembro e poderá ser sacado até 30 de novembro.
🚨 Se o trabalhador não estava na modalidade e decidir aderir no mês do aniversário, o valor será liberado em até cinco dias úteis.
EXEMPLO 2: Neste caso, se um trabalhador faz aniversário em 10 de setembro e aderir ao saque-aniversário no dia 30, o valor será liberado em até cinco dias úteis após a adesão.
🚨 No entanto, se o trabalhador optar pela modalidade depois do último dia do mês de seu aniversário, ele terá o valor disponibilizado somente no ano seguinte.
EXEMPLO 3: Um trabalhador faz aniversário em 10 de setembro e adere ao saque-aniversário no dia 2 de outubro. Nesse caso, o valor ficará disponível apenas no ano seguinte.
Veja o calendário do saque-aniversário do FGTS para 2026:
FGTS: Entenda como funciona
Saiba quem pode sacar e como consultar o saldo
Como aderir ao saque-aniversário?
A Caixa disponibiliza canais de atendimento para que o trabalhador com conta do FGTS, ativa ou inativa, realize a opção.
Eles são os seguintes:
Site do FGTS;
Aplicativo do FGTS;
Página do site da Caixa.
Quanto posso receber anualmente no saque-aniversário?
Segundo a Caixa, o valor do saque anual nessa modalidade é determinado pela aplicação de uma alíquota que varia de 5% a 50% sobre a soma de todos os saldos das contas do trabalhador no FGTS.
A esse valor, é acrescido uma parcela adicional, conforme tabela abaixo:
Quanto o trabalhador pode receber anualmente no saque-aniversário
🔎 EXEMPLO: Se o trabalhador tem R$ 1 mil em suas contas no FGTS, ele pode receber um saque aniversário de R$ 400 (alíquota de 40%), acrescido de uma parcela adicional de R$ 50, totalizando R$ 450.
Fui demitido. Como fica a minha rescisão contratual?
O valor disponível para saque no FGTS da rescisão contratual varia da modalidade escolhida pelo trabalhador. Assim:
Caso o trabalhador tenha optado pelo saque-aniversário, ele poderá sacar apenas o valor referente à multa rescisória. O saldo remanescente na conta do FGTS poderá ser sacado nos saques-aniversários futuros.
Já se o trabalhador esteja na modalidade saque-rescisão, ele poderá sacar o valor integral da conta do FGTS caso tenha sido demitido sem justa causa. O valor inclui a multa rescisória, quando devida.
A Caixa informa que, mesmo que o trabalhador peça para voltar ao saque-rescisão, se a demissão ocorrer enquanto estiver vigente a opção pelo saque-aniversário, prevalece a regra dessa modalidade. Nesse caso, ele poderá sacar apenas a multa rescisória, e não o saldo total da conta.
Bloqueio dos EUA faz Venezuela reduzir produção de petróleo por falta de armazenamento

A importância e o tamanho das reservas de petróleo na Venezuela
A estatal petrolífera venezuelana PDVSA começou a reduzir a produção de petróleo bruto após ficar sem capacidade de armazenamento, segundo a agência de notícias Reuters. A medida é consequência de um bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, que zerou as exportações e aumentou a pressão sobre o governo interino.
Caracas vive uma crise política após o presidente Nicolás Maduro e sua esposa terem sido capturados por forças norte-americanas no sábado (3). Com a deposição do líder venezuelano, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo em meio a ameaças americanas de novas ações militares.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
As exportações de petróleo do país — membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e cuja principal fonte de receita é o petróleo — estão paralisadas após os EUA imporem um bloqueio a navios-tanque sob sanções e apreenderem dois carregamentos no mês passado.
As cargas da petrolífera americana Chevron destinadas aos EUA eram uma exceção e continuavam a ser embarcadas, já que a empresa possui licença de Washington para operar. No entanto, até essas operações estão interrompidas desde quinta-feira, segundo dados divulgados neste domingo (4).
Ao anunciar a detenção de Maduro e uma transição de governo supervisionada pelos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou no sábado que um “embargo ao petróleo” contra o país estava plenamente em vigor.
O republicano também declarou que os EUA passariam a “administrar” a Venezuela de forma interina após a captura de Nicolás Maduro. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, no entanto, adotou um tom diferente neste domingo.
Segundo ele, os EUA não terão um papel direto no governo cotidiano da Venezuela e se limitarão a impor uma “quarentena do petróleo” já existente sobre o país.
Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS, Rubio afirmou que a medida será usada como instrumento de pressão para promover mudanças de política na Venezuela. “É esse o tipo de controle a que o presidente se refere quando diz isso”, disse.
“Nós mantemos essa quarentena e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria do petróleo é administrada em benefício da população, mas também para que se interrompa o tráfico de drogas", acrescentou.
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Maduro capturado: quem é quem agora no núcleo de poder na Venezuela
Um petroleiro venezuelano da estatal PDVSA participa do enchimento de um petroleiro no terminal de embarque e armazenamento de José, 320 quilômetros a leste de Caracas, 12 de fevereiro de 2003
Reuters
Campos petrolíferos fechados
A medida da PDVSA inclui o fechamento de campos petrolíferos ou de conjuntos de poços, à medida que os estoques em terra aumentam e a empresa fica sem diluentes para misturar o petróleo pesado venezuelano e viabilizar o transporte.
Segundo a agência Reuters, a companhia pediu cortes de produção em joint ventures como a Petrolera Sinovensa, da CNPC, a Petropiar, da Chevron, além da Petroboscan e da Petromonagas. A Petromangas, antes operada em parceria com a estatal russa Roszarubezhneft, passou a ser administrada apenas pela PDVSA.
Trabalhadores da Sinovensa se preparavam neste domingo para desligar até dez conjuntos de poços, a pedido da PDVSA, devido ao excesso de petróleo extrapesado e à falta de diluentes. De acordo com a Reuters, os poços poderão ser religados rapidamente no futuro.
Parte da produção da Sinovensa é tradicionalmente destinada à China como pagamento de dívidas, mas dois superpetroleiros de bandeira chinesa que se aproximavam da Venezuela para carregar petróleo interromperam a navegação no fim de dezembro, de acordo com dados da LSEG.
Na Petromonagas, trabalhadores começaram a reduzir a produção no fim da semana passada, até que o fornecimento de diluentes por oleodutos seja retomado, diz a Reuters.
Já a Chevron ainda não reduziu a produção, porque conta com alguma margem de armazenamento — especialmente na Petropiar — e os navios-tanque continuam carregando. Ainda assim, suas embarcações não deixaram as águas do país desde quinta-feira, e a capacidade de armazenamento é limitada na Petroboscan, o que pode levar a cortes, segundo a agência.
A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos.
Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e investimentos elevados para sua extração.
🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que restringem operações e acesso a capital.
Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo.
Empresa de petróleo dos EUA irá consertar a Venezuela, diz Trump
Dependência histórica do petróleo
O petróleo moldou a economia venezuelana ao longo do século 20. Após grandes descobertas nas décadas de 1920 e 1930, o país rapidamente se tornou um dos maiores produtores do mundo e, em 1960, ajudou a fundar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Em 1976, o governo nacionalizou a indústria petrolífera e criou a PDVSA, transformando o setor em um monopólio estatal. Nas décadas seguintes, durante os governos de Hugo Chávez, grande parte da renda do petróleo foi destinada a programas sociais, reduzindo outros investimentos na economia.
Como resultado, entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações venezuelanas vieram do petróleo. Quando a produção caiu, o país passou a enfrentar sanções internacionais, agravando a crise econômica.
A queda acentuada nas receitas do petróleo também contribuiu para a explosão inflacionária na Venezuela. Segundo o Banco Central, em 2019 os preços subiram 344.510% — o que significa que produtos que custavam 1 unidade monetária passaram a custar cerca de 3.400 vezes mais.
Liberação de agrotóxicos e defensivos biológicos bate novo recorde em 2025, apontam dados do governo

Entenda como é a aprovação de agrotóxicos no Brasil
O Brasil bateu um novo recorde de liberação de agrotóxicos e defensivos biológicos em 2025, apontam dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgados neste domingo (4).
Foram aprovados 912 registros, uma alta de mais de 37% na comparação com 2024, ano em que o país já havia atingido o maior patamar da história, com 663 liberações.
O ministério faz esse levantamento desde 2000. Em 2023, houve a primeira queda na série histórica em 7 anos.
Como agrotóxicos são aprovados para uso no Brasil?
Entre os produtos, 162 são defensivos biológicos, representando um crescimento de mais de 50% na comparação com 2024 (106). Esses produtos são considerados de baixo risco. Eles podem ser feitos a partir de componentes como hormônios, insetos, vírus, entre outros.
Também foram liberados 25 produtos químicos novos.
A maior parte dos itens liberados (589) é para uso dos agricultores, ou seja, são aqueles que já estão nas lojas – são também os chamados "produtos formulados". Essa categoria soma os formulados químicos, que são os agrotóxicos, e os biológicos.
Além disso, foram autorizados 323 produtos de uso exclusivo para a indústria, conhecidos como "produtos técnicos". Eles são usados como matérias-primas na fabricação dos pesticidas, incluindo a chamada "pré-mistura", usada para agilizar os processos industriais.
Apesar do grande número de defensivos aprovados, isso não significa que todos eles passaram a ser aplicados na agricultura brasileira. Segundo o Ministério da Agricultura, em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos registradas e 13,6% dos ingredientes ativos não chegaram a ser comercializados.
Quem aprova os registros?
Para que um produto seja liberado para uso no Brasil, ele precisa passar por uma avaliação rigorosa feita por três órgãos federais diferentes: o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O produto apenas é registrado com o aval dos três órgãos.
Cada um deles têm uma responsabilidade específica na análise dos pedidos de registro:
🌾 Ministério da Agricultura: avalia se o agrotóxico realmente funciona para combater a praga ou doença a que se destina.
A avaliação é feita a partir de estudos enviados pelas empresas que querem o registro e não são refeitas, explica o Coordenador-Geral de Agrotóxicos e Afins (CGAA) do ministério, José Victor Torres. O mesmo vale para os outros dois órgãos.
Para ser aprovado, o produto deve apresentar um mínimo de 70% de eficácia.
Também é o órgão que formaliza e divulga o registro do agrotóxico.
⚕️ Anvisa: verifica o risco que o pesticida traz para a saúde humana. A partir dos estudos enviados, os especialistas avaliam se o agrotóxico pode causar problemas imediatos ou a longo prazo para quem aplica, quem manipula ou quem consome alimentos com resíduos.
Além disso, a Anvisa define os limites máximos de resíduos permitidos nos alimentos.
🐝 Ibama: investiga o risco que o agrotóxico representa para o meio ambiente.
Isso inclui como o produto se comporta no solo, na água e no ar, quanto tempo dura e se ele afeta animais, explica Rosângela Maria Ribeiro, Diretora da Diretoria de Qualidade Ambiental (Diqua).
O Ibama classifica o potencial de periculosidade ambiental do produto, sendo da categoria “altamente perigoso” até “pouco perigoso”
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Tipos de produtos
Existem diferentes tipos de produtos que precisam do registro. Confira abaixo.
Produto técnico: matérias-primas utilizadas na fabricação dos pesticidas;
Pré-mistura: um produto, usado para agilizar processos industriais;
Produto formulado: é aquele que é comprado pelo agricultor. Ele é dividido em dois grupos: agrotóxicos e biológicos.
Produtos equivalentes: são "cópias" de princípios ativos inéditos — que podem ser feitas quando caem as patentes — ou produtos finais baseados em ingredientes já existentes no mercado.
O tempo médio para a análise de um produto novo é de 24 meses, segundo a lei. Mas, na prática, os órgãos levam mais tempo para fazer a verificação, por causa do tamanho da fila — que é formada, principalmente, pelos produtos equivalentes.
Já a análise de produtos biológicos é mais rápida, dura 12 meses. Uma das razões para isso é que, por terem menos riscos, precisam de menos análises.
Como funciona uma fábrica de insetos
Quanto o governo deixa de arrecadar com benefícios concedidos aos mais ricos?

Quanto o governo deixa de arrecadar com renúncias fiscais que beneficiam principalmente a fatia mais rica da população?
Nas contas da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional), em estudo inédito, esses valores devem chegar a R$ 618,4 bilhões em 2026 — ou quase quatro vezes o orçamento previsto para o Bolsa Família no próximo ano (R$ 158 bilhões).
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🔎 As renúncias fiscais — também chamadas de gasto tributário na linguagem mais técnica — são valores que o governo deixa de arrecadar em impostos, ao conceder isenções, anistias, subsídios e benefícios tributários para setores econômicos, atividades ou grupos sociais específicos.
"Alguns benefícios são importantes", pondera Mauro Silva, presidente da Unafisco.
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"Agora, nem todos. Se os benefícios fiscais concedidos não atingem certos objetivos — como a busca do pleno emprego, o desenvolvimento sustentável e a redução de desigualdades —, temos aí um problema. É justamente aí que surge a figura dos 'privilégios tributários'."
Em seu levantamento, a Unafisco considera como "privilégios tributários" os benefícios fiscais que não teriam uma contrapartida social comprovada por estudos técnicos, na visão da entidade sindical.
Porém, para além dos gastos tributários apontados anualmente pela Receita Federal em seu Demonstrativo dos Gastos Tributários (DGT), que acompanha o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), a Unafisco adota um conceito mais amplo, incluindo na sua conta outras três renúncias que considera relevantes:
a isenção de lucros e dividendos distribuídos por pessoa jurídica — imposto que o Brasil é um dos poucos países do mundo a não cobrar;
a não instituição do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) — previsto na Constituição e até hoje não regulamentado pelo Congresso, cuja omissão legislativa foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro deste ano;
e os programas de parcelamentos de débitos tributários, como o Programa de Recuperação de Créditos Fiscais (Refis) e o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert) — já encerrados pelo governo, mas que ainda têm efeitos negativos para a arrecadação, por gerarem um comportamento deletério nos contribuintes, que deixam de pagar impostos no prazo, esperando por esses programas.
Assim, a Unafisco estima que os gastos tributários chegarão a um total de R$ 903,3 bilhões em 2026.
Desse montante, a entidade considera que R$ 618,4 bilhões — ou 68% do gasto tributário total — seriam "privilégios tributários", ou seja, renúncias sem contrapartida comprovada para a sociedade.
Os dez maiores somam R$ 479,6 bilhões, ou 78% dos privilégios totais.
Os maiores 'privilégios' fiscais
No topo da lista, a isenção de lucros e dividendos deixa de gerar R$ 146,1 bilhões ao cofres públicos, nas contas da entidade, já descontando R$ 32 bilhões que deverão passar a ser arrecadados quando a reforma do Imposto de Renda entrar em vigor, com a taxação dos dividendos em 10%.
Apesar de a reforma trazer o fim da isenção total, ela ainda taxa os dividendos abaixo de outras rendas, taxadas atualmente a um alíquota nominal entre 15% e 27,5%. Assim, na avaliação da Unafisco, lucros e dividendos seguem tendo benefício fiscal no Brasil e, por isso, entram na conta.
"Quando a União não inclui no gasto tributário a isenção para lucros e dividendos, isso retira do Legislativo uma oportunidade de debate", argumenta Silva.
"Eles não são informados o quanto essa isenção traz de prejuízo ao país. Sabemos que temos R$ 1 trilhão de dividendos distribuídos [anualmente no Brasil], e é preciso que isso faça parte desse debate entre Executivo e Legislativo na elaboração do Orçamento."
O segundo item de maior peso, nas contas da Unafisco, é a não instituição do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), com uma arrecadação potencial estimada em R$ 100,5 bilhões.
"Se trata de uma omissão do Legislativo", argumenta o presidente da Unafisco, lembrando da decisão recente do STF reconhecendo essa omissão — o Supremo, no entanto, não estabeleceu um prazo para que isso seja resolvido.
A taxação dos super-ricos foi uma das principais bandeiras do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu terceiro mandato. Com esse objetivo, o governo propôs a reforma do Imposto de Renda (IR), aprovada em outubro pelo Congresso e sancionada por Lula em novembro.
A lei aprovada prevê a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil e descontos para aqueles com renda de até R$ 7.350 mensais.
Para compensar a perda de arrecadação, serão taxados em até 10% os contribuintes com renda acima de R$ 600 mil por ano, com a taxação de lucros e dividendos na fonte a 10%, para montantes acima de R$ 50 mil por mês pagos por uma mesma pessoa jurídica.
A reforma aprovada incide sobre a renda dos mais ricos, diferentemente do IGF, um imposto sobre o patrimônio, cuja eficiência é questionada por alguns economistas.
O ministro Marco Aurélio (já aposentado) foi relator no julgamento que reconheceu a omissão do Congresso em regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF)
Carlos Moura/SCO/STF
Brasil deve taxar grandes fortunas?
Lorreine Messias, pesquisadora do Núcleo de Pesquisas em Tributação do Insper, concorda que a isenção de lucros e dividendos e a não instituição do IGF podem ser consideradas como gastos tributários, como faz a Unafisco.
"Se eu entender que o conceito de gasto tributário é tudo aquilo que eu abro mão, que eu deixo de arrecadar, sim, me parece fazer sentido", diz a pesquisadora.
No entanto, ela avalia que não é porque o IGF está previsto na Constituição que ele seja necessariamente um bom imposto e que deva ser criado.
A pesquisadora fez uma revisão bibliográfica sobre países que adotaram o IGF. Ela constatou que a grande maioria dos países que adotaram essa forma de taxação sobre o patrimônio descontinuaram o tributo no início dos anos 1990.
Atualmente, apenas três países na Europa ainda taxam grandes fortunas: Noruega, Suíça e Espanha (mais especificamente a região da Catalunha). Na América Latina, a Colômbia é um exemplo de país que adota esse tipo de tributação.
Zona Franca de Manaus é um exemplo de política que está aí há 60 anos e não se faz uma avaliação séria dos benefícios', diz pesquisadora do Insper
Divulgação/Suframa
Analisando essas experiências, a partir dos estudos publicados, a pesquisadora do Insper constatou que a arrecadação com esse tipo de imposto é baixa. Um dos motivos para isso, diz ela, é a alta elasticidade desse tipo imposto.
"Quando aumento um ponto percentual de alíquota desse tributo, eu perco muito em termos de arrecadação. Então, ele é um tributo muito sensível", diz Messias.
"Para cada ponto percentual que eu aumento, o contribuinte vai reagir, de maneiras lícitas e ilícitas. Ele vai esconder patrimônio, vai mandar [recursos] para fora [do país]. Licitamente, ele vai redirecionar esses recursos para ativos que não são tributados. Isso tudo foi visto [na literatura acadêmica]."
Além disso, diz a pesquisadora, a experiência mostra que a manutenção do imposto demanda um esforço muito grande por parte da administração tributária.
E que não há evidências de que, nos países que adotaram o IGF, o tributo tenha reduzido a desigualdade.
"Nossa Constituição foi elaborada há 37 anos. A literatura naquele período não tinha nem os recursos metodológicos, nem experiências suficientes para avaliar isso [os efeitos do IGF]", diz Messias.
"Então, era uma hipótese teórica que a adoção de tributos patrimoniais melhoraria a redistribuição de renda. Felizmente, a literatura econômica avançou. E o debate público precisa avançar. Não podemos continuar amarrados a uma mera previsão constitucional."
Mauro Silva, da Unafisco, reconhece que a adoção do IGF é polêmica e que há evidências contrárias à adoção do imposto.
Ele defende, porém, que adotá-lo seria uma questão de justiça tributária, mesmo que o tributo arrecade pouco. E diz que esse é um debate que precisa ser feito.
"O IGF está lá na Constituição, tem uma previsão constitucional. Então, esse debate precisa ser feito", defende o representante dos auditores fiscais.
Outros 'privilégios'
Completam a lista da Unafisco de maiores "privilégios tributários" os efeitos indiretos dos programas de parcelamentos especiais de débitos tributários, como o Refis e o Pert.
Através desses programas, contribuintes com dívidas tributárias podiam regularizar suas obrigações sob condições especiais, como prazos longos, redução ou cancelamento de juros, anistia de crimes e até quitação dos débitos.
O governo realizou mais de 40 desses programas desde sua criação em 2000, com uma renúncia fiscal estimada pela Unafisco em R$ 176 bilhões somente até 2018 (60% da dívida original).
O problema é que a repetição desses programas fez com que os contribuintes passassem a contar com eles em seu planejamento tributário, deixando de pagar os impostos em dia, para pagar com atraso, com descontos vantajosos.
Embora desde 2020 o governo tenha mudado o critério para adesão a esses programas, passando a considerar o histórico fiscal do contribuinte, a Unafisco considera que os efeitos negativos continuam, com empresas ainda adiando o pagamento de impostos na expectativa da renegociação.
Assim, a entidade calcula um impacto de R$ 43,9 bilhões dos programas de parcelamentos especiais em valores não arrecadados em 2026.
Os programas de parcelamento especiais sempre foram criticados pela Receita devido à perda de arrecadação e estímulo negativo aos contribuintes
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ainda na lista, a Unafisco inclui a parcela do Simples Nacional que beneficia empresas com faturamento acima de R$ 1,8 milhão, por avaliar que essas empresas não contribuem significativamente para a geração de empregos no país, como contribuem as empresas menores — que geram 75% dos empregos entre as empresas do Simples.
Esse benefício tributário deve consumir R$ 35,7 bilhões em 2026, estima a associação.
Atualmente, o Simples — um regime tributário simplificado idealizado para beneficiar micro e pequenas empresas — pode ser adotado por negócios com receita bruta de até R$ 4,8 milhões, um valor considerado muito alto por críticos ao modelo e que, segundo eles, desestimularia as empresas a saírem do regime especial.
Criada há quase 60 anos (em 1967), a Zona Franca de Manaus — parque industrial localizado na capital amazônica, beneficiado com incentivos fiscais e tarifas alfandegárias especiais — também está na lista e deve representar uma perda de arrecadação de R$ 35 bilhões para o governo em 2026.
"Políticas públicas devem ser transitórias por definição, sejam elas bem ou mal sucedidas, uma hora elas deveriam ser descontinuadas", diz Lorreine Messias, do Insper.
"A Zona Franca é um exemplo de política que está aí há 60 anos e não se faz uma avaliação séria dos benefícios."
A Unafisco ainda considera como um "privilégio fiscal" toda a parcela da desoneração da cesta básica que beneficia pessoas com capacidade contributiva, que a entidade considera que são todas aquelas que não são beneficiárias do Bolsa Família. O impacto disso no Orçamento é estimado em R$ 30,1 bilhões em 2026.
Descontos de saúde e educação no IRPF são 'justos'?
Do gasto tributário total de R$ 903,3 bilhões estimado para o próximo ano, a entidade considera que R$ 284,8 bilhões seriam gastos com "notória contrapartida social ou econômica".
No entanto, dentro desta conta estão, por exemplo, as deduções de gastos com saúde e educação no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
A Unafisco argumenta que esses gastos não seriam "privilégios", "em virtude de sua relevância notória para a sociedade" e diante da falta de investimento público suficiente nessas áreas.
No entanto, essas são renúncias fiscais que notoriamente beneficiam a parcela mais rica da população, que é aquela que declara Imposto de Renda.
"Essa é uma das políticas que fazem com que a nossa tributação da renda seja mais regressiva, porque quem mais gasta com educação e saúde privadas são as famílias mais ricas", observa Lorraine Messias, do Insper.
"Então, isso é, sem dúvida, algo mal desenhado dentro do Imposto de Renda e que precisa ser revisto, e não é porque existem grupos que resistem, com capacidade de influência no nosso Parlamento."
Mauro Silva, da Unafisco, reconhece a crítica, mas novamente defende o debate.
"Se a política de saúde do país não atende como deveria a população, eu não posso dizer que essa dedução é privilégio. Agora, existe alguma parte disso que pode ser considerada privilégio? Esse é um debate que precisa ser feito."
O sindicalista, porém, concorda com a pesquisadora do Insper que os grupos de interesse com poder de pressão sobre o Congresso são hoje a maior barreira para rediscutir o gasto tributário.
Ele lembra que, em 2021, uma emenda constitucional foi aprovada instituindo regras transitórias para a redução dos benefícios tributários, determinado um limite de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para esses benefícios.
No entanto, alguns dos subsídios que mais oneram o Orçamento foram excluídos da conta para essa redução, entre eles, a dedução da cesta básica, os benefícios para entidades sem fins lucrativos, a Zona Franca de Manaus, o Simples e o Microempreendedor Individual (MEI).
"Há uma captura do Orçamento por alguns setores", diz Silva.
"No momento da discussão do Orçamento e na elaboração das leis, eles exercem grande pressão e protegem esses setores de qualquer redução [de benefícios]. Então é muito difícil [mudar isso], pela representatividade que esses grupos de interesse conseguem ter dentro do Congresso Nacional."
Governo deixará de arrecadar o equivalente a quatro vezes o orçamento do Bolsa Família em 2026 em renúncias fiscais que beneficiam poucos, diz estudo
Divulgação ACSP
Aposentadoria em 2026: veja o que mudou e como calcular a sua

O que muda nas regras da aposentadoria em 2026
O ano de 2026 chegou e, com ele, mudanças significativas nas regras de aposentadoria para quem está prestes a se aposentar.
A reforma da Previdência, que segue alterando as normas anualmente, traz ajustes importantes, e se você já contribui com o INSS desde antes de 2019, é fundamental entender o que muda agora.
➡️ A regra geral exige que mulheres se aposentem com idade mínima de 62 anos, e pelo menos 15 anos de contribuição. Para homens, são 65 anos de idade e 20 de contribuição.
Para quem já contribuía com o INSS antes da aprovação da reforma, em novembro de 2019, o governo criou um regime de transição que prevê alterações todos os anos, até 2031, nas regras para aposentadoria.
Veja o que muda para essas pessoas em 2026:
A idade mínima para solicitar a aposentadoria sobe seis meses em relação ao regime anterior. As mulheres precisam ter, no mínimo, 59 anos e seis meses. Para os homens, a idade mínima passa a ser de 64 anos e seis meses.
O tempo mínimo de contribuição é de 30 anos para as mulheres e de 35 para os homens.
Também há mudanças na regra dos pontos, que soma o tempo de contribuição com a idade do trabalhador. A pontuação mínima exigida será de 93 para mulheres e de 103 pontos para homens.
Ao longo desta reportagem, entenda as regras de transição da reforma da Previdência e, em seguida, veja como calcular sua aposentadoria.
⚠️ Regras de transição
As regras de transição são voltadas para quem já contribuía antes da aprovação da reforma da Previdência, e foram criadas para estabelecer uma passagem entre as exigências antigas e as atuais do benefício.
Cada uma delas pode alterar o momento em que o benefício será concedido e o valor que o trabalhador receberá. Assim, o contribuinte pode se aposentar a partir da regra que for mais benéfica para ele.
Veja detalhes de cada uma a partir dos tópicos abaixo:
Tempo de contribuição + idade mínima;
Por idade;
Pedágio de 50%;
Pedágio de 100%;
Regra dos pontos;
Calculadora do INSS.
Tempo de contribuição + idade mínima
Nesta categoria, a idade mínima para se aposentar é progressiva e sobe seis meses anualmente. Além disso, é exigido um tempo mínimo de contribuição de 30 anos para as mulheres e de 35 para os homens.
Por idade
A regra considera a idade mínima de 65 anos para homens e de 62 para as mulheres, e um tempo de contribuição de 15 anos para ambos.
Pedágio de 50%
Direcionada para os trabalhadores que estavam prestes a se aposentar em 2019, a regra estabelece um "pedágio" equivalente a 50% do tempo de contribuição que faltava.
💬 EXEMPLO: Um trabalhador que já havia contribuído por 33 anos e que, antes da reforma da Previdência, tinha apenas mais 24 meses de contribuição pendentes, terá de trabalhar por mais 12 meses.
Nessa modalidade, a idade mínima exigida é de 57 anos para mulher e de 60 anos para o homem.
Pedágio 100%
A modalidade exige que o trabalhador cumpra integralmente o tempo de contribuição pendente para se aposentar. Neste método, a vantagem está no valor do benefício, que pode ser maior do que o pedágio de 50%.
Regra dos pontos
São os pontos obtidos a partir da soma entre idade e tempo de contribuição. Em 2025, a pontuação mínima será de 92 para mulheres e de 102 pontos para homens.
🧮 Calcule sua aposentadoria
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) liberou um recurso que ajuda a saber quanto tempo falta para se aposentar (por idade ou tempo de contribuição).
A simulação é feita com as informações que estão na base de dados do INSS. Também é possível incluir vínculos e alterar sua data de nascimento no momento da simulação.
O resultado gerado pela calculadora vale somente para consulta e não garante direito à aposentadoria.
Este pedido é realizado pela internet — não é necessário ir ao INSS.
Veja como acessar o simulador:
Entre no Meu INSS;
Informe seu CPF e senha;
Clique em “Do que você precisa?” e escreva “Simular Aposentadoria”;
Serão exibidas as simulações para todas as regras, antes e depois da reforma da previdência;
Clique em “Baixar PDF” para mais detalhes.
Vai ficar mais difícil se aposentar em 2026? Veja o que muda nas exigências
Divulgação
Banana que iria para o lixo vira amido que pode abastecer indústria

Produção de banana que é desperdiçada pode virar amido para indústria e virar renda extra
Uma pesquisa do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) quer transformar a forma como a banana é aproveitada no estado. O estudo utiliza a fruta que seria descartada para produzir amido. O objetivo é evitar o desperdício, gerar renda e abastecer a indústria alimentícia.
Atualmente, os produtores de banana perdem cerca de 10% da colheita. Aquelas frutas que estão fora do padrão de venda, ou seja, pequenas, machucadas ou danificadas durante o manuseio, costumam virar adubo ou alimento para animais.
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Apesar desse reaproveitamento, grande parte ainda vai para o lixo. A pesquisa - desenvolvida em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) - pretende mudar essa situação, criando uma nova cadeia produtiva a partir do fruto descartado.
"O impacto seria enorme porque essas bananas que hoje viram adubo, poderiam ser aproveitadas na produção de farinha ou amido, reduzindo o desperdício", explicou o extensionista do Incaper, Alciro Lazzarini.
Banana que iria para o lixo vira amido que pode abastecer indústria no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
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Segundo o extensionista, o amido produzido pode abrir portas para o setor industrial e trazer benefícios diretos aos agricultores.
"Com essa produção, poderíamos ter empresas gerando empregos e renda extra para os produtores. Considerando uma perda média de 10%, isso poderia significar até mil reais a mais por mês para cada produtor. Além disso, a indústria ajudaria a regular os preços do mercado", completou.
Produção de banana no ES
A fruta é plantada em 75 das 78 cidades do Espírito Santo. O município campeão em produção é Alfredo Chaves, na Região Serrana, com uma produção que ultrapassa 44 toneladas por ano, em uma área de 3.200 hectares, segundo o Incaper.
Boa parte da produção de bananas em Alfredo Chaves vem da agricultura familiar. Seu Antônio Carlos Petri cultiva banana-prata há muitos anos, junto com o irmão, e diz que a atividade garante renda para diversas famílias.
“A cultura da banana é tradicional aqui no município. A gente tem um carinho especial porque ela distribui renda o ano todo. Banana é muito importante para nós”, contou o produtor.
Banana que iria para o lixo vira amido que pode abastecer indústria no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
Otimista, ele explica que a produtividade da propriedade deve aumentar. "O meu bananal ainda é novo, mas a gente produz cerca de 40 toneladas por ano em dois hectares. A partir do segundo ciclo, a produção deve aumentar", afirmou.
O Espírito Santo está entre os maiores produtores de banana do Brasil, com colheita o ano inteiro. Segundo o Incaper, são 28.600 hectares plantados e uma produção média anual de 400 mil toneladas.
O fruto abastece principalmente os mercados de Santa Catarina, Goiás, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
"O Espírito Santo tem cerca de 28.600 hectares plantados, com uma produção anual de 400 mil toneladas. A maior parte é consumida in natura, entre as variedades prata e outros tipos", explicou Lazzarini.
Com a nova pesquisa, os frutos descartados no campo podem ganhar mais um destino e os produtores mais uma opção de renda.
Banana que iria para o lixo vira amido que pode abastecer indústria no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
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Do laboratório ao viveiro: como uma tecnologia criada no RN fez produtores de camarão ganharem mais

Empreendedores criam laboratório que transforma a produção de camarão no RN
Às margens da Lagoa de Guaraíras, em Tibau do Sul (RN), tradição e inovação caminham lado a lado. A região, conhecida pela forte produção de camarão, agora também se destaca pelo uso de tecnologia genética que está transformando a vida de pequenos produtores.
O Hailton Alves Marinho é um dos 28 produtores familiares que cultivam camarões na região. Ele viu a produção evoluir com a chegada de uma tecnologia desenvolvida por três empreendedores potiguares: Roseli Pimentel, Luciana Menollilanza e Daniel Lanza.
👩🏽🔬 Da ciência ao campo
Roseli, que já coordenou o programa de melhoramento genético da maior produtora de camarão do Brasil, percebeu que os testes genéticos só eram feitos no exterior – e com alto custo.
Junto com Daniel, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e Luciana, ela criou uma tecnologia 100% nacional para identificar as melhores famílias de camarões para cultivo.
“Com essa tecnologia, conseguimos selecionar os animais mais resistentes e produtivos, o que representa mais lucro para o produtor”, explica Daniel.
O investimento inicial foi de R$ 700 mil. Com apoio da empresa onde trabalhavam e recursos públicos, o trio abriu seu próprio laboratório, com aporte total de R$ 2 milhões. Hoje, a empresa atende produtores do Brasil, México e Arábia Saudita, com faturamento anual de R$ 390 mil.
Do laboratório ao viveiro: startup nordestina leva ciência ao agronegócio e fatura com camarão no RN
Reprodução/Tv Globo
🤑 Mais qualidade, menos custo
A tecnologia permite que produtores como Hailton cultivem camarões maiores e mais saudáveis. Em sua propriedade, ele produz 3 mil quilos por mês, com custo de R$ 30 mil e lucro líquido de R$ 6 mil mensais.
“Hoje eu produzo menos e ganho mais. O camarão maior tem mais valor no mercado”, afirma o produtor, que também investe em energia solar e controle rigoroso da qualidade da água.
📍 Impacto na economia local
O Rio Grande do Norte é responsável por 80% da produção nacional de camarão em viveiros familiares, movimentando cerca de R$ 450 milhões por ano. A biotecnologia desenvolvida no estado fortalece esse setor e contribui para uma produção mais sustentável e eficiente.
“A tecnologia só agrega. Ela direciona o conhecimento para decisões mais assertivas”, diz Roseli. Para o professor Daniel, o futuro da aquicultura está na informação: “É assim que vamos melhorar a produtividade e a vida de quem vive do campo.”
Do laboratório ao viveiro: startup nordestina leva ciência ao agronegócio e fatura com camarão no RN
Reprodução/Tv Globo
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Reservas recordes, infraestrutura em queda: o estado da indústria petrolífera da Venezuela

A importância e o tamanho das reservas de petróleo na Venezuela
Após a captura de Nicolás Maduro neste sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela à atuação de grandes companhias norte-americanas. A declaração amplia o alcance político e econômico da ofensiva anunciada por Washington.
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Até então, o governo norte-americano vinha justificando as operações militares no Caribe e o endurecimento das sanções contra Caracas com o argumento de combater o narcotráfico e desarticular rotas de drogas supostamente ligadas a grupos criminosos associados ao regime venezuelano.
A sinalização de Trump, no entanto, reforça que a estratégia americana envolve também interesses energéticos.
A Venezuela possui cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo, o equivalente a mais de 300 bilhões de barris — volume quase quatro vezes maior que o dos EUA, segundo órgãos internacionais do setor energético.
Com a captura de Maduro e a promessa de reorganização do setor, o controle sobre essas reservas passa a integrar o debate sobre os desdobramentos da ação americana e seus impactos econômicos e geopolíticos na região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulga foto de Nicolás Maduro após captura do líder venezuelano no dia 4 de janeiro de 2026
Reprodução
A seguir, o g1 detalha os principais pontos do mercado de petróleo venezuelano e como eles afetam a economia do país:
A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos.
Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e investimentos elevados para sua extração.
🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que restringem operações e acesso a capital.
Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo.
Dependência histórica do petróleo
O petróleo moldou a economia venezuelana ao longo do século XX. Após grandes descobertas nas décadas de 1920 e 1930, o país rapidamente se tornou um dos maiores produtores do mundo e, em 1960, ajudou a fundar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Em 1976, o governo nacionalizou a indústria petrolífera e criou a PDVSA, transformando o setor em um monopólio estatal. Nas décadas seguintes, durante os governos de Hugo Chávez, grande parte da renda do petróleo foi destinada a programas sociais, reduzindo outros investimentos na economia.
Como resultado, entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações venezuelanas vieram do petróleo. Quando a produção caiu, o país passou a enfrentar sanções internacionais, agravando a crise econômica.
A queda acentuada nas receitas do petróleo também contribuiu para a explosão inflacionária na Venezuela. Segundo o Banco Central, em 2019 os preços subiram 344.510% — o que significa que produtos que custavam 1 unidade monetária passaram a custar cerca de 3.400 vezes mais.
Sanções, PDVSA e relações com os EUA
Os Estados Unidos mantêm uma relação histórica com o petróleo venezuelano desde os anos 1920. Na década de 1930, o país já atraía grandes companhias estrangeiras, sobretudo dos EUA e da Europa.
Com o avanço das sanções, essa presença diminuiu drasticamente. Hoje, a Chevron é a única empresa americana que ainda opera na Venezuela, graças a uma autorização especial concedida por Washington, apesar das restrições ao país.
A PDVSA, que no passado assegurava a entrada de dólares na economia venezuelana, passou a sofrer cortes no próprio orçamento, interrompendo ciclos de manutenção e investimentos, o que agravou ainda mais a queda da produção.
Em 2002, a nomeação do economista Gastón Parra para a presidência da empresa gerou forte reação interna, que culminou em uma greve que paralisou a companhia por cerca de dois meses e resultou na demissão de aproximadamente 20 mil funcionários.
Petróleo e geopolítica internacional
Apesar das dificuldades, o petróleo continua sendo o pilar econômico da Venezuela. Segundo a Reuters, em 2024 a PDVSA faturou cerca de US$ 17,5 bilhões com exportações, com produção média ligeiramente acima de 800 mil barris por dia.
🔎 O petróleo venezuelano é considerado estrategicamente relevante para os EUA por ser compatível com refinarias americanas. Especialistas afirmam que o interesse de Washington vai além do discurso de combate ao narcotráfico e inclui objetivos econômicos, como a tentativa de reduzir preços de combustíveis no mercado interno.
Antes do endurecimento das sanções em 2019, os EUA eram os principais compradores do petróleo venezuelano. Após as restrições, a Venezuela passou a direcionar exportações para a China, em acordos de petróleo em troca de empréstimos, intensificando a disputa geopolítica na região.
👉 Segundo informações da Reuters, a Venezuela vinha quitando empréstimos por meio do envio de petróleo bruto transportado em três superpetroleiros de grande porte que, até recentemente, eram de propriedade compartilhada entre Caracas e Pequim.
Dois desses navios se aproximavam da costa venezuelana em dezembro, quando Trump anunciou um bloqueio a todas as embarcações que entrassem ou saíssem do país.
Desde então, as embarcações aguardam novas instruções, segundo documentos da estatal PDVSA e dados de monitoramento marítimo, em meio à paralisação da maior parte das exportações venezuelanas.
Em entrevista à "Fox News" neste sábado, Trump afirmou que a China receberia o petróleo, sem detalhar como isso ocorreria.
Impacto do petróleo na economia venezuelana
A produção e exportação de petróleo continuam sendo fundamentais para o desempenho econômico do país. Estimativas baseadas em dados da PDVSA e da Reuters indicam que as exportações de petróleo responderam por cerca de 58% da receita da estatal em 2024.
No mesmo ano, a estatal faturou US$ 17,52 bilhões com exportações de hidrocarbonetos — área que envolve a produção e venda de petróleo e gás —, dos quais US$ 10,41 bilhões foram destinados ao Tesouro venezuelano em impostos e royalties, segundo a Reuters.
A economia venezuelana cresceu 7,71% no primeiro semestre de 2025, segundo boletim especial do Banco Central da Venezuela (BCV), impulsionada sobretudo pelo setor de hidrocarbonetos, que avançou quase 15% no período.
O boletim mais recente da instituição aponta que o PIB venezuelano cresceu 8,71% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. No período, a atividade petrolífera avançou 16,12%, enquanto a atividade não petrolífera teve alta de 6,12%.
Essa dependência, porém, gera vulnerabilidade. Um estudo do Instituto Tricontinental, com base em dados da Global South Insights, estima que as sanções lideradas pelos EUA causaram perdas de cerca de US$ 226 bilhões em receitas petrolíferas para a Venezuela entre 2017 e 2024 — valor superior ao próprio PIB venezuelano, hoje estimado em US$ 108,5 bilhões.
Apesar de deter uma das maiores riquezas naturais do mundo, a Venezuela permanece entre as menores economias da América Latina, com sua trajetória condicionada ao petróleo e às tensões geopolíticas.
Equipamentos com logo da PDVSA, empresa estatal venezuelana de produção de petróleo, em imagem registrada em Lagunillas, Venezuela.
Isaac Urrutia/Reuters/Foto de arquivo
*Com informações da agência de notícias Reuters
Após captura de Maduro, Trump diz que EUA vão 'consertar' a indústria do petróleo da Venezuela

Empresa de petróleo dos EUA irá consertar a Venezuela, diz Trump
Após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, o presidente americano Donald Trump afirmou neste sábado (3) que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela à atuação de grandes companhias dos EUA.
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“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país.”
Trump também acusou governos venezuelanos de terem se apropriado à força da indústria de petróleo construída, segundo ele, com capital e expertise americanos.
“Construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós durante as administrações anteriores”, afirmou.
Para o presidente dos EUA, o episódio representou “um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país”.
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O presidente norte-americano afirmou ainda que a operação de captura de Maduro foi a maior ação militar dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial:
"(...) Sob minhas ordens, as Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram uma operação militar extraordinária na capital da Venezuela, empregando um poderio militar americano esmagador, aéreo, terrestre e marítimo, para lançar um ataque espetacular, um ataque como não se via desde a Segunda Guerra Mundial", afirmou Trump.
Mais cedo, em entrevista à rede de TV Fox News que ainda está decidindo sobre o futuro da Venezuela, após forças dos EUA capturarem o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na última madrugada.
De acordo com Washington, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram retirados da Venezuela por via aérea e estão sob custódia americana, onde devem responder à Justiça em Nova York.
O governo venezuelano declarou estado de emergência, disse desconhecer o paradeiro do presidente e cobrou uma prova de vida. Até a última atualização, não havia balanço oficial de mortos ou feridos.
Trump fala sobre ataque à Venezuela
Reuters/Jonathan Ernst
Petróleo, China, Doutrina Monroe: o que está por trás da ofensiva de Trump na Venezuela

Explosões são reportadas em Caracas, Venezuela
Após meses de especulações e operações marítimas perto da costa da Venezuela, os Estados Unidos atacaram neste sábado (3) diversos pontos de Caracas e capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa.
Para justificar as ações militares que vinha fazendo no Caribe e a pressão econômica sobre Caracas, o governo americano alegava combater o narcotráfico e rotas de drogas associadas a grupos criminosos ligados à Venezuela.
Além disso, descreve Maduro como líder de um regime corrupto e diz agir por questões de segurança regional.
Autoridades dos EUA aplicaram medidas diretamente a familiares de Maduro, ampliaram sanções e promoveram um bloqueio total a navios petroleiros ligados ao país sul-americano — escalando a pressão política e econômica sobre Caracas. Também houve apreensão de embarcações.
Em resposta, o presidente venezuelano classificou as ações como tentativa de golpe e ameaça à soberania, chamando as interceptações de “roubo descarado” e “pirataria naval criminosa”. Ele ainda acusa Washington de usar o combate às drogas como pretexto para forçar sua saída do poder.
Mas o que está, de fato, por trás da ofensiva dos EUA?
Para especialistas ouvidos pelo g1, os interesses vão muito além do combate ao tráfico e incluem fatores econômicos e geopolíticos, como o interesse pelo petróleo e a relação da Venezuela com a China — principal rival de Trump.
Veja, abaixo, alguns pontos de interesse do presidente dos EUA na Venezuela:
De olho no petróleo
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, com capacidade de aproximadamente 303 bilhões de barris — ou 17% do volume conhecido —, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA.
Esse volume coloca o país à frente de gigantes como Arábia Saudita (267 bilhões) e Irã (209 bilhões), com ampla margem. Grande parte do petróleo venezuelano, porém, é extra-pesado, o que exige tecnologia sofisticada e investimentos elevados para extração.
🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que limitam operações e acesso a capital.
Nesse contexto, há um claro interesse dos EUA. Segundo a EIA, o petróleo pesado da Venezuela "é bem adequado às refinarias norte-americanas, especialmente às localizadas ao longo da Costa do Golfo".
O jornal americano "The New York Times", por exemplo, afirmou que a commodity é prioridade na ofensiva contra o governo de Nicolás Maduro. Segundo a publicação, Washington tem feito negociações secretas com Caracas, justamente com foco no petróleo.
Para Marcos Sorrilha, professor de história dos EUA na Unesp Franca, o presidente norte-americano tem interesse na produção venezuelana por um motivo principal: reduzir preços internos e, assim, aliviar o custo de vida no país.
"O petróleo venezuelano seria uma estratégia de barateamento do preço do combustível para os americanos. É algo que está nas expectativas de Donald Trump", diz.
Nesse contexto, o republicano atinge dois objetivos simultaneamente: ao buscar favorecer a economia dos EUA, também pressiona a produção e as exportações de petróleo da Venezuela — setor central para a economia do país e para a sustentação do governo de Nicolás Maduro.
Os efeitos iniciais já começaram a aparecer nesta semana. Reportagem da Bloomberg News indicou que Caracas enfrenta falta de capacidade para armazenar petróleo, em meio a medidas de Washington para impedir que embarcações atraquem ou deixem portos venezuelanos.
Proximidade com a China
Antes das amplas sanções econômicas impostas pelos EUA à Venezuela, em 2019, os norte-americanos eram os maiores importadores do petróleo bruto do país. O restante das exportações tinha como principais destinos a Índia, a China e a Europa.
Após as sanções, grande parte das vendas externas passou a ocorrer por meio de acordos de petróleo em troca de empréstimos, usados para quitar dívidas. Nesse arranjo, a China disparou sua participação e desempenha papel central.
"A Venezuela mantém uma relação cooperativa com a China em áreas muito críticas, como petróleo e mineração", destaca Carolina Moehlecke, coordenadora do mestrado profissional em Relações Internacionais da FGV.
A especialista reforça que o gigante asiático, principal adversário comercial dos EUA, tem emprestado dinheiro para a Venezuela utilizando embarques de petróleo como garantia.
🔎 Com isso, grande parte das exportações venezuelanas foi destinada à China. Por meio dos acordos, o país asiático já concedeu quase US$ 50 bilhões em empréstimos ao longo da última década, em troca de petróleo bruto.
Segundo o relatório mais recente da Energy Information Administration, a China recebeu 68% das exportações de petróleo bruto da Venezuela apenas em 2023.
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, destaca que Donald Trump demonstra uma intenção clara de "manter os laços muito bem atados" na América Latina, diante do avanço da presença da potência asiática na região.
"A China tem exercido uma influência muito grande nos países latino-americanos, e os EUA não têm interesse nessa aproximação geopolítica chinesa. Então, existem questões estratégicas de toda ordem: geopolíticas, econômicas, geográficas", diz Galhardo, sobre a postura de Trump.
Para o economista, esse movimento também explica a redução das tensões de Donald Trump com o Brasil e a aproximação do republicano com a Argentina, em um gesto de expansão da influência norte-americana na América do Sul.
"De repente, Trump passou a achar Lula um homem bom, né? Isso também acontece porque o Brasil se tornou um dos maiores produtores de petróleo do mundo, está prospectando volumes na margem equatorial, além do Sul do país, e planeja investir na extração de petróleo na África", acrescenta.
Embora o Brasil não esteja entre os 10 países com maiores reservas, é o sétimo maior produtor de petróleo, com cerca de 4,3 milhões de barris por dia, segundo o órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA.
"O mesmo acontece na Argentina: a aproximação dos EUA tem muito mais relação com as reservas de petróleo — especialmente após descobertas em Vaca Muerta — do que com um alinhamento ideológico com Javier Milei", acrescenta Galhardo.
Abertura para empresas dos EUA
Por trás da tentativa de Trump de derrubar o governo de Nicolás Maduro também está a intenção do governo dos EUA de expandir o mercado da América do Sul para companhias norte-americanas, explica Marcos Sorrilha, da Unesp.
O professor lembra de conversas públicas de María Corina Machado, principal líder da oposição a Maduro, com Donald Trump Jr., nas quais ela defendia a abertura do mercado venezuelano a empresas dos EUA.
"Então, há também interesse em expandir parcerias de empresas norte-americanas no mercado venezuelano, não apenas para a extração de commodities e produtos primários, mas também para a exploração de processos e produtos industriais dentro do país", afirma.
Em seu segundo mandato, Donald Trump tem adotado políticas e firmado acordos comerciais para incentivar exportações americanas e ampliar o acesso a mercados internacionais, inclusive com iniciativas para aumentar as vendas de tecnologia a países aliados.
Doutrina Monroe: a estratégia por trás da agenda de Trump
Conforme mostrou o g1, o governo de Donald Trump pretende ampliar o foco na América Latina e reduzir o peso de outros compromissos globais, transferindo parte das responsabilidades a aliados, segundo a nova estratégia de política externa publicada pela Casa Branca no início deste mês.
O plano prevê um ajuste da presença militar global dos EUA “para enfrentar ameaças urgentes” no Hemisfério, além de recalibrar a atuação em áreas cuja relevância diminuiu para o país nas últimas décadas.
Nesse sentido, o documento menciona explicitamente a Doutrina Monroe, formulada há mais de dois séculos, e afirma que Washington deve “retomar” seus princípios na relação com a América Latina.
🔎 Criada em 1823, a Doutrina Monroe estabelecia que qualquer intervenção de potências europeias no hemisfério ocidental seria considerada uma ameaça à segurança dos EUA. Ao mesmo tempo, definia a região como uma área de interesse estratégico prioritário para Washington.
Carolina Moehlecke, da FGV, ressalta que a nova estratégia de política externa dos EUA resgata a doutrina de forma mais ofensiva, "ao estabelecer a América Latina como a região prioritária para sua segurança e prosperidade".
"Além disso, amarra essa prioridade a evitar que a China, principalmente, tenha acesso a recursos estratégicos na região, alguns dos quais a Venezuela consegue fornecer", diz.
Marcos Sorrilha, da Unesp, avalia que a estratégia retoma uma visão voltada à consolidação da hegemonia continental, com o objetivo de afastar concorrentes da região — especialmente a China — e assegurar a expansão dos interesses econômicos dos EUA na América Latina.
Segundo ele, há um paralelo com a política adotada na virada do século XIX para o XX, que buscava a expansão das empresas americanas na região por meio da Open Door Policy (Política da Porta Aberta).
No contexto mais amplo da política externa dos EUA, "esse objetivo era sustentado, quando necessário, pelo uso da força”, conclui.
Infográfico mostra cerco dos EUA contra a Venezuela
Arte/g1
Governo Trump vai aumentar presença militar na América Latina em nova política externa
Trump e Maduro
AP Photo/Evan Vucci; Reuters/Leonardo Fernandez