Café: USP analisa como mercado interno reage após abrir 2026 com negociações restritas

Café robusta
Globo Rural/Tv Globo
Após um período de negociações restritas, com ausências de vendedores e compradores ativos no mercado doméstico, as vendas do setor cafeeiro voltaram a aquecer na primeira quinzena de janeiro de 2026, segundo análise do Centro de Estudos em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Cepea-Esalq), o campus da USP em Piracicaba.
As cotações dos cafés robusta e arábica, o mais consumido no Brasil, fecharam a R$ 1,2 mil e R$ 2,2 mil a saca, respectivamente. Os valores são considerados positivos e atendem os patamares desejáveis pelos produtores, segundo o Cepea.
Segundo o centro, o movimento de alta se intensificou a partir de 6 de janeiro, quando os contratos futuros (de março de 2026) registraram aumento de 1.450 pontos na Bolsa de Nova York (ICE Futures). O movimento na bolsa de valores aumentou o volume comercializado no mercado brasileiro.
Segundo agentes consultados pelo Cepea, com a virada do ano, alguns agricultores tinham necessidade de fazer caixa, o que colaborou para o aumento da liquidez no período.
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Embora o mercado tenha esteja em viés de retomada, o cenário de pouca chuva em importantes regiões produtoras do Brasil preocupa agentes do setor cafeeiro em relação à safra 2026/2027, segundo o boletim divulgado pelo Cepea.
Compra de fertilizantes
Café fica 34,9% mais caro em Campinas, aponta levantamento
O poder de compra de fertilizantes pelos produtores de café de São Paulo aumentou nos últimos meses de 2025.
Os preços da saca de 60 kg do café arábica operou em cerca de R$ 2,2 mil em outubro. Os valores do café robusta fecharam em torno dos R$ 1.350 a saca.
Com as cotações nesse patamar, os produtores de São Paulo precisavam de 1,16 saca de arábica do tipo 6 para adquirir uma tonelada do adubo em 2025.
💰Em outubro de 2024, era preciso 1,44 saca de café para compra de fertilizante. Desde o início dos levantamentos feitos pelo Cepea, em 2011, a média histórica indica a necessidade de 2,6 sacas de café para pagar uma tonelada de fertilizante.
"O poder de compra dos agricultores frente a importantes fertilizantes é considerado bom neste ano. Pesquisadores ressaltam que a retomada das chuvas nas regiões produtoras de café tende a viabilizar a realização de adubações nas lavouras, visando um bom desenvolvimento da safra 2025/26", detalham.
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UE avalia retaliação de € 93 bilhões em tarifas contra os EUA após ameaça de Trump à Groenlândia

Por que a Groenlândia é tão importante para os EUA?
Os países da União Europeia consideram impor tarifas de € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) aos Estados Unidos ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco em resposta às ameaças do presidente Donald Trump relacionadas à anexação da Groenlândia, segundo o Financial Times.
Líderes da União Europeia se reúnem neste domingo (18) para discutir uma resposta conjunta ao agravamento das tensões diplomáticas e militares no Ártico.
Convocado em caráter de emergência, o encontro reúne representantes dos 27 países do bloco, em Bruxelas, sob a presidência rotativa da UE exercida pelo Chipre.
O objetivo é alinhar uma estratégia comum após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de impor tarifas de 10% — com possibilidade de elevação para 25% a partir de junho — contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
As medidas de retaliação da UE estão sendo desenhadas para fortalecer o poder de barganha dos líderes europeus em encontros decisivos com o presidente dos Estados Unidos durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta semana, segundo autoridades ao Financial Times.
Ao mesmo tempo, os governos buscam uma solução intermediária que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, vista como uma ameaça existencial à segurança europeia.
Segundo o Financial Times, as medidas tarifárias da UE já estavam prontas desde o ano passado e haviam sido suspensas até 6 de fevereiro, mas voltaram a ser discutidas neste domingo.
Também foi debatido o uso do chamado instrumento anticoerção, que permitiria restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco.
🔎O instrumento anti-coerção da União Europeia é uma ferramenta criada para permitir que o bloco responda a pressões econômicas de outros países, como ameaças de tarifas, usadas para forçar decisões políticas. Ele autoriza a UE a adotar medidas de retaliação comercial, como tarifas ou restrições a empresas estrangeiras, e funciona como um recurso de último caso, com foco em dissuasão.
Trump realiza uma ofensiva contra a Groenlândia com o objetivo de fazer com que a ilha se torne parte dos EUA, o que deixou europeus em alerta — a ilha do Ártico pertence à Dinamarca, que disse não estar disposta a negociar sua soberania sobre o território.
Nesta semana, o presidente norte-americano reiterou que os EUA precisam da ilha e que não se pode confiar na Dinamarca para a protegê-la.
No sábado (17), líderes europeus classificaram a ameaça como uma “perigosa escalada” e reafirmaram apoio à soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia, território semiautônomo localizado no Ártico.
Europa anuncia reforço da segurança no Ártico
Em resposta às declarações de Trump, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo dinamarquês.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda disseram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan. O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.
A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território.
Manifestantes fazem protestos em Copenhague, na Dinamarca, contra a intenção dos EUA de anexarem a Groenlândia, em 26 de janeiro de 2026.
Tom Little/ Reuters
O presidente americano afirma que a ilha é estratégica para a segurança dos EUA, por sua localização e por suas reservas minerais, e não descartou o uso da força, o que elevou o alerta entre aliados europeus.
Autoridades da União Europeia alertaram que o uso de tarifas como instrumento de pressão pode prejudicar as relações transatlânticas e enfraquecer a cooperação entre aliados.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco permanecerá “unido e coordenado” na defesa de sua soberania, enquanto a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, disse que divisões internas beneficiariam rivais estratégicos como Rússia e China.
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, também respondeu à ameaça de Trump. "Não nos deixaremos chantagear", disse.
O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, pediu que os aliados da Otan resolvam suas diferenças por meio do diálogo, e não da pressão, em referência à ameaça feita por Donald Trump.
"O diálogo com os Estados Unidos continua. Tarifas prejudicariam a relação transatlântica e poderiam levar a uma espiral descendente perigosa", disse o presidente finlandês em comunicado.
Já o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, afirmou que há um amplo consenso na Otan para fortalecer a segurança no Ártico.
"Ameaças não têm lugar entre aliados. A posição da Noruega é firme: a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca", afirmou Stoere em comunicado.
Neste sábado (17), o presidente da França, Emmanuel Macron, classificou como inaceitáveis as ameaças de tarifas feitas pelo presidente dos Estados Unidos. Segundo Macron, a Europa não cederá a intimidações e responderá de forma unida e coordenada caso as medidas se confirmem.
Segundo informações da Bloomberg, o presidente da França deve pedir a ativação do instrumento anti-coerção da União Europeia, uma ferramenta inédita do bloco.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também afirmou que a União Europeia avalia uma resposta conjunta e reiterou que o bloco será firme na defesa do direito internacional.
'Aliança da Otan está em jogo'
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, alertou, durante visita à Noruega, que a ordem mundial “como a conhecemos” e o futuro da aliança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão em risco diante das ameaças tarifárias feitas por Trump.
“Não tenho nenhuma dúvida de que há um forte apoio europeu”, afirmou o chanceler dinamarquês.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que conversou com Donald Trump “sobre a situação de segurança na Groenlândia e no Ártico”.
“Continuaremos trabalhando nisso e espero vê-los em Davos no fim desta semana”, escreveu Rutte na rede X.
Na última quarta-feira (14) os governos da Dinamarca e da Groenlândia afirmaram que aumentarão a presença militar na ilha e também no Ártico em coordenação com outros países da Otan.
Apesar de a Rússia protestar contra a presença da Otan no Ártico e acusar a Europa de ter "planos beligerantes", aliança militar tem presença constante na região e exercícios militares são comuns:
Os mais recentes ocorreram no início desta semana, segundo imagens divulgadas pela própria Otan em suas redes sociais: "treinamento no Ártico";
Em setembro de 2025, a Dinamarca realizou um exercício com aliados da Otan ao redor da Groenlândia que envolveu mobilização por ar, mar e terrestre;
Em março de 2024, Noruega, Suécia e Finlândia realizaram treinamentos no norte da Noruega;
A Otan prevê dois exercícios militares no Ártico em 2026, um em fevereiro e outro em março, ambos na costa da Noruega.
Moradores da Groenlândia fazem protesto contra os EUA, em 15 de março de 2025
Christian Klindt Soelbeck/Ritzau Scanpix/via REUTERS
FGC diz que 150 mil credores do banco Master começam a receber garantias a partir de segunda-feira

Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo
Rovena Rosa/Agência Brasil
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou neste domingo (18) que cerca de 369 mil pedidos de ressarcimento de garantias dos credores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do banco Master já foram registrados.
Destes, aproximadamente 150 mil credores finalizaram o processo de solicitação e seguiram para o processo de pagamento — que se inicia a partir desta segunda-feira (19).
➡️O prazo para pedidos de ressarcimento começou neste sábado (17), por meio do aplicativo do FGC, no caso das pessoas físicas. As empresas, por sua vez, devem fazer os pedidos pelo site do Fundo Garantidor de Crédito.
➡️Os valores serão pagos à vista. Se, por exemplo, um investidor tem R$ 200 mil em CDBs do banco Master, ele receberá em uma parcela única.
🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI).
Segundo o FGC:
o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
➡️O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025.
Fundo Garantidor de Créditos começa a receber pedidos de ressarcimento de quem investiu no Banco Master
Aplicativo funciona normalmente
O FGC informou, também, que depois de o aplicativo ter apresentado instabilidade neste sábado, no dia que o sistema foi aberto para os credores do banco Master, não foram registrados novos problemas.
"O aplicativo opera normalmente. Estão sendo processados cerca de 9 mil pedidos por hora, o que corresponde a aproximadamente 2,5 solicitações por segundo. Pontualmente, volumes anormais de acessos simultâneos ainda causam alguma lentidão", informou o FGC.
FGC alerta para tentativas de golpes
➡️O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia.
O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o app do FGC, telefone, email e redes sociais.
"O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS", informou.
Segundo o presidente do FGC, Daniel Lima, é importante que as pessoas estejam atentas para não serem enganadas.
“Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", acrescentou Daniel, Lima, do FGC.
Quem está protegido pelo FGC?
➡️Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
⚠️ EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC.
Quem não está protegido pelo FGC?
Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como:
Debêntures;
Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),;
Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);
Fundos de investimento;
Títulos emitidos fora do sistema de proteção.
Nesses casos, não há indenização automática: todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.
Liquidação do banco Master
A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
Lula critica ação dos EUA na Venezuela e diz que “este hemisfério pertence a todos nós”

Lula publica artigo em jornal dos EUA em que critica a ação na Venezuela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a ação dos Estados Unidos na Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, representam "mais um capítulo lamentável na erosão contínua do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial".
Em artigo publicado neste domingo (18) pelo jornal americano "The New York Times", Lula alertou que o uso recorrente da força por grandes potências enfraquece a autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança.
Na opinião do presidente, "quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas".
Lula já havia criticado a ação americana no dia 3, horas após a captura de Maduro. Naquela ocasião, falou em "afronta gravíssima à soberania da Venezuela". Pesquisa Quaest divulgada na última quinta-feira (15) revelou que 51% dos brasileiros acham que o presidente errou em seu posicionamento.
No artigo publicado pelo The New York Times, Lula argumentou que o respeito seletivo às normas internacionais leva à desordem e fragiliza os Estados individualmente e o sistema internacional como um todo.
"Sem regras acordadas coletivamente, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas", escreveu.
Para ele, ações unilaterais “ameaçam a estabilidade ao redor do mundo, interrompem o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”.
O presidente disse ser “particularmente preocupante” que esse tipo de prática esteja sendo aplicado à América Latina e ao Caribe, regiões que, segundo ele, buscam a paz por meio da igualdade soberana entre as nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos.
Lula ressaltou que esta é a primeira vez, em mais de 200 anos de história independente, que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos.
“A América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas. Temos nossos próprios interesses e sonhos a defender”, afirmou. Em um mundo multipolar, segundo Lula, nenhum país deveria ter suas relações exteriores questionadas por buscar universalidade. “Não seremos submissos a projetos hegemônicos.”
No artigo, o presidente também defendeu uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas em favor de resultados pragmáticos, com foco em investimentos em infraestrutura física e digital, geração de empregos, aumento da renda e ampliação do comércio.
Ele também destacou a importância da cooperação no combate à fome, à pobreza, ao tráfico de drogas e às mudanças climáticas.
Lula afirmou que “a história mostrou que o uso da força nunca nos aproximará desses objetivos” e classificou como ultrapassadas e prejudiciais a divisão do mundo em zonas de influência e as incursões neocoloniais em busca de recursos estratégicos.
O presidente brasileiro declarou ainda que o futuro da Venezuela “deve permanecer nas mãos de seu povo” e que apenas um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, pode levar a um futuro democrático e sustentável.
Segundo ele, essa é uma condição essencial para que milhões de venezuelanos — muitos deles atualmente acolhidos no Brasil — possam retornar com segurança ao país.
Ao final do artigo, Lula disse que o governo brasileiro mantém diálogo construtivo com os Estados Unidos e destacou que Brasil e EUA são as duas democracias mais populosas do continente americano.
“Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”, disse.
Lula discutiu sobre EUA e Venezuela com líderes
Gustavo Petro e Lula durante a Cúpula da Amazônia
Cristian Garavito/Presidência da Colômbia via Reuters
Após a operação contra Maduro, Lula manteve conversas telefônicas com os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, do México, Claudia Sheinbaum, e com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Nas conversas, os líderes disseram que a situação da Venezuela deve ser resolvida sem violência, por meio de diálogo e negociação, e com decisões tomadas pelos próprios venezuelanos.
Em conversa com Petro, Lula rejeitou a legitimidade da ação do governo Donald Trump e manifestou preocupação com o uso da força contra um país sul-americano.
Com Canadá e México, Lula reforçou a defesa de um processo de transição pacífico e liderado pelos próprios venezuelanos, além da rejeição à lógica de “zonas de influência” na região. Os líderes também reafirmaram apoio ao multilateralismo, ao direito internacional e à soberania dos Estados.
O governo brasileiro também adotou medidas práticas diante da crise, como o reforço da fiscalização militar na fronteira com a Venezuela e o envio de ajuda humanitária, incluindo medicamentos e insumos médicos.
O Brasil defende que o caso seja discutido em fóruns multilaterais, como a ONU e a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), bloco político que reúne os 33 países da América Latina e Caribe, exceto EUA e Canadá.
Quaest: maioria critica reação de Lula
Cenário interno, a postura do presidente gerou reação dividida. A pesquisa Quaest divulgada na última quinta-feira (15) mostrou que 51% dos brasileiros consideram errada a condenação de Lula à ação dos EUA.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O instituto também questionou como deveria ser a reação do governo Lula: 66% consideram que o governo brasileiro deveria se manter neutro no assunto, sem apoiar nem se opor à decisão de Donald Trump.
Prisão de Maduro
Nicolás Maduro foi deposto pelo governo Trump no dia 3 de janeiro. Ele foi preso por militares e levado aos EUA, onde deve ser julgado sob a acusação de ligação com o narcotráfico.
Quem governa agora a Venezuela é a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que negociou com os americanos a abertura do mercado de petróleo da Venezuela a empresas dos EUA, sob pressão de Trump. O país tem as maiores reservas de petróleo do mundo.
A permanência da estrutura do regime chavista mesmo com a deposição de Maduro frustrou as expectativas da oposição venezuelana. De início, Trump descartou que a líder opositora Maria Corina Machado, ganhadora do Nobel da Paz de 2025, possa assumir o poder.
Os Estados Unidos afirmam que a ofensiva militar contra a Venezuela teve como objetivo capturar o presidente Nicolás Maduro, acusado pelo governo americano de liderar uma organização ligada ao narcotráfico, o chamado Cartel de los Soles.
Desde agosto, os EUA haviam aumentado a pressão sobre o governo venezuelano, inclusive elevando para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro.
Inicialmente, a Casa Branca justificou o reforço militar na região como parte do combate ao tráfico internacional de drogas.
Com o tempo, no entanto, autoridades americanas passaram a indicar que o objetivo final era derrubar o governo Maduro, após fracassarem tentativas de negociação para que ele deixasse o poder.
Além disso, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista, ampliaram sanções, apreenderam navios petroleiros venezuelanos e impuseram bloqueios a embarcações ligadas ao país.
Segundo o New York Times, o governo Trump também tem interesse estratégico nas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.
Já o governo venezuelano afirma que a invasão teve como motivação tomar controle de recursos estratégicos, como petróleo e minerais, e denunciou a ação como uma tentativa de mudança de regime e uma “agressão imperialista”.
Lula durante conversa com jornalistas em Brasília
Adriano Machado/Reuters
Países da Europa anunciam reforço da segurança no Ártico após ameaça de Trump; Groenlândia agradece apoio

Trump ameaça impor tarifaço contra países que forem contra anexação da Groenlândia pelos EUA
Países da Europa anunciaram neste domingo (18) que fortalecerão a segurança no Ártico em apoio à Groenlândia, diante das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump de anexar a ilha.
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Em um comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda disseram que seguem comprometidos com a defesa da Groenlândia, ilha semiautônoma pertencente à Dinamarca.
"Como membros da Otan, estamos empenhados em fortalecer a segurança do Ártico como um interesse transatlântico comum", disse o comunicado.
Também neste domingo, o governo da Groenlândia agradeceu às nações europeias por manterem seu apoio à ilha ártica.
➡️ França, Alemanha, Reino Unido e outros países europeus já enviaram esta semana pequenos grupos de militares à Groenlândia a pedido da Dinamarca, o que levou Trump a ameaçar impor tarifas comerciais a oito aliados europeus até que os EUA sejam autorizados a comprar a ilha.
No sábado (17), líderes europeus alertaram para uma "perigosa espiral descendente" devido à ameaça de tarifas de Trump, prometendo manter seu apoio à Groenlândia e à soberania da Dinamarca. Embaixadores dos 27 países da União Europeia se reunirão no domingo para discutir sua resposta à ameaça de tarifas.
"Vivemos tempos extraordinários que exigem não apenas decência, mas também muita coragem", disse a ministra da Groenlândia, Naaja Nathanielsen, responsável pelos setores de negócios, energia e minerais da ilha, em um comunicado.
"O que nossos países têm em comum é que todos concordamos que o papel da Otan no Ártico deve ser fortalecido, e estou ansioso para discutir como isso será feito", disse o Ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lökke Rasmussen, em um comunicado.
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Protestos
Manifestantes fazem protestos em Copenhague, na Dinamarca, contra a intenção dos EUA de anexarem a Groenlândia, em 26 de janeiro de 2026.
Tom Little/ Reuters
Mulher traja boné com dizeres "Faça a América ir embora", durante protesto em Copenhague, em 17 de janeiro de 2026.
Tom Little/ Reuters
Milhares de manifestantes na Dinamarca e na Groenlândia protestaram no sábado (17) contra o plano de Trump de anexar a ilha do Ártico. O maior ato ocorreu nas ruas de Copenhague, a capital dinamarquesa (veja imagens acima).
Trump afirma que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA devido à sua localização estratégica e depósitos minerais, e não descartou o uso da força para conquistá-la, aumentando o alerta na Europa com a perspectiva de um confronto direto entre os países da Otan.
As próprias empresas da Groenlândia provavelmente não sofrerão um impacto significativo das tarifas americanas, disse presidente da Associação Empresarial da Groenlândia, Christian Keldsen.
"O objetivo, portanto, não parece ser a Groenlândia, mas sim pressionar nossos aliados europeus da Otan", escreveu Keldsen no LinkedIn, agradecendo aos governos por se manterem firmes.
Nórdicos apoiam Dinamarca
Navio de guerra da Otan navega durante treinamento militar no Ártico em janeiro de 2025.
Divulgação/Otan
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, também respondeu à ameaça de Trump.
"Não nos deixaremos chantagear", disse Kristersson.
O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, pediu que os aliados da Otan resolvam suas diferenças por meio do diálogo, e não da pressão, em referência à ameaça feita por Donald Trump. "O diálogo com os Estados Unidos continua. Tarifas prejudicariam a relação transatlântica e poderiam levar a uma espiral descendente perigosa", disse o presidente finlandês em comunicado.
Já o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, afirmou que há um amplo consenso na Otan para fortalecer a segurança no Ártico.
"Ameaças não têm lugar entre aliados. A posição da Noruega é firme: a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca", afirmou Stoere em comunicado.
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Mercedes-AMG GT 63 S: como é dirigir um superesportivo com DNA de Fórmula 1

Pilotar um carro de Fórmula 1 é privilégio de poucos, mas alguns modelos de rua inspirados nas pistas dão esse gostinho aos endinheirados.
A Mercedes-Benz oferece aos milionários brasileiros a chance de comprar o superesportivo AMG GT 63 S E Performance. O modelo exclusivíssimo tem um motor V8 biturbo combinado a um sistema híbrido semelhante ao da própria Fórmula 1.
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Ele está disponível em duas versões de carroceria: sedã de quatro e cupê de duas portas.
As duas são idênticas em quase tudo, mas a própria Mercedes confirmou que há diferença de alguns cavalos na potência entre as versões. O motivo é compensar o peso extra da variante de quatro portas.
Assim, o esportivo mantém o vigor mesmo oferecendo mais espaço para os passageiros entrarem e saírem com conforto.
Os preços variam entre R$ 1,6 milhão e R$ 2,3 milhões, conforme a configuração escolhida.
Motor de um Mercedes-AMG GT 63 S E Performance, com assinatura de quem montou
divulgação/Mercedes
O g1 testou a versão cupê do AMG GT 63 S E Performance no Circuito Panamericano, pista de testes da Pirelli.
Com o asfalto livre de obstáculos, foi possível explorar toda a força e a tecnologia do carro híbrido mais potente avaliado pela reportagem nos últimos anos, e o mais forte que a Mercedes tem para vender no Brasil.
Na maioria dos carros híbridos, a bateria tem dois objetivos principais: reduzir o consumo de combustível e diminuir as emissões. No AMG GT 63 S E Performance, isso também acontece, mas como consequência secundária do foco principal: entregar velocidade máxima ao pisar fundo no acelerador.
Para aumentar a velocidade e a potência do conjunto híbrido, a bateria de 6,1 kWh do AMG utiliza um sistema de refrigeração avançado: um líquido circula entre cada uma das 560 células que compõem o pacote.
A ideia é liberar o máximo de energia possível durante a aceleração, o que naturalmente aquece a bateria da mesma forma como seu celular esquenta quando você está jogando — que é quando exige o máximo de todo o aparelho.
Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
Mercedes-AMG GT 63 S E PerformancePerformancePerformancePerformance
No entanto, o sistema de resfriamento mantém a temperatura estável em torno de 45 °C — considerada ideal para o alto desempenho.
A arquitetura elétrica também foge do padrão de outros híbridos: opera em 400 volts — o que permite que mais energia seja direcionada às rodas.
O resultado? O velocímetro ultrapassou os 250 km/h com facilidade em uma reta de cerca de 740 metros.
Para quem ainda tem resistência aos esportivos eletrificados, o ronco do V8 biturbo — audível dentro da cabine mesmo quando o motor elétrico de 204 cv, em silêncio absoluto, movimenta sozinho as mais de 2,1 toneladas do AMG — é convincente e aquece o coração do mais apaixonado pela velocidade.
O ronco é tão apaixonante que é muito fácil esquecer que existe motorização elétrica para ajudar a empurrar mais o carro. Mas é só lembrar que o motor elétrico, sozinho, gera toda a potência que um BMW X1 de R$ 319.950 pode oferecer.
A única pista de que se trata de um híbrido é o segundo bocal, usado para recarregar as baterias.
O motor a combustão entrega mais 612 cv. Com o sistema elétrico, o conjunto alcança 816 cv de potência e 144,7 kgfm de torque.
Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
divulgação/Mercedes
Como o teste foi realizado exclusivamente na pista, o AMG permaneceu o tempo todo no modo esportivo. Nele ainda estão ativados sistemas de proteção do carro, mas alguns limitadores do acelerador são liberados e, assim, a alma do motor fica mais "solta".
O modelo oferece três modos esportivos. O selecionado para o teste é voltado especificamente para esse tipo de ambiente. Ao ser ativado, faz a central multimídia exibir um alerta que orienta o motorista a não utilizar esse modo em vias públicas.
Outro recurso inspirado na Fórmula 1 é a asa móvel em formato de aerofólio traseiro, que se ajusta conforme a velocidade do AMG. A função é semelhante à dos carros dos pilotos da marca George Russell e Kimi Antonelli: aumentar a aderência ao solo.
E o sistema funciona perfeitamente: todas as curvas, mesmo em alta velocidade, foram feitas com total controle. A tração integral também reforça a sensação de domínio sobre o carro.
Por fim, os difusores instalados na parte inferior e nas laterais do carro são ativos e ajustam-se de acordo com a velocidade. E podemos dizer que eles permitiram que o velocímetro se aproximasse dos 300 km/h na maior reta da pista.
E fez isso sem que o carro demonstrasse que estava próximo do limite. A sensação foi clara: havia segurança o suficiente para que o teste que fizemos pudesse acontecer — não existiu volante tremendo, carroceria dando sinais de que perderia o controle, nada.
Inclusive, o isolamento acústico e o desenho aerodinâmico desta Mercedes permitiram que apenas o ronco do V8 pudesse ser ouvido. Nenhum som do vento entrava, mesmo com o ar-condicionado ligado para compensar os mais de 30 °C daquele dia.
Mercedes-AMG GT 63 S E Performance
divulgação/Mercedes
Foi a força do sistema híbrido da Fórmula 1 que trouxe esse DNA da competição mais famosa do automobilismo.
Para conter toda essa força do conjunto, os freios utilizam discos de cerâmica e carbono. A combinação resiste a altas temperaturas em uso intenso. Nós testamos e fizemos o carro reduzir de mais de 250 km/h para cerca de 80 km/h em uma curva, em questão de poucos segundos.
Após algumas voltas na pista, ainda era possível sentir no ar o característico cheiro de borracha e ele, junto do ronco do V8, é uma das sensações que mais encantam os apaixonados por velocidade.
Em suma: é a força do sistema híbrido e aerofólios móveis mais próximos possíveis com o que existe de melhor na Fórmula 1. Tudo, no conforto de um carro que pode sair direto da pista para o shopping.
Na rua o AMG é contido, mas sempre pronto
Mesmo no modo esportivo — com suspensão mais rígida, pedais mais sensíveis e direção mais agressiva — o AMG GT 63 S E Performance surpreendeu pelo conforto e chega a superar um Honda Civic Type R, graças aos bancos de couro e acabamentos aveludados em partes da cabine.
Fora da pista, os bancos dianteiros contam com função de massagem e permitem ajustar o nível de encaixe tipo concha — e podem abraçar o motorista e o passageiro da frente conforme a preferência.
Fora do modo esportivo, em poucos minutos de rodagem, foi possível notar que nem todos os cilindros do V8 estavam ativos, o que reduziu significativamente o ruído interno e até diminuiu o consumo — não que quem compre este carro esteja realmente preocupado com eficiência para gastar menos gasolina.
Embora não seja tão silencioso quanto um carro “comum”, chega perto disso. Esse aspecto é importante para quem pretende usar o AMG GT 63 S E Performance em viagens longas, nas quais o ronco constante pode se tornar incômodo.
Mercedes-AMG GT 63 S E Performance por dentro
Mercedes-AMG GT 63 S E Performance por dentroPerformance por dentro
Mesmo no modo de condução mais suave do AMG GT 63 S E Performance, ao pisar fundo tudo volta ao estado bruto. Há, no entanto, um pequeno atraso entre o acionamento do acelerador e a resposta total do motor — medida necessária para garantir segurança ao lidar com mais de 800 cv em ambientes urbanos.
Além da velocidade, o AMG GT 63 S E Performance oferece outros atrativos: a central multimídia vertical tem 11,9 polegadas, e o painel de instrumentos digital mede 12,2 polegadas.
O modelo também inclui câmeras com visão 360 graus, assistente de estacionamento e piloto automático adaptativo — capaz de manter o carro centralizado na faixa.
Como o teste que fizemos foi em uma pista e com foco em velocidade, vimos que o piloto automático existe, que funciona e logo desligamos para que um robô não tomasse conta do volante de um carro com a alma de Fórmula 1 que essa AMG tem.
O porta-malas é compacto: apenas 203 litros. A limitação ocorre por conta das baterias, posicionadas logo acima do eixo traseiro.
Quais os concorrentes do AMG GT 63?
Já em termos de concorrência, o AMG GT 63 S E Performance praticamente reina sozinho. Seu principal rival é o Porsche Panamera Turbo S E-Hybrid que custa a partir de R$ 1.720.000 no Brasil. Ele compete diretamente com a versão de quatro portas do AMG, mas não com o cupê testado.
No segmento de dois lugares, o concorrente mais próximo é o Porsche 911 GT3, com 510 cv — bem abaixo dos 816 cv do AMG — movido exclusivamente por motor a combustão. O 911 acelera de 0 a 100 km/h em 3,4 segundos, enquanto o AMG faz em 2,8 segundos. O preço parte de R$ 1.620.000 no Brasil.
A combinação rara que deu à Venezuela as reservas de petróleo consideradas as maiores do mundo

Venezuela vista do espaço.
Getty Images via BBC
O petróleo venezuelano ocupou as manchetes da imprensa internacional nos primeiros dias de 2026, após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por tropas dos Estados Unidos e as declarações de Donald Trump sobre a riqueza petrolífera do país sul-americano.
Os 300 bilhões de barris de petróleo de reservas "comprovadas" da Venezuela representam quase um quinto do total mundial. No entanto, esse número autodeclarado é alvo de questionamento de especialistas, que argumentam que ele possa estar inflado.
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O país realmente possui vastas reservas de petróleo bruto, em grande parte graças à Faixa Petrolífera do Orinoco. Mas existe uma diferença entre a produção potencial e a real na Venezuela.
Além disso, o conceito de "reserva comprovada" envolve não apenas a existência física do petróleo, mas também a probabilidade de 90% de recuperação econômica e técnica com a tecnologia disponível. Grande parte do petróleo venezuelano, especialmente na Faixa do Orinoco, é pesado e caro de extrair.
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Apesar disso, não há dúvida que a Venezuela seja uma potência do petróleo. Sua posição geográfica, a história tectônica, a grande extensão de suas bacias sedimentares e a interação entre clima, relevo e tempo geológico criaram condições únicas para a geração e a preservação de hidrocarbonetos em escala mundial.
Do ponto de vista geológico, o território venezuelano está dividido em duas grandes metades, separadas pela cordilheira dos Andes, que se estende pelo oeste e sudoeste do país, atravessando os estados de Táchira, Mérida e Trujillo. Nessa cadeia montanhosa, destacam-se o Pico Bolívar, com mais de 5 mil metros de altitude, e a Sierra de Mérida.
A presença de grandes cadeias montanhosas em combinação com extensas bacias planas está diretamente relacionada à formação dos campos petrolíferos e à forma como o petróleo bruto se acumulou ao longo de milhões de anos.
E embora as condições do subsolo venezuelano sejam semelhantes às de outras potências petrolíferas— incluindo a vizinha Colômbia —, alguns fatores geológicos extremamente raros foram decisivos para a formação da Faixa Petrolífera do Orinoco, considerada a maior acumulação de hidrocarbonetos do mundo, além dos campos do Lago de Maracaibo.
Essas mesmas características geológicas fizeram com que, ao longo do tempo, o petróleo venezuelano se tornasse extrapesado e ácido, com alto teor de enxofre e difícil de refinar.
"O petróleo pesado — como o da Venezuela — é especialmente importante para a produção de diesel e de combustível de aviação", explica Mauro Ratto, cofundador e diretor de investimentos da Plenisfer Investments, que integra o grupo Generali Investments.
"Não é bom nem ruim; simplesmente tem usos diferentes dos do petróleo leve. É assim que isso deve ser colocado. Trata-se de um produto distinto", afirma à BBC News Mundo o geólogo e professor da Universidade Virginia Tech, Philip Prince.
Os Estados Unidos apreenderam dois petroleiros ligados ao petróleo bruto venezuelano no início de janeiro.
Getty Images via BBC
Por que a Venezuela tem tanto petróleo?
"Isso se deve à forma como o território está configurado. Além de contar com uma rocha geradora de excelente qualidade e uma rocha reservatório excepcional, tudo se encaixa perfeitamente para a existência desses enormes recursos petrolíferos em terra firme, em volumes extraordinários", explica Philip Prince.
Choque de placas tectônicas
A Venezuela está situada no extremo norte da América do Sul, em uma área de interação complexa entre a placa tectônica Sul-Americana, a placa do Caribe e a placa de Nazca. Esse contexto geológico deu origem a bacias sedimentares profundas, sistemas de falhas, dobras e armadilhas estruturais capazes de reter o petróleo até que ele seja descoberto. São condições geográficas ideais para a sua acumulação.
"As placas tectônicas se empurram umas contra as outras. A borda da placa sul-americana está sendo engolida sob a placa do Caribe, como se fosse uma máquina limpa-neve empilhando rocha com literalmente quilômetros de espessura. É assim que se formam bacias que acabam sendo preenchidas por sedimentos", descreve Prince.
"Esse choque tectônico enterra a rocha geradora, possibilita a formação do petróleo e, depois, o petróleo migra para essas novas camadas de sedimentos, abrindo caminho em direção às áreas mais externas", acrescenta.
O que o professor descreve é que esses choques tectônicos também criam cadeias montanhosas elevadas, que permitem que os sedimentos contendo petróleo se desloquem como se inclinássemos um prato para um dos lados. O ponto em que tudo se acumula acaba sendo, por exemplo, a Faixa Petrolífera do Orinoco ou os campos do Lago de Maracaibo.
Mapa de oleodutos e campos petrolíferos na Venezuela.
PDVSA via BBC
"As vastas reservas do país talvez sejam melhor explicadas quando se reconhece que as bacias atuais são remanescentes de áreas sedimentares muito mais extensas, que provavelmente alimentaram as armadilhas geológicas. Essa história envolveu migração e remigração de petróleo a longas distâncias", escreveu o geólogo K. H. James em um artigo publicado no Journal of Petroleum Geology.
Em termos mais simples, a Faixa Petrolífera do Orinoco funciona quase como o destino final de todo o petróleo gerado nas profundezas da bacia — o ponto para onde ele acabou convergindo ao longo de milhões de anos.
Ingredientes iniciais do petróleo
Desde o início de sua exploração, na década de 1910, até 1975, a indústria petrolífera venezuelana esteve sob o controle de empresas privadas, lideradas por gigantes do setor à época, como Shell, Exxon, Chevron, Mobil, Texaco, Gulf Oil, Sinclair e Phillips, entre outras.
A primeira grande descoberta de petróleo ocorreu em 1914, com o campo de Mene Grande, na Bacia Ocidental do Lago de Maracaibo. Nos anos seguintes, até 1917, vieram à tona diversos outros campos relevantes, incluindo o lendário e gigantesco Campo Costero Bolívar — todos localizados no oeste do país.
Já na Bacia Oriental, a produção comercial de petróleo teve início em 1937, com a descoberta do campo de Oficina. Ao final daquela década, a Venezuela produzia cerca de 560 mil barris por dia e havia se tornado o terceiro maior produtor mundial de petróleo, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Soviética.
Ao longo de mais de um século de exploração petrolífera convencional, foram descobertos na Venezuela cerca de 75 bilhões de barris de reservas recuperáveis, distribuídos em aproximadamente 320 campos petrolíferos — entre eles, 28 considerados gigantes.
Essas enormes reservas, no entanto, começaram a se formar centenas de milhões de anos antes, muito antes de qualquer atividade humana.
A tectônica de placas desempenhou um papel crucial na formação de petróleo na Venezuela, criando bacias sedimentares.
Getty Images via BBC
"No subsolo venezuelano existe uma espessa sequência de rochas sedimentares de grão fino, depositadas em ambiente aquático e ricas em matéria orgânica. Essa é a origem do petróleo. Elas contêm pequenos organismos — um pouco de plâncton e algas, seres microscópicos que utilizam a fotossíntese na água do oceano para sobreviver. Na prática, esses são os ingredientes iniciais do petróleo", explica Philip Prince.
Em outras palavras, milhões de anos atrás, havia pântanos pré-históricos com grande abundância de algas e fitoplâncton. Esse material orgânico se acumulou, foi soterrado ao longo do tempo e, sob altas pressões e por meio de reações químicas de longa duração, acabou se transformando em petróleo.
Outro elemento indispensável para a formação dos gigantescos campos petrolíferos é a rocha geradora do período Cretáceo, presente em praticamente todo o território venezuelano. Trata-se de uma rocha de altíssima qualidade, com enorme potencial para a geração de petróleo.
"Na Venezuela, a rocha reservatório é um bom arenito. Ela é extremamente eficiente para reter o petróleo no subsolo. Além disso, observamos a presença de inúmeras falhas geológicas, que funcionam como excelentes vias de migração do petróleo até pequenas estruturas geológicas que chamamos de armadilhas — posicionadas justamente para acumulá-lo no subsolo, permitindo que seja perfurado e extraído", conclui o geólogo.
Coreia do Sul negociará com os EUA por termos favoráveis em tarifas sobre chips, diz autoridade

Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30).
Reuters/Evelyn Hockstein
A Coreia do Sul buscará termos favoráveis para as tarifas dos Estados Unidos sobre importações de chips de memória, afirmou neste domingo (18) um porta-voz do gabinete presidencial, em uma coletiva televisionada.
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No ano passado, o país divulgou uma ficha técnica conjunta sobre seu acordo comercial com os EUA que incluía termos garantindo que a Coreia do Sul não receberia tratamento desfavorável em relação a tarifas americanas sobre chips importados, em comparação com concorrentes-chave, disse o porta-voz ao ser questionado sobre a proclamação do governo Trump que impõe tarifas sobre chips de inteligência artificial.
No sábado (17), o ministro do Comércio da Coreia do Sul afirmou que as tarifas dos EUA sobre alguns chips avançados de computação teriam impacto limitado sobre as empresas sul-coreanas.
A Samsung Electronics e a SK Hynix estão entre os maiores produtores de chips de memória do mundo.
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Acordo comercial fechado
Em outubro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Washington e Seul haviam fechado um acordo comercial. A declaração impulsionou a valorização do won frente ao dólar, ao sinalizar a redução das incertezas que pesavam sobre a economia sul-coreana, altamente dependente do comércio exterior.
“Nós conseguimos, conseguimos. Chegamos a um acordo”, afirmou Trump ao ser questionado sobre o desfecho das negociações, antes de participar de um jantar oferecido pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung. Mais tarde, reforçou que o pacto estava “praticamente concluído”.
Segundo Kim Yong-beom, assessor do presidente sul-coreano, o acordo define tarifas sobre automóveis e detalha compromissos de investimento da Coreia do Sul nos Estados Unidos. Pelo acerto, as tarifas aplicadas por ambos os países aos automóveis seriam reduzidas para 15%.
O pacote inclui ainda um plano de investimentos sul-coreanos de US$ 350 bilhões nos EUA, sendo US$ 200 bilhões em aportes diretos e US$ 150 bilhões destinados à cooperação no setor de construção naval.
Sem o acordo, montadoras e siderúrgicas sul-coreanas estariam sujeitas a tarifas de 25%, o que as colocaria em desvantagem em relação a concorrentes japoneses, que passaram a pagar 15% após o acordo firmado entre Tóquio e Washington.
A cúpula entre Trump e Lee ocorreu durante a viagem do presidente norte-americano por três países da Ásia, iniciada na Malásia, onde participou de uma reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Apesar do anúncio, autoridades sul-coreanas afirmaram que os dois países ainda mantêm divergências significativas sobre a parte financeira do pacote de investimentos de US$ 350 bilhões, já que Seul tenta reduzir o montante ao ampliar a participação de empréstimos e garantias.
Com informações da agência de notícias Reuters.
Trump e Xi Jinping se encontram na Coreia do Sul
Reuniões de madrugada e só 2 horas de sono: quem é a nova premiê 'workaholic' que assusta japoneses

Quem é Sanae Takaichi, primeira mulher a ocupar cargo de premiê no Japão
A primeira-ministra do Japão , Sanae Takaichi , já externou, mais de uma vez, a admiração que possui por Margaret Thatcher.
A ex-premiê britânica, que ocupou o cargo durante vários anos, foi uma conservadora convicta com opiniões fortes sobre política econômica, segurança nacional, imigração e várias outras posições de centro-direta que hoje são compartilhadas por Takaichi.
Thatcher também construiu uma reputação em torno do seu espírito workaholic. A britânica costumava dizer que só precisava de quatro horas de sono por noite.
De forma parecida, Takaichi tem externado o mesmo desdém pelo descanso e já indicou que espera o mesmo nível de comprometimento de seus ministros e da própria população japonesa. A atitude, no entanto, tem feito soar alarmes em alguns setores do país.
Após ter sido nomeada como primeira-ministra em outubro, Takaichi afirmou que pretendia descartar "equilibrio entre vida profissional e pessoal" para si mesma. "Vou trabalhar, trabalhar, trabalhar e trabalhar", declarou a japonesa na ocasião.
Primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
REUTERS/Kim Kyung-Hoon/File Photo
Reuniões na madrugada
A premiê japonesa manteve a palavra. No início deste mês, a premiê convocou uma reunião às 3h da manhã no seu gabinete, antes de outra reunião, da comissão do Orçamento, que começaria às 9h da manhã daquele dia.
Ela admitiu que dorme "cerca de duas horas por noite agora, quatro horas no máximo”. "Provavelmente é ruim para a minha pele", brincou.
Takaichi também solicitou ao ministro do Trabalho que analisasse a possibilidade de flexibilizar as restrições a horas extras – fixadas em um máximo de 720 horas por ano –, a fim de incentivar o crescimento econômico.
Tomoko Yoshino, primeira mulher a chefiar o Rengo, o maior sindicato do Japão, destacou que o número já está próximo do limite que aumenta o risco de karoshi, termo japonês que significa morte por excesso de trabalho.
Japão registrou um recorde de 1.304 casos de mortes e problemas de saúde relacionados ao excesso de trabalho em 2024
Yoshikazu Tsuno/AFP
Jornadas excessivas
"Não podemos permitir que o limite máximo seja flexibilizado", disse Yoshino a repórteres em Tóquio.
"Ainda estamos apenas na metade do caminho para reduzir o karoshi a zero e promover reformas no estilo de trabalho”, afirmou a sindicalista.
Um grupo de advogados que representam as famílias de pessoas que morreram de karoshi externou uma posição na mesma linha. O grupo emitiu uma declaração afirmando que os comentários da primeira-ministra "não ajudam" em um país que há muito tempo é famoso por sua cultura de jornadas de trabalho excessivas.
A declaração do Conselho Nacional de Defesa das Vítimas de Karoshi apelou a Takaichi para que suspendesse os esforços para reverter os recentes progressos na criação de um equilíbrio mais saudável entre a vida profissional e pessoal e para que parasse com os comentários mais "exaltados".
De acordo com estatísticas do governo japonês, um recorde de 1.304 casos de mortes e problemas de saúde relacionados ao excesso de trabalho foram registrados no ano fiscal de 2024 no Japão – um aumento de 196 casos em relação ao ano anterior.
Do total, 1.057 foram de distúrbios de saúde mental relacionados ao trabalho, incluindo "abuso de poder por parte de superiores ou outras pessoas” e "assédio por parte de clientes".
Cultura de trabalho tóxica
A preocupação chegou até mesmo a ser compartilhada por alguns membros do governo de Takaichi. O ministro da Saúde, Takamaro Fukuoka, afirmou que a pasta "acredita que perder a vida ou a saúde devido ao excesso de trabalho não deve acontecer".
O problema também é uma questão de direitos humanos, destacou Teppei Kasai, representante da Human Rights Watch em Tóquio.
"Não acredito que esse seja um fenômeno particularmente japonês. Existem locais de trabalho com culturas e regras tóxicas em vários outros países", disse ele.
"Dito isso, a cultura corporativa japonesa tende a enfatizar excessivamente a presença em vez da produtividade, o que pode levar os trabalhadores a se sentirem obrigados a comparecer ao trabalho mesmo que estejam doentes ou saibam que não serão produtivos por algum outro motivo", disse Kasai à DW.
Embora tenha havido alguns progressos na cultura de trabalho no Japão desde a pandemia de covid-19 em 2020, há preocupações de que as pressões sobre os trabalhadores possam aumentar mais uma vez, levando a um novo aumento nos casos de karoshi, depressão ou suicídios relacionados à carga excessiva.
Regras internacionais
Segundo Kasai, o Japão deveria seguir as diretrizes de 2016 da ONU sobre condições de trabalho. Essas regras definem que os Estados devem "estabelecer padrões mínimos que precisam ser respeitados e não podem ser negados ou reduzidos com base em argumentos econômicos ou de produtividade".
"É importante ter em mente que todos têm direito a descansar todas as semanas como parte de condições de trabalho justas e favoráveis, o que significa que nenhum trabalhador deve poder 'escolher' trabalhar 90 horas por semana", destacou Kasai.
"Também é fundamental compreender que a flexibilização do horário de trabalho pode aumentar o risco de exploração laboral para as pessoas em determinados setores."
A primeira-ministra Takaichi colocou novamente em destaque as longas jornadas de trabalho no Japão, mas o debate ficou ainda mais urgente depois que vários profissionais compartilharam jornadas de trabalho de 18 horas nas redes sociais.
Hiro é o autor do canal japonês "Typical Salaryman” (Funcionário comum, em tradução livre) no YouTube e Instagram. Ele faz publicações como "Sem dinheiro antes do dia do pagamento”, "Uma semana de desespero corporativo” e "Semanas de 65 horas no Japão”.
Num video publicado no YouTube com o título "Every Day is Hell” (todo dia é um inferno), Hiro descreve como se sente solitário e exausto por trabalhar na cidade japonesa de Osaka e como encontra consolo na comida. Comentários de perfis de todo o mundo no vídeo são reveladores.
"Espero que um dia você consiga um emprego melhor e continue com saúde por muito tempo", diz um deles. Outro espectador afirma: "Você é um sujeito incrível. Estou assistindo aos seus vídeos desde ontem. Desejo tudo de bom para você. Continue produzindo seu conteúdo e deixe essa vida".
Jornadas excessivas
Issei, de 27 anos, esperava encontrar um emprego estável logo após se formar. Em vez disso, passou por uma série de empresas que exigiam muitas horas extras e onde a cultura era "desafiadora" para quem esperava um equilíbrio razoável entre vida profissional e pessoal.
"São as chamadas 'Black kigyō' e era muito difícil”, diz Issei, que trabalhou no setor de vendas e pediu para não revelar seu sobrenome, pois atualmente está desempregado e se candidatando para novas vagas.
"Eu acumulei algumas dívidas depois da faculdade e era difícil sobreviver, mesmo trabalhando em tempo integral", explica. "Havia dias em que eu ficava muito deprimido, mas eu li sobre pessoas que morriam de karoshi por trabalharem demais ou que cometiam suicídio."
"Para mim, nunca foi tão ruim assim, porque eu iria preferir desistir, mas consigo entender como algumas pessoas não sentem que podem fazer isso e simplesmente continuam até que seja tarde demais."
Outros, no entanto, são cautelosamente a favor de permitir que qualquer pessoa que queira trabalhar horas extras o faça sem infringir a lei, especialmente em um momento de desafios econômicos.
"A questão é complicada", afirma Makoto Watanabe, professor de Comunicação e Mídia. "Algumas pessoas querem trabalhar muitas horas porque podem ganhar um bom salário e existe legislação para proteger aqueles que não querem fazer horas extras ilimitadas. Existe um problema com suicídios, doenças e karoshi relacionados ao excesso de trabalho, mas acho que as coisas melhoraram nos últimos anos."
"Acredito que, se as leis não forem flexibilizadas a ponto de os empregadores poderem abusar delas, as pessoas deveriam poder trabalhar o quanto quiserem", argumenta Watanabe.
Quais são as atualizações da NR-1, que apresenta diretrizes de saúde no trabalho
O cientista que trocou a USP pela Amazônia para criar fazendas de gado que ajudam a reduzir desmatamento

Diante de estimativas que preveem aumento no consumo de carne, Luís Fernando Laranja Fonseca defende que métodos inovadores de criação do gado são solução para minimizar impacto ambiental
Arquivo pessoal via BBC
A estabilidade de um trabalho concursado e o prestígio de uma carreira acadêmica consolidada e internacional não foram suficientes para manter o veterinário Luís Fernando Laranja Fonseca no cargo de professor e pesquisador na Universidade de São Paulo (USP).
A distância entre a teoria científica e a realidade do desmatamento da Amazônia era tão incômoda que ele decidiu, em 2002, pedir demissão do cargo.
Fonseca tinha 35 anos quando se mudou com a esposa e um filho de apenas seis meses para Alta Floresta, uma pequena cidade no interior do Mato Grosso, na linha de frente do desmatamento.
Hoje com 58 anos e de volta a São Paulo (SP), Fonseca lembra daquele momento como uma "guinada radical" em sua vida.
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"Minha leitura era de que precisaríamos desenvolver negócios que estivessem associados à conservação florestal. Se não conseguíssemos gerar bons negócios que valorizassem a floresta em pé, seria difícil reduzir drasticamente o desmatamento", lembra Fonseca.
A imersão na Amazônia durou seis anos, período em que seu segundo filho nasceu e em que ele trabalhou diretamente com comunidades na extração da castanha-do-pará na sua primeira empresa na região, a Ouro Verde.
Embora o negócio da castanha tenha dado certo, Fonseca percebeu que o efeito, em escala macro, ainda era pequeno diante da magnitude da destruição florestal.
Então, ele fundou a Kaeté Investimentos, uma gestora focada em mobilizar fundos para negócios de impacto na região amazônica.
Em 2019, criou a Caaporã, uma holding (empresa que controla a participação em várias companhias) que hoje administra 20 mil hectares em seis fazendas no Mato Grosso, Tocantins e Bahia.
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O que o arroto do boi tem a ver com o aquecimento global?
Com o projeto Ouro Verde, veterinário trabalhou com comunidades da terra indígena Rikbaktsa
Arquivo pessoal via BBC
Fonseca retornou à capital paulista para ser coordenador do Programa de Agricultura e Meio Ambiente da ONG WWF-Brasil e hoje trabalha viajando entre o escritório da sua holding em Piracicaba (SP) e as fazendas que administra.
Nascido em São Borja (RS), o veterinário tem doutorado em Reprodução Animal e pós-doutorado pela University of Kentucky (EUA)
Com a Caaporã, ele tem experimentado formas de tornar a produção de carne bovina mais sustentável.
Por que tem tanto boi na Amazônia?
Desafiando a pecuária extensiva
Seu método começa com a recuperação de pastagens degradadas, áreas que já foram desmatadas e perderam sua fertilidade.
Nessas pastagens, o capim é pobre em nutrientes. Assim, o gado demora mais para engordar, permanecendo no pasto por cerca de quatro anos antes do abate.
Com a recuperação do solo preconizada por Fonseca, árvores são plantadas e o capim é misturado com leguminosas, como o amendoim forrageiro.
Essas plantas têm a capacidade natural de fixar nitrogênio da atmosfera na terra. Isso reduz a dependência de fertilizantes químicos nitrogenados (como a ureia), cuja produção e aplicação também emitem gases de efeito estufa.
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Uma das fazendas de Fonseca antes e durante o trabalho de recuperação
Divulgação via BBC
Além de reduzir a dependência do Brasil de ureia da Rússia, o pasto adubado é uma alternativa mais saudável e sustenta mais gado por metro quadrado.
Com o plantio de árvores, a sombra destas reduz o estresse térmico do gado no calor tropical, o que também contribui para que o animal ganhe peso mais rápido — diferente do gado exposto ao sol escaldante.
O grupo utiliza espécies de árvores exóticas, como o eucalipto; e nativas, como o paricá, madeira amazônica destinada à indústria de móveis.
Com as melhoras no solo e na alimentação, o gado atinge o peso de abate em cerca de dois anos — a metade do tempo convencional.
Menos tempo de vida significa, matematicamente, menos tempo emitindo metano na atmosfera.
Na produção de gado, esse gás poluente é gerado com a chamada fermentação entérica — o processo digestivo dos bois que transforma capim em gás.
"Se você tem um boi que engorda com quatro anos, ele fica quatro anos literalmente arrotando metano", resume Fonseca.
Como a pecuária pode reduzir a emissão de gases poluentes
O Brasil é o quinto maior emissor de metano (CH4) do mundo, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), e o agronegócio respondeu por 75,6% dessas emissões em 2023 — sendo que 98% delas vieram da pecuária.
O país tem o segundo maior rebanho bovino do mundo e lidera as exportações, mas essa liderança tem um custo territorial.
Dados do MapBiomas indicam que a área dedicada à pastagem foi o uso da terra que mais se expandiu na Amazônia entre 1985 e 2023: um aumento de mais de 363%, saltando de 12,7 milhões de hectares para 59 milhões, equivalente ao território da Espanha.
O cenário encontrado por Fonseca na Amazônia é dominado pelo que se chama de pecuária extensiva.
Neste modelo tradicional, o gado é criado solto em grandes áreas de pasto, com baixo investimento em tecnologia ou manejo do solo. Esse é um dos motivos pelos quais a produtividade da pecuária na Amazônia é baixa (0,73 animal por hectare) e pressiona pelo desmatamento, para manter ou aumentar a produção.
Já a pecuária intensiva, abordagem adotada por Fonseca e sua empresa, ocupa áreas menores, busca alto rendimento produtivo e maiores investimentos em tecnologia e conhecimento técnico — um custo do qual os produtores tradicionais querem fugir.
Nesse modelo, os animais são confinados e alimentados com dietas controladas para acompanhar sua saúde e crescimento, que é mais rápido.
"Se replico em larga escala, esse modelo intensivo permitiria liberar milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade", defende o veterinário.
Essas áreas ociosas poderiam ser destinadas ao restauro florestal, ajudando o Brasil a cumprir sua meta de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa, um compromisso assumido no Acordo de Paris que, segundo dados atuais do SEEG, está longe de ser atingido.
Segundo ele, a abordagem reduz significativamente a pegada de carbono: enquanto cada quilo da carcaça no método tradicional emite cerca de 35 kg de CO2, no método da Caaporã, a emissão é de cerca de 20 kg — uma redução superior a 40%.
O trabalho de Fonseca é acompanhado há duas décadas por acadêmicos como André Pereira de Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces/FGV).
'Se você tem um boi que engorda com quatro anos, ele fica quatro anos literalmente arrotando metano', diz Fonseca, referindo-se a gás poluente
Arquivo pessoal via BBC
"O negócio do Luiz trabalha dentro de um campo da agricultura regenerativa: produz um alimento que contribui para a segurança alimentar e, ao mesmo tempo, tem uma contribuição com serviços ambientais", diz Carvalho, apontando para os impactos positivos do método na biodiversidade e na preservação da água, além da redução da emissão de poluentes.
Silvia Ferraz Nogueira De Tommaso, professora no doutorado profissional em Gestão de Negócios da faculdade FIA Business School, destaca a visão sistêmica do projeto.
"De um lado, temos a pecuária como vilã do desmatamento; do outro, como um setor que traz riqueza. Se quisermos resolver o problema pensando unicamente em eliminar a pecuária, criaremos um problema social e econômico", avalia a professora.
Como será o futuro?
Para Fonseca, não é realista esperar que o mundo pare de comer carne.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) projetam um aumento de 10% no consumo mundial de carne bovina até 2033.
"O mundo irá consumir muito mais carne na próxima década. Isso é um fato. Alguém vai ter que suprir essa carne", afirma o empresário, para quem essa demanda, nos moldes atuais de produção, pode ser um desastre para a Amazônia.
Ao mesmo tempo, o cientista é cético com alternativas como a criação de carne de laboratório, cultivada a partir de células.
"No curto prazo, nos próximos 10 anos, não temos sinalização de que essas carnes vão ocupar espaço significativo", avalia, citando o alto custo desses experimentos e o tempo demandado para que o consumidor se adapte a esse novo tipo de produto.
Para Fonseca, se a demanda por carne bovina existe e a tecnologia celular ainda é distante, a única saída imediata é transformar o modo como o boi é criado hoje.
Mas o veterinário reconhece que há muitos obstáculos estruturais para isso.
Um deles é o acesso ao conhecimento: o método que ele propõe exige uma gestão técnica apurada, muito diferente de apenas "soltar o boi no pasto".
Além disso, recuperar o solo degradado custa caro. Para isso, linhas de crédito voltadas para a agricultura mais sustentável poderiam ser úteis, mas Fonseca diz que o acesso a elas no Brasil é burocrático e limitado.
Outro obstáculo, talvez o mais difícil, é o cultural.
"O produtor fala: 'Eu sei fazer? Sei. Dinheiro eu tenho? Tenho. Mas não quero fazer'", diz Fonseca sobre a resistência em abandonar o modelo extensivo.
O empresário aposta no incentivo econômico.
Fonseca reconhece que recuperar o solo degradado, como nesta fazenda, custa caro
Divulgação via BBC
Como o mercado de carne ainda paga praticamente o mesmo valor por um boi "verde" ou um convencional, Fonseca tem estudado fechar a conta através da venda de créditos de carbono.
Sua empresa está desenvolvendo uma metodologia própria junto à Verra, maior certificadora global deste tipo de mercado.
Enquanto isso, a Minerva Foods, uma das maiores exportadoras de carne do país, já compra parte da produção da Caaporã e informa que tem buscado promover essas práticas de pecuária regenerativa entre seus fornecedores.
"Esse tipo de manejo está totalmente alinhado à estratégia da empresa para uma pecuária de baixa emissão de carbono", afirma Marta Giannichi, diretora global de Sustentabilidade da Minerva, ressaltando que o modelo prova ser economicamente viável e replicável.
"Esses modelos ajudam a restaurar o solo, conservar a biodiversidade e aumentar a eficiência produtiva", comenta a executiva sobre a tendência que, segundo ela, vem crescendo não só na Amazônia, mas em outros biomas.
Durante a COP30, cúpula ambiental realizada no ano passado em Belém do Pará, as tensões e incógnitas em torno da pecuária ficaram evidentes.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) organizaram a Agrizone, um pavilhão a menos de 2 km da Blue Zone (onde aconteciam as negociações sobre o clima) patrocinado por grandes empresas e entidades de classe, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nestlé e Bayer.
O pavilhão foi alvo de protestos de ativistas que não têm simpatia por um setor apontado por dados como um dos principais responsáveis pelo avanço do desmatamento na Amazônia.
Na Agrizone, a Embrapa e algumas das maiores produtoras de carne do Brasil apresentaram propostas de baixo carbono — sinalizando um movimento crescente, mas ainda incipiente, em busca de alternativas inovadoras, mais sustentáveis e produtivas.
Mas a falta de controle dos supermercados sobre dados de desmatamento na cadeia de produção é um dos elos frágeis dessa indústria que alimenta a desconfiança dos consumidores.
O aplicativo Do Pasto ao Prato, iniciativa de organizações internacionais e financiada pelo governo da Noruega, mostra que cerca 40% do rebanho bovino brasileiro é criado na Amazônia. Três quartos (76%) dessa carne é destinada ao mercado interno.
Segundo o portal, apesar dos compromissos públicos de sustentabilidade dos principais frigoríficos, só 54% da carne bovina proveniente da Amazônia e vendida no Brasil tem em sua produção um desempenho de sustentabilidade adequado — o resto viria de práticas de produção ilegais.
No caso das exportações, 80% do volume cumpre adequadamente protocolos contra o desmatamento, em função da maior cobrança disso por compradores estrangeiros, especialmente da União Europeia.
Grifes, lojas da Rolex e concessionária da Ferrari: vestido de presidente revela 'ilha' de luxo na Venezuela

Delcy Rodriguez em 5 de janeiro de 2026
Marcelo Garcia/Palácio Miraflores/via REUTERS
Quando entrou no Palácio Federal Legislativo para prestar juramento e ser empossada presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez usava um vestido verde que chamou a atenção de muita gente fora do país: tratava-se de um modelo da grife italiana Chiara Boni La Petite Robe, à venda por cerca de 550 euros (aproximadamente de R$ 3.800).
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Embora a cifra esteja abaixo do que posts de oposicionistas especularam nas redes sociais, o valor ainda é muito superior ao poder de compra do venezuelano médio – o salário mínimo atual do país, congelado em 130 bolívares desde 2022, é equivalente a meros R$ 2,46.
O vestido de grife de Delcy Rodríguez revela uma realidade pouco conhecida do país, mergulhado em uma crise econômica de mais de uma década: a existência de um resistente mercado de luxo.
Em Caracas, existem cinco distribuidores oficiais da marca de relógios de luxo Rolex. Para roupas das mais diversas marcas, a capital venezuelana dispõe da Galeria Avanti. A algumas quadras dali, no andar térreo da torre Jalisco, é possível ver carros da Ferrari expostos em uma concessionária da fabricante italiana.
Delcy Rodríguez toma posse como presidente da Venezuela
Na capital, a maior parte desse mercado de luxo fica concentrada no bairro Las Mercedes e seu entorno, reduto que forma uma “ilha” de riqueza na cidade. A região também é o epicentro de um “boom” gastronômico que chama a atenção no país, com restaurantes de alta gastronomia abrindo às dezenas nos últimos anos.
Quem se senta às mesas deles, muitos dos quais comandados por chefs venezuelanos com passagens por estabelecimentos estrelados da Europa, se depara com os preços do cardápio em dólar.
A escolha da moeda não é um acaso: em 2020, em meio à pandemia, o regime de Nicolás Maduro relaxou as restrições para o uso corrente de moeda americana, beneficiando quem tem acesso a ela – ou seja, as classes alta e média alta.
Quem compra
Em uma entrevista à BBC, ao ser questionado sobre a origem do dinheiro dos consumidores de alto poder aquisitivo no país, o economista venezuelano Luis Vicente León, respondeu que “o que muitas pessoas não entendem é que a classe alta da Venezuela continua sendo relativamente grande e ainda tem muito dinheiro".
A estimativa de sua consultoria, a Datanálisis, é que cerca de 6% da população pertençam às classes alta e média alta, constituindo um grupo de cerca de 2 milhões de pessoas.
Segundo a análise de León para a BBC, o mercado de luxo é impulsionado por uma elite que gasta seu dinheiro por medo de que seus recursos sejam congelados, além de empresários e políticos vinculados ao governo, alvos de sanções e sem acesso a mercados no exterior.
Há também fortunas ligadas à corrupção, embora não seja correto “acusar todos os que compram em Las Mercedes de corrupção”, nas palavras de León.
Fachada da concessionária da Ferrari em Caracas
Google Street View/Reprodução
História de contrastes
A desigualdade de renda não é uma novidade na história da Venezuela.
A partir dos anos 1920, a economia do país cresceu vertiginosamente atrelada à exploração do petróleo. Com o choque da commodity nos anos 1970, a desigualdade disparou no país. O cenário piorou após mais uma sequência de crises econômicas ligadas à dívida externa e aos preços do petróleo nos anos 1980.
Apelidado de “Venezuela Saudita”, o país produzia uma riqueza imensa que não chegava à população. Prédios de luxo eram erguidos em meio a favelas.
Desigualdade na Caracas dos anos 70: favelas e prédios modernistas
Reprodução / Fantástico
Foi nesse contexto que Hugo Chávez emergiu como figura política. Após ser eleito, em 1998, o líder financiou uma maior distribuição de renda no país com os royalties do petróleo. A situação passou a se deteriorar, já com seu sucessor, Nicolás Maduro, com uma crise alimentada pelas sanções dos EUA e a decadência da estatal PDVSA, corroída por corrupção e falta de manutenção de seu parque industrial.
Ferrari e Venezuela
A história da Ferrari no país ajuda a contar essa história. Os carros da marca, criada na Itália em 1947, começaram a circular já nos anos 1950 por Caracas, na época uma rica capital frequentemente comparada a Paris, com boutiques de marcas como Dior em suas ruas.
Uma revendedora foi aberta naquela mesma década, e uma prova de carros esporte na capital chegou a atrair alguns dos melhores pilotos do mundo daquela época, como Juan Manuel Fangio, Stirling Moss e Jean Behra, para a cidade.
Depois de restrições à importação nos anos 1970, uma concessionária autorizada abriu em 1993. O local funcionou até 2007, quando um bloqueio comercial à Venezuela tornou impossível a operação.
O retorno à ativa só foi possível novamente em 2021, quando o mesmo empresário que detinha os direitos de venda da marca reabriu a loja, desta vez em seu endereço atual, no térreo da Torre Jalisco. Enquanto a maior parte da população enfrenta dificuldades para fechar as contas, o veículo mais barato da marca não sai por menos de US$ 255 mil, ou R$ 1,37 milhão.
Como o agro brasileiro deve se beneficiar do acordo UE-Mercosul

O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
Os países da União Europeia e do Mercosul assinaram no sábado (17) um acordo histórico de livre comércio, depois de mais de 25 anos de negociações.
Para valer, o tratado ainda terá que ser aprovado nos congressos dos países, mas, assim que entrar em vigor, pode beneficiar diversos setores do agro brasileiro.
O acordo prevê eliminar as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Com isso, o setor poderá aumentar as vendas de diversos itens, como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.
As tarifas serão reduzidas gradualmente, em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, a depender do produto.
Itens como as carnes bovina e de frango terão cotas de exportação com imposto menor. São alimentos considerados "sensíveis" pelos europeus, pois competem diretamente com a produção local
Contra essa competição, uma parte ruidosa dos produtores europeus protagonizou diversos protestos contra o acordo, mesmo depois do aval da UE, no último dia 9.
Acordo pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no Brasil
Champagne, gorgonzola, queijo Canastra: veja produtos ficam protegidos contra imitação após acordo
O acordo não envolve só o agro, mas este foi o ponto mais sensível ao longo das décadas de negociação do livre comércio.
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve ser um grande beneficiário do acordo. O bloco europeu já é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.
O acordo assume um peso ainda mais estratégico para o Brasil depois que as vendas do agro para os EUA despencaram em 2025, diante do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump.
A sobretaxa acabou sendo retirada em novembro — mas quase metade das exportações do agro brasileiro ainda está submetida a ela.
Além disso, recentemente, China e México, outros grandes compradores do Brasil, adotaram limitações para as importações de carne. E os EUA ameaçam taxar quem mantiver comércio com o Irã.
Veja a seguir o potencial do acordo para o Brasil nos seguintes setores:
carnes
café
soja
E como as proteções aprovadas pela UE para o agro europeu incomodaram os produtores brasileiros.
Veja dados das exportação do Brasil para a UE em 2025
Arte g1
➡️Potencial para carnes
Uma das principais tensões do acordo está no setor de carnes. Pecuaristas europeus, sobretudo da França e da Polônia, resistem ao tratado por temerem perder espaço para os sul-americanos, que podem ganhar competitividade no continente.
Atualmente, a França lidera a produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia ocupa a dianteira na produção de frango. O Brasil é o maior exportador global desses dois tipos de carnes e, há anos, consegue ofertá-los a preços mais baixos do que seus concorrentes.
Atualmente, a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação para ser comprada por países da UE, explica a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Uma delas é a cota Hilton, destinada a cortes nobres, que permite ao Brasil exportar 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. Esse percentual será zerado, caso o acordo seja aprovado.
Outros tipos de carne bovina têm uma taxa menor, de 12,8%, mais 221,1 euros por 100 kg. Segundo a Abiec, se o acordo UE-Mercosul entrar em vigor, o Brasil deve deixar de pagar essa tarifa, já que passará a ter uma nova cota de exportação em conjunto com os demais países do Mercosul.
Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, juntos, até 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa inicial de 7,5%.
O volume é bem menor do que as 128 mil toneladas que o Brasil exportou, sozinho, para a UE no ano passado.
Sueme Mori, da CNA, avalia que essa cota é pequena, mas que o acordo em si eleva o nível da relação entre os parceiros comerciais e faz com que o Mercosul passe a ser um parceiro preferencial da União Europeia.
Uma lógica semelhante vai funcionar para as carnes de aves, explica a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Hoje, o setor conta com diferentes cotas de acesso à União Europeia: no caso do frango in natura, por exemplo, o país pode exportar 15.050 toneladas com tarifa zero, enquanto os volumes excedentes pagam 1.024 euros por tonelada.
Com o acordo, o Brasil terá, junto com os outros países do Mercosul, uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero.
Ela vai começar em um nível menor no primeiro ano e vai sendo aumentada em parcelas anuais iguais até chegar ao total, no sexto ano, detalhou a ABPA.
No entendimento da associação, as exportações brasileiras de frango que ocorrerem fora da cota do tratado continuarão sujeitas às regras tarifárias atualmente em vigor. "O que teremos com o Mercosul é outra cota, será adicional", disse a associação.
"Se o acordo for implementado com previsibilidade e respeito às regras, há espaço concreto para aumento das exportações brasileiras de carne de frango", concluiu a ABPA.
Nesta sexta-feira, a associação afirmou que o acordo representa "um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais".
Em 2024, a UE foi apenas o oitavo maior comprador de carnes brasileiras.
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➡️ Potencial para o café solúvel
O café é o segundo produto brasileiro mais vendido para a UE em valor exportado, depois da soja.
O café em grão — que representa 97% das vendas do setor à UE — já entra na Europa sem tarifa. Mas, atualmente, o bloco aplica uma taxa de 9% sobre o café solúvel e de 7,5% sobre o torrado e moído, afirma o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos.
"O nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Então, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa", destaca Matos.
O acordo UE-Mercosul prevê que as tarifas do café solúvel e torrado e moído zerem em 4 anos.
Matos reforça que um acordo comercial é "muito mais do que exportação". Segundo ele, se o tratado for para a frente, há possibilidades de grupos empresariais europeus investirem ainda mais na indústria de café do Brasil.
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➡️ Nada muda para a soja
O acordo, no entanto, não deverá ter impacto para a soja, que é o produto do agro brasileiro mais exportado para a União Europeia.
Isso porque ela já conta com tarifa zero tanto para o grão, como para o farelo, explica o diretor de Economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral.
"Esse tratamento se mantém há muitos anos. Por essa razão, o acordo Mercosul-UE não altera o cenário tarifário da soja", afirma Amaral.
Ainda assim, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) considerou que "o acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados".
Blindagem do agro europeu incomodou
As chamadas salvaguardas, uma série de regras aprovadas pela UE no início de dezembro para proteger o agro europeu, incomodaram produtores brasileiros.
Em resumo, elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local.
Ainda em dezembro, a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, disse que as salvaguardas são preocupantes.
Isso porque elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que é contraditório, em um momento em que se espera assinar um acordo de livre comércio.
Ela esclareceu que as salvaguardas não serão acrescentadas ao acordo, mas que farão parte de um regulamento interno da UE.
Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de 3 anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios.
Na proposta original da comissão, divulgada em outubro, esse limite era maior, de 10%.
Os integrantes da comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis.
"Isso permite à União Europeia aplicar penalidades de forma muito mais rápida, dando menos tempo aos países do Mercosul para se explicarem e se defenderem", diz Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia.
Segundo Munhoz, essa cláusula não estava prevista no acordo original e pode gerar insegurança jurídica. "A UE pode questionar, por exemplo, se o Brasil usar defensivos agrícolas ou fertilizantes que não são utilizados na Europa", exemplificou.
Para a ABPA, essas proteções não eliminam o potencial de exportação, mas podem ter algum efeito sobre a previsibilidade, dependendo de como forem aplicadas.
"Do ponto de vista do Brasil, o que defendemos é que qualquer salvaguarda seja estritamente técnica, transparente e baseada em critérios objetivos, de forma a não transformar um mecanismo excepcional em barreira disfarçada", disse a ABPA, ao g1.
UE também ganha
O tarifaço de Trump também atingiu a UE e este foi um ponto crucial para que o acordo tenha sido defendido também por países europeus, sobretudo Alemanha e a Espanha, apesar da oposição liderada pela França.
Lula agradeceu à Espanha por apoio a acordo
Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia também foram contrários ao acordo nesta sexta, segundo a Reuters.
O grupo, entretanto, não conseguiu o apoio mínimo para barrar o tema, com outros 21 países votando a favor, também de acordo com a agência. A Bélgica se absteve.
A decisão provavelmente ficou com a Itália, cujo posicionamento sobre o acordo oscilou nos últimos meses.
Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil
Para destravar a negociação, além de aprovar as salvaguardas para proteger o agro europeu, a UE prometeu reduzir tarifas de fertilizantes, o que reduziria custos de produção.
Com o livre comércio com o Mercosul, a UE poderá aumentar exportações de carros, máquinas e produtos químicos, além de itens agrícolas, como queijos e vinhos, para o Mercosul. E também reduzir a dependência da China na área de minerais.
Mesmo derrotada, a França ameaçou adotar medidas 'unilaterais' se o seu agro correr risco.
Acordo que se arrasta desde os anos 90
O acordo de livre comércio UE-Mercosul não vale apenas para produtos agrícolas, mas este setor tem protagonizado boa parte dos embates.
As discussões começaram em 1999 e foram paralisadas depois de um acordo inicial alcançado em 2019. As conversas só foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia.
O acordo foi, então, anunciado no fim de 2024, o que encerrou o período de negociações e inaugurou o de aprovações pelos países.
“É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo", disse o presidente Lula, em novembro, durante o G20 – grupos das maiores economias do mundo.
União Europeia marca reunião de emergência após Trump usar tarifa para pressionar por compra da Groenlândia

Trump anuncia tarifas contra 8 países europeus para pressionar pela anexação da Groenlândia
A União Europeia fará uma reunião de emergência neste domingo (18) para discutir uma resposta à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para comprar a Groenlândia —território no Ártico que pertence à Dinamarca.
Trump anunciou no sábado que aplicará uma tarifa de 10% a oito países da Europa até que haja acordo para compra da Groenlândia. A partir de junho, a tarifa aumenta para 25%, diz Trump. Os alvos da medida são a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
A reunião, com embaixadores dos 27 países da União Europeia, será às 17h (12h em Brasília), no Chipre, que ocupa a presidência temporária do bloco.
O presidente americano tem ameaçado anexar a Groenlândia aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, um ano atrás. Segundo o republicano, o território é vital para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país (leia mais abaixo).
Neste sábado, líderes da União Europeia reagiram ao tarifaço de Trump falando em "perigosa escalada negativa".
"Tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam desencadear uma perigosa escalada negativa. A Europa permanecerá unida, coordenada e comprometida em defender sua soberania”, disseram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho da UE, António Costa, na rede social X.
A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou que as tarifas prejudicariam a prosperidade em ambos os lados do Atlântico, além de desviar a atenção da União Europeia de sua "tarefa fundamental" de pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia.
"A China e a Rússia devem estar se divertindo muito. São elas que se beneficiam das divisões entre os aliados", disse Kallas.
"As tarifas podem empobrecer a Europa e os Estados Unidos e prejudicar nossa prosperidade compartilhada. Se a segurança da Groenlândia estiver em risco, podemos resolver isso dentro da OTAN", afirmou.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Infográfico mostra a posição estratégica da Groenlândia
Editoria de Arte/g1
Grande importância estratégica
O presidente americano tem ameaçado anexar a Groenlândia aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, um ano atrás. Segundo o republicano, o território é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país.
Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico.
Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país. Diante das recentes ameaças de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas militares para a Groenlândia na última quinta-feira (15).
Entenda por que Trump diz que a Groenlândia é vital para construir Domo de Ouro
De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca — que atualmente tem a custódia da Groelândia — para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.
No início desta semana, o republicano havia zombado das capacidades defensivas da ilha do Ártico, afirmando que os EUA a obterão "de um jeito ou de outro".
"Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro. (...) A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros", afirmou Trump na ocasião.
Trump durante entrevista nesta sexta-feira (16)
Nathan Howard/Reuters
Mega-Sena, concurso 2.961: prêmio acumula e vai a R$ 50 milhões

G1 | Loterias - Mega-Sena 2961
O sorteio do concurso 2.961 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (17), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 50 milhões.
Os números sorteados foram 10 - 13 - 55 - 56 - 59 - 60.
5 acertos - 74 apostas ganhadoras: R$ 29.835,57
4 acertos - 4.863 apostas ganhadoras: R$ 748,36
O próximo sorteio da Mega será na terça-feira (20).
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Mega-Sena concurso 2961
Reprodução/CAIXA
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Como funciona a Mega-sena
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Mega-Sena bilhete volante Loterias
Millena Sartori/g1
Parceria do Mercosul com a União Europeia amplia mercados e integra estratégia comercial do Brasil, diz governo

Líderes comemoram acordo entre União Europeia e Mercosul
O governo federal afirmou neste sábado (17), em nota conjunta de ministérios, que a assinatura do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia está inserida na estratégia de ampliar e diversificar mercados externos para produtos brasileiros.
O posicionamento foi divulgado pelos ministérios das Relações Exteriores; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura após a assinatura do acordo, realizada em Assunção, no Paraguai, sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na nota, os ministérios também destacam que a política de acordos comerciais não se limita à parceria com a União Europeia. Desde 2023, o Brasil concluiu negociações com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.
O governo afirma ainda que há negociações em andamento com países fora da América Latina, como Emirados Árabes Unidos, Canadá e Vietnã, além de tratativas para ampliar o acordo de preferências tarifárias com a Índia.
Também estão em curso diálogos comerciais com outros parceiros considerados estratégicos, entre eles o Japão, com o qual foi estabelecido recentemente um marco de parceria estratégica.
Lula durante conversa com jornalistas em Brasília
Adriano Machado/Reuters
Lula não esteve presente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o único chefe de Estado sul-americano que não esteve presente. Em seu lugar, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil.
Além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, também participaram os presidentes da Argentina, do Uruguai, da Bolívia e do Paraguai.
De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao velho continente.
Lula recebeu von der Leyen na sexta-feira (16), no Rio de Janeiro. Na ocasião, classificou a demora para concluir o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”, reiterando que o tratado reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões).
"Essa é uma parceria baseada no multilateralismo", afirmou Lula.
"Esse acordo de parceria vai além da dimensão econômica. A UE e o Mercosul compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente", prosseguiu.
A assinatura do acordo
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado pelos líderes dos Estados-membros dos dois blocos, após mais de 25 anos de negociações.
O tratado marca um passo decisivo para a criação da maior zona de livre comércio do mundo. A expectativa é que o acordo comercial passe a integrar melhor os mercados dos dois blocos, reduza tarifas e amplie o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro.
🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
A assinatura, no entanto, não encerra o processo: para que o tratado entre em vigor, o texto ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos — um caminho que tende a ser longo e politicamente sensível, sobretudo dentro da UE. Entenda quando o tratado entra em vigor.
Champagne, gorgonzola, queijo Canastra: produtos ficam protegidos contra imitação após acordo UE-Mercosul; veja lista

O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado neste sábado (17) no Paraguai, prevê uma proteção contra imitações de alguns alimentos que são considerados tradicionais dos países membros dos dois blocos e propriedade intelectual deles. Essa proteção é a chamada indicação geográfica (IG).
Isso significa que nenhum outro país poderá fabricar e comercializar produtos com o mesmo nome.
O Brasil, por exemplo, tem 37 produtos com indicação geográfica na lista do acordo. Entre eles estão a cachaça e o queijo Canastra.
Já os outros países do Mercosul têm diversos vinhos na lista, como o 25 de Mayo da Argentina e o Bella Únion, do Uruguai.
Na lista da União Europeia entram o champagne e o conhaque, da França, e o prosecco, os queijos parmesão e gorgonzola e a mortadela Bologna, da Itália.
O registro é dado por cada país, conforme suas próprias leis, a produtos ou serviços que são característicos de seu local de origem.
Para entrar no acordo, a Estado precisa solicitar o acréscimo do item na lista de proteção.
Esses itens constam na versão final do acordo divulgada pelo governo em dezembro de 2024.
SAIBA MAIS: Por que o acordo União Europeia-Mercosul é alvo de tanta disputa no agro?
VEJA TAMBÉM: O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul?
Ainda vai ter 'champagne' e 'parmesão' brasileiro?
A fiscalização para prevenir fraudes cabe a cada país membro dos blocos.
Eles devem combater produtos enganosos, tanto os que não vêm do local de origem, mas usam o mesmo nome, quanto os fabricados na região, mas fora das regras.
Também será proibido usar termos como “tipo”, “estilo”, “imitação” ou “semelhante” nas embalagens.
Por outro lado, o acordo prevê exceções. Elas valem para casos específicos em que o nome do produto é amplamente usado, sem relação direta com o local de origem do alimento protegido.
Essas exceções acontecem de duas formas. Veja a seguir.
➡️Para empresas específicas
Nesse caso, o termo pode continuar a ser usado pelas empresas que já têm a marca registrada. Porém, há condições: elas não podem fazer referência à indicação geográfica, seja por meio de imagens, bandeiras, nomes, entre outros.
Por exemplo, o queijo italiano “Parmigiano Reggiano” não impedirá que o termo "parmesão" seja usado no Brasil, contanto que o produto não se passe pelo do outro país.
A mesma regra vale para os queijos gorgonzola, fontina, grana, gruyère e para as bebidas genebra e steinhaeger.
O documento lista as empresas autorizadas a continuar usando esses nomes, de acordo com as condições previstas para cada produto.
Essas marcas terão um prazo de 12 meses, após a entrada em vigor do acordo, para se adaptar às novas regras.
➡️Com prazo determinado
Nessa exceção, o nome poderá continuar sendo usado por um prazo máximo, contado a partir da validação do acordo.
Para isso, a embalagem precisa indicar a localização geográfica da fabricação, por exemplo, dizendo que o produto foi feito no Brasil.
Veja quais produtos entram neste caso e os prazos para a adaptação:
5 anos: Münchener Bier; Pont-l'Évêque; Reblochon ou Rebleusson; Asiago; Taleggio; Tokaj, tokaji ou Tocai; Margot.
7 anos: Feta; Roquefort; Saint-Marcellin; Bordô; Conhaque; Presunto tipo Parma; Grappa ou Grapa.
10 anos: Champagne; Mortadela Bologna ou Mortadela tipo Bologna; Prosecco ou Proseco.
Como funciona a indicação geográfica no Brasil?
Essas proteções são comuns entre países. O Brasil já tem previsto em lei, independente do acordo entre os dois blocos, as suas próprias regras de indicação geográfica.
Na legislação, se trata dos alimentos que apresentam uma qualidade "única" por causa de recursos naturais (como solo, vegetação e clima) e modo de fazer, informa o Ministério da Agricultura.
As indicações geográficas existem de duas formas no Brasil. Veja abaixo.
➡️Indicação de procedência: é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que se tenha tornado conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço.
➡️Denominação de origem: é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que determine o produto ou serviço que as características sejam exclusivas ou essencialmente por causa do local, incluídos fatores naturais e humanos.
O Ministério da Agricultura é uma das instâncias para determinar indicação geográfica.
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Arte g1
Acordo entre Mercosul e União Europeia é assinado no Paraguai
Acordo entre Mercosul e União Europeia é assinado no Paraguai Sem a presença de Lula, a cerimônia fecha o texto que pretende integrar mercados, reduzir tarifas, e ampliar o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro. Após mais de duas décadas de negociações, União Europeia e o Mercosul dão um passo decisivo para a criação da maior zona de livre comércio do mundo.. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o único chefe de Estado sul-americano que não esteve presente. . Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destaca que tratado manda mensagem clara para o mundo: 'escolhemos uma parceria produtiva em vez do isolamento'. A assinatura não encerra o processo: para que o tratado entre em vigor, o texto ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos.
Trump anuncia tarifa de 10% contra Dinamarca e outros países contrários a plano dos EUA de comprar Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
REUTERS/Kevin Lamarque
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (17) que aplicará uma tarifa de 10% a oito países da Europa a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso sejam contrários ao plano dos EUA de comprar a Groenlândia —território no Ártico que pertence à Dinamarca.
"A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%", informou o presidente no Truth Social. Leia mais abaixo o post completo.
Ele declarou ainda que a tarifa será devida e exigida até que seja alcançado um acordo para a compra completa e total da Groenlândia.
O presidente americano tem ameaçado anexar a Groenlândia aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, um ano atrás. Segundo o republicano, o território é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Grande importância estratégica
Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico.
Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país. Diante das recentes ameaças de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas militares para a Groenlândia na última quinta-feira (15).
Entenda por que Trump diz que a Groenlândia é vital para construir Domo de Ouro
De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca — que atualmente tem a custódia da Groelândia — para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.
Em resposta, a porta-voz do governo dos EUA, Karoline Leavitt, afirmou que o envio das tropas europeias para a região não muda a posição de Trump. “Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, disse na véspera.
No início desta semana, o republicano havia zombado das capacidades defensivas da ilha do Ártico, afirmando que os EUA a obterão "de um jeito ou de outro".
"Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro. (...) A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros", afirmou Trump na ocasião.
Trump durante entrevista nesta sexta-feira (16)
Nathan Howard/Reuters
Publicação feita por Donald Trump
Nós subsidiamos a Dinamarca e todos os países da União Europeia, além de outros, por muitos anos ao não cobrar tarifas ou qualquer outra forma de compensação. Agora, após séculos, chegou a hora de a Dinamarca retribuir — a Paz Mundial está em jogo!
China e Rússia querem a Groenlândia, e não há nada que a Dinamarca possa fazer a respeito. Atualmente, eles contam com apenas dois trenós puxados por cães como proteção, sendo que um foi adicionado recentemente. Somente os Estados Unidos da América, sob o comando do PRESIDENTE DONALD J. TRUMP, podem jogar esse jogo — e com muito sucesso!
Ninguém tocará nessa sagrada porção de terra, especialmente porque a Segurança Nacional dos Estados Unidos e a segurança do mundo como um todo estão em risco.
Além disso, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia viajaram para a Groenlândia por motivos desconhecidos. Trata-se de uma situação extremamente perigosa para a segurança, a proteção e a sobrevivência do nosso planeta. Esses países, ao participarem desse jogo muito perigoso, colocaram em risco um nível que não é aceitável nem sustentável.
Portanto, é imprescindível que, para proteger a Paz e a Segurança Global, sejam tomadas medidas firmes para que essa situação potencialmente perigosa termine rapidamente e sem questionamentos.
A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países mencionados acima (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) passarão a ser cobrados com uma tarifa de 10% sobre quaisquer bens enviados aos Estados Unidos da América.
Em 1º de junho de 2026, essa tarifa aumentará para 25%. Essa tarifa será devida e exigida até que seja alcançado um acordo para a compra completa e total da Groenlândia.
Os Estados Unidos tentam realizar essa transação há mais de 150 anos. Muitos presidentes tentaram, e por boas razões, mas a Dinamarca sempre recusou. Agora, por causa do Domo Dourado e dos sistemas modernos de armamento — tanto ofensivos quanto defensivos —, a necessidade de ADQUIRIR esse território é especialmente importante.
Centenas de bilhões de dólares estão sendo gastos atualmente em programas de segurança relacionados ao “Domo”, incluindo a possível proteção do Canadá, e esse sistema extremamente brilhante, porém altamente complexo, só pode funcionar em seu potencial máximo e com eficiência total, por razões de ângulos, limites e delimitações territoriais, se essa terra estiver incluída nele.
Os Estados Unidos da América estão imediatamente abertos à negociação com a Dinamarca e/ou com qualquer um desses países que colocaram tanto em risco, apesar de tudo o que fizemos por eles, incluindo proteção máxima, ao longo de tantas décadas.
Obrigado pela atenção a este assunto!
Banco Master: aplicativo do FGC apresenta instabilidade no 1º dia de pedidos de ressarcimento

Aplicativo do FGC apresenta instabilidade no 1º dia de pedidos de ressarcimento
O aplicativo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) apresenta instabilidade neste sábado (17), no primeiro dia dos pedidos de ressarcimento dos investidores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do banco Master.
As solicitações podem ser feitas desde as 9h30 por pessoas físicas por meio do aplicativo, mas os credores têm relatado dificuldades em enviar os arquivos solicitados e em concluir os procedimentos. Para empresas, o pedido deve ser feito pelo site do FGC na internet.
Às 12h37, por meio de sua assessoria de imprensa, o FGC informou que o aplicativo registrou um alto volume de acessos simultâneos, provocando instabilidades e afetando a sua disponibilidade aos usuários. Até as 12h deste sábado, o órgão informou que foram registrados mais de 140 mil acessos.
"A infraestrutura tecnológica do aplicativo é auto escalável, de forma que a normalização da disponibilidade é esperada para as próximas horas. As equipes técnicas seguem monitorando continuamente e atuando na promoção do ganho de performance da plataforma", acrescentou o FGC.
Aplicativo do FGC apresenta instabilidade para os usuários
Reprodução
Depois de concluída a solicitação, o credor receberá o pagamento em até dois dias úteis, em uma conta de sua titularidade, informou o Fundo Garantidor de Crédito.
Segundo o FGC:
o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
➡️O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025.
FGC alerta para tentativas de golpes
➡️O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia.
O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o app do FGC, telefone, email e redes sociais.
"O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS", informou.
Segundo o presidente do FGC, Daniel Lima, é importante que as pessoas estejam atentas para não serem enganadas.
“Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", acrescentou Daniel, Lima, do FGC.
Quem está protegido pelo FGC?
Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
⚠️ EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC.
Quem não está protegido pelo FGC?
Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como:
Debêntures;
Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),;
Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);
Fundos de investimento;
Títulos emitidos fora do sistema de proteção.
Nesses casos, não há indenização automática: todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.
Liquidação do banco Master
A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
Ameaça ao agro europeu? Veja por que acordo UE-Mercosul não é a única causa de protestos de produtores

Veja por que acordo UE-Mercosul não é a única causa de protestos de produtores
Manifestações com tratores nas ruas e até mesmo esterco na casa de praia do presidente da França marcaram a reação de agricultores europeus, nos últimos meses, contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, assinado neste sábado (17).
Para os economistas ouvidos pelo g1, porém, o tratado é apenas parte de um problema maior na relação entre os agricultores e os governos europeus.
Os agricultores europeus já vinham reclamando de políticas ambientais adotadas pelos governos do bloco. Essas regras exigiram mudanças na produção e elevaram os custos, acreditam Lia Valls, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre, e Maurício Une, economista-chefe para a América do Sul do Rabobank.
Na visão desses produtores, o acordo agrava a situação, pois eles passariam a enfrentar a concorrência de países com alta produtividade e o custos mais baixos, caso do Brasil.
Apesar de ser verdadeiro que o Brasil é mais competitivo, o acordo prevê mecanismos para proteger os europeus. Entre eles, estão as salvaguardas e as cotas de importação.
Acordo UE-Mercosul: como o agro brasileiro deve se beneficiar
A agricultura tem forte peso político na União Europeia e é vista como parte do patrimônio cultural do bloco. Por isso, o setor historicamente recebe mais proteção, o que ajuda a explicar os protestos, segundo Lia Valls, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre.
Saiba quais são os principais produtores agrícolas da UE
Arte g1
Competição
Hoje Brasil e União Europeia já disputam mercados importantes, como o asiático.
Atualmente, o mercado europeu de commodities agrícolas (produtos primários, como soja, milho, café, açúcar e carne) é dominado pelos próprios países do bloco.
Na comparação com o Brasil, além de os europeus terem custos de produção maiores, possuem uma produtividade mais baixa, afirma Valls. Tudo isso estimula o sentimento de ameaça.
Para impedir que os agricultores locais fiquem em desvantagem, os parlamentares europeus aprovaram em dezembro as chamadas salvaguardas.
Elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local.
Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de três anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios.
Os integrantes da Comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis.
A Comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia.
Além disso, alimentos considerados sensíveis, como as carnes bovina e de frango, terão cota. Esses limites definem volumes menores para o uso de tarifas reduzidas.
Para Une, tanto as salvaguardas quanto as cotas são rígidas o suficiente para evitar uma entrada excessiva de produtos brasileiros no mercado europeu.
Ele acredita também que os produtos europeus possuem uma demanda alta e resiliente. Um exemplo é o presunto de Parma, que só pode ser produzido na região italiana de Parma por causa da indicação geográfica prevista no acordo.
Essa regra determina que nenhum outro país poderá fabricar e comercializar produtos com o mesmo nome de alguns alimentos que são considerados tradicionais das nações.
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Não é tudo sobre o acordo
Para Une, do Rabobank, o acordo é apenas o estopim de uma insatisfação que já vinha crescendo entre os agricultores europeus. Segundo ele, outras decisões da União Europeia contribuíram para esse descontentamento.
Desde 2023, a UE passou a adotar regras ambientais mais rígidas para a agricultura, explica o pesquisador. Essas medidas deixaram os produtores mais organizados e ativos em protestos. Para Une, a principal queixa é que “está ficando difícil ganhar dinheiro”.
Um exemplo é a lei de restauração ambiental, que entrou em vigor em agosto de 2024. Ela determina a recuperação de até 20% dos ecossistemas dos países-membros.
A norma foi vista como dura para os agricultores. Em geral, eles têm propriedades menores que as do Brasil e acreditam que teriam de reduzir suas áreas produtivas.
Há ainda outras medidas, como a diminuição do uso dos agrotóxicos, da emissão de carbono e a preocupação com a transição energética. Tudo isso aumenta os custos para os agricultores, afirma Lia Valls, da FGV Ibre.
Em contrapartida, o Parlamento Europeu adiou a lei que proíbe a importação de produtos ligados ao desmatamento para o fim de 2026.
Além disso, questões geopolíticas internacionais, como a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, aumentaram os preços dos insumos, como fertilizantes, também gerando insatisfação.
Assim como no Brasil, o setor agrícola europeu, principalmente o francês, tem grande força política. Por isso, o país foi o grande porta-voz da insatisfação com o tratado entre os dois blocos.
Ainda assim, o presidente da França, Emmanuel Macron, está com baixa popularidade entre seus eleitores, explica Valls.
"Toda vez que os agricultores franceses se sentem ameaçados, eles levam os tratores para Paris", relata.
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'Patrimônio cultural'
Para muitos europeus, especialmente os franceses, proteger a agricultura é proteger um patrimônio cultural, afirma Valls.
"A agricultura é relacionada às vilas, às tradições, é importante preservar pela paisagem", explica.
Por isso, os países europeus oferecem diversos subsídios ao setor. Entre eles está a política de preço mínimo, em que o governo define um valor mínimo a ser pago ao produtor.
Segundo Valls, essa preocupação acompanha a União Europeia desde a sua formação.
"Um dos pedidos da França era estender a política de proteção que os franceses já faziam em relação aos seus produtos agrícolas para o restante da comunidade", explica.
Do mesmo modo, a União Europeia também tem uma Política Agrícola Comum (PAC), que define um orçamento para os agricultores.
Este ano, para acalmar os agricultores, a Comissão Europeia modificou sua proposta orçamentária para 2028-2034, para permitir que os agricultores tenham acesso antecipado a cerca de 45 bilhões de euros (R$ 286 bilhões).
O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
Líderes da UE e do Mercosul assinam acordo e criam maior área de livre comércio do mundo

Líderes assinam acordo histórico entre União Europeia e Mercosul
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado (17) pelos líderes dos Estados-membros dos dois blocos, após mais de 25 anos de negociações.
Anfitrião do encontro e presidente pro tempore do Mercosul, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou o tratado como um “feito histórico” e afirmou que o acordo envia uma mensagem clara em favor do comércio internacional, do diálogo e da cooperação entre os países.
"Apostemos em um futuro com mais coragem, audácia e aprofundemos nossa União. Em um mundo complexo, UE e América do Sul devem se unir para mostrar um caminho diferente", destacou o presidente paraguaio.
Para Peña, o entendimento une dois dos mercados mais relevantes do mundo, Europa e América do Sul, após um processo longo e complexo.
Durante a cerimônia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que os dois blocos escolheram “a parceria em vez do isolamento” e “o comércio justo em vez das tarifas”.
“Hoje, estamos registrando um documento muito importante. Ele é o símbolo de uma nova parceria entre o Mercosul e a Europa”, afirma. "Escolhemos uma parceria produtiva e de longo prazo em vez do isolamento e, acima de tudo, pretendemos oferecer benefícios reais e tangíveis" .
A cerimônia aconteceu no Grande Teatro José Asunción Flores do Banco Central do Paraguai, em Assunção, local onde o tratado fundador do Mercosul foi assinado em 1991.
Pelo Mercosul, participaram o presidente do Paraguai, Santiago Peña, o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, e o presidente do Panamá, José Raúl Mulino. O presidente Lula (PT) foi o único chefe de Estado ausente da cerimônia; quem representou o Brasil foi o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Pela União Europeia, estiveram presentes a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
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Ele marca um passo decisivo para a criação da maior zona de livre comércio do mundo. A expectativa é que o acordo comercial passe a integrar melhor os mercados dos dois blocos, reduza tarifas e amplie o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro.
Líderes da União Europeia e do Mercosul celebram em Assunção a assinatura do acordo de livre comércio que encerra mais de 25 anos de negociações.
REUTERS/Cesar Olmedo
Para o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o acordo ganha ainda mais relevância diante de um cenário global marcado por turbulências geopolíticas, ao reforçar o compromisso das duas regiões com o multilateralismo e com soluções baseadas em regras.
"Não pretendemos nem dominar nem impor, mas reforçar vínculos entre cidadãos e empresas para criar riquezas de forma sustentável. Não queremos gerar dependência, queremos gerar redes de comércio, regras e confiança", afirmou Costa.
Entre os países do Mercosul, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, disse que o pacto expressa uma responsabilidade histórica com a democracia, o Estado de Direito e o comércio justo.
"Em mundo atravessado por tensões e erosão de certezas, o acordo tem uma relevância particular. Não só porque constitui a maior área de livre-comércio do mundo, mas porque reafirma decisão clara. Apostar pelas regras em tempo de volatilidade e mudanças permanentes", disse.
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que a assinatura do acordo não representa um ponto de chegada, mas um ponto de partida, e classificou o tratado como um dos feitos mais relevantes do Mercosul desde a criação do bloco. Ele defendeu que, na fase de implementação, seja preservado o espírito do que foi negociado.
"A incorporação de mecanismos que restrinjam esse acesso, como salvaguardas ou medidas equivalentes, reduzirá significativamente o impacto econômico do acordo e atentará contra o objetivo essencial do mesmo. Temos que velar em nossos parlamentos para que isso não ocorra", registrou.
Já o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, destacou que o país passa por um processo de fortalecimento institucional para estar à altura do Mercosul e afirmou que o acordo envia uma mensagem de cooperação, diálogo e soluções conjuntas em um mundo marcado por conflitos.
A assinatura, no entanto, não encerra o processo: para que o tratado entre em vigor, o texto ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos — um caminho que tende a ser longo e politicamente sensível, sobretudo dentro da UE. Entenda quando o tratado entra em vigor.
Como o acordo UE-Mercosul deve afetar o bolso dos brasileiros?
Lula não esteve presente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o único chefe de Estado sul-americano que não esteve presente. Em seu lugar, esteve o ministro de relações exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao velho continente.
Apesar da ausência, Lula foi citado por diferentes líderes durante a cerimônia. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que o acordo só foi possível graças à atuação do presidente brasileiro e disse que Lula foi um dos principais impulsionadores do processo.
“Não posso deixar de mencionar o nome de um grande e querido, hoje infelizmente ausente, que sem ele não teríamos chegado a este acordo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos responsáveis fundamentais no processo de negociação do acordo”, afirmou Peña durante a cerimônia.
Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, agradeceu publicamente a liderança do brasileiro, afirmando que seu comprometimento foi essencial para a conclusão do tratado.
Lula recebeu von der Leyen na sexta-feira (16), no Rio de Janeiro. Na ocasião, classificou a demora para concluir o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”, reiterando que o tratado reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões).
"Essa é uma parceria baseada no multilateralismo", afirmou Lula.
"Esse acordo de parceria vai além da dimensão econômica. A UE e o Mercosul compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente", prosseguiu.
Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul.
Arte/g1
Quando o acordo entra em vigor?
Após a assinatura formal, o acordo seguirá para os processos de ratificação internos.
▶️ No caso da União Europeia, o texto precisará ser analisado pelo Parlamento Europeu. Dependendo da interpretação jurídica, partes do acordo também poderão ter de ser aprovadas pelos parlamentos nacionais dos países-membros.
▶️ Do lado do Mercosul, o acordo também terá de passar pelos Congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Enquanto isso, a União Europeia e os países do Mercosul poderão discutir a aplicação provisória de partes do tratado, especialmente as relacionadas à redução de taxas, o que permitiria antecipar alguns efeitos econômicos antes da ratificação completa.
O acordo só passa a valer por completo depois de todas as aprovações internas serem concluídas nos dois blocos.
Acordo enfrenta resistências
Apesar de a maioria dos Estados-membros da UE ter se mostrado favorável à assinatura, o acordo ainda enfrenta resistência de alguns países, que apontam possíveis impactos sobre o setor agrícola.
Um diplomata da UE e o ministro da Agricultura da Polônia afirmaram que 21 países apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. A Bélgica se absteve.
Para a aprovação, era necessário o apoio de pelo menos 15 países, que representassem 65% da população total do bloco.
Depois de o bloco europeu ter confirmado a aprovação do tratado entre os Estados-membros, a ministra da agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que adotará medidas unilaterais caso o setor agrícola e pecuário do país seja colocado em risco pelo acordo comercial.
Genevard citou como exemplo a recente suspensão, por um ano, da importação para a França de alguns produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, principalmente de origem sul-americana.
O acordo UE-Mercosul
Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
O tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
Entretanto, as negociações dividiram a União Europeia. Países como Alemanha e Espanha apoiam o tratado por enxergarem oportunidades de ampliar exportações, reduzir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos.
Já a França — que garantiu apoio de alguns países, como Polônia, Irlanda e Áustria — se opõe, principalmente por temer prejuízos ao setor agrícola diante da concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. Agricultores e ambientalistas também criticam o acordo.
O texto final tenta equilibrar esses interesses, com salvaguardas para a agricultura europeia e exigências ambientais mais rígidas.
Para o Mercosul, o Brasil tem papel central: precisa comprovar avanços em sustentabilidade e controle ambiental para facilitar a ratificação e ampliar o acesso ao mercado europeu.
Veja a linha do tempo do acordo UE-Mercosul
Caso Banco Master: saiba como reaver seu dinheiro pelo FGC

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou a receber os pedidos de ressarcimento dos investidores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do Banco Master.
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores.
Na prática, funciona como um fundo privado que atua como um seguro. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade.
Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
Veja os vídeos em alta no g1
Veja os vídeos que estão em alta no g1
No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
ENTENDA: O que é FGC e qual seu papel no caso do Banco Master?
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FGC começou a receber pedidos de ressarcimento de credores que tinham investimentos no Banco Master.
Reprodução/g1
O que acontece para quem tinha dinheiro no Master?
Embora exista a garantia, o pagamento do FGC não é imediato.
O processo só teve início depois que o liquidante enviou ao fundo a lista completa de credores do banco. Com a lista consolidada, o FGC libera o acesso aos valores cobertos.
Segundo o FGC:
o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
Com as informações recebidas, o FGC liberou neste sábado (17) a solicitação no aplicativo para que os credores cadastrem a conta bancária, façam a validação da biometria e o envio de documentos.
Para solicitar o ressarcimento:
Pessoas físicas: devem usar o aplicativo do FGC. Após realizar um cadastro básico, é necessário solicitar o pagamento da garantia;
Pessoas jurídicas: devem fazer o pedido diretamente pelo site da instituição.
Após a assinatura do termo de solicitação, o FGC informa que a liberação costuma ocorrer em até 48 horas úteis, desde que os dados estejam corretos.
Ainda assim, o período entre a decretação da liquidação e o pagamento aos investidores variou entre 14 e 40 dias nas operações mais recentes.
Para eventuais dúvidas, o FGC orienta que correntistas e investidores entrem em contato pelo e-mail atendimento.credores@fgc.org.br.
Veja o passo a passo para solicitar o reembolso pelo FGC
Segundo o FGC, o pedido de pagamento da garantia para pessoas físicas deve ser feito pelo aplicativo do fundo, disponível no Google Play e na Apple Store.
"No aplicativo do FGC, você pode conferir as instituições em regime especial decretado pelo Banco Central e se já é possível solicitar o pagamento de garantia, além de receber notificações para acompanhar o seu pedido", informou o fundo.
Veja o passo a passo:
Baixe o aplicativo do FGC e complete o cadastro, informando nome completo, CPF e data de nascimento;
Solicite o pagamento de garantia. Essa etapa só ficará disponível após o envio, pelo liquidante, da lista completa de credores e valores devidos ao fundo.
Depois, basta informar uma conta bancária de sua titularidade para receber os recursos, realizar a validação biométrica e enviar eventuais documentos solicitados.
Para pessoas jurídicas, o FGC informa que o representante legal da empresa deve solicitar a garantia por meio do Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações, o fundo envia um e-mail com o passo a passo necessário.
"O pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa", informa o FGC.
Nos casos em que o pagamento precisar ser feito a inventariantes ou ao espólio, o FGC tratará diretamente com os beneficiários, não sendo possível fazer a solicitação pelo aplicativo.
⚠️ATENÇÃO: Valores que ultrapassarem o limite de cobertura do FGC, de R$ 250 mil, permanecerão sujeitos ao processo de liquidação do Banco Master. Nessa situação, o credor passa a integrar a massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento dos valores.
O que aconteceu com o Banco Master?
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do ano passado.
🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
O Banco Master já enfrentava risco de falência devido ao alto custo de captação e a investimentos considerados arriscados. O caso mais conhecido era a emissão títulos de renda fixa, os CDBs, que pagavam até 40% acima da taxa média do mercado. (veja aqui o que acontece com investidores)
O presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Master. Na última semana, a Polícia Federal realizou uma segunda fase da operação, que incluiu buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele.
O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estavam entre os alvos.
Segundo as investigações:
O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.
Ao comprar um CDB, o cliente empresta o dinheiro ao banco e recebe juros em troca.
Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.
O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB — que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para "socorrer" o caixa do Banco Master.
Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master — e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF.
Além disso, o Master era conhecido por comprar precatórios e investir em empresas em dificuldade.
Para evitar a quebra, foram realizadas tentativas de venda do banco, o que inclui uma proposta do BRB. Todas acabaram canceladas, envoltas em questionamentos, pressões políticas e falta de transparência.
A EFB Regimes Especiais de Empresas foi designada para conduzir a administração especial. Com a liquidação, qualquer negociação de compra em andamento é automaticamente interrompida.
Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master
Arte/g1
Sede do Banco Master
Divulgação/Banco Master
Fundo Garantidor de Crédito começa a receber neste sábado pedidos de ressarcimento de credores do Banco Master

Banco Master foi liquidado em 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central.
Reprodução/TV Globo
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou que está recebendo, a partir deste sábado (17), os pedidos de ressarcimento dos investidores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do banco Master.
➡️As solicitações deverão ser feitas por meio do aplicativo do FGC, no caso das pessoas físícas. As empresas, por sua vez, deverão fazer os pedidos pelo site do Fundo Garantidor de Crédito.
🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI).
Segundo Daniel Lima, diretor-presidente do FGC, a equipe do liquidante do banco Master, com apoio do time do FGC, "trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível".
"A partir deste momento os credores já podem dar continuidade ao processo de solicitação da garantia utilizando o aplicativo do FGC. Concluída esta fase, o credor receberá o pagamento em até dois dias úteis, em uma conta de sua titularidade", afirmou Daniel Lima, diretor-presidente do FGC.
Segundo o FGC:
o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
➡️O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025.
FGC começou a receber pedidos de ressarcimento de credores que tinham investimentos no Banco Master.
Reprodução/g1
FGC alerta para tentativas de golpes
➡️O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia.
O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o app do FGC, telefone, email e redes sociais.
"O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS", informou.
Segundo o presidente do FGC, é importante que as pessoas estejam atentas para não serem enganadas.
“Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", acrescentou Daniel, Lima, do FGC.
Liquidação do banco Master
A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
Toffoli diminui prazo para depoimentos de investigados no caso do Banco Master
Quem está protegido pelo FGC?
Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
⚠️ EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC.
Quem não está protegido pelo FGC?
Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como:
Debêntures;
Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),;
Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);
Fundos de investimento;
Títulos emitidos fora do sistema de proteção.
Nesses casos, não há indenização automática: todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.
Como o acordo UE-Mercosul deve afetar o bolso dos brasileiros?

Líderes assinam acordo histórico entre União Europeia e Mercosul
A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, neste sábado (17), após mais de 25 anos de negociações, deve alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos. Entenda o acordo.
No Brasil, os efeitos tendem a alcançar tanto o consumo cotidiano quanto setores produtivos, como a indústria e o agronegócio.
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Entre as mudanças mais perceptíveis, uma deve atingir diretamente o consumidor: a maior presença de produtos tradicionais da UE no mercado brasileiro.
Além de uma possível redução nos preços de vinhos, azeites, queijos e lácteos, por exemplo, a expectativa é que marcas premium de chocolates e outros itens de supermercados também cheguem pela primeira vez ao Brasil.
🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
No caso dos vinhos, a Europa concentra os maiores produtores globais da bebida, como Itália, França e Espanha — o que faz com que vinhos muito bons sejam encontrados na região por preços baixos. E com a redução gradual da taxa proposta pelo acordo, a estimativa é que o consumidor brasileiro passe a ter mais acesso a esse mercado, com preços mais competitivos.
INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul
Arte/g1
O mesmo deve acontecer com outros produtos vindos da Europa. Carros importados de lá, por exemplo, hoje enfrentam taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, contribuindo para o barateamento desses produtos.
Medicamentos e produtos farmacêuticos — inclusive de uso veterinário —, que são os principais itens importados da UE pelo Brasil, com mais de 8% do total, também devem sentir os efeitos do acordo.
Vale destacar, no entanto, que a queda de preços tende a ser gradual, especialmente em itens complexos como automóveis, por conta da dependência de uma cadeia global de componentes — incluindo insumos vindos da China.
Ganhos na produção interna e na exportação
Os efeitos do acordo se estendem, ainda, para os insumos importados utilizados pela indústria e também abre portas para que mais produtos brasileiros cheguem à Europa.
Por aqui, o acesso a tecnologias europeias mais baratas pode reduzir custos para empresas nacionais e estimular investimentos em modernização — incluindo para o campo, que deve gastar menos com máquinas, equipamentos, fertilizantes e implementos agrícolas, por exemplo.
Já entre as exportações, o tratado permite a ampliação das vendas brasileiras de calçados, frutas e outros produtos agrícolas para a UE.
Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões), com potencial de ampliar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) adicionais.
Calçados produzidos no Mercosul, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, devem ter essas taxas zeradas em até quatro anos. Em alguns casos, como o da uva, a taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor.
No ano passado, essas vendas já vinham crescendo: as exportações do Brasil para o bloco alcançaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões). Apesar disso, a balança comercial segue mais favorável ao bloco europeu, que exportou US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões) para o Brasil.
INFOGRÁFICO – Próximos passos do acordo entre União Europeia e Mercosul
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Entenda o acordo
🤝 O objetivo do tratado é facilitar as trocas comerciais entre os 27 países da União Europeia e os quatro países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, reduzindo tarifas alfandegárias tanto sobre produtos europeus vendidos no Brasil quanto sobre produtos do Mercosul exportados para a Europa.
📊 O acordo abrange um mercado de 720 milhões de consumidores — 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul —, o equivalente a cerca de 25% do PIB global.
💰 Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo. Até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul.
Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul.
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Acordo UE-Mercosul é celebrado por presidente da Comissão Europeia e presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai
Imagem: TV Globo
Acordo UE-Mercosul: por que o Brasil é o centro da relação entre os dois blocos

O Brasil e o acordo 'ganha-ganha' entre UE e Mercosul
A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, neste sábado (17), vai aproximar cadeias produtivas estratégicas de dois continentes, ao mesmo tempo em que evidencia uma relação econômica assimétrica — em que o Brasil ocupa posição central dentro do tratado.
🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, após mais de 25 anos de negociações.
De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao velho continente. (entenda mais abaixo)
Com esse desenho, Argentina, Uruguai e Paraguai tendem a ocupar uma posição secundária na dinâmica do acordo. Ainda que integrem oficialmente o Mercosul, a menor escala de suas trocas comerciais faz com que a UE conduza a negociação essencialmente a partir da relação com o Brasil.
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Lula se encontra com representante da União Europeia no Rio de Janeiro
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
De quem o Brasil depende
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as compras brasileiras junto ao bloco europeu estão concentradas em poucos parceiros. Em 2025, três países responderam, juntos, por cerca de 57% dos US$ 50,3 bilhões que o Brasil importou da UE.
Alemanha: US$ 14,4 bilhões (28,6%);
França: US$ 7,2 bilhões (14,3%);
Itália: US$ 7,1 bilhões (14%).
A composição das importações brasileiras evidencia uma dependência concentrada em bens de maior valor tecnológico, essenciais tanto para o funcionamento de serviços públicos quanto para a atividade industrial.
Sendo eles:
💊 Medicamentos e produtos farmacêuticos: US$ 8,1 bilhões.
🚗 Autopeças: US$ 2,5 bilhões.
⚙️ Motores e máquinas não elétricas: US$ 2,4 bilhões.
✈️ Aeronaves: US$ 1,2 bilhão.
📐 Equipamentos de medição, verificação e controle: US$ 1,4 bilhão.
🧪 Compostos químicos: US$ 1,41 bilhão.
José Pimenta, diretor de Comércio Internacional e sócio da BMJ Consultoria, ressalta que a retirada das tarifas tende a reduzir os custos de produção no Brasil ao baratear a importação de insumos da UE. Segundo ele, hoje a tributação eleva de forma significativa o preço final pago pelo produtor brasileiro.
“Em alguns casos, o produto chega a pagar 35% ou 40% sobre o valor. Um insumo que custa R$ 100 mil pode chegar a R$ 140 mil na mão do produtor. Com a retirada das tarifas, esse mesmo fertilizante poderia chegar por algo em torno de R$ 100 mil.”
Quem depende do Brasil?
Para a União Europeia, o Brasil desempenha um papel relevante como fornecedor de insumos básicos e matérias-primas estratégicas. Segundo dados do MDIC, dos US$ 49,81 bilhões exportados pelo Brasil ao bloco europeu em 2025, 73% tiveram como destino cinco países.
Holanda: US$ 11,7 bilhões (23,6%);
Espanha: US$ 8,8 bilhões (17,7%);
Alemanha: US$ 6,5 bilhões (13,1%);
Itália: US$ 5,3 bilhões (10,8%);
Bélgica: US$ 4 bilhões (8,1%).
No caso holandês, esse protagonismo está ligado ao papel do país como hub logístico da UE, com destaque para o porto de Roterdã, principal porta de entrada de mercadorias que depois seguem para outros mercados do continente.
Já para Espanha e Alemanha, a relevância do acordo vai além da ampliação das trocas comerciais. Segundo Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o tratado é visto como parte da estratégia europeia para fortalecer a economia diante das tensões geopolíticas envolvendo China e Rússia.
“Foi visível o esforço desses países para viabilizar o acordo, que é visto como vantajoso para a União Europeia no contexto atual, especialmente pela necessidade de diversificação de mercados.”
Esse interesse se reflete na composição da pauta exportadora brasileira para a UE, concentrada em produtos primários e insumos industriais — itens necessários para cadeias produtivas e para o abastecimento energético e alimentar do continente.
Entre os principais estão:
🛢️ Óleo bruto de petróleo: US$ 9,8 bilhões.
☕ Café não torrado: US$ 7,1 bilhões.
🌱 Farelo de soja para alimentação animal: US$ 4 bilhões.
🔩 Minérios de cobre: US$ 3 bilhões.
⛓️ Celulose: US$ 2,1 bilhões.
⛰️ Minério de ferro: US$ 1,1 bilhão.
E os demais países do Mercosul?
Embora negociado em bloco, o acordo entre União Europeia e Mercosul apresenta uma estrutura assimétrica. O Brasil concentra a maior parte do peso econômico, enquanto Argentina, Uruguai e Paraguai participam em escala menor. (veja no gráfico abaixo)
Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, essa diferença reflete tanto nos fluxos comerciais quanto na capacidade de influência política dentro do processo.
A Argentina aparece como o segundo principal parceiro sul-americano no comércio com a União Europeia, mas a distância em relação ao Brasil é expressiva. Em 2024, as exportações brasileiras ao bloco europeu foram quase cinco vezes maiores que as argentinas, que somaram US$ 8,5 bilhões.
Para Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), essa assimetria é agravada por um cenário político pouco favorável à coordenação regional. “O ambiente atual é muito ruim para o diálogo, sobretudo diante das dificuldades de interlocução entre o governo brasileiro e a gestão de Javier Milei.”
O distanciamento político entre os presidentes Lula e Milei contribuiu para o esvaziamento do papel argentino na reta final das negociações.
“Embora o acordo tenha avançado tecnicamente, a relação protocolar levou o Brasil a assumir o protagonismo diplomático, enquanto Buenos Aires perdeu capacidade de articulação”, avalia Bressan.
Em contraste com a volatilidade argentina, o Uruguai apresenta uma trajetória de crescimento gradual e maior previsibilidade institucional. As exportações da UE para o país avançaram de US$ 418 milhões para US$ 2,1 bilhões em pouco mais de duas décadas.
Ainda assim, segundo Bressan, o país enfrenta limitações técnicas para atender às atuais exigências ambientais do bloco europeu. “Diferentemente do Brasil, que conta com um arcabouço legal mais estruturado, como o Código Florestal, esses países partem de uma base regulatória mais frágil”, afirma a professora.
No caso paraguaio, essas restrições se somam a um peso econômico reduzido na relação com o bloco europeu. Em 2024, as exportações da UE para o país somaram US$ 994 milhões, enquanto as importações ficaram em US$ 416 milhões, uma estagnação observada desde 2018.
Mesmo tendo pouco peso no comércio com a UE, o Paraguai ganhou importância no processo em 2026 ao assumir a presidência temporária do Mercosul — cargo que conduz a etapa final de ratificação do acordo.
INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul
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Europa contrata menos e acende alerta sobre o futuro do trabalho

Ameaça da inteligência artificial de substituir o trabalho humano gera insegurança
Noah Berger/AP Images/picture alliance
Por um breve período durante e após a pandemia de covid-19, os trabalhadores europeus desfrutaram de uma rara vantagem sobre seus empregadores.
Programas generosos que ofereciam licenças remuneradas e reduções da jornada de trabalho ajudaram as empresas a compensar seus custos com pessoal. Os escritórios se tornaram opcionais graças ao trabalho remoto.
Após a pandemia, as manchetes sobre a chamada onda da "Grande Demissão", na qual muitos estavam voluntariamente deixando seus empregos, refletiram uma escassez global de mão de obra que aumentou drasticamente a demanda por talentos.
O esgotamento profissional também deu origem à expressão "demissão silenciosa", à medida em que funcionários rejeitavam ambientes de pressão excessiva em favor de um equilíbrio mais saudável entre vida profissional e pessoal.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Uma pesquisa de 2022 da empresa de consultoria McKinsey revelou que um terço dos trabalhadores europeus considerava deixar o emprego no período de três a seis meses. Angelika Reich, consultora de liderança da empresa de recrutamento executivo Spencer Stuart, afirma à DW que esse era um "número impressionante para uma região com uma rotatividade [de pessoal] tradicionalmente baixa".
Mercado de trabalho europeu perde fôlego
⚠️ Mas essa tendência se reverteu rapidamente com o setor industrial europeu sob pressão, a alta salarial em desaceleração e a ameaça da inteligência artificial (IA) substituindo o trabalho humano.
Reich observa como o mercado de trabalho europeu "esfriou" e como "menos vagas de emprego e um clima econômico mais difícil naturalmente tornam os funcionários mais cautelosos em relação a mudar de emprego".
Apesar de permanecer resiliente, o mercado de trabalho da zona do euro, composta por 21 países, deve crescer mais lentamente este ano, a 0,6%, em comparação com 0,7% em 2025, segundo o Banco Central Europeu (BCE).
Mercado de trabalho europeu perde fôlego
DW
Embora essa queda possa parecer pequena, cada diferença de 0,1 ponto percentual representa em torno de 163 mil novos empregos a menos criados. Há apenas três anos, a zona do euro criou cerca de 2,76 milhões de novos empregos, enquanto crescia a uma taxa robusta de 1,7%.
A migração também desempenhou um papel importante na oferta de mão de obra na Europa, ajudando a aliviar uma grave escassez de trabalhadores e a apoiar o crescimento do emprego em muitos países. A migração líquida, porém, está atualmente se estabilizando ou diminuindo.
Problemas alemães ditam o tom
Na Alemanha, mais de uma em cada três empresas planeja cortar empregos este ano, de acordo com o think tank econômico IW, com sede em Colônia.
O Banco da França espera que o desemprego no país aumente para 7,8%, enquanto no Reino Unido dois terços dos economistas entrevistados pelo jornal The Times acreditam que o desemprego pode subir para até 5,5%, ante os atuais 5,1%.
O desemprego na Polônia – a crescente potência econômica da União Europeia (UE) – também está aumentando, atingindo 5,6% em novembro, em comparação com 5% um ano antes. A Romênia e a República Tcheca também estão vendo aumentos semelhantes.
O enfraquecimento do mercado de trabalho deu origem a novos termos, como a "Grande Hesitação", que se refere ao fato de as empresas pensarem duas vezes antes de contratar e à cautela dos trabalhadores em relação a pedir demissão de empregos estressantes, assim como o chamado career cushioning – o preparo discreto de um plano B contra instabilidades no mercado de trabalho e no caso de demissões.
Crescimento do emprego na zona do euro deverá desacelerar nos próximos dois anos
Jens Kalaene/dpa/picture alliance
Algumas economias têm melhor desempenho
Em toda a Europa, porém, o panorama geral está longe de ser sombrio. A Espanha, que se beneficia de um boom turístico pós-pandemia, deverá ter mais um ano de crescimento do emprego, assim como Luxemburgo, Irlanda, Croácia, Portugal e Grécia, de acordo com o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional, uma agência oficial da União Europeia.
Mesmo em países com crescimento mais fraco, ainda existem focos de forte demanda por trabalhadores.
"O que parecia uma escassez generalizada de trabalhadores durante a Grande Demissão virou algo mais específico a determinados setores", disse Julian Stahl, especialista em mercado de trabalho da empresa de recrutamento online Xing, à DW. "Ainda há sérias carências no varejo, saúde, logística, engenharia e outras funções altamente especializadas."
A base industrial da Alemanha foi a mais afetada pelas perdas de empregos nos últimos meses, particularmente nos setores automotivo, de máquinas, metalúrgico e têxtil. Os altos custos de energia, a fraca demanda por exportações e a forte concorrência da China eliminaram mais de 120 mil postos de trabalho, segundo dados do governo.
Essas mesmas pressões afetam também fabricantes na França, Itália e Polônia, levando o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria da zona do euro a cair para 48,8 em dezembro, o mais baixo em nove meses. Leituras acima de 50,0 indicam crescimento na atividade, enquanto as abaixo desse patamar apontam para contração.
"A maioria das empresas tenta manter o nível ou encolher ligeiramente em vez de crescer", disse Stahl, acrescentando que as contratações não pararam completamente.
Manchetes negativas sobre cortes de empregos na indústria parecem estar causando danos à reputação dos setores mais valorizados da Europa, afirmou Bettina Schaller Bossert, presidente da World Employment Confederation, uma organização global sem fins lucrativos sediada em Bruxelas que representa o setor privado de serviços de emprego.
"Muitos jovens recém-formados acreditam que não há futuro no setor automotivo. Eles não estão interessados em seguir carreira [nas montadoras europeias], mesmo que existam novas e fantásticas oportunidades", disse Bossert à DW.
Setor automotivo europeu atrai cada vez menos jovens recém-formados
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Impacto da IA deve remodelar o trabalho
A Europa vem implementando IA muito mais lentamente do que os Estados Unidos e a China, devido a investimentos menores, regulamentações mais rigorosas e adoção tardia. Mas isso não diminuiu os temores dos funcionários de que a automação poderá substituir rapidamente os humanos, especialmente após previsões negativas de milhões de demissões no futuro
Um estudo da gigante de consultoria EY, publicado em julho, constatou que um quarto dos trabalhadores europeus teme que a IA possa colocar seus empregos em risco, enquanto 74% acreditam que as empresas precisarão de um quadro de funcionários menor como resultado da tecnologia.
Em novembro, o Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB), com sede em Nuremberg, projetou que 1,6 milhão de empregos somente na Alemanha poderiam ser remodelados ou perdidos para a IA até 2040. A Agência Federal do Trabalho prevê que os cargos altamente qualificados serão desproporcionalmente afetados, embora o setor de tecnologia possa criar cerca de 110 mil novos empregos.
Enzo Webe, chefe do departamento de previsões do IAB, afirmou no relatório que a IA levaria a uma "transformação" do mercado de trabalho, mas não a uma oferta menor.
Outras previsões variam desde o surgimento de um chamado precariado da IA – populações inteiras que não estão apenas desempregadas ou subempregadas, mas que perderam seu propósito, identidade e pertencimento social – até visões mais otimistas que argumentam que a inteligência artificial redistribuirá o trabalho, ao invés de eliminar profissões inteiras.
"Muitas tarefas árduas podem ser transferidas para a IA para liberar mão de obra humana", disse John Springford, especialista em mercado de trabalho do Centro para a Reforma Europeia, à DW. "Mas há um bom motivo para acreditar que o trabalho profissional e intelectual não diminuirá."
Anthony Klotz, professor do University College London que cunhou o termo "A Grande Demissão", argumenta em seu livro Jolted ("Abalado", em tradução livre), que será lançado em breve, que pedir demissão tem menos a ver com insatisfação a longo prazo e mais com momentos repentinos de clareza.
Para muitos trabalhadores europeus, o rápido avanço da IA pode se tornar exatamente esse tipo de abalo; um catalisador que os incentive a agir preventivamente, antes que a automação transforme seus papéis.
Os empregos que mais devem crescer em 2026, segundo o ranking do LinkedIn
Sem a presença de Lula, acordo UE-Mercosul será assinado neste sábado; veja os próximos passos

Acordo Mercosul-UE abre caminho para preços menores
Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia e o Mercosul dão neste sábado (17) um passo decisivo para a criação da maior zona de livre comércio do mundo.
Os dois blocos assinam, no Paraguai, o acordo comercial que pretende integrar mercados, reduzir tarifas, e ampliar o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o único chefe de Estado sul-americano que não estará presente. Além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, estão confirmados os presidentes da Argentina, do Uruguai, da Bolívia e do Paraguai.
Lula recebeu von der Leyen nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro. Na ocasião, classificou a demora para concluir o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”.
"Amanhã [sábado], em Assunção, UE e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um produto interno bruto de US$ 22 trilhões. Essa é uma parceria baseada no multilateralismo", afirmou Lula.
A assinatura, no entanto, não encerra o processo: para que o tratado entre em vigor, o texto ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos — um caminho que tende a ser longo e politicamente sensível, sobretudo dentro da UE.
A seguir, veja quais são as próximas etapas, o que ainda falta para a aprovação definitiva e os principais pontos de tensão em torno do acordo.
Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul.
Arte/g1
1. Formalização dos votos
Após a aprovação provisória pelo Comitê de Representantes Permanentes (Coreper), órgão composto pelos embaixadores dos Estados-membros da UE, houve a formalização dos votos.
As capitais do bloco tinham até às 17h, no horário de Bruxelas (13h no horário de Brasília) para confirmar seus votos por escrito.
Nesta tarde, o Chipre, que detém a presidência rotativa do bloco, confirmou a adesão dos países europeus por "ampla maioria".
2. Assinatura formal
Com a maioria qualificada confirmada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ficará autorizada a assinar o acordo em nome da União Europeia.
A assinatura formal era esperada para segunda-feira (12), no Paraguai, que exerce a presidência rotativa do Mercosul, mas deve acontecer neste sábado (17), segundo o Ministério das Relações Exteriores.
A assinatura, no entanto, não significa que o acordo passe a valer imediatamente. Após essa etapa, o tratado seguirá para os processos de ratificação internos.
3. Quando entra em vigor
No caso da União Europeia, o texto precisará ser analisado pelo Parlamento Europeu. Dependendo da interpretação jurídica, partes do acordo também poderão ter de ser aprovadas pelos parlamentos nacionais dos países-membros.
Do lado do Mercosul, o acordo também terá de passar pelos Congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
🔎 O acordo cria obrigações legais dentro de cada país do Mercosul, como redução de tarifas, mudanças nas regras comerciais e compromissos regulatórios.
Enquanto isso, a União Europeia e os países do Mercosul poderão discutir a aplicação provisória de partes do tratado, especialmente as relacionadas à redução de taxas, o que permitiria antecipar alguns efeitos econômicos antes da ratificação completa.
O acordo só passa a valer por completo depois de todas as aprovações internas serem concluídas nos dois blocos.
O acordo UE-Mercosul
Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
O tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
Entretanto, as negociações dividiram a União Europeia. Países como Alemanha e Espanha apoiam o tratado por enxergarem oportunidades de ampliar exportações, reduzir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos.
Já a França — que garantiu apoio de alguns países, como Polônia, Irlanda e Áustria — se opõe, principalmente por temer prejuízos ao setor agrícola diante da concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. Agricultores e ambientalistas também criticam o acordo.
O texto final tenta equilibrar esses interesses, com salvaguardas para a agricultura europeia e exigências ambientais mais rígidas.
Para o Mercosul, o Brasil tem papel central: precisa comprovar avanços em sustentabilidade e controle ambiental para facilitar a ratificação e ampliar o acesso ao mercado europeu.
Veja abaixo a linha do tempo do acordo.
Bandeiras de países da União Europeia na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França
Antoine Schibler/Unsplash
Mega-Sena pode pagar R$ 41 milhões neste sábado

Como funciona a Mega-sena
O concurso 2.961 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 41 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (17), em São Paulo.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
No concurso da última quinta-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
UE negocia acordo de terras raras com o Brasil, diz presidente da Comissão Europeia

Lula e chefe da Comissão Europeia se reúnem na véspera da assinatura do acordo
A União Europeia também entrou na disputa global pelos minerais críticos do Brasil. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco negocia um acordo com o país para investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras — insumos considerados estratégicos para a transição energética, a digitalização da economia e a segurança geopolítica.
A declaração foi feita durante a cerimônia que celebrou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado ao longo dos últimos 25 anos (o acordo comercial é amplo, envolve diversos itens, e é distinto da negociação sobre terras raras).
Segundo von der Leyen, a cooperação em matérias-primas críticas será um dos pilares da relação entre os dois lados.
“Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção”, afirmou.
Interesse também dos EUA
O aceno europeu ocorre no mesmo momento em que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, passaram a demonstrar interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros.
O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses minerais sem processamento, o que reduz o valor agregado capturado pelo país.
No discurso, von der Leyen classificou o acordo Mercosul–UE como um arranjo de “ganha-ganha” e encerrou a fala em português.
“Todo mundo beneficiado é realmente um ganha-ganha. Esse é o jeito europeu de fazer negócio. E quero dizer, do fundo do meu coração: obrigada, amigo. O melhor está por vir”, disse, antes de se despedir.
As terras raras — um grupo de 17 elementos químicos essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos, chips, equipamentos médicos e tecnologias militares — estão no centro de uma corrida geopolítica.
Enquanto a China domina o refino e o processamento, EUA e União Europeia buscam diversificar fornecedores para reduzir dependências estratégicas. Nesse cenário, o subsolo brasileiro passou a ocupar posição central no tabuleiro internacional.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de diversos produtos modernos
Arte/g1
Banco Inter recebe autorização do Fed para abrir filial nos EUA

Banco Inter recebe autorização para abrir filial nos EUA
O Banco Inter, controlado pela holding Inter&Co, informou nesta sexta-feira (16) que recebeu as aprovações do Florida Office of Financial Regulation (OFR) e do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) para estabelecer uma agência internacional na Flórida.
"Na prática, a partir de agora, o Inter passa a atuar como banco para clientes internacionais em qualquer parte do mundo, a partir de sua filial nos Estados Unidos, marcando um avanço relevante em sua estratégia de expansão internacional", afirmou o banco em comunicado à imprensa.
De acordo com o grupo, a autorização viabiliza a abertura de uma agência em Miami, cidade onde o Inter mantém sua sede global desde 2021.
A unidade deve ampliar a oferta de serviços financeiros a pessoas físicas e empresas fora do Brasil.
"Esse passo reforça nossa ambição de atuar como uma plataforma global', afirmou João Vitor Menin, presidente-executivo global da Inter&Co, em comunicado.
Com a nova autorização, o Inter passa a integrar o grupo de instituições financeiras internacionais habilitadas a operar uma agência nos Estados Unidos.
A operação funcionará como uma base bancária digital e permitirá a oferta de produtos como contas correntes e de poupança, cartões de débito e crédito e modalidades de financiamento.
A estrutura também possibilita a captação de depósitos em dólar de clientes estrangeiros e o atendimento a empresas internacionais com operações no mercado americano, de acordo com as regras do sistema financeiro local.
O banco afirma ainda que a presença nos Estados Unidos amplia sua capacidade de atendimento a públicos internacionais e contribui para a organização de sua operação global.
Fundado como o primeiro banco digital do Brasil, em 2015, o Inter reúne hoje mais de 41 milhões de clientes e atua como um superaplicativo financeiro, com serviços de banking, investimentos, crédito, seguros, marketplace e remessas internacionais.
Segundo dados do banco, cerca de 10% das transferências entre pessoas realizadas no Brasil por meio do Pix passam pela plataforma do Inter.
A instituição tem índice de eficiência de 45,2%, carteira de crédito de R$ 43,8 bilhões, patrimônio líquido de R$ 9,8 bilhões e ativos totais de R$ 91,8 bilhões.
A empresa é listada na Nasdaq, bolsa de tecnologia dos Estados Unidos, sob o código INTR.
Logo do Banco Inter
Divulgação
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Trump tem 'plano B' e pode impor tarifa de 10% se Suprema Corte derrubar tarifaço, diz Hassett

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem um “plano B” para impor tarifas generalizadas de 10% caso a Suprema Corte derrube o tarifaço imposto pelo republicano em 2025.
A afirmação foi feita pelo diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, em entrevista à Fox Business, nesta sexta-feira (16).
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"Nós estamos muito confiantes de que a Suprema Corte vai ficar do nosso lado. A análise jurídica nos favorece. Mas também temos um plano B realmente sólido", disse Hassett. "Podemos impor imediatamente uma tarifa de 10% para compensar a maior parte do espaço perdido."
A expectativa é que a Suprema Corte divulgue, na próxima semana, uma decisão sobre a principal política econômica de Trump. A análise envolve a legalidade das tarifas impostas no chamado “Dia da Libertação”, que alcançou mais de 180 países — incluindo o Brasil. (leia mais abaixo)
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Segundo o conselheiro da Casa Branca, o governo pode recorrer a instrumentos como a Seção 301 e a Seção 232 da lei de comércio exterior dos EUA para complementar as tarifas.
Esses dispositivos autorizam a imposição de sobretaxas em casos de práticas comerciais desleais ou por motivos de segurança nacional e poderiam substituir, de forma mais duradoura, parte das tarifas que eventualmente sejam derrubadas pela Justiça.
Outra alternativa é a adoção das tarifas de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza o presidente a impor sobretaxas de até 15% por um período máximo de 150 dias para corrigir desequilíbrios comerciais.
O presidente Donald Trump durante evento na Casa Branca, em 14 de janeiro de 2026
REUTERS/Evelyn Hockstein
À espera da Suprema Corte
A Suprema Corte dos EUA pode anunciar na próxima semana sua decisão sobre a legalidade do amplo aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump à importação de produtos de diversos países, entre eles o Brasil.
A análise das tarifas de Trump envolve um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que concluiu que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor a maior parte das taxas globais com base em uma lei federal destinada a situações de emergência. (leia mais abaixo)
Na prática, a esperada decisão sobre o tarifaço deve definir os limites do poder do republicano para agir sem o aval do Congresso americano — e pode afetar medidas aplicadas contra o Brasil. O processo judicial se arrasta desde o meio de 2025.
A briga judicial
A Suprema Corte dos EUA decidiu em setembro passado analisar a legalidade do tarifaço imposto por Donald Trump, após o governo recorrer da decisão de um tribunal de apelações, que concluiu que a maioria das tarifas não tem respaldo legal.
As ações contra as taxas foram apresentadas por empresas impactadas pelo tarifaço e por 12 estados americanos, a maioria administrada por democratas.
Além dos limites do poder de decisão de Trump, estão em jogo trilhões de dólares em tarifas alfandegárias ao longo da próxima década. O presidente americano já defendeu que as cobranças são um "remédio" necessário para a economia americana.
Em 5 de novembro, durante as sustentações orais do caso, os juízes da Suprema Corte levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas impostas por Trump. O debate durou mais de 2h30.
O principal ponto das discussões foi avaliar se o presidente havia ultrapassado a competência do Congresso americano ao impor tarifas com base em uma lei de 1977, originalmente prevista para ser aplicada em situações de emergência nacional.
Segundo a agência Reuters, alguns juízes conservadores afirmaram que a Corte estava debatendo o poder "inerente" dos presidentes ao lidar com outros países — na prática, isso indica uma possível divisão sobre o resultado do caso. O tribunal possui maioria conservadora de 6 a 3.
Balanço 2025: efeitos do tarifaço foram menores do que o esperado na economia; bolsa subiu e dólar recuou
Com reformas de Milei, Argentina registra superávit fiscal em 2025 pelo segundo ano seguido

A Argentina encerrou 2025 com superávit nas contas públicas pelo segundo ano consecutivo. O resultado é atribuído à política de “déficit zero”, adotada pelo presidente ultraliberal Javier Milei, informou o governo nesta sexta-feira (16).
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Em 2025, o superávit primário alcançou 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o superávit fiscal ficou em 0,2% do PIB, segundo o ministro da Economia, Luis Caputo.
🔎 O superávit primário exclui os juros da dívida e mostra o resultado das receitas e despesas do governo. Já o superávit fiscal inclui os juros e reflete o saldo final das contas públicas.
A Argentina não registrava dois anos consecutivos de resultado positivo em suas contas públicas desde 2008.
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O resultado representa um leve recuo em relação a 2024, quando o superávit primário foi de 1,8% e o superávit fiscal alcançou 0,3%.
"A âncora fiscal (déficit zero) é e será uma política de Estado", comemorou Milei em sua conta no X.
O resultado fiscal de 2025 foi sustentado por um forte ajuste nos gastos públicos, que incluiu a redução de subsídios e o congelamento de orçamentos em áreas como educação, saúde, pesquisa científica e obras públicas.
"A ordem nas contas públicas e o crescimento econômico permitirão continuar devolvendo recursos ao setor privado na forma de redução de impostos", prometeu o ministro da Economia.
Apesar da melhora fiscal, a Argentina observou uma intensificação da pobreza no primeiro semestre de 2024, com 52,9% da população nessa situação.
Já no primeiro semestre de 2025, o percentual caiu para 31%. Os dados do segundo semestre ainda serão divulgados.
Inflação encerra o ano em 31,5%
A Argentina encerrou 2025 com inflação de 31,5%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), divulgado na terça-feira (13) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
O resultado ficou bem abaixo dos 117,8% registrados em 2024 e é o menor valor desde 2017. Em dezembro, o indicador acelerou pelo quarto mês consecutivo, a 2,8% no mês, acima dos 2,5% registrados em novembro.
Os dados do Indec mostram que o índice oficial de preços da Argentina apresentou forte melhora no ritmo mensal ao longo de 2024, primeiro ano da gestão do presidente Javier Milei.
Em 2025, no entanto, a taxa mensal permaneceu entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%. O cenário se tornou menos favorável a partir de maio, quando os números passaram a indicar uma aceleração gradual da inflação.
Acordo com o FMI
No início do governo Milei, a melhora nos indicadores econômicos fez com que o líder alcançasse, em abril de 2025, um acordo de US$ 20 bilhões em empréstimos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A primeira parcela, de US$ 12 bilhões, foi disponibilizada ao país poucos dias depois.
O repasse dos recursos representa um voto de confiança do fundo internacional no programa econômico do presidente argentino. Os valores anunciados se somam a dívidas antigas do país junto ao FMI, que já superavam os US$ 40 bilhões.
Nesse cenário, reduzir a inflação é fundamental para o governo do líder argentino, que deseja eliminar completamente os controles de capitais que prejudicam os negócios e os investimentos. Para isso, Milei quer que a inflação permaneça abaixo de 2% ao mês.
Logo após o acordo com o FMI, o banco central da Argentina anunciou uma redução dos controles cambiais, o chamado “cepo”. A flexibilização determinou o fim da paridade fixa para o peso argentino e introduziu o "câmbio flutuante" — quando o valor da moeda é determinado pela oferta e demanda do mercado.
Com isso, o governo de Javier Milei passou a ensaiar o fim do sistema de restrição cambial que estava em vigor desde 2019, limitando a compra de dólares e outras moedas estrangeiras pelos argentinos. A deterioração recente nos mercados, porém, fez o país voltar a intervir no câmbio.
O presidente da Argentina, Javier Milei
Tomas Cuesta/Reuters
* Com informações da agência de notícias AFP
Como fundos da Reag foram usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master

Relações do Banco Master com Reag estavam na mira do BC desde 2024
A Reag, que já vinha sendo investigada pela Polícia Federal por suspeitas de envolvimento com a facção criminosa PCC, também entrou no foco da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
No centro do caso está a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, administradora de fundos do grupo, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central nesta quinta-feira (15).
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👉 A PF apura se a Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro com o Banco Master,
Entenda como BC identificou uso dos fundos da Reag no aumento do patrimônio do Master.
O Mecanismo da fraude
O Banco Central identificou uma engenharia financeira usada para inflar artificialmente o patrimônio de fundos e mascarar os riscos do Banco Master.
🏦Captação: O Banco Master oferecia ao mercado Certificado de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos acima do mercado para atrair novos investidores e, assim, captar recursos para o banco.
💳 Empréstimo e triangulação via Reag: Em 22 de abril de 2024, o Banco Master concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à empresa Brain Realty Consultoria. Dois dias depois, a Brain Realty transferiu quase todo o valor (R$ 450 milhões) para um fundo próprio, o Brain Cash, administrado pela Reag.
🌀Circulação entre fundos: No mesmo dia, o dinheiro passou rapidamente por outros fundos também administrados pela Reag, como D Mais e High Tower, em operações realizadas em questão de minutos.
💰 Compra de "Títulos Podres" e superavaliação dos ativos: O fundo High Tower usou os recursos para comprar títulos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Embora esses títulos tenham custado cerca de R$ 850 milhões, o fundo registrou em seu balanço que eles valiam mais de R$ 10 bilhões, inflando artificialmente seu patrimônio e a rentabilidade.
💸Revenda entre fundos e fragmentação do dinheiro: Parte desses títulos supervalorizados foi revendida a outros fundos da Reag, como o D Mais, por valores bilionários, ampliando ainda mais a distorção contábil. Os R$ 450 milhões iniciais foram pulverizados entre vários outros fundos da Reag (como Anna, Astralo 95 e Growth 95) ao longo do mesmo dia.
🤑 Retorno do capital ao Master: Cerca de três horas depois, os fundos aplicaram praticamente todo o valor em CDBs do próprio Banco Master.
🔎 Na prática, o dinheiro circulou por vários fundos e voltou ao próprio banco em poucos dias. Segundo a investigação, o objetivo era inflar o patrimônio e transmitir uma falsa sensação de solidez e liquidez. Embora, no papel, a consultoria apareça como responsável pelo empréstimo, as apurações indicam que o banco acabou financiando a si mesmo, sem um tomador final real e independente.
"O objetivo financeiro desse desenho seria criar uma aparência de boa performance (liquidez e solidez) dos fundos, além de confundir e dificultar o rastreamento do dinheiro, que passaria por várias camadas de fundos e operações, perdendo o vínculo direto com sua origem e dificultando a identificação de quem se beneficia ao final", afirma o especialista em finanças, investimentos e mercado internacional Beny Fard.
Em alguns casos, o dinheiro retorna ao próprio banco, agora “maquiado” e com “cara de investimento legítimo”, numa lógica em que o capital “sai como empréstimo, gira por fundos e volta” ao sistema financeiro.
INFOGRÁFICO - Como funcionou o esquema entre Banco Master e Reag
Arte/g1
A liquidação da CBSF (Reag Trust)
O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, encerrando imediatamente as atividades da gestora.
A medida atinge a instituição, mas não os fundos sob sua gestão, que seguem ativos e deverão buscar novos administradores.
Segundo o BC, a decisão foi tomada em razão do descumprimento de “regras legais e prudenciais”, o que comprometeu a capacidade da empresa de operar de forma segura.
A autoridade monetária afirmou ainda que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades” e que o resultado das apurações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e ao encaminhamento de comunicações às autoridades competentes”.
“Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, conclui a nota. A APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. foi nomeada pelo Banco Central como liquidante da Reag.
A investigação da Polícia Federal também aponta que os donos do Banco Master e do grupo Reag Investimentos usaram familiares para ocultar o real controle de ativos e fundos de investimento.
Segundo a PF, a Reag foi utilizada para desviar recursos do Banco Master e os filhos de Mansur “foram utilizados para a prática dos crimes”. No caso do Master, o pai de Daniel Vorcaro, Henrique, além da irmã e do cunhado, foram alvos da operação. O Master teve sua liquidação extrajudicial decretada em novembro do ano passado pelo Banco Central. (relembre aqui)
Em documento citado na investigação, a Polícia Federal afirma que “tais fatos restaram muito bem elucidados na representação do Banco Central, por meio de fluxograma que demonstra o uso de diversos FIDIC’s para a operacionalização das fraudes no Banco Master, de modo similar ao verificado na representação policial inaugural”.
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025
Rovena Rosa/Agência Brasil
Lula e líder da União Europeia dão entrevista coletiva após reunião
Lula e líder da União Europeia dão entrevista coletiva após reunião Encontro aconteceu um dia antes da assinatura do acordo de livre comércio entre UE e Mercosul. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu hoje a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.. A reunião ocorreu um dia antes da assinatura do acordo comercial histórico entre o Mercosul e a União Europeia, no Paraguai.. Após o encontro, o presidente diz que acordo tem relação com respeito à democracia e ao Estado de Direito.. Já Ursula von der Leyen falou que é uma conquista de 'uma geração inteira' e agradeceu Lula por encabeçar as tratativas.. O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação. A união dará origem à maior zona de livre comércio do mundo.
Acordo UE-Mercosul: como o agro brasileiro deve se beneficiar

O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
Os países da União Europeia e do Mercosul assinaram neste sábado (17) o acordo de livre comércio, depois de quase 26 anos de discussões.
A cerimônia acontece no Paraguai, com representantes de Argentina, Brasil e Uruguai, que compõem o bloco sul-americano, e da UE. Para valer, o tratado ainda terá que ser aprovado nos congressos dos países.
Acordo pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no Brasil
'Foram 25 anos de sofrimento e tentativa', diz Lula após encontro com Ursula von der Leyen
O acordo prevê eliminar as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul.
Com isso, o setor poderá aumentar as vendas de diversos itens, como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.
As tarifas serão reduzidas gradualmente, em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, a depender do produto.
Itens como as carnes bovina e de frango terão cotas de exportação com imposto menor. São alimentos considerados "sensíveis" pelos europeus, pois competem diretamente com a produção local
Contra essa competição, uma parte ruidosa dos produtores europeus protagonizou diversos protestos contra o acordo, mesmo depois do aval da UE, no último dia 9.
Depois de votar contra, França ameaça adotar medidas 'unilaterais' se agro correr risco por acordo
O acordo não envolve só o agro, mas este foi o ponto mais sensível ao longo das décadas de negociação do livre comércio.
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve ser um grande beneficiário do acordo. O bloco europeu já é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.
O acordo assume um peso ainda mais estratégico para o Brasil depois que as vendas do agro para os EUA despencaram em 2025, diante do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump.
A sobretaxa acabou sendo retirada em novembro — mas quase metade das exportações do agro brasileiro ainda está submetida a ela.
Além disso, recentemente, China e México, outros grandes compradores do Brasil, adotaram limitações para as importações de carne. E os EUA ameaçam taxar quem mantiver comércio com o Irã.
Veja a seguir o potencial do acordo para o Brasil nos seguintes setores:
carnes
café
soja
E como as proteções aprovadas pela UE para o agro europeu incomodaram os produtores brasileiros.
Veja dados das exportação do Brasil para a UE em 2025
Arte g1
➡️Potencial para carnes
Uma das principais tensões do acordo está no setor de carnes. Pecuaristas europeus, sobretudo da França e da Polônia, resistem ao tratado por temerem perder espaço para os sul-americanos, que podem ganhar competitividade no continente.
Atualmente, a França lidera a produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia ocupa a dianteira na produção de frango. O Brasil é o maior exportador global desses dois tipos de carnes e, há anos, consegue ofertá-los a preços mais baixos do que seus concorrentes.
Atualmente, a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação para ser comprada por países da UE, explica a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Uma delas é a cota Hilton, destinada a cortes nobres, que permite ao Brasil exportar 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. Esse percentual será zerado, caso o acordo seja aprovado.
Outros tipos de carne bovina têm uma taxa menor, de 12,8%, mais 221,1 euros por 100 kg. Segundo a Abiec, se o acordo UE-Mercosul entrar em vigor, o Brasil deve deixar de pagar essa tarifa, já que passará a ter uma nova cota de exportação em conjunto com os demais países do Mercosul.
Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, juntos, até 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa inicial de 7,5%.
O volume é bem menor do que as 128 mil toneladas que o Brasil exportou, sozinho, para a UE no ano passado.
Sueme Mori, da CNA, avalia que essa cota é pequena, mas que o acordo em si eleva o nível da relação entre os parceiros comerciais e faz com que o Mercosul passe a ser um parceiro preferencial da União Europeia.
Uma lógica semelhante vai funcionar para as carnes de aves, explica a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Hoje, o setor conta com diferentes cotas de acesso à União Europeia: no caso do frango in natura, por exemplo, o país pode exportar 15.050 toneladas com tarifa zero, enquanto os volumes excedentes pagam 1.024 euros por tonelada.
Com o acordo, o Brasil terá, junto com os outros países do Mercosul, uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero.
Ela vai começar em um nível menor no primeiro ano e vai sendo aumentada em parcelas anuais iguais até chegar ao total, no sexto ano, detalhou a ABPA.
No entendimento da associação, as exportações brasileiras de frango que ocorrerem fora da cota do tratado continuarão sujeitas às regras tarifárias atualmente em vigor. "O que teremos com o Mercosul é outra cota, será adicional", disse a associação.
"Se o acordo for implementado com previsibilidade e respeito às regras, há espaço concreto para aumento das exportações brasileiras de carne de frango", concluiu a ABPA.
Nesta sexta-feira, a associação afirmou que o acordo representa "um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais".
Em 2024, a UE foi apenas o oitavo maior comprador de carnes brasileiras.
➡️ Potencial para o café solúvel
O café é o segundo produto brasileiro mais vendido para a UE em valor exportado, depois da soja.
O café em grão — que representa 97% das vendas do setor à UE — já entra na Europa sem tarifa. Mas, atualmente, o bloco aplica uma taxa de 9% sobre o café solúvel e de 7,5% sobre o torrado e moído, afirma o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos.
"O nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Então, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa", destaca Matos.
O acordo UE-Mercosul prevê que as tarifas do café solúvel e torrado e moído zerem em 4 anos.
Matos reforça que um acordo comercial é "muito mais do que exportação". Segundo ele, se o tratado for para a frente, há possibilidades de grupos empresariais europeus investirem ainda mais na indústria de café do Brasil.
As donas do café: marcas populares no Brasil pertencem a empresas estrangeiras; saiba quem são
➡️ Nada muda para a soja
O acordo, no entanto, não deverá ter impacto para a soja, que é o produto do agro brasileiro mais exportado para a União Europeia.
Isso porque ela já conta com tarifa zero tanto para o grão, como para o farelo, explica o diretor de Economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral.
"Esse tratamento se mantém há muitos anos. Por essa razão, o acordo Mercosul-UE não altera o cenário tarifário da soja", afirma Amaral.
Ainda assim, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) considerou que "o acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados".
Blindagem do agro europeu incomodou
As chamadas salvaguardas, uma série de regras aprovadas pela UE no início de dezembro para proteger o agro europeu, incomodaram produtores brasileiros.
Em resumo, elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local.
Ainda em dezembro, a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, disse que as salvaguardas são preocupantes.
Isso porque elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que é contraditório, em um momento em que se espera assinar um acordo de livre comércio.
Ela esclareceu que as salvaguardas não serão acrescentadas ao acordo que foi negociado entre as partes e deverá ser assinado em breve, mas que farão parte de um regulamento interno da UE.
Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de 3 anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios.
Na proposta original da comissão, divulgada em outubro, esse limite era maior, de 10%.
Os integrantes da comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis.
"Isso permite à União Europeia aplicar penalidades de forma muito mais rápida, dando menos tempo aos países do Mercosul para se explicarem e se defenderem", diz Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia.
Segundo Munhoz, essa cláusula não estava prevista no acordo original e pode gerar insegurança jurídica. "A UE pode questionar, por exemplo, se o Brasil usar defensivos agrícolas ou fertilizantes que não são utilizados na Europa", exemplificou.
Para a ABPA, essas proteções não eliminam o potencial de exportação, mas podem ter algum efeito sobre a previsibilidade, dependendo de como forem aplicadas.
"Do ponto de vista do Brasil, o que defendemos é que qualquer salvaguarda seja estritamente técnica, transparente e baseada em critérios objetivos, de forma a não transformar um mecanismo excepcional em barreira disfarçada", disse a ABPA, ao g1.
UE também ganha
O tarifaço de Trump também atingiu a UE e este foi um ponto crucial para que o acordo tenha sido defendido também por países europeus, sobretudo Alemanha e a Espanha, apesar da oposição liderada pela França.
Lula agradece à Espanha por apoio a acordo
Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia também foram contrários ao acordo nesta sexta, segundo a Reuters.
O grupo, entretanto, não conseguiu o apoio mínimo para barrar o tema, com outros 21 países votando a favor, também de acordo com a agência. A Bélgica se absteve.
A decisão provavelmente ficou com a Itália, cujo posicionamento sobre o acordo oscilou nos últimos meses.
Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil
Para destravar a negociação, além de aprovar as salvaguardas para proteger o agro europeu, a UE prometeu reduzir tarifas de fertilizantes, o que reduziria custos de produção.
Com o livre comércio com o Mercosul, a UE poderá aumentar exportações de carros, máquinas e produtos químicos, além de itens agrícolas, como queijos e vinhos, para o Mercosul. E também reduzir a dependência da China na área de minerais.
Mesmo derrotada, a França ameaçou adotar medidas 'unilaterais' se o seu agro correr risco.
Acordo que se arrasta desde os anos 90
O acordo de livre comércio UE-Mercosul não vale apenas para produtos agrícolas, mas este setor tem protagonizado boa parte dos embates.
As discussões começaram em 1999 e foram paralisadas depois de um acordo inicial alcançado em 2019. As conversas só foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia.
O acordo foi, então, anunciado no fim de 2024, o que encerrou o período de negociações e inaugurou o de aprovações pelos países.
“É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo", disse o presidente Lula, em novembro, durante o G20 – grupos das maiores economias do mundo.
Trump ameaça taxar países contrários a plano dos EUA de comprar Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (16) que poderá impor uma tarifa aos países que não apoiarem seu plano de adquirir a Groenlândia, território autônomo que faz parte da Dinamarca. O republicano não detalhou, no entanto, de quanto seria essa tarifa ou como as taxas seriam cobradas.
"Posso impor uma tarifa aos países que não concordarem com a Groenlândia, porque precisamos da Groenlândia para a segurança nacional", disse Trump em um evento de saúde na Casa Branca.
O presidente americano tem ameaçado anexar a Groenlândia aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, um ano atrás. Segundo o republicano, o território é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país.
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"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu Trump em uma publicação recente em seu perfil no Truth Social.
ENTENDA MAIS ABAIXO
Por que Trump diz que a Groenlândia é vital para construir Domo de Ouro; INFOGRÁFICO
Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico.
Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país.
Diante das recentes ameaças de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas militares para a Groenlândia na última quinta-feira (15).
De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca — que atualmente tem a custódia da Groelândia — para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.
Em resposta, a porta-voz do governo dos EUA, Karoline Leavitt, afirmou que o envio das tropas europeias para a região não muda a posição de Trump. “Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, disse na véspera.
No início desta semana, o republicano havia zombado das capacidades defensivas da ilha do Ártico, afirmando que os EUA a obterão "de um jeito ou de outro".
"Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro. (...) A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros", afirmou Trump na ocasião.
Trump durante entrevista nesta sexta-feira (16)
Nathan Howard/Reuters
*Com informações da agência de notícias Reuters
Novo Volkswagen Taos chega ao Brasil a partir de R$ 199.990; veja o que mudou
Novo Volkswagen Taos 2026 reformula visual para peitar rivais O novo Volkswagen Taos chega ao Brasil em 22 de janeiro, com preço inicial de R$ 199.990. O modelo traz profunda atualização visual, mais conectividade e tudo isso chega com objetivo de alavancar as vendas fracas do utilitário, quando comparadas ao que conseguiram Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), estas foram as vendas dos principais concorrentes do Taos em 2025: ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Jeep Compass: 61.255 unidades emplacadas; Toyota Corolla Cross: 59.674 unidades em placadas; Chery Tiggo 7: 38.438 unidades emplacadas; Volkswagen Taos: 12.920 unidades emplacadas. Em comparação com seus principais concorrentes, o Corolla Cross e Jeep Compass venderam quase 5 vezes mais que o Taos em 2025, enquanto o modelo da Volks só supera as vendas do líder do segmento ao somar todos os emplacamentos de 2021 a 2025. Nesse acumulado, o SUV médio da Volkswagen registrou 65.944 unidades vendidas e supera em 7% o que o Jeep Compass conseguiu somente no ano passado. Este novo Taos faz parte de uma lista de modelos que recebem atualizações no meio do ciclo de vida, sem ganhar mais potência ou um novo motor, mas com mudanças sutis no visual e na mecânica. Com isso em mente, o SUV médio da Volkswagen manteve o motor 1.4 turbo de 150 cv. Embora o conjunto continue o mesmo, o câmbio foi substituído por um novo de oito marchas. A proposta não é aumentar a velocidade, mas reduzir o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões. Por fora, no entanto, há várias mudanças. A principal está na dianteira, onde a entrada de ar superior foi reduzida, o que levou ao redesenho do para-choque. O resultado é um visual mais moderno e minimalista, alinhado ao perfil de um mercado competitivo, especialmente frente aos SUVs chineses de preço agressivo. Volkswagen Taos 2026 por fora Enquanto a parte superior foi afinada, a entrada de ar inferior ficou maior e recebeu acabamento preto, o que ajuda a deixá-la mais discreta. Olhando para dentro de casa, o Taos agora se alinha aos SUVs mais recentes, como Nivus e T-Cross, que adotam uma faixa luminosa conectando os faróis na parte superior da dianteira, em vez de na metade da entrada de ar. Além disso, os faróis ficaram mais estreitos, reforçando a aposta em elementos de design minimalista. Na traseira, há agora uma faixa de iluminação que conecta as lanternas — uma tendência já adotada anteriormente pelos modelos T-Cross e Nivus. Taos tem central multimídia menor Por dentro, duas mudanças importantes chamam atenção. A primeira é a central multimídia, que deixou de ser integrada ao console e agora fica destacada, seguindo o mesmo estilo adotado pelo Tera. Volkswagen Taos 2026 por dentro Em outras palavras, enquanto no Taos anterior o display ficava embutido, na nova versão ele se assemelha a um tablet projetado para fora — uma abordagem mais próxima dos modelos chineses, que valorizam a central multimídia como elemento de destaque. Ao contrário dos modelos chineses, a central multimídia do Taos perdeu espaço. Além de apresentar bordas maiores em relação à versão anterior, a tela passou de 10,25 para 10,1 polegadas. A redução é de cerca de 1,5%, mas vale destacar que diminuir o tamanho da tela não é algo comum no segmento. A segunda mudança está nos comandos do volante. Eles mantêm o mesmo formato, mas voltam a ser botões físicos, eliminando a sensação de tela sensível ao toque. Por outro lado, o ar-condicionado continua com controle por toque, reconhecendo o movimento do dedo — ao menos os ajustes permanecem fora da central multimídia. A Volkswagen ainda não revelou o preço nem a data de lançamento, mas é pouco provável que o Taos fique para 2026. Versões e itens de série O Volkswagen Taos será vendido no Brasil em duas versões: Comfortline e Highline. Estes são os itens de série do Volkswagen Taos Comfortline, que custa R$ 199.990: Seis airbags; Oito alto-falantes; Rodas aro 18 polegadas; Ar-condicionado com duas zonas e saída traseira; Banco com ajustes elétricos para o motorista; Central multimídia de 10,1 polegadas; Conectividade com aplicativo para funções remotas; Farol com projetor inteligente; Logo traseiro iluminado; Piloto automático adaptativo. Já o Volkswagen Taos Highline, que custa R$ 209.990, conta com todos os itens anteriores e adicionam os seguintes: Rodas ato 19 polegadas; Teto solar panorâmico; Sistema de som com subwoofer; Faróis dianteiros interligados; Detector de ponto cego; Assistente de tráfego cruzado; Freio automático de emergência. Jáo
Acordo Mercosul-UE: governo lança painel para empresas identificarem oportunidades de exportação

Acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul foi aprovado depois de 26 anos de negociação
Reprodução/TV Globo
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou nesta semana o Painel de Oportunidades Mercosul-União Europeia, plataforma digital que reúne dados do comércio entre os dois blocos e permite identificar as oportunidades criadas pelo acordo comercial.
➡️Acesse aqui o painel desenvolvido pelo governo para ajudar os exportadores
A expectativa é que a assinatura do acordo de livre comércio seja formalizada neste sábado (17), no Paraguai, para que o tratado entre em vigor no segundo semestre deste ano.
Nesta sexta (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encontrará a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, no Rio de Janeiro.
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De acordo com o governo, a nova ferramenta vai consolidar informações sobre países compradores, produtos exportados pelo Brasil, distribuição regional das exportações, tarifas aplicadas e cronograma de redução tarifária previsto no acordo, com o objetivo de apoiar a atuação de exportadores brasileiros e orientar políticas públicas de comércio exterior.
“O acordo com a União Europeia é o mais relevante já firmado pelo Mercosul. Para que ele alcance todo o seu potencial, é necessário transformar os compromissos assumidos em oportunidades concretas", afirmou a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.
"O Painel representa uma primeira contribuição em um esforço contínuo de implementação do acordo a partir de sua assinatura. Ele organiza informações estratégicas e as coloca à disposição de quem decide, produz e exporta”, prosseguiu.
Desenvolvido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o painel funciona como instrumento de política pública para democratizar o acesso à informação, reduzir assimetrias e apoiar decisões de empresas, estados e entidades setoriais.
A visualização por Unidade da Federação, por exemplo, permite identificar como cada estado já se insere no mercado europeu e onde estão as novas possibilidades de expansão, alinhando a política comercial ao desenvolvimento regional.
Com filtros que cruzam estado e produto, o painel apoia o planejamento estratégico e contribui para decisões baseadas em dados.
“Ao dar transparência aos ganhos tarifários, aos prazos de eliminação das tarifas, e aos fluxos comerciais, a ferramenta fortalece a implementação do acordo e orienta políticas públicas de apoio às exportações”, destacou a secretária Tatiana Prazeres.
Mercosul assina acordo com a UE neste sábado (17)
A história do chope no Brasil: como bebida trocou os modos europeus pelo 'borogodó' carioca

Os cariocas elegeram o chope como parte de um modo de vida que inclui bate-papo com amigos, convívio com vizinhos, paquera e torcida pelo time do coração
Getty Images via BBC
Entre brasileiros, a palavra mágica é transmitida de geração em geração.
"Vou tomar um chopp e já volto", diz o Chefe de Polícia, personagem de O Império da Lei, peça satírica em três atos publicada pelo jornal Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, em 1883.
"Garçom, uma cerveja / Só tem chope", cantou a banda Blitz em Você não soube me amar, quase um século depois.
A bebida citada no texto teatral do século 19 e no rock'n'roll do século 20 é a mesmíssima: cerveja não pasteurizada e tirada na hora, sob pressão.
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As características variam: clara ou escura, com ou sem colarinho de espuma.
Uma única regra não escrita, mas sagrada em qualquer botequim do território nacional, deve ser observada. O chope deve ser servido estupidamente gelado, com as quantidades certas de gelo e estupidez variando ao gosto do freguês.
Associado a papo, futebol, samba e outras atividades correlatas, o chope disputa com a cerveja propriamente dita, sua irmã pasteurizada e engarrafada, o título de bebida nacional.
No Centro do Rio, o Bar Amarelinho, espécie de ícone nacional da bebida, orgulha-se de servir "o chope mais gelado da Cinelândia".
"O chope é nosso carro-chefe desde 1921", diz o gerente João Batista Alves Fernandes, 45 anos, em conversa com a BBC News Brasil por telefone. Cearense de Reriutaba, ele trabalha no bar há 23 anos.
O Amarelinho, no Rio, tornou-se uma espécie de ícone nacional do chope
Divulgação
A fama do Amarelinho, segundo Fernandes, reside no emprego de uma serpentina manual de 200 metros de cobre, que permite a obtenção de um "colarinho cremoso".
Diferentemente de outros bares tradicionais do Centro do Rio, a casa resistiu às obras do metrô na Cinelândia, na primeira metade dos anos 1970, e à pandemia do coronavírus no início dos anos 2020.
O chope do Amarelinho atrai presidentes da República, governadores, parlamentares e artistas.
O acompanhamento pode variar: frango à passarinha, filé mignon, carne de sol e aipim.
A demanda atinge o pico de dezembro a março, quando a temperatura pode superar 40ºC na Cidade Maravilhosa.
"No verão, as pessoas saem dos escritórios ao final do expediente e vêm bater papo e tomar chope", conta Fernandes.
Hábito foi introduzido em 1808 pela corte portuguesa
A produção e o consumo de chope no Brasil começaram a partir de 1808, quando a família real portuguesa se instalou no Rio, explica Carlo Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte.
"Dom João [então príncipe regente de Portugal] manda instalar as primeiras cervejarias na região da Serra Fluminense", afirma Bressiani, falando de Blumenau (SC) à BBC News Brasil por telefone.
"O ambiente serrano era fundamental, uma vez que o calor na cidade do Rio tornava muito difícil controlar a fermentação."
Na época, não existia diferença entre cerveja e chope.
Produção nacional de cerveja começou na Serra Fluminense, explica Carlo Bressiani
Arquivo pessoal
A pasteurização passou a ser empregada na indústria de bebidas somente a partir da segunda metade do século 19.
Antes da adoção do processo, o produto podia ser armazenado por, no máximo, um mês.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que regulamenta a produção de bebidas, não faz distinção entre as variantes pasteurizada e não pasteurizada — ingredientes e processo de fabricação descritos pelas normas da pasta compreendem cerveja e chope, indistintamente.
Segundo os dicionários Aurélio, Houaiss e Michaelis, o nome deriva da palavra alemã Schoppen, que pode ser traduzida como "copo (de cerveja)".
Em alemão, porém, o termo designa o recipiente — que pode ser usado para beber cerveja ou vinho.
Da mesma forma, em francês, a palavra chope quer dizer "caneca de cerveja", mas a ênfase recai sobre o tipo de vasilhame, não na bebida ou na quantidade.
É nessa acepção de receptáculo, aliás, que o termo é empregado pela primeira vez na imprensa brasileira como substantivo comum.
Na edição de 30 de outubro de 1875 da Gazeta de Notícias, uma relação de prêmios de um páreo de turfe informa: "1º [prêmio] um chopp de prata dourada com relevo; 2º [prêmio] um par de botões de ouro para punhos".
Primeiras fábricas foram instaladas por migrantes alemães
Se a corte portuguesa difundiu o hábito de beber chope, a bebida permaneceu por muitos anos como artigo de luxo, acessível apenas às classes abastadas.
Anos depois da Independência, a maior parte da cerveja consumida no Brasil era importada — e, portanto, cara demais para os brasileiros comuns.
O preço elevado devia-se não apenas à inexistência de tecnologia e profissionais treinados, mas à carência de matérias-primas essenciais como o lúpulo.
As flores femininas do lúpulo, conhecidas desde a Antiguidade, tiveram suas propriedades conservantes e antissépticas descritas pela primeira vez pela monja Hildegard von Bingen, a Santa Hildegarda da Igreja Católica, no século 12.
Os primeiros cervejeiros brasileiros fracassaram nas tentativas de substituir o lúpulo por ervas nativas de diferentes regiões.
A dependência do produto importado da Europa fez com que, quase um século mais tarde, muitas cervejarias brasileiras fechassem durante a Primeira Guerra Mundial.
Fábricas de cerveja foram instaladas por migrantes alemães que passaram a afluir ao país a partir de 1824.
Em 27 de outubro de 1836, um anúncio publicado no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, referiu-se pela primeira vez à "cerveja brasileira" — um marco do início da produção industrial.
Com a crescente urbanização e a consolidação do ramo de bebidas, o chope tornou-se centro de uma verdadeira subcultura que tem seu epicentro no Rio de Janeiro.
Em outras capitais a bebida também desfruta de prestígio.
Em São Paulo, é a principal atração da carta de bebidas do Bar Brahma, reduto boêmio encravado na simbólica esquina das avenidas Ipiranga e São João.
Nos botequins do Centro e do Savassi, em Belo Horizonte, no circuito cervejeiro do São Francisco, em Curitiba, ou no eixo Pituba-Rio Vermelho-Dois de Julho-Barra, em Salvador, o chope é servido e sorvido com honras.
Mas foram os cariocas que a elegeram como parte de um modo de vida que inclui bate-papo com amigos, convívio com vizinhos, paquera e torcida pelo time do coração.
Estupidamente gelado: assim deve ser o chope para o brasileiro
Getty Images via BBC
Sem pasteurização, aumenta a percepção de sabor
As primeiras cervejas brasileiras dificilmente agradariam ao paladar do consumidor contemporâneo.
"Quanto mais você recua na história, maior é a contaminação presente na cerveja", afirma Bressiani, da Escola Superior de Cerveja e Malte.
Na primeira metade do século 19, a bebida era mais ácida e avinagrada, e o controle microbiológico, inexistente.
"A melhor cerveja já produzida é a cerveja de hoje", diz Bressiani.
Sem pasteurização, o chope da atualidade aproxima-se, em termos de composição química, da antiga cerveja.
Reside nesse detalhe, aliás, uma das chaves de seu sucesso junto ao público.A eliminação de microrganismos resultante do processo de pasteurização tem uma consequência do ponto de vista sensorial: a perda de sabor.
"O chope sempre será mais saboroso do que a cerveja porque, em certa medida, é uma cerveja viva", explica Bressiani.
Ironicamente, a refrigeração, necessária para conservação da bebida e que resulta na baixa temperatura tão apreciada pelos brasileiros, também compromete a degustação.
Ao ser ingerido gelado, o líquido provoca vasocontrição, atenuando a percepção do sabor.
Além disso, a refrigeração faz com que os aromas da bebida sejam mais solubilizados (conservados dentro da solução) e menos liberados no ar.
Essa é a razão pela qual muitos brasileiros, ao consumir o produto no exterior, julgam-no mais perfumado.
No hemisfério norte, a regra do "estupidamente gelado" não tem esse apelo.
"Nessas regiões, o chope é consumido à temperatura ambiente como qualquer bebida comum, mesmo no verão", diz o diretor da ESCM.
Evandro Mesquita: 'Chope e batata frita era o cardápio da mesada'
Música composta por Evandro Mesquita (foto), Ricardo Barreto, Guto e Zeca Mendigo é a mais célebre canção brasileira a fazer referência ao chope
Divulgação
Ou seja, diferentemente da Europa, cerveja e chope são sobretudo bebidas refrescantes no Brasil.
Nesse quesito, estão a salvo da concorrência dos destilados e de boa parte dos vinhos, que não combinam com baixas temperaturas.
A partir da Segunda Guerra Mundial, o mercado cervejeiro no Brasil ampliou-se graças ao barateamento da produção.
A estabilização da moeda nos anos 1990 e a fusão das gigantes Brahma e Antarctica no conglomerado Ambev na virada do século 21 tornaram a bebida mais acessível.
Essa metamorfose abriu caminho para investimentos massivos em marketing, que fizeram da "propaganda de cerveja" um gênero privilegiado da publicidade brasileira.
Hoje, o Brasil ocupa a terceira posição no mercado global de cerveja, atrás da China e dos Estados Unidos.
Ainda assim, em termos de consumo anual per capita, o Brasil, com 211 milhões de habitantes, atinge 67 litros – pouco mais da metade da Chéquia, com 10,8 milhões de habitantes e 128 litros anuais.
A realidade era muito diferente no final dos anos 1970, quando Evandro Mesquita compôs, em parceria com Ricardo Barreto, Guto e Zeca Mendigo, a mais célebre canção brasileira a fazer referência ao chope.
O rock Você não soube me amar nasceu nessa época nas areias de Saquarema (RJ), o "Maracanã do surfe", segundo relata Evandro à BBC News Brasil.
Com a formação da banda Blitz, que tinha Evandro, Márcia Bulcão e Fernanda Abreu nos vocais, surgiu a ideia do célebre diálogo em que um cliente pede "Garçom, uma cerveja" e o garçom responde "Só tem chope".
Do sucesso avassalador nas rádios do Rio à gravação de um clipe para o programa Fantástico, da TV Globo, a Blitz fez história.
"A gente não veio naquela onda de figurino preto, como era comum no rock'n'roll", reflete Evandro, falando à reportagem por telefone.
A letra, segundo o compositor, é uma "radiografia do underground do Rio de Janeiro dessa época, sobre o que acontecia com o pessoal que não estava se encaixando nos modos de vida que ofereciam para a gente".
"Chope e batata frita eram o cardápio da mesada, era o que dava para a gente oferecer à namorada, o mais simples. Nas mesas, era paixão, chope e batata frita", explica o compositor.
A situação retratada na música não reflete, porém, os hábitos do próprio autor, adepto de um estilo de vida saudável e natural desde a juventude.
A reportagem pergunta-lhe como reagiria ao ouvir de um garçom a informação contida em Você não soube me amar.
"Eu diria: 'Então me dá uma limonada'."
Ferramenta que impede abertura de contas falsas deve alcançar um milhão de adesões neste mês, diz Banco Central

Lançada em dezembro de 2025, a ferramenta do Banco Central que permite ao cidadão bloquear a abertura de contas bancárias em seu nome, chamada de BC Protege+, deve alcançar um milhão de adesões até o fim deste mês.
Até esta quinta-feira (15), o Banco Central havia registrado 716 mil ativações. Mantido o ritmo atual, de 18 mil novos usuários por dia, a estimativa da instituição é de que a marca de um milhão de adesões seja atingida nas próximas semanas.
"O BC Protege+ é, ao mesmo tempo, um serviço para cidadãos e um serviço que contribui para promoção da integridade do sistema financeiro", afirmou a diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central, Izabela Correa.
Segundo o BC, a ferramenta aumenta a segurança dos cidadãos contra fraudes e golpes, permitindo bloquear a abertura de novas contas bancárias em seu nome.
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A iniciativa foi criada pela autoridade monetária para reduzir riscos de crimes financeiros e reforçar a confiança no sistema bancário.
Além disso, o sistema oferece ao cidadão a possibilidade de consultar dois históricos:
o das ativações e desativações realizadas pelo próprio usuário
e o das consultas feitas pelas instituições financeiras ao seu status no BC Protege+.
Passo a passo
Para fazer o bloqueio, é preciso:
Acessar o site do BC;
Entrar no ‘Meu BC’;
Colocar o login e a senha do gov.br; e
Ativar o BC Protege+.
BC lança ferramenta para bloquear abertura de contas
🏦 A restrição para abertura de contas será comunicada de maneira automática pelo Banco Central a todas as instituições financeiras.
💳O bloqueio vale para abertura de conta-corrente e poupança. Só não funciona para conta salário, aquela aberta exclusivamente para o empregado receber o pagamento.
🔐 O serviço é grátis e poderá ser cancelado pelo próprio usuário, caso ele decida abrir uma nova conta.
Sede do Banco Central em Brasília
Reprodução/TV Globo
Programa de Elon Musk que prometia economia trilionária aos EUA deu prejuízo de US$ 10 bilhões, diz estudo

Elon Musk usa camiseta com a inscrição DOGE na Casa Branca, em março de 2025
AP Foto/Jose Luis Magana
Um levantamento feito por uma organização de funcionários públicos dos Estados Unidos revelou que o DOGE, Departamento de Eficiência Governamental, que foi comandado por Elon Musk durante os primeiros meses de governo Trump, gastou 10 bilhões de dólares ao afastar mais de 154 mil funcionários federais sob regime de licença remunerada, quase 7% do funcionalismo civil do país.
O Peer, sigla em inglês para Public Employees for Environmental Responsibility, demonstrou uma contradição, já que o departamento foi criado na segunda gestão Trump, para poupar gastos do governo e buscar eficiência governamental.
De acordo com o levantamento, mais de 154 mil servidores federais foram colocados em licença remunerada ao longo de 2025 Na prática, o governo continuou pagando salários de funcionários que estavam afastados e sem trabalhar.
“Gastar mais de US$ 10 bilhões do dinheiro do contribuinte para impedir pessoas de trabalhar é uma forma absurda de administrar o governo”, afirmou Peter Jenkins, assessor jurídico da Peer, para o The Guardian.
LEIA TAMBÉM: Musk se gabou de eficiência e prometeu cortar US$ 2 trilhões no governo, mas sai com menos de 10% realizado; veja cifras
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Ele destacou que o afastamento ocorreu mesmo em um cenário de falta de pessoal em órgãos essenciais, como o Serviço Nacional de Parques.
Entre os servidores colocados em licença remunerada estão funcionários da Agência de Proteção Ambiental dos EUA que atuam na área de justiça ambiental e que, segundo a organização, vivem hoje um impasse jurídico.
A organização afirma que o uso prolongado dessas licenças viola a Lei de Licença Administrativa, que limita o afastamento remunerado a até dez dias úteis por ano, com exceções restritas. A organização sustenta que a estratégia do governo burlou a legislação ao criar novas categorias de licença para contornar esse limite.
A responsabilização, porém, é considerada difícil. Especialistas apontam que a combinação de regras complexas, falhas na regulamentação da lei e mudanças administrativas criou o que classificam como um “buraco negro de prestação de contas”.
A entidade apresentou uma denúncia ao órgão responsável por fiscalizar gastos públicos do governo federal. Se for confirmada a irregularidade, dirigentes de agências poderiam ser punidos, mas a abertura de processos depende de autoridades ligadas ao próprio governo.
Para pesquisadores que acompanham o tema, manobras administrativas e lacunas legais ajudaram a manter o programa em funcionamento.
“Há estratégias que tornam extremamente difícil levar o caso aos tribunais ou a órgãos de controle, e isso explica por que a política avançou”, afirmou Madeline Materna, pesquisadora da Universidade Stanford.
'Prévia do PIB' do Banco Central tem crescimento de 0,7% em novembro

Crescimento de novembro foi puxado pela indústria, mostram dados do BC
Divulgação/SEBRAE
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta sexta-feira (16), mostrou expansão de 0,7% em novembro, na comparação com o mês anterior.
O cálculo é feito após ajuste sazonal — ou seja, uma forma de comparar períodos diferentes.
Essa foi a primeira alta mensal do indicador em três meses, pois a última elevação do índice havia sido registrada em agosto (0,4%).
Na comparação com novembro de 2024, a chamada prévia do PIB do BC teve alta de 1,2% (sem ajuste sazonal).
Veja abaixo o desempenho setor por setor em novembro:
Agropecuária: -0,3%
Indústria: 0,8%
Serviços: 0,6%
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Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 1,3% na comparação com os 11 primeiros meses de 2024.
E, em 12 meses até novembro, a expansão foi de 1,2%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal.
➡️O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado oficial, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma metodologia diferente (veja mais abaixo nessa reportagem).
➡️Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Ou seja, o consumo e o investimento total é menor. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem-estar social.
Desaceleração esperada da atividade
A desaceleração da atividade econômica neste ano já era esperada tanto pelo mercado financeiro quanto pelo Banco Central, diante do elevado nível da taxa de juros.
Fixada pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias, a taxa Selic está, atualmente, em 15% ao ano — o maior patamar em quase 20 anos.
A instituição tem sinalizado que os juros permanecerão neste patamar por um "período bastante prolongado" de tempo. Os analistas dos bancos esperam cortes somente em 2026.
O mercado financeiro estima uma taxa de crescimento do PIB de 2,26% em 2025, contra 3,4% no ano passado.
▶️O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter a inflação no país. Avalia que isso é um "elemento necessário para a convergência da inflação à meta [de inflação, de 3%]".
▶️No comunicado da última reunião do Copom, realizada em dezembro, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação.
PIB x IBC-Br
Os resultados do IBC-Br são considerados a "prévia do PIB". Porém, o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do IBGE.
O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE).
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, pode haver mais pressão inflacionária, o que contribuiria para conter a queda dos juros.
Dólar sobe e fecha a R$ 5,37 com prévia do PIB e atenção a novos discursos do Fed; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em alta de 0,08% nesta sexta-feira (16), cotado a R$ 5,3725. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em queda de 0,46%, aos 164.800 pontos.
Os investidores ficaram atentos a uma combinação de indicadores econômicos e compromissos políticos. No Brasil, dados de atividade e eventos oficiais dividiram espaço com notícias corporativas, enquanto, no exterior, números da indústria e falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) entraram no radar.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
▶️ Por aqui, o destaque ficou com a divulgação do IBC-Br de novembro, indicador considerado uma prévia do PIB brasileiro. O índice avançou 0,7% frente a outubro, acima da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,3%. Na comparação anual, houve crescimento de 1,2%, e, no acumulado de 12 meses, o ganho chegou a 2,4%.
🔎 Os dados indicam que a atividade econômica no Brasil segue resiliente, o que coloca em dúvida um corte de juros em março.
▶️ Também na agenda interna, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram de evento que marca os 90 anos da criação do salário-mínimo.
Lula ainda teve um encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Em pronunciamento, o presidente brasileiro afirmou que o Mercosul busca abrir outros mercados após concluir o acordo comercial com a União Europeia e fazer parcerias com o mundo todo, em especial com o Canadá, México, Vietnã, Japão e China.
▶️ No noticiário corporativo, as atenções ficaram com a Petrobras, que encerrou 2025 com uma produção acima das metas estabelecidas pela companhia. A alta de cerca de 1% nos papéis preferenciais da empresa ajudou a evitar perdas maiores no Ibovespa.
▶️ No exterior, as atenções aos novos dados de atividade dos EUA. A produção industrial americana cresceu 0,2% em dezembro, segundo informações do Fed, impulsionada por uma alta na fabricação de metais primários que compensou a queda nas fábricas de montagem de veículos automotores.
▶️ Além disso, as tensões geopolíticas também ficam no radar. Nesta sexta-feira, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou impor tarifas aos países que forem contrários aos seus planos de adquirir a Groenlândia.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,14%;
Acumulado do mês: -2,12%;
Acumulado do ano: -2,12%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,88%;
Acumulado do mês: +2,28%;
Acumulado do ano: +2,28%.
Petrobras tem produção acima da meta
A Petrobras informou que, em 2025, produziu em média 2,4 milhões de barris de petróleo por dia. O número foi divulgado pela própria empresa nesta quinta-feira e mostra que a produção ficou acima do que estava previsto em seu plano estratégico.
Segundo a estatal, o volume superou em 0,5 ponto percentual o teto da meta estabelecida no Plano de Negócios 2025–2029, que previa crescimento máximo de 4%. Na prática, isso significa que a produção de petróleo cresceu 11% em relação ao registrado em 2024.
Quando são considerados juntos o petróleo e o gás natural, a produção total alcançou 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia — uma medida que reúne diferentes tipos de energia em uma mesma unidade.
Nesse caso, o resultado ficou 2,8 pontos percentuais acima do limite superior da meta e também representou um avanço de 11% na comparação com o ano anterior, de acordo com a companhia.
Agenda econômica
Prévia do PIB no Brasil
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador usado para acompanhar o ritmo da economia e antecipar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,7% em novembro na comparação com outubro, segundo dados ajustados para efeitos sazonais divulgados pelo BC nesta sexta-feira.
O resultado veio acima do esperado pelo mercado. Em pesquisa da Reuters, a previsão era de um avanço mais moderado, de 0,3% no período.
Na comparação com novembro do ano passado, o índice mostrou crescimento de 1,2%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o IBC-Br passou a registrar alta de 2,4%, conforme os dados sem ajuste sazonal, que permitem a comparação direta entre períodos iguais.
Bolsas globais
Os mercados em Wall Street devem começar o dia em alta, sustentados principalmente pelo avanço das ações de semicondutores.
O setor segue beneficiado pelo otimismo em torno da inteligência artificial, que continua atraindo investidores. Além disso, o mercado acompanha o início da temporada de balanços, que deve ganhar mais peso ao longo da próxima semana.
Antes da abertura, os contratos futuros apontavam para um pregão positivo, com alta de 0,1% no Dow Jones, avanço de 0,3% no S&P 500 e ganho de 0,6% no Nasdaq.
Na Europa, o movimento era mais contido, com as principais bolsas operando próximas da estabilidade.
O DAX, de Frankfurt, recuava 0,1%, aos 25.323,98 pontos; o CAC 40, de Paris, caía 0,4%, aos 8.277,40 pontos; e o FTSE 100, de Londres, avançava 0,1%, para 10.250,97 pontos.
Já na Ásia, os mercados encerraram o dia sem uma direção única.
As bolsas chinesas fecharam em baixa após autoridades anunciarem o reforço das regras de financiamento de margem e sinalizarem medidas para conter excessos especulativos, interrompendo uma sequência de quatro semanas de alta.
No fechamento, o Hang Seng caiu 0,29%, o Xangai SSEC recuou 0,26% e o CSI300 perdeu 0,41%. Em sentido oposto, o Kospi subiu 0,90% e o Taiex avançou 1,94%, enquanto o Nikkei cedeu 0,32% e o Straits Times registrou alta de 0,22%.
Cédulas de dólar
bearfotos/Freepik
Maior IPVA do Brasil passa de R$ 1 milhão e tem preço de um apê no Leblon; veja o mais caro de cada estado

Agora que todos os estados divulgaram as informações sobre o IPVA 2026, é possível afirmar que o maior boleto do imposto foi emitido para um fenômeno entre colecionadores, uma Ferrari LaFerrari 2015, avaliada em R$ 35,6 milhões.
O modelo raríssimo está registrado no Distrito Federal, que tem alíquota de 3% sobre o preço do carro. O valor final de IPVA foi a bagatela de R$ 1.067.933,76 em 2026.
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No Brasil, há mais um exemplar da LaFerrari, ainda mais caro. Uma unidade em Santa Catarina foi avaliada em R$ 38 milhões, mas a alíquota do IPVA no estado é de 2%. Assim, o boleto pago pelo proprietário é "mais barato", de R$ 760.874,74.
O supercarro foi produzido pela Ferrari entre 2013 e 2018, como primeiro carro híbrido da montadora. O motor é um 6.2 V12, gerando 789 cv de potência, que quando combinado com o sistema híbrido, alcança absurdos 950 cv e 91,7 kgfm de torque.
A LaFerrari alcança os 100 km/h em apenas 2,6 segundos e a velocidade máxima é de 350 km/h. Com a tração eletrificada, o modelo conseguiu manter a potência elevada e ainda assim reduzir o consumo de combustível em até 40%.
Ferrari LaFerrari
Ferrari LaFerrari
Com o valor do IPVA de 2026 da LaFerrari registrada no Distrito Federal, é possível comprar um pequeno imóvel no bairro mais caro do Rio de Janeiro: o Leblon.
Segundo o Índice FipeZAP 2025, o preço médio do metro quadrado na praia (onde Caetano Veloso estacionou o carro) é de R$ 25.717. Com o imposto, portanto, daria para quitar um apartamento de 41,5 metros quadrados na região.
Além disso, o IPVA do supercarro permitiria a compra à vista de:
Um Porsche 911 Carrera (R$ 980.000) e ainda volta troco para a compra de um Renault Kwid (R$ 78.690);
Quase dois Porsche 718 Cayman (R$ 535.000 cada), faltando R$ 2.066,24 que você pode negociar 0,19% de desconto na loja para comprar os dois.
9 Fiat Strada, com preço inicial de R$ 113.490;
9 Volkswagen Polo, com preço inicial de R$ 112.990;
11 Fiat Argo, com preço inicial de R$ 96.790;
8 Volkswagen T-Cross, com preço inicial de R$ 119.990;
11 Hyundai HB20, com preço inicial de R$ 95.190.
🚗 O g1 preparou uma lista dos IPVAs mais caros em cada estado. Clique abaixo para conhecer o carro com imposto mais caro em cada UF.
⚠️ Lembre-se que o cálculo do imposto varia de estado para estado, com alíquota girando entre 1% e 4%. Por isso, modelos iguais podem ter valores diferentes.
Acre (AC)
Alagoas (AL)
Amapá (AP)
Amazonas (AM)
Bahia (BA)
Ceará (CE)
Distrito Federal (DF)
Espírito Santo (ES)
Goiás (GO)
Maranhão (MA)
Mato Grosso (MT)
Mato Grosso do Sul (MS)
Minas Gerais (MG)
Pará (PA)
Paraíba (PB)
Paraná (PR)
Pernambuco (PE)
Piauí (PI)
Rio de Janeiro (RJ)
Rio Grande do Norte (RN)
Rio Grande do Sul (RS)
Rondônia (RO)
Roraima (RR)
Santa Catarina (SC)
São Paulo (SP)
Sergipe (SE)
Tocantins (TO)
Aston Martin, Ferrari e Porsche estão entre os carros com IPVA mais caros do Brasil
g1
Acre
No Acre, dois dos três IPVAs mais caros são de Porsche 911 Carrera, mudando apenas o custo de cada um. O valor mais elevado é de R$ 24.519,36, emitido para um 911 Turbo de 2022, avaliado em R$ 1.225.968.
Já o outro custa consideravelmente menos: R$ 750.591, gerando um IPVA de R$ 14.325,74. As versões não foram divulgadas. Como há quatro variantes, os dados abaixo resumem a linha:
Potência: entre 394 e 541 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: entre 4,5 e 3 segundos
Velocidade máxima: entre 294 e 312 km/h
O segundo IPVA mais caro do Acre foi emitido para um Land Rover Range Rover Sport (RRS) 2024. O modelo é um utilitário híbrido plug-in que, além de enfrentar atoleiros com facilidade, oferece comodidades como ar-condicionado com purificador de ar, capaz de hidratar a pele dos ocupantes.
O modelo foi avaliado em R$ 935.791 e o IPVA é de R$ 17.811,22.
Potência: 510 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 5,8 segundos
Velocidade máxima: 242 km/h
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Alagoas
O pódio de Alagoas tem duas Lamborghinis e uma Ferrari. O modelo com maior tributo é uma Lamborghini Huracán Tecnica de 2024. O supercarro foi fabricado entre 2022 e 2024, com:
Potência: 631 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,2 segundos
Velocidade máxima: 325 km/h
Ela foi avaliada em R$ 4.079.130 e com IPVA de R$ 132.571,73.
O segundo lugar do pódio é ocupado por uma Lamborghini Urus de 2021, avaliada em R$ 3.157.721. O IPVA é de R$ 102.625,93. Ela tem:
Potência: 550 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 4,1 segundos
Velocidade máxima: 286 km/h
Já o terceiro lugar é de uma Ferrari 488 Pista 2019. O IPVA custa R$ 90.850,79. O esportivo italiano tem:
Potência: 720 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,85 segundos
Velocidade máxima: 340 km/h
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Amapá
A Secretaria da Fazenda do Tocantins não respondeu aos nossos contatos. Este texto será atualizado assim que os valores forem enviados.
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Amazonas
No Amazonas, uma Ferrari lidera, seguida de duas Mercedes. A Ferrari 488 Spider de 2019 custa R$ 3.337.038, com IPVA de R$ 66.740,76. Sua ficha técnica tem:
Potência: 670 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3 segundos
Velocidade máxima: 325 km/h
Depois chegam duas Mercedes-Benz AMG G63, uma de 2023 e outra de 2025, ambas na variante mais completa, chamada de Manufaktur. Enquanto o primeiro modelo tem IPVA de R$ 38.793,84 e preço sugerido de R$ 1.939.692, o segundo tem imposto de R$ 33.027,09 e valor venal de R$ 2.201.806. Ambos têm:
Potência: 585 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 4,4 segundos
Velocidade máxima: 220 km/h
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Bahia
Na Bahia, os maiores IPVAs são duas Lamborghini e uma Ferrari. No topo do ranking está uma Lamborghini Aventador SVJ R com valor de mercado avaliado em R$ 6.858.019. O IPVA custou R$ 171.450,47. A ficha técnica:
Potência: 759 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,8 segundos
Velocidade máxima: 350 km/h
A segunda colocada é uma Ferrari Purosangue, avaliada em R$ 6.655.513. Tem IPVA de R$ 166.387,83. A ficha técnica é a mesma para todas as versões:
Potência: 715 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,3 segundos
Velocidade máxima: 310 km/h
Por fim, aparece uma Lamborghini Huracán, avaliada em R$ 4.079.130. O IPVA emitido foi de R$ 101.978,25. A ficha técnica inclui:
Potência: 640 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3 segundos
Velocidade máxima: 325 km/h
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Ceará
Ferrari 812 GTS
divulgação/Ferrari
No Ceará, os três lugares do pódio são distribudos em duas Ferrari e um Porsche. A líder é uma Ferrari 812 GTS de 2023, avaliada por R$ 6.758.247,14. O IPVA foi de R$ 236.538,65. A ficha técnica tem:
Potência: 789 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,9 segundos
Velocidade máxima: 340 km/h
A outra Ferrari é uma 296 GTS também de 2023, que custa quase a metade: R$ 3.815.836, gerando um IPVA de R$ 133.554,26. Sua ficha traz:
Potência: 830 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,9 segundos
Velocidade máxima: 330 km/h
Deste trio, o Porsche 911 GT3 RS de 2024 é o único carro que nasceu longe da Itália. O supercarro alemão foi avaliado em R$ 3.401.361,14 e o proprietário precisará pagar um boleto de R$ 119.047,64 de IPVA em 2026.
Potência: 525 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,2 segundos
Velocidade máxima: 296 km/h
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Distrito Federal
O Distrito Federal tembém tem um exemplar da LaFerrari, avaliada em R$ 35.597.792. O IPVA 2026 custou R$ 1.067.933,76 e é o mais caro do Brasil. Lembrando a ficha técnica:
Potência: 950 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,6 segundos
Velocidade máxima: 350 km/h
O segundo e o terceiro lugar estão com dois Porsche 918 Spyder, que custam R$ 13.093.627 e R$ 12.336.504. O IPVA deles custou R$ 392.808,81 e R$ 370.095,12, respectivamente. A ficha técnica de ambos conta com:
Potência: 887 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,6 segundos
Velocidade máxima: 345 km/h
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Espírito Santo
No topo do ranking do Espírito Santo há uma Ferrari Purosangue de 2024, que custa R$ 6.980.524 e precisa pagar R$ 139.610,48 de IPVA em 2026. A ficha técnica deste supercarro híbrido oferece:
Potência: 715 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,3 segundos
Velocidade máxima: 310 km/h
O segundo lugar é de outra Ferrari, uma 812 GTS, de R$ 5.940.555. O IPVA foi de R$ 118.811,10. Sua ficha técnica oferece:
Potência: 789 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,9 segundos
Velocidade máxima: 340 km/h
Por fim, a Lamborghini Aventador SVJ está em terceiro lugar no pódio e custa R$ 4.203.212. O IPVA é de R$ 84.064,24. Sua ficha técnica é:
Potência: 759 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,8 segundos
Velocidade máxima: 350 km/h
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Goiás
Goiás tem uma Lamborghini Aventador SVJ como maior IPVA do estado. O supercarro custa R$ 7.143.684, e tem imposto de R$ 267.888,15. Sua ficha técnica é a seguinte:
Potência: 759 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,8 segundos
Velocidade máxima: 350 km/h
Em segundo lugar aparece a primeira Ferrari do pódio, uma 812 Superfast. O IPVA deste modelo custa R$ 203.939,70. O veículo foi avaliado em R$ 5.438.392 e sua ficha técnica tem:
Potência: 800 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,9 segundos
Velocidade máxima: 340 km/h
O terceiro colocado deste pódio é uma McLaren 765LT Spider, um supercarro de R$ 4.649.483 e com IPVA de R$ 174.355,61. A ficha técnica dele oferece:
Potência: 755 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,8 segundos
Velocidade máxima: 330 km/h
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Maranhão
No Maranhão, on primeiro lugar está uma Lamborghini Huracán, de R$ 4.215.668. O IPVA do veículo é de R$ 126.470,04. Abaixo, a ficha técnica:
Potência: 640 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3 segundos
Velocidade máxima: 325 km/h
Na segunda colocação aparece uma Mercedes-Benz AMG GT63 E-Performance de 2025, avaliada em R$ 1.661.025 e IPVA de 2026 é de R$ 49.830,75. A ficha técnica deste híbrido plug-in tem:
Potência: 843cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,9 segundos
Velocidade máxima: 316 km/h
O terceiro lugar do pódio tem um dos poucos Chevrolet deste texto, com um Corvette Stingray que custa R$ 1.393.525 e a Secretaria da Fazenda do estado emitiu o IPVA 2026 no valor de R$ 41.805,75. A ficha técnica deste esportivo americano tem
Potência: 502 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3 segundos
Velocidade máxima: 330 km/h
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Mato Grosso
Ferrari SF90 Spider
divulgação/Ferrari
O estado do Mato Grosso tem um trio de Ferraris na lista dos carros com IPVA mais caros. A primeira é uma Ferrari 812 GTS, com preço de mercado listado de R$ 5.957.031 e por isso seu IPVA foi emitido com valor de R$ 178.710,93. Essa é a ficha técnica deste superesportivo:
Potência: 789 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,9 segundos
Velocidade máxima: 340 km/h
Na segunda e terceira colocações estão duas Ferrari F8, sendo uma Spider e outra Tributo. O IPVA é de R$ 120.925,29 para a primeira e R$ 116.519,55 para a segunda, que custam R$ 4.030.843 e R$ 3.883.985, respectivamente. Fabricada na Itália entre 2019 e 2023, a ficha técnica não é alterada e tem:
Potência: 710 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,9 segundos
Velocidade máxima: 340 km/h
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Mato Grosso do Sul
No Mato Grosso do Sul, o primeiro lugar na lista é um Bentley Continental GT, com preço de mercado avaliado em R$ 3.018.120. O IPVA emitido foi de R$ 90.543,60. A ficha técnica inclui:
Potência: 771 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,2 segundos
Velocidade máxima: 335 km/h
O segundo lugar é um Porsche 911 GT3 de 2022, avaliado em R$ 1.986.749 e com IPVA 2026 de R$ 59.602,47. Ele oferece:
Potência: 510 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,4 segundos
Velocidade máxima: 318 km/h
No terceiro lugar está o segundo Chevrolet desta lista, com o Corvette Stingray que custa R$ 1.860.582 e a Secretaria da Fazenda do estado emitiu o IPVA 2026 no valor de R$ 55.817,46. A ficha técnica deste esportivo americano tem:
Potência: 502 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3 segundos
Velocidade máxima: 330 km/h
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Minas Gerais
O IPVA mais caro para os mineiros é de uma McLaren Senna Coupé de 2019, supercarro avaliado em R$ 8.546.340 e com IPVA 2026 de R$ 341.853,60. O carrão que homenageia Ayrton Senna tem:
Potência: 800 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,8 segundos
Velocidade máxima: 340 km/h
Um Rolls-Royce Cullinan de 2024 aparece na segunda posição. O gigantesco SUV custa R$ 7.553.880 e o IPVA 2026 dele é de R$ 302.155,20. O luxuoso utilitário esbanja potência, com:
Potência: 571 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 5,9 segundos
Velocidade máxima: 250 km/h
Em terceiro lugar está uma Lamborghini Revuelto de 2024, avaliada em R$ 7.299.999 pelo estado. Com isso, o IPVA 2026 gerado para o veículo é de R$ 291.999,99. Esse é um dos carros mais potentes do Brasil, com a seguinte ficha técnica:
Potência: 1.015 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,5 segundos
Velocidade máxima: 350 km/h
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Pará
Ferrari LaFerrari
divulgação/Ferrari
No Pará, o IPVA mais caro está dividido em três exemplares do mesmo carro: um trio de Ferrari LaFerrari, um supercarro híbrido que é um dos mais potentes do Brasil:
Potência: 950 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,6 segundos
Velocidade máxima: 350 km/h
O valor venal dos modelos é de R$ 37.734.168 e dois deles contam com a mesma avaliação, em R$ 35.727.100. Sendo assim, o IPVA 2026 destes modelos é de R$ 943.354,20 para a versão mais cara e R$ 893.177,50 para os outros dois.
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Paraíba
Na Paraíba, o carro com IPVA mais caro do estado é uma Ferrari Purosangue, que foi avaliada em R$ 7.061.477 e o IPVA 2026, neste estado, é de R$ 176.536,93. Sua ficha técnica entrega:
Potência: 715 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,3 segundos
Velocidade máxima: 310 km/h
O segundo colocado é outro supercarro italiano, com uma Lamborghini Huracán. O preço venal deste carrão é de R$ 3.846.953 e o IPVA 2026 é de R$ 96.248,83. Esta é a ficha técnica do veículo:
Potência: 631 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,2 segundos
Velocidade máxima: 325 km/h
McLaren 720S Spider
divulgação/McLaren
Uma McLaren 720S Spider, avaliada com o preço de R$ 3.543.598 é o terceiro carro com o maior imposto da Paraíba. O IPVA emitido é de R$ 88.589,95. A ficha técnica é a seguinte:
Potência: 710 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,9 segundos
Velocidade máxima: 341 km/h
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Paraná
O IPVA mais caro do Paraná é de um Porsche 918 Spyder de 2015, de R$ 237.174,95. Ele foi gerado a partir de um valor venal de R$ 12.482.892 e o esportivo alemão oferece:
Potência: 887 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,6 segundos
Velocidade máxima: 345 km/h
Em segundo lugar está uma Lamborghini Aventador SVJ R com valor de mercado avaliado em R$ 8.400.939. O IPVA 2026 custou R$ 159.617,84. A ficha técnica deste supercarro tem:
Potência: 759 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,8 segundos
Velocidade máxima: 350 km/h
Já a Ferrari SF90 Spider de 2024 está na terceira colocação, avaliada pelo estado por R$ 7.252.464 e com IPVA 2026 de R$ 137.796,82. O supercarro italiano conta com:
Potência: 986 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,5 segundos
Velocidade máxima: 250 km/h
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Pernambuco
Em Pernambuco, o trio de carros com IPVA mais caro é diverso. O primeiro veículo do ranking é um Rolls-Royce Cullinan de 2024 de R$ 7.429.268 e o IPVA 2026 dele é de R$ 178.302,43. O modelo tem:
Potência: 571 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 5,9 segundos
Velocidade máxima: 250 km/h
A Lamborghini Huracán está na segunda colocação. O preço venal deste carrão é de R$ 4.215.668 e o IPVA deste ano gerado para o modelo é de R$ 101.176,03. Esta é a ficha técnica do veículo:
Potência: 631 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,2 segundos
Velocidade máxima: 325 km/h
Já a McLaren 750S Spider de 2024 é a terceira colocada, de R$ 4.163.253 e IPVA 2026 emitido com valor de R$ 99.918,07. Estes são os números deste superesportivo:
Potência: 750 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,8 segundos
Velocidade máxima: 332 km/h
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Piauí
No Piauí, o carro com maior IPVA é uma Lamborghini Revuelto de 2024, avaliada em R$ 7.105.641 pelo estado. Com isso, o IPVA 2026 é de R$ 213.169,23. Esse é um dos carros mais potentes do Brasil:
Potência: 1.015 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,5 segundos
Velocidade máxima: 350 km/h
A segunda colocada é uma Ferrari Purosangue, avaliada em R$ 7.030.439. O IPVA ficou em R$ 210.913,17. A ficha técnica é a mesma para todas as versões:
Potência: 715 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,3 segundos
Velocidade máxima: 310 km/h
Em terceiro lugar aparece uma Lamborghini Huracán Sterrato de 2024, que é uma versão menos apimentada do superesportivo. Mesmo assim, ele foi avaliado com R$ 4.097.685 e o IPVA 2026 dele tem boleto de R$ 122.930,55, com:
Potência: 610 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,4 segundos
Velocidade máxima: 260 km/h
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Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, os carros com IPVAs mais caros são da Itália e da Alemanha. O maior valor foi emitido para uma Ferrari Purosangue, avaliada em R$ 7.225.405 e seu IPVA custa R$ 289.016,20. A ficha técnica é a mesma para todas as versões:
Potência: 715 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,3 segundos
Velocidade máxima: 310 km/h
O alemão é um Porsche 918 Spyder, que custa R$ 13.022.706 e o IPVA 2026 dele está no boleto com R$ 195.340,59. A ficha técnica conta com:
Potência: 887 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,6 segundos
Velocidade máxima: 345 km/h
A outra italiana é uma Ferrari SF90 Spider, versão conversível da Stradale e é avaliada em R$ 7.444.008. Isso gerou IPVA de R$ 297.760,32. O supercarro italiano conta com:
Potência: 986 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,5 segundos
Velocidade máxima: 250 km/h
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Rio Grande do Norte
McLaren Artura
divulgação/McLaren
No Rio Grande do Norte, o IPVA mais caro é de R$ 65.402,43 de uma McLaren Artura de 2023, avaliada em R$ 2.180.081. A ficha técnica deste supercarro híbrido alcança:
Potência: 680 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3 segundos
Velocidade máxima: 330 km/h
Em seguida, estão duas Mercedes-Benz AMG G63 4MATIC. Os veículos foram avaliados pelo estado por R$ 2.113.773 e R$ 1.944.496, gerando R$ 63.413,19 e R$ 58.334,88 de IPVA. Sem saber o ano do modelo, fabricado desde 2002, utilizando a base de 1979 da Classe G da fabricante alemã, chegamos na ficha técnica para a versão de 2025 com:
Potência: 585 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 4,4 segundos
Velocidade máxima: 220 km/h
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Rio Grande do Sul
Para o Rio Grande do Sul, o maior IPVA é de R$ 239.667,60, emitido neste estado para uma Lamborghini Revuelto de 2025, avaliada em R$ 7.988.920 pelo estado. Esse é um dos carros mais potentes do Brasil, com a ficha técnica:
Potência: 1.015 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,5 segundos
Velocidade máxima: 350 km/h
Em segundo e terceiro lugar estão duas Ferrari Purosangue, avaliadas em R$ 7.130.431,33. O IPVA de ambas ficou em R$ 213.912,94. A ficha técnica de um dos veículos mais recentes da fábrica de Enzo Ferrari tem:
Potência: 715 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,3 segundos
Velocidade máxima: 310 km/h
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Rondônia
O estado de Rondônia não divulgou a lista dos carros com maior IPVA. Em nota, informou o seguinte:
A Secretaria de Estado de Finanças de Rondônia, por meio da Coordenadoria da Receita Estadual, agradece o contato e o interesse por informações relacionadas à arrecadação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Esclarecemos que a solicitação apresentada já foi objeto de manifestação anterior desta Secretaria e que o posicionamento institucional permanece inalterado. Após nova análise, reiteramos que não é possível fornecer os dados requeridos.
A divulgação de informações individualizadas acerca de valores venais e dos maiores valores de IPVA vinculados a veículos específicos pode caracterizar violação ao dever de sigilo fiscal, nos termos do art. 198 do Código Tributário Nacional (CTN), norma de observância obrigatória pela Administração Tributária.
Ressalta-se que, no Estado de Rondônia, a frota de veículos de alto valor é reduzida, o que aumenta o risco de identificação indireta dos contribuintes proprietários desses bens, ainda que não haja menção nominal. Tal circunstância reforça a necessidade de resguardar a confidencialidade das informações, em atenção aos princípios constitucionais da inviolabilidade da intimidade (art. 5º, X, da Constituição Federal) e da legalidade (art. 37, caput).
Adicionalmente, a informação solicitada não se caracteriza como dado de interesse público primário, uma vez que não contribui diretamente para a transparência da gestão fiscal ou para o acompanhamento de políticas públicas. A SEFIN/RO disponibiliza, de forma regular e em conformidade com as normas de transparência fiscal, dados consolidados sobre arrecadação tributária por meio de seus canais institucionais, incluindo o site oficial e o Portal da Transparência.
Diante do exposto, a SEFIN/RO mantém o entendimento já externado e não poderá atender à solicitação nos termos apresentados. Permanecemos à disposição para eventuais esclarecimentos adicionais ou para o fornecimento de informações de caráter agregado e institucional que possam contribuir para o debate público.
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Roraima
Em Roraima, o líder é um Porsche 911 Carrera GTS de 2023 avaliado em R$ 1.114.737, com IPVA 2026 de R$ 33.442,11. Estes são os detalhes do esportivo alemão:
Potência: 480 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,4 segundos
Velocidade máxima: 311 km/h
Em segundo lugar está um Chevrolet Corvette Stingray de 2021 que custa R$ 1.091.024 e a Secretaria da Fazenda do estado emitiu o IPVA 2026 no valor de R$ 32.730,72. A ficha técnica deste esportivo americano tem:
Potência: 502 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3 segundos
Velocidade máxima: 330 km/h
Outro Porsche 911 Carrera GTS aparece na lista de Roraima, mas agora de 2022, avaliado em R$ 1.046.033, gerando imposto de R$ 31.380,99. Estes são os detalhes do esportivo alemão:
Potência: 480 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,4 segundos
Velocidade máxima: 311 km/h
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Santa Catarina
Assim como o Distrito Federal, Santa Catarina é um dos estados brasileiros com alguns dos carros mais caros do país — e, por isso, com os maiores IPVAs. O campeão por lá é uma LaFerrari de 2016, avaliada em R$ 38.043.737, gerando R$ 760.874,74 de tributo em 2026.
Potência: 950 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,6 segundos
Velocidade máxima: 350 km/h
O segundo e o terceiro lugares também ficam com Ferraris Daytona SP3, de 2024 e 2023 e com valor de mercado apontado pelo estado de R$ 19.993.573 e R$ 18.589.525, respectivamente. O IPVA delas custa R$ 399.871,46 e R$ 371.790,50, respectivamente. A ficha técnica chega em absurdos:
Potência: 829 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,85 segundos
Velocidade máxima: 340 km/h
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São Paulo
Em primeiro e segundo lugares aparecem o mesmo carro: Porsche 918 Spyder, avaliados em R$ 12.662.067 e R$ 11.929.899, com IPVA emitido de R$ 506.482 e R$ 477.195, respectivamente. A ficha técnica de ambos tem:
Potência: 875 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,6 segundos
Velocidade máxima: até 345 km/h
O terceiro colocado deste pódio é uma McLaren P1, um supercarro de R$ 11.843.283 e com IPVA de R$ 473.731,31. A ficha técnica dele oferece:
Potência: 755 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,8 segundos
Velocidade máxima: 330 km/h
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Sergipe
Os dois primeiros lugares em Sergipe ficam com uma dupla de Porsche 911, sendo um Turbo S e outro Carrera GTS. O primeiro é avaliado em R$ 1.635.302, enquanto o segundo tem valor venal de R$ 1.096.755. Os valores de IPVA destes dois supercarros são de R$ 49.059,06 e R$ 32.902,65, respectivamente.
O Porsche 911 Turbo S alcança:
Potência: 650 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,7 segundos
Velocidade máxima: 330 km/h
Já a ficha técnica do Porsche Carrera GTS traz:
Potência: 480 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,4 segundos
Velocidade máxima: 311 km/h
Já o terceiro lugar tem uma Land Rover Ranger P530 de 2023, avaliada pelo estado por R$ 1.089.531 e com IPVA gerado de R$ 32.685,93. A ficha técnica deste SUV impressiona com:
Potência: 530 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 4,5 segundos
Velocidade máxima: 240 km/h
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Tocantins
A McLaren Artura é o veículo com maior IPVA no Rio Grande do Norte. O imposto gerado para o supercarro é de R$ 76.114,36. O modelo é avaliado em R$ 2.174.696. A ficha técnica deste supercarro híbrido alcança:
Potência: 680 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 3 segundos
Velocidade máxima: 330 km/h
O segundo colocado é um Porsche 911 Turbo de 2023, avaliado em R$ 1.550.413,14. O IPVA 2026 deste modelo foi gerado com o boleto de R$ 54.264,46. Esta é a ficha técnica do modelo:
Potência: 580 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 2,8 segundos
Velocidade máxima: 320 km/h
O terceiro é Land Rover Range Rover Sport (RRS) 2025. O modelo é um utilitário híbrido plug-in que, além de enfrentar atoleiros com facilidade, oferece comodidades como ar-condicionado com purificador de ar, capaz de hidratar a pele dos ocupantes.
O modelo foi avaliado em R$ 1.630.000 e o IPVA é de R$ 39.167,87.
Potência: 510 cv
Aceleração de 0 a 100 km/h: 5,8 segundos
Velocidade máxima: 242 km/h
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Aposentadoria 2026: simulador do INSS mostra valores e tempo de contribuição pelas novas regras

O que muda nas regras da aposentadoria em 2026
O ano começou com mudanças importantes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tanto nos valores pagos aos beneficiários quanto nas regras para quem pretende pedir o benefício nos próximos anos.
Nesta semana, foram definidos os novos valores da Previdência. Os segurados que recebem acima do salário mínimo terão reajuste de 3,90%. Com isso, o teto dos benefícios do INSS sobe de R$ 8.157,41 para R$ 8.475,55.
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Mas as alterações não ficam restritas ao bolso. Desde a aprovação da reforma da Previdência, em novembro de 2019, parte das regras de aposentadoria muda todos os anos, com critérios cada vez mais rígidos.
Diante de tantas exigências, entender quando será possível se aposentar e por qual regra virou um desafio.
➡️ Para ajudar nesse planejamento, o INSS disponibiliza um simulador de aposentadoria, acessível pelo site e pelo aplicativo Meu INSS, que permite calcular o tempo de contribuição e estimar o valor do benefício.
Esse último serviço, no entanto, apenas é feito para os segurados que estão a, no máximo, cinco anos de adquirir o direito à aposentadoria.
O simulador utiliza as suas informações que estão na base de dados do instituto. A calculadora já está adaptada com as novas regras, porém o resultado gerado vale somente para consulta e não garante direito à aposentadoria.
Se for constatado algum dado incorreto, ou se surgirem dúvidas no processo, vale procurar um advogado especializado em direito previdenciário.
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Smulador do INSS mostra valores e tempo de contribuição
g1
A página indicará as condições de aposentadoria para cada uma das possibilidades existentes.
Quando a simulação indicar que atingiu os requisitos em alguma categoria, o segurado pode entrar com o pedido no INSS para saber se, de fato, pode receber o benefício.
Ficou mais difícil se aposentar em 2026?
➡️ A regra geral exige que mulheres se aposentem com idade mínima de 62 anos, e pelo menos 15 anos de contribuição. Para homens, são 65 anos de idade e 20 de contribuição.
Mas para aqueles que já contribuíram com o INSS antes da aprovação da reforma, em novembro de 2019, o governo criou um regime de transição que prevê alterações todos os anos, até 2031, nas regras. Veja o que muda para essas pessoas neste ano:
A idade mínima para solicitar a aposentadoria sobe seis meses em relação ao ano anterior. As mulheres precisam ter, no mínimo, 59 anos e seis meses. Para os homens, a idade mínima passa a ser de 64 anos e seis meses.
O tempo mínimo de contribuição é de 30 anos para as mulheres e de 35 para os homens.
Também há mudanças na regra dos pontos, que soma o tempo de contribuição com a idade do trabalhador. A pontuação mínima exigida será de 93 para mulheres e de 103 pontos para homens.
⚠️ Regras de transição
As regras de transição são voltadas para quem já contribuía antes da aprovação da reforma da Previdência, e foram criadas para estabelecer uma passagem entre as exigências antigas e as atuais do benefício.
Cada uma delas pode alterar o momento em que o benefício será concedido e o valor que o trabalhador receberá. Assim, o contribuinte pode se aposentar a partir da regra que for mais benéfica para ele.
Entenda abaixo as cinco regras de transição da reforma da Previdência.
Tempo de contribuição + idade mínima
Nesta categoria, a idade mínima para se aposentar é progressiva e sobe seis meses anualmente. Além disso, é exigido um tempo mínimo de contribuição de 30 anos para as mulheres e de 35 para os homens.
Por idade
A regra considera a idade mínima de 65 anos para homens e de 62 para as mulheres, e um tempo de contribuição de 15 anos para ambos.
Pedágio de 50%
Direcionada para os trabalhadores que estavam prestes a se aposentar em 2019, a regra estabelece um "pedágio" equivalente a 50% do tempo de contribuição que faltava.
💬 EXEMPLO: Um trabalhador que já havia contribuído por 33 anos e que, antes da reforma da Previdência, tinha apenas mais 24 meses de contribuição pendentes, terá de trabalhar por mais 12 meses.
Nessa modalidade, a idade mínima exigida é de 57 anos para mulher e de 60 anos para o homem.
Pedágio 100%
A modalidade exige que o trabalhador cumpra integralmente o tempo de contribuição pendente para se aposentar. Neste método, a vantagem está no valor do benefício, que pode ser maior do que o pedágio de 50%.
Regra dos pontos
São os pontos obtidos a partir da soma entre idade e tempo de contribuição. Em 2025, a pontuação mínima será de 93 para mulheres e de 103 pontos para homens.
Pedido de adesão é feito pelo aplicativo do INSS
INSS/Divulgação
Infra S.A. abre inscrições para concurso com salários de até R$ 10,8 mil; veja como participar

Infra S.A. abre inscrições para concurso com salários de até R$ 10,8 mil
As inscrições para o novo concurso público da INFRA S.A., antiga VALEC – Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., começam nesta sexta-feira (16), às 10h.
O processo seletivo oferece 65 vagas para início imediato, além da formação de cadastro de reserva para cargos de nível superior. A remuneração inicial é de R$ 10.800,82.
✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp
Os interessados devem acessar o site do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), banca organizadora do processo seletivo. As inscrições poderão ser feitas até as 18h do dia 4 de fevereiro.
➡️ VEJA O EDITAL COMPLETO
As oportunidades são para o cargo de analista, em diversas especialidades, como engenheiro civil, administrador, economista, contador, biólogo, geógrafo, entre outras áreas.
A distribuição das vagas ocorre da seguinte forma:
A jornada de trabalho dos aprovados será de 40 horas semanais, e todos os candidatos serão lotados na sede da empresa, em Brasília (DF). Além da remuneração, os selecionados terão os seguintes benefícios:
Auxílio-alimentação, no valor de R$ 1.068,05;
Auxílio-saúde, com reembolso de 50% do valor pago pelo empregado, limitado a R$ 393,58, para empregados e cônjuge, e R$ 193,98, para dependentes;
Auxílio-creche, no valor de R$ 684,63 por filho até 72 meses;
Auxílio-transporte;
Vale-cultura no valor mensal de R$ 50, respeitados os percentuais de desconto previstos no acordo coletivo de trabalho;
Auxílio para filho ou dependente com deficiência no valor de R$ 785,21, além de complementação do auxílio por incapacidade temporária por até 60 dias;
Auxílio-funeral até o limite de R$ 10.000.
O concurso reserva 50% do total de vagas para diferentes sistemas de cotas. Desse percentual, 20% são destinados a pessoas com deficiência (PCD), considerando as vagas previstas para cada cargo ou especialidade, além daquelas que venham a ser criadas durante a validade do concurso.
Outras 25% das vagas são reservadas a candidatos negros (pretos ou pardos), 3% a candidatos indígenas e 2% a candidatos quilombolas.
Para participar do concurso, é necessário pagar uma taxa de inscrição de R$ 120. Candidatos doadores de medula óssea, em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde, e inscritos no CadÚnico podem solicitar isenção da taxa. (veja o cronograma completo abaixo)
A seleção será realizada por meio de exame de habilidades e conhecimentos, com aplicação de provas objetivas e de prova discursiva, ambas de caráter eliminatório e classificatório, sob responsabilidade do Cebraspe.
As provas, assim como o procedimento de confirmação complementar da autodeclaração para candidatos negros (pretos e pardos), serão aplicadas em Brasília (DF), podendo ser transferidas para outras localidades caso não haja locais suficientes ou adequados.
As avaliações estão previstas para o dia 15 de março, com aplicação no turno da tarde e duração total de 4h30. A consulta aos locais de prova estará disponível a partir de 2 de março, no site do Cebraspe.
O exame de habilidades e conhecimentos será composto por uma prova objetiva de conhecimentos gerais, com 40 questões, uma prova objetiva de conhecimentos específicos, com 60 questões, além de uma prova discursiva.
A divulgação do resultado final do concurso público da INFRA S.A. está prevista para o dia 23 de junho.
📆 Cronograma do concurso
Inscrições: 16/1 a 4/2/2026
Solicitação de isenção de taxa: 16 a 23/1/2026
Último dia para pagamento da taxa: 10/02/2026
Divulgação dos locais de prova: 02/03/2026
Aplicação das Provas Objetivas e Discursiva: 15/03/2026
Resultado final das provas objetivas: 15/4/2026
Convocação para procedimentos de cotas (Negros, PCD, etc.): 30/04/2026
Resultado final do concurso: 23/06/2026
O concurso da INFRA S.A. oferece 65 vagas imediatas, além de formação de cadastro de reserva, todas destinadas ao cargo de Analista.
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Concurso
Pexels
Mega-Sena, concurso 2.960: prêmio acumula e vai a R$ 41 milhões

G1 | Loterias - Mega-Sena 2960
O sorteio do concurso 2.960 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (15), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 41 milhões.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
Veja os números sorteados: 03 - 13 - 15 - 16 - 46 - 47
5 acertos - 46 apostas ganhadoras: R$ 38.114,61
4 acertos - 3.175 apostas ganhadoras: R$ 910,23
O próximo sorteio da Mega será no sábado (17).
Mega-Sena, concurso 2.960
Reprodução/Caixa
Como funciona a Mega-sena
A
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Bilhetes da Mega-Sena, em imagem de arquivo
Marcelo Brandt/G1
Fraude no INSS: prazo para contestar descontos indevidos acaba em um mês; veja como fazer

Governo prorroga prazo para contestação de descontos indevidos no benefício do INSS
Os aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos relacionados à fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm até 14 de fevereiro para contestar as cobranças. A adesão ao acordo de ressarcimento, por sua vez, seguirá disponível após essa data.
🔎 Na prática, o prazo marca a reta final para garantir o direito de ingressar no acordo do governo federal. A iniciativa prevê a devolução, com correção, dos valores descontados indevidamente de beneficiários do INSS por entidades associativas.
Conforme as regras, podem participar do plano de ressarcimento os beneficiários que contestaram os descontos e não receberam resposta das entidades envolvidas. (veja abaixo os detalhes de quem pode aderir)
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Até esta quarta-feira (14), 6,2 milhões de pessoas haviam contestado as cobranças, sendo que 4,2 milhões já ingressaram no acordo e receberam a devolução dos valores corrigidos. O total ressarcido é de R$ 2,8 bilhões até o momento, segundo o INSS.
Dados do instituto indicam que 850 mil pessoas estão aptas, mas ainda não ingressaram no acordo. Após a adesão, o dinheiro é depositado em até três dias úteis na conta em que o segurado recebe o benefício.
Todo esse processo é feito por via administrativa, sem ação judicial, informou o INSS.
Ao aderir ao acordo, o segurado concorda em receber o ressarcimento por meio administrativo e renuncia ao direito de processar o INSS futuramente pela fraude. No entanto, ainda é possível acionar judicialmente as associações responsáveis pelos descontos.
🚨 ATENÇÃO: O INSS reforça que não envia links por WhatsApp, e-mail ou SMS. A comunicação é feita exclusivamente pelos canais oficiais: aplicativo Meu INSS, pelo site gov.br/inss, pela Central 135 e pelas agências dos Correios.
Quem pode aderir ao acordo de ressarcimento
Podem ingressar no plano de devolução os aposentados e pensionistas que:
Contestaram descontos indevidos e não receberam resposta da entidade responsável em até 15 dias úteis;
Receberam resposta considerada irregular, como assinaturas falsas ou gravações de áudio no lugar de comprovantes válidos;
Sofreram descontos entre março de 2020 e março de 2025;
Têm processo judicial em andamento, desde que ainda não tenham recebido os valores — nesse caso, é preciso desistir da ação para aderir ao acordo, que é de natureza administrativa.
Relembre a fraude do INSS:
Como contestar e aceitar o acordo de ressarcimento?
A adesão, que é gratuita, pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS ou presencialmente, nas agências dos Correios. A contestação, por sua vez, também pode ser realizada pela Central 135.
Veja o passo a passo:
Contestar o desconto indevido por meio dos canais oficiais.
Aguardar a resposta da entidade, com prazo de 15 dias úteis.
Se a entidade não responder, o sistema libera automaticamente a opção de adesão.
Em caso de resposta irregular, o INSS também irá liberar a adesão.
Aderir ao acordo por meio do app Meu INSS ou nas agências dos Correios. A Central 135 não está habilitada para essa opção.
Veja como aceitar o acordo pelo aplicativo Meu INSS:
Acesse o aplicativo Meu INSS com seu CPF e senha.
Vá até “Consultar Pedidos” e clique em “Cumprir Exigência” em cada pedido (caso haja mais de um).
Role a tela até o último comentário, leia com atenção e, no campo “Aceito receber”, selecione “Sim”.
Clique em “Enviar” e pronto. Depois, é só aguardar o pagamento.
Pedido de adesão é feito pelo aplicativo do INSS
INSS/Divulgação
E se a entidade respondeu?
Nesse caso, os documentos estarão em análise. Segundo o INSS, o beneficiário será notificado e poderá:
Aceitar a justificativa.
Contestar por suspeita de falsidade ideológica.
Ou declarar que não reconhece a assinatura.
O instituto informa que, se houver nova contestação, a entidade terá até cinco dias úteis para devolver os valores.
Se não devolver, o caso vai passar por uma auditoria e o beneficiário poderá contar com apoio jurídico das Defensorias Públicas Estaduais para buscar as medidas judiciais cabíveis.
Grupos especiais
O INSS informou que realizará automaticamente a contestação dos descontos indevidos para beneficiários em situações específicas que ainda não solicitaram o reembolso.
Esse procedimento, chamado de contestação de ofício, segundo o INSS, contempla:
Idosos com 80 anos ou mais;
Indígenas;
Quilombolas.
Segundo estimativas divulgadas pelo instituto, a medida beneficia diretamente cerca de 209 mil pessoas idosas, 17 mil indígenas e 38 mil quilombolas.
Presidente interina da Venezuela propõe reforma do setor petrolífero para facilitar investimentos dos EUA

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quinta-feira (15) que vai apresentar uma proposta para reformar a lei de hidrocarbonetos do país. A medida vem em um momento em que investidores dos Estados Unidos pressionam por um acesso mais fácil à indústria petrolífera venezuelana.
Em um pronunciamento à nação, Rodriguez afirmou que a reforma "permitiria que esses fluxos de investimento fossem incorporados a novos setores, setores onde nunca houve investimento e setores onde não há infraestrutura".
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Rodríguez afirmou que os fundos provenientes do petróleo seriam destinados aos trabalhadores e aos serviços públicos.
Segundo o governo americano, US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões) já foram gerados com a venda de petróleo em um acordo com Caracas, e que esse valor está depositado em contas bancárias controladas pelos EUA. Segundo uma fonte do setor familiarizada com o plano teria dito à Reuters, a conta principal está localizada no Catar.
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Rodríguez tomou posse há dez dias, depois que militares dos EUA capturaram o presidente Nicolás Maduro e o levaram para os EUA para ser julgado por acusações de tráfico de drogas, que ele nega.
A presidente interina da Venezuela também pediu diplomacia com os EUA, marcando uma mudança na retórica historicamente tensa entre os dois países, e disse que, se precisasse viajar para Washington, o faria "por conta própria, sem ser arrastada".
Rodríguez afirmou, ainda, ter um plano para 2026 e que "forjaria uma nova política na Venezuela". Ela também elogiou muitos membros veteranos do governo do país.
O discurso ocorreu pouco depois de a líder da oposição, Maria Corina Machado, se encontrar com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca.
De acordo com a secretária de imprensa do governo americano, Karoline Leavitt, Trump gostou do que viu em Rodríguez e a considerou extremamente cooperativa. O republicano também não mudou de opinião sobre Machado não ser uma alternativa realista para a Venezuela.Machado, que falou brevemente com os repórteres após a reunião, disse que o encontro tinha corrido bem e que ela e seus apoiadores podiam contar com Trump.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, discursa em 8 de janeiro de 2026 durante a cerimônia em homenagem a militares e seguranças venezuelanos e cubanos que morreram durante a operação dos EUA para capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores
Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
Investigação aponta que donos do Master e da Reag usaram familiares em esquema
Banco Central decreta liquidação da Reag Investimentos Investigação da Polícia Federal (PF) aponta que os donos do Banco Master e do grupo da Reag Investimentos usaram seus familiares em esquema de fraudes financeiras. As duas empresas foram liquidadas por decisão do Banco Central por conta do Caso Master. De acordo com a apuração, familiares de Daniel Vorcaro, do Master, e João Mansur, da Reag, foram foram utilizados para ocultar o real controle de ativos e fundos de investimento. Vorcaro e Mansur seriam os donos, mas seus parentes apareciam à frente dos negócios. A PF aponta que houve a utilização da Reag para o desvio de valores do Banco Master e que os filhos de Mansur "foram utilizados para a prática dos crimes". Já o pai de Vorcaro, Henrique, a irmã e o cunhado foram alvo de operação. "Tais fatos restaram muito bem elucidados na representação do Banco central por meio de fluxograma que demonstra o uso de diversos FIDIC’S para a operacionalização das fraudes no Banco Master, de modo similar ao verificado na representação policial inaugural", diz trecho do documento assinado por Toffoli. Liquidação da Reag após o Banco Master Nesta quinta-feira (15), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos. Com a decisão, as operações da gestora foram encerradas de imediato. A medida atinge a instituição, mas não os fundos em si — que permanecem ativos, mas precisarão buscar novas instituições para assumir sua administração. Em nota, o BC alegou que a empresa descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”. A Reag é investigada em duas operações da PF, incluindo envolvimento com o escândalo do Banco Master. A situação da Reag se agravou com seu envolvimento na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. [Reportagem em atualização]
Investigado pela PF, fundador deixou a Reag em meio a apurações; veja quem controla hoje a gestora

Ana Flor: BC decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, envolvida no caso Master
Alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, o fundador e então presidente do conselho de administração do grupo Reag, João Carlos Falbo Mansur, formalizou sua saída da companhia em setembro do ano passado, em meio ao avanço das investigações.
Nesta quinta-feira (15), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos.
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Em nota, o BC alegou que a empresa descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”. A Reag é investigada em duas operações da PF, incluindo envolvimento com o escândalo do Banco Master.
Veja abaixo os últimos passos da empresa antes da operação de hoje.
O “desmonte” da Reag
Venda do controle para a Arandu Partners
Efeitos da liquidação da CBSF DTVM
Suposto envolvimento com o Banco Master
O 'desmonte' da Reag
Em setembro do ano passado, a Reag Capital Holding deixou de ser companhia aberta e saiu da bolsa após o avanço das investigações da Polícia Federal, que apontaram o suposto uso da Reag Investimentos em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O cancelamento do registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aprovado em outubro de 2025, transformou a holding em empresa de capital fechado. À época, a companhia afirmou que a decisão fazia parte de um processo de reorganização societária.
O movimento ocorreu após a deflagração da megaoperação contra o crime organizado no setor de combustíveis, a Carbono Oculto, que incluiu mandados de busca na sede da empresa, a saída do fundador e de outros executivos, e a venda do controle da Reag Investimentos.
Nesse processo, deixaram seus cargos Altair Tadeu Rossato, que era conselheiro independente e membro do comitê de auditoria, e Fabiana Franco, que renunciou ao posto de diretora financeira.
Segundo a PF, a gestora teria sido usada para estruturar fundos destinados à compra de empresas e à blindagem patrimonial de recursos ilícitos do PCC.
Em nota publicada em outubro, a Reag Capital Holding negou qualquer envolvimento em irregularidades ou com organizações criminosas, afirmou atuar dentro da lei e das regras do sistema financeiro, e garantiu que os fundos não se confundem com o patrimônio da administradora, colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos.
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Entenda o que levou à liquidação da CBSF, ex-Reag, pelo BC
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BC decreta liquidação extrajudicial da Reag, envolvida no caso Master
Com a liquidação da Reag, como ficam os clientes dos fundos de investimento? Entenda
Reag e Banco Master: como a gestora entrou no radar das investigações da PF?
Venda do controle para a Arandu Partners
Em setembro de 2025, João Carlos Falbo Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para um grupo de executivos da própria gestora, por meio da Arandu Partners Holding S.A., que adquiriu cerca de 87,38% do capital da companhia em uma transação estimada em R$ 100 milhões.
A participação vendida pertencia à Reag Asset Management Ltda. e ao Reag Alpha Fundo de Investimento em Ações, integrantes do antigo Grupo Reag. Com a venda, a Arandu Partners passou a controlar a Reag Investimentos, enquanto Mansur deixou oficialmente a administração.
A transação foi divulgada à CVM e marcou a saída da Reag Investimentos do controle anterior. Desde dezembro de 2025, a gestora opera na bolsa brasileira sob o novo ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3.
Dentro do grupo, a Reag Trust DTVM, depois rebatizada como CBSF DTVM, era a empresa responsável por administrar fundos e executar operações financeiras, sempre sob fiscalização do Banco Central.
O grupo Reag também incluía a CiabraSF, outra holding independente citada na Operação Carbono Oculto, que teve sua compra finalizada pelo Grupo Planner em 6 de janeiro, por meio de uma oferta pública de aquisição de ações.
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Banco Central (BC) decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos
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Efeitos da liquidação da CBSF DTVM
Segundo Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, os cotistas dos fundos administrados pela Reag possuem garantia de segregação patrimonial.
"O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional”, afirmou.
Bolico explicou ainda que o liquidante nomeado pelo BC vai convocar uma assembleia para transferir esses fundos para outra administradora saudável.
"Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado", disse.
O BC classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, o que significa que “o caso não vai contaminar outros bancos nem gerar uma crise de crédito generalizada”.
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Suposto envolvimento com o Banco Master
A situação da Reag se agravou com seu envolvimento na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.
Segundo as apurações, a gestora teria atuado como parceira do banco na estruturação e administração de fundos usados em operações consideradas atípicas, incluindo a circulação de recursos entre fundos e o próprio banco.
A Polícia Federal apura se esses mecanismos teriam sido usados para inflar resultados, ocultar riscos e dar aparência de solvência ao Banco Master. João Carlos Mansur foi um dos alvos das buscas.
A Reag também aparece em outra investigação, a Operação Carbono Oculto, que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no setor de combustíveis.
Nesse caso, a empresa é citada como prestadora de serviços a fundos que, segundo a Receita Federal, teriam sido usados para ocultação de patrimônio da facção.
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O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag
Reprodução/LinkedIn
Entenda o que levou à liquidação da CBSF, ex-Reag, pelo BC

Ana Flor: BC decreta liquidação extrajudicial da CBSF (ex-Reag), envolvida no caso Master
O Banco Central do Brasil (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nome atual da Reag Trust DTVM, administradora de fundos da Reag.
Segundo o BC, a decisão foi “motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”.
Ainda de acordo com o órgão, a empresa "se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial" — ou seja, é de pequeno porte e segue regras mais simples do que as aplicadas aos grandes bancos.
🔎 Na prática, isso significa que eventuais problemas nessas instituições não representam risco relevante para o sistema financeiro. Segundo o BC, a companhia representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN.
Em nota, o BC informou que continuará a tomar todas as medidas cabíveis para apurar a responsabilidade da empresa no suposto esquema de fraude envolvendo o Banco Master.
"O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", informou a instituição em nota, reiterando que, pela lei, os bens dos controladores e dos ex-administradores da empresa estão bloqueados.
Com a decisão, todas as operações da empresa foram encerradas de imediato. A medida atinge a instituição, mas não os fundos em si — que permanecem ativos, mas precisarão buscar novas instituições para assumir sua administração. A CBSF, controlada pelo Grupo Reag, atuava sobretudo como administradora de mais de 80 fundos de investimento.
Banco Central (BC) decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos
Reprodução/Instagram
O que é a Reag?
A Reag é um grupo financeiro independente, que oferece produtos e serviços financeiros integrados. Entre as empresas que antes faziam parte do grupo estava a Reag Investimentos, fundada em 2013 por João Carlos Mansur e que se tornou uma das maiores gestoras independentes do país, sem vínculos com bancos.
Ela chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira.
O Grupo Reag também administrava a Ciabrasf, outra holding independente citada na Operação Carbono Oculto, em agosto.
A Ciabrasf teve sua compra finalizada pelo Grupo Planner na terça-feira passada (6). O negócio incluiu uma condição específica: a realização de uma oferta pública de aquisição de ações, mecanismo pelo qual o novo controlador faz uma proposta para comprar as ações em circulação e, assim, assumir oficialmente o controle da empresa.
Em outubro do ano passado, a Reag Capital Holding anunciou o cancelamento de seu registro como companhia aberta. Com a decisão, ela deixou a categoria B, destinada a empresas que emitem títulos ao público (como debêntures ou cotas de fundos de investimentos), mas não têm ações na bolsa.
O fechamento de capital aconteceu em um momento de reorganização das empresas controladas pela holding, após a Reag Investimentos ter sido incluída entre as companhias investigadas pela megaoperação da Polícia Federal contra o PCC.
Poucos dias depois da operação, a companhia anunciou a venda da Reag Investimentos para a Arandu, formada pelos principais executivos da própria Reag.
Fora do mercado financeiro, a Reag ganhou visibilidade ao patrocinar o Cine Belas Artes, um dos cinemas mais tradicionais de São Paulo. Com a aquisição dos direitos de nomeação, o espaço passou a se chamar REAG Belas Artes a partir de janeiro de 2024.
Em dezembro, no entanto, o Cine Belas Artes anunciou o fim da parceria e iniciou uma campanha para encontrar um novo patrocinador.
Quem é João Carlos Mansur
João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, está entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.
Essa, porém, não foi a primeira vez que o empresário se envolveu em controvérsias. Mansur renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag Investimentos em setembro do ano passado, após a empresa ter sido alvo de uma megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Bacharel em ciências contábeis, Mansur fundou a Reag Investimentos em 2013, acumula 35 anos de experiência no mercado financeiro e atua como conselheiro independente autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O empresário declara experiência em auditoria, controladoria, gestão financeira, planejamento estratégico, análise de investimentos e desenvolvimento de negócios.
👉 Em seu perfil no LinkedIn, afirma ter estruturado mais de 200 fundos de investimento — entre eles fundos imobiliários, de participações e de direitos creditórios —, além de ter atuado em outras operações no mercado de capitais.
Mansur atuou como executivo em empresas como PricewaterhouseCoopers (PwC), Monsanto, Tishman Speyer e WTorre Arenas, além de ter participado da criação do estádio Allianz Parque.
Além de sua ligação com o futebol por meio da Reag, Mansur trabalhou na Trump Realty Brazil, empresa que utilizava o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A joint venture foi criada em 2003, mas o contrato durou apenas até 2006, após o projeto fracassar antes da conclusão de qualquer empreendimento imobiliário.
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Quem é João Carlos Mansur
Operação Carbono Oculto
Em agosto do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto para desarticular um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, atribuído a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, o grupo deixou de recolher mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e operava irregularidades em diferentes etapas da cadeia de produção, distribuição e comercialização de combustíveis.
Para ocultar a origem dos recursos, o esquema utilizava uma estrutura financeira complexa, baseada no uso de fintechs e fundos de investimento.
👉 Ao menos 40 fundos, entre multimercado e imobiliários, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, teriam sido controlados direta ou indiretamente pela facção. Muitos eram fundos fechados, com um único cotista, o que dificultava a identificação dos beneficiários finais.
👉 A Reag Investimentos apareceu nas investigações como uma das empresas citadas na apuração sobre o uso de fundos de investimento para a ocultação de recursos.
Segundo a PF e a Receita Federal, administradoras de fundos teriam conhecimento das irregularidades e deixado de cumprir obrigações legais, contribuindo para ocultar a movimentação financeira da organização criminosa.
As apurações indicavam que fintechs eram preferidas em relação a bancos tradicionais para dificultar o rastreamento das transações.
Em um dos casos, a Receita identificou uma fintech que funcionava como um “banco paralelo” da organização criminosa, com movimentação superior a R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024.
Parte dessas operações passava por chamadas “contas-bolsão”, que misturam recursos de diversos clientes e reduzem a transparência das transações.
Os valores obtidos com o esquema foram usados para adquirir ativos e blindar patrimônio, incluindo usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras, postos de combustíveis, imóveis, fazendas e um terminal portuário.
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EXCLUSIVO: Alvos de megaoperação do PCC são sócios em ao menos 251 postos de combustíveis; veja endereços
Operação Compliance Zero
O caso do Banco Master se tornou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional.
A instituição já operava sob risco de falência por causa da emissão de CDBs com juros muito acima do padrão de mercado e da exposição a investimentos considerados arriscados. Também passou a ser investigada uma possível fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 12,2 bilhões.
Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco. No mesmo dia, a primeira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, prendeu o controlador do Master, o banqueiro Daniel Vorcaro.
Nesta quarta-feira (14), a segunda fase da operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag. A PF também realizou ações em endereços ligados a Vorcaro e a seus parentes. O empresário Nelson Tanure também estava entre os alvos.
A investigação identificou um esquema de captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de seus parentes. O celular do dono do Master foi apreendido.
Nesta etapa da operação, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Dias Toffoli, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. Também foram apreendidos carros e itens de luxo.
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Caso Master: PF bloqueou R$ 5,7 bilhões e apreendeu R$ 97 mil em espécie em operação; veja imagens
Governo federal paga R$ 11,1 bilhões em dívidas de estados e municípios em 2025

A Secretaria do Tesouro Nacional informou nesta quinta-feira (15) que a União pagou R$ 11,1 bilhões em dívidas atrasadas de estados e municípios em 2025. O dado consta do Relatório de Garantias Honradas pela União em operações de crédito.
Os valores foram pagos porque a União é garantidora dos estados e municípios em operações de crédito junto a instituições financeiras.
No ano passado, a União pagou dívidas dos seguintes estados:
Rio de Janeiro: R$ 4,69 bilhões;
Minas Gerais: R$ 3,55 bilhões;
Rio Grande do Sul: R$ 1,59 bilhão;
Goiás: R$ 888 milhões;
Rio Grande do Norte: R$ 226 milhões.
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O governo também honrou as dívidas destes municípios:
Taubaté (SP): R$ 64,7 milhões;
São Gonçalo do Amarante (RN): R$ 29,76 milhões;
Sobral (CE): R$ 19,7 milhões;
Paraupebas (PA): R$ 9,64 milhões;
Iguatu (CE): R$ 4,59 milhões;
Santanópolis (BA): R$ 870 mil;
Porto Nacional (TO): R$ 590 mil;
Paranã (TO): R$ 580 mil.
➡️No total, desde 2016, a União realizou o pagamento de R$ 86,52 bilhões com o objetivo de honrar garantias em operações de crédito de estados e municípios. Deste valor, somente R$ 5,7 bilhões foram recuperados.
Dinheiro, real, notas de R$ 50
Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
União como garantidora
A União pode ser garantidora de operações de crédito de estados e municípios se os requisitos estabelecidos pelo Tesouro Nacional forem cumpridos.
Geralmente, os empréstimos feitos com a União como garantidora têm taxas de juros menores.
Quando o estado ou município não paga as parcelas, o governo federal, representado pelo Tesouro Nacional, é comunicado pelos credores.
Diante dessa notificação, a União paga os valores devidos, que incidem juros, mora e outros custos operacionais.
Paralelamente, o Tesouro inicia o processo de recuperação de crédito, previsto contratualmente.
A recuperação costuma ser feita por meio de bloqueios nos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) ou do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Porém, alguns entes federativos têm conseguido na Justiça evitar o bloqueio de recursos. É o caso, por exemplo, dos municípios de Taubaté (SP), São Gonçalo do Amarante (RN) e Caucaia (CE).
No caso dos estados em regime de recuperação fiscal, também há suspensão das cobranças.
Nesse caso, os estados ressarcem à União parte do valor de cada prestação por ela honrada, em proporção crescente, até atingir, ao final do regime, a integralidade dos valores honrados; e paga os valores não ressarcidos em até 360 meses, por meio de contrato de refinanciamento.
Atualmente se encontram no RRF os Estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.
Os estados de Goiás e Minas Gerais aderiram às condições da LC nº 212/2025, que institui o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Com isso, os regimes de ambos os Estados foram encerrados.
Carro Sustentável impulsiona vendas em 15,6% e soma 247 mil veículos em 2025, diz Anfavea

Volkswagen Polo, Fiat Mobi e Renault Kwid estão com desconto de IPI Verde
g1
O programa Carro Sustentável, que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos populares, contribuiu para um crescimento de 15,6% nas vendas de automóveis de 2025, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Segundo a Anfavea, em 2024 foram emplacadas 214 mil unidades desses veículos. Em 2025, o programa ajudou a elevar as vendas para 247,2 mil unidades.
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A comparação, segundo a entidade, considera as vendas realizadas entre 11 de julho e 31 de dezembro de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior, para os modelos homologados (veja abaixo quais são).
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Veja como as vendas destes veículos evoluíram ao longo dos meses:
Entre 11 e 31 de julho: 30 mil unidades emplacadas (31,8% acima de 2024);
Agosto: 40 mil unidades emplacadas (22,1% acima de 2024);
Setembro: 39 mil unidades emplacadas (20,5% acima de 2024);
Outubro: 45 mil unidades emplacadas (12,7% acima de 2024);
Novembro: 47 mil unidades emplacadas (1,8% abaixo de 2024);
Dezembro: 46 mil unidades emplacadas (21% acima de 2024).
O que é o programa Carro Sustentável?
O programa Carro Sustentável zera a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos compactos com alta eficiência energética-ambiental fabricados no Brasil.
Para ter direito ao IPI zero, o carro deve:
Emitir menos de 83g de CO₂ por quilômetro
Conter mais de 80% de materiais recicláveis
Ser fabricado no Brasil (etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem)
Se enquadrar em uma das categorias de carro compacto.
A nova tabela parte de uma alíquota base de 6,3% para veículos de passageiros e de 3,9% para comerciais leves, que será ajustada por um sistema de acréscimos e decréscimos.
O cálculo levará em conta critérios como eficiência energética, tecnologia de propulsão, potência, nível de segurança e índice de reciclabilidade.
Segundo o governo, o decreto não terá impacto fiscal.
O decreto prevê ainda que veículos com melhores indicadores receberão descontos nos impostos, enquanto os com piores avaliações sofrerão um acréscimo.
O governo estima uma redução das alíquotas para 60% dos veículos comercializados no Brasil, considerando o número de carros vendidos em 2024.
A lista de veículos habilitados para o programa Carro Sustentável inclui os modelos abaixo:
Renault Kwid;
Fiat Mobi;
Fiat Argo;
Hyundai HB20;
Hyundai HB20S;
Volkswagen Polo;
Volkswagen Saveiro;
Volkswagen T-Cross;
Volkswagen Nivus;
Chevrolet Onix;
Chevrolet Onix Plus.
Com a liquidação da Reag, como ficam os clientes dos fundos de investimento? Entenda

'Um ponto importante da liquidação é o motivo dela', diz Alex Ribeiro sobre liquidação da Reag
O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM. Trata-se da empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos.
Com a decisão, as operações da gestora foram encerradas de imediato. A medida atinge a instituição, mas não os fundos em si — que permanecem ativos, mas precisarão buscar novas instituições para assumir sua administração.
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A empresa é investigada na Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. A Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
A Reag também foi uma das empresas investigadas na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC em oito estados. Nesse caso, a empresa é acusada de gerir fundos de investimentos utilizados pela facção para lavagem de dinheiro.
Segundo o BC, a Reag descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”.
O g1 conversou com o economista do Insper Alexandre Chaia para entender, a partir desse novo desdobramento do caso, como ficam os fundos administrados pela Reag e os clientes com dinheiro investido.
Veja abaixo as perguntas e respostas.
Os fundos administrados pela Reag serão encerrados?
O que acontece com as carteiras?
E se ninguém aceitar administrar os fundos de investimento?
Com a liquidação, o cliente pode retirar o dinheiro investido?
Há um prazo para o gestor do fundo indicar um novo administrador?
Os fundos administrados pela Reag serão encerrados?
Não. Com a decretação da liquidação, os fundos administrados pela Reag não foram encerrados. A empresa atua como gestora e administradora de mais de 80 fundos de investimento, que agora precisarão ser administrados por outras empresas.
O que acontece com as carteiras?
Elas continuam existindo, mas deixam de ser administradas pela Reag. Agora, cabe aos gestores dos fundos ou aos investidores indicar ao BC uma nova administradora para os fundos de investimento.
E se ninguém aceitar administrar os fundos de investimento?
Caso nenhuma nova administradora aceite assumir os fundos até então sob gestão da Reag, o BC irá decretar a liquidação desses fundos. Se isso acontecer, os clientes receberão exatamente o valor que cada fundo tiver no momento da liquidação.
Por exemplo:
Se um cliente investiu R$ 1.000 em um fundo e, no momento em que o BC liquidar esse fundo, ele estiver valendo R$ 1.100, o cliente receberá mais do que investiu.
Se desde a aplicação houve desvalorização e o fundo passar a valer R$ 500, a pessoa receberá metade do valor investido.
Com a liquidação, o cliente pode retirar o dinheiro investido?
Não. Com a decretação da liquidação da Reag, todas as operações estão paralisadas e aguardam avaliação do BC.
Há um prazo para o gestor do fundo indicar um novo administrador?
Não. Segundo Chaia, economista do Insper, o ideal é que essa indicação ocorra o mais rapidamente possível para retomar as operações, mas, na prática, não há uma regra que defina um prazo específico.
Veja mais detalhes sobre o caso na reportagem abaixo.
BC decreta liquidação extrajudicial da Reag, envolvida no caso Master
Banco Central (BC) decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos
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Reag e Banco Master: como a gestora entrou no radar das investigações da PF?

Banco Central decreta liquidação da Reag
O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM. Essa é a empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos.
A medida ocorre um dia depois da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o envolvimento da empresa em irregularidades no sistema financeiro e a atuação de nomes ligados à antiga estrutura da gestora no suposto esquema de fraudes do Banco Master.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
A Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro. Entre os alvos da operação está João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag.
O nome da Reag, porém, não aparece apenas neste inquérito. Ela é investigada na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC. Nesse caso, a empresa é acusada de gerir fundos de investimento usados pela facção para lavagem de dinheiro.
A seguir, o g1 reúne as principais informações sobre a empresa e explica como ela surge vinculada ao escândalo envolvendo o Banco Master.
O que é a Reag
Quem é João Carlos Mansur
Operação Carbono Oculto
Operação Compliance Zero
Liquidação pelo BC e elo com o Master
Expansão no mercado financeiro
O que diz a Reag
O que é a Reag
Fundada em 2013 por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos se tornou uma das maiores gestoras independentes do país, sem vínculo com bancos.
Ela chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira.
A Reag era controlada pela Reag Capital Holding S/A, que também administrava a CiabraSF, outra holding independente citada na Operação Carbono Oculto, em agosto.
A CiabraSF teve sua compra finalizada pelo Grupo Planner na terça-feira passada (6). O negócio incluiu uma condição específica: a realização de uma oferta pública de aquisição de ações, mecanismo pelo qual o novo controlador faz uma proposta para comprar as ações em circulação e, assim, assumir oficialmente o controle da empresa.
Em outubro do ano passado, a Reag Capital Holding anunciou o cancelamento de seu registro como companhia aberta. Com a decisão, ela deixou a categoria B, destinada a empresas que emitem títulos ao público (como debêntures ou cotas de fundos de investimentos), mas não têm ações na bolsa.
O fechamento de capital aconteceu em um momento de reorganização das empresas controladas pela holding, após a Reag Investimentos ter sido incluída entre as companhias investigadas pela megaoperação da Polícia Federal contra o PCC. (entenda mais abaixo)
Poucos dias depois da operação, a companhia anunciou a venda da Reag Investimentos para a Arandu, formada pelos principais executivos da própria Reag.
Fora do mercado financeiro, a Reag ganhou visibilidade ao patrocinar o Cine Belas Artes, um dos cinemas mais tradicionais de São Paulo. Com a aquisição dos direitos de nomeação, o espaço passou a se chamar REAG Belas Artes a partir de janeiro de 2024.
Em dezembro, no entanto, o Cine Belas Artes anunciou o fim da parceria e iniciou uma campanha para encontrar um novo patrocinador.
SAIBA MAIS ABAIXO.
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Quem é João Carlos Mansur
João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, está entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.
Essa, porém, não foi a primeira vez que o empresário se envolveu em controvérsias. Mansur renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag Investimentos em setembro do ano passado, após a empresa ter sido alvo de uma megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Bacharel em ciências contábeis, Mansur fundou a Reag Investimentos em 2013, acumula 35 anos de experiência no mercado financeiro e atua como conselheiro independente autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O empresário declara experiência em auditoria, controladoria, gestão financeira, planejamento estratégico, análise de investimentos e desenvolvimento de negócios.
👉 Em seu perfil no LinkedIn, afirma ter estruturado mais de 200 fundos de investimento — entre eles fundos imobiliários, de participações e de direitos creditórios —, além de ter atuado em outras operações no mercado de capitais.
Mansur atuou como executivo em empresas como PricewaterhouseCoopers (PwC), Monsanto, Tishman Speyer e WTorre Arenas, além de ter participado da criação do estádio Allianz Parque.
Além de sua ligação com o futebol por meio da Reag, Mansur trabalhou na Trump Realty Brazil, empresa que utilizava o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A joint venture foi criada em 2003, mas o contrato durou apenas até 2006, após o projeto fracassar antes da conclusão de qualquer empreendimento imobiliário.
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Operação Carbono Oculto
Em agosto do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto para desarticular um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, atribuído a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, o grupo deixou de recolher mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e operava irregularidades em diferentes etapas da cadeia de produção, distribuição e comercialização de combustíveis.
Para ocultar a origem dos recursos, o esquema utilizava uma estrutura financeira complexa, baseada no uso de fintechs e fundos de investimento.
👉 Ao menos 40 fundos, entre multimercado e imobiliários, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, teriam sido controlados direta ou indiretamente pela facção. Muitos eram fundos fechados, com um único cotista, o que dificultava a identificação dos beneficiários finais.
👉 A Reag Investimentos apareceu nas investigações como uma das empresas citadas na apuração sobre o uso de fundos de investimento para a ocultação de recursos.
Segundo a PF e a Receita Federal, administradoras de fundos teriam conhecimento das irregularidades e deixado de cumprir obrigações legais, contribuindo para ocultar a movimentação financeira da organização criminosa.
As apurações indicavam que fintechs eram preferidas em relação a bancos tradicionais para dificultar o rastreamento das transações.
Em um dos casos, a Receita identificou uma fintech que funcionava como um “banco paralelo” da organização criminosa, com movimentação superior a R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024.
Parte dessas operações passava por chamadas “contas-bolsão”, que misturam recursos de diversos clientes e reduzem a transparência das transações.
Os valores obtidos com o esquema foram usados para adquirir ativos e blindar patrimônio, incluindo usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras, postos de combustíveis, imóveis, fazendas e um terminal portuário.
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Operação Compliance Zero
O caso do Banco Master se tornou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional.
A instituição já operava sob risco de falência por causa da emissão de CDBs com juros muito acima do padrão de mercado e da exposição a investimentos considerados arriscados. Também passou a ser investigada uma possível fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 12,2 bilhões.
Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco. No mesmo dia, a primeira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, prendeu o controlador do Master, o banqueiro Daniel Vorcaro.
Nesta quarta-feira (14), a segunda fase da operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag. A PF também realizou ações em endereços ligados a Vorcaro e a seus parentes. O empresário Nelson Tanure também estava entre os alvos.
A investigação identificou um esquema de captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de seus parentes. O celular do dono do Master foi apreendido.
Nesta etapa da operação, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Dias Toffoli, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. Também foram apreendidos carros e itens de luxo.
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Liquidação pelo BC e elo com o Master
Nesta quinta-feira, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da Reag Trust DTVM — área responsável pela gestão dos fundos da Reag Investimentos — agora denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
A decisão implica a interrupção imediata das atividades da instituição, que deixa de atuar como gestora e administradora de recursos no mercado financeiro. A medida, porém, não atinge diretamente os fundos de investimento vinculados à empresa, que seguem existindo, mas precisarão ser transferidos para outras instituições habilitadas.
O BC afirma que a liquidação foi adotada após a constatação do descumprimento de normas legais e prudenciais exigidas pelo regulador.
Em nota, o órgão informou que foram identificadas “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”.
De acordo com o BC, essas falhas comprometeram a capacidade da instituição de operar de forma regular e segura, o que levou à decisão de encerrar suas atividades para preservar investidores e o funcionamento do sistema financeiro. A autoridade monetária não detalhou quais condutas específicas motivaram a liquidação.
A Reag atuava na administração e gestão de mais de 80 fundos de investimento, além de prestar serviços de gestão patrimonial a pessoas físicas. A empresa integra um grupo que reúne outras companhias que não foram atingidas pela medida.
O BC informou que seguirá apurando responsabilidades e que as investigações podem resultar em sanções administrativas e no envio de informações a outras autoridades. Os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis durante o processo.
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Expansão no mercado financeiro
Nos últimos anos, a Reag realizou diversas aquisições que ampliaram sua presença no mercado financeiro. Entre as empresas incorporadas estão Hieron, Berkana, Rapier, Quadrante e Quasar.
Em 2024, a Reag adquiriu a Empírica Investimentos, especializada em crédito estruturado e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), o que a posicionou entre as três maiores do setor, com cerca de R$ 25 bilhões sob gestão.
Em janeiro de 2025, realizou a incorporação reversa da plataforma de serviços GetNinjas, utilizando sua estrutura já listada na B3 para se transformar em uma holding aberta.
Com a reorganização societária, a GetNinjas deixou de operar como empresa independente, e suas ações passaram a ser negociadas na bolsa sob o código REAG3. Em dezembro do ano passado, após a Reag Investimentos ser vendida para a Arandu, o papel passou a ser negociado sob o código ARND3.
Em fevereiro de 2025, a Reag Capital Holding deu outro passo ao anunciar a listagem na bolsa da Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (CiabraSF), empresa do mesmo grupo, sob o código ADMF3.
A estreia ocorreu com uma base expressiva, incluindo a administração de mais de 700 fundos e um patrimônio líquido em torno de R$ 240 bilhões. Lembrando, porém, que a CiabraSF teve sua compra finalizada pelo Grupo Planner na terça-feira passada (6).
Em fevereiro de 2025, a Reag Capital Holding anunciou a listagem na bolsa da Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (CiabraSF), sob o código ADMF3. A estreia ocorreu com uma base expressiva, que incluía a administração de mais de 700 fundos e um patrimônio líquido em torno de R$ 240 bilhões.
Outra empresa do grupo era a Reeve (RVEE3), listada na bolsa em abril de 2025 — mas não citada nas operações da PF. A companhia ganhou destaque em 2024 ao se associar à XP Investimentos e à Tauá Partners na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) da Portuguesa, assumindo, na ocasião, a revitalização do estádio do Canindé.
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O que diz a Reag
Procurada pelo g1 nesta quinta-feira, a Reag não comentou a liquidação decretada pelo Banco Central até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações dos envolvidos.
No site da holding, é mantida uma nota de outubro em que a empresa afirma que “atua de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação e a regulação aplicáveis ao sistema financeiro e de capitais”.
Veja na íntegra o comunicado abaixo:
"A REAG Capital Holding S.A. vem a público repudiar alegações publicadas na imprensa que buscam indevidamente associar a companhia e a atuação de seus executivos a práticas irregulares e organizações criminosas, sem apresentar quaisquer provas de envolvimento em atos ilícitos.
A companhia reafirma que:
* atua de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação e a regulação aplicáveis ao sistema financeiro e de capitais, sob a supervisão permanente de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários e o Banco Central;
* as estruturas societárias, fundos de investimento e participações sob sua gestão ou administração obedecem integralmente às normas de compliance, governança corporativa, prevenção à lavagem de dinheiro (Resolução nº 50/2021 do Coaf) e conheça seu cliente (Know Your Customer – KYC);
* é incorreto e descabido afirmar que tenha figurado como sócia em operações ou estruturas dos fundos sob sua administração, pois, conforme a Lei nº 8.668/1993, os bens e direitos integrantes dos fundos não se confundem com o patrimônio da administradora, não integram seu ativo e não respondem, direta ou indiretamente, por obrigações da instituição;
* está colaborando de forma ampla e proativa com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações e documentos necessários ao esclarecimento dos fatos, convicta de que sua isenção e integridade serão plenamente reconhecidas.
São Paulo, 15 de outubro de 2025
REAG Capital Holding S.A."
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Infográfico explica caminho do dinheiro no esquema do PCC.
Arte/g1
Banco Central (BC) decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos
Reprodução/Instagram
Brasil produz 2,6 milhões de veículos em 2025, alta de 3% no ano

Carro é produzido em fábrica da Volkswagen.
Divulgação/Volkswagen
O país produziu 2,644 milhões de veículos em 2025. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (14) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
A fabricação de veículos novos cresceu 3,5%, abaixo dos 7,8% esperados pela entidade. O número cresce contra o ano anterior, atingindo o maior patamar desde 2019. Foram produzidos 2,644 milhões de veículos zero km nos 12 meses de 2025, contra 2,553 milhões do mesmo período de 2024.
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"Tínhamos projetado em 2024, em um contexto diferente, um aumento de 7,8% e fechamos em 3,5%. O crescimento acumulado chega sobretudo por veículos leves, enquanto o de pesados retraiu 9,9%. É um ano que esperávamos mais, mas ainda assim temos um ano positivo", apontou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
A alta de 2025, mesmo que abaixo do esperado pelo setor, é a segunda consecutiva (em 2024 foi de 10%). Ela representa uma manutenção da recuperação após queda de 1,9% em 2023. Naquele ano tivemos a primeira retração na fabricação de veículos no Brasil desde 2016.
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Exportações registram o melhor resultado desde 2018
Se a produção de veículos ficou abaixo do que era esperado para 2025, as exportações cresceram em bom número. Em 2025 foram 528.827 veículos enviados para outros países, contra 400.238 de 2024. O aumento foi de 32,1% no período.
"O destaques especiais para Argentina, que teve crescimento de 85% em relação a 2024. A Colômbia, preciso dizer, aumentou 19% muito embora o ano de 2025 tenha sido de muita instabilidade sobre acordos com o país", revelou Igor.
Veja quais foram os países que mais compraram carros exportados do Brasil:
Argentina: 302.572 unidades;
México: 79.228 unidades;
Colômbia: 42.205 unidades;
Uruguai: 32.622 unidades;
Chile: 24.760 unidades.
China ameaça Argentina em importados
No ano, o Brasil importou 497.765 veículos, o maior volume dos últimos 11 anos. Em 2014, chegaram 617.023 automóveis ao país.
Naquela época, o principal exportador era a Argentina. Já em julho de 2025, a China passou a ser protagonista, mas não terminou o ano na liderança. Ainda assim, a diferença entre os países diminuiu consideravelmente.
Naquela época, porém, o principal exportador era a Argentina. Já em julho de 2025, a China passou a ser protagonista, mas não fechou o ano em primeiro lugar. Porém, a diferença entre os países diminuiu consideravelmente.
Em 2025, a China passou a responder por 37,6% das importações que chegam ao país.
Veja os países de origem dos maiores volumes de veículos importados:
Argentina: 200.335 unidades;
China: 187.327 unidades;
México: 31.718 unidades;
Alemanha: 26.930 unidades;
Uruguai: 15.622 unidades;
Tailândia: 6.484.
O crescimento da China ocorreu também pela expansão das marcas chinesas. Em 2025, seis nomes estrearam no Brasil:
Denza;
MG Motor;
GAC;
Leapmotor;
Omoda & Jaecoo;
Geely.
A Anfavea, porém, comemora a balança comercial registrada no setor automotivo. Em 2025 as exportações superaram as importações em 6,2%.
“A balança comercial do setor é positiva, ainda que muito tímida. Nós tivemos um ano em que as exportações nos surpreenderam", apontou Igor Calvet.
Anfavea aponta preocupação com produção em kits prontos
Algumas dessas marcas chegarão ao Brasil com fabricação nacional, mas em um esquema de montagem de kits que vêm prontos do exterior. Esse tipo de operação já gerou atritos entre a BYD e o setor, já que veículos eletrificados têm isenção de alguns impostos por tempo determinado.
Os percentuais estavam previstos para subir de forma gradual até julho de 2028, quando todos os modelos importados — elétricos e híbridos — atingiriam a alíquota de 35%. O novo prazo é janeiro de 2027.
Também foram instituídas cotas temporárias de importação — no valor de US$ 463 milhões para kits CKD e SKD — permitindo a entrada desses veículos com imposto zero até janeiro de 2026 ou até que a cota seja esgotada.
Porém, a entidade demonstrou receio para uma possível prorrogação do prazo para as cotas.
"A nossa preocupação nesse aspecto é um empobrecimento da cadeia de suprimentos brasileira. Isso implica dizer que os kits chegam prontos e, prontos, toda a cadeia antes de chegar as montadoras será afetada. Desde a compra de aço, processos produtivos decorrentes disso como estamparia e soldagem, eles passam a ser executados no país de origem. Nem pintura nós faríamos", disse o presidente da Anfavea.
Setor prevê crescimento conservador para 2026
Diferentemente do que ocorreu em 2024, quando o setor acreditava que a produção subiria quase 8% em 2025, a Anfavea projeta crescimento também para 2026, mas de 3,7%.
"É um ano que nós vemos ainda em que o mercado cresce, que a produção cresce, mas um ano com otimismo contido. É um ano que nos traz muitas dúvidas e instabilidades, como geopolíticas diariamente ou hora a hora, temos questões com reforma tributária, quando a taxa de juros começa a cair. Isso ainda traz algumas instabilidades e incertezas”, revelou Igor.
Segundo a entidade, o crescimento será o seguinte:
Automóveis e comerciais leves (como picapes e furgões): de 2,492 milhões para 2,586 milhões, alta de 3,8%
Veículos pesados (como caminhões e ônibus): de 137 mil para 136 mil, alta de 1,4%.
Ibovespa bate novo recorde, aos 165 mil pontos; dólar cai a R$ 5,36

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em alta de 0,26% nesta quinta-feira (15), atingindo um novo recorde de fechamento aos 165.568 pontos. O índice, que chegou a bater os 166 mil pontos pela primeira vez, foi mais uma vez impulsionado pelas blue chips — ações de empresas grandes, consolidadas e financeiramente mais estáveis —, dessa vez com destaque para alguns papéis do setor financeiro.
O dólar, por sua vez, fechou a sessão em queda de 0,62%, cotado a R$ 5,3680. Os investidores reagiram a uma combinação de fatores no Brasil e no exterior. No cenário doméstico, investigações envolvendo o sistema financeiro mexeram com os mercados, enquanto, fora do país, indicadores econômicos voltaram ao radar dos investidores.
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▶️ No Brasil, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, novo nome social da Reag Trust, administradora de fundos do Grupo Reag.
A empresa esteve no centro da segunda fase da Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14). O fundador e ex-executivo da Reag, João Carlos Mansur, foi alvo de mandados de busca e apreensão.
▶️ Nos Estados Unidos, o foco ficou com os novos dados de pedidos de auxílio-desemprego, que recuaram de forma inesperada na última semana. Segundo informações do Departamento de Trabalho americano, as solicitações caíram a 198 mil no período, ante projeção de 215 mil.
O resultado reforçou a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mantenha os juros inalterados no curto prazo.
▶️ Ainda na América do Norte, investidores também avaliaram a imposição de uma tarifa de 25% sobre determinados semicondutores por parte do presidente americano, Donald Trump. A decisão, assinada e divulgada na véspera, foi anunciada com base em uma nova ordem de segurança nacional por parte da Casa Branca e tem como alvo semicondutores de alto desempenho.
▶️ Por fim, os desdobramentos geopolíticos envolvendo o Irã e a Groenlândia, e as críticas recorrentes de Trump sobre a condução da política de juros pelo Fed também ficaram no radar.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,05%;
Acumulado do mês: -2,20%;
Acumulado do ano: -2,20%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +1,35%;
Acumulado do mês: +2,76%;
Acumulado do ano: +2,76%.
Todos de olho em Trump
As medidas e afirmações do presidente americano continuam a mexer com os mercados globais. Entenda abaixo os principais pontos de atenção:
Tarifaço
Entre as ações mais recentes do republicano, por exemplo, está a imposição de uma tarifa de 25% sobre alguns chips de Inteligência Artificial.
A iniciativa, que é parte de um esforço mais amplo do governo americano para incentivar fabricantes de chips a ampliar a produção de semicondutores nos EUA e reduzir a dependência de fornecedores asiáticos, tem como alvo semicondutores de alto desempenho que atendem a critérios técnicos específicos, além de dispositivos que os incorporam, para fins de aplicação de tarifas de importação.
“Os EUA atualmente fabricam apenas cerca de 10% dos chips de que necessitam, o que os torna fortemente dependentes de cadeias de suprimento estrangeiras”, diz a decisão, acrescentando que essa dependência representa um “risco econômico e de segurança nacional significativo”.
Em nota, a Casa Branca informou que as tarifas terão escopo restrito e não se aplicarão a chips e dispositivos derivados importados para data centers nos EUA — grandes consumidores de chips de IA —, nem a produtos destinados a startups, aplicações de consumo fora desses centros, usos industriais civis fora de data centers e ao setor público americano.
De acordo com o anúncio, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, terá ampla margem para conceder novas isenções.
EUA x Irã
Além disso, tensões geopolíticas envolvendo os EUA também seguem sob os holofotes. Segundo a porta-voz do governo Trump, Karoline Leavitt, 800 execuções foram suspensas no Irã, após o presidente americano afirmar que Washington adotaria "medidas muito duras" caso o país do Oriente Médio começasse a enforcar manifestantes.
"O presidente Trump e sua equipe disseram ao Irã que, se as mortes continuarem, haverá graves consequências", declarou Leavitt nesta quinta-feira, reforçando que "o presidente e sua equipe estão monitorando a situação de perto e todas as opções estão sendo consideradas".
O cenário, segundo o analista de investimentos da Daycoval Corretora Gabriel Mollo, segue no radar dos investidores e pode trazer novos impulsos ao mercado acionário brasileiro.
"Se tiver uma maior pressão dos EUA contra o Irã, acreditamos que o mercado pode subir por conta [de papéis que podem se beneficiar] da alta do petróleo e das commodities como um todo", afirma.
EUA x Groenlândia
Por fim, as recentes ameaças de Trump sobre a possível anexação da Groenlândia aos Estados Unidos também continuam a trazer cautela nos mercados internacionais.
Trump afirmou que a Groenlândia deveria pertencer aos Estados Unidos e não descartou o uso da força para tomar o território. As declarações geraram reação na Europa, sendo contestadas pela Dinamarca e pelo governo local da ilha.
Nesta semana, Alemanha, França, Suécia e Noruega enviaram soldados à ilha. De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca — que atualmente tem a custódia da Groelândia — para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.
Em resposta, Leavitt afirmou que o envio de tropas europeias para a região não muda a posição de Trump. “Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, disse.
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Agenda econômica
Pedidos de auxílio-desemprego dos EUA
O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego caiu 9 mil na semana passada, para 198 mil solicitações. As informações são do Departamento do Trabalho americano. Economistas consultados pela Reuters previam 215.000 pedidos para a última semana.
Os dados indicam que houve pouca mudança na dinâmica do mercado de trabalho, com as demissões em permanecendo baixas e as contratações lentas. Segundo economistas, as políticas agressivas de comércio e imigração de Trump reduziram tanto a demanda quanto a oferta de trabalhadores.
As empresas também não têm certeza de suas necessidades de pessoal, pois investem pesadamente em inteligência artificial, reduzindo as contratações.
Varejo no Brasil
As vendas no varejo do Brasil cresceram 1% em novembro, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou bem acima da expectativa dos economistas, de alta de 0,3%, segundo a Reuters.
Na comparação com o mesmo mês de 2024, as vendas apresentaram alta de 1,3% contra expectativa de uma taxa de 0,2%.
O número reflete o bom desempenho das vendas da Black Friday e foi puxado pela força do mercado de trabalho e a renda mais alta, que têm ajudado a compensar o difícil acesso ao crédito e juros elevados.
Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, sete apresentaram expansão das vendas, com destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,1%) e Móveis e eletrodomésticos (2,3%).
Bolsas globais
Nos EUA, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta nesta quinta-feira, impulsionados por papéis do setor financeiro, que subiram após a divulgação de balanços corporativos. Ações de semicondutores também registraram avanço.
O maior avanço ficou com o Dow Jones, que subiu 0,60%, para 49.446,23 pontos. O S&P 500 avançou 0,26%, aos 6.944,57 pontos e o Nasdaq Composite teve alta de 0,25%, aos 23.530,02 pontos.
Já a maioria dos mercados europeus fechou em alta, conforme investidores avaliavam resultados trimestrais e diante dos sinais de resiliência da economia alemã. As discussões em relação às tentativas de Trump de adquirir a Groenlândia também ficaram no radar.
No fechamento, o STOXX 600 avançou 0,49% e atingiu um novo recorde, enquanto o FTSE, de Londres, subiu 0,54%. O DAX, de Frankfurt, teve alta de 0,26%, e o CAC 40, de Paris, perdeu 0,21%.
Já as bolsas asiáticas fecharam mistas. Hong Kong avançou, enquanto os índices chineses recuaram após reguladores aumentarem exigências de margem para conter excesso especulativo, mesmo com volume recorde de negociações.
O dia também foi marcado por otimismo com inteligência artificial, impulsionando ações japonesas e levando o índice MSCI Ásia-Pacífico fora do Japão a um novo pico.
No fechamento, os índices registraram: Nikkei +1,48% (54.341 pontos), Hang Seng +0,56% (26.999 pontos), Xangai SSEC -0,31% (4.126 pontos), CSI300 -0,40% (4.741 pontos), Kospi +0,65% (4.723 pontos), Taiex +0,76% (30.941 pontos) e Straits Times +0,11% (4.812 pontos).
Notas de dólar.
Rick Wilking/Reuters
Alckmin avalia que eventual sanção dos EUA ao Irã não deve afetar Brasil: 'Nossa relação comercial é pequena'

Alckmin discursa na COP 30
AP Photo/Fernando Llano
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (15) que uma eventual sanção do governo dos Estados Unidos (EUA) a países que têm relações comerciais com o Irã não deve afetar o mercado brasileiro de forma significativa.
Na última segunda-feira (12), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que vai impor uma punição a países que fizerem negócios com o Irã, em meio à escalada de tensão entre os dois países. A decisão, no entanto, ainda não foi formalizada.
"Estados Unidos colocou que não quer que haja comércio com o Irã, mas o Irã tem 100 milhões de pessoas. A maioria dos países tem algum tipo de exportação [com o país do Oriente Médio], a nossa relação comercial com o Irã é pequena", afirmou Alckmin, durante o programa Bom Dia Ministro.
Miriam Leitão: Irã controla passagem de Petróleo
Alckmin também defendeu que o Brasil não mantém “litígio com ninguém” e avaliou que possíveis tarifas comerciais tendem a afetar de forma mais contundente outros países, inclusive grandes nações europeias.
Ele prosseguiu: "Acho que a questão da supertarifação é difícil de ser aplicada. Teria que aplicar em mais de 70 países do mundo [que também fazem comércio com o regime iraniano]".
Definição sobre tarifa
Questionado sobre um eventual impacto nas relações comerciais do Brasil, Alckmin ponderou que ainda não há definição sobre a aplicação de uma eventual tarifa de 25%, e quais produtos poderiam ser atingidos.
“Não sabemos se esses 25% seriam para tudo ou apenas para alguns produtos, nem que tipo de comércio está envolvido. A maioria dos países do mundo mantém relações comerciais. Ainda não existe ordem executiva, então não se sabe exatamente como isso poderá ocorrer”, disse.
O vice-presidente também ressaltou que o tema está sendo tratado diretamente pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Itamaraty. Pelo MDIC, segundo ele, o governo trabalha para ampliar o comércio exterior e reduzir barreiras.
“O Brasil prioriza o comércio exterior. No sábado, haverá a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, e vamos atuar para que não haja tributação no caso do Irã e não é só para nós, mas para o mundo. Esse diálogo está sendo conduzido com o Itamaraty, mas ainda não temos uma ordem executiva”, afirmou.
Escalada de tensão
Na última segunda-feira (12), Trump anunciou que pretende sancionar países que tiverem comércio com o Irã. Segundo a medida, os Estados Unidos cobrarão uma sobretaxa desses países quando eles fizerem transações com o mercado americano.
Nos últimos dias, Trump tem dado sinais de que os EUA podem interferir na onda de protestos que se espalha pelo Irã. Desde o fim de dezembro, milhares de pessoas têm ido às ruas nas principais cidades do país contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.
Segundo o WSJ, a Casa Branca avalia uma proposta de última hora para conter o programa nuclear iraniano. O tema esteve no centro da guerra entre Israel e Irã, em junho de 2024, encerrada após um ataque americano.
Os protestos no Irã já deixaram mais de 600 mortos, segundo organizações de direitos humanos. Mais de 10 mil pessoas foram presas até esta segunda-feira. Em meio às manifestações, o governo iraniano ordenou o corte da internet, isolando o país.
Relação com o Brasil
➡️Nas exportações, o Irã ocupou a 11ª posição entre os países para os quais o agro brasileiro mais vendeu em 2025, conforme o Agrostat, banco de dados do Ministério da Agricultura.
O país respondeu por 1,73% das exportações do agro no ano passado, somando US$ 2,9 bilhões, e se colocou próximo de clientes como Japão, Egito, Turquia, Indonésia, Índia e México.
Já nas importações, o Irã é apenas o 42º maior fornecedor de produtos ligados ao agro para o Brasil, segundo o Agrostat. Mas é um importante exportador mundial de ureia, um fertilizante.
Governo espera que acordo Mercosul-UE entre em vigência no segundo semestre, diz Alckmin

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (15) que o governo espera a assinatura definitiva do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) em breve, para que o tratado entre em vigor no segundo semestre deste ano.
A expectativa é que o Mercosul assine o acordo com a UE neste sábado, 17 de janeiro, no Paraguai — atual presidente do bloco. A união entre os blocos dará origem à maior zona de livre comércio do mundo. O Brasil comandou o Mercosul no último ano e concentrou esforços para destravar e avançar nas negociações.
“Assina no sábado. Depois de assinado, o Parlamento Europeu aprova e nós aprovamos, internalizando o acordo. A expectativa é de aprovação ainda neste primeiro semestre, para que ele entre em vigência no segundo semestre”, afirmou.
Segundo o ministro, a parceria será um ganho para a sociedade, principalmente num momento marcado por tensões. Alckmin ressaltou que o acordo envolve cerca de 700 milhões de pessoas.
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“Em um momento de instabilidade geopolítica, com guerras e protecionismo exacerbado, os dois blocos dão um exemplo ao mundo de que é possível, por meio do diálogo e da negociação, avançar no livre comércio”, disse o vice-presidente.
Após a assinatura, cada país passa a ser responsável por seu próprio processo de ratificação. No Brasil, o texto será encaminhado ao Congresso Nacional e, depois de aprovado, seguirá para sanção presidencial.
O acordo só é considerado concluído quando as duas partes, Conselho Europeu e países do Mercosul, internalizarem o texto. Com isso, a entrada em vigor pode ocorrer em momentos diferentes entre os países do bloco sul-americano.
Alckmin fala em coletiva
Reprodução
Diálogo com os EUA
Alckmin avaliou ainda que o acordo com a União Europeia não interfere no diálogo do Brasil com os Estados Unidos de Donald Trump. Para ele, são agendas distintas, e o país deve buscar ampliar o comércio com todos os parceiros.
“O mundo vive um momento difícil, com conflitos no Oriente Médio, Rússia, Venezuela, Irã. É um momento para o Brasil ser mais ouvido, defendemos a paz e o fortalecimento do multilateralismo. O Brasil não tem litígio com ninguém. O comércio aproxima os povos, estimula o turismo, a cultura e aproxima as nações”, concluiu.
As declarações foram dadas pelo vice-presidente durante entrevista ao programa "Bom Dia, Ministro", do Canal Gov.
BC decreta liquidação extrajudicial da Reag, envolvida no caso Master

Banco Central decreta liquidação da Reag
O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM. Trata-se da empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos.
Com a decisão, as operações da gestora foram encerradas de imediato. A medida atinge a instituição, mas não os fundos em si — que permanecem ativos, mas precisarão buscar novas instituições para assumir sua administração.
Segundo a autoridade monetária, a Reag descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”.
Na prática, a autoridade monetária entendeu que a Reag não estava operando de forma adequada e segura, o que levou à decisão de interromper suas atividades para proteger investidores e o funcionamento do sistema financeiro.
O BC não detalha em nota quais condutas considera irregulares, mas a Reag é investigada em duas frentes distintas que agravaram sua situação regulatória.
A empresa é investigada na Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. A Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
A Reag também foi uma das empresas investigadas na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC em oito estados. Nesse caso, a empresa é acusada de gerir fundos de investimentos utilizados pela facção para lavagem de dinheiro.
O g1 entrou em contato com a Reag Investimentos, mas ainda não obteve retorno.
O que diz o BC
A Reag Investimentos atua como gestora e administradora de mais de 80 fundos de investimento, que agora precisarão ser administrados por outras empresas. Além da gestão de fundos, a empresa também trabalha na administração de patrimônio de pessoas físicas.
Em nota, o BC afirma que “a decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”.
O órgão diz ainda que a instituição se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial e representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
🔎 Na prática, isso significa que eventuais problemas nessas instituições não representam risco relevante para o Sistema Financeiro Nacional. Por isso, elas seguem regras mais simples do que as aplicadas aos grandes bancos.
O segmento reúne instituições financeiras de pequeno porte, com participação reduzida no mercado e baixo impacto sobre a estabilidade do sistema financeiro.
O BC afirmou ainda que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades” e que o resultado das apurações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e ao encaminhamento de comunicações às autoridades competentes”.
“Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, conclui a nota.
A APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. foi nomeada pelo BC como liquidante da Reag.
Master é investigado por fraude bilionária
O caso do Banco Master se tornou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional.
A instituição já operava sob risco de falência por causa da emissão de CDBs com juros muito acima do padrão de mercado e da exposição a investimentos considerados arriscados. Também passou a ser investigada uma possível fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 12,2 bilhões.
Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco. No mesmo dia, a primeira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, prendeu o controlador do Master, o banqueiro Daniel Vorcaro.
Nesta quarta-feira (14), a segunda fase da operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag. A PF também realizou ações em endereços ligados a Vorcaro e a seus parentes.
Segundo a investigação, a Reag foi parceira do Banco Master na administração de fundos e é suspeita de participação nas fraudes.
Foram apreendidos carros, relógios de luxo e outros bens de alto valor em endereços ligados a suspeitos de fraude no Banco Master. Houve sequestro e bloqueio de bens e valores que, segundo a PF, ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa pode ser a “maior fraude bancária” do país.
Investigação por elo com PCC
A Reag também aparece na megaoperação Carbono Oculto, considerada a maior já realizada no país contra o crime organizado. A investigação buscava desmantelar um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, que teria sonegado mais de R$ 7,6 bilhões em impostos.
Segundo as autoridades, o PCC atuava desde a importação irregular de produtos químicos para adulterar combustíveis até a lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimento e fintechs — momento em que a Reag aparece na investigação.
A Receita Federal identificou ao menos 40 fundos de investimento, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, controlados pela facção e usados para ocultar recursos no mercado financeiro. Parte desses fundos era administrada pela Reag.
À época, a empresa afirmou que colaborou com as autoridades, disse que agiu de forma regular e negou qualquer envolvimento com atividades criminosas. Ainda assim, o fundador da empresa, João Carlos Mansur, renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag após a megaoperação.
Na ocasião, a empresa informou que suas acionistas controladoras, Reag Asset Management e Reag Alpha Fundo de Investimento Financeiro em Ações, fecharam acordo para vender sua participação de 87,38% na companhia à Arandu Partners Holding, formada pelos principais executivos da própria Reag.
O valor estimado da transação foi de R$ 100 milhões, com possibilidade de pagamento adicional variável atrelado ao desempenho da empresa nos próximos cinco anos.
Reag Investimentos
Divulgação
Trump diz não ter planos de demitir Powell, presidente do Fed, apesar de investigação

Dirigentes dos principais BCs do mundo divulgam nota conjunta em apoio a Jerome Powell
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira (14) que não tem planos de demitir Jerome Powell apesar de uma investigação criminal do Departamento de Justiça sobre o chair do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), mas que é "muito cedo" para dizer o que ele fará em última instância.
"Não tenho nenhum plano para fazer isso", disse Trump à Reuters em uma entrevista, quando questionado se tentaria remover Powell de seu cargo.
Ao ser questionado se a investigação lhe dava motivos para fazê-lo, Trump acrescentou: "No momento, estamos um pouco em um padrão de espera com ele, e vamos determinar o que fazer. Mas não posso entrar no assunto. É muito cedo. Muito cedo."
O mandato de Powell como chefe do Fed termina em maio, mas ele não é obrigado a deixar o Conselho de Diretores com sede em Washington até 2028.
Trump sugeriu que está inclinado a nomear o ex-diretor do Fed Kevin Warsh ou o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, para substituir Powell. Ele também disse que havia descartado o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para a função, "porque ele quer ficar onde está."
"Os dois Kevins são muito bons", disse Trump. "Vocês também têm outras pessoas boas, mas anunciarei algo nas próximas semanas."
Recentemente, o governo Trump abriu uma investigação criminal contra Powell por causa de custos excessivos em um projeto de US$2,5 bilhões para reformar dois prédios históricos no complexo da sede do Fed.
Powell, que divulgou a investigação no domingo, nega ter cometido qualquer irregularidade e disse que as ações sem precedentes são um pretexto para pressionar Powell por não atender às demandas de longa data de Trump por taxa de juros mais baixas.
Trump tem exercido pressão pública sobre Powell, que ele nomeou chair do Fed durante seu primeiro mandato, por não reduzir os juros tão rapidamente ou tanto quanto o presidente republicano prefere.
Antes das eleições de meio de mandato para o Congresso em novembro, os eleitores dizem que as questões de custo de vida são fundamentais e avaliam mal a maneira como Trump está lidando com elas.
Trump rejeitou as críticas, inclusive de parlamentares cujo apoio ele precisará para confirmar sua escolha para suceder Powell. "Não me importo", disse ele. "Eles devem ser leais. É isso que eu digo."
Ele também rejeitou a opinião amplamente difundida entre analistas, investidores e autoridades econômicas em todo o mundo de que a erosão da independência do banco central poderia prejudicar o valor do dólar e provocar inflação. "Não me importo", repetiu ele.
Foto de arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, observa Jerome Powell, seu indicado para presidir o Federal Reserve (Fed), durante discurso na Casa Branca, em Washington, EUA, em 2 de novembro de 2017.
REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo
Golpe do falso concurso faz Ibama emitir alerta; entenda o caso e veja como se proteger

Ibama emite alerta sobre falso concurso público
Denúncias recebidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) levaram o órgão a divulgar, nesta quarta-feira (14), um alerta sobre golpes virtuais que usam o nome da instituição para divulgar falsos concursos públicos.
Segundo o instituto, os golpistas usam redes sociais e sites fraudulentos para divulgar informações falsas e induzir vítimas a clicar em links, preencher dados pessoais e pagar taxas de inscrição.
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Em uma das fraudes, citadas por uma leitora do g1, 15 mil vagas eram anunciadas. As promessas de salários chegavam a R$ 9 mil. Essa seleção não existe.
O Ibama diz que informações sobre concursos públicos do órgão são divulgadas exclusivamente por canais oficiais. (veja nota abaixo)
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🕵️♂️ Como o golpe funcionava
Uma das vítimas relatou ao g1 contou como foi enganada.
A vítima encontrou um site que anunciava a abertura de um concurso do Ibama, com linguagem formal, uso do nome do órgão e informações sobre cargos e salários.
O endereço eletrônico tinha aparência profissional, com cores, logotipo e textos que passavam credibilidade, o que deu a impressão de se tratar de um site oficial.
Ao clicar para se inscrever, a vítima preencheu um formulário com dados pessoais, como nome completo, CPF, e-mail e telefone.
Em seguida, o site solicitava o pagamento de uma taxa de inscrição no valor de R$ 82,14, com a justificativa de garantir a participação no concurso.
O pagamento foi feito por meio de boleto/PIX direcionado a um CNPJ em atividade, que não tem vínculo com o Ibama.
Após o pagamento, a vítima não recebeu confirmação válida de inscrição nem informações oficiais sobre prova, edital ou cronograma, o que levantou suspeitas.
📢 O que diz o Ibama?
Em nota, o Ibama informou que tem recebido diversas denúncias de golpes virtuais, incluindo falsas divulgações de concursos, processos seletivos e até pedidos de recadastramento em sites não oficiais.
O Ibama reforça que todas as informações sobre concursos públicos do órgão são divulgadas exclusivamente por canais oficiais, como o site do governo federal e o Diário Oficial da União.
⚠️ Cuidados
Antes de fazer qualquer pagamento, os candidatos devem:
Verificar se há edital publicado oficialmente;
Desconfiar de sites que cobram taxas sem apresentar documentos oficiais;
Evitar clicar em anúncios patrocinados sem checar a origem;
Confirmar informações diretamente nos canais do governo.
O Ibama orienta ainda que todas as vítimas registrem um boletim de ocorrência na Polícia Civil.
Agente do Ibama
Divulgação/Ibama
Preço do aluguel residencial sobe 9,44% em 2025, mais que o dobro da inflação; veja cidades mais caras

Novos contratos de aluguéis residenciais ficaram, em média, 9,44% mais caros em 2025.
Diogo Moreira/Divulgação Governo de São Paulo
Os novos contratos de aluguéis residenciais ficaram, em média, 9,44% mais caros em 2025, segundo dados do Índice FipeZAP divulgados nesta quinta-feira (15). O resultado ficou 4,06 pontos percentuais (p.p.) abaixo do registrado em 2024, quando o avanço foi de 13,50%.
Ainda assim, o aumento anual foi mais que o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, que avançou 4,26% no ano.
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Com isso, a alta real dos novos aluguéis (descontada a inflação) foi de 4,97%.
Paula Reis, economista do Grupo OLX, explica que o aumento acima da inflação está relacionado ao desempenho da economia brasileira — em especial ao mercado de trabalho, que segue forte.
"A depreciação do valor real dos aluguéis, que ocorreu durante a pandemia, já foi compensada. Contudo, a vitalidade da economia e, em particular, o mercado de trabalho, mantiveram o poder aquisitivo da população, viabilizando a continuidade de reajustes superiores à inflação", diz.
A taxa de desemprego no Brasil foi de 5,2% no trimestre terminado em novembro, mostrou a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Essa é a menor taxa de desocupação da série histórica, iniciada em 2012.
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Segundo Paula Reis, o cenário de reajustes de aluguéis acima da inflação deve se manter no primeiro semestre de 2026, mas em um ritmo cada vez menor. Ela explica que o setor continuará aquecido, principalmente, por dois fatores:
O aumento do salário mínimo acima da inflação — o que pode representar um alívio adicional no orçamento das famílias;
As mudanças no Imposto de Renda, que preveem isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês e desconto progressivamente menor para quem recebe até R$ 7.350.
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Alta nas cidades
O FipeZAP acompanha o preço médio de locação de apartamentos prontos em 36 cidades brasileiras, com base em anúncios veiculados na internet.
De acordo com o levantamento, apenas dois municípios monitorados registraram queda no preço médio do aluguel: Campo Grande (MS), com recuo de 4,36%, e São José (SC), com redução de 3,10%.
Quando observadas apenas as capitais monitoradas, as maiores altas no ano foram em Teresina (21,81%), Belém (17,62%), Aracaju (16,73%) e Vitória (15,46%).
Com os números, a capital piauiense também lidera o ranking geral.
Veja na arte abaixo.
Avanço no preço do aluguel residencial em 2025
Arte/g1
Preço do aluguel
O preço médio dos novos contratos de aluguel, calculado para as 36 cidades, é de R$ 50,98/m², segundo dados de dezembro. Considerando essa base, o aluguel de um apartamento de 50 metros quadrados custa, em média, R$ 2.549 — R$ 143 acima do ano anterior (R$ 2.406).
A cidade mais cara da lista é Barueri (SP), onde o aluguel custa, em média, R$ 70,35/m². No caso de uma residência de 50 metros, o valor mensal no município é de, aproximadamente, R$ 3.517,50.
Quando consideradas as 22 capitais brasileiras medidas pelo índice, Belém (PA) lidera: R$ 63,69/m². Em seguida, estão São Paulo (R$ 62,56/m²) e Recife (R$ 60,89/m²).
Entre os 36 municípios monitorados, a capital paraense é a segunda cidade mais cara, logo atrás de Barueri.
Enquanto isso, a cidade com o metro quadrado mais barato é Pelotas (RS), custando R$ 22,42, em média.
Veja o preço médio do aluguel por cidade (m²), conforme dados de dezembro:
Barueri é a cidade mais cara para viver de aluguel; veja o ranking e o preço do metro quadrado

Bairro de Alphaville, em Barueri (SP).
Divulgação/Prefeitura
A cidade de Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, é a mais cara para se viver de aluguel no Brasil. É o que revelam dados do Índice FipeZAP, divulgados nesta quinta-feira (15).
Para morar no município, é necessário desembolsar, em média, R$ 70,35/m² por mês. No caso de um imóvel de 50 metros quadrados, por exemplo, o valor médio de locação é de R$ 3.517,50 — acima dos R$ 3.270 registrados em 2024.
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Desde 2022 a cidade ocupa o topo do ranking. Conforme já mostrou o g1, os preços refletem o investimento do município no segmento de alto padrão, em especial durante a pandemia de Covid-19. Os valores são puxados pelo bairro de Alphaville.
"A segmentação e o nicho desse mercado tendem a contribuir para uma valorização mais acentuada em Barueri", explicou Paula Reis, economista do Grupo OLX.
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O Índice FipeZAP acompanha o preço médio de locação de apartamentos prontos em 36 cidades brasileiras — sendo 22 capitais. Os dados são referentes a dezembro de 2025.
A segunda cidade mais cara do país é Belém (PA), onde o custo médio mensal do aluguel é de R$ 63,69/m². Para um imóvel de 50/m², o valor chega a R$ 3.184,50.
São Paulo (SP) vem em terceiro lugar, com custo de R$ 62,56/m², ou R$ 3.128.
Na outra ponta, o aluguel residencial mais barato do país está no Sul: em Pelotas (RS), o custo médio é de R$ 22,42/m². O município vem logo atrás de duas capitais nordestinas: Teresina (PI), com custo de R$ 26,62/m², e Aracaju (SE), de R$ 27,97/m².
Seguindo o mesmo exemplo de imóveis de 50 metros quadrados, os aluguéis seriam de:
Pelotas: R$ 1.121
Teresina: R$ 1.331
Aracaju: R$ 1.398,50
O preço médio dos novos contratos de aluguéis, calculado para as 36 cidades do índice, é de R$ 50,98/m², segundo dados de dezembro. Com essa base, o aluguel de um apartamento de 50 metros quadrados custa, em média, R$ 2.549 no país — quase R$ 143 acima do ano anterior (R$ 2.406).
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"A depreciação do valor real dos aluguéis, que ocorreu durante a pandemia, já foi compensada. Contudo, a vitalidade da economia e, em particular, o mercado de trabalho, mantiveram o poder aquisitivo da população, viabilizando a continuidade de reajustes superiores à inflação", diz.
A taxa de desemprego no Brasil foi de 5,2% no trimestre terminado em novembro, mostrou a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Essa é a menor taxa de desocupação da série histórica, iniciada em 2012.
Segundo a economista, o cenário de reajustes de aluguéis acima da inflação deve se manter no primeiro semestre de 2026, mas em um ritmo cada vez menor. Ela explica que o setor continuará aquecido, principalmente, por dois fatores:
O aumento do salário mínimo acima da inflação — o que pode representar um alívio adicional no orçamento das famílias;
As mudanças no Imposto de Renda, que preveem isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês e desconto progressivamente menor para quem recebe até R$ 7.350.
Alta nas cidades
De acordo com o levantamento, apenas dois municípios monitorados registraram queda no preço médio do aluguel: Campo Grande (MS), com recuo de 4,36%, e São José (SC), com redução de 3,10%.
Quando observadas apenas as capitais monitoradas, as maiores altas no ano foram em Teresina (21,81%), Belém (17,62%), Aracaju (16,73%) e Vitória (15,46%). Com os números, a capital piauiense também lidera o ranking geral.
Veja na arte abaixo.
Avanço no preço do aluguel residencial em 2025
Arte/g1
Mega-Sena pode pagar R$ 35 milhões nesta quinta-feira

Como funciona a Mega-sena
O concurso 2.960 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 35 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (15), em São Paulo.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
No concurso da última terça-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Agibank protocola pedido de IPO nos Estados Unidos

Agibank
Divulgação/Agibank
O Agibank protocolou nesta quarta-feira (14) um pedido para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), com distribuição primária e secundária, na Bolsa de Nova York (Nyse).
A informação consta de documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.
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Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup vão liderar a operação. Outros bancos também participam da estruturação da oferta, entre eles Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander, Société Générale, XP Investimentos e Oppenheimer & Co., de acordo com os documentos apresentados ao regulador.
O Agibank afirmou que pretende usar os recursos do IPO para "propósitos corporativos gerais".
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A empresa também afirmou que pode destinar parte do dinheiro para a compra ou investimento em novos negócios, produtos, serviços ou tecnologias. No entanto, destaca que "não tem acordos ou compromissos para aquisições ou investimentos materiais neste momento".
A origem do Agibank remonta a 1999, quando Marciano Testa, então estudante universitário, fundou a Agiplan com o objetivo de ampliar o acesso ao crédito no Brasil.
Na semana passada, o banco digital PicPay também protocolou documentação para uma abertura de capital na Bolsa de Nova York.
Além de Testa, o Agibank tem como principais acionistas as gestoras brasileiras Vinci Compass e Lumina Capital Management. A Lumina é presidida por Daniel Goldberg, ex-presidente do Morgan Stanley no Brasil e ex-integrante do conselho de administração do Nubank, segundo documentos apresentados ao regulador.
No acumulado de 2025 até o fim de setembro, o banco contava com cerca de 6,4 milhões de clientes ativos, carteira de crédito de R$ 34 bilhões, lucro líquido de R$ 875 milhões e retorno médio sobre o patrimônio líquido de 41%, segundo o balanço do terceiro trimestre divulgado em seu site de relações com investidores.
O número de funcionários era de 5.030, ante 4.700 no fim de 2024, de acordo com os documentos apresentados ao regulador.
O pedido de IPO amplia a lista de empresas brasileiras do setor financeiro que abriram capital nos Estados Unidos, da qual já fazem parte Nubank, XP, Inter, PagBank e StoneCo.
A solicitação foi apresentada pela holding AGI Inc., e as ações deverão ser negociadas sob o código AGBK.
Orçamento: líderes reclamam de redução de R$ 11 bilhões em emendas e prometem reação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu nesta quarta-feira (14) barrar R$ 11 bilhões em emendas parlamentares ao sancionar o Orçamento de 2026. O Congresso aprovou a peça orçamentária deste ano prevendo R$ 50 bilhões em emendas individuais, de comissão e de bancada. Emendas parlamentares são recursos dentro do Orçamento executados conforme indicação de deputados e senadores. Outros R$ 11,5 bilhões foram carimbados como despesas do governo que poderiam ser alocadas conforme indicação do parlamento. É esta última fatia que foi alvo do corte. Lula decidiu vetar R$ 393 milhões em emendas, deve remanejar R$ 7 bilhões e travar outros R$ 3,3 bilhões. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O objetivo é usar parte do montante para recompor a verba de políticas sociais do governo como Pé de Meia e Auxílio Gás, e cumprir o arcabouço fiscal. Um líder do Centrão avalia que a tendência é que deputados e senadores derrubem o veto das emendas e recomponha pelo menos parte – R$ 393 milhões – do montante barrado. O parlamentar acredita que o humor do Congresso será ditado pelo presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), e que uma reação terá um caráter estratégico e não de demonstração de força. Por isso, a pauta da Casa não deve ser obstruída em protesto, principalmente porque os projetos do governo, como o Gás do Povo, têm caráter popular, o que pesa em ano eleitoral. O líder do Solidariedade, Áureo Ribeiro (SD-RJ), disse que os recursos são importantes para estruturar o sistema de saúde nos municípios e afirmou que o Congresso é soberano ao avaliar a derrubada dos vetos. “É um ano em que a gente espera que os recursos possam chegar na ponta, principalmente na infraestrutura das cidades. Sabemos como a saúde nos municípios vem sofrendo. O que salva muitos municípios é a parceria que é fechada com as representações. O Congresso é a casa soberana. Ainda vamos avaliar se o é o caso de derrubar os vetos”, disse. O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), disse que a decisão de Lula é equivocada e que os congressistas trabalharão pela derrubada do veto. “Eu sei muito mais o que a Paraíba precisa do que o governo Lula e seus ministros. Então nós iremos derrubar esse veto, pode ter certeza absoluta disso. As emendas são fundamentais para o parlamentar desenvolver o seu estado”, afirmou. O líder do PDT, Mario Heringer (PDT-MG), afirmou que o veto às emendas terá impacto negativo para o governo neste ano no Congresso, mas contribui para o governo como forma de propaganda em relação à população. “Em relação à sociedade, o governo está jogando no ‘nós contra eles’. Está criando situações de constrangimento para dar ao governo credibilidade quando sobre austeridade os gastos”, disse. Segundo o deputado, o veto, assim que pautado, será derrubado pelos parlamentares. “Não tenho dúvida nenhuma que vai para o plenário rapidamente e vai ser derrubado. Isso será trazido para a discussão e a maioria vai votar para derrubar. O governo nao tem maioria para segurar”, afirmou.
Lula sanciona Orçamento de 2026 com vetos em R$ 393 milhões que o Congresso havia reservado para inflar emendas
Lula sanciona Orçamento de 2026 com vetos em R$ 393 milhões que o Congresso havia reservado para inflar emendas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira (14) a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, com veto a R$ 393 milhões em valores que o Congresso havia modificado para inflar emendas parlamentares (entenda mais abaixo). Segundo a Casa Civil, nos próximos dias o governo ainda vai bloquear outros R$ 11 bilhões aos quais o Congresso havia dado o mesmo destino (inflar emendas). 🔍Emendas parlamentares são verbas previstas no Orçamento que o governo deve repassar para obras e projetos apontados por deputados e senadores em seus estados. Elas têm sido fonte de tensão entre governo e Congresso. O Congresso quer fatias cada vez maiores. O governo não quer perder sua autonomia de investimento. Enquanto isso, o STF vem suspendendo o pagamento de emendas por considerar os critérios usados pelo Congresso pouco transparentes. Formalmente, o Orçamento aprovado pelo Congresso prevê R$ 49,9 bilhões para as emendas. Mas os parlamentares decidiram incorporar também como emendas, na prática, outros R$ 11,393 bilhões em recursos livres do governo (as chamadas despesas discricionárias). Por isso, a reserva de recursos indicados por deputados e senadores saltou para R$ 61 bilhões. A LOA descrimina o Orçamento do governo federal para o ano, que traz estimativa de arrecadação e fixa limites para gastos públicos. A justificativa para o veto de quase R$ 400 milhões é que esse recurso conflita com uma regra definida pelo Supremo Tribunal Federal, que limita o volume de emendas parlamentares e como elas podem crescer. Como fica Desses R$ 11, 393 bilhões: Lula vetou R$ 393 milhões. R$ 7,7 bilhões, segundo o governo, serão remanejados para programas sociais previstos na proposta original do Orçamento enviada pelo governo e modificada pelo Congresso Outros R$ 3,3 bilhões devem permanecer bloqueados para cumprir o arcabouço fiscal. O texto aprovado pelo Congresso incluiu cortes em despesas previdenciárias e programas sociais como o Pé de Meia e Gás do Povo. Agora, o governo prevê recuperar a destinação dos recursos para garantir os pagamentos dos programas. Entre eles: R$ 922 milhões: PAC Saúde R$ 623 milhões: bolsa e assistência estucacional R$ 542 milhões: Pé de Meia R$ 541 milhões: Mais Médicos R$ 489 milhões: funcionamento de universidades e institutos federais R$ 476 milhões: Farmácia Popular R$ 374 milhões: Gás do Povo Leia também: Governo Lula paga R$ 31,5 bilhões em emendas em 2025, maior valor da história Orçamento: líderes reclamam de redução de R$ 11 bilhões em emendas e prometem reação Estratégia e reação do Congresso Lula diz que sequestrar Orçamento da União é erro histórico Embora tenha reservado R$ 49,9 bilhões para emendas parlamentares durante a votação no fim do ano passado, o Congresso decidiu "inflar" os valores que seriam indicados por deputados e senadores e considerar outros R$ 11,5 bilhões em recursos livres do governo (as chamadas despesas discricionárias). Por isso, a reserva de recursos indicados por deputados e senadores saltou para R$ 61 bilhões. No início de 2025, o Palácio do Planalto e os parlamentares aprovaram um acordo para que deputados e senadores indicassem essas "emendas informais" naquele ano. Governistas, porém, dizem que não havia nenhum acordo para novas emendas em 2026. Como não são formalmente emendas, mas despesas discricionárias, o governo tem o direito de remanejar livremente esses recursos. No Planalto, interlocutores dizem que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já estava "a par" do veto, antes mesmo de ser oficializado. A informação não foi confirmada por Motta. Integrantes da Comissão Mista de Orçamento (CMO) minimizam o impacto do veto de R$ 400 milhões, mas dizem que é preciso analisar como será o remanejamento das despesas discricionárias. Já o deputado Claudio Cajado, do PP-BA, afirmou que a decisão do governo de bloquear R$ 11 bilhões nos próximos dias é "fora da curva". Cajado também fez críticas à justificativa do governo de vetar R$ 400 milhões e disse acreditar que o Congresso irá derrubar o veto. "O governo engoliu a execução de 60% de impositivas antes das eleições, mas agora dá o troco.” Na avaliação de um deputado do Centrão, o veto do governo é uma "pegadinha" porque, na prática, "todo mundo sabe que sempre teve RP2 [recursos de despesas discricionárias] como acordo complementar". Segundo o parlamentar, os R$ 11 bi bloqueados faziam parte de um acordo. "O governo fica aumentando o custeio obrigatório e acaba comprimindo as discricionárias. Joga no colo do Congresso como uma forma de fazer política". Número gerais do Orçamento Os números gerais do Orçamento, aprovado pelo Congresso em dezembro, foram sancionados por Lula. São eles: O Orçamento da União para o próximo ano é de R$ 6,5 trilhões, sendo R$ 1,8 trilhão destinados ao refinanciamento da dívida pública. O limite de despesas para 2026 será de R$ 2,3 trilhões, para os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A área da educação terá um orçamento de R$ 233,7 bilhões, no ano anterior foram R$ 206,1 bilhões. Já os recursos destinados à saúde somam R$ 271,3 bilhões para custear exames, cirurgias, medicamentos e o funcionamento do SUS. A proposta prevê ainda um aumento das despesas com pessoal e encargos sociais de R$ 12,4 bilhões em relação ao valor do ano passado. Desse valor, R$ 7,1 bilhões serão para reajustes e demais adicionais remuneratórios e R$ 4,3 bilhões para a criação de novos cargos, funções e gratificações.
Trump impõe tarifa de 25% sobre alguns chips de Inteligência Artificial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs nesta quarta-feira (14) uma tarifa de 25% sobre determinados chips de inteligência artificial (IA). A medida atinge processadores de IA como o H200, da Nvidia, e um semicondutor semelhante da AMD, chamado MI325X.
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A decisão foi anunciada com base em uma nova ordem de segurança nacional divulgada pela Casa Branca, após uma investigação de nove meses conduzida nos termos da Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio, de 1962.
Segundo o governo Trump, a medida tem como alvo semicondutores de alto desempenho que atendem a critérios técnicos específicos, além de dispositivos que os incorporam, para fins de aplicação de tarifas de importação.
A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo do governo americano para incentivar fabricantes de chips a ampliar a produção de semicondutores nos EUA e reduzir a dependência de fornecedores localizados em regiões como Taiwan.
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“Os EUA atualmente fabricam apenas cerca de 10% dos chips de que necessitam, o que os torna fortemente dependentes de cadeias de suprimento estrangeiras”, diz a decisão, acrescentando que essa dependência representa um “risco econômico e de segurança nacional significativo”.
A Casa Branca informou, em um documento, que as tarifas terão escopo restrito e não se aplicarão a chips e dispositivos derivados importados para data centers nos EUA — grandes consumidores de chips de IA —, nem a produtos destinados a startups, aplicações de consumo fora desses centros, usos industriais civis fora de data centers e ao setor público americano.
De acordo com o anúncio, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, terá ampla margem para conceder novas isenções.
As ações da Nvidia, da AMD e da Qualcomm registraram leve queda no pós-mercado.
Em dezembro, Trump afirmou que iria impor tarifas sobre importações chinesas de semicondutores, em resposta ao que chamou de busca “irracional” de Pequim pela dominância na indústria de chips, mas acabou adiando a medida para junho de 2027.
Nvidia e Trump
g1
A decisão ocorreu após uma investigação de um ano, conduzida com base na Seção 301, sobre práticas comerciais desleais envolvendo exportações chinesas de chips chamados “legados”, ou de tecnologia mais antiga, para os EUA, aberta pelo governo do ex-presidente Joe Biden.
Ainda havia dúvidas sobre quais produtos que contêm chips seriam atingidos pelas tarifas, os percentuais a serem aplicados e a eventual concessão de isenções a países, produtos ou empresas. O anúncio desta quarta-feira, somado às notícias de dezembro, indica, por ora, uma abordagem mais cautelosa do governo em relação às importações de chips.
No ano passado, Trump anunciou que permitiria à Nvidia vender chips H200 para a China em troca de uma participação nas vendas desses produtos. Especialistas jurídicos questionaram se esse arranjo violaria a proibição constitucional dos EUA de taxar exportações.
Nesta semana, o governo Trump determinou que chips com destino à China façam uma escala nos EUA, após saírem de Taiwan, onde são fabricados, para passar por testes em um laboratório terceirizado. Ao entrar nos EUA, esses chips ficam sujeitos à tarifa de 25% anunciada nesta quarta.
“Nós cumprimos todas as leis e políticas de controle de exportações dos Estados Unidos”, afirmou a AMD em comunicado. Procurada pela agência Reuters, a Nvidia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
* Com informações da agência de notícias Reuters
Segunda fábrica de carros da GWM no Brasil deve ser instalada no ES
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Espírito Santo deve ganhar fábrica de veículos da montadora chinesa GWM
Divulgação/GWM
A montadora chinesa Great Wall Motors (GWM) planeja instalar sua segunda fábrica de carros do Brasil no Espírito Santo. O termo de compromisso foi oficialmente assinado nesta quarta-feira (14), na China, pelo vice-governador do estado, Ricardo Ferraço (MDB), e representantes da empresa.
A previsão é que a nova unidade de produção de carros elétricos seja instalada em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. A fábrica deve ficar na área de desenvolvimento do ParkLog.
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A informação foi confirmada pelo governador Renato Casagrande (PSB) durante um evento em um hotel de Vitória. Segundo Casagrande, a chegada da montadora representa um avanço na economia capixaba.
"Atrair uma empresa, uma indústria, uma fábrica de automóveis aqui no Espírito Santo, é um passo a mais, porque torna a nossa economia mais sofisticada, mais complexa. Atrairá outros empreendedores e outras atividades ligadas à indústria de automóveis", destacou Casagrande.
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No ano passado, a GWM informou que pretendia investir cerca de R$ 10 bilhões no Brasil ao longo de dez anos. Na segunda fase do plano, entre 2027 e 2032, a previsão é de mais de R$ 6 bilhões em investimentos.
A empresa foi procurada para informar detalhes sobre capacidade de produção e número de empregos no Espírito Santo. No entanto, afirmou que ainda não há informações oficiais sobre esses pontos.
Atualmente, a GWM possui apenas uma fábrica nas Américas e no Hemisfério Sul. A unidade foi inaugurada em agosto de 2025, em Iracemápolis, no interior de São Paulo.
Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP)
divulgação/GWM
A planta paulista emprega cerca de 600 trabalhadores. A capacidade de produção é de 50 mil veículos por ano.
No local, são fabricados três modelos: o SUV híbrido Haval H6, a picape média Poer P30 e o SUV de sete lugares Haval H9.
*Com informações de Letícia Orlandi.
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Toyota Yaris Cross ganha versão de entrada XR, que custa R$ 149.990

Toyota Yaris Cross XR, nova versão de entrada do SUV compacto
divulgação/Toyota
A Toyota anunciou, nesta quarta-feira (14), uma nova versão de entrada do Yaris Cross, que ainda nem chegou às concessionárias da marca. O lançamento desta e das demais variantes está previsto para abril.
Com o novo preço, o modelo se aproxima do valor inicial de um de seus principais rivais, o Honda WR-V, que parte de R$ 147.100.
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A principal diferença em relação à antiga versão de entrada do Yaris Cross, chamada XRE, é o preço mais baixo. A redução é de R$ 11.400, o que representa um corte de 7%, com o objetivo declarado de ampliar as vendas com desconto para pessoas com deficiência (PCD).
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Confira todas as versões disponíveis do Yaris Cross:
Toyota Yaris Cross XR: R$ 149.990;
Toyota Yaris Cross XRE: R$ 161.390;
Toyota Yaris Cross XRE Hybrid: R$ 172.390;
Toyota Yaris Cross XRX: R$ 178.990;
Toyota Yaris Cross XRX Hybrid: R$ 189.990.
O que muda no novo Yaris Cross de entrada
As mudanças nesta versão são pontuais, já que o antigo modelo de entrada já trazia alguns cortes para alcançar o preço sugerido. Estes são os itens removidos nesta nova versão de entrada:
Farol de milha;
Rodas seguem de liga leve e 17 polegadas, mas com acabamento sem ser diamantado;
Barras do teto;
Piloto automático adaptativo;
Assistente de pré-colisão frontal;
Farol alto automático;
Alerta de manutenção em faixa;
Ar-condicionado automático;
Painel de instrumentos foi reduzido de 7 para 4,2 polegadas;
Rebatimento elétrico dos retrovisores.
Todo o restante segue igual, incluindo o motor 1.5 aspirado, que gera 122 cv e 15,3 kgfm, com abastecimento por etanol ou gasolina. Também permanecem itens como:
Seis airbags;
Central multimídia de 10 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio;
Saídas de ar-condicionado para o banco traseiro;
Portas USB-C para os passageiros da segunda fileira;
Assistente de partida em rampa.
Yaris Cross aposta em espaço e tem versão híbrida flex
Toyota Yaris Cross chega com medidas semelhantes às dos rivais
Divulgação | Toyota
Com 4,31 m de comprimento, 1,77 m de largura, 1,65 m de altura e 2,62 m de entre-eixos, o Yaris Cross tem dimensões próximas às de WR-V e Creta. Ele é 1 cm mais curto, 2 cm mais estreito e tem entre-eixos 3 cm menor que o WR-V. A altura é a mesma do modelo da Honda.
O porta-malas segue a média do segmento: 400 litros na versão convencional e 391 litros na híbrida. A diferença ocorre porque a bateria do sistema híbrido fica no assoalho, reduzindo levemente o espaço.
Nessa capacidade, o porta-malas da versão a combustão é 22 litros menor que o do Hyundai Creta e 58 litros menor que o do WR-V.
O Yaris Cross terá o programa Toyota 10, que pode estender a garantia total para até 10 anos, sem custo adicional, desde que as revisões sejam feitas na rede autorizada.
O Yaris Cross estreia uma motorização inédita no segmento: um sistema híbrido flex que combina um motor 1.5 a combustão com dois motores elétricos — um que atua como gerador de energia para a bateria e outro que auxilia na tração.
Com etanol, o conjunto entrega até 111 cv e promete consumo de 17,9 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada, segundo o Inmetro. A Toyota não divulga o torque total de seus veículos híbridos.
O motor a combustão oferece 12,3 kgfm de torque, enquanto o elétrico entrega 14,4 kgfm. Contudo, como os valores não se somam diretamente no uso real, a marca não especifica um valor combinado.
Esse conjunto é diferente do usado no Corolla e no Corolla Cross, que contam com um motor 1.8 flex nas versões híbridas, ambos com 122 cv.
Investidor, pastor e maior doador da campanha de Bolsonaro e Tarcísio: quem é o cunhado de Vorcaro alvo da PF

Fabiano Zettel chegou a ser detido no aeroporto de Guarulhos
Moriah Asset/Reprodução
A segunda fase da operação que investiga fraudes no Banco Master chegou nesta quarta-feira (14) ao nome de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.
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Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel foi alvo de buscas e chegou a ser detido quando estava no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo - mesmo local onde foi detido Vorcaro em novembro, quando tentava embarcar para Malta.
Em monitoramento, a Polícia Federal descobriu que Zettel iria embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes, com passagem marcada para a madrugada desta quarta, destacou o ministro Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao autorizar a apreensão de objetos pessoais e a detenção do empresário em nova fase da operação.
"O embarque do investigado constitui oportunidade única a propiciar a obtenção de elementos que corroborem, ainda mais, sua participação nos delitos investigados, além da materialidade de outros delitos sobre os quais sobre ele já recaem suspeitas de autoria", diz a PF no pedido a Toffoli.
Para a PF, "a prática criminosa do investigado envolve diversos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional". O pedido da operação não entra em detalhes sobre quais crimes Zettel é investigado.
PF suspeita de vazamento de operações contra o Master
O pedido de detenção de Zettel durou até por volta das 7h. Isso foi necessário, segundo pedido da PF, porque o empresário poderia prejudicar coletas de outras provas na operação desta quarta, devido aos seus vínculos familiares com os investigados. Segundo o portal g1, Zettel teve o celular apreendido.
Tofolli também determinou a apreensão do passaporte do empresário e a proibição de ele sair do país até o fim das investigações.
Além de Zettel, a Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro e parentes dele, incluindo o pai e a irmã.
O empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, João Carlos Mansur, também estão entre os alvos das buscas.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 42 endereços em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Toffoli também determinou o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
A BBC News Brasil tem tentado falar com a defesa de Zettel, mas até a publicação desta reportagem não conseguiu contato.
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Maior doador de campanha
Zettel é fundador da Moriah Asset, um fundo de private equity — modalidade de investimento que compra participações em empresas que não estão na bolsa.
A Moriah atua investindo em negócios ligados ao mercado de produtos saudáveis e fitness.
Por meio da Moriah, ele é sócio de marcas como Oakberry, Les Cinq, Frutaria São Paulo e Empório Frutaria.
O empresário e advogado mineiro é um nome conhecido no mundo empresarial, político e religioso no Brasil.
Em 2022, Zettel foi o maior doador pessoa física das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
Ele transferiu R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a do governador de São Paulo, sendo o sexto maior doador pessoa física do país naquela eleição.
Na época da campanha de 2022, a assessoria de Zettel disse em nota a jornais que o empresário fez a doação "dentro da legislação" e "com suas convicções pessoais e valores cristãos de família conservadora".
Pela legislação eleitoral, indivíduos podem doar até 10% da renda bruta do ano anterior à eleição.
A assessoria de imprensa de Tarcísio afirmou que sua campanha contou com mais de 600 doadores e que o governador não possui qualquer vínculo ou relação com Zettel. "Vale destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi devidamente aprovada pela justiça eleitoral", disse a nota enviada à BBC News Brasil em reportagem que mostrava as ligações de Vorcaro com o Supremo Tribunal Federal e o mundo político.
Já Bolsonaro não respondeu aos questionamentos.
Pastor e empresário
Além de advogado e empresário, Fabiano Zettel é pastor evangélico.
Ele tem atuado na igreja da Lagoinha Belvedere, em um dos bairros mais nobres da região de Belo Horizonte.
A Lagoinha nasceu nos anos 1950 na periferia da capital mineira e passou a ser liderada pela família Valadão nos anos 1970.
Hoje, o pastor presidente é André Valadão, um dos líderes religiosos evangélicos mais vocais em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além da ligação com Zettel, Valadão também tem conexões antigas com a família Vorcaro.
Uma reportagem da revista Piauí de novembro revelou que o pai de Daniel Vorcaro, Henrique, chegou a quitar uma dívida de André Valadão devido a uma compra de uma BMW.
O pastor Fabiano Zettel também já atuou junto à igreja Bola de Neve em Belo Horizonte pelo menos até 2024.
A congregação evangélica, fundada em meados da década de 1990 ganhou destaque por sua abordagem que foge do tradicional, com linguagem considerada descontraída, uma postura liberal quanto à vestimenta, piercings e tatuagens, com foco no público mais jovem.
As conexões de Daniel Vorcaro e do Banco Master na política e na Justiça

PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e parentes dele
Nesta quarta-feira (14), a Polícia Federal deflagrou uma segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Master.
As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e a sua liquidação pelo Banco Central brasileiro colocaram em evidência um personagem do mundo do setor financeiro brasileiro com grandes ligações na política brasileira e também no mundo jurídico: Daniel Vorcaro, fundador e CEO da instituição.
A Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele, Fabiano Campos Zettel.
O empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, João Carlos Mansur, também estão entre os alvos das buscas.
Foram cumpridos mandados mandados de busca e apreensão em 42 endereços por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Toffoli também determinou o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele tem "colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes" e que "todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência".
Já José Luis Oliveira Lima, advogado de João Carlos Mansur, disse que "a defesa não teve acesso à investigação, mas registra que está à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos devidos".
O advogado de Nelson Tanure disse à BBC News Brasil que o empresário "tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários, jamais enfrentou qualquer processo criminal em razão de suposta prática delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista.".
Ele diz que Tanure foi cliente do Banco Master mas não tem relação societária com o banco e que "a única medida que lhe foi imposta se resumiu à apreensão de seu aparelho de telefone celular, de modo que com isso o empresário tem certeza de que no decorrer das apurações promovidas pelo STF restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita oriunda dessa relação".
A BBC News Brasil está tentando localizar a defesa de Fabiano Campos Zettel, e vai atualizar esta reportagem com suas manifestações.
Riscos e conexões
No ano passado, o Master figurava apenas como 22º na lista de maiores bancos brasileiros, segundo um ranking do jornal Valor Econômico.
Com R$ 63 bilhões em ativos financeiros, o Master — que já não existe mais como banco desde que foi liquidado pelo Banco Central em novembro — representava 2% do tamanho do Itaú Unibanco, o maior banco do país, segundo o mesmo ranking.
A liquidação do Master ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do banco para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões — em revelações feitas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, em novembro.
Mesmo sendo um banco pequeno, o Master representa um risco ao sistema financeiro brasileiro na avaliação de especialistas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse esta semana que esta pode ser a "maior fraude bancária" do país.
Um dos focos de preocupação nesse sentido seria o impacto da crise no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — instituição privada, sem fins lucrativos, que atua como uma espécie de seguradora para quem tinha dinheiro a receber do banco.
A quebra do Master é a maior da história do país em termos de impacto para o FGC.
Os 1,6 milhão de investidores do banco, que detém R$ 41 bilhões em depósitos bancários (CDBs), ainda esperam para ser ressarcidos e o montante representa um terço do caixa do fundo.
Outra medida da importância do banco, que surpreendeu muitos analistas, são as diversas conexões que existem entre Daniel Vorcaro e figuras da política e do judiciário do Brasil.
"O que me chama atenção nesse caso é a capacidade de um sujeito que tem um banco pequeno de botar braço para tudo quanto é lado num ambiente político e institucional e contaminar isso. É isso que me assusta", disse Cleveland Prates Teixeira, economista e professor de regulação da Fipe-USP e da FGV-Law, em recente entrevista à BBC News Brasil.
O caso ganhou ainda mais notoriedade quando o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, determinou uma inspeção do Banco Central a respeito da decisão de liquidar o Master. Essa decisão provocou reação de diversas entidades do setor financeiro, que manifestaram apoio à atuação do BC e sua independência, sem citar diretamente o Master.
Desde novembro, quando o escândalo estourou e Vorcaro foi preso, surgiram notícias das diversas conexões que ele possui com políticos tanto de direita como esquerda, e também no universo jurídico, como o Supremo Tribunal Federal.
Até o momento, não foi apontada nenhuma ilegalidade nessas conexões de Vorcaro com políticos e juristas. O caso ainda está em fase de investigação, que acontece sob sigilo no STF.
Conexões políticas
Ciro Nogueira e Antonio Rueda: Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, e Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, são tidos como uma ponte entre Vorcaro e o mundo político, segundo apuração da imprensa no caso.
Nogueira e Rueda teriam ajudado a negociar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), que acabou sendo vetada pelo Banco Central em setembro deste ano. Meses antes, o acordo havia sido aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Nogueira e Rueda teriam acesso ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Seu governo manifestou interesse em comprar o Banco Master para ampliar a presença do BRB no mercado e fortalecer sua atuação no setor financeiro.
Rocha sancionou uma lei da Câmara Legislativa para autorizar o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do capital social do Banco Master. Mas o negócio não andou devido ao veto do Banco Central.
Ciro Nogueira (PP) é tido, segundo notícias da imprensa, como uma espécie de ponte entre Vorcaro e o mundo político brasileiro
Getty Images via BBC
O BRB também é alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. As autoridades investigam a suposta venda de falsas carteiras de crédito consignado do Master ao BRB por R$ 12 bilhões — um negócio que ajudaria o Master a melhorar sua posição financeira antes de ser vendido.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi intimado a depor.
Em novembro, Ibaneis disse ao jornal O Globo que esteve com Vorcaro "uma ou duas vezes em eventos sociais, mas nunca para tratar de banco".
No passado, Ciro Nogueira chegou a propor elevar o limite da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. A garantia do FGC a investidores foi um dos fatores que ajudou o Banco Master a se expandir nos últimos anos.
Ricardo Lewandowski e Guido Mantega: Lewandowski, que é ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Lula — tendo deixado o cargo na semana passada —, já teve o Banco Master entre seus clientes no intervalo entre deixar o STF e entrar para o governo, segundo o jornal Folha de S. Paulo.
Ricardo Lewandowski teve Master entre seus clientes, segundo jornal Folha de S. Paulo
Getty Images via BBC
Já Guido Mantega, que é ex-ministro da Fazenda de Lula no seu segundo mandato, também teria sido contratado como consultor e levado Vorcaro a conhecer pessoalmente o presidente, segundo o jornal Estado de S. Paulo.
Henrique Meirelles e Michel Temer: O ex-presidente do Banco Central durante o primeiro governo Lula e ex-ministro da Fazenda de Temer, Henrique Meirelles, integrou um comitê consultivo do Banco Master, ao lado de nomes como Gustavo Loyola, que também comandou a autoridade monetária.
Meirelles teria assumido a posição de conselheiro substituindo Lewandowski, quando o ex-ministro do STF foi para a pasta da Justiça, segundo o noticiário econômico da época.
O ex-presidente da República Michel Temer (MDB), que é advogado de formação, também esteve na folha de pagamentos do Banco Master.
Em setembro de 2025, Temer foi contratado como mediador para tentar destravar a negociação de venda do banco para o BRB, após o BC barrar o acordo original.
"Me chamaram duas semanas atrás a Brasília, quando ainda se achavam interessados na formalização da transação [com o BRB]. Estava também o Daniel Vorcaro, e o Ibaneis [Rocha, governador do DF] disse que queria que eu fizesse uma mediação", contou Temer no programa Roda Viva, da TV Cultura, em 15 de setembro.
Meirelles foi conselheiro e Temer atuou como advogado para o Master
Antonio Cruz/Agência Brasil via BBC
Doações a políticos: Doações eleitorais também revelam possíveis conexões políticas envolvendo o Banco Master.
O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e um dos alvos da operação desta quarta-feira (14/1), foi o maior doador pessoa física das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
Casado com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro, ele transferiu R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a do governador de São Paulo.
Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, um fundo de private equity — modalidade de investimento que compra participações em empresas que não estão na bolsa. Por meio da Moriah, ele é sócio de marcas como Oakberry, Les Cinq, Frutaria São Paulo e Empório Frutaria.
Em 2022, ele foi o sexto maior doador pessoa física do país. Pela legislação eleitoral, indivíduos podem doar até 10% da renda bruta do ano anterior à eleição.
A assessoria de imprensa de Tarcísio afirmou que sua campanha contou com mais de 600 doadores e que o governador não possui qualquer vínculo ou relação com Zettel.
"Vale destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi devidamente aprovada pela justiça eleitoral", diz a nota enviada à BBC News Brasil. Já Bolsonaro não respondeu aos questionamentos da reportagem à época.
Conexões jurídicas
Viviane Barsi de Moraes: A Polícia Federal (PF) encontrou no celular de Vorcaro um contrato de R$ 129 milhões firmado com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.
O valor também foi revelado pelo jornal O Globo. O documento, localizado na Operação Compliance Zero em 18 de novembro do ano passado, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao escritório por três anos a partir de 2024.
O contrato, ainda segundo o jornal, não especificava processos ou causas determinadas. Estabelecia uma atuação ampla, determinando que o escritório representaria o banco "onde fosse necessário".
Embora o Master tenha sido liquidado e o acordo não tenha sido executado até o fim, mensagens trocadas entre executivos indicavam que o pagamento ao escritório era tratado internamente como prioridade, afirma a reportagem.
Além de Viviane, os filhos do casal, também integrantes da banca, aparecem em ao menos um processo ligado a Vorcaro.
A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, noticiou que o ministro Alexandre de Moraes teria procurado o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão a favor do Banco Master.
Segundo a colunista, ao menos três contatos foram por telefone e um foi presencial para tratar de problemas do banco de Daniel Vorcaro.
Escritório da esposa de Moraes tinha contrato com Banco Master
AFP via BBC
Em nota, a assessoria do STF afirmou que Moraes teve duas reuniões com o presidente do BC para tratar dos efeitos da Lei Magnitsky — '"a primeira no dia 14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/07; e a segunda no dia 30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia 22/09. Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente a aquisição do Master pelo BRB".
A Magnitsky é uma lei americana que pune estrangeiros que considera autores de graves violações de direitos humanos e práticas de corrupção. Moraes foi sancionado pela lei no fim de julho, e sua esposa, em setembro — em meio a críticas do governo de Donald Trump a ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro na Justiça brasileira, muitas delas relatadas por Moraes.
Mas, no início de dezembro, o governo Trump retirou Moraes e a esposa da lista dos sancionados pela Magnitsky.
De acordo com a nota, Moraes não esteve no Banco Central e não ligou para Galípolo para tratar do assunto.
"Por fim, esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição Master-BRB perante o Banco Central", conclui a nota do STF.
O Banco Central também emitiu uma nota para confirmar que reuniões com Moraes foram feitas para tratar dos efeitos da sanção aplicada pelos Estados Unidos.
Augusto de Arruda Botelho: O advogado foi Secretário Nacional de Justiça do governo Lula entre 2022 e 2024. A indicação ao cargo foi feita por Flavio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula e hoje ministro do STF.
Ao deixar o governo, Botelho voltou a advogar, com um dos diretores do Banco Master entre seus clientes.
No dia 29 de novembro, Botelho esteve em um jatinho particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore com o ministro do STF Dias Toffoli em viagem para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, no Peru.
Dias Toffoli viajou em avião particular junto com advogado do Banco Master
AFP via BBC
Na véspera da viagem, Toffoli havia sido sorteado para relatar um recurso apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro no STF.
O ministro confirmou que viajou no avião e afirmou a interlocutores, segundo o jornal O Globo, que não discutiu o processo durante o trajeto.
Em 3 de dezembro, Toffoli colocou o caso do Banco Master sob sigilo e decidiu transferir o inquérito para o STF, sob sua própria relatoria, atendendo ao pedido de um diretor do Master — o mesmo pleito feito anteriormente pelos advogados de Vorcaro.
Ele acolheu a solicitação com base na citação de um deputado federal, autoridade com prerrogativa de foro privilegiado.
O ministro justificou o sigilo afirmando que o inquérito envolve informações econômicas sensíveis, com potencial impacto no mercado financeiro. Na prática, todas as decisões futuras sobre a investigação passaram a ser tomadas por ele, e não mais pela Justiça Federal em Brasília.
Quem é Daniel Vorcaro?
Natural de Belo Horizonte, o banqueiro de 42 anos vem de uma família de classe média alta do setor da construção civil.
No final da década passada, ele assumiu o controle do banco Maxima — que havia sido fundado nos anos 1970 — e rebatizou a instituição como Banco Master.
Vorcaro chamou atenção na Faria Lima — a região de São Paulo que concentra o mercado financeiro brasileiro — por uma estratégia de negócios considerada ousada: ao invés de captar a maior parte de seu dinheiro com correntistas e emprestando dinheiro, o Banco Master se concentrou em oferecer CDBs com taxas de juros muito acima das praticadas no mercado.
Ao longo de sua trajetória econômica, Vorcaro estabeleceu ligações com políticos da direita e da esquerda brasileira.
Em entrevista à revista Piauí, em outubro do ano passado, Vorcaro atacou os críticos de seu modelo, e disse ser vítima de preconceito por suas origens empresariais serem fora do mercado financeiro.
"Isso acontece por eu ser um outsider. E não é só preconceito. São pessoas que querem nos frear e ficam usando coisas ruins contra nós. É um ataque desnecessário."
Vorcaro também ficou famoso por grandes gastos e por ostentar uma vida de luxo.
Em 2003, junto com outros sócios, ele comprou o hotel de luxo Fasano Itaim — que foi posteriormente vendido.
Também em 2023, segundo notícias da imprensa, ele teria gasto R$ 15 milhões na festa de debutante de sua filha, com apresentação dos DJs The Chainsmokers e Alok. O jornal O Estado de S. Paulo noticiou que Vorcaro adquiriu 27% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube Atlético Mineiro.
A revista Piauí noticiou ainda que no último carnaval, o Banco Master patrocinou um dos camarotes mais caros da Sapucaí, no Rio de Janeiro, com presença de diversas celebridades.
Caso do Banco Master está tendo grandes repercussões no sistema financeiro e também no mundo político brasileiro
Reuters via BBC
Ministro diz que valor médio de passagens aéreas caiu 11,7% em 2025 e projeta leilões para primeiro trimestre deste ano

O ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, afirmou nesta quarta-feira (11) que a tarifa média das passagens aéreas caiu 11,7% no período de 2022 a 2025.
Na ocasião, o ministro ainda mencionou que entre os leilões previstos para o primeiro trimestre de 2026 está o do Aeroporto do Galeão, em março (leia mais abaixo).
Pelos cálculos do Ministério dos Portos e Aeroportos, cerca de 130 milhões de passageiros foram transportados em 2025.
Já, no segmento internacional, o levantamento aponta para uma movimentação de 28,5 milhões de viajantes, um crescimento de 13,7% frente a 2024.
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LEIA TAMBÉM: Sílvio Costa Filho anuncia saída de Ministério dos Portos e Aeroportos para disputar vaga no Senado
Esses números, de acordo com a pasta e com dados da Agência Nacional de Aviação Terrestre (Anac), também representam um salto de 20% quando comparado com o período pré-pandemia (2019).
Silvio Costa Filho estima que, até o fim deste ano, a Embraer responda por 25% da frota do país. A expectativa é alimentada pela aquisição de até 74 aeronaves da Embraer pela Latam.
As informações foram divulgadas durante a apresentação de resultados do setor portuário, aeroportuário e hidroviário de 2025.
No âmbito dos investimentos em infraestrutura hidroviária, o governo estima que eles superem R$ 529 milhões em 2025.
Já com relação aos portos, Costa Filho citou que o edital do megaterminal de contêiners do Portos de Santos, maior empreendimento de logística da década, deve ser publicado até o fim de abril.
O ministro destacou também que há cerca de 12 interessados, dos quais dois são de grupos brasileiros. Árabes, chineses, filipinos e fundos de investimentos respondem pelo restante.
Ministro diz que valor médio de passagens aéreas caiu 11,7% em 2025.
Jornal Nacional/ Reprodução
Quem é João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos que está sendo investigado pela PF

João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, é um dos investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. A ação, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (14), também envolve buscas em endereços ligados ao dono do banco, Daniel Vorcaro, e seus parentes.
Além de Mansur, o empresário Nelson Tanure também é alvo da operação. Segundo a investigação, havia captação de recursos, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus familiares. O celular do proprietário do Banco Master foi apreendido.
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Essa não foi a primeira vez que o empresário se envolveu em polêmicas. Mansur renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag Investimentos em setembro do ano passado, após a empresa ter sido algo de uma megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Na ocasião, as investigações da Polícia Federal apontaram irregularidades em várias etapas de produção e distribuição de combustíveis no país, além de um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro que teria envolvido fintechs, fundos de investimentos e outras empresas do setor financeiro.
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Bacharel em ciências contábeis, Mansur fundou a Reag Investimentos em 2012, possui 35 anos de experiência no mercado financeiro e atua como conselheiro independente autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para gerir carteiras de investimentos.
O empresário tem experiência em auditoria, controladoria, gestão financeira, planejamento estratégico, análise de investimentos e desenvolvimento de negócios. Em seu perfil no LinkedIn, afirma ter estruturado mais de 200 fundos de investimento — incluindo Fundos de Investimento Imobiliário (FII), Fundos de Investimento em Participações (FIP) e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) —, além de conduzir outras operações no mercado de capitais.
Mansur atuou como executivo em empresas como PricewaterhouseCoopers (PwC), Monsanto, Tishman Speyer e WTorre Arenas, participando ainda da criação do estádio Allianz Parque.
Além de sua ligação com times de futebol por meio da Reag, Mansur trabalhou na Trump Realty Brazil, empresa que levava o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A joint venture foi criada em 2003, mas o contrato com o Republicano durou apenas até 2006, uma vez que o projeto fracassou antes de concluir qualquer empreendimento imobiliário.
O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag
Reprodução/LinkedIn
PF bloqueou mais de R$ 5 bilhões em operação
Na ação deflagrada nesta quarta-feira, a Polícia Federal apreendeu bens como carros, relógios de luxo e outros itens de valor em endereços ligados a suspeitos de fraudes financeiras no Banco Master.
A decisão expedida pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou 42 mandados de buscas, além do sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, segundo a PF.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes federais também encontraram dinheiro em espécie. Até a última atualização desta reportagem, haviam sido contabilizados R$ 97,3 mil em dinheiro vivo.
Os mandados foram cumpridos em São Paulo — incluindo endereços na Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros do país — e nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Entenda como o caso Banco Master avançou e ganhou novos desdobramentos
Do Banco Central ao STF: entenda como o caso Banco Master avançou e ganhou novos desdobramentos

PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e parentes dele
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) uma nova etapa da operação que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, recolocando o caso no centro do noticiário. A investigação foi ampliada e passou a alcançar familiares do controlador da instituição, o banqueiro Daniel Vorcaro, além de outros nomes ligados ao mercado financeiro.
Nos últimos meses, o Banco Master esteve no centro de decisões e questionamentos que mobilizaram o Banco Central (BC), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
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A crise teve início com suspeitas relacionadas a operações financeiras realizadas pela instituição, que levaram o BC a decretar a liquidação extrajudicial do banco. A medida, no entanto, passou a ser contestada, abrindo espaço para novas análises sobre seus fundamentos.
🔎 O avanço das apurações ocorre em um momento em que o episódio deixou de se restringir ao campo policial. O caso passou a envolver discussões sobre a estabilidade do sistema financeiro, o papel dos órgãos reguladores e a atuação de diferentes instâncias do Estado.
Desde então, as investigações avançaram para apurar possíveis fraudes, desvios de recursos e eventuais tentativas de interferência em decisões regulatórias. Parte desses desdobramentos passou a tramitar sob sigilo no STF.
Nesta etapa da operação Compliance Zero, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Dias Toffoli, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
É nesse contexto que o g1 reúne os principais pontos do processo, detalhando como o Banco Master se tornou um dos casos mais acompanhados do sistema financeiro brasileiro, quais suspeitas estão em análise e como os acontecimentos recentes se conectam.
A origem da crise e tentativas de venda
Prisão de Vorcaro
BC determina liquidação extrajudicial
Os principais pontos da investigação
TCU questiona operação
Sigilo no STF e envolvimento com ministros
Impactos políticos
Quem são os alvos da operação e o que dizem
Celular de Nelson Tanure é apreendido no Galeão em nova fase da operação contra o Banco Master
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BANCO MASTER: PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e parentes dele
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VALDO CRUZ: Nova operação da PF vai reforçar decisão de liquidar o Master e mostrar que fraudes podem ser mais graves
A origem da crise e tentativas de venda
O Banco Master registrou forte crescimento nos últimos anos, sustentado por uma estratégia de captação de recursos considerada arriscada por analistas do mercado.
O banco oferecia CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com taxas muito superiores às praticadas por outras instituições, atraindo investidores principalmente com base na proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
🔎 O FGC protege até R$ 250 mil por investidor e oferece garantia em caso de falência de um banco associado. O fundo é formado pelas próprias instituições financeiras — ou seja, trata-se de um mecanismo privado que assegura os recursos dos investidores.
Com esse modelo de captação, o Master acumulou um passivo bilionário lastreado em ativos de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas em dificuldades. A estratégia elevou os custos da instituição e ampliou as dúvidas sobre sua saúde financeira.
Para tentar contornar a crise, Vorcaro iniciou a busca por um comprador para a instituição. O Banco de Brasília (BRB) chegou a anunciar a aquisição, mas a operação foi vetada pelo Banco Central em setembro. Após a negativa, o banco continuou procurando outro comprador no mercado.
Em 17 de novembro, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Banco Master. O acordo previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar a estrutura de capital da instituição.
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Fictor anuncia a compra do Banco Master
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Prisão de Vorcaro
Poucas horas após o anúncio da compra, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro no aeroporto de Guarulhos. Segundo os investigadores, ele tentava deixar o país em um avião particular.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, “nega veementemente que ele estivesse fugindo do país”. Segundo os advogados, “o destino final do voo era Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde Vorcaro pretendia se encontrar com parte dos compradores do Banco Master”.
🔎 O consórcio responsável pela aquisição do Banco Master, liderado pela Fictor, inclui investidores dos Emirados Árabes Unidos, segundo comunicado divulgado pelo banco na véspera.
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BC determina liquidação extrajudicial
Paralelamente, o Banco Central decidiu instaurar administração especial temporária por 120 dias no Banco Master e decretar a liquidação extrajudicial do conglomerado.
Na prática, o BC encerra as atividades do banco e nomeia um liquidante, responsável por assumir o controle da instituição, encerrar operações, vender ativos e quitar credores conforme a ordem legal, até a extinção do banco. Com isso, a instituição deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
A decisão ocorreu poucas horas após a Fictor Holding anunciar a proposta de compra da instituição controlada por Daniel Vorcaro — e pouco mais de dois meses depois de o BC ter rejeitado a aquisição pelo BRB.
No ofício assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a liquidação do Banco Master era justificada pela “situação econômico-financeira da instituição” e pela “infringência às normas que disciplinam a atividade bancária”.
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Como funciona a liquidação de um banco?
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Os principais pontos da investigação
Durante a primeira fase das investigações, a Polícia Federal apurou os seguintes pontos:
O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.
Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte do dinheiro dos CDBs em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.
O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB – que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para "socorrer" o caixa do Banco Master.
Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master – e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF.
Já a segunda fase da operação apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e incluiu buscas em endereços ligados ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e a familiares, como o pai, a irmã e o cunhado.
O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também figuram entre os alvos da investigação.
Segundo as autoridades, o esquema envolveria a captação de recursos, a aplicação desses valores em fundos e o posterior desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro. Durante o cumprimento dos mandados, a PF apreendeu o celular do controlador do banco.
Procurada, a defesa de Vorcaro afirmou que ele tem colaborado com as autoridades e reiterou o interesse no esclarecimento completo dos fatos.
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TCU questiona operação
A decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master passou a ser questionada em outras instâncias, ampliando o alcance do caso.
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou inicialmente a realização de uma inspeção para analisar documentos relacionados ao processo de liquidação.
O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, solicitou esclarecimentos ao BC sobre possíveis indícios de que a medida teria sido adotada de forma precipitada.
A decisão do relator, contudo, provocou reação imediata de entidades do setor financeiro e associações de bancos, que saíram em defesa da autonomia do BC.
O próprio BC apresentou recurso ao TCU, solicitando que a determinação fosse analisada pelo plenário da Corte. Diante da repercussão, Jhonatan de Jesus recuou e suspendeu a inspeção até que o colegiado do tribunal se manifeste.
Na última semana, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, reuniu-se com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para tratar do tema. Na segunda-feira (12), o Banco Central retirou os embargos de declaração apresentados contra a decisão do relator.
Segundo o BC, a retirada do recurso faz parte de uma saída negociada para encerrar o impasse institucional entre as duas entidades. Como resultado do acordo, BC e TCU definiram que as próximas etapas envolverão diligências técnicas sobre a documentação, e não uma inspeção formal.
Ao blog do Valdo Cruz, integrantes do BC afirmaram que os embargos cumpriram seu papel ao deixar claro que o TCU reconhece a prerrogativa exclusiva do BC para decretar a liquidação do banco, sem invasão de competência. Segundo técnicos da autoridade monetária, o sigilo do processo será preservado, e o tribunal terá acesso apenas aos documentos expressamente autorizados.
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Sigilo no STF e envolvimento com ministros
A apuração criminal chegou ao Supremo por decisão do ministro Dias Toffoli, que assumiu a relatoria e determinou a concentração das medidas judiciais no STF, suspendendo procedimentos em instâncias inferiores.
A justificativa apresentada foi a existência de informações econômicas sensíveis, com potencial de gerar impactos sobre o sistema financeiro. Desde então, Toffoli passou a centralizar as decisões relacionadas ao caso.
Entre as medidas estão a decretação de sigilo sobre partes do inquérito e a autorização de atos como acareações. O ministro também apontou urgência na condução do processo, argumentando que a exposição dos fatos poderia afetar o mercado.
A transferência do inquérito para o STF ocorreu após a menção a um deputado federal nas investigações, o que fundamentou a alegação de prerrogativa de foro. Paralelamente, a condução do caso no Supremo passou a ser acompanhada de episódios que levantaram questionamentos.
Um deles envolve uma viagem de Toffoli, no fim de novembro, em um voo particular que também transportava um advogado ligado à defesa de um dos diretores do Banco Master.
A viagem ocorreu logo após o ministro ter sido sorteado relator de um recurso apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro. Toffoli confirmou que esteve no avião, mas afirmou que não houve qualquer discussão sobre o processo durante o trajeto.
Poucos dias depois, o ministro determinou o sigilo do caso e acolheu o pedido para que a investigação fosse formalmente transferida ao STF, sob sua relatoria. A decisão atendeu a solicitações feitas tanto por um diretor do banco quanto, anteriormente, pelos advogados de Vorcaro.
O episódio também trouxe à tona vínculos do banco com integrantes do Supremo Tribunal Federal. Um deles foi a existência de um contrato firmado entre o Banco Master e a esposa do ministro Alexandre de Moraes, conforme revelou a colunista Malu Gaspar, do jornal "O Globo".
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, descartou "ilicitude" e arquivou pedido para investigar Moraes e esposa no caso do banco Master.
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Malu Gaspar: Moraes buscou Galípolo para falar sobre Banco Master
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Impactos políticos
Segundo a Polícia Federal, grande parte das operações do Banco Master envolveu bancos e fundos de pensão, escapando aos mecanismos de controle dessas instituições em razão da pressão exercida por políticos com influência sobre elas.
O blog do Valdo Cruz informou que governadores e parlamentares ligados a Daniel Vorcaro, com influência sobre esses bancos e fundos de pensão, estão na mira das investigações.
Ainda segundo o blog, os investigadores afirmam que a venda anunciada do Banco Master para a Fictor teria sido uma “bomba de fumaça” lançada no mercado diante do avanço das investigações.
O objetivo teria sido dar uma última cartada para evitar a exposição dos negócios fraudulentos da instituição controlada por Daniel Vorcaro.
SAIBA MAIS ABAIXO.
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Quem são os alvos da operação e o que dizem
Durante a segunda fase da operação Compliance Zero, a Polícia Federal apreendeu carros, relógios de luxo, dinheiro em espécie e outros bens. Ao todo, foram recolhidos R$ 97,3 mil em dinheiro, além do bloqueio e sequestro de bens e valores que somam mais de R$ 5,7 bilhões.
A ação cumpre 42 mandados autorizados pelo ministro Dias Toffoli, incluindo buscas em endereços ligados ao controlador do banco, Daniel Vorcaro, e a familiares, em São Paulo.
Os mandados tiveram como alvos endereços em São Paulo — incluindo a Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros da capital paulista — e nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele tem colaborado de forma integral e contínua com as autoridades competentes. Ressaltou, ainda, o interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. (veja mais abaixo)
As defesas do empresário Nelson Tanure e do investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, não se manifestaram. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos dos demais alvos da operação.
SAIBA MAIS ABAIXO.
O que dizem os acusados
Veja a nota da defesa de Daniel Vorcaro na íntegra:
"A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.
O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais."
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Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master
Arte/g1
Fachada do Banco Master na cidade de Ssão Paulo, nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025.
Werther Santana/Estadão Conteúdo
Ibovespa dispara aos 165 mil pontos e bate novo recorde, puxado por Vale e Petrobras

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, bateu um novo recorde de fechamento nesta quarta-feira (14), superando os 165 mil pontos. O avanço foi puxado pelas blue chips — ações de empresas grandes, consolidadas e financeiramente mais estáveis —, com destaque para Vale e Petrobras. O dólar, por sua vez, também encerrou a sessão em alta, com ganhos de 0,49%, a R$ 5,4016.
O futuro dos juros nos Estados Unidos voltou a ficar no radar dos mercados nesta quarta-feira, após a divulgação de novos dados de inflação e falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central do país). No Brasil, uma nova pesquisa eleitoral e as investigações envolvendo o Banco Master seguem no foco.
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▶️ Na bolsa, o principal destaque ficou com as ações das blue chips — empresas grandes, consolidadas e financeiramente mais estáveis. O destaque ficou com os papéis da Vale e da Petrobras, que subiram 2,57% (papéis preferenciais, sem direito a voto) e 4,88%, respectivamente, figurando entre as maiores altas do Ibovespa.
Segundo o analista da Daycoval Corretora Gabriel Mollo, a alta desses papéis reflete uma maior busca de investidores estrangeiros por empresas de commodities que estão "descontadas", ou seja, mais baratas do que o valor considerado justo. "Acreditamos que essa tendência de alta deve permanecer nos próximos dias", disse.
▶️ Nos EUA, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) subiu 0,2% em novembro, após um avanço de 0,1% em outubro, informou o Departamento de Trabalho americano. Em 12 meses a alta foi de 3%. O dado reforça a perspectiva de que o Fed mantenha os juros inalterados em sua próxima reunião, prevista para este mês.
▶️ Nessa linha, a divulgação do Livro Bege do Fed, com avaliações dos 12 distritos sobre a atividade econômica, também ficou sob os holofotes, bem como novas falas de dirigentes da instituição, com sinais sobre os próximos passos da política monetária.
Em paralelo, seguem as tensões entre a Casa Branca e o Fed. No domingo, Jerome Powell reagiu às pressões do governo; ontem, dirigentes de bancos centrais divulgaram nota conjunta em apoio ao chair do Federal Reserve.
▶️ Por aqui, a Polícia Federal deflagrou hoje a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Houve buscas em endereços ligados ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e seus familiares.
Além de Vorcaro e parentes, a operação também tem como alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, segundo informações divulgadas pela PF.
▶️ Por fim, investidores também avaliam uma das primeiras pesquisas eleitorais do ano. Segundo a Quaest, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou à frente em todos os cenários de 2º turno testados, com vantagens que variam entre cinco e 20 pontos percentuais. A menor diferença é para Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo. Nesse cenário, Lula tem 44% e Tarcísio, 39%.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,68%;
Acumulado do mês: -1,59%;
Acumulado do ano: -1,59%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +1,09%;
Acumulado do mês: +2,50%;
Acumulado do ano: +2,50%.
Agenda econômica
Vendas no varejo dos EUA
Segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento de Comércio dos EUA, por meio do Census Bureau, as vendas do varejo americano subiram 0,6% em novembro. Em outubro, houve uma leve queda de 0,1%, após revisão dos números. O resultado superou a expectativa de economistas ouvidos pela Reuters, que projetavam alta de 0,4%.
Esses dados medem o valor gasto com mercadorias, como roupas, eletrônicos e carros, e não consideram o efeito da inflação.
O aumento dos gastos, no entanto, não foi uniforme entre a população. As compras continuam sendo puxadas, em grande parte, por famílias de renda mais alta, enquanto consumidores de menor renda enfrentam dificuldades para lidar com o custo de vida mais elevado.
Quando se excluem itens mais voláteis, como automóveis, gasolina, materiais de construção e restaurantes, as vendas cresceram 0,4% em novembro, após alta de 0,6% em outubro. No terceiro trimestre, o consumo acelerou e respondeu por boa parte do crescimento anualizado de 4,3% da economia americana.
Preços ao produtor dos EUA
Já o Departamento do Trabalho dos EUA, por meio do Escritório de Estatísticas do Trabalho, mostrou que o índice de preços ao produtor avançou 0,2% em novembro, após alta de 0,1% em outubro. O resultado ficou em linha com a expectativa de economistas consultados pela Reuters.
Esse indicador mede a variação dos preços antes de os produtos chegarem ao consumidor final e costuma ser acompanhado como um sinal de pressão futura sobre a inflação.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os preços ao produtor acumularam alta de 3,0% até novembro, acima dos 2,8% registrados em outubro.
A divulgação desses dados sofreu atrasos por causa da paralisação de 43 dias do governo norte-americano. Apesar disso, as informações sobre os preços ao produtor de outubro chegaram a ser coletadas, ainda que com atraso.
Livro Bege do Fed
O Livro Bege divulgado nesta quarta-feira pelo BC americano mostrou uma leve melhora em comparação à sua última divulgação. O documento indicou que a atividade econômica aumentou na maior parte dos EUA e o nível de emprego permaneceu praticamente inalterado.
"As perspectivas para a atividade futura foram ligeiramente otimistas, com a maioria esperando um crescimento leve a modesto nos próximos meses", disse o Fed no relatório.
O documento ainda indicou que os preços cresceram a uma "taxa moderada" em todos os distritos, com exceção de dois, que relataram apenas um "leve" crescimento de preços.
Os dados devem ter pouco impacto sobre as expectativas para os juros americanos. A estimativa do mercado é que o Fed mantenha as taxas inalteradas em sua reunião de política monetária neste mês.
Bolsas globais
Nos EUA, os três principais índices de Wall Street fecharam em queda nesta quarta-feira, enquanto investidores avaliavam balanços corporativos e dados econômicos.
Entre os destaques negativos estavam os papéis de tecnologia, conforme investidores passavam para áreas mais defensivas. Ações do setor financeiro também terminaram a sessão em baixa, após resultados trimestrais que dividiram opiniões entre analistas.
A maior perda ficou com o Nasdaq, que caiu 0,96%, aos 23.481,19 pontos. O S&P 500 perdeu 0,53%, aos 6.927,03 pontos, enquanto o Dow Jones recuou 0,07, para 49.158,62 pontos.
Já os mercados europeus fecharam mistos, com atenção voltada para uma reunião entre autoridades dos EUA, Groenlândia e Dinamarca sobre o futuro da ilha ártica.
As discussões giram em torno das tentativas do presidente Donald Trump de adquirir o território, apesar das negativas da Dinamarca e da Groenlândia e da menção do uso de força militar.
No fechamento, os mercados europeus tiveram desempenho misto. O STOXX 600 avançou 0,12%, enquanto o FTSE, de Londres, subiu 0,33%. Já entre as quedas, o DAX, de Frankfurt, recuou 0,50%, e o CAC 40, de Paris, caiu 0,12%.
Já as bolsas asiáticas fecharam mistas. Hong Kong avançou, enquanto os índices chineses recuaram após reguladores aumentarem exigências de margem para conter excesso especulativo, mesmo com volume recorde de negociações.
O dia também foi marcado por otimismo com inteligência artificial, impulsionando ações japonesas e levando o índice MSCI Ásia-Pacífico fora do Japão a um novo pico.
No fechamento, os índices registraram: Nikkei +1,48% (54.341 pontos), Hang Seng +0,56% (26.999 pontos), Xangai SSEC -0,31% (4.126 pontos), CSI300 -0,40% (4.741 pontos), Kospi +0,65% (4.723 pontos), Taiex +0,76% (30.941 pontos) e Straits Times +0,11% (4.812 pontos).
Dólar opera em baixa
Freepik
Quem é Nelson Tanure, empresário alvo de operação da PF sobre o Banco Master

Celular de Nelson Tanure é apreendido no Galeão em nova fase da operação contra o Banco Master
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) a segunda fase de uma operação que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. A ação inclui buscas em endereços ligados ao dono da instituição, Daniel Vorcaro, e a familiares, como o pai, a irmã e o cunhado.
O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos, também estão entre os investigados.
Tanure foi abordado quando se preparava para embarcar em um voo para Curitiba, no Paraná, e teve o celular apreendido. A TV Globo apurou que o investidor faria um “bate e volta” à capital paranaense e estava sem bagagem. Ele entregou o celular e documentos sem resistência e foi liberado.
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Conhecido pelo perfil polêmico e pela participação em disputas entre sócios e renegociações de dívidas de empresas em crise, Tanure construiu uma trajetória marcada pela compra e reestruturação de companhias nos setores de energia, telecomunicações, petróleo, saúde, infraestrutura e mídia.
Entre as empresas nas quais possui participação estão a Light, Alliança Saúde, Gafisa, PRIO, TIM Brasil e Docas Investimentos.
Também integram seu portfólio a Sequip e a Ligga, grupo de telecomunicações formado a partir da união de antigas operadoras regionais, e o fundo Saint German, acionista do Grupo Pão de Açúcar.
Saiba quem é o empresário alvo da nova operação da Polícia Federal no caso Master.
Nascido em Salvador, em 1951, Tanure é formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Iniciou a carreira ainda jovem, trabalhando na empresa imobiliária fundada pelo pai. A partir da década de 1980, passou a investir em companhias com dificuldades financeiras, estratégia que se tornaria a principal marca de sua atuação empresarial.
Um dos primeiros negócios de destaque foi a aquisição de uma participação na Sequip, empresa de engenharia ligada ao setor de petróleo.
Pouco depois, assumiu o controle de estaleiros em situação falimentar, como a Emaq, no Rio de Janeiro, que foi reestruturada e posteriormente vendida. Ao longo dos anos, Tanure repetiu essa estratégia em diferentes setores, apostando na recuperação de ativos desvalorizados.
Nos anos 2000, assumiu o controle e a gestão de empresas tradicionais da imprensa brasileira, como o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil, em um período de forte crise do setor.
No setor de petróleo, tornou-se um dos principais nomes ao assumir o controle da então HRT, que mais tarde deu origem à PetroRio — hoje PRIO, uma das maiores produtoras independentes de petróleo do país.
No setor de telecomunicações, passou a ter presença relevante com investimentos que levaram à criação da Ligga Telecom, a partir da aquisição de ativos como a Copel Telecom e a Sercomtel.
Na área da saúde, Tanure ampliou sua atuação ao assumir o controle da Alliança Saúde, grupo de medicina diagnóstica com presença nacional, que cresce por meio de aquisições regionais.
No setor elétrico, também é acionista da Light, distribuidora de energia que atende parte do estado do Rio de Janeiro, além de manter investimentos recentes em ativos de infraestrutura.
No último ano, um fundo ligado ao empresário participou de negociações para assumir o controle da gigante petroquímica Braskem. Tanure, no entanto, teria desistido do projeto.
Filho de pai espanhol e mãe brasileira, o empresário tem quatro filhos e, além dos negócios, mantém uma forte ligação com a música clássica e a ópera. Ele também já ocupou o cargo de vice-presidente da Orquestra Sinfônica Brasileira.
Disputas societárias e polêmicas
Apesar do perfil discreto, Tanure aparece com frequência no noticiário econômico por envolvimento em disputas societárias, processos de recuperação judicial e debates sobre governança corporativa.
Sua estratégia, baseada no uso intenso de empréstimos e em reestruturações profundas, costuma gerar resultados expressivos, mas também provoca controvérsias.
Nesta quarta-feira (14), Tanure foi um dos alvos de busca e apreensão na segunda fase da operação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.
Os policiais foram até a casa de Tanure, mas não o encontraram no local. Ele foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcaria em um voo nacional. O celular foi apreendido.
Ao todo, os agentes cumprem 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que também determinou o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões.
Segundo a corporação, a investigação apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro envolvendo a concessão de supostos créditos fictícios pelo Master.
A 1ª fase da operação aconteceu em novembro passado e resultou em sete prisões, incluindo a de Vorcaro. Segundo estimativa da PF, as fraudes podem chegar a R$ 12 bilhões.
No ano passado, Tanure foi alvo de uma investigação da Polícia Federal, aberta a pedido do Ministério Público Federal, para apurar se ele seria o verdadeiro controlador do Banco Master, mesmo sem aparecer oficialmente como dono.
Segundo os investigadores, ele teria usado uma rede de empresas, fundos e estruturas financeiras para influenciar o banco sem a autorização do Banco Central. À época, o empresário negou qualquer vínculo societário ou poder de controle sobre a instituição.
Em agosto de 2025, a Receita Federal deflagrou a maior operação já realizada contra esquemas de lavagem de dinheiro no mercado financeiro, envolvendo centenas de fintechs, fundos e gestoras.
Embora Tanure não tenha sido acusado formalmente nessa operação, o episódio reacendeu questionamentos sobre a estrutura dos fundos ligados ao seu nome e sua proximidade com instituições sob investigação.
No fim do ano passado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reabriu a investigação sobre a OPA — proposta pública para comprar as ações de uma companhia que já está na Bolsa — da Alliança Saúde (antiga Alliar), que consolidou o controle da empresa nas mãos de Tanure.
O foco não está na compra em si, mas no tempo que ele levou para lançar a oferta obrigatória aos acionistas minoritários, prazo que, segundo a CVM, teria sido extrapolado. Tanure afirmou que seguiu a legislação e diz desconhecer irregularidades.
Outra polêmica recente envolve uma denúncia criminal do Ministério Público Federal, que acusa Tanure de suposto uso de informação privilegiada no processo de compra da incorporadora Upcon pela Gafisa, entre 2019 e 2020.
Segundo o MPF, ele teria participado de manobras financeiras para inflar artificialmente o valor da empresa, aumentando sua influência dentro da construtora. A defesa diz que não houve crime, que a operação foi aprovada pelos acionistas e que a CVM nunca apontou irregularidades.
Mais recentemente, os advogados de Tanure pediram que o processo da Gafisa fosse transferido ao Supremo Tribunal Federal, alegando ligação indireta com as investigações do Banco Master, hoje concentradas no STF por decisão do ministro Dias Toffoli.
O g1 procurou a defesa de Nelson Tanure, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
O empresário Nelson Tanure
Alerj/Divulgação
Varejista de luxo Saks Global entra com pedido de falência nos EUA

O grupo de lojas de luxo Saks Global entrou com um pedido de falência na noite de terça-feira (13), em um dos maiores colapsos do varejo desde a pandemia, segundo informações da Reuters.
A solicitação acontece pouco mais de um ano depois de um acordo que reuniu três grandes redes de lojas de alto padrão nos Estados Unidos: Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus.
O anúncio gerou dúvidas sobre o futuro das lojas de luxo nos Estados Unidos. Mesmo assim, a empresa informou na manhã de quarta-feira (14) que as lojas permaneceriam abertas por enquanto, depois de conseguir um financiamento de US$ 1,75 bilhão e nomear um novo diretor executivo.
O ex-CEO da rede Neiman Marcus, Geoffroy van Raemdonck, vai substituir Richard Baker, que havia liderado a estratégia de compras que deixou a empresa com dívidas elevadas.
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A Saks Global também escolheu dois ex-executivos da Neiman Marcus, Darcy Penick e Lana Todorovich, para cuidar, respectivamente, da área comercial e das parcerias com outras marcas.
Em documentos apresentados à Justiça dos EUA, a empresa estimou que seus ativos e dívidas variam entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões.
Com o processo de falência, a empresa agora ganha tempo para reetruturação ou um novo controlador. Se isso não acontecer, a empresa pode ter que fechar, segundo as agências de notícias.
A Saks sempre foi conhecida por atrair clientes ricos e famosos, de Gary Cooper a Grace Kelly, mas enfrentou dificuldades após a pandemia de Covid-19. A concorrência de lojas online cresceu, e muitas marcas passaram a vender seus produtos diretamente em suas próprias lojas.
A primeira Saks Fifth Avenue, famosa por marcas como Chanel, Cucinelli e Burberry, além dos shows de luzes de Natal, foi inaugurada em 1867 por Andrew Saks, um pioneiro do varejo americano.
Financiamento
A Saks Global foi criada em 2024 como resultado de uma reorganização dos ativos de luxo nos Estados Unidos.
O novo grupo reuniu sob a mesma estrutura redes tradicionais do varejo de alto padrão, como Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus, após a compra da Neiman Marcus e a separação desses negócios da canadense Hudson’s Bay Company, que controlava a Saks desde 2013.
A proposta era formar um grande conglomerado para ganhar escala e eficiência em um mercado mais competitivo, movimento que acabou elevando o endividamento da empresa.
Segundo a Reuters, a Saks Global fechou um acordo de financiamento que garante US$ 1 bilhão imediato e prevê mais US$ 240 milhões com garantia em ativos, além de outros US$ 500 milhões após a saída do processo de falência.
Entre os credores estão grandes marcas de luxo, como Chanel, Kering e LVMH, em um universo que pode chegar a 25 mil credores.
A crise se agravou após a compra da Neiman Marcus, em 2024, operação financiada majoritariamente com dívidas. Com a desaceleração do mercado global de luxo, a empresa passou a enfrentar dificuldades para pagar fornecedores, perdeu clientes para concorrentes e precisou vender ativos.
No fim de dezembro, deixou de pagar mais de US$ 100 milhões em juros.
Fachada da loja principal da Saks na cidade de Nova York
Reuters
Promessa de petróleo no Oiapoque atrai brasileiros do exterior e transforma região: 'É um bairro atrás do outro'

Sebrae e Transpetro avaliam inserção do Amapá na cadeia produtiva de petróleo e gás
Há 35 anos, a paraense Sheila Cals decidiu cruzar o rio Oiapoque, no extremo norte do Brasil, para poder oferecer uma vida melhor aos filhos, na Guiana Francesa, o território francês que faz fronteira com o Estado do Amapá.
Mas em Caiena, a capital franco-guianense, a costureira de 69 anos começou a ouvir de amigos há cerca de dois anos que era a hora de voltar ao Brasil - mais especificamente à cidade de Oiapoque (AP). Ela achou que era mesmo a hora.
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"Sempre foi meu sonho voltar ao Brasil. E agora ficamos na expectativa de acontecer aqui o que aconteceu na Guiana, no Suriname", diz Sheila, já em sua nova casa, em Oiapoque.
Ela se refere ao boom econômico com a exploração de petróleo nos países vizinhos - uma esperança presente nos novos e velhos moradores dessa cidade do Amapá de 30 mil habitantes, ligada à capital, Macapá, por quase 600 km de estrada, 100 deles sem asfalto.
Na ponta mais ao norte do Brasil, Oiapoque é o município mais próximo da chamada bacia da foz do rio Amazonas, na Margem Equatorial, onde a Petrobras iniciou a prospecção para exploração de petróleo em águas profundas.
Área desmatada recebeu novas ocupações no Oiapoque; moradores chegam na esperança dos recursos do petróleo
Uesclei Costa
Autorizada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em outubro após anos de expectativa e de embates dentro do próprio governo Lula sobre o impacto ambiental do projeto, a Petrobras deve seguir as pesquisas até março de 2026, para saber se a exploração de petróleo ali, a 150 quilômetros da costa, é economicamente viável.
Em 6 de janeiro, a Petrobras interrompeu a perfuração do poço após identificar vazamento de um fluido usado para limpar e lubrificar a broca que auxiliava na perfuração. A empresa não informou quando retomará os trabalhos.
Caso a exploração de petróleo se concretize, cidades litorâneas do Pará e Amapá, especialmente Oiapoque, devem receber os royalties, num fluxo de dinheiro inédito ali.
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Uesclei Costa
Os recursos são uma compensação financeira paga pelas empresas produtoras, no caso a Petrobras, como remuneração pela exploração de recursos não renováveis. A cidade que mais recebe royalties no Brasil, Maricá (RJ), arrecadou R$ 2,6 bilhões em 2025.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a exploração da Margem Equatorial pode elevar o PIB do Amapá em até 61,2%, além de gerar cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos. O Amapá é hoje o Estado com o terceiro menor PIB do Brasil, à frente apenas de Acre e Roraima.
Em Oiapoque, pouco se cogita a possibilidade desses royalties não se concretizarem - e só a especulação já tem mudado a dinâmica da cidade e trazido migrantes de outros municípios, outros Estados e até outros países, como a própria Sheila.
"Eu vim também pela melhoria que eu tenho certeza que o petróleo vai trazer para o município. É a expectativa de todos os moradores", diz a moradora do Belo Monte, bairro que está na zona de expansão da cidade movida pelos migrantes.
Essa região, nos arredores do aeródromo de Oiapoque, sofreu uma transformação drástica nos últimos anos, com desmatamento e construção de centenas de casas em ocupações sem nenhuma estrutura.
Nas contas de Zione de Paiva, conhecida como a Loira do Belo Monte, presidente da associação do bairro, mais de 100 casas foram construídas só ali no último ano, chegando a 450.
"São pessoas que estão vindo para Oiapoque atrás de um emprego, atrás de uma oportunidade", diz Loira.
Além do Belo Monte, ocupações ainda mais recentes, como Areia Branca, Nova Conquista e Independência, tem visto, dia após o outro, novas construções subindo e novos moradores chegando.
Sheila Cals voltou da Guiana Francesa para morar em nova ocupação no Oiapoque
Acervo pessoal
A prefeitura de Oiapoque - cujo comando está nas mãos do presidente da Câmara dos Vereadores, Pedro Guido (PP), após o prefeito Breno Almeida (PP) ser cassado por compra de votos - não contabiliza os novos moradores que estão chegando. Mas alguns dados dão algumas pistas.
Para 2026, já há 807 novos estudantes interessados em vagas nas escolas municipais, informou em ofício à BBC News Brasil a Secretaria de Educação do Oiapoque. O número representaria um acréscimo de 16% de alunos na rede municipal, hoje com cerca de 5 mil alunos.
Segundo a secretaria, aberturas de anexos e utilização de estruturas estão sendo feitas para atender "a chegada massiva de moradores em busca de emprego, impulsionada pela expectativa de extração de petróleo na margem equatorial".
Já a secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação informou verificar "um índice de crescimento considerável nos últimos anos", apesar de não ter uma contagem.
Somente em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construções e transferências, "reflexo direto do investimento em obras comerciais e residenciais" nos últimos anos.
Nos últimos meses, o geógrafo Edenilson Moura, professor na Universidade Federal do Amapá (Unifap), no campus Binacional de Oiapoque, tem fotografado as novas construções pelas ruas justamente para documentar as transformações na cidade.
"A cidade está cheia de edificações sendo construídas. Não são prédios muito altos, como em outros padrões de verticalização de distintas realidades urbanas brasileiras, mas hoje já percebo edifícios de quatro, cinco pavimentos sendo erguidos. Isso por si só já demonstra um novo modelo de organização do espaço urbano de Oiapoque", diz Moura.
Novas construções se espalham também na área central da cidade
Edenilson Moura/Acervo Pessoal
Com a prospecção de petróleo em andamento, Oiapoque tem sido base de da Petrobras. A empresa reformou o aeroporto para receber voos fretados da Azul levando funcionários que chegam de Macapá e partem dali em helicópteros para plataformas em alto mar.
Com a chegada de funcionários e de migrantes, também crescem os aluguéis. Uma moradora relatou que o valor pago subiu de R$ 1200 para R$ 1900 de um mês para o outro. Uma empresária que aluga um estacionamento diz que o valor cobrado dobrou no último ano.
Mas, além do aumento da demanda, a cidade tem vivido um cenário de especulação, avalia a corretora de imóveis Ivete Sarmento. Segundo ela, no mercado está havendo um desequilíbrio entre os que cobram valores realistas e os que reajustam sem controle.
"Você olha o valor e pensa: de onde a pessoa tirou isso, sabe?"
"Tem pessoas que estão usando do oportunismo desses boatos de que vai ganhar muito dinheiro muito rapidamente. Enfim, uma ilusão", diz Sarmento.
Para a corretora, a disparada de preços de aluguéis na cidade pode ter efeito cascata até em alimentos, algo tradicionalmente caro na cidade fronteiriça.
"A partir do momento que você aluga um imóvel caro, o empresário que alugou vai ter que colocar esse valor dentro do produto dele para poder vender", diz.
O município de Oiapoque, onde novas eleições estão marcadas para abril de 2026, está elaborando seu primeiro plano diretor, o que pode balizar o preço do metro quadrado.
Mesma região registrada em 2021 e em setembro de 2025; foto mostra avanço de desmatamento e aumento da ocupação
Uesclei Costa
Novos bairros
A região que simboliza a nova fase do Oiapoque é uma área que vai das margens da BR-156, antes da chegada ao centro da cidade, até perto da comunidade Vila Vitória. É um terreno com mais de três quilômetros de comprimento.
O início dessa ocupação começa ainda nos anos 2000, numa área que foi invadida perto do aeroporto da cidade, hoje chamado de bairro Infraero, o único em que algumas famílias possuem o título das suas propriedades.
Em 2017, diante dessa primeira ocupação, a Aeronáutica, dona original da área, doou 213 hectares para a prefeitura, no intuito de regularização fundiária das famílias.
"A prefeitura não se mobilizou para fazer um projeto, uma cidade planejada. Então, ela permitiu que as pessoas fossem invadindo de qualquer jeito", lembra a corretora Ivete Sarmento, há 23 anos na cidade.
A expansão sobre o terreno de mata continuou especialmente a partir de 2020, sempre junto à expectativa de tempos melhores para Oiapoque. Surgiram ali na sequência as ocupações dos bairros de Belo Monte e Nova Conquista.
Nos últimos três anos, vieram o Areia Branca, a Matinha e o Independência.
Diante da expansão sem controle, a prefeitura entrou em 2025 com um processo de reintegração de posse de toda a área, mas o Tribunal de Justiça do Amapá determinou uma mediação, visto que há "traços típicos de um conflito fundiário coletivo de grande escala, envolvendo extensa área urbana ocupada há mais de uma década". A ideia é que sejam impedidas novas construções e uma organização da área ocupada.
A prefeitura de Oiapoque informou à BBC News Brasil que o planejamento urbano desses novos bairros está atualmente na etapa de regularização fundiária, com levantamentos técnicos sendo realizados, para definir áreas para equipamentos públicos, infraestrutura urbana, ruas e pontos comerciais. A previsão da Prefeitura é de que em 2026 a área esteja regularizada.
Para o professor Edenilson Moura, a história do Oiapoque e desses novos bairros revela uma cidade que vive de expectativas por ciclos econômicos, como a arrastada construção da Ponte Binacional que liga o Amapá à Guiana Francesa e promessa de facilidade de visto para transitar entre os dois territórios.
"E aí às vezes o desenvolvimento social não chega da forma que as pessoas imaginam", diz Moura.
A ponte ligando Oiapoque a Saint-Georges foi inaugurada em 2017, mas a cobrança dos franceses de mais de 60 euros (R$ 376) em visto e taxas de seguro por carro nunca fez o tráfego deslanchar. A travessia em pequenos barcos, que escapam da fiscalização, segue sendo a mais utilizada.
Ainda sem o petróleo, economia da cidade é baseada no comércio fronteiriço (especialmente franceses que vêm comprar produtos mais baratos), além da pesca e agricultura.
Os bairros mais novos, em geral, estão sendo ocupados com casas muito simples, de madeira, em ruas de terra e até sem acesso a água.
Segundo relatos feitos à reportagem, além dos que chegaram pela necessidade de moradia, outro grupo ocupou vários lotes, na expectativa de revenderem mais na frente, se a fartura do petróleo chegar.
"Os órgãos fizeram vista grossa e foram deixando", diz a bióloga Joessy de Cássia, que começou a construir sua casa em 2024 na recém-criada ocupação do Independência e virou a presidente da associação dos moradores.
Segundo ela, inicialmente a ocupação surgiu porque a cidade inchada não tinha mais para onde crescer. Oiapoque fica às margens de um rio, cercada por áreas militares e de preservação.
Mas que agora, com o início da prospecção da Petrobras, toda a ocupação acelerou.
"Bastou as pessoas fazerem a primeira derrubada de árvores para o povo se proliferar", diz Joessy.
Ocupação Independência foi uma das últimas a surgir
Joessy de Cássia/Arquivo pessoal
Mesmo com a falta de estrutura urbana, novos moradores seguem construindo suas casas para um futuro que consideram promissor.
Elis Pereira, de 47 anos, vive há 25 na Guiana Francesa, onde trabalha no ramo alimentício junto ao marido. Ela começou a construir uma casa no Oiapoque para uma nova fase na vida.
"Decidi voltar às minhas raízes. A França vem sofrendo uma crise há anos e, com isso, os impostos são altíssimos, o custo de vida é alto, tudo é caro", diz Elis.
"Oiapoque é um dos melhores lugares para se viver no momento. Com a entrada da Petrobras, valorizou demais. Com qualquer empreendimento, você ganha dinheiro."
Como funcionários da Petrobras têm se instalado na cidade, o comércio tem se aquecido com os novos consumidores. Além da subida nos aluguéis, hotéis também estão com alta procura.
Em nota à BBC News Brasil, a Petrobras disse que gera "impactos positivos" com sua presença na região, como geração de emprego e aumento de arrecadação, diante da maior demanda por serviços na cidade.
Mas a empresa disse que não é sua função realizar obras de urbanização e infraestrutura no município. A Petrobras disse que mantém projetos sociais e ambientais ativos na Margem Equatorial, área que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá. Não foi especificado quantos atendem especificamente a população de Oiapoque.
Novos bairros de Oiapoque não contam com nenhuma infraestrutura urbana.
Joessy de Cássia/Arquivo pessoal
Enquanto as promessas de regularização e urbanização não se concretizam e os royalties ainda não chegam, as presidentes das associações de moradores dizem que já não há mais espaço para novos residentes, pois todos os terrenos, mesmo sem casas, já foram ocupados.
Elas esperam agora que a região passe para uma nova etapa, com mais organização e infraestrutura, diante dos recursos prometidos que chegarão ao município.
"Mas olha, vou te dizer, Oiapoque está crescendo em população, mas não em desenvolvimento", define Sheila Cals, recém-chegada à cidade.
Os moradores, novos e velhos, também acompanham atentos o que está acontecendo em alto mar, no poço da Petrobras.
Será que vai ter petróleo viável para ser explorado ali? Quando esses recursos chegarão? E o que acontece se o petróleo vazar - motivo de preocupação entre os ambientalistas críticos ao projeto?
Para Sheila, que apostou suas fichas na mudança a Oiapoque, o projeto precisa andar.
"Até a data de hoje, eu não soube de nenhum acidente com a Petrobras na exploração de petróleo. Essa conversa para não liberar petróleo aqui é coisa política", avalia.
Já para Loira, presidente da associação de moradores do Belo Monte, há uma preocupação generalizada, mesmo entre os que estão torcendo pelo projeto.
"A gente tem receio, sim, porque se houver vazamento de petróleo, vai afetar muitas famílias que vivem da pesca e dependem desse rio", avalia.
"Mas, para muita gente que depende (da geração) de emprego, a expectativa é maior do que o receio."
Mapa feito por Caroline Souza, da equipe de jornalismo visual da BBC News Brasil
Não é só glamour: estudo explica por que metade dos influenciadores já cogitou abandonar carreira

Estudo explica por que metade dos influenciadores já cogitou abandonar carreira
A imagem do criador de conteúdo como alguém que vive de publicidade, recebe produtos em casa e trabalha de qualquer lugar do mundo já não convence quem está dentro do jogo.
Para muitos profissionais do ramo, a carreira deixou de ser sinônimo de liberdade e passou a representar exaustão, sobrecarga e pressão constante por presença online.
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Um estudo global da Manychat mostra que 51% dos criadores consideraram abandonar a carreira nos últimos 12 meses. O dado chama atenção não por falta de público ou de interesse nas redes, mas pelo desgaste provocado por uma rotina intensa, pouco previsível e, muitas vezes, mal remunerada.
É que por trás de vídeos curtos e posts que duram poucos segundos no feed, existe uma carga de trabalho que se aproxima, e em alguns casos ultrapassa, a de empregos tradicionais. Ainda assim, o reconhecimento profissional não acompanha esse esforço.
O resultado é uma carreira marcada por paradoxos.
O criador precisa estar sempre disponível, mas não pode falhar.
Precisa crescer, mas sem perder autenticidade.
Precisa monetizar, mas sem parecer comercial demais.
Precisa descansar, mas sente que não pode desaparecer.
🚫 Qualquer passo em falso também pode ser motivo para cancelamento — forma de boicote social na qual pessoas ou organizações são excluídas de determinados círculos sociais ou plataformas.
'Isso não é um trabalho de verdade'
Apesar do crescimento da economia dos criadores, o estigma persiste. Cerca de 31% dos criadores afirmam que as pessoas ainda não veem a criação de conteúdo como um trabalho de verdade.
Outros acreditam que o público acha que tudo se resume a filmar e postar, que não leva tanto tempo ou que todos são ricos.
Quando perguntados sobre a parte mais incompreendida da profissão, as respostas reforçam esse distanciamento entre percepção e realidade. Para 26%, as pessoas acham que é fácil. Para 19%, acreditam que não toma tanto tempo. Já 12% ainda ouvem que “criadores são ricos”.
“Ser um criador de conteúdo é muito mais do que gravar um vídeo ou tirar uma foto para postar nas redes sociais. É necessário desenvolver habilidades técnicas e, acima de tudo, ter um desejo genuíno de servir e impactar positivamente um público específico”, afirma Monty Lans, citado no relatório.
Mesmo assim, o mito continua. E ele tem consequências diretas na forma como esses profissionais se veem e estruturam suas carreiras.
Ainda de acordo com a pesquisa, os criadores usam quase 20 horas por semana apenas com planejamento, gravação e edição de conteúdo. Isso antes mesmo de considerar tarefas administrativas, negociações com marcas, controle financeiro ou outros trabalhos paralelos.
Além disso, responder comentários e mensagens diretas consome de 2 a 3 horas por semana, dependendo do tamanho da audiência. Para 5% dos criadores, a gestão da caixa de entrada já equivale a um trabalho em tempo integral.
O contraste é claro. Enquanto 83% dos usuários dizem não esperar respostas de criadores, muitos profissionais assumem essa carga como uma obrigação, com medo de perder engajamento, oportunidades ou relevância.
Mesmo com uma rotina intensa, poucos criadores se veem como empresas. Apenas 14% afirmam se considerar um negócio. Outros 36% se enxergam como uma marca, enquanto 50% dizem ser apenas uma pessoa que posta conteúdo.
Quanto ganham?
Essa falta de estrutura profissional impacta diretamente a renda. Quase três em cada quatro criadores ganham menos de US$ 10 mil por ano (o equivalente a R$ 53 mil) com conteúdo. Apenas um em cada 10 ultrapassa os US$ 30 mil anuais.
Os pagamentos das plataformas são a principal fonte de receita, representando 39% dos ganhos. Em seguida vêm parcerias com marcas e patrocínios, com 28%. Marketing de afiliados, produtos físicos, assinaturas e cursos digitais aparecem com percentuais bem menores.
O relatório é direto na conclusão: para muitos, o conteúdo ainda funciona como um trabalho paralelo. Para outros, só passa a gerar resultados consistentes quando é tratado como um negócio de verdade, com estratégia, processos e limites claros.
Vontade de desistir
Entre os criadores que pensaram em abandonar a carreira, os motivos apontam para uma combinação de desgaste emocional e frustração profissional:
25% disseram que não estavam crescendo
23% afirmaram que não ganhavam dinheiro suficiente
17% relataram perda de motivação ou interesse
16% disseram que a rotina era demorada demais
11% apontaram esgotamento criativo
A situação é ainda mais crítica entre a Geração Z. 55% dos criadores dessa faixa etária cogitaram parar no último ano. Para muitos, a promessa de autonomia deu lugar a uma sensação constante de cobrança e vigilância.
O peso de estar sempre online
O estudo apontou que uma em cada quatro pessoas relatou sentir-se esgotada, sobrecarregada ou apática após passar tempo nas redes.
Mesmo assim, uma em cada 10 gostaria de fazer uma pausa, mas sente que não pode — seja por trabalho ou pela dificuldade de se desconectar.
Esse ambiente ajuda a explicar por que a pressão por disponibilidade constante pesa tanto sobre quem vive da criação de conteúdo. A carreira depende da presença online, mas essa mesma presença exige tempo.
estudo global da Manychat aponta que 51% dos criadores de conteúdo consideraram abandonar a carreira
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IA, competição e o futuro da profissão
Quando perguntados sobre os desafios para 2026, os criadores apontaram a competição com conteúdo gerado por inteligência artificial como a principal preocupação.
Em seguida aparecem a dificuldade de se destacar em feeds saturados, construir comunidades autênticas e garantir parcerias com marcas.
Ao mesmo tempo, a maioria já planeja usar IA para brainstorm de ideias, escrita de legendas, pesquisa e edição. O público, no entanto, demonstra resistência. 41% dizem que não apoiariam um criador que se tornasse 100% IA.
Metodologia da pesquisa
Para explorar a relação entre criadores de conteúdo e suas audiências, a Manychat entrevistou 2.028 pessoas em nível global, sendo 1 mil criadores autodeclarados e 1.028 consumidores diários de redes sociais.
Os criadores foram classificados em quatro grupos conforme o número de seguidores: iniciantes, nano, micro e estabelecidos.
A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de cerca de 2%, com base em respostas autodeclaradas.
A responsabilidade dos influenciadores digitais contribui para um ambiente digital mais saudável e confiável
freepick
Balança comercial da China encerra 2025 com um superávit recorde de US$ 1,2 trilhão, apesar do impacto das tarifas de Trump

Bandeira da China.
Maxim Shemetov/Reuters
A China anunciou nesta quarta-feira um superávit comercial recorde de quase US$ 1,2 trilhão em 2025, impulsionado pelo aumento das exportações para mercados fora dos EUA, à medida que os produtores buscam ampliar sua escala global para se proteger da pressão constante do governo Trump.
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A pressão exercida pelos legisladores para que as empresas chinesas diversifiquem suas atividades para além do maior mercado consumidor mundial, focando-se no Sudeste Asiático, África e América Latina, tem protegido a economia contra as tarifas americanas e a intensificação das fricções comerciais, tecnológicas e geopolíticas desde que o presidente Donald Trump retornou à Casa Branca no ano passado.
"A economia da China continua extraordinariamente competitiva", disse Fred Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC. "Embora isso reflita ganhos de produtividade e a crescente sofisticação tecnológica dos fabricantes chineses, também se deve à fraca demanda interna e à consequente capacidade ociosa."
Rumo a 2026, os desafios para Pequim são muitos, incluindo a necessidade de dissipar as preocupações de um número crescente de capitais globais sobre as práticas comerciais e a capacidade ociosa da China, bem como sua dependência excessiva de produtos chineses essenciais.
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Uma das principais questões que os formuladores de políticas enfrentam é por quanto tempo a economia de US$ 19 trilhões continuará a contrabalançar a queda do mercado imobiliário e a fraca demanda interna, exportando produtos cada vez mais baratos para outros mercados.
"O aumento dos superávits comerciais chineses pode elevar as tensões com os parceiros comerciais, especialmente aqueles que dependem das exportações de produtos manufaturados", disse Neumann.
O superávit comercial anual da potência industrial atingiu US$ 1,189 trilhão – um valor equivalente ao PIB de uma das 20 maiores economias do mundo, como a Arábia Saudita –, segundo dados alfandegários divulgados na quarta-feira, após ter ultrapassado a marca de um trilhão de dólares pela primeira vez em novembro.
"Com parceiros comerciais mais diversificados, a capacidade da China de resistir a riscos foi significativamente aprimorada", disse Wang Jun, vice-ministro da administração aduaneira chinesa, em uma coletiva de imprensa após a divulgação dos dados.
As exportações da segunda maior economia do mundo cresceram 6,6% em valor em dezembro, em comparação com o mesmo período do ano anterior, contra um aumento de 5,9% em novembro. Economistas consultados pela Reuters previam um aumento de 3,0%.
As importações aumentaram 5,7%, após um aumento de 1,9% no mês anterior, e também superaram a previsão de um aumento de 0,9%.
"O forte crescimento das exportações ajuda a mitigar a fraca demanda interna", disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management.
"Em conjunto com o mercado de ações em alta e as relações estáveis entre os EUA e a China , é provável que o governo mantenha a política macroeconômica inalterada, pelo menos no primeiro trimestre."
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Exportações aumentam com a China se preparando para ganhar mais participação global
O yuan chinês ( CNY=CFXS , CNH=D3) manteve-se estável após os dados positivos, mesmo com os investidores em ações reagindo positivamente aos números que superaram as previsões. O índice de referência Shanghai Composite (.SSEC) e o índice CSI300 ( .CSI300) subiram mais de 1% nas negociações da manhã.
Os superávits comerciais mensais da potência econômica asiática ultrapassaram US$ 100 bilhões sete vezes no ano passado, parcialmente sustentados por um yuan enfraquecido, um aumento em relação a apenas uma vez em 2024, o que demonstra que as ações de Trump mal afetaram o comércio da China com o resto do mundo, mesmo que ele tenha restringido as remessas destinadas aos EUA.
As exportações para os EUA caíram 20% em dólares em 2025, enquanto as importações da maior economia do mundo recuaram 14,6%. As fábricas chinesas conseguiram conquistar espaço em outros mercados, com as exportações para a África saltando 25,8% e as para o bloco ASEAN de países do Sudeste Asiático subindo 13,4%. Os embarques destinados à UE cresceram 8,4%.
As exportações chinesas de terras raras em 2025 atingiram seu nível mais alto desde pelo menos 2014, mesmo com Pequim começando a restringir os embarques de vários elementos de peso médio a pesado a partir de abril - uma medida que analistas interpretaram como uma tentativa de demonstrar sua influência sobre Washington enquanto negociadores discutiam sobre compras de soja, um possível acordo com a Boeing para aeronaves e o futuro das operações do TikTok nos EUA.
O maior importador agrícola do mundo adquiriu um volume recorde de soja em 2025, impulsionado por um forte aumento nas remessas da América do Sul, já que os compradores chineses evitaram as safras americanas durante grande parte do ano devido às tensões comerciais persistentes.
Fator Trump ainda tem grande impacto
Economistas preveem que a China continuará ganhando participação no mercado global este ano, impulsionada pela criação de centros de produção no exterior por empresas chinesas, que proporcionam acesso a tarifas mais baixas nos Estados Unidos e na União Europeia, bem como pela forte demanda por chips de menor qualidade e outros componentes eletrônicos.
Pequim, no entanto, tem demonstrado reconhecer que precisa moderar suas exportações industriais para manter seu sucesso e lidar com o problema de imagem causado pelas exportações excessivas.
Na semana passada, o governo britânico eliminou os incentivos fiscais para exportação, semelhantes a subsídios, para o setor de energia solar, um ponto de atrito antigo com os países da UE.
O desafio de Trump à China também não vai desaparecer tão cedo, observam os analistas, mesmo com a possibilidade de a Suprema Corte dos EUA se pronunciar contra os aumentos tarifários do presidente ainda nesta quarta-feira.
Na terça-feira, Trump disse acreditar que a China pode abrir seus mercados para produtos americanos, depois de ter ameaçado, um dia antes, impor uma tarifa de 25% sobre os países que comercializam com o Irã, arriscando reabrir antigas feridas com Pequim, o maior parceiro comercial de Teerã.
"A ameaça de Trump de impor uma tarifa de 25% aos países que fazem negócios com o Irã ressalta o potencial para o aumento das tensões comerciais entre os EUA e a China ", disse Zichun Huang, economista para a China da Capital Economics.
Plataforma do governo vai permitir consulta ao cashback da reforma tributária; entenda
Lula cria comitê gestor da reforma tributária e lança plataforma para novo sistema O governo federal lançou nesta terça-feira (13) a plataforma digital da reforma tributária, que vai permitir a contribuintes e empresas acompanhar, simular e testar as novas regras do sistema de impostos sobre o consumo. Entre as funcionalidades está a possibilidade de consultar e simular o chamado cashback — mecanismo que prevê a devolução de parte dos tributos pagos por famílias de baixa renda. O sistema, ainda não completamente em operação, poderá ser acessado pelo portal gov.br e faz parte da estratégia de transição para o novo modelo tributário, que começa a valer efetivamente em 2027. Comitê gestor do IBS O lançamento ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar, com vetos, a lei que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O novo imposto vai substituir tributos estaduais e municipais, como ICMS e ISS. O comitê será responsável por administrar, fiscalizar e coordenar a operacionalização do IBS. Segundo o governo, União, estados e municípios atuarão de forma integrada na gestão do imposto. Plataforma em fase de testes A plataforma foi lançada oficialmente nesta semana e funcionará, ao longo de 2026, como um ambiente de testes e simulações. Nesse período, não haverá cobrança efetiva dos novos tributos. Por meio do sistema, será possível: simular o pagamento de tributos; simular pedidos de ressarcimento; acompanhar, em tempo real, valores a pagar e créditos a receber; simular o funcionamento do cashback, para quem tiver direito. A simulação cobre todo o processo: desde a emissão do documento fiscal, com uso de um software da Receita Federal, até o cálculo do imposto. Quem pode usar Neste primeiro momento, a plataforma é voltada principalmente a empresas, contribuintes com CNPJ e profissionais da área contábil que emitem nota fiscal. O acesso é feito pelo gov.br. Pessoas físicas também poderão se cadastrar para consultar notas fiscais emitidas em seus CPFs, o que será relevante para o acompanhamento futuro do cashback. Segundo a Receita Federal, o sistema já está em operação. “A plataforma está disponível a partir de hoje. Ela está funcional e já está processando os dados dos documentos fiscais recebidos na última semana. Este é um ano de testes, sem efeito tributário”, afirmou o subsecretário de Gestão Corporativa da Receita, Juliano Neves. Dois novos impostos A reforma tributária cria dois impostos que substituem cinco tributos atuais: CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — de competência federal; IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) — de competência estadual e municipal. Além disso, a reforma institui o Imposto Seletivo, que incide sobre produtos e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Como vai funcionar o cashback O cashback prevê a devolução de parte dos impostos pagos por famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). O benefício entra em vigor em janeiro de 2027. Há dois formatos previstos: Cashback desconto Aplicado diretamente em contas de serviços essenciais, como água, gás encanado e energia elétrica. Nesse caso, o desconto já vem embutido na fatura. “Não é exatamente uma devolução. O imposto é calculado, mas o valor correspondente ao cashback é abatido automaticamente”, explica Rodrigo Orair, assessor da Secretaria Executiva da Reforma Tributária. Cashback devolução Nesse modelo, a família se identifica pelo CPF na compra — por exemplo, em supermercados ou farmácias — e recebe posteriormente a devolução de parte do imposto pago. Segundo a lei, a devolução mínima será de 20% do valor da CBS paga, percentual que pode ser ampliado por decisão do governo. O crédito será feito em conta na Caixa Econômica Federal. Transição longa A reforma tributária começa a funcionar de forma plena em 2027, mas a transição do sistema antigo para o novo deve durar cinco anos, até 2032. De acordo com o Serpro, responsável pelo desenvolvimento da plataforma, a expectativa é que o sistema monitore cerca de 500 bilhões de eventos fiscais e financeiros já no primeiro ano de operação, em 2027.
Suprema Corte dos EUA pode decidir nesta quarta sobre legalidade do tarifaço de Trump

Trump anuncia tarifas recíprocas
REUTERS/Carlos Barria
A Suprema Corte dos Estados Unidos pode anunciar nesta quarta-feira (14) sua decisão sobre a legalidade do amplo aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump à importação de produtos de diversos países, entre eles o Brasil.
A instância máxima da Justiça americana indicou na última semana que pode divulgar hoje, em plenário, decisões de casos já julgados pelos juízes — o que pode incluir o tarifaço. A Corte, no entanto, não informa com antecedência quais temas serão apreciados.
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A análise das tarifas de Trump envolve um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que concluiu que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor a maior parte das taxas globais com base em uma lei federal destinada a situações de emergência. (leia mais abaixo)
Na prática, a esperada decisão sobre o tarifaço deve definir os limites do poder do republicano para agir sem o aval do Congresso americano — e pode afetar medidas aplicadas contra o Brasil. O processo judicial se arrasta desde o meio de 2025.
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Além disso, nesta quarta, a Suprema Corte pode estabelecer parâmetros para outros casos relevantes, definindo o alcance da autoridade de Trump. O republicano tem testado os poderes do poder Executivo ao adotar políticas de forma unilateral e interferir na dinâmica do comércio global.
A briga judicial
A Suprema Corte dos EUA decidiu em setembro passado analisar a legalidade do tarifaço imposto por Donald Trump, após o governo recorrer da decisão de um tribunal de apelações, que concluiu que a maioria das tarifas não tem respaldo legal.
As ações contra as taxas foram apresentadas por empresas impactadas pelo tarifaço e por 12 estados americanos, a maioria administrada por democratas.
Além dos limites do poder de decisão de Trump, estão em jogo trilhões de dólares em tarifas alfandegárias ao longo da próxima década. O presidente americano já defendeu que as cobranças são um "remédio" necessário para a economia americana.
Em 5 de novembro, durante as sustentações orais do caso, os juízes da Suprema Corte levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas impostas por Trump. O debate durou mais de 2h30.
O principal ponto das discussões foi avaliar se o presidente havia ultrapassado a competência do Congresso americano ao impor tarifas com base em uma lei de 1977, originalmente prevista para ser aplicada em situações de emergência nacional.
Segundo a agência Reuters, alguns juízes conservadores afirmaram que a Corte estava debatendo o poder "inerente" dos presidentes ao lidar com outros países — na prática, isso indica uma possível divisão sobre o resultado do caso. O tribunal possui maioria conservadora de 6 a 3.
Críticas de Trump
Em agosto de 2025, Donald Trump criticou a decisão do tribunal de apelações, que declarou ilegais a maior parte das tarifas impostas por ele.
Na ocasião, o tribunal determinou que as tarifas continuassem em vigor até 14 de outubro, concedendo ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte. Ao levar o caso à instância superior, o tarifaço permaneceu em vigor.
O republicano afirmou que o tribunal de apelações — que classificou como “altamente partidário” — errou ao determinar a suspensão das tarifas. Ele acrescentou que, “com a ajuda da Suprema Corte dos EUA”, pretende manter a taxação.
“Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos. (...) Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA”, publicou ele na Truth Social.
Na prática, Trump fez das tarifas um eixo de sua política externa no segundo mandato, usando-as para pressionar e renegociar acordos com países exportadores aos EUA. A estratégia permitiu obter concessões econômicas, mas aumentou a instabilidade nos mercados financeiros.
Balanço 2025: efeitos do tarifaço foram menores do que o esperado na economia; bolsa subiu e dólar recuou
O que acontece se as tarifas forem suspensas?
Se a Suprema Corte declarar as tarifas ilegais, a estratégia comercial de Trump pode ser completamente alterada, incluindo o tarifaço anunciado em abril de 2025.
Além de derrubar as taxas, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões de dólares arrecadados com as tarifas, que funcionam como impostos sobre importações.
Segundo apuração da BBC, poucas empresas, no entanto, esperam uma vitória na Suprema Corte.
"Esperamos que isso seja considerado ilegal, mas também estamos nos preparando para o caso de se elas se consolidarem", disse Bill Harris, cofundador da Cooperative Coffees, cooperativa sediada na Geórgia (EUA), à BBC.
A empresa, que importa café de mais de uma dezena de países, pagou cerca de US$ 1,3 milhão (R$ 7,4 milhões) em tarifas entre abril e novembro do ano passado.
Tarifas sobre produtos brasileiros
Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%.
A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que deixou de fora da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A taxação entrou em vigor em 6 de agosto.
Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes da decisão, em discurso na ONU, o republicano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula.
Enquanto as discussões sobre o tarifaço perderam espaço no noticiário diante da prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por agentes americanos — e de outros fatores geopolíticos —, os rumos da política tarifária voltaram ao radar à espera da decisão da Suprema Corte dos EUA.
O tarifaço de Trump vai cair? Como a decisão da Suprema Corte pode afetar o dólar e o mercado global

Suprema Corte dos Estados Unidos.
AP Photo/J. Scott Applewhite, File
A Suprema Corte dos Estados Unidos deve se manifestar nesta quarta-feira (14) sobre a legalidade do chamado tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump a diversos países.
O julgamento vai decidir se Trump podia impor tarifas de forma unilateral, sem aval do Congresso. A decisão é vista por analistas como um divisor de águas, com potencial para afetar o dólar, os juros, o comércio global e também a economia brasileira.
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Pela Constituição dos EUA, cabe ao Congresso criar impostos e tarifas. Trump, no entanto, sustenta que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais.
Embora a lei já tenha sido usada para embasar sanções e restrições comerciais, nunca havia servido de base para tarifas de alcance tão amplo. Esse é justamente o ponto questionado por empresas e governos estaduais americanos.
Até agora, três instâncias inferiores da Justiça rejeitaram os argumentos da defesa do governo dos EUA. A palavra final ficará com a Suprema Corte.
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O que acontece se Trump ganhar?
Se a Corte decidir a favor de Trump, as tarifas impostas desde abril de 2025 — que variam de 10% a 50% — continuam em vigor e passam a ser consideradas legais.
Na avaliação de Jackson Campos, especialista em comércio exterior, uma decisão favorável consolida as tarifas como instrumento legítimo de política econômica.
“Isso reforça o uso de medidas unilaterais e aumenta o risco de novos aumentos tarifários, mantendo o ambiente comercial instável”, afirma.
Do ponto de vista financeiro, o cenário tende a fortalecer o dólar. “Tarifas geram inflação, que exige juros altos, que fortalecem o dólar”, explica Sérgio Brotto, CEO da Dascam Corretora de Câmbio.
Tarifas mais altas também tornam os produtos importados mais caros, o que aumenta os preços dentro do país e faz a inflação subir. Para controlar isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) costuma manter os juros altos por mais tempo.
▶️ Juros altos tornam os investimentos nos EUA mais atraentes, atraindo capital estrangeiro e aumentando a demanda por dólares e dando mais força à moeda americana.
“Isso transforma os EUA em um verdadeiro ‘aspirador de capital’, atraindo investimentos globais para a renda fixa americana”, diz Brotto.
Os preços ao consumidor nos EUA subiram 0,3% em dezembro, após uma queda artificial em novembro influenciada por efeitos temporários da paralisação do governo. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 2,7%, acima da meta de 2%.
Esse cenário aumenta a expectativa de que o Fed mantenha os juros inalterados na próxima reunião, nos dias 27 e 28 de janeiro, contrariando mais uma vez a pressão de Trump para reduzir as taxas.
O que acontece se Trump perder?
Se a Suprema Corte considerar as tarifas ilegais, a cobrança tende a ser suspensa, mas isso não significa devolução automática do dinheiro já arrecadado, segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior.
“Parte das tarifas já recolhidas pode ser reembolsada, mas isso depende de ações administrativas e judiciais individuais das empresas”, afirma.
🔎 Ou seja, companhias que pagaram as tarifas terão de entrar com pedidos específicos para tentar recuperar os valores.
Trump já alertou para o impacto financeiro de uma eventual derrota. Em postagem na rede Truth Social na segunda-feira, ele afirmou que uma decisão contrária poderia obrigar os EUA a devolver centenas de bilhões de dólares e gerar um cenário de “completo caos”.
Para o mercado financeiro, a derrota de Trump tende a enfraquecer o dólar. “Sem a pressão inflacionária das tarifas, o Fed ganha espaço para cortar juros, o que torna o dólar menos atrativo”, diz Campos.
Nesse cenário, os investidores ficam mais dispostos a correr riscos e aplicar recursos em mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Na prática, isso significa:
O dólar perde força no mercado internacional;
Aumenta a entrada de capital em países emergentes;
O real tende a se valorizar frente ao dólar;
As expectativas de juros no Brasil podem cair.
As tarifas acabam de vez?
Mesmo em caso de derrota, o governo Trump já sinalizou que pode buscar outras bases legais para impor tarifas, como regras de segurança nacional ou alegar práticas comerciais desleais.
Isso significa que o julgamento não elimina totalmente a incerteza, mas reduz o poder do presidente de agir de forma repentina e unilateral.
“O principal efeito no curto prazo não é financeiro, mas a redução da insegurança jurídica”, avalia Campos.
Independentemente do desfecho, a decisão deve afetar pelo menos US$ 90 bilhões (R$ 483 bilhões) em tributos de importação já recolhidos. Isso é o equivalente a aproximadamente metade da receita tarifária arrecadada pelos EUA em 2025 até setembro, segundo analistas do banco Wells Fargo.
"Para a economia dos EUA, a derrubada das tarifas tende a reduzir custos de importação, aliviar pressões inflacionárias e melhorar a competitividade da indústria. Por outro lado, há perda de arrecadação e impacto político interno", afirma Jackson Campos.
No Brasil, os efeitos para o Brasil variam conforme o desfecho do julgamento, de acordo com o especialista.
Se Trump vencer, exportadores brasileiros tendem a continuar enfrentando custos elevados, perda de competitividade, e um ambiente comercial marcado por instabilidade e mudanças frequentes nas regras.
Já em caso de derrota do presidente americano, abre-se espaço para a retomada das exportações, com preços mais previsíveis e menor pressão sobre o câmbio.
Atualmente, as exportações do Brasil para os EUA se distribuem, de forma geral, em dois grupos: produtos que entram no país sem tarifas adicionais e mercadorias sujeitas a uma sobretaxa de 40%.
Em 2025, Donald Trump aplicou tarifas sobre produtos brasileiros em três momentos-chave:
Começou com 10% em abril, de taxa ampla para todos os produtos;
A tarifa subiu para até 50% em julho, com entrada em vigor em agosto e uma lista de 700 itens excluídos do tarifaço;
Em novembro, a tarifa de 10% foi retirada, mantendo apenas a taxa maior sobre determinados produtos e foram retiradas as tarifas de 40% para uma nova lista de produtos, incluindo café, carnes e frutas.
Prazo para Lula sancionar ou vetar Orçamento de 2026 com R$ 61 bilhões em emendas se encerra nesta quarta

Lula tem até esta quarta (14) para sancionar ou vetar o orçamento de 2026 aprovado pelo Congresso
O prazo para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifeste a respeito da proposta que prevê o Orçamento para 2026, que reserva de R$ 61 bilhões para emendas parlamentares, se encerra nesta quarta-feira (14).
O projeto foi aprovado no fim do ano passado por votação simbólica no Congresso Nacional. O texto também prevê um superávit de R$ 34,5 bilhões nas contas do governo para este ano. Em paralelo, a proposta incluiu cortes em despesas previdenciárias e programas como o Pé de Meia e Auxílio Gás.
🔎 Emendas parlamentares são recursos reservados no Orçamento que são executados conforme indicações de deputados e senadores. Já a meta fiscal é uma estimativa de despesas e receitas que o governo estabelece com objetivo de tentar equilibrar as contas públicas.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central – a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.
A proposta ainda estabelece o piso mínimo de R$ 83 bilhões para investimentos públicos (leia mais abaixo).
Lula pode sancionar de forma integral ou parcial, vetar ou não se manifestar a respeito do projeto aprovado pelo Congresso Nacional.
Se o presidente não se manifestar, a Constituição Federal prevê que o projeto é considerado sancionado. Nesse caso, o presidente Lula terá 48 horas para promulgar o projeto.
Na semana passada, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que o presidente Lula deve cortar cerca de R$ 11 bilhões em emendas aprovadas pelo Congresso. O governo, no entanto, estava estudando se seria por veto, bloqueio do recurso ou remanejamento.
Segundo Rui Costa, há uma regra, definida por julgamento do Supremo Tribunal Federal, que define o volume de emendas e como elas podem crescer.
O presidente Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto em dezembro de 2025
Ricardo Stuckert/Presidência da República
Emendas parlamentares
💰 O relatório prevê uma reserva de cerca de R$ 61 bilhões em emendas.
💰 Desse valor, R$ 49,9 bilhões são emendas que ficam sob controle dos parlamentares, incluindo emendas individuais, de bancada e de comissão.
A maior parte é destinada às emendas com execução obrigatória pelo governo (individuais e estaduais). Neste ano, cerca de R$ 37,8 bilhões serão destinados a emendas impositivas (de pagamento obrigatório).
As emendas impositivas são de dois tipos:
individuais (dirigidas a cada senador e deputado): R$ 26,6 bilhões; e
de bancada (destinadas às bancadas estaduais): R$ 11,2 bilhões.
Há ainda reserva para o pagamento das emendas de comissão, que não têm execução obrigatória e dependem de liberação do Planalto.
O montante destinado a essa categoria ficará em R$ 12,1 bilhões. Além disso, o texto prevê R$ 11,1 bilhões como parcelas adicionais, para despesas discricionárias e para projetos selecionados no Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC).
Cortes em programas sociais
O Orçamento aprovado prevê cortes em gastos obrigatórios como despesas previdenciárias e programas, como o Pé de Meia, uma espécie de bolsa para estudantes do Ensino Médio.
O relator, deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), também previu um corte de R$ 6,2 bilhões em despesas com o Regime Geral da Previdência Social. As previsões de despesas saíram de R$ 1,134 trilhão para R$ 1,128 trilhão.
Já os investimentos no Pé de Meia caíram R$ 436 milhões em relação à peça Orçamentária de 2025, saindo de R$ 12 bilhões para R$ 11,46 bilhões.
O relator também previu corte de R$ 300.742.335 para o Auxílio Gás, saindo de R$ 5,1 bilhões para R$ 4,73 bilhões, o equivalente a cortar o benefício mensal para 2,7 milhões de pessoas se considerado o valor médio de R$ 110 do benefício.
Investimentos
A proposta determina ainda um piso mínimo de R$ 83 bilhões para investimentos públicos. O valor se refere ao piso de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), valor que precisa ser destinado a investimentos, segundo a regra do arcabouço fiscal. O PIB estimado para 2026 corresponde a R$ 13.826,2 bilhões.
🔎 Os investimentos são uma parcela das chamadas "despesas discricionárias" — que o governo não é obrigado a gastar. Ou seja, precisam estar previstos no Orçamento, mas, em caso de aperto financeiro, costumam ser contingenciados.
O governo deve priorizar as obras públicas do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), que sofrem com restrições de recursos e paralisações.
Mega-Sena, concurso 2.959: prêmio acumula e vai a R$ 35 milhões

G1 | Loterias - Mega-Sena 2959
O sorteio do concurso 2.959 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (13), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 35 milhões.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
Veja os números sorteados: 18 - 26 - 35 - 41 - 44 - 45
5 acertos - 27 apostas ganhadoras: R$ 58.801,80
4 acertos - 1.883 apostas ganhadoras: R$ 1.389,80
O próximo sorteio da Mega será na quinta-feira (15).
Mega-Sena, concurso 2.959
Reprodução/Caixa
Como funciona a Mega-sena
A
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Bilhetes da Mega-Sena, em imagem de arquivo
Marcelo Brandt/G1
Banco Master: relator da inspeção do TCU no Banco Central afirma que 'não há conclusão formada'

TCU anuncia que o Banco Central concordou com uma inspeção sobre Banco Master
O ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou nesta terça-feira e conversa com o blog que a inspeção a ser conduzida pela área técnica do TCU no Banco Central do Brasil (BC), a respeito da liquidação do Banco Master, será avaliada pelo seu gabinete, como relator do caso, e votada pelo plenário do tribunal.
“Não há conclusão formada antes da verificação técnica dos fatos”, disse o ministro.
O ministro afirmou que foi sorteado para ser relator depois de o Ministério Público de Contas enviar, em dezembro de 2025, dois pedidos de diligências sobre o negócio entre o BRB com o Master e sobre as tratativas finais de liquidação.
Técnicos do TCU devem iniciar nesta semana a inspeção no BC. O guia das averiguações será a resposta do Banco Central ao Tribunal de Contas da União, em que explicou o histórico do processo que terminou com a liquidação do banco.
Há, entretanto, dois focos centrais:
os indícios já em 2024 de que o Banco Master estava com problemas de liquidez; e
como se deu a decisão de liquidação, mesmo com uma proposta de aquisição pela Fictor, com ajuda de um fundo áreabe.
A inspeção ficará a cargo da área do TCU que responde pela fiscalização de bancos, a AudBancos.
Exdeputado federal, Jhonatan de Jesus, atual ministro do Tribunal de Contas da União
Reprodução/Instagram/jhonatandejesus
Reunião com BC
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro do Vital do Rêgo Filho, além de Jhonatan de Jesus e outros integrantes de TCU se reuniram na segunda-feira (12) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na sede do BC. O BC, no entanto, ainda não se manifestou sobre as declarações do presidente do TCU.
Após o encontro, Vital afirmou que a inspeção no processo de liquidação do banco Master traz "segurança jurídica" para o processo. Segundo o ministro, o processo todo deve durar menos de um mês.
O objetivo, segundo Vital do Rêgo, era encontrar uma forma de conciliar o poder de fiscalização do TCU com a autonomia do BC, que questionava a possibilidade de inspeção técnica em suas dependências.
O pano de fundo do encontro é a liquidação do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, determinada pelo Banco Central e analisada pelo TCU.
Entenda o caso
Na última semana, a relação entre as duas instituições degringolou após Jhonatan de Jesus determinar uma inspeção nos documentos do BC.
No entendimento do ministro, faltavam informações para embasar as explicações dadas pela autoridade monetária sobre a liquidação, decretada em novembro.
O BC reagiu à decisão e recorreu, argumentando que o procedimento não poderia ser determinado por um único ministro, mas deveria ser submetido à deliberação do colegiado do TCU.
Jesus acolheu o pedido, ou seja, decidiu levar a discussão sobre a inspeção ao plenário, mas deixou clara a sua insatisfação com o questionamento do BC. O BC desisitiu do pedido após a reunião da segunda.
Em um dos trechos do despacho, o ministro disse que "sob o ângulo regimental, não procede à premissa de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado".
Além disso, Jhonatan de Jesus afirmou que o recuo se deu diante da "dimensão pública" que o caso ganhou.
"Ocorre que a dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do Plenário, instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria", afirmou o relator.
Antes mesmo da determinação da inspeção, as explicações solicitadas por Jhonatan de Jesus já haviam sido alvo de críticas. No mesmo dia em que mandou o BC responder, em até 72 horas, sobre o que fundamentou a liquidação do banco de Vorcaro, instituições do setor bancário reagiram.
Em nota, a Federação Brasileira de Bancos manifestou plena confiança na decisão do BC.
Afirmou que "a solidez e a resiliência do setor bancário e a independência do regulador do sistema financeiro são um ativo e um patrimônio nacional".
"A força do setor bancário se alicerça na força do regulador, que somente se sustenta com respeito, credibilidade e dignidade institucional, pilares que sempre forjaram a atuação do Banco Central brasileiro", disse a entidade.
Petróleo sobe mais de US$ 1 por barril com possível redução de oferta do Irã

Os preços do petróleo no mercado internacional subiram mais de 2% nesta terça-feira (13), com a perspectiva de interrupções nas exportações da commodity do Irã ofuscando o possível aumento da oferta por parte da Venezuela.
Os contratos futuros do Brent (referência internacional) saltaram US$ 1,60 (+2,5%), para fechar a US$ 65,47 (R$ 351,99). Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, fechou a US$ 61,15 (R$ 328,77) por barril, com alta de US$ 1,65 (+2,8%).
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"O mercado de petróleo está criando alguma proteção de preço contra fatores geopolíticos", disse John Evans, analista da PVM Oil Associates, destacando a possível exclusão das exportações do Irã, problemas na Venezuela, negociações sobre a guerra da Rússia na Ucrânia e o interesse dos Estados Unidos em assumir o controle da Groenlândia.
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O Irã, um dos principais produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), está enfrentando suas maiores manifestações contra o governo em anos.
A repressão do governo contra os manifestantes, que, segundo uma autoridade iraniana, já matou cerca de 2.000 pessoas e levou à prisão de milhares de outras, provocou um alerta do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre uma possível ação militar.
Na véspera, Trump disse que qualquer país que fizer negócios com o Irã estará sujeito a uma tarifa de 25% sobre qualquer negócio realizado com os Estados Unidos. A China é o maior cliente do petróleo iraniano.
"Não acho que a China, por exemplo, vá se afastar dos barris iranianos, mas se o fizesse, e se todos o fizessem, isso reduziria os suprimentos globais em 3,3 milhões de barris por dia que atualmente são fornecidos ao mercado pelo Irã", disse Bob Yawger, da Mizuho Securities em Nova York.
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Na terça-feira, Trump postou em seu site de mídia social que os manifestantes no Irã deveriam "assumir suas instituições" e que "a ajuda está a caminho".
Trump disse que havia cancelado reuniões com autoridades iranianas até que as mortes dos manifestantes parassem. Os preços do petróleo subiram brevemente mais de 3%, atingindo uma alta de três meses após a declaração.
Também sinalizando um abastecimento mais restrito à frente, quatro petroleiros gerenciados pela Grécia foram atingidos por drones não identificados nesta terça-feira. Os petroleiros estavam no Mar Negro a caminho do carregamento de petróleo no terminal do Caspian Pipeline Consortium, na costa russa, disseram oito fontes à Reuters.
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Divulgação/ BP
Família do RS perde 48 vacas leiteiras em três dias e prejuízo chega a R$ 600 mil; suspeita é de intoxicação

Suspeita é de intoxicação por excesso de nitrito
Divulgação/Secretaria de Agricultura Novo Xingu
Uma família de agricultores perdeu 48 vacas leiteiras em um intervalo de três dias em Novo Xingu, município com 1,6 mil habitantes no Norte do Rio Grande do Sul. O caso começou no dia 2 de janeiro, em uma propriedade na Linha Cotia, área rural do município. A principal suspeita é de intoxicação dos animais por excesso de nitrito.
A família trabalha há cerca de 30 anos com vacas leiteiras, além de suínos e soja. O prejuízo com a perda dos bovinos é estimado em R$ 600 mil, afetando a renda bruta mensal, que varia de R$ 80 mil a R$ 100 mil.
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Segundo Ana Paula Witter, filha do proprietário, o pai, Vanderlei Witter, 44 anos, encontrou quatro vacas mortas ao conferir o rebanho por volta das 5h30, antes da ordenha.
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"Quando o pai chegou com o rebanho pra ordenhar, ele disse pra gente que encontrou os animais mortos e quando fomos ordenhar as vacas, a gente notou que elas babavam, ficaram ofegantes, deitavam e não conseguiam mais levantar", relatou Ana.
A família acionou veterinários e o Poder Público ainda pela manhã. De acordo com o secretário de Agricultura e Pecuária do município, Sérgio Celso Tasso, até o fim da tarde do dia 2, 15 animais já haviam sido enterrados.
A Inspetoria Veterinária de Constantina, responsável pela região, coletou amostras de vísceras de dois animais, além de água, ração e silagem. Também foram recolhidas amostras de pastagens de Capim Sudão, Gramas Tifton e Papua.
O problema continuou na propriedade. Na manhã do sábado (3), o proprietário encontrou mais 16 vacas mortas. Outras 10 coletas de amostras sorológicas foram feitas nos animais vivos. No domingo, o número total de mortes chegou a 48.
"A principal suspeita é de intoxicação nas plantas, em função dos dias de chuva e falta de luminosidade que afetou o processo de fotossíntese", explicou Sérgio.
Ainda não há prazo para o resultado das análises. O secretário teme que o laudo seja inconclusivo, como já ocorreu em casos semelhantes no estado.
Uma campanha de apoio foi criada por pessoas ligadas à família e moradores de Novo Xingu. A iniciativa arrecada doações de animais e dinheiro. Mais de oito vacas já foram doadas por pessoas da região.
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Trump diz para manifestantes iranianos 'guardarem nomes dos abusadores'

Trump diz para manifestantes iranianos 'guardarem nomes dos abusadores' Antes de embarcar para o evento, o presidente americano já havia mandado uma mensagem direta aos manifestantes iranianos. Pediu que os protestos continuem e afirmou que 'ajuda está a caminho'. Em mensagem direta a manifestantes do Irã, antes de deixar a Casa Branca, Trump pediu que eles sigam protestando e afirmou que a "ajuda" dos EUA "está a caminho".. Um dia antes, nesta segunda-feira (12), o presidente americano anunciou que irá impor uma tarifa de 25% a todos os países que fizerem negócios com o Irã.. Também nesta segunda, Trump intensificou a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) ao ameaçar indiciar o presidente da instituição, Jerome Powell, que reagiu expondo a "pressão política inédita".. A repressão aos protestos no Irã deixaram 2 mil mortos, e o governo iraniano marcou para amanhã a primeira execução de um manifestante.
Lula cria comitê gestor da reforma tributária e lança plataforma para novo sistema

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou com vetos a lei que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tributo que vai substituir o ICMS e o ISS e será compartilhado entre estados, Distrito Federal e municípios nesta terça-feira (13). O Palácio do Planalto não informou os trechos da lei vetados.
O comitê será responsável por administração, fiscalização e coordenação a operacionalização do novo imposto. Segundo o governo, a União, os estados e os municípios vão atuar de forma integrada na gestão do novo imposto.
💻 O governo também lança a Plataforma Digital da Reforma Tributária, que deve dar suporte à nova estrutura tecnológica do sistema tributário brasileiro.
O evento contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
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A partir de agora, ficam estabelecidas as regras de fiscalização do imposto, de devolução de créditos e do cashback tributário, mecanismo de compensação voltado a famílias de baixa renda.
Outro ponto previsto na lei é a obrigatoriedade de progressividade do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), cobrado pelos estados.
As alíquotas continuarão sendo definidas por cada unidade da federação.
Empresas começam 2026 com o desafio de se adaptarem às novas regras da reforma tributária
Jornal Nacional/ Reprodução
Plataforma da Reforma Tributária do Consumo (RTC)
A plataforma digital da reforma tributária poderá ser acessada por meio do portal "gov.br" e vai concentrar serviços como por exemplo, a calculadora de tributos e o acompanhamento, em tempo real, de valores a pagar e créditos a receber.
Segundo o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que desenvolveu a plataforma, a expectativa é que o sistema monitore cerca de 500 bilhões de eventos fiscais e financeiros já no primeiro ano de operação.
Todo o processamento é feito sob a gestão do Estado, para garantir a autonomia tecnológica, proteção de dados e continuidade operacional.
Segundo o secretário Robinson Barreirinhas, da Receita Federal, as pessoas de baixa renda também vão poder, por meio da plataforma, acompanhar a devolução dos tributos.
Ano sem cobrança de IBS
🔎Durante todo o ano de 2026, não haverá cobrança do IBS nem da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
As alíquotas de 0,1% para o IBS e de 0,9% para a CBS terão caráter apenas informativo e constarão nas notas fiscais sem gerar recolhimento.
➡️As empresas terão prazo para adaptação sem aplicação de penalidades.
➡️Já os microempreendedores individuais (MEI) e empresas optantes pelo Simples Nacional estão dispensados da obrigação de informar as alíquotas neste primeiro momento.
➡️Segundo a Receita Federal, não há impacto nos preços para os consumidores nem mudanças nas regras para trabalhadores autônomos ou motoristas de aplicativos.
Reforma tributária
O Congresso Nacional concluiu em dezembro do ano passado a regulamentação da reforma tributária, quando estabeleceu o comitê gestor do IBS.
Argentina encerra 2025 com inflação de 31,5%, a mais baixa desde 2017

Entenda por que, na Argentina, jornal e DVD contam mais que streaming na inflação
A Argentina encerrou 2025 com inflação de 31,5%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), divulgado nesta terça-feira (13) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
O resultado ficou bem abaixo dos 117,8% registrados em 2024 e é o menor valor desde 2017. Em dezembro, o indicador acelerou pelo quarto mês consecutivo, a 2,8% no mês, acima dos 2,5% registrados em novembro.
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Os dados do Indec mostram que o índice oficial de preços da Argentina apresentou forte melhora no ritmo mensal ao longo de 2024, primeiro ano da gestão do presidente Javier Milei.
Em 2025, no entanto, a taxa mensal permaneceu entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%. O cenário se tornou menos favorável a partir de maio, quando os números passaram a indicar uma aceleração gradual da inflação.
O país passou por um forte ajuste econômico sob o comando de Milei. No segundo semestre de 2025, uma crise política afetou as expectativas, e o líder argentino buscou o apoio de Donald Trump, nos Estados Unidos, para conter a instabilidade nos mercados e no câmbio. (leia mais abaixo)
Ajuste econômico e impacto nos preços
A Argentina, que já vinha enfrentando uma forte recessão, passa por uma ampla reforma econômica. Após tomar posse, em dezembro de 2023, Milei decidiu paralisar obras federais e interromper o repasse de dinheiro para os estados.
Foram retirados subsídios às tarifas de água, gás, luz, transporte público e serviços essenciais. Com isso, houve um aumento expressivo nos preços ao consumidor.
O país também observou uma intensificação da pobreza no primeiro semestre de 2024, com 52,9% da população nessa situação. Já no primeiro semestre de 2025, o percentual caiu para 31%.
Por outro lado, o presidente conseguiu uma sequência de superávits (arrecadação maior do que gastos) e retomada da confiança de parte dos investidores.
Crise política
No terceiro trimestre de 2025, no entanto, Milei passou a enfrentar uma forte crise política após um escândalo envolvendo Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente.
Um áudio gravado por um ex-aliado de Javier Milei, no qual Karina é acusada de corrupção, vazou para a imprensa e está sendo investigado pela Justiça. Leia mais aqui.
Em meio à crise, Javier Milei sofreu uma dura derrota, em setembro, nas eleições da província de Buenos Aires — a mais importante da Argentina, que concentra quase 40% do eleitorado nacional.
Os reflexos foram sentidos no mercado: os títulos públicos, as ações das empresas e o peso argentino despencaram um dia após o pleito.
Com o resultado, a moeda argentina atingiu seu menor valor histórico até então, cotada a 1.423 por dólar. Ao longo de 2025, o peso derreteu quase 40% frente ao dólar, encerrando a 1.451,50, em um cenário bastante prejudicial para a inflação.
Apoio de Trump e vitória nas eleições de meio de mandato
O pessimismo no mercado surgiu após investidores demonstrarem preocupação de que o governo de Javier Milei não conseguiria avançar com sua agenda de cortes de gastos e reestruturação das contas públicas na Argentina.
A partir de então, ocorreram sucessivas quedas do peso em relação ao dólar, levando o Banco Central da Argentina a retomar intervenções no câmbio para controlar a disparada da moeda norte-americana. (leia mais abaixo)
A volatilidade só começou a ceder depois que o governo dos EUA anunciou apoio à Argentina. Em 20 de outubro, os países oficializaram um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões. Além disso, foi prometido outro incentivo do mesmo valor, elevando o socorro financeiro para US$ 40 bilhões.
Na prática, as medidas aumentam o volume de dólares nas reservas argentinas e buscam recuperar a confiança dos investidores.
Após a confirmação do apoio financeiro pelo governo de Donald Trump, Javier Milei obteve, em 26 de outubro, uma vitória importante nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado, o que ajudou a conter a disparada do dólar — e pode garantir a continuidade das reformas do atual governo.
Trump condiciona ajuda de US$ 20 bilhões para Argentina à vitória de Javier Milei
Acordo com o FMI
No início do governo Milei, a melhora nos indicadores econômicos fez com que o líder alcançasse, em abril de 2025, um acordo de US$ 20 bilhões em empréstimos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A primeira parcela, de US$ 12 bilhões, foi disponibilizada ao país poucos dias depois.
O repasse dos recursos representa um voto de confiança do fundo internacional no programa econômico do presidente argentino. Os valores anunciados se somam a dívidas antigas do país junto ao FMI, que já superavam os US$ 40 bilhões.
Nesse cenário, reduzir a inflação é fundamental para o governo do líder argentino, que deseja eliminar completamente os controles de capitais que prejudicam os negócios e os investimentos. Para isso, Milei quer que a inflação permaneça abaixo de 2% ao mês.
Logo após o acordo com o FMI, o banco central da Argentina anunciou uma redução dos controles cambiais, o chamado “cepo”. A flexibilização determinou o fim da paridade fixa para o peso argentino e introduziu o "câmbio flutuante" — quando o valor da moeda é determinado pela oferta e demanda do mercado.
Com isso, o governo de Javier Milei passou a ensaiar o fim do sistema de restrição cambial que estava em vigor desde 2019, limitando a compra de dólares e outras moedas estrangeiras pelos argentinos. A deterioração recente nos mercados, porém, fez o país voltar a intervir no câmbio. (leia abaixo)
O presidente da Argentina, Javier Milei, faz um discurso especial durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025.
Reuters
Medidas econômicas
Nos últimos meses, o governo e o Banco Central da Argentina lançaram medidas de naturezas monetária, fiscal e cambial para injetar dólar no país, com o objetivo de fortalecer o cumprimento do acordo com o FMI para a recuperação econômica.
Em maio de 2025, o governo também anunciou sua decisão de permitir que os cidadãos utilizem dólares mantidos fora do sistema financeiro — ou seja, guardados "debaixo do colchão" — sem a obrigatoriedade de declarar a origem dos recursos.
Em 10 de junho, lançou medidas como a flexibilização no uso de pesos e dólares no mercado de títulos públicos e um plano de captação de empréstimo de US$ 2 bilhões com emissões de títulos. Além disso, se comprometeu a reduzir a emissão de moeda pelo BC.
Já na semana anterior às eleições de Buenos Aires — e em meio à forte queda do peso frente ao dólar —, o governo de Milei anunciou sua intervenção no mercado de câmbio.
O secretário de Finanças, Pablo Quirno, afirmou em 2 de setembro que o Tesouro Nacional atuaria diretamente na compra e venda de dólares para garantir oferta suficiente e evitar desvalorizações abruptas.
O objetivo do governo é estabilizar a inflação, reforçar as reservas comerciais, melhorar o câmbio e atrair investimentos, enquanto avança no rigoroso ajuste econômico promovido por Milei.
Lei Rouanet gerou R$ 3,9 bilhões em arrecadação de impostos em 2024, diz estudo

Os projetos executados com recursos da Lei Rouanet geraram R$ 3,9 bilhões em tributos municipais, estaduais e federais em todo o país em 2024. É o que mostra a Pesquisa de Impacto Econômico da Lei Rouanet, realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
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O estudo inédito, encomendado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), foi divulgado nesta terça-feira (13), durante evento realizado em São Paulo.
O levantamento mostra ainda que, a cada R$ 1 investido pelo programa, R$ 7,59 são movimentados na economia brasileira.
🔎 O valor considera os recursos aplicados em projetos da Lei Rouanet em 2024. Também leva em conta o impacto econômico total gerado, tanto pelos gastos dos próprios projetos quanto pelas despesas do público que participou das atividades.
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Segundo a pesquisa, os projetos da Lei Rouanet movimentaram, ao todo, cerca de R$ 25,7 bilhões no país em 2024. Desse total, R$ 12,6 bilhões foram gerados de forma direta (ou seja, a partir dos próprios projetos financiados) e R$ 13,1 bilhões de forma indireta (a partir dos efeitos desses projetos).
💡 A Lei Rouanet é um dos pilares do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). O mecanismo prevê incentivo fiscal, sem repasse direto de recursos públicos: o governo federal abre mão de parte da arrecadação para financiar projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura. (leia mais abaixo)
Durante o evento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que os dados reforçam a convicção de que a pasta está no caminho certo na condução das políticas públicas.
"Investir em cultura é investir em gente. Para defender a Lei Rouanet, era preciso termos dados robustos e atualizados", disse. "O que temos é um estudo com rigor tecnológico e baseado em dados oficiais, com impacto positivo na cultura, na economia e na sociedade brasileira", disse.
Segundo os organizadores da pesquisa, foram utilizadas metodologias internacionais para a mensuração da economia criativa, incluindo uma ampla análise do Pronac.
Ministra da Cultura, Margareth Menezes
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Destino dos recursos
Os novos dados também detalham as operações realizadas com recursos do programa. Ao todo, quase 90% dos gastos registrados em projetos da Lei Rouanet foram inferiores a R$ 9.999,99. Enquanto isso, os gastos abaixo de R$ 4.999,99 representaram 78,5% do total.
Para a coordenação do estudo, os números indicam que os recursos chegam na ponta — ou seja, a pequenos fornecedores e prestadores de serviços — e não se concentram em grupos específicos. O valor médio recebido pelos prestadores ficou abaixo de R$ 5 mil.
"Isso significa que você não está pagando a grandes empresas e grandes projetos. Está pagando efetivamente ao responsável pela montagem de um palco, a quem vai carregar uma caixa de som. Então, há um efeito distributivo desse recurso muito poderoso", diz Luiz Gustavo Barbosa, gerente executivo da FGV Projetos e coordenador da pesquisa.
Considerando todos os projetos da Lei Rouanet com uso de recursos em 2024, foram criados mais de 228 mil postos de trabalho, segundo o estudo. Destes, 152.701 são empregos diretos e 75.368, indiretos.
Os dados se referem a vagas geradas no ano, em tempo integral, a partir dos gastos na execução dos projetos e das despesas do público participante. Na prática, trata-se da quantidade de empregos sustentada por esses gastos.
"O Agente Secreto", que é um longa-metragem, não recebeu recursos via Lei Rouanet
O que é a Lei Rouanet?
A Lei Rouanet é um dos pilares do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Trata-se de um mecanismo de incentivo fiscal, que não prevê o repasse direto de verbas do governo.
Pela legislação, o governo federal renuncia a uma parte da arrecadação de impostos para que o valor seja investido em projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura
Criada em 1991, a lei do Pronac ficou popularmente conhecida como Lei Rouanet, em referência a Sérgio Paulo Rouanet, secretário de Cultura da Presidência entre 1991 e 1992, que apresentou a proposta durante o governo Fernando Collor.
Como funciona?
O processo de fomento não prevê repasses diretos dos cofres públicos para o artista, mas, sim, a autorização para captação de recursos no mercado, dividida em fases.
📄O produtor submete o projeto ao sistema Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic). O Ministério da Cultura analisa se o projeto cumpre os requisitos legais.
💰Com o projeto aprovado, o produtor recebe autorização para buscar patrocinadores (empresas) ou doadores (pessoas físicas que fazem a declaração completa do Imposto de Renda);
🧾A empresa pode abater até 4% do imposto de renda devido, e a pessoa física, até 6%.
🏦 O dinheiro captado vai para uma conta vinculada ao projeto no Banco do Brasil, monitorada pelo governo.
Que projetos podem ser beneficiados?
A Lei Rouanet pode contemplar filmes de curta e média metragens, mas não se aplica a longa-metragens, caso de "O Agente Secreto".
Conforme as regras, podem captar recursos via Lei Rouanet projetos de:
Artes cênicas: teatro, dança, circo, ópera e mímica.
Música: concertos sinfônicos, música instrumental, erudita, canto coral e música popular.
Artes visuais: exposições de pintura, escultura, fotografia, design, artes gráficas e grafite.
Humanidades: literatura, edição de livros, feiras literárias e incentivo à leitura.
Audiovisual: festivais de cinema, documentários e curta/média metragem.
Como é a fiscalização?
💳 Cada gasto deve ser realizado via transferência eletrônica ou cartão de débito, o que gera um rastro digital automático.
🔍 O Ministério da Cultura utiliza o sistema Salic para acompanhar a execução financeira. Notas fiscais e comprovantes de pagamento devem ser inseridos na plataforma conforme os gastos ocorrem.
Ao final do projeto, o beneficiário deve apresentar um relatório detalhado da produção e da execução financeira, com extratos, notas fiscais e recibos.
Além do Ministério da Cultura, a aplicação dos recursos fica sob o radar de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, da Controladoria-Geral da União e a Receita Federal.
💻 Cidadãos também podem consultar o valor captado, quem doou e como o dinheiro está sendo gasto através do portal Versalic.
Strada, Polo, Argo, T-Cross e HB20: veja o ranking, mês a mês, dos 5 carros mais vendidos de 2025

Fiat Argo e Strada, Volkswagen Polo e Hyundai HB20
arte g1
O Volkswagen Polo ultrapassou as vendas da Fiat Strada por cinco meses e caminhava para se tornar o veículo zero km mais vendido do Brasil em 2025, mas a chegada do Volkswagen Tera mudou o cenário no terceiro trimestre, superando o pequeno hatch até dezembro.
Com isso, mais uma vez, a Fiat Strada foi o veículo novo mais vendido do Brasil, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Em 2025, foram emplacadas 142.891 unidades da picape em todo o país.
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A Strada lidera o ranking de carros e comerciais leves mais vendidos do país desde 2021, quando ultrapassou o Chevrolet Onix. O hatch da GM foi o mais vendido por seis anos, entre 2015 e 2020.
Em 2024, o Onix terminou em terceiro lugar e foram 97.508 unidades. Em 2025 ele foi ultrapassado pelo Fiat Argo logo em fevereiro e ficou atrás até novembro, quando recuperou emplacamentos.
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No final, o Fiat Argo terminou em terceiro lugar, com 102.630 unidades vendidas. As vendas do hatch da Fiat foram 28,4% superiores ao que o Onix conseguiu em 2025 (79.886 unidades).
Veja a evolução de cada um dos cinco carros mais vendidos de 2025, junto do Volkswagen Tera:
O balanço final de emplacamentos foi divulgado oficialmente nesta terça-feira (13) pela Fenabrave. Ao todo, foram mais de 2,6 milhões de veículos novos vendidos no ano passado, melhor resultado desde 2019. (saiba mais abaixo)
Veja a lista de mais vendidos de 2025.
Fiat Strada: 142.891 emplacamentos (1,24% menos que em 2024, quando foram 144.684 unidades);
Volkswagen Polo: 122.622 emplacamentos (12,5% menos que em 2024, quando foram 140.177 unidades);
Fiat Argo: 102.630 emplacamentos (12,6% mais que em 2024, quando foram 91.139 unidades);
Volkswagen T-Cross: 92.837 emplacamentos (10,5% mais que em 2024, quando foram 83.990 unidades);
Hyundai HB20: 85.029 unidades (12.1% menos que em 2024, quando foram 97.079 unidades);
Chevrolet Onix: 79.886 emplacamentos (18% menos que em 2024, quando foram 97.503 unidades);
Hyundai Creta: 76.156 unidades (10,1% mais que em 2024, quando foram 69.116 unidades);
Fiat Mobi: 73.011 unidades (8,3% mais que em 2024, quando foram 67.382 unidades);
Volkswagen Saveiro: 67.752 unidades (18.9% mais que em 2024, quando foram 56.984 emplacamentos).
Algumas movimentações no ranking chamam atenção. A principal é a queda de três posições do Chevrolet Onix, mesmo em um ano em que o modelo ganhou uma nova versão. A mesma situação atinge o Nissan Kicks e o Chevrolet Tracker, SUVs que ficaram fora do top 10.
Volkswagen Tera vendeu mais que Renegade e Corolla
Em agosto, quando os emplacamentos do Tera aceleraram, o Volkswagen Polo perdeu o bom momento e as vendas caíram. A queda continuou e puxou o hatch para baixo até dezembro, quando recuperou parte do volume, mas ainda ficou atrás do SUV de entrada.
O Volkswagen Tera não teve os 12 meses do ano para competir em igualdade e marcar território, mas, ainda assim, o SUV de entrada da marca não fez feio. Em 2025, somou 48.139 emplacamentos, número superior ao total de:
Jeep Renegade: 44.793 emplacamentos;
Fiat Pulse: 44.426 emplacamentos;
BYD Song: 42.181 emplacamentos;
Caoa Chery Tiggo 7: 38.438 emplacamentos;
Volkswagen Virtus: 36.977 emplacamentos;
Hyundai HB20S: 36.947 emplacamentos;
Ford Ranger: 34.047 emplacamentos;
Toyota Corolla: 33.170 emplacamentos;
BYD Dolphin Mini: 32.459 emplacamentos;
GWM Haval H6: 31.964 emplacamentos.
Os 10 veículos mais vendidos do Brasil em 2024
Vendas de dezembro
Em dezembro, a Fiat Strada também liderou o ranking, com mais de 14,5 mil emplacamentos. O Volkswagen T-Cross veio na cola, com 10,7 mil unidades.
Em dezembro, o país emplacou 267.117 veículos novos. Trata-se de uma alta expressiva de 17,5% em relação ao mês de novembro, quando foram registradas 227.153 unidades.
Veja abaixo a lista mensal.
Fiat Strada: 14.536 unidades;
Volkswagen T-Cross: 10.721 unidades;
Volkswagen Tera: 10.448 unidades;
Volkswagen Polo: 10.434 unidades;
Fiat Argo: 10.256 unidades;
Hyundai HB20: 8.928 unidades;
Volkswagen Saveiro: 8.165 unidades.
Hyundai Creta: 8.160 unidades;
Chevrolet Onix: 7.995 unidades;
BYD Song: 7.475 unidades.
Os emplacamentos em 2025
Em 2024, os brasileiros compraram 2.689.179 veículos novos, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O g1 contabiliza motos à parte, e desconsidera implementos rodoviários.
Esse foi o melhor resultado em seis anos, quando o país registrou 2,7 milhões de veículos zero km. O número também representa uma alta de 16,59% em relação a 2023, quando foram emplacados 2,3 milhões de veículos novos.
Veja abaixo o histórico dos últimos anos.
"Tivemos o impacto da fábrica da Toyota por causa do vendaval, o que prejudicou os números e impediu o alcance da projeção inicial de 3%. Por outro lado, o programa Carro Sustentável foi muito positivo para o segmento", afirmou Marcelo Ciardi Franciulli, diretor executivo da Fenabrave.
A projeção da Fenabrave aponta para um crescimento menor em 2026, estimado em 3%. Com isso, o total de veículos vendidos chegaria a 2.625.912 unidades.
Automóveis e comerciais leves: alta de 3% (de 2.549.462 para 2.625.912);
Caminhões: alta de 3,5% (de 110.873 para 114.752);
Ônibus: alta de 3% (de 28.844 para 29.709).
A entidade avalia que o programa Carro Sustentável, responsável pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos populares, será fundamental para sustentar o crescimento em 2026, caso seja ampliado para comerciais leves e modelos de maior valor.
"O programa Carro Sustentável, que reduziu IPI para modelos específicos de entrada, mostrou o positivo impacto nas vendas e poderia favorecer os demais segmentos de automóveis, de maior volume, se ampliado em 2026, para todos os modelos", diz Sérgio Dante Zonta, vice-presidente da Fenabrave.
A economista Tereza Fernandez, consultora da federação, também aposta no programa Carro Sustentável, mas com uma abordagem diferente.
"Se a Fenabrave e os demais participantes conseguirem ampliar o programa Carro Sustentável para veículos híbridos e elétricos, isso deve incentivar as pessoas a comprar mais automóveis", afirmou.
Fatores externos influenciaram a projeção da Fenabrave, elaborada por Tereza. Em sua análise, conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia e medidas tributárias adotadas por países como Estados Unidos e México foram levados em consideração. A consultora também cita fatores internos do Brasil na projeção.
"Há três variáveis básicas para as projeções: o crédito, que está restrito; a inadimplência, que segue em alta; e a relação entre dívida e PIB, que cresceu de forma mais intensa no último trimestre", disse Tereza.
Qual a origem e os riscos da briga entre Trump e o presidente do Banco Central dos EUA

Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell,
Reuters/Kevin Lamarque
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, confirmou neste domingo (11) ter se tornado alvo de uma investigação do Departamento de Justiça (DOJ), em meio a uma disputa com o presidente dos EUA, Donald Trump.
Em mensagem de vídeo publicada na rede social X, Powell atribuiu a abertura do inquérito à pressão exercida pelo governo Trump sobre a política de juros do Banco Central americano.
O depoimento de Powell ao Congresso em junho, a respeito da reforma de US$ 2,5 bilhões (R$ 15,6 bilhões) da sede do Fed em Washington, levou à abertura de uma investigação criminal por procuradores federais.
Durante o primeiro mandato de Trump e desde o retorno do republicano à Casa Branca, há um ano, ambos entraram repetidamente em confronto devido a decisões sobre taxa de juros.
Departamento de Justiça dos EUA processa presidente do Banco Central
O presidente do Fed tem defendido que a instituição deve definir sua política monetária de maneira independente, guiada por dados econômicos, e não sob pressão política.
O que gerou a disputa entre Trump e Powell?
Trump tem se tornado cada vez mais explícito em suas críticas às decisões do Fed. Em março passado, quando o Fed manteve as taxas de juros estáveis, o presidente afirmou que o Fed estaria "muito melhor se cortasse as taxas".
Em abril, no chamado anúncio do Dia da Libertação — quando anunciou a primeira leva de tarifas de importação —, Trump disse que taxas de juros mais baixas ajudariam a economia dos EUA a lidar com suas novas e abrangentes tarifas sobre bens adquiridos de importantes parceiros comerciais.
Depois de chamar Powell de "estúpido" e "cabeça oca", Trump foi além nas suas críticas à política monetária em julho, após o Fed ainda não ter cortado as taxas, dizendo que ela estava "prejudicando as pessoas".
Sede do Federal Reserv (Fed), Banco Central dos EUA.
REUTERS/Joshua Roberts
Trump também tomou medidas contra outras figuras importantes do Fed, incluindo a integrante do conselho de administração Lisa Cook, a quem tentou destituir sob a acusação de fraude hipotecária. O litígio ainda aguarda uma audiência na Suprema Corte dos EUA.
Em meados de 2025, a imprensa dos EUA noticiou que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, seria o principal nome para substituir Powell quando seu mandato terminasse, em maio. Em dezembro, Trump disse em reunião com o seu governo que havia oferecido o cargo a Bessent, mas que ele não o aceitou.
No mesmo dia, Trump deu a entender que o seu conselheiro econômico, Kevin Hassett, seria o favorito. Outros relatos na imprensa americana sugerem que o governo Trump estava sondando uma lista mais ampla de possíveis sucessores, que inclui ainda o ex-diretor do Fed Kevin Warsh, o atual diretor Christopher Waller e Rick Rieder, executivo da gestora de investimentos BlackRock.
No final do ano passado, Trump disse que anunciaria o sucessor de Powell em janeiro. A crescente especulação em torno do sucessor evidencia a enorme pressão que o presidente do Fed já vinha enfrentando muito antes de a investigação criminal se tornar pública, no fim de semana.
Por que Powell está sendo investigado?
A investigação decorre do depoimento de Powell perante o Comitê Bancário do Senado dos EUA em junho, quando ele minimizou os custos excessivos relacionados à reforma da sede do Fed e a recursos de luxo desnecessários, incluindo terraços e jardins na cobertura, pisos de mármore de alta qualidade e coleções de arte particulares.
Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell
Reuters
O presidente do Comitê Bancário do Senado, Tim Scott, havia expressado preocupação após um artigo do jornal New York Post comparar o projeto ao Palácio de Versalhes, na França – a antiga residência real perto de Paris, encomendada pelo rei Luís 15.
Powell rebateu o que chamou de alegações "imprecisas" e "enganosas" e negou a aquisição de itens de luxo, afirmando que o projeto, autofinanciado pelo Fed e não com o dinheiro dos contribuintes, era voltado à modernização e redução de custos a longo prazo.
Um mês depois, a congressista republicana Anna Paulina Luna anunciou que encaminharia ao Departamento de Justiça uma acusação contra Powell de perjúrio e de fazer declarações falsas.
O DOJ raramente comenta investigações em andamento. Neste domingo, um porta-voz da agência se recusou a reagir à declaração de Powell, afirmando apenas que "a Procuradoria-Geral instruiu os procuradores federais a priorizar a investigação de qualquer abuso do dinheiro dos contribuintes."
Powell chama investigação de ameaça
Em sua mensagem de vídeo, Powell classificou a investigação como uma "ação sem precedentes" que, segundo ele, estaria ligada à pressão do governo Trump sobre a política de taxas de juros.
"Esta nova ameaça não tem que ver com meu depoimento em junho passado ou com a reforma dos prédios do Federal Reserve. Esses são pretextos", afirmou.
"Trata-se de saber se o Fed será capaz de continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e condições econômicas ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação."
"O serviço público às vezes exige firmeza diante de ameaças", sublinhou Powell, acrescentando que continuaria a exercer o cargo "com integridade e o compromisso de servir ao povo americano".
A investigação fez o dólar cair nesta segunda-feira, enquanto o ouro atingia o recorde de 4.600,33 dólares por onça (o equivalente a 31,1 gramas).
A Casa Branca negou que Trump esteja por trás da investigação lançada pelo Departmento de Justiça. O próprio Trump negou qualquer conhecimento ou envolvimento, mas reiterou sua crença de que Powell "certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom em construir prédios".
"O que deveria pressioná-lo [Powell] é o fato de que as taxas estão muito altas. Essa é a única pressão sobre ele", disse Trump neste domingo em entrevista à emissora NBC News.
O que faz o Fed e por que sua independência é crucial?
Como Banco Central da maior economia do mundo, a missão principal do Fed é a execução de uma política monetária, o que inclui definir as taxas de juros, manter a inflação próxima à meta de 2%, apoiar o nível máximo de emprego e manter o sistema financeiro estável.
A instituição também supervisiona os bancos, atua como credor de última instância durante crises financeiras e ajuda a manter o fluxo de crédito na economia dos EUA, que por décadas também tem sido o mercado de investimentos mais atraente do mundo.
Como o dólar americano é a chamada moeda de reserva mundial, com a qual grande parte do comércio global é realizado, as decisões do Fed sobre as taxas de juros têm efeitos globais em cascata, influenciando custos de empréstimo, fluxos de capital e crescimento econômico muito além dos Estados Unidos.
Presidente dos EUA, Donald Trump
Julia Demaree Nikhinson/AP
O Fed não é financiado pelo governo dos EUA. Ele obtém rendimentos de empréstimos a bancos corporativos e de seus investimentos em títulos do governo americano, moedas e outros valores mobiliários.
A independência do Fed é amplamente vista como crucial para evitar pressão política, que muitas vezes se baseia em objetivos de curto prazo devido ao ciclo eleitoral presidencial de quatro anos dos EUA.
As decisões de cortar ou aumentar as taxas de juros são vitais para evitar alta inflação e estabilizar a economia americana durante recessões.
Embora essas medidas possam ser impopulares entre os eleitores, os defensores da independência do Fed dizem que entregar o controle das taxas de juros a políticos eleitos coloca em risco a estabilidade da economia.
Nesta terça-feira, um grupo de presidentes de bancos centrais de todo o mundo manifestou seu apoio a Powell. "A independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos a quem servimos", afirmam os signatários, entre eles o brasileiro Gabriel Galípolo e Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu.
Muito além das decisões do Fed, economistas e líderes empresariais alertaram que as tarifas comerciais sem precedentes de Trump prejudicaram a confiança dos investidores na dívida soberana dos EUA e no futuro da economia em longo prazo.
Tesouro vê rombo nas contas até 2027, alta maior da dívida e cita 'medidas adicionais' para atingir metas

A Secretaria do Tesouro Nacional divulgou nesta semana o Relatório de Projeções Fiscais do segundo semestre do ano passado, documento que aponta para uma piora das contas públicas.
Segundo as estimativas oficiais do Ministério da Fazenda, as contas do governo deverão permanecer em campo negativo até o ano de 2027 — o primeiro do presidente da República que será eleito no fim deste ano. O documento anterior, divulgado em julho, projetava as contas no azul em 2027.
O Tesouro aponta piora nas contas do governo apesar da vigência do chamado "arcabouço fiscal", a nova regra para a s contas públicas aprovada em 2023. Por essas regras, há o entendimento:
a despesa não pode registrar crescimento maior do que 70% do aumento da arrecadação;
a alta de gastos fica limitada, em termos reais, a 2,5% por ano;
o arcabouço busca conter o crescimento da dívida pública no futuro.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
➡️A autorização para realização de gastos fora da meta fiscal, por conta de exceções, é uma crítica constante de analistas ao regramento adotado para as contas públicas. A percepção é que isso dificulta o equilíbrio fiscal.
Medidas adicionais de arrecadação
O governo também avalia que "medidas adicionais de arrecadação devem ser propostas para compatibilizar a receita com a trajetória contratada para as despesas primárias, garantindo o alcance das metas fiscais".
"O exercício estima, assim, o esforço adicional de arrecadação que pode ser necessário para concretizar o alcance das metas de resultado primário definidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 a saber: 0,25% do PIB em 2026, 0,5% do PIB em 2027, 1,0% do PIB em 2028 e 1,25% do PIB em 2029, supondo-se que esse nível será mantido também de 2030 em diante", diz o Tesouro Nacional.
Nos últimos anos, a gestão petista elevou uma série de tributos para atingir as metas fiscais. Relembre:
Aumento da tributação sobre combustíveis;
Tributação de fundos exclusivos, os "offshores";
Mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
Tributação das bets;
Imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas);
Reoneração gradual da folha de pagamentos;
Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
Aumento do IOF sobre crédito e câmbio;
Aumento de tributos para fintechs;
Elevação da taxação dos juros sobre capital próprio.
Por conta dos aumentos de impostos, segundo a Receita Federal, a carga tributária brasileira (patamar de impostos pagos em relação à riqueza do país, englobando União, estados e municípios), cresceu em 2024 e bateu recorde, atingindo o maior nível em mais de duas décadas.
Tesouro vê rombo nas contas até 2027, cita 'medidas adicionais' de arrecadação para atingir metas e vê alta maior da dívida
Jornal Nacional/ Reprodução
Dívida pública com alta maior
Ao mesmo tempo, o documento também prevê um crescimento maior da dívida pública, que deve atingir 83,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 — fim do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Isso representa um crescimento na comparação com a estimativa anterior, divulgada em julho de 2025, quando o Tesouro estimava que a dívida terminaria esse mandato em 82,3% do PIB para o fim deste ano.
Se confirmada a nova projeção, esse será o maior patamar desde março de 2021, quando estava em 85,1% do PIB, ou seja, em quase seis anos.
Também significa que o endividamento brasileiro avançará 12,5 pontos percentuais no atual mandato de Lula, pois estava em 71,7% do PIB no fim de 2022.
🔎 A dívida do setor público consolidado é um conceito fiscal que representa o montante total das obrigações financeiras assumidas por um ente da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), apurado sem duplicidade.
🔎 O indicador é considerado um termômetro da chamada "solvência" de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.
💵 Em termos práticos, com uma dívida mais alta há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país.
➡️No documento, o Tesouro Nacional também indica que o endividamento continuará avançando até 2032, quando atingirá 88,6% do PIB (pelo critério do BC e do Ministério da Fazenda). Veja gráfico abaixo:
➡️Comparação internacional
A metodologia utilizada no cálculo do indicador pelo Tesouro Nacional, e também pelo Banco Central, entretanto, não observa as normas internacionais. Em nota, o Banco Central informou que seu método, utilizado desde 2008, "reflete as características institucionais brasileiras".
➡️ No padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), referência para comparação internacional — que inclui todos títulos públicos que estão na carteira do BC no endividamento brasileiro —, a dívida do país é muito maior: 92,4% do PIB (patamar de novembro).
🌎Na comparação internacional, o endividamento brasileiro já estava muito próximo do padrão de países da Zona do Euro em 2024; bem acima de países da América Latina e de nações emergentes. Mas segue abaixo endividamento de países desenvolvidos.
➡️Dívida pública por mandatos pelo critério do FMI
Pelo critério utilizado pelo FMI, a dívida pública brasileira fica, em média, cerca de 12 pontos acima do padrão registrado pelo Banco Central.
Considerando a projeção do Tesouro Nacional de um endividamento de 83,6% do PIB em 2026, ela somaria cerca de 95,6% do PIB no final do atual mandato de Lula — no critério do FMI.
Lula (2003 a 2006): queda de 11,5 pontos do PIB;
Lula (2006 a 2010): recuo de 2,2 pontos do PIB;
Dilma Rousseff (2010 a 2014): queda de 0,8 ponto do PIB;
Dilma Rousseff (2014 a agosto de 2016): alta de 10,7 pontos do PIB;
Michel Temer (setembro 2016 a dezembro de 2018): alta de 12,5 pontos do PIB;
Jair Bolsonaro (2019 a 2022): recuo de 0,8 ponto do PIB;
Lula (considerando a projeção do Tesouro Nacional): alta de 11,6 pontos percentuais.
Contra biopirataria, açaí é reconhecido em lei como fruta nacional do Brasil

Açaí é reconhecido em lei como fruta nacional do Brasil para coibir casos de biopirataria
O açaí passou a ser oficialmente reconhecido como uma fruta nacional do Brasil. A medida está prevista na lei nº 15.330 de 2026, publicada no último dia 8, no Diário Oficial da União.
A expectativa é que a legislação ajude a coibir casos de biopirataria (veja mais abaixo).
Um dos casos mais emblemáticos aconteceu em 2003, quando uma empresa japonesa chegou a patentear o açaí. O registro foi cancelado em 2007, após atuação do governo brasileiro.
Típico da região amazônica, o açaí é o fruto do açaizeiro e tem diferentes usos. A polpa é amplamente consumida como alimento e também utilizada pela indústria de cosméticos.
As sementes são aproveitadas no artesanato e como fonte de energia, em substituição à madeira. Do caule, é extraído o palmito, enquanto as raízes têm uso tradicional como vermífugo.
A nova norma teve origem em um projeto de lei aprovado pelo Senado em 2011 e que passou na Câmara dos Deputados 14 anos depois, no fim de 2025.
O texto alterou a Lei 11.675, de 2008, que reconhecia o cupuaçu como fruta nacional.
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O que é biopirataria
A biopirataria refere-se à exploração não autorizada, coleta, transporte, uso ou comercialização de recursos biológicos da natureza, como plantas e frutos, animais, micro-organismos e conhecimentos tradicionais associados a esses recursos, sem a devida permissão dos detentores legítimos desses recursos ou sem a compensação justa .
O tráfico de animais para fins científicos, por exemplo, é comum nessa “cadeia de ilegalidades”, onde substâncias químicas de serpentes, sapos, aranhas e besouros são aproveitadas para pesquisas ilegais e produção de medicamentos.
A prática muitas vezes envolve uma apropriação não ética de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais, muitas vezes de regiões geográficas específicas.
Como 'Malhação' e surfista lançaram a moda do açaí na década de 90
Açaí antes da seleção de frutos bons para a comercialização
Rafael Leal / g1
Crescimento do Brasil deve desacelerar em 2026, diz Banco Mundial

O crescimento dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento deve desacelerar para 4% em 2026, em comparação ao crescimento de 4,2% registrado em 2025. Para o Brasil, a estimativa é de uma expansão de 2% neste ano, após a alta de 2,3% em 2025.
As estimativas foram divulgadas nesta terça-feira (13), no relatório semestral Perspectivas Econômicas Globais do Banco Mundial. Excluindo a China, no entanto, a instituição estima que a taxa de crescimento de 2026 para os mercados emergentes e das economias em desenvolvimento será de 3,7%, sem alterações ante 2025.
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Segundo o Banco Mundial, o crescimento da China vai diminuir de 4,9% em 2025 para 4,4% neste ano. Ambas as previsões representam um aumento de 0,4 ponto percentual (p.p.) em comparação à estimativa de junho — reflexo do estímulo fiscal e do aumento das exportações para mercados fora dos Estados Unidos.
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A instituição alertou, ainda, que apesar de o relatório apontar que a economia global tem se mostrado mais resiliente do que o esperado, o crescimento ainda está muito concentrado em países mais avançados e bastante fraco para reduzir a pobreza extrema.
De acordo com o relatório, o avanço da produção global deve desacelerar ligeiramente este ano, para 2,6% — ante o crescimento de 2,7% registrado em 2025. O número representa um aumento de 0,2 p.p. em relação às últimas previsões divulgadas em junho.
Segundo o Banco Mundial, cerca de dois terços da revisão para cima refletem o crescimento melhor do que o esperado nos EUA, apesar dos problemas no comércio causados pelas tarifas. Ele prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) americano atingirá 2,2% em 2026, em comparação com 2,1% em 2025.
Depois que um aumento nas importações para superar as tarifas no início de 2025 afetou o crescimento dos EUA naquele ano, incentivos fiscais maiores ajudarão o crescimento em 2026, compensados pelo peso das tarifas sobre o investimento e o consumo, disse o Banco Mundial.
Porém, se as previsões atuais se mantiverem, a década de 2020 está a caminho de ser a mais fraca para o crescimento global desde os anos 1960 e será muito baixa para evitar a estagnação e o desemprego nos mercados emergentes e nos países em desenvolvimento, afirmou o credor global.
"A cada ano que passa, a economia global tem se tornado menos capaz de gerar crescimento e aparentemente mais resiliente à incerteza das políticas", disse Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, em um comunicado. "Mas o dinamismo econômico e a resiliência não podem divergir por muito tempo sem fraturar as finanças públicas e os mercados de crédito."
Sede do Banco Mundial, em Washington, nos EUA.
Raphael Satter/Reuters
*Com informações da agência de notícias Reuters